6 de dezembro de 2016

Achei que devia fazer um texto sobre os 10 anos do blog mas não pensei num título bom



6 de dezembro de 2006. As capas dos jornais informam sobre o caos nos aeroportos brasileiros (uma prévia do "relaxa e goza"). Nasa encontra provas de água em Marte. Saddam Hussein ainda está vivo e acaba de ser sentenciado à morte. Um Golpe de Estado em curso em Fiji. Lula reeleito com mais de 60% dos votos. Playstation 3 e o Wii são lançamentos recentes.  Randy Rhoads faria 50 anos se estivesse vivo. Sarah Sheeva ainda vê AQUILO MARAVILHOSO.

Às 11:19 daquela quarta-feira, provavelmente durante uma aula chata de diagramação, fiz a primeira publicação por aqui. Talvez fosse a época em que eu estudava jornalismo pela manhã, trabalhava de tarde, estudava design de noite e chegava em casa à meia-noite, na região metropolitana de BH. A memória falha, mas não é necessariamente um problema, já que o que esquecemos também é parte do que define o que somos. 1.329 posts depois, percebo que parte do que sou hoje passa por aqui. E que durou todo esse tempo porque sempre escrevi para mim em primeiro lugar, independente de visitantes. Porque em meio a todas as falhas, textos ruins e a prepotência irônica da adolescência também havia a curiosidade, o prazer do descobrimento e ____________ (complete com outras coisas que vemos em textos motivacionais).

Eu não conhecia nenhum músico, nenhum produtor, nenhum jornalista. No meu blog anterior, tampava os rostos de todos os músicos nas fotos porque acreditava que a única coisa que importava era a música em si, não a aparência, os egos. Achava a coisa mais brega e egocêntrica os nomes próprios dos artistas em suas carreiras solo (quer dizer, ainda acho). Acreditava que a arte só poderia ser sincera e livre se gratuita, desvinculada de relações mercadológicas. Só que a realidade pro filho de uma ex-caixa de supermercado e um ex-entregador de pães é bem distinta de uma utopia artística. O processo é lento. E se em um primeiro momento imaginar certo conformismo gera decepção, em outro a mesma lentidão te faz acreditar que é possível mudar as coisas por dentro. Estar dentro do sistema para tentar mudá-lo. "Você vai escolher o que tiver mais perto de você, o que tiver dentro da sua realidade", dizem os Racionais.

Revisito os arquivos com parcimônia (não sei de onde me veio a vontade de usar essa palavra, mas veio), faz parte de um processo de autocrítica. Por mais que às vezes eu não reconheça o autor daquelas publicações, os textos que geraram 80 mil acessos em um dia e os que ficaram nos 100 leitores importam da mesma forma porque têm um valor pessoal (há anos, aliás, sequer acompanho as métricas de acesso do blog). E, imagino, algum valor pra outras pessoas.

É só mais uma entre várias abstrações, mas considerei a data um momento pertinente pra recapitulações. O rio nunca é o mesmo, não é? Recentemente anotei a fala de um neurologista (no contexto original, sobre sinapses e esquizofrenia): "o segredo do aprendizado é a eliminação sistemática do excesso. É principalmente morrendo que nós crescemos". Tem a ver com a euforia da infância e da adolescência, os processos do corpo. E funciona também aqui.

Em 2006, escrevia da perspectiva de alguém com muitos "nuncas" na vida (como nunca ter saído de Minas Gerais) e a ingenuidade de acreditar que poderia fazer o que quisesse na vida. Cortei alguns nuncas e continuo tentando, mas se der errado a preparação já foi feita. E no geral, a gente sabe, o que vale é o processo.

E sobre música, cena independente, indie e afins? Esqueci das aspas. Muitas.

Aff...

Bem, melhorou. Tanto pra quem produz como pra quem gosta de ouvir (pra evitar a palavra "consome"). E também derrubou ainda mais a barreira entre esses dois pontos da cadeia (quem produz e quem ouve). Os algoritmos do Spotify e afins, por exemplo, são uma alternativa bem mais interessante do que textos de Facebook sobre as bandas dos amigos dos seus amigos ou blogueiros querendo pagar de descolados com suas escolhas diferentonas. É relativamente fácil descobrir as casas de show que abrangem determinado gênero musical em cada cidade e entrar em contato com produtores do mundo todo. Não que isso já não fosse possível em 2006, mas agora mais gente já se tocou de que, opa, isso dá pra fazer (piada geograficamente localizada, entendedores entenderão).

Parte do que é ruim permanece da mesma forma. Produtores que pensam apenas no dinheiro, jornalismo à base de amizade, músicos que tentam tirar os méritos do outro que começar a se destacar mais. Recalque, inveja, insegurança? Em cada cidade a história se repete, é comum encontrar aqueles que se acham injustiçados e reclamam dos demais, das panelas da cena (as "panelas", quase sempre mal-acompanhadas em um contexto fora do culinário).  E assim se fecham nos próprios nichos, às vezes reproduzindo uma das práticas mais questionáveis do rap, que é identificar oponentes de maior visibilidade e tentar chamar atenção para si ao atacá-los (sobre o assunto, vale a audição dessa e dessa outra música - gosto de ambas, apesar de discordar de pontos dos discursos). Não que sejam críticas vazias (apesar de serem só chorume na maior parte das vezes). Mas o que mais vejo são pessoas que sequer contribuem efetivamente pra que aconteça uma real melhora, apenas pensam em seus próprios egos trabalhos, não vão aos shows de outros artistas, não divulgam trabalhos alheios (em um sentido mais amplo, alguém fora da sua patota), não buscam uma troca maior. E trocas, intercâmbios, a gente sabe, são geralmente bons.

Voltando ao assunto original.

Este ano também marcou um desejo antigo, o Festival Meio Desligado. Ingressos esgotados e uma satisfação enorme por ter a Guizado, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Sara Não Tem Nome e Luneta Mágica na primeira edição. Os planos são uma segunda edição em breve, independente de patrocínios ou apoios. Por aqui, continuar com um texto semanal (pensei em definir uma atualização sempre na segunda-feira mas gosto da liberdade de publicar quando quiser) e algumas séries temáticas já em andamento. Além de continuar e ampliar as atividades da Quente, claro. Aproveito pra pedir desculpas a todos que enviam emails e não têm resposta, eu realmente leio muito pouco os emails do blog e por isso peço pra enviar via Twitter.

Pensei em citar Belchior agora, mas achei cafona (apesar de real). Quem sabe com o tempo a gente acerte mais, né?


1 de dezembro de 2016

100 bandas de BH pra ver ao vivo, hoje

Sem restrição de gêneros, apenas uma lista com bandas de BH atualmente ativas. De novidades do rap como a DV Tribo e o novo single metalcore do Carahter a "hits locais" antigos do Graveola, por exemplo. Indie, MPB, funk, metal, samba, jazz, ska, hardcore... um pouco de tudo do que rola atualmente na cidade.

Comecei essa lista como uma pesquisa pra futuros eventos da Quente (e pro festival Meio Desligado 2017) e achei válido tornar pública pra que mais pessoas tenham contato com parte da produção contemporânea de BH. Fiquei surpreso com a quantidade de artistas que possuem vários trabalhos lançados e ainda estão fora das plataformas de streaming (por isso a ausência de alguns nomes relevantes na lista).

Sugestões pra continuar atualizando a lista são super bem vindas, só mandar nos comentários. Ah, e fica a dica pra seguir o perfil do Meio Desligado no Spotify.

21 de novembro de 2016

6 vídeos: Tagore, O Terno, Carne Doce, Wannabe Jalva e Oceania

Foi-se o tempo de usar a expressão "parece clipe gringo" como sinônimo de qualidade. Com diferentes orçamentos e estéticas, a produção brasileira atual reflete a evolução do mercado independente e é cheia de bons exemplos de clipes que são ótimas introduções aos trabalhos das bandas (além de funcionarem isoladamente também).

