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30 de setembro de 2013

A cena musical de BH em 2013: Lupe de Lupe

Sem frescura. A Lupe de Lupe é uma banda direta nas palavras e na sonoridade, resultando em shows esporrentos e entrevistas polêmicas. As reações, em ambos os casos, costumam ser intensas (para o bem e para o mal). Com a energia e a inquietação potencializada pela juventude e a sensação de não-pertencimento a uma cena específica como motivação adicional, criaram (junto de outras poucas bandas locais) seu próprio movimento e seguem uma trajetória na qual prazeres, medos e angústias são expressados com boas doses de ruídos e ironia. 

Abaixo, uma entrevista através de vídeos selecionados pela banda. Você não vai descobrir a explicação do nome deles, quando a banda se formou ou quais são os planos do Lupe de Lupe para o futuro. Por outro lado, talvez você se sinta mais próximos deles do que nunca (quer dizer, exceto quando eles caem em cima de você durante o show).

- Um vídeo que represente o início da banda




- Ereção sem pornografia




- Ter uma banda em BH




- Ter uma banda no interior




- Fiquei rico e vou fazer meu festival




- Um motivo pra levantar da cama e continuar vivendo



(DESTAQUE PARA O COMENTÁRIO HAHAHA)
"Não dá vontade de sair chutando o balde? o pau-da-barraca? a? canela de alguém?
Em mim dá..."
 (texto acima enviado pela própria banda, junto da escolha dos vídeos)

- Bad Trip




- Música mineira




- Como é o Lupe de Lupe ao vivo




- Vou largar a música e fazer outra coisa




- Fora do Eixo, médicos cubanos ou mamilos

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Outras publicações do especial sobre a cena musical de Belo Horizonte em 2013.

26 de setembro de 2013

A cena musical de BH em 2013: Young Lights

Para começar uma série especial de entrevistas com artistas da cena musical alternativa/independente de BH, um desvio de percurso. Jairo Horsth, criador do projeto Young Lights, faz a conexão BH / Boston / Sabará e tem apenas uma música lançada no momento em que este texto é publicado. Assim como seu trabalho, muita coisa vem por aí.

Afinal, você é brasileiro ou norte-americano? Como foi parar justamente em Sabará? 
Eu nasci em BH e, lá pelos 3 anos, me mudei pra Boston, Massachusetts. Fiquei lá por um período de 17 anos. Então, pra responder sua pergunta, sou brasileiro de sangue, mas americano de coração. Meus pais voltaram pro Brasil há mais ou menos 5 anos e tiveram a oportunidade de se mudarem pra Sabará há mais ou menos 3. E isso foi na época em que eu estava voltando pro Brasil, por isso que agora eu estou aqui. 

Você já tinha projetos musicais nos EUA? Quais as maiores diferenças que sente entre a recepção das suas músicas aqui e lá? 
Eu tinha uma banda, assim como todo adolescente de 15 anos tinha, nos Estados Unidos. Eu não chamaria isso de nada muito sério; era mais pra me divertir e fazer shows. Eu acho que é meio relativo dizer a diferença entre a recepção lá e aqui, porque acho que depende um pouco do tipo de propaganda que você faz. Eu não expus de fato minhas canções nos Estados Unidos; eram mais pros meus amigos, na verdade. E aqui eu acho que comecei a usar as redes sociais com mais frequência, mais como uma forma de me envolver com as pessoas, e comecei a fazer contatos. E, quando lancei minha música aqui, tive mais exposição. A recepção que eu tive aqui foi sempre muito gentil. Acho que, na verdade, aqui as pessoas ficam muito curiosas por eu cantar em inglês como um americano, e não só como um brasileiro cantando em inglês. Acredito que chame mais atenção pro meu projeto. 



Uma série de pessoas se envolveu com o Young Lights para que o projeto se tornasse possível, certo? Quem são essas pessoas e como você chegou até elas? 
Sim, muita gente bacana e talentosa se envolveu e tenho certeza absoluta de que sem essas pessoas eu não teria conseguido terminar o que tinha começado. Primeiro, eu conheci o Pedro “Cido” Cambraia; acho que o conheci – é uma história engraçada – quando estávamos do lado de fora de uma boite e ele estava fazendo um dueto a capella com uma menina. Eu achei muito bizarro, mas bem legal. Então me aproximei e a gente começou a conversar. Ele me disse que tinha um estúdio e que me gravaria se eu quisesse. Então, ele e o resto da banda dele, Lúmen, me ajudaram muito – o Daniel Coelho me ajudou nas bateras; Pedrinho Muller, no solo de “Alaska”; Raphael Salazar, no baixo; e o Cido, na guitarra, bateria e na produção – o cara é um monstro. Eu também convidei o Vítor Brauer, um dos meus grandes amigos, da banda Lupe de Lupe, que é parte do mesmo coletivo/movimento que o Young Lights, chamado Geração Perdida. Ele tocou guitarra em uma das faixas. Também chamei o J. P. Cardoso, que é um grande amigo do Cido e sempre estava lá no estúdio, então eu joguei o baixo pra ele em uma das canções. Eu realmente agradeço demais a esses caras. 

