28 de novembro de 2015

Os novos festivais de BH que se destacaram em 2015

Em um ano em que a recessão econômica foi um dos assuntos mais comentados, ao menos sete novos festivais dedicados à música alternativa surgiram em BH. Enquanto alguns tradicionais eventos não tiveram edições realizadas em BH neste ano (caso do Natura Musical e do Conexão), outros tiveram edições reduzidas ou pouco inspiradas, o que abriu espaço para novas iniciativas se destacarem.

Abaixo, uma breve lista dos novos festivais belorizontinos que chamaram mais atenção em 2015.

festival Furor

Furor
O Furor, na verdade, começou em dezembro de 2014 e se estendeu até o fim de janeiro de 2015 promovendo uma série de shows às terças e sábados no Mercado Distrital do Cruzeiro, um espaço até então distante da música independente. Apesar do nome um pouco bobo (Furor é acrônimo de "Férias Urbanas Repletas de Ótimos Rolês"), o evento ocupou um período do ano geralmente carente de shows e incluiu alguns bons nomes na programação, como O Terno, Thiago Pethit, Pequeno Céu e Renato Godá. Outro diferencial foi a venda de ingressos no esquema "pague o quanto quiser" (em cotas limitadas) e a opção de comprar o ingresso junto de produtos de bandas locais.


festival Viva

Viva
Além de uma boa programação com algumas das principais bandas indie de BH (e com produção artística da Quente) se apresentando em diferentes casas de shows, o Viva teve como grande diferencial utilizar o Parque da Serra Curral para a realização do seu último dia de programação. Desconhecido da maior parte do público, o parque contribuiu com o clima descontraído de piquenique e ainda permitiu que o público tivesse uma das melhores vistas da cidade, de seu mirante. Na programação, Boogarins, Dibigode, Câmera, Young Lights, Pequeno Céu, The Junkie Dogs e Valv, além de vários DJs.


Sonâncias

Sonâncias
Esse entra na lista de forma especial, já que sou um dos idealizadores e produtores, através da Quente. O Sonâncias é uma mistura de festival, seminário e rodada de negócios. Fizemos quatro noites de debates e em todas elas estavam presentes cerca de 70 pessoas, algo que até então eu nunca tinha visto em ações do tipo. Buscamos experimentar formatos diferentes para as conversas de forma a integrar mais os participantes e (parece que) funcionou bem. Além de reunir nomes representativos do mercado musical nacional, rolaram showcases de novas bandas autorais de BH (reallejo, Douglas Din, Young Lights e Mordomo) e quatro shows principais encerrando cada noite (Baleia, Câmera, Pequeno Céu e Banda Gentileza).

___________________________________________________

Outros festivais iniciantes que merecem ser citados são o La Femme Qui Roule (também produção da Quente, vale dizer), o Chacoalha (que vem na onda do Viva de ocupar diferentes casas), Musa e
Shake Shake (que na verdade é mais uma festa itinerante, mas que surgiu esse ano vale ser comentada por aqui).

25 de novembro de 2015

Quais os melhores horários para postar nas redes sociais?

Estar presente nas redes sociais é algo que praticamente toda banda faz para ampliar seu público e manter contato com sua base de fãs. Apesar de a atualização constante dessas redes não ser necessariamente obrigatória, é natural que, uma vez que um perfil em uma rede foi criado, se queira obter o máximo possível dele. Pensando nisso, quais seriam os melhores horários para publicar no Instagram, Facebook e Twitter? Algumas pesquisas divergem entre os melhores dias e horários, o que reforça o fato de que tudo varia de acordo com o perfil e a cultura do seu público. No entanto, é possível observar alguns horários com maior propensão a interações e de presença dos usuários.

Instagram
Um amigo disse que a melhor hora para postar no Instagram é durante o cocô matinal. Ele está certo: segundo o Web Trends, o período entre 7h e 9h está entre os mais ativos, quando as pessoas acordam e querem se atualizar do que está acontecendo. Outros bons horários seriam entre 11h e 14h (horário de almoço) e entre 17h e 19h (enquanto as pessoas voltam do trabalho).
O dia com maior possibilidade de interações é o domingo (reforçando a fama do Instagram de ser uma rede social ligada ao lazer) e, no caso dos vídeos, as interações são maiores durante a noite ou pela manhã (o que é explicado em pesquisa da TrackMaven pelo fato de o áudio dos vídeos poder chamar muita atenção durante o horário de trabalho).
Já o Huffington Post, em parceria com o Latergramme, publicou que os melhores horários seriam às 2h da madrugada e às 17h, por serem horários com menos publicações e, portanto, mais fácil atingir os usuários ativos no momento.


Facebook
Uma boa ferramenta para analisar o resultado das suas ações no Facebook é a Fanpage Karma. Através dela você pode ver os horários e dias em que suas publicações têm obtido mais curtidas e compartilhamentos, assim como outras variáveis.
Segundo o Hubspot, os melhores horários para publicação seriam às 13h (para obter mais compartilhamentos) e 15h (para ter mais likes) durante os dias de semana. Usando o Fanpage Karma, no entanto, o melhor horário para publicação na página do Meio Desligado, por exemplo, seria entre 10h e 12h.


Twitter
No caso do Twitter, as mesmas fontes citadas anteriormente apontam que os horários de destaque seriam 12h e 18h (para mais cliques) e 17h (para mais retweets). Assim como no caso do Facebook, o melhor é utilizar ferramentas que analisem sua atividade na rede social, como o Follower Wonk (e vários outros semelhantes) e os próprios dados estatísticos do Twitter.

* Infográficos sobre Twitter e Facebook extraídos de arquivo do Hubspot; infográfico do Facebook produzido pela Microsoft.