Autor de um dos grandes álbuns de 2016, o pernambucano Tagore também lançou dois ótimos singles: "Mudo" (alguém aí disse "hit indie"?) e "Pienal", ambos seguindo a linha da psicodelia moderna transformada em fenômeno mundial pelo Tame Impala. A banda gaúcha Wannabe Jalva veio repaginada e swingada em "Mareá", cantando em português e com participação do Curumin. A Carne Doce, de Goiânia, cresceu em seu segundo disco e reflete isso no single "Artemísia", densa e poética (musical e visualmente). Os paulistas d'O Terno são uma fábrica de bons vídeos, praticamente o equivalente brasileiro do Ok Go (só que musicalmente muito melhor, né?). Aqui, registro apenas o clipe de "Ai, ai, como eu me iludo", simplesmente um dos melhores do ano, não apenas no Brasil. E pra fechar, vídeo novo do Oceania, banda recém-formada pelo Gustavo Drummond, lenda do rock alternativo mineiro e que esteve à frente do Diesel e do Udora. Gravado em um esquema de baixíssimo orçamento, dentro de uma sala e com "fundo infinito" de tnt feito pelos próprios integrantes, é exemplo de que não é necessário ter muita estrutura para se alcançar bons resultados de acordo com a estética de cada banda.
 

10 de novembro de 2016

O Terno e Young Lights ao vivo em BH

Alguns vídeos da edição da mostra Música Quente que fizemos em BH no dia 21 de outubro com o lançamento do disco Melhor do que parece, d'O Terno, na cidade. Essa foi a última edição do Música Quente em 2016, projeto através do qual a Quente fez uma série de shows de lançamentos de discos em BH. Você pode assistir a vídeos de todos os shows em uma playlist específica no canal da Quente no Youtube.



2 de novembro de 2016

TREMOR, um festival pra comemorar os 20 anos da Obra

Se alguma vez você já se envolveu com a vida cultural noturna de BH é provável que já tenha ouvido falar d'A Obra. Localizada no subsolo de um prédio comercial da Savassi (um dos bairros mais movimentados da cidade, na região centro-sul), a Obra é o principal reduto do rock alternativo na cidade, na ativa desde 1997. Por lá passaram bandas como a japonesa Guitar Wolf, Marcelo D2 e Pitty em início de carreira e centenas de artistas alternativos, de Wander Wildner, MQN e Wry, a Gram, Black Drawing Chalks, Supercordas e novos nomes como Francisco El Hombre, My Magical Glowing Lens e Rafael Castro, sem contar o espaço sempre aberto pra novas bandas de BH. Não foram poucas as vezes em que saí direto da Obra pra faculdade.

Pra marcar os 20 anos da casa, A Obra e a Quente se juntaram pra criar o Tremor, um festival que se estende por oito meses e culmina justamente no dia 22 de junho de 2017, data do aniversário. Uma vez por mês, sempre às quintas, importantes bandas da cena alternativa tocarão ao lado de grupos de destaque na noite belorizontina. A ideia é misturar diferentes gerações de bandas e apresentar novos artistas ao público ao mesmo tempo em que promove shows de nomes já consagrados no underground.

A primeira edição do projeto é no dia 3 de novembro com a banda paulistana Ludovic, nome fundamental do rock alternativo brasileiro dos anos 2000 e que voltou à ativa em 2015 após longo hiato, e os mineiros da Aldan. No dia 22 de dezembro será a vez da lendária Autoramas, também prestes a completar 20 anos de existência, tocar novamente n'A Obra, dessa vez com a mineira Pequena Morte. Os shows de janeiro de 2017 já estão fechados e serão divulgados no fim de dezembro. Quem tiver indicações de artistas que gostaria de ver na Obra pode enviar diretamente para os produtores nas páginas da Quente e da Obra no Facebook.




20 de setembro de 2016

Zimun grava primeiro DVD no baixo centro de BH




Inspirada no improviso do jazz, na fluência do hip hop e na urbanidade de ambos os estilos, a banda mineira Zimun fará show especial de gravação de seu primeiro DVD no dia 29 de setembro, quinta-feira, a partir das 22h, no Baixo Centro Cultural (Rua Aarão Reis, nº 554, Centro, BH). O espetáculo tem direção artística de Gustavo Amaral e arranjos musicais de Felipe Vilas-Boas e da própria banda. O show contará com participações especiais dos músicos Juventino (trompete), Robson Batata (percussão) e Gabruga (teclados). No comando das pick-ups, antes e após o show, Dj Nest.

O público vai conferir canções como “Vida Saturada", “Minha Vida é Essa” e “Blue Sky” em arranjos especiais e músicas novas como “Folclore”, “Cidadão do Mundo” e outras construídas na residência artística que o grupo fez em Lisboa durante 2015. Tudo é resultado da inventiva mistura sonora do grupo formado por Ravel Veiga (baixo), Edgar Dedig (guitarra), Gabriel Bruce (bateria), Matéria Prima (vocal) e Fernando Castilho (vocal).

Formado em BH em 2009, o Zimun tem como principais características o improviso e as construções sonoras arquitetadas nos sons urbanos. Jazz, rap, rock e MPB se juntam para resultar no estilo definido como Street Jazz.

Em sua discografia a banda possui dois EPs, de 2010 e 2012, e seu primeiro álbum, intitulado PRAFRENTE, foi lançado em dezembro de 2014. O Zimun fez sua primeira tour européia entre julho e agosto de 2014, com 16 shows agendados entre Portugal e Itália. Retornou à Europa em 2015, desta vez focado em uma residência artística no Espaço Espelho D’água em Lisboa, onde foi proposto uma construção sonora, experimentações e improvisos com músicos portugueses e angolanos, que resultou em 3 novas composições.

10 de setembro de 2016

Música Mundo + Transborda

De 14 a 19 de setembro a agenda cultural de BH terá dois importantes eventos acontecendo simultaneamente: o Música Mundo - Encontro Internacional de Negócios e Música e o Festival Transborda. São eventos parceiros e complementares. Enquanto o Transborda oferece as apresentações musicais, o Música Mundo é direcionado a outros momentos da cadeia produtiva com rodadas de negócios entre produtores e artistas e paineis com profissionais envolvidos no mercado musical. Ao todo, são mais de 40 convidados nas rodadas e paineis do Música Mundo, boa parte deles de outros países. A programação do Transborda é gratuita e as inscrições para as atividades de negócios do Música Mundo custam entre R$ 20 e R$ 60.
 

7 de setembro de 2016

Financiamento coletivo para o festival Radioca em Salvador

Desdobramento do programa de rádio de mesmo nome, o festival Radioca pretende ter sua segunda edição realizada nos dias 3 e 4 de dezembro de 2016 em Salvador. Para isso, foi lançada uma campanha de financiamento coletivo que ficará aberta a contribuições até o dia 18 de setembro. Sua primeira edição, realizada ano passado, teve uma curadoria afiada com Cidadão Instigado, Anelis Assumpção, Apanhador Só, Siba, Mulheres Que Dizem Sim e os baianos O Quadro, Ifá Afrobeat e Pirombeira. O time por trás do festival envolve o jornalista Luciano Matos (do fundamental blog baiano El Cabong), Roberto Barreto (da BaianaSystem) e Ronei Jorge (Tropical Selvagem e Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta).

Por enquanto, a única atração divulgada do festival em 2016 é a banda paulista Aláfia e a sergipana The Baggios toca na festa de divulgação da programação do festival, a ser realizada dia 6 de outubro.

