22 de março de 2014

Sobre a importância das bandas "sem futuro"



Qual a sua definição de sucesso? Na maioria das profissões, é uma mistura de altas remunerações e elogios sobre o trabalho realizado (o tal do "reconhecimento"). Na música independente brasileira, seguindo esse ponto de vista, seriam pouquíssimos os casos de sucesso. Para facilitar e ser mais realista, as altas remunerações poderiam até dar lugar a "remunerações que permitam a independência financeira". Por "independência financeira", segundo o site O Pequeno Investidor, muitos brasileiros podem entender "ter a casa própria e um emprego que pague as contas". Aí complica novamente. Quantos músicos independentes conseguiram comprar suas casas e pagar suas contas através da música? Vamos cortar a parte da casa própria e nos contentar apenas com a parte de pagar as contas. Ainda assim, aposto que não apareceram em sua mente muitos novos exemplos de músicos bem-sucedidos atuando no underground tupiniquim (aliás, adoro essa palavra, que remete à primeira tribo indígena encontrada por Pedro Álvares Cabral em 1500 - ou seja, os primeiros a se fuder).

Sucesso na música independente brasileira, então, se aproximaria de um pinto com mais de 20 cm: 1) você sabe que existe, mas poucos têm 2) muitos fazem de tudo para convencer aos outros de que o tem, apesar de terem noção de que é uma mentira relativamente difícil de manter 3) em ambos os casos, muitos gastam grandes quantias tentando obtê-lo.

Mas falemos menos de falos.

Análise de mercado, investimento, planilha financeira, cronograma, projeto, estratégia de divulgação, planejamento, fluxo de caixa, stakeholders... Termos da rotina empresarial mas que estão cada vez mais presentes no dia a dia das bandas. Se por um lado demonstram uma busca por profissionalização no mercado musical, também representam uma perigosa caminhada rumo à mercantilização excessiva da música independente/alternativa, supostamente mais sincera e original do que a produção mainstream justamente por não se basear nas necessidades mercadológicas.

A vontade de obter repercussão e dinheiro (sucesso?) faz com que bandas e artistas gastem cada vez mais tempo com planejamento. Os resultados positivos mais óbvios são o crescimento de público e uma bem-vinda profissionalização que se expande pela cadeia produtiva do setor. Por outro lado, cresce também a padronização na execução das carreiras artísticas e, pior, na produção resultante. Mesmo na cena indie. 

Nesse cenário pasteurizado, um tipo de artista passa a ser ainda mais crucial: aquele por vezes marginalizado e taxado como "sem futuro". Esses artistas, conscientemente ou não, são atores essenciais. Eles não fazem planos de largar seus empregos e contratar assessores de imprensa. Ao mesmo tempo em que diminuem as chances de se decepcionarem com os rumos de suas carreiras, permanecem fieis ao que os motivou a montar uma banda. Caso não tenha percebido, estou me referindo à música.

Essa deveria ser a essência do underground, um grande espaço de liberdade de criação no qual o futuro é uma incógnita - e isso é um grande ponto positivo. Um dos aspectos mais interessantes do punk/hardcore são justamente os limites de ambição inerentes ao gênero. Ninguém cria uma banda de hardcore almejando se tornar milionário. A música, o contato com as pessoas, a necessidade de se expressar, junto de outros elementos, vêm antes do "sucesso". E, claro, transformar tudo isso em uma atividade sustentável é uma boa meta.

Não existe nada de errado em querer viver da sua música. Mas, antes de ser um produto ela é sua forma de expressão, capaz de provocar as mais diversas reações e sentimentos nas pessoas por todo o planeta. Se ao pensar nas possibilidades da sua criação artística ela ainda não estiver em primeiro lugar nos seus planos, talvez você devesse, sim, repensar o seu futuro.

Essas bandas podem não ter um futuro comercial relevante, mas são essenciais para o futuro da música. Se todos estiverem preocupados especificamente em obter remunerações que os sustentem, haverá cada vez menos espaço para as manifestações artísticas mais experimentais, mais ousadas. E quem também perde nesse cenário é o público.