16 de novembro de 2015

Bonifrate na Music Alliance Pact de novembro

O Meio Desligado é o representante exclusivo do Brasil no Music Alliance Pact, projeto global que envolve cerca de 30 blogs especializados em música, de diferentes países, que mensalmente realiza uma coletânea com bandas independentes/alternativas. Todo dia 15 é publicada a coletânea com uma música escolhida pelo representante de seu respectivo país de origem.

Faça o download da coletânea completa ou escute cada uma das músicas clicando em cima do nome da faixa.
ARGENTINA: Zonaindie
El Violinista Del Amor & Los Pibes Que Miraban - Inofensivos
El Ruido y La Culpa: Una Opereta Lastimera is the band's fourth album in more than six years on the road. It's a crazy journey through an eclectic salad of genres, something we're quite used to with them. Their music overcomes drama, bad mood and guilt with humor, irony and abandon.

AUSTRALIA: Who The Bloody Hell Are They?
Spookyland - Bulimic
Forget wearing your heart on your sleeve. This track stabs it profusely, draws a stake through the middle and stands over watching as your arteries bleed out in 4/4 time. Sorry for the emotional terrorism, but hear this track from Sydney outfit Spookyland and you'll probably agree it warrants the description. Marcus Gordon's prose is stark, its delivery brutal at times - but you get the feeling there's something important to be said beyond the rhetoric. It's a stoic, turbulent six-minute epic - and the ending is worth the wait.


BRASIL: Meio Desligado
Bonifrate - Museu De Arte Moderna
"Museu De Arte Moderna" is the title song from Bonifrate's new album. It has the psychedelic vibe of the whole record, plus some Beck influence that makes it more contemporary. His album is one of the jewels of the contemporary Brazilian indie scene.

CANADA: Ride The Tempo
Pony Girl - Candy
Ottawa's Pony Girl creatively blends acoustic elements such as guitars and wind instruments with electronic samples for the delicate harmonies of their single Candy. Who knew two singers in unison could be so beautiful?

CHILE: Super 45
Niños Del Cerro - Nonato Coo
Niños Del Cerro had already displayed their fresh sound with La Pajarería, a single that didn't go unnoticed among the ears of the independent music press. Now they're back with their first album, Nonato Coo, which continues its path of Latin rhythms and ethereal textures and confirms the return of pop guitars in the sound of Santiago.

COLOMBIA: El Parlante Amarillo
Montaña - En Bicicleta
Bogotá quartet Montaña has been experimenting in the fields of instrumental post/math-rock for more than three years. Pending the release of their first album we can enjoy En Bicicleta, a track that is gaining a lot of attention in the independent scenes of the Colombian capital.

DENMARK: All Scandinavian
HÔN - Vulture
He's the frontman of lauded nordicana outfit The Rumour Said Fire, but two weeks ago Jesper Lidang debuted as HÔN with the album White Lion. On it he mixes indie, R&B, dance and the 1980s to a compelling alternative pop cocktail. Here's Vulture as a MAP exclusive download.

ECUADOR: Plan Arteria
Los Detectives Helados - En El Camino
Los Detectives Helados formed in the small town of Piñas in 2012. The band, whose name was inspired by a poem by renowned Chilean writer Roberto Bolaño, have just released their debut album which mixes indie-rock, pop, experimental sounds and blues. Here is first single En El Camino featuring Ricardo Pita.

IRELAND: Hendicott Writing
Joseph Panama - Side 2
This 22-minute ambient track might be one of the more unusual and slow-gestating songs ever to have been included in the MAP project, but it's also a great example of Ireland's modern-day musical diversity: deceptively intense as it flits on, yet still walking a fine line between background music and inventive modern electronica. One for a long, thoughtful walk, it's a far cry from its creator's rocky day-to-day project Overhead, The Albatross.

ITALY: Polaroid
Dumbo Gets Mad - Misanthropulsar
Psychedelic duo Dumbo Gets Mad's new album is called Thank You Neil, named after the astrophysicist Neil deGrasse Tyson. In fact, the whole album is inspired by the TV show Cosmos: A Spacetime Odyssey and the sound draws from classic Seventies soundtrack composers such as Piero Umiliani and Bruno Nicolai, but also from the American experimental soul of Shuggie Otis and the contemporary works of Connan Mockasin. The vibe is super relaxed overall, but Dumbo Gets Mad know full well how to make you dance as well.

JAPAN: Make Believe Melodies
Shigge - Tiny Block
Over the past two years, the city of Fukuoka on the western side of Japan has been home to Yesterday Once More, an electronic label promoting some of the most thrilling young talent domestically and abroad. Label head Shigge has made some of the finest cuts from the collective, and the title track from his latest EP highlights the dancefloor energy the burgeoning imprint is capable of.

MALTA: Stagedive Malta
Brodu - Ic-Cimiterju
Brodu, formed in 2011, sing in Maltese and play rock music with influences from various genres. The band was set up to record an album of songs written by Mark Abela and the late Darren Gatt. Brodu's debut album Ħabullabullojb, released in 2014, is a diverse collection of tracks featuring many guest artists from Malta.

MEXICO: RBMA Radio Panamérika
G-Flux - Cocaína (feat. Afrodita & Borchi)
G-Flux is the alias of Gustavo Naranjo, a Mexican producer and DJ settled in Washington D.C. Even though he's far away from his homeland, G-Flux remains ever present and relevant in Mexico City through his music and collaborations. As one of the strongest advocates of cumbia, G-Flux is never afraid to explore all of this genre's diversifications, like pitched down cumbias. Cocaína, featuring delicious vocals from Afrodita and Borchi, is a hip-swaying track for anyone who's ready to be part of a simmering dancefloor.