Entre os tipos de recompensas disponíveis estão os básicos ingressos antecipados, passaportes para festas em Salvador, kits de CDs até consultoria de comunicação para bandas, discotecagens e massagem ayurvédica (!!!).

30 de agosto de 2016

Registro da cena: Flávio Charchar

Às vezes estamos tão perto de algo que é difícil ter uma visão crítica, perceber a real dimensão daquilo. Geralmente o resultado disso é a superestimação de iniciativas próximas da gente, como aquela banda ruim de amig@s que você gosta principalmente devido ao valor sentimental. Mas o inverso também acontece e por vezes subestimamos aquilo com o qual estamos acostumados. Reparar no trabalho do fotógrafo Flávio Charchar me fez pensar nisso.

Talvez você não o conheça pessoalmente mas, se já se envolveu de alguma forma com a cena musical independente de BH, é bem provável que já tenha visto alguma(s) de suas fotos. São dele ensaios fotográficos de diversos artistas da cena local como Nobat, Todos os Caetanos do Mundo, Sentidor, Aline Calixto, Túlio Araújo e outros. É daquele raro (infelizmente) tipo de pessoa com presença constante nos mais diversos shows, de Napalm Death a Eumir Deodato, de balada de playboy a experimental fritação.

Antigo bancário, enveredou pelo audiovisual fazendo parte do Coletivo Pegada e atualmente é um dos principais fotógrafos do meio musical em BH. Conferir seu portifólio no Flickr (com mais de 30 mil fotos) é também acompanhar um recorte do que tem acontecido na cultura de BH.

Lote 42 na Benfeitoria Silva Tiago Iorc Nobat Luneta Mágica

26 de agosto de 2016

Festival No Ar Coquetel Molotov chega a BH e divulga primeiras atrações


Em 2007/2008, eu depositava a grana dos correios pra que o pessoal do Recife me enviasse as edições da revista Coquetel Molotov. Em 2011, conheci Salvador indo trabalhar em uma edição do festival por lá. Então dá um prazer especial divulgar que estou envolvido na primeira edição do festival No Ar Coquetel Molotov BH.

A versão mineira do Coquetel é uma realização da Quente em parceria com a Coda (criadora e produtora do festival do Recife) e será realizada no dia 15 de outubro no CentoeQuatro, uma antiga fábrica de tecidos no centro de BH convertida em espaço cultural. As primeiras atrações divulgadas são a cantora Ava Rocha (pela primeira vez em BH), o grupo mineiro Pequeno Céu (prestes a lançar disco novo) e o pernambucano Jam da Silva. Várias outras atrações e atividades serão divulgadas nas próximas semanas, mas os ingressos já estão à venda por valores super em conta: R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira). Realizado no Recife desde 2004, o Coquetel Molotov consolidou-se como um dos principais festivais do país e, além de reunir a nata do indie nacional, já teve bandas gringas como Dinossaur Jr, The Kills, Teenage Fanclub, Health, Blonde Redhead, Nouvelle Vague, Peter Bjorn and John, The Sea and Cake e Guillemots.

SOBRE AS PRIMEIRAS ATRAÇÕES CONFIRMADAS
Voz rara, doce e poderosa, cheia de texturas tropicalistas e herdeira direta de Macalé, Ava Rocha é uma das maiores revelações da música brasileira. A filha de Glauber e da também cineasta Paula Gaitán atua em parceria com o marido e compositor Negro Leo. Seu disco “Ava Patrya Yndia Yracema” foi produzido por Jonas Sá, gravado e mixado por Martins Scian, com uma banda poderosa e cheio de participações especiais, mas sem desviar em nenhum acorde ou letra do estilo Ava ao mesmo tempo forte e suave, profundo e solar.



O Pequeno Céu começou como um projeto solo de Manuel Horta, que em 2009 lançou seu primeiro trabalho (todo gravado e tocado pelo próprio Manuel). A partir de 2011, o projeto foi ampliado e se tornou uma banda, lançando o disco "Sargaço" no fim de 2014. Musicalmente, é uma mistura entre a música popular brasileira e o math-rock. Uma obra livre que ganha corpo através da transfiguração do post-rock com afrobeat, jazz e de referências ao samba e ao universo da MPB.


Jam Da Silva é um artista capaz de cruzar as barreiras geográficas e estéticas. Com vasta experiência musical, já lançou dois álbuns em carreira solo – Dia Santo (2009) e NORD (2014) – e outros inúmeros discos coletivos. O músico viajou em várias excursões e colaborou com uma série de artistas internacionais e nacionais, ao vivo e em estúdios. Seu álbum "NORD" é uma provocação ao destino, exílio voluntário em busca de uma aproximação geográfica e sensorial gravado entre o Brasil e a Islândia.


CentoeQuatro - 15 de outubro 

Coudelaria Souza Leão - 22 de outubro

22 de agosto de 2016

Far From Alaska e Kill Moves em BH


Prestes a lançar seu segundo disco, a banda potiguar Far From Alaska toca na mostra Música Quente nesta sexta, 26 de agosto, na A Autêntica, a partir das 22h. Um dos nomes mais comentados do rock alternativo brasileiro, a banda já participou de festivais como SXSW, Lollapalooza e Planeta Terra e recentemente foi premiada na Midem, uma das principais feiras de música do mundo, realizada anualmente em Cannes, como artista revelação do ano. Formada em 2012, a banda possui no currículo os EPs Stereochrome, de 2012, e o álbum modeHuman, de 2014.



O show de abertura será da mineira Kill Moves e marcará o lançamento do primeiro EP da banda, No Rewind. A estética do Kill Moves é baseada no rock alternativo dos anos 90 e nos trabalhos das bandas integrantes de selos como Matador e Sub Pop, marcados pelo indie rock, shoegaze e grunge.


Mais sobre os outros shows que rolaram na mostra no musica.quente.org.br.

Ingressos à venda na Sympla.

12 de julho de 2016

Aquele texto no qual não consigo esconder a nostalgia em ver uma (quase) volta do Black Drawing Chalks


Zé Celso Martinez para atrás de nós e pergunta se estamos esperando um táxi. Chico César passa ao fundo com sua equipe. Aeroporto movimentado por causa da Virada Cultural de BH que começaria no dia seguinte. Os integrantes do Black Drawing Chalks comentam a morte do Baixo Astral enquanto penso em como seria uma selfie unindo a banda aos artistas ao nosso redor. Um encontro inusitado que remete à época em que o quarteto goiano era um dos grupos que mais circulava pelo underground brasileiro e nos encontrávamos de tempos em tempos em festivais como o Calango, em Cuiabá, e o Bananada, em Goiânia, e também em cidadezinhas do interior. Ao lado do Macaco Bong, é uma das bandas que definiu o rock alternativo brasileiro no fim da década passada. Até o Rogério Flausino se dizia fã deles.

Lá se vão quase 10 anos desde a primeira vez que os vi ao vivo (já comentei isso em outro momento). Pensar na história do Black Drawing me faz pensar no processo de desenvolvimento deste blog e da cena em que estamos envolvidos. Em 2009, foram uma das primeiras bandas a tocar em uma festa do Meio Desligado e enquanto estavam hospedados na casa dos meus pais eu acompanhava o Victor e o Douglas desenhando o que viria a ser o clipe de "My favorite way", hit da banda. Além de converter uma grande leva de ouvintes ao rock alternativo brasileiro (roqueiros ortodoxos que não acreditavam que pudesse existir boas bandas nacionais cantando em inglês), o BDC definiu uma estética visual marcante que contribuiu para catapultar a carreira (internacional) do estúdio Bicicleta Sem Freio, de seus integrantes Douglas (baterista) e Victor (vocalista e guitarrista, mas que atualmente atua como tatuador).

