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30 de setembro de 2012

Pós-rádio #4 (discotecagem no show do Cícero)


Luísa Maita: "Lero-lero"
Dirty Projectors: "Stillness is the move"
Fino Coletivo: "Dragão"
John Frusciante: "Murderers"
Beck: "Tropicalia"
The Bamboos: "King of the rodeo"
Ben o'ncle Soul: "Seven nation army"
Tony Allen: "Progress"

Arte de Jules Julien.

28 de setembro de 2012

Discotecagem no show do Cícero, sábado (dia 29), em BH

Um dos principais novos artistas da cena musical indie em 2012, Cícero toca mais um vez em Belo Horizonte no sábado, 29 de Outubro, no Studio Bar. Serei o DJ da noite, que está com os ingressos antecipados quase esgotados (ainda dá pra comprar online, pelo site Sympla). Da última vez que o Cícero tocou por lá, foi assim:

"Se no CD o aspecto intimista é ressaltado até no título, ao vivo as músicas ganham força, como se o peso percussivo e a distorção dessem a aspereza necessária para tornar todo o conjunto mais intenso e certeiro. Ao vivo, fica clara a identificação do público com as letras. Durante praticamente todo o show as músicas foram cantadas pelos fãs, que logo nas primeiras notas de cada música se manifestavam de forma exaltada mais rápido do que um participante do "Qual é a música?".

Sentado com o violão no colo durante todo o show, Cícero não precisou de muitos artifícios para provocar a empatia do público. Como o próprio escreveu no Facebook, foram mais confetes, palmas e carinho do que ele jamais pensou receber algum dia. Calma, Cícero. Vem mais por aí."

27 de setembro de 2012

Pós-rádio #3



Otto: "Ela falava"
Tulipa Ruiz: "Quando eu achar"
Devendra Banhart: "Lover"
Beck: "Sexx laws"
Sambanzo: "Xangô"
OQuadro: "Valor de x - Parte 2"
Plastilina Mosh: "Oxidados"
Chromatics: "Into the black (Neil Young cover)"

Arte de Sandra Dieckmann.

25 de setembro de 2012

DM1, um dos melhores aplicativos para fazer música no iPhone e no iPad

O desenvolvimento técnico dos smartphones tem permitido a criação de aplicativos cada vez mais robustos. Isso fica claro ao observar os atuais apps para produção musical, com recursos impensáveis de se usar em um celular alguns anos atrás. O DM1, disponível para iPhone (à venda por $2,99) e iPad ($7,99), é um deles.

O aplicativo é como uma drum machine que possui 64 kits sonoros e simula os sons de baterias eletrônicas clássicas como a TR-808, pianos e sintetizadores vintage (Farfisa, Rhodes, Wurlitzer, entre outros) e vários outros kits criados especificamente para o app. No DM1, é possível tocar usando a tela do celular/tablet como se fosse dividida em vários pads ou programar os sons em camadas (48, no total) e depois sequenciá-las, semelhante ao modo feito em softwares como Reason e FL Studio (mais básico). Os parâmetros individuais de cada "instrumento" podem ser regulados e ainda ha um kit de efeitos (delay, phaser, filter, compressor, formant e dalek) que pode ser controlado em uma interface semelhante a do Kaosspad, em tempo real. A versão do aplicativo para iPad é muito mais completa, mas no iPhone o DM1 também se destaca.

Com a música pronta, há a possibilidade de exportar o projeto inteiro ou as camadas individuais, salvá-las no iTunes ou enviar o arquivo diretamente para o Soundcloud, Facebook ou para um endereço de email.

Abaixo, um teste com uma música que criei usando o DM1 durante uma viagem e seus vídeos de divulgação.

18 de setembro de 2012

Promoção: concorra a dois CDs e adesivos do Labirinto

"É atmosférico, progressivo, com momentos de 'punch' que te pegam pelo pescoço. Certamente um lançamento de transição para o próximo 'disco cheio'", escreveu o amigo Maurício Angelo sobre Kadjwynh, mais recente EP da banda paulistana Labirinto, uma das principais representantes do pós-rock na América do Sul. 