Parte do ponto de vista é: muitos nunca vão ganhar grandes quantias com seus trabalhos artísticos e, paralelamente, também podem gastar quantias significativas, e é preciso ter isso em mente. O que é diferente também de ter a música como um hobby eventual.

A sensação, conversando com músicos de diferentes cidades, é que existe um clima de insatisfação e certa decepção com o mercado, mas talvez isso seja fruto de ambições exageradas. A internet criou a imagem de que todos podem ter o tal sucesso (assim como alguns acreditam na história do "aumente seu pênis"), mas a realidade é dura e nem todos estão preparados para a cauda longa (ou para o pinto curto - não resisti ao trocadilho).

Da mesma forma que a ausência de um pau enorme pode ser compensada de diversas formas (inclusive, ficando claro que tamanho, definitivamente, não é o mais importante), a concepção de sucesso deve ser retrabalhada. Às vezes, tocar para 50 pessoas em cada cidade visitada pode ser um excelente bom resultado. Depende de como você se prepara (seus gastos, quais produtos complementares você tem a oferecer etc) e como você lida com isso. E frente ao poder de publicitários, pesquisadores de tendências, jornalistas desinformados e outros seres abomináveis que costumam contribuir para o sucesso ou não de algo, não ter um futuro pode ser uma boa opção.

Ps: dispenso o mimimi de quem interpretar o texto como sendo um incentivo à não-remuneração dos músicos, beleza? E opinião, afinal, é tipo herpes: quase todo mundo tem, mas só alguns manifestam.

21 de março de 2014

Rough Trade, o livro

O selo inglês Rough Trade já teria seu lugar reservado na história da música mundial simplesmente pelo fato de ter sido o responsável por lançar os primeiros trabalhos de bandas como The Smiths, The Strokes, The Libertines e Arcade Fire. No entanto, sua história vai além e permeia o desenvolvimento da música alternativa e do indie rock, conforme é descrito no livro homônimo escrito pelo jornalista Rob Young e publicado em 2006, mas ainda sem tradução em português.

Criada em 1976, a Rough Trade inicialmente era somente uma loja, evolução dos hábitos de colecionador de discos de seu fundador, Geoff Travis. Em 78, a partir da demanda de bandas próximas, transformou-se também em um selo guiado através de uma gestão coletiva (e quase utópica). Com o instinto do it yourself do punk mas com os ouvidos abertos para a música alternativa e experimental, Travis define o início do selo como  sendo algumas pessoas interessadas em descobrir novas músicas e conversar sobre isso, cercados de caixas (com os discos e fitas a serem entregues). O passo seguinte seria funcionar como distribuidora, atuando como ponto central para a circulação dos trabalhos de bandas alternativas por toda o Reino Unido.

Após uma série de lançamentos ecléticos que reforçavam constantemente o caráter de garimpeiro underground do Rough Trade (através de artistas como Cabaret Voltaire, Stiff Little Fingers, Swell Maps e The Fall), o selo passou a dialogar diretamente com o mercado mainstream em 1983, ao descobrir o The Smiths e lançar os primeiros singles da banda. A relação com os Smiths foi conturbada e durou poucos anos, mas marcou um período extremamente fértil para o Rough Trade, que nos anos seguintes lançaria discos de Jonathan Richman & The Modern Lovers, Beat Happening, Galaxie 500, Mazzy Star e uma infinidade de bandas obscuras.

A ascensão nos anos 80 se transformaria em uma forte decadência no início dos anos 90, cuja explicação, resumida, remete aos clássicos erros de controle financeiro e (pasmem) na escolha de adotar um software de gerenciamento de estoque e fluxo de caixa que nenhum outro concorrente utilizava e que acabou por se tornar um enorme pesadelo na empresa. Depois de várias mudanças e uma atuação menos relevante ao longo dos anos 90, tudo mudaria em 2000, quando Travis e sua sócia, Jeannette Lee, receberam via correio uma fita com três músicas demo do The Strokes e, na semana seguinte, viajaram para Nova York ver a banda ao vivo - e contratá-los. O que viria a seguir seria a consagração do Rough Trade como um dos principais selos indie do mundo para uma nova geração, dessa vez tendo o indie/pós-punk do The Libertines no lugar do punk eletrônico dos franceses Métal Urbain, primeira banda lançada pelo selo.