Em um semi-hiato desde meados de 2014, o Black Drawing Chalks voltou a BH dia 8 de julho, dentro da programação da mostra Música Quente, depois de dois anos. Período este em que seus conterrâneos do Boogarins alcançaram uma exposição internacional que provavelmente já ultrapassa os feitos do CSS, até então o grupo indie brasileiro de maior presença no exterior nos anos 2000. Não por acaso, o Boogarins tem como baterista Ynaiã Benthroldo (ex-Macaco Bong) e Renato Cunha, guitarrista do Black Drawing, como técnico de som. Retroalimentação e continuidade. Douglas, o baterista, não participou do show de BH por estar em Las Vegas em um trabalho do Bicicleta Sem Freio para o UFC. Em seu lugar, Rodrigo Miranda, do MQN - "tios" do BDC. "O Douglas começou a tocar por sua causa", alguém diz ao Miranda em determinado momento. Retroalimentação e continuidade.

Contextualizações à parte, o efeito ao vivo continua o mesmo de outrora. Energia crua e direta, aquela descarga barulhenta que aos poucos acaba com nossa audição e resulta em uma pulsão de morte que se transforma na vontade de destruição expressa fisicamente por moshs, cabeças inquietas e saltos do palco. Catorze músicas foram pouco. Focado no segundo disco da banda, Life is a big holiday for us (tocado na íntegra com exceção de uma das minhas favoritas, "Finding another road"), o repertório ainda teve "Cut myself in 2"e "Simmer down", do No dust stuck on you (terceiro e mais recente álbum), "Red love", presente apenas no disco ao vivo Live in Goiânia e somente uma do disco de estreia da banda (um crime!), a essencial "Big deal" (que dá nome ao álbum). A boa notícia é que, a julgar pelo crowd surfing dos integrantes durante o show e pela expressão em seus rostos mais tarde, tudo vai ficar bem e não deve demorar muito pra que mais pessoas voltem a ter essa experiência (e, torço, com mais músicas do primeiro disco inclusas). Help me.

Mais fotos na página da Quente no Facebook.

12 de junho de 2016

Festival Meio Desligado no Dia da Música


Criado no fim de 2006 e desde então dedicado a publicar conteúdo referente à música independente brasileira, o Meio Desligado promove no sábado, 18 de junho, a primeira edição de seu mini-festival. O evento, que começará às 22h, terá entrada gratuita e será realizado na A Autêntica como parte integrante do Dia da Música, que promove mais de uma centena de shows ao longo do próximo dia 18 em diversas cidades do país. Os ingressos antecipados, gratuitos, devem ser retirados no site sympla.com.br/quente

Desde sua criação, o Meio Desligado chegou a ser selecionado pelo Yahoo! como um dos 100 blogs mais relevantes em língua portuguesa, foi curador em projeto especial do museu ARChive of Contemporary Music, de Nova York, e participou como representante brasileiro na Music Alliance Pact, rede mundial de blogs/sites focados em música que tinha entre seus integrantes, entre outros, o importante jornal inglês The Guardian.

No festival Meio Desligado se apresentarão quatro destaques da música alternativa brasileira da atualidade: o trompetista paulista Guizado, a mineira Sara Não Tem Nome, os paulistas da E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante e a banda amazonense Luneta Mágica. Renomado trompetista que acompanha artistas como Karina Buhr e Céu, em seu trabalho solo Guizado explora a fusão de jazz, rock experimental e eletrônica. Com o auxilio de seqüenciadores, samplers e MPC, pedais de efeito e loops, vai além das fronteiras impostas pela formação mais minimalista com que se apresenta, acompanhado apenas de um baterista no formato intitulado Guizado Duo. Será um dos primeiros shows após o lançamento do novo disco, Guizadorbital.

Aos 23 anos, Sara Braga tem despontado como uma das principais novidades do indie nacional. Seu projeto artístico Sara Não Tem Nome lançou o elogiado disco de estreia Ômega III em 2015, após um período de residência nos estúdios da Red Bull em São Paulo, e foi presença constante nas listas de melhores do ano. Indie lo-fi singelo e sincero que tem circulado por festivais importantes Brasil afora.

Formado na capital paulista em 2013, o quarteto E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante vem se destacando no cenário instrumental nacional. De sonoridade desafiadora, cerebral e ao mesmo tempo altamente passional, a banda tem sido um revigorante sopro de ousadia no underground paulistano desde que iniciou suas atividades. Fortemente influenciada pelo pós-rock, abandona os solos e rifes a favor dos timbres e texturas densas em suas músicas.

Nos intervalos entre os shows a pista da Autêntica será comandanda por quatro mulheres atuantes na cena musical alternativa de BH como jornalistas, produtoras culturais e artistas: Mi Simpatia (Camila Cortielha, uma das produtoras do Festival Transborda, com passagem pelo Conexão Vivo e pela festa Alta Fidelidade, entre outras), LULI (Luísa Gontijo, produtora do cantor Nobat, programadora do Idea Espaço Cultural e integrante do site/produtora Retalho Cult), Bruna Vilela (guitarrista e estudante de jornalismo, colaboradora do site Scream and Yell) e Damy Coelho (jornalista, participante dos sites Projeto Ruído e Cifra Club).

Ao longo da noite o palco receberá projeções criadas pelo artista NEEMS, codinome de Viquitor Burgos, animador e músico, integrante do Constantina. Trabalhando com arte e tecnologia através de imagem, luz, som e interatividade, o artista já interviu com mapping e instalações interativas na Virada Cultural de São Paulo e projetou para os festivais Pequenas Sessões, Eletronika e Sonâncias de Belo Horizonte, festival LAB de Maceió, festival Contato de São Carlos e fazendo visuais ao vivo para artistas como Jaloo, Maglore, Franny Glass e outros.

10 de junho de 2016

Maglore, Dingo Bells e Minimalista no Música Quente #4




O Maglore, power trio de Salvador, apresenta o CD e LP "III", eleito um dos melhores álbuns de 2015 pela mídia especializada, e composições dos também elogiados discos "Vamos Pra Rua" (2013) e "Veroz" (2011). O Dingo Bells, de Porto Alegre, faz show de "Maravilhas da Vida Moderna", um dos álbuns de estreia mais aclamados dos últimos anos. O show de abertura da noite será do Minimalista, projeto do mineiro Thales Silva (Bloco Juventude Bronzeada e A Fase Rosa), que está prestes a lançar seu segundo disco e apresentará canções que estarão no novo trabalho.

O Música Quente é um projeto/festa que realiza shows de lançamento de discos e shows inéditos em BH uma vez por mês até agosto, sempre às sextas. Cidadão Instigado (CE), Silva (ES), Baleia (RJ), Dibigode (MG), Leonardo Marques (MG) e Pequeno Céu (MG) são os artistas que já se apresentaram este ano no Música Quente.

Mais sobre o projeto no site musica.quente.org.br

1 de junho de 2016

1986, o ano do rock brasileiro

Sem novidades, mas interessante esse minidocumentário feito pela Trip (que também completa 30 anos em 2016) sobre o rock brasileiro em 1986, ano em que foram lançados discos como Cabeça Dinossauro, do Titãs, Selvagem?, d'Os Paralamas do Sucesso, e Dois, da Legião Urbana. Uma boa introdução a um período fundamental do rock nacional.