Como foi o processo de gravação desse primeiro trabalho e quando ele será lançado? É um álbum ou um EP? 
O processo! Hahaha! Eu não quero falar nisso, porque me estressa muito só de pensar. Mas eu vou falar, sim. Levamos mais ou menos 2 anos pra terminar. Teve muitas tentativas e falhas. Eu não sinto que sou uma pessoa que fica satisfeita facilmente, então teve muita gravação, regravação e ainda assim muita coisa foi deletada. Não quero nem pensar em todas as canções, digamos, abortadas. Hahahaha. Muitas coisas aconteceram nesses dois anos e duas pelas quais sou grato são ter terminado esse EP e os relacionamentos – que se tornaram amizades – que fiz ao longo dessa jornada, apesar de todos os momentos estressantes pelos quais todos os músicos passam quando estão gravando. É engraçado como você entra no estúdio com uma ideia definida pra uma música e ela sai completamente diferente no final das contas. É meio que isso que me fez sofrer, me parecia difícil de aceitar. Mas acabamos gravando 6 faixas, que serão parte do An Early Winter EP. Ele vai ser lançado algumas semanas antes do show de lançamento, só Deus sabe quando isso vai ser, porque a gente tem tido problema em achar um lugar. Será que você pode me ajudar com isso? Hahahah. 

Qual o seu envolvimento com o movimento Geração Perdida? Qual a proposta/conceito envolvido? 
Somos parte do mesmo grupo de amigos – a banda Lupe de Lupe, a Quase Coadjuvante e muitas outras pessoas que compartilham de algumas ideias sobre a vida. É meio pessoal demais te responder qual é a nossa proposta. Acho que não é questão de proposta, é questão de mostrar o que a gente sente, de alguma forma, e o que a gente tem em comum. Somos uma geração em andamento que precisa e quer se expressar – e às vezes não sabemos como, inclusive. Mas a gente continua tentando. 

Em termos de cena, como você compara a que vivenciou nos EUA e a que percebe no Brasil, mais especificamente em BH? 
Bom, nos Estados Unidos, acho que a cena musical vai estar sempre viva – é onde as coisas começam, é onde elas acontecem. Então, todo fim de semana – todo dia, se eu quisesse – eu podia ir a um tipo diferente de show, fazer parte de cenas musicais diferenciadas, estar em contato constante com bandas que eu amava escutar e coisas do tipo. Agora, aqui, o cenário é diferente. Não sou muito familiar a ele, devido ao período de tempo que estou aqui. Mas o que vi dele é que é meio inacessível em alguns momentos. 

Antes de mudar para Sabará, qual era sua relação com a música brasileira? O que conhecia da produção independente brasileira e o que mais te chama a atenção agora? 
Eu não conhecia quase nada. Como fui criado na igreja, o único contato que tinha com música brasileira era pra “louvar a deus”. E eu não conhecia nada realmente sobre os coletivos independentes do Brasil. Agora, de perto, eu vejo que é uma coisa bonita: as pessoas estão se unindo e tentando fazer a diferença na cena musical, assim como o lindo Coletivo Fórceps – especialmente João Rafael, de Sabará, que tem me ajudado bastante a promover meu trabalho desde o início.


Seu primeiro single tem um romantismo melancólico carregado de folk e indie. É por essa linha que seguem as outras músicas do Young Lights? Aliás, qual a origem desse nome? 
É uma perspectiva legal, essa sua. As canções realmente seguem o mesmo caminho, mas cada uma é diferente de seu próprio jeito. Quanto ao nome, eu estava vendo um filme um dia e teve uma cena em que um casal de jovens chega numa festa e alguém diz “There they are, the bright young lights” ou alguma coisa do tipo. Aquilo ficou na minha cabeça. 

Como será a formação ao vivo? É mais um projeto solo seu com músicos convidados ou uma banda? 
Neste momento, são só músicos convidados, mas estou à procura de músicos devotados que queiram fazer isso comigo e estar em shows, se divertir com isso. Então, temos a mim no violão e nos vocais, o Cido e o Pedrinho nas guitarras, o Raphael no baixo, meu amigo Felipe Monteiro – da Quase Coadjuvante – na bateria, e o “Preah” – do Dibigode, cujo nome verdadeiro eu não sei de verdade, haha, no trompete e na gaita. Estou muito animado pra tocar com esses caras gente-boa. 

Para fechar, queria que indicasse vídeos, filmes, livros, locais e/ou sites que ajudem a entender um pouco mais a proposta do Young Lights. Podem ser coisas que tenham te influenciado ou que você simplesmente gosta, não necessariamente refletindo na sua produção artística. 
Determinar influência musical é bem simples, na verdade: eu amo muito os vocais angelicais do Bon Iver, os acordes cativantes de Tallest Man On Earth e, como vocês vão ver, várias influências de bandas estrangeiras muito conhecidas, como Coldplay e Radiohead, que eu amo desde criança. Acho que criei o Young Lights só pelo sentimento nostálgico da época em que eu tinha 15 anos e nenhuma preocupação com o mundo. Eu só queria beber, fazer shows com bandas boas, gente boa e só me divertir no geral. Eu realmente levo isso a sério, mas, ao mesmo tempo, eu só quero me expressar assim, por agora. No movimento Geração Perdida tem muitas coisas artísticas pelas quais eu sou inspirado e esses caras realmente me mantêm são. Nós temos bandas – como a Lupe de Lupe e a Quase Coadjuvante, que já citei, e acabaram de lançar álbuns; eu realmente os indico pra quem gosta de música verdadeira. A maioria dos meus amigos é feita de escritores, como o Bernardo Lopes, que é na verdade um dos meus melhores amigos de Sabará e que logo vai lançar o romance dele, “Trens Descarrilados”. Temos Damy, Lucas, Luiz, Negão, Paola, Pedro Ordep, Mailton, Larah, Cícero, Carol, Renan, Gustavo, Ana, Túlio, Marina, Sussu, Vini, Marcelo, Polly, Jonathan, Felipe, Vítor, que são todos talentosos em seu jeito individual. Meus amigos e a música que eles escutam, como por exemplo Kendrick Lamar, Mac Demarco, The Smiths, Beach House, A$AP Rocky, Jair Naves, Polara, são todos grandes influências na minha vida, não necessariamente na minha carreira musical.