Mais do que contar curiosidades de bastidores, o ponto principal do livro é contextualizar o momento histórico em que se deu a criação do Rough Trade e apresentar o funcionamento de parte relevante da indústria musical, uma vez que a Rough Trade, ao longo dos anos, se desdobrou em loja, distribuidora, selo, editora e empresa de agenciamento de artistas. Sua escolha em manter-se focada no conceito (e não, essencialmente, nas demandas mercadológicas) foi crucial para constituir a empresa como ícone mundial do indie rock e, no final das conta, gerar lucro após quase uma década inteira de quase falência e incorporações por outras empresas para manter-se viva (até mesmo a marca "Rough Trade chegou a ser vendida durante os períodos mais tenebrosos).

Durante as transformações da empresa a loja permaneceu ativa, apesar de algumas mudanças de endereço. Além da grande variedade de materiais, recebe pocket shows que permitem uma interação maior entre artista e público. Por lá passaram Talking Heads, Ramones, Queens of the Stone Age e muitas outras. Curiosamente, no dia em que fui a uma das lojas quem tocava era o projeto A Curva da Cintura, dos brasileiros Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra.

Para quem se interessar pela história de outros selos, a editora Black Dog, responsável pelo livro sobre a Rough Trade, possui uma série de publicações chamada Labels Unlimited.

18 de março de 2014

Assistir mais tarde

Com o grande fluxo de informações ao qual somos expostos diariamente, ferramentas como o botão de "assistir mais tarde" do Vimeo e Youtube acabam sendo grandes aliados na hora de tentar organizar o que é relevante dentro de nossas limitações de tempo. O problema, assim como os livros que compramos e não lemos ou das revistas que vão ficando de lado até se tornarem defasadas, é que muitas vezes essas listas de vídeos ficam esquecidas e o ato de salvar um vídeo para assisti-lo posteriormente passa a ser apenas uma forma de nos reconfortar, um consolo de quem diz "agora estou ocupado mas assim que tiver um tempo livre volto para ver isso".

No meu caso, quando resolvi "limpar" minha lista de "watch later" do Vimeo, me deparei com dezenas de vídeos dos quais nem me lembrava, muitos salvos há quase três anos. Aproveitei para indicar alguns dos achados abaixo, sendo que boa parte deles está diretamente relacionada ao tema principal deste blog.

Documentário sobre os 20 anos do Abril Pro Rock
Registro de um dos mais importantes festivais brasileiros, com relatos de integrantes do Mundo Livre SA, Los Hermanos, Otto, Zé Cafofinho e outros personagens que de diferentes formas se relacionaram com o Abril Pro Rock.


The evolution of music online
Curta matéria com trechos de entrevistas de profissionais que trabalham com música no mercado digital, em sites como Pitchfork, Hype Machine e Vimeo.


Bárbaros em cena
Trabalho de conclusão de curso da jornalista Mariana Marçal. Feito em 2010, acompanha principalmente a cantora Bárbara Eugênia durante o processo de gravação de seu primeiro disco e, paralelamente, faz um registro de parte da cena paulista contemporânea através de relatos de artistas como Romulo Fróes, Tatá Aeroplano, Júnior Boca e Bruno Morais.

Madame Satã - O importante é ser eu e não o outro 
Documentário sobre a mítica casa Madame Satã, tida como uma das mais importantes da cultura underground de São Paulo. Entrevistas com Edgard Scandurra, Clemente (do Inocentes), entre outros.


Hurtmold
Registro de um show do Hurtmold na Funarte SP em 2012.

A ponte
Documentário que aborda a desigualdade social na zona sul de São Paulo e apresenta o trabalho da ONG Casa do Zezinho. Só pelas falas da criadora da ONG, Dagmar Garroux, já valeria a atenção, mas também apresenta falas do Mano Brown, Ferréz e outros.