PERU: SoTB
Ale Hop - Hey Girl
Ale Hop is an experimental Peruvian musician with a base in Berlin, and also the songwriter and producer of the band Las Amigas De Nadie. She just released Pangea, an experimental music-video album full of roaring guitars and expansive electronic sound layers which create a very characteristic kind of music. Pangea comes with a music film featuring 10 audiovisual pieces made by several directors and is one of the most ambitious works to emerge from Peru this year.

PORTUGAL: Posso Ouvir Um Disco?
The Weatherman - Ice II
The Portuguese contribution to MAP has been long enough to almost follow the complete the career of The Weatherman, the alter-ego of Oporto multi-instrumentalist and songwriter Alexandre Monteiro. Ice II is the first known song from The Weatherman's fourth album. It's a sweet, sticky pop single that will have you whistling all day. You can watch its video here.

SCOTLAND: The Pop Cop
Armstrong - Thursday Night Club
It's hard not to succumb to the youthful enthusiasm of alt-rock quartet Armstrong. Singer Nicole Mason has energy to burn and oozes star potential with an appealing mixture of confidence and glam. As a reference point, you wouldn't be a million miles off with early Paramore. Here is an exclusive free download of the exuberant Thursday Night Club (with an ace video to boot), which can also be found on Armstrong's self-titled debut EP, released in September and available to buy on iTunes.

SOUTH KOREA: Indieful ROK
Gus Benevolent - I Was Right
Operating under the name Hyun Lee Yang when he was last featured as a MAP artist (in June 2014), Gus Benevolent has released two albums in 2015. His most recent effort, Alexandria, came out in late October and offers almost a full hour of emotional vocals and classic guitar, including a couple of acoustic versions of songs crafted and first released during his days in emo band 99anger. I Was Right features a well-balanced combination of easily relatable lyrics and beautiful guitar play.

19 de outubro de 2015

As origens do heavy metal mineiro

Recentemente assisti novamente ao documentário Ruído das Minas, sobre o início da cena de heavy metal de BH, e me lembrei da série de entrevistas feitas pelo Sávio Vilela sobre o mesmo tema e reunidas em seu blog, o Desova.

O Ruído das Minas é um documentário lançado em 2009, realizado como parte de um projeto de conclusão de curso na Faculdade de Comunicação da UFMG. Apresenta imagens de arquivo e entrevistas com integrantes de bandas que fizeram parte da primeira geração do metal mineiro, como Sepultura, Overdose, Chakal, Sarcófago e Witchhammer. Alguns de seus personagens se repetem nas entrevistas feitas pelo Sávio desde 2005 e que (em algum momento, segundo ele me disse da última vez que nos encontramos) devem resultar em um livro.


Para quem se interessa pelo assunto, sugiro assistir primeiro ao filme (lembrando que é uma produção independente e feita por estudantes, sem muita produção) e depois se aprofundar nas entrevistas, uma vez que alguns assuntos pontuados no documentário são desenvolvidos nas conversas publicadas no blog.

Abaixo, trehos de algumas entrevistas.

Max Cavalera
Já ouvi falar que foi o Neurosis que fez o Sepultura começar a experimentar percussão na música de vocês. É isso mesmo? 
Foi uma das bandas pesadas que a gente viu, eu, o Igor e todo mundo, naquela época, que tinha um lance de percussão. Um lance totalmente diferente da gente, meio industrial, sei lá… Nem sei categorizar o Neurosis. O Neurosis é uma banda completamente diferente de tudo. Mas, bom, eles tinham percussão e já a gente viu um show deles e ficou “oh! Que do caralho”. Eu lembro que o Igor disse: “que doideira que os caras estão fazendo”. Meio que a semente veio daí. Não lembro exatamente qual foi a ordem, mas quando eu fiz o Nailbomb, o Dave (Edwardson), baixista do Neurosis, tocou baixo nos nossos shows ao vivo.
E a primeira vez que a gente fez uma jam ao vivo com percussão foi na Argentina, com o Titãs abrindo para a gente (N.: abril de 1994, turnê do Chaos A.D., no Estádio Obras, em Buenos Aires. O Titãs, na abertura, tomou uma chuva de cuspes dos fãs do Sepultura.). Os Titãs subiram no palco com a gente e fizemos essa jam. Uma coisa do nada.
Outro dia eu estava vendo uns lançamentos da Roadrunner, eles lançaram um DVD especial do Roots. E uma coisa que eu nem me lembrava mais o Andy Wallace (N.: produtor do Chaos A.D.) comentou nesse DVD. A gente foi fazer uma foto em Phoenix, num lugar que tinha uma monte de coisa mexicana, umas coisas xamânicas, de magia e tal… Essa casa estava cheia de instrumentos de percussão e a gente fez uma jam session.
Acho que o Andy Wallace tá certo, a primeira jam de percussão que a gente fez foi nessa casa, que eu nem lembro de quem era ou onde foi. O Andy Wallace viu aquilo e disse: “seria legal se vocês gravassem alguma coisa assim desse tipo”. E acabou virando “Kaiowas”.
Mas o Neurosis, de todos nós, o Igor que era fanzão mesmo de Neurosis. Eu comecei a ouvir mais depois dele. O Igor sempre foi mais por esse lado, ele gostava de Neurosis, Amebix, Eyehategod… E pouco a pouco eu comecei a gostar dessas bandas também. O Igor sempre foi diferente. No Sepultura, já na época do Schizophrenia, nós escutávamos Hellhammer e Slayer e ele ia para o ensaio ouvindo Beastie Boys. Mas a gente sempre ouvia coisa misturada: Slayer, Morbid Angel, Dead Kennedys, Discharge, as bandas punk finlandesas…