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Outras publicações do especial sobre a cena musical de Belo Horizonte em 2013.

Savassi Festival NY: impressões

Por Lucas Mortimer

Recém-chegado aos Estados Unidos para uma temporada de 10 meses de estudos, tive a oportunidade de presenciar alguns momentos do Savassi Festival NY. Realizado em Belo Horizonte desde 2003, o festival levou à sua primeira edição internacional uma série de shows e workshops focados na música instrumental brasileira e ocupou diversas casas de show e universidades da "grande maçã" de 16 a 25 de Setembro de 2013. Participei de dois, dos cinco workshops, e assisti a cinco dos 16 shows.

No dia 18, participei do workshop de Rafael Martini sobre a música popular contemporânea brasileira realizado na NYU. Rafael e os excelentes músicos de seu sexteto apresentaram e demonstraram alguns ritmos populares brasileiros como baião, maracatu, bossa nova e também ritmos sul-americanos como a chacarera, descrevendo e relacionando a influência destes na música contemporânea moderna. Uma bela aula sobre música brasileira em uma das principais universidades de Nova York, destacando artistas como Hermeto Pacoal e Egberto Gismonti, além de novos talentos.

Em seguida, compareci ao clube The Bitter End para os shows de Joana Queiroz Quarteto (que contou com a participação de uns 10 músicos) e de Andre Vasconcelos Quintet. A casa estava cheia e o show de Joana Queiroz começou ofuscado pelo volume das conversas nas mesas. Aos poucos os músicos foram conquistando o público: Felipe Continentino e sua firmeza rock/jazz na bateria; Rafael Martini e sua sutileza no piano; Vítor Gonçalves e sua agilidade no acordeon; Fred Heliodoro e sua segurança no baixo; Alexandre Andrés e sua bela sintonia com Joana; Antonio Loureiro e sua serenidade na bateria; Sergio Krakowski e sua sensibilidade no pandeiro; e Tatiana Parra e sua força e presença na voz. Um belo time muito bem orquestrado por Joana Queiroz, ovacionada de pé por todos ao final do show.


André Vasconcelos subiu ao palco em seguida mostrando grande habilidade e sentimento na guitarra, apresentando belas versões jazzísticas de músicas brasileiras. Sem conseguir, no entanto, segurar o público que se dispersou aos poucos. Vale a pena conferir o trabalho do moço e do excelente pianista Evan Waaramaa na banda Crosswalk Anarchy.

No dia seguinte (19), foi a vez de Rafael Martini apresentar seu show no Shapeshifter Lab no Brooklyn. Para quem não sabe, o Brooklyn é uma outra cidade que compõe a Grande NYC, juntamente com Queens e The Bronx. Embora no mapa do metro não pareça, a área do Brooklyn é bem maior que Manhattan e alguns bairros vem aos poucos se tornando alvo de ocupação de artistas gentrificados e se tornando culturamente ativas. Talvez por ainda estar nesse processo, a casa estava um pouco vazia. Mas isso não foi suficiente para abalar os músicos. A sonorização da casa era excelente e ajudou os músicos a fazerem um show intimista de muita expressividade. Quase a mesma trupe do show da Joana Queiroz, com Trigo Santana no baixo e Jonas Vítor no sax tenor. Ponto alto para a participação de Tatiana Parra, que fez um duo belíssimo com Rafael em "Consuelo", música do disco de estreia de Martini, Motivo.


Um parênteses para mencionar que Rafael Martini foi contemplado pelo Edital de Intercâmbio do Programa Música Minas, que concedeu as passagens aéreas para o artista apresentar seu show e sua oficina no Savassi Festival NY. Como contrapartida, o artista deverá realizar essas ações também em Minas Gerais, em formato solo. Vale a pena ficar ligado para conferir.

No domingo (22), foi a vez de Sérgio Krakowski apresentar seu "Carrosel de Pássaros" com participação especial de Túlio Araújo. The Cornelia Street Cafe foi uma bela escolha para receber o show. No ambiente onde os shows são realizados, no porão da casa, as luzes são reduzidas na hora da apresentação e todo o público fica em silêncio para poder experienciar a música. Krakowski consegue extrair diversas sonoridades do pandeiro com uma variação dinâmica impressionante. O pianista Vítor Gonçalves dá a base para que Sérgio, o guitarrista Todd Neufeld e o saxofonista John Elis improvisem a vontade. Túlio Araújo entrou e ajudou a dar o groove que às vezes falta no show de Sérgio. Ao fim do carrosel, uma longa salva de palmas da plateia que ficou imersa durante uma hora de show.

Saldo muito positivo do festival, realizado com excelência por Bruno Golgher, que confessou estar planejando essa ação em NY há 3 anos. Fica a expectativa para que essa ação possa se desdobrar e outros artistas mineiros e brasileiros possam desfrutar do caloroso público nova-iorquino.