O melhor é que, além de excepcionais músicos, o pessoal da banda é gente fina e liberou dois CDs pra serem sorteados aqui no Meio Desligado. Pra concorrer é simples, tem opção pros preguiçosos e pra quem quiser colaborar com a melhoria do blog.

Opção 1: você twitta qualquer coisa citando o @meiodesligado e o @labirintomusic e inclui na twittada um link pro labirinto.bandcamp.com 

Opção 2: você envia um email pra equipe@meiodesligado.com com alguma sugestão de melhoria pro Meio Desligado.

Você tem até o fim de Setembro pra participar, mas quem não enrolar e enviar antes tem mais chance de ganhar.

17 de setembro de 2012

Edital da Funarte oferece bolsa para artistas e técnicos

A Funarte recebe inscrições para o edital de "Bolsa de aperfeiçoamento técnico e artístico em música" até o dia 1º de Outubro. O programa apoiará a participação de artistas e/ou técnicos da área musical em atividades de aperfeiçoamento no Brasil ou no exterior, por meio de concessão de 36 bolsas para realização de estágios e cursos de média e longa duração.

- Quem pode concorrer:
Podem concorrer no edital jovens músicos, compositores e arranjadores, bem como técnicos nas áreas de sonorização, iluminação, produção fonográfica e luteria, na faixa etária de 18 a 35 anos e que tenham formação e experiência artística ou técnica compatível com o nível e a finalidade do estágio ou curso.

- Tipo das bolsas:
a) módulo A: 8 (oito) bolsas para cursos/estágios no Brasil com duração de 3 (três) a 6 (seis) meses, no valor de R$16.000,00 (dezesseis mil reais);
b) módulo B: 10 (dez) bolsas para cursos/estágios no Brasil com duração de 6 (seis) a 12 (doze) meses, no valor de R$31.000,00 (trinta e um mil reais);
c) módulo C: 8 (oito) bolsas para cursos/estágios no exterior com duração de 3 (três) a 6 (seis) meses, no valor de R$35.000,00 (trinta e cinco mil reais);
d) módulo D: 10 (dez) bolsas para cursos/estágios no exterior com duração de 6 (seis) a 12 (doze) meses, no valor de r$65.000,00 (sessenta e cinco mil reais).

- Q que precisa para se inscrever:
I - Para os candidatos às bolsas para cursos/estágios no Brasil:
ficha de inscrição preenchida e assinada, com indicação do módulo de concorrência (a ficha pode ser obtida em www.funarte.gov.br);
Descrição detalhada do projeto de estudo ou estágio, com objetivo, justificativa de sua necessidade e relevância, conteúdos e atividades previstas e cronograma;
Currículo, com grau de escolaridade e detalhamento da experiência artística ou técnica;
material que permita avaliar o desempenho do candidato na área (gravações, críticas, composições, arranjos, material de divulgação etc.);
Duas cartas de recomendação emitidas por profissionais de mérito reconhecido;
Cópia da correspondência trocada com instituição onde será realizado o curso ou estágio, ou carta de aceitação provisória, onde conste, inclusive, o período de
duração do curso ou estágio.

II - Para os candidatos às bolsas para cursos/estágios no exterior:
ficha de inscrição preenchida e assinada, com indicação do módulo de concorrência (a ficha pode ser obtida em www.funarte.gov.br);
Descrição detalhada do projeto de estudo ou estágio, com objetivo, justificativa de sua necessidade e relevância, conteúdos e atividades previstas e cronograma;
Currículo, com grau de escolaridade e detalhamento da experiência artística ou técnica;
material que permita avaliar o desempenho do candidato na área (gravações, críticas, composições, arranjos, material de divulgação etc.);
Duas cartas de recomendação emitidas por profissionais de mérito reconhecido;
Comprovante de proficiência no idioma do curso ou estágio;
Cópia da correspondência trocada com a instituição no exterior onde será realizado o curso ou estágio, ou carta de aceitação provisória, onde conste, inclusive, o período de duração do curso ou estágio.