Sílvio Bibika Gomes
(primeiro empresário do Sepultura e colaborador de longa data da banda, co-autor da biografia Sepultura – Toda a história)
O que você acha que fez a cena eclodir e crescer da maneira que foi? 
Éramos bem mais agilizados do que a moçada de agora, o povo hoje é meio mimado. Tem show, ninguém vai. Venom veio em Belo Horizonte, foi sensação, parou. Hoje em dia, vem uma pá de banda,e neguinho: “ah não, ingresso tá caro, tá chovendo, rachei minha unha”…
A gente na década de 80 corria mais atrás. Ninguém fazia show. Então resolvemos fazer uma banda e fazer show, foi quando surgiu a cena. Eu falo que a única época que teve cena em BH foi nos anos 80. Nas devidas proporções, a gente virou a Seattle do Brasil, mas na versão heavy metal. Teve gente que mudou de São Paulo pra vir pra cá pra e montar banda. Como o Rapadura, que depois tocou no The Mist e no Soulfly. O João Gordo vinha pra cá quase que mensalmente, ficava na minha casa ou na casa do Max. O Andreas veio pro Sepultura porque Belo Horizonte era o lugar, saiu de São Paulo e veio passar férias aqui. Hoje em dia neguinho fala “aaahn Sepultura…”. Se não tivesse Sepultura, Overdose, Chakal, não tinha nada aqui hoje. Estariam escutando rádio FM até hoje.
Em 84 tinha uma cena muito pobrezinha aqui, o Rock in Rio que fez dar um boom, em janeiro de 85. O Rock in Rio mudou isso no Brasil inteiro, neguinho começou a se interessar.
Tinha o Tropa de Choque, do Reis, que era um cara que agilizava show aqui, legal pra caralho. O Overdose, que era mais velho, tinha uma base de fãs forte pra caralho, muito forte. Tinha um monte de coisa legal, não era só o Sepultura. O Sepultura, inclusive, teve uma época que era a pior banda de Belo Horizonte, era ruim pra caralho.
No final de 85, quando saiu o disco split do Overdose e Sepultura a gente tinha que vender de mão em mão, ninguém gravava disco, até o Bolão (n.: dono do tradicional restaurante Bolão Rei do Espaguete) comprou disco da gente. Era igual rifa de colégio, em seis meses a gente vendeu as mil cópias. Era uma coisa impensável um ano antes.
A partir daí a gente começou a fazer intercâmbio: vamos tocar no Rio, vamos tocar em São Paulo. Sepultura toca no Rio, depois o Dorsal Atlântica vem pra Belo Horizonte, Sepultura toca em São Paulo depois o Vulcano vem junto e toca… Era um intercâmbio muito forte, uma coisa que só é perceptível ainda na cena hardcore.

Idelber Avelar
(PhD em literatura e estudos culturais, autor do artigo Heavy Metal Music in Postdictatorial Brazil: Sepultura and the Coding of Nationality in Sound)

Em seu artigo “De Mílton ao Metal: Política e Música em Minas”, você sugere que há uma relação entre o Clube da Esquina e a cena metal de BH dos anos 80. O que há de comum entre esses dois? 
Não há uma relação direta, claro. Mas é a perda de representatividade da MPB entre a juventude que abre o caminho para as tribos que surgem nos anos 80, entre elas o metal. Ao longo dos anos 70, a MPB havia representado anseios de rebeldia e transformação social. Na medida em que a MPB vai sendo incorporada à indústria cultural e seus ícones vão se transformando em estrelas globais, a juventude começa a se apropriar de um estética roqueira que se opõe a ela. O metal surge negando, rasgando, implodindo a estética emepebista. O Clube da Esquina e o heavy metal compartilham uma relação com a iconografia cristã de Minas Gerais, mas a tomam em sentidos contrários. Mílton tentava reapropriá-la para uma política fraternal e emancipatória (pensemos em discos como Sentinela e Missa dos Quilombos). O heavy metal usaria uma estratégia oposta: esvaziaria essa simbologia de todo o significado, revirando-a pelo avesso e submetendo-a ao furor do satanismo.

Vá ao Desova para ler estas e outras entrevistas na íntegra.

Ainda sobre documentários musicais, mas sobre punk/harcdcore no Brasil, indico o Guidable - A verdadeira história do Ratos de Porão e o Botinada - A historia do punk no Brasil, ambos disponíveis online.

17 de outubro de 2015

O início dos "lyric videos"?

Você já deve ter encontrado algum lyric video por aí: são aqueles vídeos geralmente compostos somente pela letra de uma música (às vezes com alguns elementos adicionais). Eles (em geral) são muito mais baratos do que um vídeoclipe tradicional e costumam ser feitos na época do lançamento de uma música. Também têm à favor o fato de apresentar a letra da música em questão ao público como forma de facilitar sua memorização. É quase uma evolução da lógica do karaokê aplicada ao marketing digital.

Cerca de 10 anos atrás, em 2006, o designer sueco Jakob Trollback criou um experimento nesse sentido, buscando novas possibilidades para os vídeoclipes. O resultado, criado com base em uma música do David Byrne com Brian Eno ("Moonlight in Glory"), foi apresentado em um TED Talk de 2007.



Muito além de um simples arquivo de vídeo no qual a letra da canção é apresentada, Trollback propunha a alternância de "respostas visuais" aos diferentes elementos da música, algo muito próximo do feito por Michel Gondry em 2003 no clipe de "Star guitar", do Chemical Brothers, no qual bateria e outros instrumentos se materializavam na paisagem do vídeo (um vagão de trem representando um trecho de um synth, uma casa se repetindo a cada toque do bumbo e assim por diante).

Pensar nesse tipo de vídeo atualmente é simples, mas foi preciso que alguns artistas experimentassem e se arriscassem até que o formato se consolidasse. Algumas ideias, por mais óbvias que pareçam, merecem ser exploradas.