Rock in Rio 2013 e o segundo palco

O Rock in Rio é um dos festivais que tem menos a ver com o Meio Desligado, mas este ano estive um pouco mais envolvido (por trabalhar na produção em um dia e cobrir outro) e acho válido o registro por aqui. Mega festival autointitulado "o maior do mundo", o Rock in Rio 2013 teve custo total de R$ 135 milhões, segundo os organizadores, sendo R$ 8,75 milhões captados via lei Rouanet (bancados por empresas como os Correios e Sky, que desembolsaram R$ 2,1 milhões e R$ 2 milhões, respectivamente, para ter suas marcas atreladas ao evento). Entre os outros patrocinadores, a Heineken investiu sozinha R$ 23 milhões no festival. :o

Mais para um grande evento de entretenimento do que um festival musical em si, o Rock in Rio dividiu suas atrações musicais entre os palcos Mundo e Sunset (além de pequenas apresentações em outros pontos temáticos da Cidade do Rock). É na questão do palco Sunset que acho válido pensar. A lógica pop do palco Mundo não vai mudar e é a principal característica do festival. No entanto, o Sunset tem espaço para se transformar em algo realmente interessante, caso seja planejado de maneira diferente. Pense na programação do palco Sunset e reflita sobre o potencial dos artistas que se apresentaram nele em atrair público para o festival. Com exceção do Offspring e Ben Harper, é provável que nenhum outro artista desse palco tenha influenciado na compra do público em geral (levando em consideração que sempre haverão os fanáticos por algum artista específico, como Living Colour e Rob Zombie, por exemplo, mas que são casos à parte).

Pensando nisso (que a programação do palco não influenciaria diretamente na venda de ingressos), qual o sentido de colocar artistas internacionais decadentes ou muito desconhecidos no palco, assim como artistas pop nacionais que acrescentam pouco ao festival além de servir como entretenimento para a troca de bandas no palco principal?

Como demonstrado pelo Lollapalooza e Planeta Terra, atrações mais "alternativas" tem, sim, grande público no Brasil. Uma opção relevante para a melhoria do Rock in Rio seria ter o Sunset como o palco que desse mais respaldo artístico ao festival em vez de sua atual função de figurante. Imagine-o como o palco conceitual do evento, com artistas internacionais relativamente baratos e que resultariam em maior empatia da mídia especializada e atrairia um novo perfil de público para a Cidade do Rock.

Atualmente, é extremamente difícil imaginar uma nova programação do Rock in Rio como a de 2001 se repetindo (para quem não se lembra, aquela edição teve shows de Neil Young, Foo Fighters, Beck, R.E.M, Queens of the Stone Age e Oasis, entre outros). Foo Fighters e QOTSA tocaram no Brasil recentemente no Lollapalooza e Beck é uma das atrações do Planeta Terra deste ano, ambos festivais que fazem a ponte entre o indie e o mainstream.

Nessa nova proposta, o Sunset poderia receber bandas como Toe, Drums, Portugal. The Man, The Budos Band, Grimes, Tame Impala e afins. Para isso, bastaria menos Nando Reis na programação e mais interesse em produzir um festival mais relevante culturalmente.


Ps: um agradecimento à Heineken que me convidou para o festival (no dia em que não estava trabalhando por lá).

Ps 2: o Slayer não tem quase nada a ver com o texto, mas não podia perder a oportunidade de colocar um vídeo deles aqui (clica lá que é o show inteiro da banda no Rock in Rio, "Seasons in the Abyss" rola aos 45 min e "Raining Blood" aos 55 min). Sem contar que a logo da Heineken transformada em "Hanneman", em homenagem ao ex-guitarrista da banda, que morreu esse ano, ficou massa, vai.

18 de setembro de 2013

Music Alliance Pact de Setembro

O Meio Desligado é o representante exclusivo do Brasil no Music Alliance Pact, projeto global que envolve cerca de 40 blogs especializados em música, de diferentes países, que mensalmente realiza uma coletânea com bandas independentes/alternativas desses países. Todo dia 15 é publicada a coletânea com uma música escolhida pelo representante de seu respectivo país de origem.

Abaixo você lê sobre cada uma das músicas escolhidas para esta edição da coletânea e para ouví-las basta clicar no nome da música ou fazer o download da coletânea completa, de graça.

ARGENTINA: Zonaindie
Travesti - Beduino
Fernando Floxon and Alejandro Torres are the cosmic rockers behind Travesti, a band whose music is often associated with transgression and misunderstanding, with songs that are dense, powerful and provocative. Their lyrics, always clever, rough, usually offer a certain social criticism. Beduino is our favorite from Suicidio Latino, their fourth studio album.

AUSTRALIA: Who The Bloody Hell Are They?
Manor - Architecture
The general assumption that tormented bed friends make better musicians most of the time is true - right? In respectable 'dream-pop duo' tradition, we hope these two are. Architecture is timeless pop right from the first off-beat. The track is set with slingback hooks, dreamy vocals and a fledging groove that sounds too much like Chairlift's Caroline Polachek doing a cover of Men At Work's Land Down Under for anyone to ignore.

AUSTRIA: Walzerkönig
Beach Girls And The Monster - I Go Surfing
This band draws their inspiration from American surf rock of the 1960s. Accordingly, their rendition of The Beach Boys' Kokomo suits them so very well, not only because of the obvious band name correlation, but also because it blends perfectly into their own sounds. The aptly titled I Go Surfing is the first song of their four-track 7" EP of the same name that was released earlier this year.

BRASIL: Meio Desligado  
A Fase Rosa - Casa
Música Popular Brasileira meets alternative rock at its best. This four-piece band is one to keep our eyes and ears on.

CANADA: Quick Before It Melts
The Provincial Archive - Common Cards
Back in 2011, Edmonton, Alberta's The Provincial Archives made Canadian music touring history by being the first band to actually play live in each Canadian province's actual archive; 10 shows billed as The Provincial Archive LIVE at the Provincial Archive. Common Cards marks their recorded music return, and is the first taste of music from their forthcoming third LP.

CHILE: Super 45 Otoño - Scheider
After eight years of silence, Otoño are back with their psychedelic guitar-rock. Their atmospheric, drowsy sound grows every second until it explodes in a whirlwind of white noise, a perfect landscape for their gloomy, self-reflective lyrics. Scheider is taken from the quartet's Páramos EP, released via LeRockPsicophonique.