Esses e outros vídeos podem ser vistos na tv.meiodesligado.com

12 de março de 2014

Escrever sobre música

Por que escrever sobre música?

Por que 
escrever
sobre 
música?

Tanta coisa importante acontecendo no mundo, tantas coisas que precisam ser feitas e você escreve sobre música?

Não sei muito bem a resposta. E, por não saber, fiquei todo o mês de fevereiro (além de parte de janeiro e março) sem atualizar o Meio Desligado. Fiquei um longo período fora do Facebook, viajei sozinho por quase um mês, conheci pessoas, lugares e culturas diferentes, fiquei oficialmente um ano mais velho. E ainda não tenho uma resposta, apesar de entender alguns dos motivos que me levam a continuar.

Para mim, o jornalismo cumpre uma função social. E por mais que o que faço aqui não seja jornalismo propriamente dito, também cumpre uma função social.

Por que as outras pessoas escrevem sobre música e cultura? Boa parte delas, porque esse é o trabalho delas. Uma forma de atuar com algo que gostam (ou que ao menos seja menos pior do que outras opções disponíveis). Mas esta não é uma fonte de renda e muito menos meu emprego.

Então, por que escrever? Quando penso nos motivos para não largar isso e me dedicar a outras coisas que talvez sejam mais interessantes (pessoalmente) o que me vem à mente é uma vontade de contribuir, mesmo que de uma forma pequena, para que as vidas das pessoas sejam um pouco melhores. E essa contribuição acontece a cada momento em que alguém descobre uma nova música ou um novo artista que torna parte do seu dia melhor. A cada vez que alguém se identifica com algo que lê e aquilo reflete de forma positiva em sua vida. E também quando não gostam, mas essa rejeição resulta em alguma reflexão interna. 

Longe de alienar, como grande parte da produção disponível na internet, sinto cada vez mais necessidade de abordar a cultura com uma visão mais crítica, política e ativista, até. Porque a arte é uma fonte de prazer, mas também instrumento de reflexão sobre nós e a sociedade. 

Aí entra outra motivação, menos altruísta. Continuo escrevendo porque esse é, de certa forma, um registro de parte da minha vida. E nesse ponto está a maior liberdade. Não existem grandes pretensões, interesses financeiros, essas merdas. Não sou um jornalista frustrado com meu trabalho e tenho um blog como válvula de escape. Não dou a mínima pra quantos acessos tenho e, na verdade, só verifico os dados de acesso quando algum possível patrocinador os pede (aí, claro, não vou deixar de ganhar o meu tutu). Espero que gostem do conteúdo, que ele influencie quem está aqui de forma construtiva. Mas, se isso não acontecer, foda-se. Quando leio alguns posts mais antigos os que mais me interessam são aqueles que dizem mais sobre o que eu sentia naquele momento, o que eu pensava. Pouco importa a repercussão ocorrida. Porque assim como eu pensava e sentia algo específico naquela época é possível que as pessoas que leram aquilo talvez compartilhassem do mesmo sentimento. Assim, vão se constituindo pequenos registros de momentos não apenas meus, mas coletivos. Já é uma contribuição que, ao menos para mim, é válida.

Da cadeira de praia (furada), na varanda.

6 de março de 2014

Music Alliance Pact de fevereiro

Sem Brasil e sem texto em português desta vez.

Click the play button icon to listen to individual songs, right-click on the song title to download an mp3, or grab a zip file of the full 26-track compilation through Ge.tt here

ARGENTINA: Zonaindie 
Jimena Lopez Chaplin is one of the finest emerging voices from the local scene in Buenos Aires. She has been a part of different musical projects, including the Varias Artistas collective formed by Lucas Marti. However, in order to fully appreciate her songwriting and musical talents, you should listen to her two solo albums, Ojos De Plástico (2009) and El Espíritu De La Golosina (2013). Hombre Estrella is a magnificent rendition of David Bowie's Starman, with Spanish lyrics and arrangements by Jimena.