Abaixo, alguns vídeos relacionados ao tema, produzidos no Brasil e no exterior.

Muse Baleia Kate Perry Gaby Amarantos

15 de outubro de 2015

Rodrigo Campos na Music Alliance Pact de outubro

O Meio Desligado é o representante exclusivo do Brasil no Music Alliance Pact, projeto global que envolve cerca de 20 blogs especializados em música, de diferentes países, que mensalmente realiza uma coletânea com bandas independentes/alternativas. Todo dia 15 é publicada a coletânea com uma música escolhida pelo representante de seu respectivo país de origem. Em outubro, quem representa o Brasil é o Rodrigo Campos.

Você pode fazer o download da coletânea gratuitamente ou ouvir cada uma das músicas individualmente clicando em seus nomes.

ARGENTINA: Zonaindie
Fabiana Cantilo y Fer Isella - Viernes 3 AM
In 2009 the Argentine goverment published several declassified official documents produced during the dictatorships that ruled the country from 1962-1982. One of these documents is titled "Songs whose lyrics are considered not fit to be played by broadcast services" and it includes compositions by all kinds of Argentine and foreign artists. Canciones Prohibidas is a compilation with 16 versions of these censured songs. For MAP we selected Viernes 3 AM, originally by Argentine rock living legend Charly Garcia, here recorded by (also legendary singer) Fabiana Cantilo on vocals and producer Fer Isella on piano.

AUSTRALIA: Who The Bloody Hell Are They?
Fresh Kills - The People
At The Drive-In is the first association any rock connoisseur will make with this 90-second post-punk melodrama. It's all energy and emotion without the slightest hint of pretension. The song is chaotic and at times confusing without a single comprehensible lyric (go on, try to figure out what the hell they're saying) but that's exactly the charm of this south Australian band.

BRASIL: Meio Desligado
Rodrigo Campos - Katsumi
Rodrigo Campos, a prolific name in São Paulo's contemporary music scene, has just released his third solo album, Conversas Com Toshiro, which is influenced by Japanese culture. "Katsumi" is a good opening gate to his work.

CANADA: Ride The Tempo
Harrison - Sorry
Toronto producer Harrison beeps and blips his way into a sweet apology with his latest track, Sorry.

CHILE: Super 45
Breaking Forms - Folie A Deux
Breaking Forms is a duo formed by Nicole L'Huillier and Juan Necochea. Although they currently live in the United States, their journey began in Chile under the wings of two emblematic bands, Cóndor Jet and Picnic Kibun. While in the first one, L'Huillier developed a penchant for psychedelia and post-rock; in Picnic Kibun, Necochea explored the multiple facets of dance music. Breaking Forms is, in its own way, the meeting point for both genres. Proof of this is their first single Folie A Deux, a power-pop song spiced up by electronic sequences and noisy synths.

COLOMBIA: El Parlante Amarillo
Electric Sasquatch - Hunting Season
The legend of Bigfoot, or Sasquatch, acts as inspiration for this stoner rock band from Cali. They feed on forest myths, adding elements of theater and visuals to their presentations. From their brilliant self-titled album, whose CD version comes in a beautiful wooden box, we present Hunting Season, in which the Sasquatchs show us a more violent and dehumanized side.

DENMARK: All Scandinavian
Slaughter Beach - ClearInsight
Slaughter Beach are very much a Scandinavian proposition. Hailing from Denmark, they played their debut concert in Gothenburg, Sweden and are signed to Norwegian label Brilliance. MAP exclusive download ClearInsight is taken from their debut EP, Love/Venice, released this month.

ECUADOR: Plan Arteria
Radio Invasor - Magnolia
Radio Invasor is an electronic project blending digital sounds with organic elements of rock, funk, dub and hip hop. From their first EP, released this September, we present Magnolia. It's an epic, experimental track that offers a taste of Radio Invasor's potential.

INDONESIA: Deathrockstar
Littlelute - Berlibur Ke Poznan
Littlelute is an indie-pop outfit from Bandung. Their ukulele player recently visited Poznan and the beauty of the Polish city inspired him to write this cute pop composition (see video).

IRELAND: Hendicott Writing
Owensie - Dramamine
After more than three years tucked away from the eyes of the Irish music scene, dream-pop artist Owensie returns with Dramamine, a trippy ode to a motion sickness drug. The track features Conor O'Brien of Villagers and comes ahead of a third album of the same title that's seemed an extremely long time in the making. One for watching the world drift by outside your window.

ITALY: Polaroid
Port-Royal - Death Of A Manifesto
Port-Royal is a trio from Genova that fuses elements of ambient techno, shoegaze, melodic IDM and post-rock into a dreamy, evocative sound. Active since 2001, they have toured Europe and the United States, and released several records, compilations and remixes. Where Are You Now is their fourth proper album, out on Oakland-based label n5MD. Port-Royal are expanding their palette, and the gorgeous Death Of A Manifesto is one of their more pop-oriented compositions.

JAPAN: Make Believe Melodies
Boogie Idol - Seiteki Na Mimi
The recently released Schau Essen 2 compilation features many talented artists who pull from the glitzy sounds of 1980s Japan, when the economy was roaring and decadence dominated. Producer Boogie Idol offers up one of the best contributions to that set, a shimmering number full of bright synths, sticky bass lines and a slightly uncomfortable growling noise lurking beneath it all.

MALTA: Stagedive Malta
Juno And The Wolf - Dambrose
Born out of the merging of different projects in late 2011, Juno And The Wolf is the culmination of the myriad of influences that inspire its four members - James Azzopardi, Kristian Schembri, Samwel Mallia and Corey Farrugia. The band have developed an experimental ethos, an aim to create a duality with emotion and sound, flowing from heavy, raw numbers to quieter, more introspective ones rather than simply settling for one set genre. Their debut home-recorded self-titled EP was released in September 2014.