CHINA: Wooozy
Worldwide Collaboration Company - Crying Launer Remix (feat Chairman Ba & MC Stone)
Nobody knows who the people behind World Collaboration Company are, but anyone in China who listens to them will find something familiar. WCC mash up cross-talk recordings, TV series samples, Chinese propaganda songs as well as rock and hip hop, and put an overwhelmingly sarcastic touch to it. While some criticize WCC's sound collage approach as being too lighthearted, others can argue WCC are simply one of China's best and most clever sample players. Love them or hate them, one thing you can't deny is WCC reflect the true pop landscape of modern China.

COLOMBIA: El Parlante Amarillo
MULA - A. Grisales
With much pride we present MULA, a kind of supergroup formed by Santiago Botero and Mange Valencia. Armed with saxophones, bass, drums and guitars, they effortlessly incorporate anything from punk to jazz to champeta - they don't recognize genres, but sounds. It's a very particular and special view that takes form in the track A. Grisales, inspired by Colombian TV's first diva, Amparo Grisales.

DENMARK: All Scandinavian
SPEkTR - The Infirm
Three years on from their second album Personetics, SPEkTR release The Door Is Paint On A Rock EP on September 23. Frontman Manoj Ramdas (also The Raveonettes, The Good The Bad) calls it Soundtrack'n'Roll and there's no good reason to argue with that description. Here's the awesome EP's first single, The Infirm, which also comes with this video.

DOMINICAN REPUBLIC: La Casetera
Mediopicky - La Ola (feat Cristabel Acevedo)
Urban-alternative sensation Mediopicky pairs up with Cristabel, one of the twins from the folk duo Las Acevedo, to make a sweet, summery track. La Ola, from Mediopicky's upcoming EP Cantinas, features moombahton beats specially made for Cristabel's tender voice, conveying that feeling of saying goodbye to the last days of summer.

ECUADOR: Plan Arteria
Rima Roja En Venus - Bendición De Ser Mujer
The impressive female rap of Rima Roja En Venus shows the strength of the fight against discrimination and violence. These two women use music and poetry to express social criticism with a positive message. Bendición De Ser Mujer is taken from their 2012 album Libre Albedrio. You can see the video here.

ENGLAND: Drowned In Sound
65daysofstatic - Prisms
From movie soundtracks to Japanese arena shows to a US tour with The Cure, this electronic outfit from Sheffield have had one hell of a career since forming back in 2001. The cult heroes' fifth album Wild Light is out this month, and finds the band continuing on their mission to retro-fit the future. Mixing together a myriad of glitches and orchestral sounds they've created yet more of their signature brew of complex but hearty digital delights.

ESTONIA: Rada7.ee
Thou Shell Of Death - The Night-Wind
This strongly ambient-influenced black metal band is majestically atmospheric, with mesmerizing live shows. Thou Shell Of Death has played all over the Europe, sharing stages with well-known and underground acts (Strid, Negura Bunget, Vesania, Altar Of Plagues, etc). The Night-Wind is from their new album Sepulchral Silence, released this month by Austrian label Talheim Records.

FINLAND: Glue
Maglevs - Van Rijn
Indie band Maglevs play organic dream pop with strong dynamics that might draw comparisons with Okkervil River. They have just released a debut EP that you can hear and download on SoundCloud.

INDIA: NH7
Blent - Cafe Coffee Tale_Bummer
Blent is the music project of Bangalore-based Aniket, a game designer by profession and an experimental electronic music producer seemingly by way of hobby. Blent has just released his first formal set of tracks that became the Dusk EP, available for free download from Bandcamp. Blent's music lends itself to the experimental genre but can be best described as The Postal Service meets Four Tet, coming together with the staccato pace of the garden city of Bangalore.

INDONESIA: Deathrockstar
Bikinies - Dance Floor Mafia
All girls, all fun, all wild on stage. Influenced by the 90s alternative scene with distortion and yelling, Bikinies offer one of the rawest sounds in Jakarta.

ITALY: Polaroid
His Clancyness - Zenith Diamond
His Clancyness, once a solo project for A Classic Education's Jonathan Clancy, now a full band, deliver an intense and psychedelic, sometimes dreamy, sometimes fuzzy sound inspired by the likes of Deerhunter, Kurt Vile and Lower Dens. Amazing new single Zenith Diamond is taken from Vicious, one of the most important Italian rock albums of the year, which gets a UK/US release on October 7/8 through FatCat Records.

JAPAN: Make Believe Melodies
Cosmosman - Unique Fun Fiction
It has gotten to the point in the Kansai region of Japan - made up of cities such as Osaka, Kyoto, Nara and Kobe - where new electronic artists pop up nearly daily. It takes a lot to jump out from that crowded scene, but Kobe outfit Cosmosman do just that with Unique Fun Fiction. It is a playful number with an Enchanted Tiki Room vibe, but made even better by the unsettling nature of the vocals. It comes from the stellar Ananga Ranga album, available via the link above.

MALTA: Stagedive Malta
Alex Alden - Just Like You
Alex Alden takes every opportunity to play live and share her lyrics and poetry through song. Having performed extensively in various venues around the islands, she is now relocating to Holland for the next few years. Alden's music is heavily influenced by blues, pop and classic rock, and draws inspiration from jazz whilst exploring the trials and tribulations of young adulthood, often using the themes of nature, mythology and childhood to communicate her message. Earlier this year she released her debut EP The Curious Child.