(Atualização)
Hoje, 30 anos depois:
- A Legião Urbana voltou à ativa e viralizou na internet com a bateria "tocada" no celular durante uma participação da banda em um programa de TV;
- Edgard Scandurra e Nasi seguem com o Ira! e lançaram o projeto Ira! Folk, no formato voz e violão;
- Com a saída de Paulo Miklos, os Titãs agora têm apenas três integrantes de sua formação clássica" (Branco Mello, Tony Belloto e Sérgio Britto) e Beto Lee, filho de Rita Lee, como músico de apoio;
- Os Paralamas do Sucesso continuam com a mesma formação e uma agenda ativa, circulando pelo país em uma turnê comemorativa de 30 anos de banda (iniciada há alguns anos)

30 de maio de 2016

Novos vídeos do Baleia e Pequeno Céu ao vivo

Atrações do Música Quente de abril, a carioca Baleia fez o primeiro show da turnê de seu segundo disco na ocasião, enquanto o Pequeno Céu mostrou uma prévia do que vem por aí em seu segundo álbum, Praia Vermelha, previsto para o segundo semestre.

Assista às performances de "Motim", do Baleia, e "Paquistã/Urtiga", do Pequeno Céu. Mais informações sobre os shows do Música Quente no musica.quente.org.br.
 

25 de maio de 2016

x vídeos. alice caymmi. ava rocha.

NSFW.

Tudo relacionado, repare. Da lactação da letra de "Homem" à amamentação via canudinho no "Fork face commits", passando pela máscara de garfos e facas.

Alice Caymmi em sua versão de "Homem", do Caetano, junto a duas travestis (lindas) em PB, bem artsy (ui). Rolam até umas piroquinhas piscando num esquema meio Clube da Luta. Lembrou o vídeo de outra versão, a do White Stripes pra "I just don't know what to do with myself", do Burt Bacharach, com a Kate Moss e dirigido pela Sofia Coppola. "Lies", do Is Tropical, tem estética semelhante mas segue por outros caminhos. E falando de artsy, Ava Rocha em clipe dirigido pelo irmão, Pedro Paulo Rocha, ambos filhos de você sabe quem. Contestador (uuui), como sua música. Remete à bizarrice do vídeo de "Crash", da obscura Evil Skull (escrevi sobre esse vídeo em 2009) mas agora só encontrei um trecho, digamos, mindfuck.
 

O último vídeo tem imagens fortes, os interessados podem assistir direto no perfil no Vimeo do diretor Douglas Burgdorff.

4 de maio de 2016

Unknown Pleasures, uma banda por dentro

Para além das histórias de superação, perseverança e sobre "seguir os sonhos", todas comuns às biografias de personalidades, Unknown Pleasures é marcado por uma desmitificação de Ian Curtis e pelas diferentes limitações que definiram a história do Joy Division. Escrito por Peter Hook, baixista e um dos fundadores da banda, e lançado originalmente em 2012, o livro foi lançado no Brasil em 2015 com o título Joy Division: Unknown Pleasures - a biografia definitiva da cult band mais influente de todos os tempos. É a história do Joy Division, mas também a primeira parte de uma biografia do próprio Hook que, apesar de alguns saltos temporais, cobre de sua infância ao fim da banda e o lançamento do álbum póstumo Still, em outubro de 1981, um ano e cinco meses após o suicídio do vocalista Ian Curtis.

A energia em estado bruto de um show do Sex Pistols em 1976 foi o estopim para o surgimento da banda. Não era necessário técnica ou muitos equipamentos. Aquilo era o básico, não apenas em termos musicais, mas também de uma forma física. No contexto de surgimento do punk, as limitações técnicas e tecnológicas aproximavam os jovens do movimento, outrora distanciados do virtuosismo do rock clássico e progressivo. "Eu poderia fazer isso", Hook escreve sobre seus pensamentos ao ver os Pistols.
"Lembro-me de me sentir como se tivesse passado toda a minha vida em um quarto na penumbra - confortável e aquecido e seguro e silencioso -, e então de repente alguém deu um chute na porta e ela se escancarou para deixar entrar uma luz brilhante e intensa, aquele ruído ainda mais intenso, mostrando-me outro mundo, outra vida, uma saída".
Musicalmente, foi um show horrível, mas importante para mostrar o potencial do que pessoas "normais" poderiam fazer. Entre as cerca de 50 pessoas que assistiram ao show estavam Morrissey (você sabe de qual banda) e Mark E. Smith, que em seguida formaria o The Fall.

Bernard Sumner, amigo de escola de Hook, havia ganhado de seus pais uma guitarra no Natal anterior, o que o tornaria o guitarrista da banda recém-criada. Hook foi para o baixo e outra limitação definiria parte de estética musical do Joy Division: seu amplificador era ruim e estalava quando ele tocava notas mais graves. Sem dinheiro para um equipamento melhor, foi obrigado a tocar e compor usando mais notas altas, mais agudas. Seus notórios riffs, que às vezes se assemelham mais aos sons de uma guitarra, começaram a surgir por esse motivo.

Esses são apenas alguns exemplos dos relatos de Hook que fluem como se estivéssemos em uma conversa guiada por alguém com uma memória excelente (aparentemente ele mantinha um diário na época, a julgar pelo detalhamento nas descrições de fatos ocorridos 30 anos antes). Ele recria um contexto social e musical bastante diferente do que estamos acostumados (uma época em que gravar, prensar e distribuir discos era muito caro e que, para tocar, as bandas underground precisavam levar todo o equipamento do show, de amplificadores ao PA - as caixas de som direcionadas ao público) e mostra como o acaso também influiu de forma crucial nos caminhos da banda:
- Hook passou parte da infância na Jamaica e só voltou com a família para a Inglaterra porque sua mãe suspeitava que o marido a estava traindo por lá;
- inicialmente chamada Warsaw, a banda mudou de nome para Joy Division porque não estava conseguindo marcar shows porque os contratantes a confundiam com uma banda punk chamada Warsaw Pakt (que teve vida curta);
- Stephen Morris viu dois anúncios de grupos procurando bateristas. Um era do The Fall, o outro, do Warsaw/Joy Division. Ligou para o Warsaw porque era uma ligação local, o outro número de telefone era interurbano.

As super organizadas linhas do tempo e o faixa-a-faixa de cada disco são deleites adicionais para quem é fã. Hook comenta os processos de composição e gravação do Joy Division, expressa seu pesar pela certa insensibilidade dos integrantes da banda em relação a Ian (não sabiam muito de sua vida pessoal e pelo que o afligia emocionalmente, levando-o a suicidar-se aos 23 anos, dias antes de partirem para a primeira turnê pelos Estados Unidos) e reforça o idealismo da banda e do selo Factory em não tratar a música simplesmente como um produto (o que, inevitavelmente, acabava por limitar o potencial de difusão deles). Não queriam entrar no sistema das grandes distribuidoras e por isso seus singles não chegavam em muitas rádios; não faziam produtos de merchandising da banda porque o negócio deles era música, não camisetas. Acabaram sendo multados por isso: anos mais tarde, após o estouro da banda, pós-suicídio de Ian Curtis, o governo inglês percebeu que eles não estavam declarando os ganhos com a venda de camisas e os multou em £20.000. "Fomos a única banda multada por não fazer as próprias camisetas", ri.
 

Acima, documentário Joy Division, lançado em 2007.

18 de abril de 2016

Zé Manoel _ "Canção e silêncio"

Expoente de uma vertente mais erudita da MPB contemporânea, o cantor e pianista pernambucano Zé Manoel é autor de um dos discos mais belos que escutei nos últimos tempos. A sensibilidade desse Canção e silêncio, lançado em 2015, é envolta em um minimalismo que reforça a essência das canções e expõe o lirismo das letras. "A maior ambição da canção é ser silêncio", crava em "A maior ambição", ditando o tom minimalista (e nem por isso menos complexo) do álbum.

Jazz, MPB e samba se misturam a ritmos regionais e a referências sonoras de nomes como Chico Buarque, Dorival Caymmi e Caetano Veloso. "Canção e silêncio", a faixa-título, é de fazer chorar qualquer um que tenha vivido uma grande desilusão amorosa ("procurei nos livros / nas fotografias o seu sorriso / só achei tristeza / vejo a cada instante você indo embora / eu não sei pra onde / deve ser onde a alegria e o seu amor se escondem"). Um disco que foge do óbvio e que abraça a melancolia de forma singela e a transforma em prazer.