MEXICO: RBMA Radio Panamérika
El Muertho TJ - Malandro
El Muertho - a street musician playing romantic delusions with only a Yamaha keyboard, wearing black robes and Kiss wannabe make-up - has emerged from the Tijuana slums to raise a few eyebrows among critics and audiences. But, hey, the best works come from outsiders: Syd Barrett, Daniel Johnston, Tom Waits... add in a little bit of Suicide industrial tremolo and you'll get the perfect treat for Halloween or the Mexican Day of the Dead.

PERU: SoTB
Nave Ascensor - Ciudad Reacción
Ciudad Reacción is the first single from Nave Ascensor's debut album, Hartistas. The Lima trio come with a strong proposal - listen as they rail against the system through rock songs loaded with critical social and visual exercises to help you free your mind.

PORTUGAL: Posso Ouvir Um Disco?
Benjamim - Tarrafal
Benjamim is an artist formerly known as Walter Benjamin, who had a song on the Music Alliance Pact's April 2012 edition. Tarrafal is a single from his new album, Auto-Rádio, which has won over the Portuguese public and critics. In contrast to his previous guise, Benjamim opts for Portuguese lyrics instead of English. The music continues to be sophisticated pop that will get your feet tapping. Belle & Sebastian fans will love him.

SCOTLAND: The Pop Cop
JR Green - Nigerian Princess
With a modern spin on traditional folk music (accordion and mandolin feature heavily) and a healthy dose of lyrical intrigue, JR Green sound like the happy marriage of Frightened Rabbit and King Creosote. Made up of young brothers Jacob and Rory Green, their debut EP, Bring The Witch Doctor, is being released by Hits The Fan Records - the same label that released Frightened Rabbit's first album. Sign up to JR Green's mailing list for updates and freebies.

SOUTH KOREA: Indieful ROK
Silica Gel - Hrm
Silica Gel is most definitely a band to look out for. They describe their music as neo-psychedelic, experimental, progressive, dream and shoegaze - and they manage to deliver on all counts. A great track to dream away to, Hrm starts out plainly with just a simple guitar loop and some toned-down drums, gradually adds more and more to the mix, before unleashing total bliss a few minutes in.

12 de outubro de 2015

Mistura de seminário e festival, Sonâncias discute sustentabilidade no mercado musical atual

Evento acontece em BH entre 27 e 30 de outubro com 8 shows e mais de 20 debatedores

Para discutir a sustentabilidade no meio musical de pequeno e médio porte no mercado atual é preciso rever conceitos, misturar ideias e experimentar. Essa é a proposta do Sonâncias, mistura de seminário, festival e rodada de negócios que acontece em BH entre os dias 27 e 30 de outubro, na A Autêntica (Rua Alagoas nº 1172, Savassi, BH). Em cada dia de evento será realizado um debate temático com profissionais relacionados ao mercado musical, um showcase de 30 minutos e um show de encerramento. Ao todo, serão 8 shows e 21 participantes das mesas de discussão, entre os quais estão profissionais ligados a iniciativas como os festivais Planeta Terra, Sónar, Recbeat, Casa do Mancha, Som Livre, Skol Music, Semana Internacional da Música de SP, Ministério da Cultura, Secretaria de Estado da Cultura de MG, Sesc, Centro Cultural São Paulo, Multishow, o site Tenho Mais Discos que Amigos e outros. O Sonâncias é uma realização da Quente, produtora e agência de bandas, e teve uma edição embrionária realizada em 2014 dentro da programação do festival Transborda.

A programação musical do Sonâncias terá as bandas Baleia (RJ), que se apresentou no Lollapalooza deste ano e está prestes a lançar novo CD; Banda Gentileza (PR), pela primeira vez em BH; Câmera (BH), em show especial de um ano desde o lançamento de seu primeiro álbum; Pequeno Céu (BH), combo instrumental criado pelo filho de Toninho Horta; e quatro apostas da novíssima cena local que realizarão os showcases do Sonâncias (três delas, escolhidas via inscrição online): o rapper Douglas Din, a one-man band experimental Reallejo e as bandas Young Lights e Mordomo, esta, realizando sua primeira apresentação pública.

Os debates acontecerão entre 19h e 21h e terão entrada gratuita até das 19h30. Após esse horário será cobrada a entrada que também vale para o show, nos valores de R$ 15 (antecipada) e R$ 20 (na portaria). Ou seja, quem chegar até 19h30 pode participar dos debates e assistir aos shows de graça.



Confira a programação completa:

27/10 (terça)

19h _ CONVERSAS: Música e mercado
- Coy Freitas (SP): Diretor artístico da plataforma Skol Music, que reúne artistas como Karol Conká e Boogarins.
- Fernanda Bas (RJ): Coordenadora de marketing digital na Som Livre / Slap.
- Fernando Dotta (SP): Músico e sócio do selo Balaclava Records.
- Yannick Falisse (Bélgica): Músico e proprietário do selo belga/belorizontino La Femme Qui Roule.
- Marcos Boffa (BH/SP): Curador dos festivais Planeta Terra e Sónar SP, diretor artístico da casa de shows Audio Club. Um dos criadores da Motor Music e do festival Eletronika.
- Mediador _ Rômulo Avelar: Administrador e gestor cultural. Consultor de grupos e entidades como o Grupo Galpão e a Casa do Beco. Autor do livro “O Avesso da Cena: Notas sobre Produção e Gestão Cultural”.