MEXICO: Red Bull Panamérika
Mood-Fu - Perros De Fu
Mood-Fu, formed by two brothers from southern Mexico City, have released their first album after a very successful introductory EP. Filled with bass, soul and R'n'B flavors set to angular lyrics and enjoyable rhymes, Perros De Fu is a powerful portrait of the city's nightlife with a little bit of social critique and urban apocalypse. The release features various friends and stars from the Mexican indie music scene.

PERU: SoTB
Iván Fajardo - Me Voy Dejando
Iván Fajardo is a musical icon in Peru, his musical independence reflected in bands such as Indigo and Era. It is displayed once again in his first solo album, Vímana, the highest point of his career. This new beginning has 10 songs full of mythology, nostalgia and melancholy. In Hindu mythology Vímana is a flying machine and the album promises to be a space trip.

POLAND: Łukasz Kuśmierz Weblog
Furia Futrzaków - Noc Wystarczyć Ma Na Dłużej
Four years after releasing their self-titled debut LP, Warsaw electro-pop duo Furia Futrzaków are back. They have moments when they sound like Junior Boys, as you can hear in Noc Wystarczyć Ma Na Dłużej, a single from Kalejdoskop EP, but things are a little bit different here. Soulful vocals, lyrics about mainly happy (but difficult) love and a warm coating are Kinga Miśkiewicz and Andrzej Pieszak's own contribution.

PORTUGAL: Posso Ouvir Um Disco?
Nome Comum - Cuco
Nome Comum ("Common Name") are a quartet led by two siblings, Bernardo and Madalena Palmeirim. Both are writers, players and singers in the band. Cuco, which is also the name of their debut album released this month, is their first single. It has a video directed by Gonçalo Soares.

PUERTO RICO: Puerto Rico Indie
Un.Real - Piloto
Gardy Pérez began experimenting with an analog tape recorder back in 1995, a direct response to the cancellation of MTV's seminal Alternative Nation. Trying to channel all the energy of the shoegaze movement he had been exposed to through television, Pérez founded Un.Real, becoming one of the great emerging bands from Puerto Rico's west coast underground scene. An extended hiatus and various line-up changes later, Un.Real is back and revitalized in their new EP, Épico. The song Piloto showcases the dreamy soundscapes Un.Real is so adept at while adding guest vocals by Xavier Rodríguez of local band Indigo.

ROMANIA: Babylon Noise
Poetrip - Aşa Ceva
Described as a mixture of krautrock and Japanese psychedelia, Poetrip is a band who became popular by promoting their music as a dadaist manifesto. They make use of pop clichés to convey attention to absurd and often psychedelic musical contexts.

SCOTLAND: The Pop Cop
Blood Relatives - Fowl Mouth
Formerly known as Kitty The Lion (featured in the Music Alliance Pact's October 2012 edition), Blood Relatives create upbeat folk-pop songs of a peerless quality, wrapping irresistible hooks around the unique talents of Anna Meldrum, whose lyrics are peppered with wordplay, double entrendres and puns, with particular fondness for animal-related content. Case in point is MAP exclusive download Fowl Mouth, the opening track of debut album Deerheart, whose release on October 28 through Comets & Cartwheels can't come soon enough. While you wait, check out the videos for album tracks Dead Hip and Deerheart.

SOUTH KOREA: Korean Indie
Square The Circle - Bitchquito
Rock band Square The Circle has a fondness for uptempo tunes that give them a chance to show their colors. They've been around for a couple of years and released their 1003 EP in August. Bitchquito is a song with great energy, telling the story of a girl that sucks blood like a mosquito.

UNITED STATES: We Listen For You
Wharfer - Architect
Brooklyn's Wharfer is the musical project of Kyle Wall. Wall complements his gentle and emotional backing music with commanding vocals that cut through the speakers with one intention: to make the listener feel every word. With every subtle artistic choice, Wall is simply defining himself as a songwriter with the intelligence to back up his raw talent.

VENEZUELA: Música y Más
Da Vianda - Nómada
In late 2012, and after nearly a year as a band, Da Vianda recorded their first EP, which contains six songs written by these four young boys from Puerto La Cruz. "Our goal is to have fun and create honest music," they say. Their self-titled EP can be downloaded from Bandcamp.

8 de setembro de 2013

Conexão Brasil / Portugal: Orelha Negra

O pessoal do blog português Bandcom e o Meio Desligado trocam, mensalmente, indicações de bandas de seus respectivos países. A mais recente sugestão é o Orelha Negra, considerado o maior nome do hip hop português. A banda se apresenta no Brasil dentro da programação do Rock in Rio 2013, como convidados do Flávio Renegado (estarei lá trabalhando neste mês e depois escrevo sobre como foi).

Fiz uma pesquisa sobre a banda e achei sua sonoridade bastante interessante. Flerta com o hip hop mainstream americano, black e soul music e com um bom uso de samples e vocalistas convidados. Abaixo, o vídeo sexy de "Queen of hearts" e, na sequência, o texto de Catarina Bessa, colaboradora do Bandcom, sobre a mais recente mixtape da banda.


Por Catarina Bessa

“Mixtape II” é o mais recente disco de Orelha Negra, banda portuguesa composta por Sam The Kid, DJ Cruzfader, Fred Ferreira, Francisco Rebelo e João Gomes. Arriscando a dizer que, neste momento, são os “mestres” do hip-hop tuga, os Orelha Negra inovam não só nas participações, como é exemplo a de Teresa Santos (Da Chick) que estamos habituados a ouvir num registo mais funk, como também nos instrumentais que, como em qualquer masterpiece do género, vão beber a todas a “fontes”, misturando as várias culturas tradicionais e contemporâneas de forma a recriar, de forma inovadora, o infinito musical que nos circunda. Nas 21 faixas encontram-se ainda as participações de Amp Fiddler e Fred (“Queen of Hearts”), Osso Vaidoso (“Blu Marina”), Pocz & Pacheko (na remistura de “Bala Cola”), Stereossauro & Razat (“O Segredo”), Kika Santos (“My Best Keep Secret”), Zombies For Money e DJ Izem (nas remixes de “Throwback”) ou DJ Riot (“A Luta”).