Promise Land is the new project of visual artist Johann Rashid (also a member of Melbourne post-punks Eastlink) and producer Paul Harmon. Their first single Recall has just been released on Hole In The Sky, the imprint run by Modular band Canyons. The track aims to inject a bit of the occult into contemporary urban life, with deep noir production from Harmon featuring eerie vocal samples and an agitated no-wave tick. Meanwhile, Rashid delivers a slick, strained flow that's almost closer to chanting than song. 

The battlefield is set: an infantry of soldiers carrying swords made of static, a volley of cotton candy-covered cannonballs and the melodic noise of instruments imploding. This is the sound of Montreal's Look Vibrant in their element. Surrender now and face aural annihilation.

CHILE: Super 45 
Jumper Joy is the moniker for musician and composer Diego Palma who, since 2013 and after being a member of El Último Dinosaurio, decided to go solo on this playful power-pop project, splattered with references to psychedelia and shoegaze. Calma Que No is taken from his second EP released in January. 

It's always good to hear Bogotá trio Moonetz making dreamy electro-pop. Formed by Luna Baxter, Juan Pablo Uribe and Sebastián González, they released their debut album A New Direction at the end of 2013. Check out the very cool video for Luces En Tu Cielo. 

If we want to make room for protest and reflective songs at the expense of the banal and meaningless then we need more like this one. The track Reverse also gives its name to an album which X Alfonso released in 2011 as "antibiotic art". The song deals with social issues, while its rock style, with shades of Cuban tones, injects excitement and motivates us to listen carefully. The Reverse album was spawned from the Cuban Art Factory, a cultural project which opened a new institution in Havana this month. 

DENMARK: All Scandinavian 
He's been a force on the Danish hip hop scene since he was 16 and with three albums under his belt at the age of 23, Negash Ali releases what he describes as his best work yet with the African Dream EP on February 17. Here's the awesome What You Got as a MAP exclusive free download (with video to match) and also check out the video for new single Fire In The Sky

DOMINICAN REPUBLIC: La Casetera 
Tornadu - Soft Battery Imagine a video game from the very first Nintendo console where the main goal is to attend post-punk concerts. As odd as it sounds, that's what Tornadu's music reminds us of. Strangely futuristic yet so rooted in that analog 8-bit sound that filled our childhood with so many fun and thrilling moments, producer Gennaro De Santis opens the portal into his musical world with Soft Battery, taken from his debut Diodes EP. Tornadu plans to make a full-length album in the near future, but for now you can get the rest of his songs and some remarkable remixes on Beatport and iTunes. 

ECUADOR: Plan Arteria 
Mariela Condo is one of the most stunning, deep and authentic voices of Ecuador. She represents a new face of contemporary Andean music. Her second album Vengo A Ver also shows Mariela has everything it takes to become one of the new icons of world music.

ENGLAND: Drowned In Sound 
Johnny Foreigner (or JoFo as they're more affectionately known) make the kind of yelping indie-pop that's brash and infectious. On the surface their fast-paced skittering squall has so much joy, but beneath the ornate bush of guitars and rimshots there's always this hint of frustration with the world, with romance or in Le Sigh's case, they can be found wrestling with both: debunking the myth of late-night love in the clubs and kebab shops of Solihull (or any other small town). 

FINLAND: Glue 
Bypassers are from the city of Tampere, which is called the Manchester of Finland. Coincidentally or not, these four guys find inspiration in classic Manchester bands Oasis and The Stones Roses to create some powerful guitar-based Britpop. Bypassers have recently relocated to London, from where they have released a very solid debut EP which includes this easy-to-remember song title Heaven Knows I Was Gonna Choose It Heaven Knows I Was Gonna Loose It. 

GREECE: Mouxlaloulouda 
Ruined Families' album Blank Language radiates a desperate, ramshackle charm that runs counter to the ferocity and frigid gloom of the music. Their blistering, rowdy post-hardcore and punk has a powerful, raw intensity; there are sharply dissonant, throat-wrenching and angular groans, stutters and roars; the thundering drums and braying guitars pummel relentlessly over the breathless hurtle of nine exhilarating songs. Listen to the explosive, emotionally overwhelming Only Need Is Real and watch the brilliant video for Pedestal with compiled footage from their recent European tour. 