22h _ SHOWS



Young Lights (BH)


28/10 (quarta)
19h _ CONVERSAS: Música e mídia
- Alexandre Matias (SP): Editor do Trabalho Sujo. Foi editor do caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo, diretor de redação da revista Galileu, e editor-chefe do projeto Trama Universitário.
- Fabiana Batistela (SP): Fundadora da Inker Agência Cultural e diretora geral da Semana Internacional da Música de São Paulo. Jornalista, foi repórter da revista Bizz.
- Guilherme Guedes (RJ): Jornalista, apresentador do Multishow, Canal Bis e parte da equipe do site Tenho Mais Discos que Amigos.
- Paulo Proença (SP/BH): Jornalista, cofundador e o gestor de conteúdo do site de entrevistas Motif. Também é editor de conteúdo web na Rádio Inconfidência.
- Mediador _ Daniel Barbosa (BH): Jornalista do caderno de cultura do jornal O Tempo. Curador de projetos como Natura Musical, Música Minas, Vozes do Morro e Música Independente.

22h _ SHOWS

Baleia (RJ)

Reallejo (BH / SP) 29/10 (quinta)

19h CONVERSAS: Música e palcos
- Mancha (SP): Proprietário do espaço Casa do Mancha, principal palco da cena indie paulistana.
- Gutie (PE): Jornalista e produtor cultural, diretor do festival pernambucano Rec-Beat, realizado durante o carnaval do Recife.
- Bruno Golgher (BH): Idealizador e curador do Savassi Jazz Festival e proprietário do Café com Letras.
- Victor Diniz (BH): Sócio da produtora Híbrido, responsável pelo festival S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L., dentre outros. Também é sócio-proprietário do Baixo Centro Cultural.
- Mediador _ Leo Moraes: Músico e sócio-proprietário da casa de shows A Autêntica e do Estúdio Pato Multimídia.

22h _ SHOWS

Câmera (BH)

Douglas Din (BH)

30/10 (sexta)

19h _ CONVERSAS: Música e política
- Pena Schmidt (SP): Diretor do Centro Cultural São Paulo; também foi superintendente do Auditório Ibirapuera/SP, presidente da Associação Brasileira de Música Independente e diretor da gravadora Warner.
- Murilo Pereira (BH): Chefe do Departamento de Fomento e Incentivo à Cultura da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.
- Felipe Amado (BH): Superintendente de Fomento e Incentivo à Cultura da Secretaria de Cultura de Minas Gerais.
- Carlos Paiva (BSB): Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
- Leonardo Beltrão (BH): Coordenador de projetos e programação do Sesc Palladium. Foi gerente de projetos do museu Inhotim e diretor de projetos do Instituto Cultural Sérgio Magnani.
- Mediador _ Gabriel Murilo (BH): Mestre em Música e Cultura pela UFMG e sócio da Embaixada Cultural. Foi um dos coordenadores do programa Música Minas e baixista do Macaco Bong.

22h _ SHOWS

Banda Gentileza (PR) Mordomo (BH)

22 de setembro de 2015

Inscrições abertas para o seminário/festival Sonâncias, em BH

Que tal ter a oportunidade de se apresentar para importantes profissionais do mercado musical brasileiro?

Entre os dias 18 e 25 de setembro artistas de todo o país podem se inscrever para realizar um showcase de 30 minutos no Sonâncias, mistura de seminário e festival que a Quente (minha produtora) realizará em BH entre os dias 27 e 30 de outubro.

Estarão presentes representantes de importantes festivais, casas de show, gestores públicos, jornalistas e outros membros da indústria musical, entre os quais estão profissionais ligados a iniciativas como os festivais Recbeat e Sonar, Slap/Som Livre, Skol Music, Multishow, Casa do Mancha, Semana Internacional da Música de SP, Balaclava Records e outros.

Serão selecionados 3 artistas para se apresentarem entre os dias 27 e 29 de outubro (um em cada dia). Os artistas selecionados para o showcase receberão uma ajuda de custo de R$ 600 ou 50% da bilheteria líquida, prevalecendo o maior valor. Após o showcase, cada noite terá também um show de um artista convidado (a programação completa será divulgada em outubro).

As inscrições são gratuitas e realizadas online. Pra participar é só ler o regulamento e preencher o formulário no site quente.org.br/sonancias/

15 de setembro de 2015

Music Alliance Pact de setembro

O Meio Desligado é o representante brasileiro no Music Alliance Pact, projeto global que envolve 20 blogs especializados em música, de diferentes países, que mensalmente realiza uma coletânea com bandas independentes/alternativas. Todo dia 15 é publicada a coletânea com uma música escolhida pelo representante de seu respectivo país de origem. Você pode fazer download da coletânea completa ou escutar as faixas individualmente, clicando no nome de cada uma delas.

ARGENTINA: Zonaindie
Argonautas - Perfecto
With a career that spans more than 20 years, this independent prog-rock band from Ramos Mejia, a Buenos Aires suburb, performed a couple of shows last month after being inactive for quite some time. So we thought it was a great opportunity to share this fine track from Argonautas' third album, also called Perfecto.

AUSTRALIA: Who The Bloody Hell Are They?
Jack Colwell - Don't Cry Those Tears
On his latest EP, Only When Flooded Could I Let Go, classically trained musician Jack Colwell blends the popular and the arcane to stunning effect. He has a grand vision and the chops to pull it off, creating compositions that dabble in everything from chamber-pop to doo-wop. Don't Cry Those Tears, a tribute to 60s pop, brings together strings, organ and a small choir with the seamlessness of a jigsaw puzzle. As a vocalist Colwell is often compared to Nick Cave and Patrick Wolf, and his performance on Don't Cry Those Tears is an expert balance of melodrama and levity. He is undoubtedly an artist to keep your eye on.


BRASIL: Meio Desligado
Emicida - Mandume
Brazil's most famous rapper, Emicida, has just released a new album in which he explores themes about urban life in his homeland, mixing it with African rhythms. In Mandume, he's surrounded by a group of new Brazilian MCs: Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike and Raphao Alaafin.