Produzido pelo Miranda e Kassin (que assina "produção de bases adicionais" e também toca baixo em diversas faixas), o disco ainda conta com as participações de artistas como Pupilo (Nação Zumbi) e do maestro Letieres Leite, entre outros. Comece por "Canção e silêncio", "Quem não tem canoa vai n'água" e "Nas asas do manganga".



12 de abril de 2016

Salomão Terra _ Pacífico [lançamento exclusivo]


Estreia solo do multi-instrumentista Salomão Terra, Pacífico apresenta um som ímpar na cena mineira. As linhas e ondas na capa não são apenas um elemento estético, mas refletem conceitualmente as camadas e texturas que se destacam ao longo das 8 faixas que compõem o álbum. Influenciado principalmente por trip hop e synthpop, é um disco que flui com suavidade sem abrir mão da intensidade musical e das letras. Nomes como Portishead, Sneaker Pimps e How to Destroy Angels servem como referências para contextualizar o campo musical em que o disco se encontra, do encontro entre a eletrônica e instrumentos orgânicos.

Músico experiente, ligado a bandas como Valsa Binária e, anteriormente, ao Spooler, Salomão está acompanhado em Pacífico pelo produtor Lucas Mortimer (Confeitaria / Grupo Porco de Grindcore Interpretativo / Monograma) e os músicos Ygor Rajão (Graveola e o Lixo Polifônico / Fusile), Fernando de Sá Monteiro (A Fase Rosa / Juventude Bronzeada), Priscila Armani, Robert Frank (Pelos de Cachorro) e Gladson Braga. O projeto gráfico é de Jaime Silveira, que também assina capas de discos de artistas como Jair Naves, ruído/mm e Banda Gentileza.


Pacífico também está disponível para audição nos principais serviços de streaming. Escolha o seu preferido:
DeezerSpotifySoundcloud ou Youtube. Aproveite para acompanhar as novidades do Salomão no Facebook.

[Foto do Rafael Sandim]

11 de abril de 2016

Vídeos exclusivos do Silva e Leonardo Marques ao vivo

No show de lançamento do Júpiter, seu terceiro álbum, em BH, o Silva também tocou "Um girassol da cor de seu cabelo", clássico do Clube da Esquina de autoria do Lô Borges, e misturou o single "Volta" com "Uma onda no mar", do Lulu Santos. Abaixo você assiste aos vídeos com exclusividade!
 


Outro vídeo da mesma noite é o do mineiro Leonardo Marques (Transmissor, Diesel, Udora, Maglore) tocando "Day mind travel", uma das minhas favoritas do seu disco de estreia, Dia e noite no mesmo céu.

9 de abril de 2016

DJ jornalista


Ser o responsável pela música nos intervalos de um show é propício para um DJ jornalista. Nesses momentos, diferentemente de quando se é atração principal da noite e fazer o público dançar é obrigação, é possível atuar como uma extensão da função de jornalista musical. Na verdade, é algo entre o jornalismo musical e a curadoria, porém mais volúvel.

Gosto do termo "DJ jornalista" porque não carrega as pretensões de um DJ tradicional e ao mesmo tempo traz a proposta de apresentar ao público músicas consideradas boas o suficiente para serem ouvidas no pouco espaço disponível entre os shows (neste caso) e que devem funcionar dentro de um determinado contexto, definido pelos artistas que se apresentam na ocasião, o perfil da casa e outras variáveis.

Parece besta, mas não deixa de ser uma questão relevante para quem frequenta shows ou para quem cuida das trilhas dos intervalos. Mesmo que seja uma playlist a ser executada, uma seleção criada de acordo com o contexto e a proposta do evento sempre tem seu mérito e potencializa as chances das pessoas presentes terem momentos mais agradáveis.

Um amigo me disse que isso é coisa de nerd, mas desde 2009 anoto parte das músicas que toco nesses momentos, antes e depois de shows. Parte disso agora está reunido no perfil do Meio Desligado no Deezer. Além das playlists com pedaços desses DJ sets, lá você encontra alguns discos que tenho ouvido e outras playlists temáticas em constante atualização (assim espero).

Abaixo, uma amostra com listas de algumas noites recentes (shows do Baleia e Pequeno Céu, dia 8 de abril e Silva e Leonardo Marques, dia 18 de março), além de uma mais antiga (noite do show do Dibigode com o Transmissor em 25 de outubro de 2013).

BALEIA + PEQUENO CÉU


SILVA + LEONARDO MARQUES



DIBIGODE + TRANSMISSOR

30 de março de 2016

Destaque da nova geração carioca, Baleia lança segundo disco em BH

Show marca estreia de nova turnê da banda e será realizado n'A Autêntica no dia 8 de abril, sexta. Abertura será da banda instrumental Pequeno Céu


Considerada uma das principais bandas da cena carioca atualmente (e uma das favoritas aqui do blog), a Baleia retorna a BH para lançar seu disco Atlas na programação do Música Quente, projeto focado em shows inéditos em BH que faço pela Quente. Este será o lançamento oficial do disco, o primeiro show do sexteto carioca após o lançamento digital do álbum. Produzido pela banda em parceria com Bruno Giorgi (filho de Lenine), Atlas apresenta um pop idiossincrático que é tanto uma quebra como uma evolução do trabalho anterior, o elogiado Quebra Azul, de 2013. Assim como no disco de estreia, Atlas também tem 8 canções que traduzem, cada uma à sua maneira, o universo pop e um tanto experimental que a banda habita. Segundo o próprio grupo, o novo álbum conversa com o lado mais enérgico e intenso do primeiro disco, já que apresenta uma sonoridade mais robusta e percussiva – muitas vezes usando o rock como diretriz na hora de colocar as ideias em prática.



O show de abertura será da banda instrumental Pequeno Céu. Iniciada em 2009 como uma one-man band, o projeto se expandiu e tomou forma como banda em 2011. No fim de 2014 lançaram o primeiro álbum, Sargaço, e atualmente estão em fase de pré-produção do segundo disco. Musicalmente, é uma mistura entre a música popular brasileira e o math-rock. Uma obra livre que ganha corpo através da transfiguração do post-rock com afrobeat, jazz e de referências ao samba e ao universo da MPB.


Antes e depois dos shows eu e o Nest (meu sócio na Quente e um dos principais DJs de BH) cuidamos do som.

 Mais informações no evento no Facebook. Também rola de comprar o ingresso abaixo.

29 de fevereiro de 2016

Baleia, Câmera e outros vídeos ao vivo no Sonâncias 2015



Realizado entre 27 e 30 de outubro de 2015, o Sonâncias foi uma mistura de festival, seminário e rodada de negócios realizado pela Quente em BH. Todos os quatro debates realizados estão disponíveis na íntegra no YouTube e uma música de cada banda também foi registrada. Alguns desses vídeos você assiste abaixo (do Baleia, Câmera, Pequeno Céu, Reallejo e Douglas Din).