INDIA: NH7 
Arjun Iyer and Satish Sridhar make up Gumbal, a brand new electro-pop project based in Mumbai. Their first public offering is A For, an EP spawned from a couple of days of songwriting and recording, all of it constructed in the key of A. Iyer and Sridhar's influences from their previous melodic alt-rock project Eatshootleave have definitely crept into Gumbal, giving it plenty of catchy melodies, quietly confident vocals and an urgency that's much welcome in this style of music. Fans of A Perfect Circle, Puscifer, Incubus and Radiohead will like this. Albatross is our much-fought-over pick off A For, though the EP is quite the trip when listened to from start to finish. 

INDONESIA: Deathrockstar 
Danilla is a young woman who sings about attraction in the style of 1950s Indonesian romanticism. You won't be able to resist the swing of her graceful alto vocals. Her debut album Telisik is available to purchase via iTunes

ITALY: Polaroid 
Lush electro-pop with a soul, and a lot of autotune and harmonizer too. This is the sound of a young man struggling with his feelings. Darkness and light fight each other, and in the middle stands the voice of Maolo Torreggiani (My Awesome Mixtape/Quakers And Mormons), the main instrument in the first Sin/Cos album Parallelograms. 

Despite the title, Groove Me is not totally devoted to the dancefloor. Osaka beatmaker Hideo Nakasako definitely adds in plenty of feet-moving elements, it just takes a little bit to really kick in. The first minute of this washes over the listener, leaning towards being contemplative. Then the drums zip in and it goes off in a new direction, further pushed onward by sliced-up yelps. 

MALTA: Stagedive Malta 
Skimmed bring together an affinity for producing brooding, intense tracks infused with 60s pop sensibilities to create what are essentially pop songs with a deeper, darker and more intimate element. Isobel is one of the more haunting tracks on their 2013 debut album Summer Lovers. 

The band's Facebook profile announces: "The Blenders stole your dad's hairdo, your mom's panties and your sister's heart." Surf De Amor is a great surf/lo-fi song adorned with 70s aesthetic, which inevitably suggests long cars, large tufts and many fans surrounding this band from Mexico City. Its video will give you a bigger picture. 

PERU: SoTB 
The music of Los Mostos Verdes is predominantly reggae mixed with rhythms such as dub, funk and rock to achieve a more universal sound. In 2013 they released their first album with 10 innovative tracks that convey positivism and happiness. Calima is its first single. 

Thomas Anahory is a true beach boy. When he is not writing and playing his songs, he spends his days on the coast bodyboarding. Thomas says he is inspired mostly by American rock classics such as Bob Dylan, The Doors and Bruce Springsteen, but his music is also reminiscent of 80s bands The Long Ryders, Miracle Legion and The Alarm. Hey Hey is taken from his newest album Thank Your Lucky Stars. 

PUERTO RICO: Puerto Rico Indie 
Puerto Rico's decade-plus punk veterans Juventud Crasa are one of the island's most beloved bands. Their "California via Spain" style has resulted in a polished yet abrasive sound that is instantly recognizable and catchy as hell. The band recently released a split 7" EP with local up-and-comers Tus Idolos, which opens with the explosive track Despues Del Tiroteo. 

ROMANIA: Babylon Noise 
Violent Monkey are a band from Bucharest who are influenced by funk and Motown, as well as electronic music. 

SCOTLAND: The Pop Cop 
For an exuberant folk-pop collective whose membership has been as high as 23, each with an assortment of extravagant instruments in tow, one of the most remarkable things about The Second Hand Marching Band is the fearlessness they show in confining a song to a single vocal and acoustic guitar if that's what they think works best. In 2010, they gathered some homespun EPs and rarities into a charming release titled Compendium. Since then they've been recording in ad hoc spaces to weave their debut album proper, A Hurricane, A Thunderstorm. Out on March 2, it's a triumph of diversity, veering from bellowing, unpretentious pop to sparse, poignant laments. 