As colaborações de Carlos Nobre, Capicua e Fuse surgem, contudo, em destaque. A primeira relembra a primeira mixtape dos Orelha Negra mas também o seu disco homónimo como Algodão. Desde os Da Weasel, em que Pacman apresentava a sua faceta mais agressiva, muito se modificou. Aqui, a sua voz invade os ouvidos de quem o ouve, afirmando que “um homem e uma mulher não ficam juntos para sempre” e fazendo uma ode à música, dizendo-lhe: “Sempre Tu”. Fuse, um dos mentores e maiores filósofos do hip-hop português, entre temáticas recorrentes como o contraste entre o céu e o inferno, o bem e o mal, o dia e a noite, o anjo e o demónio, sussurra a Adolfo Luxúria Canibal. Em “A Noite Em Que Eu Nasci”, e servindo-se de algum “heavy metal”, o ambiente criado é de terror e agonia, com o tema a terminar com uma declamação de Napoleão Mira, pai de Sam The Kid. Capicua, a afirmar-se e a conquistar novo terreno para as mulheres, ensina-nos a diferença entre a paixão e o amor em “A paixão É Às Vezes, O Amor É Sempre” numa mensagem de apelo ao sentimento verdadeiro. Muitos dos dilemas que os jovens, e mesmo os adultos, enfrentam na sociedade surgem aqui reflectidos: a rapidez e a fugacidade dos sentimentos, a falta de paciência e tolerância, são tidos como “amor” e não passam de paixão, de sentimentos passageiros sem a consistência necessária para prevalecer.



Dentro do colectivo, Sam The Kid mostra mais uma vez que não tem de provar nada a ninguém na arte do rap. O domínio das palavras e do flow, da escrita e da declamação, sempre no seu registo humilde e defensor de grandes ideais (neste caso, a monogamia), mantém a sua coerência desde os seus primeiros álbuns até aos dias de hoje. O mesmo se passa com Regula, que em “Solteiro”, com Heber e Roulet, defende o que sempre afirmou defender: a poligamia e o crime.



Numa mixtape em que cada música tem o seu valor, todas as temáticas são diferentes e definem os artistas envolvidos que, apesar de divergirem intensamente uns dos outros, nem por isso ficam desintegrados: antes, completam-se em plena sinfonia tocada e cantada pelos mais diferentes instrumentos e vozes, numa panóplia de estilos integrados que fazem com que o mesmo tenha uma dinâmica difícil de superar.

Tudo isto, dando uma nova vida a um género que, muitas vezes, não encontra uma saída do cubículo que é, e procura a sua inspiração apenas a partir dos anos 90. É com álbuns destes que nos apercebemos que as sonoridades do hip-hop podem e devem ser mais exploradas quando conseguimos perceber a extensa dimensão que este consegue atingir.

7 de setembro de 2013

Cena Independente nº 20

Coletânea mensal criada coletivamente por blogs de diferentes Estados brasileiros, a Cena Independente apresenta novos representantes da música produzida de forma independente na região de origem de cada um dos blogs participantes. Inspirada na Music Alliance Pact, a Cena Independente é uma forma de contribuir para a circulação da nova música brasileira.

Representante de Minas Gerais, o Meio Desligado enviou neste mês a primeira música lançada pelo Young Lights, da cidade de Sabará. Abaixo, você pode escutar todas as músicas desta coletânea (um pouco mais enxuta que o normal, já que alguns blogs não enviaram suas escolhas à tempo de serem incluídas nesta edição) e ler sobre cada uma das bandas. 

Top 3 na opinião do Meio Desligado nesta edição: Young Lights, Desalma e Zurdo.

1 Young Lights – Alaska, I Just Want To Be Home [MINAS GERAIS: Meio Desligado]
2 Ventre – Carnaval [RIO DE JANEIRO: RockInPress]
3 CA:K – So Good To Die For Love And Continue Living [RIO GRANDE DO SUL: Ignes Elevanium]
4 Pedeginja – Quadro Somático [MARANHÃO: Shock Review]
5 Vitreaux – Ossos De Amor [SÃO PAULO: Move That Jukebox]
6 Falsos Modernos – Lollypop [BAHIA: El Cabong]
7 Zurdo – Desconstruir [RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground]
8 Venial – Fênix [MATO GROSSO: Factóide]
9 Oldscratch – Dirty Pavement [ALAGOAS: Sirva-se]
10 Desalma – Foda-se [PERNAMBUCO: AltNewspaper]

 


MINAS GERAIS: Meio Desligado
Young Lights – Alaska, I Just Want to be Home
folk/indie
Gringo radicado na cidadezinha histórica de Sabará, na região metropolitana de BH, Jairo Horsth criou o projeto Young Lights e aos poucos lança as canções que formam seu primeiro EP. Gravado com a ajuda de amigos da cena indie de BH, o trabalho carrega uma sensibilidade e pegada indie que remete a bons nomes do indie folk internacional e demonstra um interessante potencial de crescimento na cena independente.
Para quem gosta de: Decemberists, Bon Iver, Mumford & Sons