CANADA: Ride The Tempo
Mieke - Sleeping Alone
You may recognize Elissa Mielke (aka Mieke) as the model in The Weeknd and Drake's video for The Zone, but she has her own thing going on. Her goosebump-inducing single Sleeping Alone reminds us all that there are worse things in the world than being alone.

CHILE: Super 45
Planeta No - Sol a Sol
Planeta No is one of the most promising acts in Chilean pop. Gonzalo García, Camilo Molina and Juan Pablo Garin, who released first EP Matucana in 2014, make perfect music for the dancefloor with guitars, synths and harmonies. The single Sol a Sol is taken from debut album Odio, which came out in August.

COLOMBIA: El Parlante Amarillo
Anyone/Cualkiera - En Cualquier Parte
From Medellín, as part of the No Rules Clan, we introduce Anyone/Cualkiera, who have been making hip-hop for more than five years. Their latest work, Tiempo Libre EP, is very interesting, not only for its collaborations - which includes Kario One on En Cualquier Parte - but for its approach to old school and reflection of Medellín life.

DENMARK: All Scandinavian
Palace Winter - Menton
Palace Winter - aka Danish producer/synth wizard Caspar Hesselager and Australian singer-songwriter Carl Coleman - release their five-song debut EP, Medication, on October 2. Here's the awesome second single Menton as a MAP exclusive download.

ECUADOR: Plan Arteria
Andes Music Machine - Stray Song
Andes Music Machine were formed by Pinteiro, an electronic musician from Quito, and The Pineda Brothers, who belong to the indigenous community of Peguche in the Andes of Ecuador. They play Andean music with electronic and traditional instruments, creating a sound that represents new Latin American music beyond the popular cumbia.

INDONESIA: Deathrockstar
Peonies - Truth
Peonies are Cinta Marezi, Jodi Setiawan and Paramitha Citta. They come from Jakarta and love to sing and dance in an indie-pop style.

IRELAND: Hendicott Writing
Overhead, The Albatross - Big River Man
Having forged a reputation as a truly stunning live band, Overhead, The Albatross have finally unveiled the first single from their long-awaited debut album, out shortly. Big River Man is about Slovenian distance swimmer Martin Strel and contains the band's usual swirling guitars and complex, beguiling layering. It's loud yet nuanced, jagged yet melodic, and entirely instrumental. You need to hear it.

ITALY: Polaroid
Any Other - Gladly Farewell
Adele Nigro is only 21, but she has been making lovely folk-pop with intense lyrics and a strong attitude for years. She reminds me young songwriters such as Courtney Barnett, Waxahatchee or Eskimeaux. Adele recently formed a trio called Any Other, who released their debut album this month (available at Bandcamp) and it is the best new voice I have heard in a while.

JAPAN: Make Believe Melodies
Takeaki Oda - Loop
The term chillwave presumably vanished from many music fans' heads several years ago, but the microgenre persists in Japan, with lots of great results. Takeaki Oda is the latest Tokyo artist to embrace it and Loop is an absorbing number that makes dusting off classic terms such as "sun-dappled" worth it. He adds a level of familiarity by weaving in some childhood sounds, at least if you played the Nintendo 64.

MALTA: Stagedive Malta
Norm Rejection - The Radical Underground
Norm Rejection formed in 1994 and are the country's first metal band to have both English and Maltese lyrics. With three albums and two EPs to their name, they fuse different styles into a distinctive metal sound. Norm Rejection are known for their songs of rebellion and liberation as well as their powerful live performances.

MEXICO: RBMA Radio Panamérika
Selma Oxor - Luna Llena
Based on the tracks we've heard so far from the upcoming Fantasías de Tocador, Selma Oxor appears to be stretching the electroclash foundation of her sassy project into nastier zones. Although musically more restrained (we have yet to encounter a killer guitar riff like the ones found in Dotes de Cocina or Jungle Juice) and naked, Oxor feels terribly confident in her vocal acrobatics that have been pushed to the foreground. In Luna Llena, the former Bam Bam member adopts a vamp persona while carrying a batch of bubblegum synths and a threatening ambience that's as lustful as it is catchy.

PERU: SoTB
Los Lagartos - Invierno
Los Lagartos recently launched their La Luz Del Mediodía EP, influenced by American jangle-pop and 80s British rock. Invierno, the fifth track of this remarkable record, is a fresh tribute to British rock played under Lima's grey sky.

PORTUGAL: Posso Ouvir Um Disco?
Few Fingers - From Pale To Red
Few Fingers (Nuno Rancho and André Pereira) release their debut album, Burning Hands, this month. They have a beautiful indie-folk sound, as you can hear on From Pale To Red, which is backed by this video directed by Tiago Gomes. Nuno Rancho was also featured in the Music Alliance Pact's December 2008 edition when he released his first solo album.

SCOTLAND: The Pop Cop
Daydream Frenzy - Pride & Wonder
Daydream Frenzy are one of the most promising alternative rock bands to emerge from Scotland in quite some time, with support from Kerrang! magazine and an endorsement from Tom Delonge of Blink-182 fame testament to the very obvious talent this Aberdeenshire trio possesses. Daydream Frenzy released debut album Pride & Wonder in March - seek it out on iTunes/Amazon/Spotify. Its title track (see video), presented here as an exclusive free download, perfectly encapsulates their appeal: jumbo choruses, exceptionally strong melodies and accomplished musicianship.

SOUTH KOREA: Indieful ROK
Tierpark - Bullfight
Seoul-based dreamgaze outfit Tierpark release second album The Moment Two Worlds Meet this month. Showcasing the band's characteristic dynamic sound, Bullfight offers intense progressions and captivating guitar lines perfectly complemented by Sehee Kim's vocals.