SOUTH KOREA: Korean Indie 
Singer-songwriter Big Phony released his first album in 2005 and has since put out several more, most recently the twin offerings of acoustic album Bobby and the more electronic pop-oriented Long Live The Lie earlier this month. The sweet and addictive Bedford Stop appears on both, but this is the comforting, home-recorded version that opens Bobby. Big Phony is headed for SXSW next month. 

SPAIN: Musikorner 
Being Berber describe their music as a "pile of re-used beat up cassettes for road trips". The grandiloquence of M83 is easily noticeable as their main influence. Not afraid of delivering a song that's easy to sing along to, what we have is a real Anthem. 

UNITED STATES: We Listen For You 
Louisville's Mark Kramer (aka Tender Mercy) crafts softly dramatic experimental folk ballads that analyze the hypnotic ability of sound. This type of music is challenging, even in its simplicity, so give it a few spins, let go and sink in.

5 de março de 2014

Cena Independente #25



1 Baleia – Motim [RIO DE JANEIRO: RockInPress]
2 Foba – Por Que Você É Tão Legal? [PARANÁ: Defenestrando]
3 Uyatã Rayra & A Ira de Rá – Amendoim [BAHIA: El Cabong]
4 Dubom Rap – Mantra [RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground]
5 Viní – Up 2 da Club [SÃO PAULO: Miojo Indie]
6 In Fectos – Novo Oeste [ALAGOAS: Sirva-se]
7 Semente de Vulcão – Ray Charles [PERNAMBUCO: AltNewspaper]

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1 de março de 2014

Midem 2014: como foi uma das maiores feiras do mercado musical mundial

Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro estive em Cannes, no sul da França, para participar da Midem, considerada uma das maiores (talvez a maior) feira do mercado musical mundial. Em 2014, a Midem aconteceu entre os dias 1º e 4 de fevereiro no Palais des Festivals, mesmo espaço que recebe o famoso festival de cinema da cidade, e teve o Brasil como país homenageado em uma parceria com a Funarte.

Para conhecer mais sobre o mercado musical a feira é uma alternativa realmente interessante, mas não são tantas as oportunidades diretas de venda de show para os artistas. Dos dois andares utilizados pela feira, por exemplo, um deles foi praticamente todo dedicado a startups de tecnologia cujos produtos/serviços dialogam com a música.

Outro ponto é que quase todos os profissionais que estão por lá estão vendendo algum serviço (a maioria deles ligados à distribuição digital), são pouquíssimas as pessoas interessadas em contratar shows. A maioria dos estandes é de países apresentando seus artistas e isso acaba sendo muito mais interessante para os produtores de festivais que estão lá, por exemplo, mas não tanto para os artistas que querem tocar nesses países. Nesse ponto, percebe-se que Minas Gerais é um Estado que se diferencia e está à frente até mesmo de muitos países: em Minas existe o edital Música Minas, que custeia as passagens de artistas que receberem convites para se apresentar em eventos relevantes no Brasil e no exterior. A maioria dos países participantes da Midem sequer possui editais desse tipo e outros, como a Alemanha, possuem iniciativas quase idênticas. Aqui, no entanto, temos a opção de tentar viabilizar as passagens tanto através do Ministério da Cultura (e seu edital de intercâmbio) ou do Música Minas. Ponto para o governo brasileiro.

As melhores oportunidades para artistas estavam ligadas a empresas que trabalham com sincronização (venda de música pra comerciais, trilhas e afins) e alguns produtores interessados em intercâmbio cultural. O fato do Brasil estar na moda no exterior (e, em fevereiro, ainda havia toda a euforia por causa da Copa do Mundo no Brasil) aumentaram o interesse pela nossa música. Mesmo assim, é nítido que a produção contemporânea nacional ainda é pouquíssimo conhecida no exterior. Criolo, por exemplo, mesmo sendo muito badalado no Brasil e já tendo feito uma quantidade considerável de shows na Europa (além de ter tido relativo espaço na mídia especializada internacional) não passava de mais um desconhecido entre as atrações musicais da Midem. Por outro lado, foi interessante conhecer alguns jovens parisienses, mestrandos em marketing, que não apenas conheciam, mas estavam pesquisando iniciativas brasileiras como o Queremos e a Mídia Ninja.