RIO DE JANEIRO: RockInPress
Ventre – Carnaval
alternativo
Ventre é onde se germina o futuro, trabalha para que ganhe a vida de forma perfeita e local de alimentação criado por progenitores extremamente cuidadosos. O trio, formado por Gabriel Ventura (Cícero, Lenine e ex-Tipo Uísque), Hugo Nogushi (Posada e o Clã e Salvador) e Larissa Conforto (ex-Tipo Uísque), traz escolhas de timbragem e arranjos à frente do seu tempo e ousadia, resultando numa canção pop, alternativa e recoberta por uma névoa densa baseada nas emoções descritas pelos integrantes.
Para quem gosta de: Los Hermanos, Cícero, Maglore

RIO GRANDE DO SUL: Ignes Elevanium
CA:K – So Good To Die For Love And Continue Living
ambient/noise/experimental
CA:K é um projeto de música Ambient, Noise, Experimental e Drone (e mais um zilhão de coisas inesperadas) de um artista portoalegrense, cuja presença nos eventos de música experimental da cidade já é tradicional. Prolífico como todo artista ambient, CA:K lançou no último mês a faixa "So Good To Die For Love And Continue Living", que nos envolve num ambient suave e etéreo, em contraste com a crueza de outras faixas que o artista já lançou no passado. Um dos melhores nomes da cena experimental do RS, vale muitíssimo a pena a audição, embora essa faixa represente apenas 1% de sua ecleticidade.
Para quem gosta de: Jason Crumer, Klaus Schulze, Aphex Twin

MARANHÃO: Shock Review
Pedeginja – Quadro Somático
rock alternativo/música brasileira
Com a Pedeginja o funk é samba e a bossa é rock. A mistura de ritmos, diversão e poesia flui pelo trio de vocalistas, o naipe de metais e a banda de rock. Em suas letras figuram retratos cotidianos de seus jovens membros. Um andar de ônibus, os tempos hiper-pós-modernos ou um ex-amor; qualquer fato pode se tornar um acontecimento e, dali, canção. O primeiro disco da banda, “Contos Cotidianos”, encontra-se em processo de finalização e será lançado no segundo semestre deste ano com todas as honras devidas.
Para quem gosta de: Graveola e o lixo polifônico, Criolo e Mutantes

SÃO PAULO: Move That Jukebox
Vitreaux – Ossos De Amor
folk/rock
Se apropriando de referências campestres e do rock descompromissado dos anos 50 e 60, o Vitreaux estreia na cena independente nacional com o single “Ossos De Amor”, uma divertida canção com clima de festa em uma daqueles saloons empoeirados de outros tempos. A letra bem-humorada e a produção de Filipe C. completam a ficha técnica dessa promissora estreia paulistana.
Para quem gosta de: The Outside Dog, Monoclub, Vanguart

BAHIA: El Cabong
Falsos Modernos – Lollypop
rock-pop
Figurinhas carimbadas do cenário rock soteropolitano, passando por diversas outras bandas, Bruno Carvalho, Leo Abreu e Dudare se juntaram e com um vocalista vindo do cenário mais ligado a MPB e samba, formaram a Falsos Modernos. Depois de um EP e shows em Salvador, apostando sempre num rock sem medo de soar pop, a banda lança o primeiro disco 'Perfil de Cena'.
Para quem gosta de: Beatles, Jovem Guarda e Strokes

RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
Zurdo – Desconstruir
pós-rock/experimental/rock
Zurdo é o novo projeto experimental de Henrique Geladeira (Talma&Gadelha). Sem formação fixa ou qualquer outra proposta além da pura liberdade de criação, o músico apresentou quatro faixas de seu trabalho em um vídeo de quase 19 min lançado no aniversário do Altnewspaper. “Desconstruir”, única música com letra do material, aparece como uma mistura de manguebeat e pós-rock cortada por um manifesto pela desmaterialização da cultura.
Para quem gosta de: Hurtmold, Eu Serei a Hiena, Macaco Bong

MATO GROSSO: Factóide
Venial – Fênix
thrashcore
A Venial é um dos maiores expoentes do lado mais pesado do rock em Cuiabá e Mato Grosso. Em agosto, apresentaram Fênix, nova música que fará parte do EP "Das Cinzas".
Para quem gosta de: Pantera a S.O.B.

ALAGOAS: Sirva-se
Oldscratch – Dirty Pavement
punk rock/alternativo/garage rock
Power trio macieoense marcado pela influência direta de bandas do chamado Riot Grrrl, do garage punk dos anos 90 e leves pitadas de grunge. Formada por duas minas e um cara, a Oldscratch ainda é nova no cenário independente local, mas vem amadurecendo rápido e já mostra um som coeso e bem feito, a banda lançou recentemente suas duas primeiras faixas gravadas em estúdio e uma delas é “Dirty Pavement” que tu ouve aqui nessa mixtape.
Para quem gosta de: The Distillers, Dominatrix, The Biggs

PERNAMBUCO: AltNewspaper
Desalma – Foda-se
metal/grindcore/crossover
A Desalma é uma das bandas pernambucanas que mais fazem shows pelo Brasil, já rodaram por diversos festivais independentes de norte ao sul do país, sempre mostrando o sangue nos olhos característico do som da banda. Eis que no mês passado o grupo lançou seu primeiro disco com o peculiar nome de “Foda-se”. Nele estão as diversas influências adquiridas pela banda ao longo de existência. Em 11 faixas, temos metal, grindcore, crossover, entre outros estilos barulhentos. Tudo feito com enorme qualidade de instrumental e de letras. Escolhemos a faixa que dá nome ao disco para representa-los na mixtape desse mês, que é apenas instrumental e não precisa de mais do que isso pra passar o recado de forma bem clara!
Para quem gosta de: Krisiun, Ratos de Porão, Pantera