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22 de fevereiro de 2016

Rio 2016: Baleia

Na primeira vez que ouvi Baleia me veio à mente o termo "pop rock barroco". Uma música rebuscada porém acessível, que chama atenção logo de cara mas carrega certo mistério a ser descoberto. As descrições afoitas podem classificá-los como filhos do Los Hermanos, mas os barbudos cariocas se encaixariam melhor se os pensarmos como aqueles companheiros de escola mais velhos com os quais convivemos mas pertecem, cada a um, a turmas distintas.

Vê-los ao vivo é como acompanhar a transformação de um mogwai: assim como as criaturas que se transformavam em gremlins se alimentadas após a meia-noite ou molhadas, no palco a fofura e a suavidade da Baleia se dissipam em meio ao peso e à presença encorpada da banda. Não por acaso, após o lançamento do álbum de estreia em 2013 (Quebra Azul), o segundo lançamento da banda foi o EP Ao Vivo na Maravilha8 (de 2015) que registra parte dessa potência do show. Naquela técnica preguiçosa, porém eficaz, de se buscar referências, seria algo como um encontro entre Blonde Redhead, Los Hermanos e Dirty Projectors.



A banda se destacou na internet em 2011 com um cover de Justin Timberlake e, depois, por ter entre seus integrantes Maria Luiza Jobim. Se, na época, corria o risco de ser marcada como "a banda da filha do Tom Jobim", após a saída de Maria Luiza o aspecto coletivo se difundiu como uma das marcas da banda: as composições são assinadas coletivamente, os integrantes se revezam nas entrevistas e, a julgar pelas falas e pela diversidade sonora esultante, parece ser algo sincero e orgânico. Os arranjos, parte de destaque na Baleia, se beneficiam dessa coletividade e da musicalidade dos integrantes - metade deles toca mais de um instrumento na banda (o vocalista/violonista GabrielVaz, por exemplo, era o baterista da banda no vídeo com o cover do Timberlake).

A experimental "Volta", lançada no segundo semestre de 2015, sugere os caminhos do novo disco (já descrito pela banda como "mais 'Breu' e menos 'Casa'"). Ou seja, mais enérgico e intenso, menos pop. Gravado durante um retiro na Serra das Araras, no Rio de Janeiro, e produzido novamente por Bruno Giorgi em parceria com a banda, o disco será lançado ainda no primeiro semestre de 2016 e até o momento tem dois singles lançados (os vídeos que acompanham este texto, das faixas "Volta" e "Estrangeiro").

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