Pesquisar este blog

Carregando...

12 de março de 2014

Escrever sobre música

Por que escrever sobre música?

Por que 
escrever
sobre 
música?

Tanta coisa importante acontecendo no mundo, tantas coisas que precisam ser feitas e você escreve sobre música?

Não sei muito bem a resposta. E, por não saber, fiquei todo o mês de fevereiro (além de parte de janeiro e março) sem atualizar o Meio Desligado. Fiquei um longo período fora do Facebook, viajei sozinho por quase um mês, conheci pessoas, lugares e culturas diferentes, fiquei oficialmente um ano mais velho. E ainda não tenho uma resposta, apesar de entender alguns dos motivos que me levam a continuar.

Para mim, o jornalismo cumpre uma função social. E por mais que o que faço aqui não seja jornalismo propriamente dito, também cumpre uma função social.

Por que as outras pessoas escrevem sobre música e cultura? Boa parte delas, porque esse é o trabalho delas. Uma forma de atuar com algo que gostam (ou que ao menos seja menos pior do que outras opções disponíveis). Mas esta não é uma fonte de renda e muito menos meu emprego.

Então, por que escrever? Quando penso nos motivos para não largar isso e me dedicar a outras coisas que talvez sejam mais interessantes (pessoalmente) o que me vem à mente é uma vontade de contribuir, mesmo que de uma forma pequena, para que as vidas das pessoas sejam um pouco melhores. E essa contribuição acontece a cada momento em que alguém descobre uma nova música ou um novo artista que torna parte do seu dia melhor. A cada vez que alguém se identifica com algo que lê e aquilo reflete de forma positiva em sua vida. E também quando não gostam, mas essa rejeição resulta em alguma reflexão interna. 

Longe de alienar, como grande parte da produção disponível na internet, sinto cada vez mais necessidade de abordar a cultura com uma visão mais crítica, política e ativista, até. Porque a arte é uma fonte de prazer, mas também instrumento de reflexão sobre nós e a sociedade. 

Aí entra outra motivação, menos altruísta. Continuo escrevendo porque esse é, de certa forma, um registro de parte da minha vida. E nesse ponto está a maior liberdade. Não existem grandes pretensões, interesses financeiros, essas merdas. Não sou um jornalista frustrado com meu trabalho e tenho um blog como válvula de escape. Não dou a mínima pra quantos acessos tenho e, na verdade, só verifico os dados de acesso quando algum possível patrocinador os pede (aí, claro, não vou deixar de ganhar o meu tutu). Espero que gostem do conteúdo, que ele influencie quem está aqui de forma construtiva. Mas, se isso não acontecer, foda-se. Quando leio alguns posts mais antigos os que mais me interessam são aqueles que dizem mais sobre o que eu sentia naquele momento, o que eu pensava. Pouco importa a repercussão ocorrida. Porque assim como eu pensava e sentia algo específico naquela época é possível que as pessoas que leram aquilo talvez compartilhassem do mesmo sentimento. Assim, vão se constituindo pequenos registros de momentos não apenas meus, mas coletivos. Já é uma contribuição que, ao menos para mim, é válida.

Da cadeira de praia (furada), na varanda.

Nenhum comentário :