As conversas oficiais com os produtores e profissionais do mercado aconteciam nos chamados speed meetings, rápidos encontros de cinco minutos, nos quais ter um material organizado e bem trabalhado é essencial para vender o seu produto. No entanto, é consenso que os melhores contatos são feitos fora das reuniões oficiais, durante os shows ou nas festas não-oficiais. Um dos melhores momentos da feira, por exemplo, foi uma festa promovida pelo site Pleimo no luxuoso hotel Carlton, à beira da praia, na famosa avenida La Croisette. Lá, entre a grande diversidade de bebidas gratuitas e a música ao vivo (tudo dentro da suíte do hotel), era possível bater um papo (entre outras coisas) com produtores de bandas famosas como Radiohead e My Bloody Valentine, dividir drinks com diretores de festivais como o Rock in Rio, ensinar um pouco de português pra diretoras de comerciais ou até se apaixonar por advogadas do Google (uma das melhores partes).

O Pleimo, site brasileiro que é uma mistura de MySpace com plataforma de prestação de serviços para bandas, investiu bastante na feira (Henrique Portugal, tecladista do Skank, é um dos sócios). Eles também produzem material promocional como canecas, capa de celular e afins, além de promoverem venda de ingressos e outros produtos. Estranhamente, desde do término da feira até hoje, tive pouquíssimas notícias do desenvolvimento do Pleimo.

E por falar em tecnologia e startups, esse foi um dos ramos mais interessantes da Midem. Muitos aplicativos e serviços online usam a feira como ponte para obter financiamento. Alguns dos que saíram de Cannes com novos investidores foram o estranho Nagual Dance (que permite "tocar" instrumentos virtuais e disparar samples através de gestos corporais - veja vídeo abaixo), Weezic (app que ajuda estudantes de música a estudar) e Starlize (aplicativo para criação de vídeoclipes no celular), destaque também para o Cubic FM (para criação de playlists através de diferentes serviços de streaming).
 

Os shows promovidos durante a Midem geralmente não contam com artistas famosos internacionalmente e são oferecimentos dos países participantes. Eles usam a plataforma como meio de divulgação de sua produção cultural, caso dos showscases brasileiros (com Criolo, ZeMaria, Raquel Coutinho e Alceu Valença) e Taiwan, por exemplo. Mas como a pequena cidade é tomada por profissionais da indústria musical durante o evento, eventos paralelos também podem contar com boas atrações, como foi o caso da ótima banda japonesa Lite, que se apresentou fora da programação oficial.

As palestras são outro ponto forte da Midem. Foram dezenas, abordando os mais diversos temas dentro da cadeia produtiva da música. A grande maioria delas, felizmente, está disponível na íntegra no canal do evento no Youtube. Uma das mais interessantes e divertidas em que estive foi a do francês Olivier François, diretor de markerting e membro do conselho do grupo Chrysler, que explicou a estratégia das empresas do grupo em se relacionar com a música. Uma história engraçada contada por Olivier: em 2012,  a Chrysler abriu mão de utilizar, de graça, a música "Blurred Lines", do Robin Thicke, por não achar que ela tinha potencial. Posteriormente, a música virou um dos maiores e mais rentáveis hits de 2013. Depois dessa experiência, quando o produtor do Pharrel Williams foi até a empresa tentar fechar uma parceria para a música "Happy", a Chrysler não quis cometer o mesmo erro e investiu na música. O resultado? Um hit mundial em 2014, com cerca de 500 milhões de views no Youtube e prêmios para o Pharrel.

No geral, a dica que fica é que se você for um artista interessado em ir à Midem, repense. A inscrição é cara (para 2015, quando a Midem acontece entre 5 e 8 de junho, a inscrição custa incríveis €525, mais de R$ 1.600) e ainda existem todos os custos da viagem até Cannes, além da hospedagem. Agora, se você tiver dinheiro disponível, vale pela experiência e por eventuais desdobramentos para a carreira, mas não crie muitas expectativas.