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30 de julho de 2013

Jornalismo cultural, internet e Meio Desligado

Demorei para responder a entrevista da Aline Ruiz, estudante de jornalismo que está fazendo seu trabalho de conclusão de curso sobre o tema "As redes sociais e a internet como canal de divulgação de produtos culturais: o espaço da música independente", mas aí estão as respostas que enviei para tentar ajudar no projeto dela.

Observação: os vídeos não são da entrevista, mas os temas estão relacionados.

Jornalismo cultural e internet

Atualmente, como você descreve o jornalismo cultural na mídia tradicional e nos blogs?

Para falar a verdade, eu quase não "leio" blogs sobre música e cultura. No geral, visito alguns blogs e dou play nos vídeos ou nas músicas e vou ler outra coisa. A maioria dos blogs mais atualizados que acompanho têm o texto ruim (nem tanto na questão gramatical, mas principalmente de sentido), escrevem superficialidades que não me interessam. Prefiro focar no que me interessa - no caso, aquela determinada música que estão apresentando aos leitores - e fazer outra coisa simultaneamente. Então, é um pouco difícil eu opinar sobre o jornalismo cultural na web atualmente.

Na mídia tradicional, sinto que é praticamente a mesma coisa desde quando comecei a me interessar por jornalismo cultural, com a diferença da música independente ter maior abertura agora e uma quantidade muito maior de conteúdo online publicado pelos veículos "tradicionais" (e ainda entra aquela questão da velocidade das informações). 

Você acha que a internet afetou um pouco o jornalismo cultural da mídia tradicional?
Sim. Tanto em relação ao que será escrito/gravado como em questões mais estéticas, como diagramação e edição, sem contar que a facilidade de acesso à informação afeta também o jornalista no momento de apuração e redação, uma vez que suas referências podem ser bem maiores agora e demandam menos esforço do que sem internet.

Como você caracteriza essa transição do jornalismo cultural das mídias tradicionais para a internet, no caso, para os blogs?
Hibridismo. Ou multidisciplinaridade. 

Na sua opinião, a internet ‘melhorou’ o jornalismo cultural atual? Por que?
Acredito que a internet potencializa o jornalismo cultural, no sentido de que dá maiores possibilidades em relação ao que pode ser feito. Se o resultado será melhor ou pior, depende mais de quem efetua a ação do que do meio utilizado.

Na sua opinião, a música independente continua ‘invisível’ para a mídia tradicional? Visibilidade é algo que elas (bandas) só encontram na internet mesmo?
Não. Eu não só escrevo sobre bandas independentes como trabalho com elas de diferentes formas e as vejo na Folha de S. Paulo, no O Globo, no Estadão, na Rolling Stone, enfim, nos principais veículos do Brasil. Na internet existe mais material sobre essas bandas, mas há uma inserção crescente desses artistas nos grandes veículos.


Meio Desligado

Por que Meio Desligado?
A ideia era que "se você está meio desligado, esse blog é um lugar para se ligar no que está acontecendo". Não é bem um slogan (porque seria um slogan muito ruim), mas resume a ideia. O endereço original do blog era nemparece.blogspot.com, era uma piada com o título, tipo "nem parece meio desligado".

Como é realizado o seu trabalho no Meio Desligado? Escolhas de pautas, bandas para falar a respeito, etc?
Atualmente varia muito. Às vezes é algo que percebo durante algum trabalho (como nos casos de posts sobre fotos de bandas e empreendedor individual), pode ser desdobramento de alguma coisa que li ou ouvi por aí, alguma conversa na rua, algo que senti durante algum show... o que menos gera conteúdo pra mim é release (apesar de serem cruciais quando já tenho uma ideia sobre a qual escrever).

O Meio Desligado tem impacto sobre as bandas que divulga? Tem exemplo de alguma banda? Se sim, qual?
Vejo as banda usando citações de textos do blog no release, recebendo convites pra shows ou até mesmo pra uso comercial de suas músicas a partir de publicações aqui.

Qual é o diferencial do Meio Desligado?
Eu não me pauto pelo que os outros blogs estão publicando e raramente por algum release recebido. Tento escrever sobre o que os outros não estão falando ou ao menos dar outra perspectiva ao assunto. Nem sempre consigo, mas é bom relembrar quais são os objetivos. =D

Qual a opinião das bandas a respeito do blog e do seu trabalho?
Acho que a maioria queria que eu escrevesse mais sobre bandas, mas imagino que gostem ou ao menos respeitem um pouco. Afinal, recebo no mínimo 20 releases por dia, isso deve significar que estar no Meio Desligado represente algo positivo para o artista.

E o seu público? Qual o papel deles no blog e qual a importância dessa participação?
Já pensei em parar algumas vezes, mas sei que teria a necessidade de escrever e continuar mesmo que ninguém lesse. 
Os leitores já foram mais ativos no Meio Desligado. Costumavam contribuir mais na construção coletiva em torno de um post. Atualmente, a interação costuma se resumir a compartilhamentos nas redes sociais, algum elogio ao artista comentado. Acredito que é um pouco de mudança de hábito dos leitores e resultado do conteúdo que crio, mas não tenho interesse algum em criar enquente ou tentar ser polêmico apenas pra mostrar que as pessoas estão lendo o blog. Saber que as pessoas estão acessando o que você cria é um dos maiores estímulos para continuar. 

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