DEBATES 

Música e política:
– Pena Schmidt (SP): Diretor do Centro Cultural São Paulo; também foi superintendente do Auditório Ibirapuera/SP, presidente da Associação Brasileira de Música Independente e diretor da gravadora Warner.
– Murilo Pereira (BH): Chefe do Departamento de Fomento e Incentivo à Cultura da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.
– Felipe Amado (BH): Superintendente de Fomento e Incentivo à Cultura da Secretaria de Cultura de Minas Gerais.
– Carlos Paiva (BSB): Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
– Leonardo Beltrão (BH): Coordenador de projetos e programação do Sesc Palladium. Foi gerente de projetos do museu Inhotim e diretor de projetos do Instituto Cultural Sérgio Magnani.
– Mediador _ Gabriel Murilo (BH): Mestre em Música e Cultura pela UFMG e sócio da Embaixada Cultural. Foi um dos coordenadores do programa Música Minas e baixista do Macaco Bong.
  Música e palcos:
– Mancha (SP): Proprietário do espaço Casa do Mancha, principal palco da cena indie paulistana.
– Gutie (PE): Jornalista e produtor cultural, diretor do festival pernambucano Rec-Beat, realizado durante o carnaval do Recife.
– Bruno Golgher (BH): Idealizador e curador do Savassi Jazz Festival e proprietário do Café com Letras.
– Victor Diniz (BH): Sócio da produtora Híbrido, responsável pelo festival S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L., dentre outros. Também é sócio-proprietário do Baixo Centro Cultural.
– Mediador _ Leo Moraes: Músico e sócio-proprietário da casa de shows A Autêntica e do Estúdio Pato Multimídia.
  Música e mídia:
– Alexandre Matias (SP): Editor do Trabalho Sujo. Foi editor do caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo, diretor de redação da revista Galileu, e editor-chefe do projeto Trama Universitário.
– Fabiana Batistela (SP): Fundadora da Inker Agência Cultural e diretora geral da Semana Internacional da Música de São Paulo. Jornalista, foi repórter da revista Bizz.
– Guilherme Guedes (RJ): Jornalista, apresentador do Multishow, Canal Bis e parte da equipe do site Tenho Mais Discos que Amigos.
– Paulo Proença (SP/BH): Jornalista, cofundador e o gestor de conteúdo do site de entrevistas Motif. Também é editor de conteúdo web na Rádio Inconfidência.
– Mediador _ Daniel Barbosa (BH): Jornalista do caderno de cultura do jornal O Tempo. Curador de projetos como Natura Musical, Música Minas, Vozes do Morro e Música Independente.
  Música e mercado:
– Coy Freitas (SP): Diretor artístico da plataforma Skol Music, que reúne artistas como Karol Conká e Boogarins.
– Fernanda Bas (RJ): Coordenadora de marketing digital na Som Livre / Slap.
– Fernando Dotta (SP): músico e sócio do selo Balaclava Records (SP)
– Yannick Falisse (Bélgica) e Leonardo Marques (BH): Músicos e proprietários do selo belga/belorizontino La Femme Qui Roule.
– Marcos Boffa (BH/SP): Curador dos festivais Planeta Terra e Sónar SP, diretor artístico da casa de shows Audio Club. Um dos criadores da Motor Music e do festival Eletronika.
– Mediador _ Rômulo Avelar: Administrador e gestor cultural. Consultor de grupos e entidades como o Grupo Galpão e a Casa do Beco. Autor do livro “O Avesso da Cena: Notas sobre Produção e Gestão Cultural”.

22 de fevereiro de 2016

Rio 2016: Baleia

Na primeira vez que ouvi Baleia me veio à mente o termo "pop rock barroco". Uma música rebuscada porém acessível, que chama atenção logo de cara mas carrega certo mistério a ser descoberto. As descrições afoitas podem classificá-los como filhos do Los Hermanos, mas os barbudos cariocas se encaixariam melhor se os pensarmos como aqueles companheiros de escola mais velhos com os quais convivemos mas pertecem, cada a um, a turmas distintas.

Vê-los ao vivo é como acompanhar a transformação de um mogwai: assim como as criaturas que se transformavam em gremlins se alimentadas após a meia-noite ou molhadas, no palco a fofura e a suavidade da Baleia se dissipam em meio ao peso e à presença encorpada da banda. Não por acaso, após o lançamento do álbum de estreia em 2013 (Quebra Azul), o segundo lançamento da banda foi o EP Ao Vivo na Maravilha8 (de 2015) que registra parte dessa potência do show. Naquela técnica preguiçosa, porém eficaz, de se buscar referências, seria algo como um encontro entre Blonde Redhead, Los Hermanos e Dirty Projectors.



A banda se destacou na internet em 2011 com um cover de Justin Timberlake e, depois, por ter entre seus integrantes Maria Luiza Jobim. Se, na época, corria o risco de ser marcada como "a banda da filha do Tom Jobim", após a saída de Maria Luiza o aspecto coletivo se difundiu como uma das marcas da banda: as composições são assinadas coletivamente, os integrantes se revezam nas entrevistas e, a julgar pelas falas e pela diversidade sonora esultante, parece ser algo sincero e orgânico. Os arranjos, parte de destaque na Baleia, se beneficiam dessa coletividade e da musicalidade dos integrantes - metade deles toca mais de um instrumento na banda (o vocalista/violonista GabrielVaz, por exemplo, era o baterista da banda no vídeo com o cover do Timberlake).

A experimental "Volta", lançada no segundo semestre de 2015, sugere os caminhos do novo disco (já descrito pela banda como "mais 'Breu' e menos 'Casa'"). Ou seja, mais enérgico e intenso, menos pop. Gravado durante um retiro na Serra das Araras, no Rio de Janeiro, e produzido novamente por Bruno Giorgi em parceria com a banda, o disco será lançado ainda no primeiro semestre de 2016 e até o momento tem dois singles lançados (os vídeos que acompanham este texto, das faixas "Volta" e "Estrangeiro").

15 de fevereiro de 2016

Rodrigo Ogi na Music Alliance Pact de fevereiro

Parece que meus companheiros gringos da Music Alliance Pact perderam o prazo e somente 16 blogs enviaram as músicas escolhidas para representar seus respectivos países. No caso do Brasil, o artista escolhido para este mês é o Rodrigo Ogi, autor de um dos discos mais elogiados no país em 2015 (Rá!). Você pode fazer o download gratuito da coletânea completa ou ouvir cada música individualmente, clicando no nome da faixa.

ARGENTINA: Zonaindie
Rosal - John
Rosal are one of our all-time favorite bands from Buenos Aires. Led by singer Maria Ezquiaga, they have been around since 2002 delivering indie-pop gems with fine arrangements and catchy lyrics, such as John, a track from their first album. Rosal just released La Musica Es Mi Eje, which features live versions from their five albums and some great covers.

AUSTRALIA: Who The Bloody Hell Are They?
The Delicates - Chimera
Exactly the type of song you'd expect to hear come out of Australia in the middle of our long, hot southern summer. The Delicates are five wallflowers from the Gold Coast who play soothing, understated jangle surf-pop with a hint of the type of melancholy that you only get from bands born outside the hustle and bustle of a major metropolis. Chimera will drift in and out of your headphones without much of a fuss but not without leaving you feeling a little lighter in the process.


BRASIL: Meio Desligado
Rodrigo Ogi - Aventureiro
Aventureiro is the opening track from RÁ!, one of the most acclaimed Brazilian albums of 2015. Rodrigo Ogi raps about life in São Paulo, its challenges and experiences. For those who do not speak Portuguese this track speaks for itself with its strong beats and flow.

CANADA: Ride The Tempo
P'ARIS - Focus
The identity of P'ARIS is currently unknown but one thing is for sure, they know how to write a pop jam. This totally channels the essence of fellow Canadians Tegan and Sara.

CHILE: Super 45
Los Valentina - Danza De La Lluvia
From Piloto, the record label that brought guitars back to Chilean indie-pop, we introduce Los Valentina with their debut EP Señoras. Simple songs about simple things, delicately executed and perfect for the summer, with the unmistakable voice of Valentina Martinez inviting us to listen over and over again until we learn the lyrics to sing along like nothing else matters.

ECUADOR: Plan Arteria
El Bloque - Sazón
Hip hop group El Bloque are part of this year's Rap De Colección Vol.2 compilation that serves as a platform to show off Ecuadorian talent. The album features El Bloque's tasteful single Sazón, which comes with this video

INDONESIA: Deathrockstar
Pygmy Marmoset - Cerita Senja
Pygmy Marmoset are a duo from Bali who sing pop songs with strong lyrics about the environment. Their latest release Cerita Senja (roughly translated as "The Afternoon Story") is about someone who craves a hug after working long hours and commuting through traffic and pollution.

IRELAND: Hendicott Writing
Tuath - Casting Shadows Over Sun (Shammen Delly remix)
Typically an Irish language post-punk act, what makes this locally-leaning remix from Tuath interesting is in part that it's so atypical of them. A remix of fellow Donegal act Shammen Delly, this is an atmospheric bit of slow-building, fuzzy electronica that is decidedly not post-punk. Fortunately, it offers great evidence that Robert Mulhern is not a man to be pigeonholed, once again exploring rhythm and texture, simply through an entirely different medium.

ITALY: Polaroid
Paisley Reich - Fade
Paisley Reich were on the MAP playlist in January 2013, but they have grown up a lot since those early songs. They just released a vinyl EP on Lady Sometimes Records and it shows a new maturity in songwriting and a great awareness in the definition of their sound. Taking inspiration from the likes of Interpol and The National, these guys from Rome are able to create a music landscape full of shadows, noise and mystery, but which also shines with melodies and a psychedelic sweetness.

JAPAN: Make Believe Melodies
Foodman x Meuko Meuko - Wan Wan Wan Wan
This MAP entry sees wonky Japanese producer Foodman team up with equally left-of-center Taiwanese artist Meuko Meuko for a woozy electronic number. Wan Wan Wan Wan jitters ahead, eventually settling into a nice thump, albeit one that takes place in a sonic jungle courtesy of nature-centric samples. Despite all of the disparate parts clanging together, Wan Wan Wan Wan ends up a danceable tune.

MALTA: Stagedive Malta
Divine Sinners - Busy Bee
Divine Sinners is a four-piece band from Gozo (Malta's sister island). Originally founded by Charles J. Attard & Frank Buhagiar, they have been playing live for the past six years and have recorded four albums. Divine Sinners are currently working on their fifth album.

MEXICO: RBMA Radio Panamérika
Memo Guerra - Que Es Lo Que Siento
Continuing the impressive growth of his netlabel Abstrakt Muzak, the Monterrey-born, Austin-based virtuoso Memo Guerra has recently released his new album Moon Phase. The aesthetic choices on swooning first single Que Es Lo Que Siento - drum machines, programming, synths, an unforeseen guitar outro and more - are enveloping by themselves. Yet, underneath all these layers and sonic textures, the song comes into full in effect with its hooky central melody.

PERU: SoTB
Los Tuertos - Faith In God
Los Tuertos features Humberto Campodonico, formerly of the band Turbopotamos, alongside Francisco Chirinos and Claudio Pando. Having made their debut in 2014 with the single Tuerta Navidad, their music has a predilection for folk and nostalgic melodies in a style they call Peruvian gospel. PORTUGAL: Posso Ouvir Um Disco? Bed Legs - Vicious The sound of Bed Legs, a quartet from Braga, is pure blues and rock 'n' roll. Vicious was the first single taken from their debut album, Black Bottle, released in January.

SCOTLAND: The Pop Cop
Mt. Doubt - Soft Wrists
Leo Bargery is the guiding force of Edinburgh's Mt. Doubt, whose 2015 debut album My Past Is A Quiet Beast (available on iTunes) broods with impressive variety, from driving indie-rock to melancholic introspection and everything in between. Vocally reminiscent of Neil Halstead, the incremental crescendo-building of Soft Wrists deserves to be played loud and often. 

SOUTH KOREA: Indieful ROK
Earip - 1984
Earip started her musical career as the vocalist of 90s indie-pop band Sweater and has continued on her own as a singer-songwriter for the past decade. Her fifth solo album Exile has just been released and is full of lovely tunes. Inspired by George Orwell's novel, 1984 showcases Earip's characteristic, warm voice over a calm piano arrangement.

29 de janeiro de 2016

3 mashups para o carnaval (e 2 bônus)

Fugazi no carnaval baiano? Ivete Sangalo com Oasis e The Cure? Aperte play que só melhora esse pré-carnaval.





Essa versão de "Waiting room" do Fugazi é de autor desconhecido. A versão da história que recebi há uns quatro anos é que foi feita como presente de aniversário de namoro para uma garota (ATUALIZAÇÃO: o Pedro Durães é o autor do mashup e aproveitou pra informar que o mashup foi um presente de aniversário). As outras duas, que misturam "Wonderwall", do Oasis, e "Just like heaven", do The Cure, com músicas da Ivete Sangalo, são do Raphael Bertazi. Ele também já misturou Racionais MC's com Chapolin Colorado, Strokes com É O Than e fez a clássica "Alegria, Alegria" versão 8-bit misturada com Super Mario Bros, entre outras.

E pra lembrar do David Bowie no carnaval vale tocar também essa versão cremosa de "Modern love", feita pelo mesmo responsável por "tecnobregar" The Smiths, Echo & The Bunnymen e Eurythmics.




Bônus:
Shakira + Danzig

16 de janeiro de 2016

Os melhores sonhos de 2015

Ninguém pediu, mas aqui vai uma lista diferente: meus melhores sonhos de 2015 (que posso contar publicamente).
Anoto todos os sonhos dos quais me lembro há cerca de dois anos, por isso rolou de fazer a seleção abaixo.



22 / 23 de janeiro
Trabalho em uma fábrica de produção de milho enlatado. É meu primeiro dia. Passo a maior parte do tempo conversando, contando histórias, e quase não trabalho. O Jair Naves é meu superior e me repreende. Manda parar de enrolar e começar a trabalhar de verdade.

2 / 3 de março
A notícia de que um jacaré está solto pela cidade assusta as pessoas de Barão de Cocais. Descubro o jacaré na minha casa, vindo pela tubulação de água. É apenas um homem com uma fantasia gosmenta de jacaré, está deprimido e quer fugir. Vamos pra piscina e bebemos.

11 de abril
O Ed Motta está me dando conselhos. Depois, estou em um bloco de carnaval com o Jared Leto (ambos vestidos de mulher).

3 / 4 de junho
Estou em Madagascar com personagens da Turma da Mônica mas a viagem tem vários problemas porque ninguém cuidou das reservas.

6 / 7 de junho
O Gustavo Kuerten vira professor de educação física da minha antiga escola e penso "não tá fácil pra ninguém". Corro risco de tomar bomba por não ir às aulas e converso com ele sobre isso. Ele aproveita pra me contar que está tendo problemas porque defendeu a Dilma no grupo de WhatsApp dos professores.

17 / 18 de julho
O filho do William Bonner lança um livro de poesias que se destaca por ter uma diagramação que se move de acordo com a forma com que é segurado. No mesmo dia, o Bonner apresenta no Jornal Nacional a banda de sua filha, na qual ela toca trombone.

16 / 17 de setembro
Peço um temaki de feijoada no restaurante.

21 / 22 de setembro
Eu e o Luciano (meu sócio) trabalhamos em uma agência de publicidade e vários alienígenas também são funcionários, trabalham normalmente entre nós.

15 / 16 de outubro
O Manoel Cordeiro está vestido de mulher e discutindo sobre a obra do Slavoj Žižek.

17 / 18 de novembro
Sou o Batman e estou com fome, mas não encontro um restaurante aberto pra comer.

26 / 27 de dezembro
Lidero uma grande greve na Índia. Os lixeiros são uma das classes de maior adesão. Temos um elevador (!) na ponta de um poste que carregamos como arma. O Elson, da Sinewave, está no hotel que usamos de base e está dando dicas para o VJ (!) do Lula.