16 de setembro de 2012

Festival Porão do Rock 2012: cobertura

O Porão do Rock deve ser o maior festival de heavy metal do Brasil, falta apenas que se assuma como tal. Essa foi uma das principais impressões após conferir de perto a 15ª edição do festival, realizada nos dias 7 e 8 de Setembro no Complexo do Ginásio Nilson Nelson (compreendido pelo ginásio em si e uma grande área ao seu redor), em Brasília. O palco dedicado às bandas mais pesadas, montado no ginásio, esteve lotado a maior parte do tempo e abrigou bandas como a norte-americana Trivium, Sepultura, Almah e D.F.C. Na parte externa, dois palcos montados lado-a-lado receberam o restante da programação, com destaque para os estrangeiros Kyuss Lives!, Red Fang e Gaz Coombes.

Palco dedicado às bandas mais pesadas do festival, montado dentro do Ginásio Nilson Nelson
O Porão é um clássico "festival de roqueiro", daqueles em que 90% do público vai de camisa preta estampando nomes de bandas de heavy metal ou classic rock. A sintonia entre o público e as bandas de sonoridade mais extrema no festival é enorme, mesmo quando não justificada pela qualidade artística dos shows (incrível perceber a melhoria na qualidade do som durante o show dos estrangeiros do Trivium, enquanto nas apresentações das bandas locais, no mesmo espaço, a massa ruidosa tomava conta do ginásio - resultado de músicos ruins ou equipe técnica despreparada). Esse lado headbanger do festival é um dos seus pontos fortes: reúne de forma democrática e com boa estrutura bandas expressivas do cenário heavy metal / hardcore e as apresenta de forma democrática ao público brasiliense. 

Por outro lado, ao tentar diversificar sua programação, o festival acaba por se perder sem definir uma linha estética. O indie folk do Vanguart e o inglês Gaz Coombes (vocalista do Supergrass) soavam deslocados e bandas locais risíveis se apresentaram em horários de destaque na programação. Nos palcos externos, fugindo de shows terríveis como o de Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, Darshan e Trampa, foi possível se surpreender com o rockabilly performático da banda local Os Dinamites e assistir aos animados shows de Autoramas com BNegão e dos Raimundos, que, acredite, fez um grande show ao tocar o álbum Lavô tá novo integralmente. Mesmo com boa parte do público indo embora após o show do Raimundos, quem permaneceu pode ver uma das apresentações mais marcantes do festival, feita pelos americanos do Red Fang. Rock'n'roll pesado e sujo, alternando entre o stoner rock e o heavy metal em show mais intenso do que o Kyuss Lives! (reencarnação do Kyuss, ex-banda de Josh Homme, do Queens of the Stone Age), faria no dia seguinte.


Se você foi (ou é) um daqueles adolescentes que saía com orgulho com suas camisetas do AC/DC e Iron Maiden, usava correntes e All Star e qualquer banda que tivesse distorção já agradava um pouco aos seus ouvidos, o Porão do Rock pode lhe proporcionar excelentes horas de diversão. Se você não estiver nesse grupo, é mais um festival para encontrar com os amigos, beber e se divertir rodeado por clichês.


Melhores shows assistidos no Porão do Rock 2012

Red Fang

Kyuss Lives!
Autoramas + Bnegão
Trivium
Os Dinamites

Set lists
Gaz Coombes

Karina Buhr

Kyuss Lives!

15 de setembro de 2012

Music Alliance Pact de Setembro: Dibigode representa o Brasil

São 38 músicas na Music Alliance Pact deste mês, na qual a banda mineira Dibigode é a escolha brasileira. O Meio Desligado é o representante exclusivo do Brasil no Music Alliance Pact, projeto global que envolve cerca de 40 blogs especializados em música, de diferentes países, que mensalmente realiza uma coletânea com bandas independentes/alternativas desses países. Todo dia 15 é publicada a coletânea com uma música escolhida pelo representante de seu respectivo país de origem. Escute as músicas abaixo e faça o download da coletânea completa.


 BRASILMeio Desligado
Dibigode - Mariposa (A Lagartixa E O Urubu)
Dibigode é um quinteto formado por multiinstrumentistas mineiros cuja sonoridade é marcada pelo pós-rock e a música instrumental experimental. Essa versão de "Mariposa (a lagartixa e o urubu)" integra a nova edição do álbum de estreia da banda, Naturais e idênticos ao natural de pimentas da Jamaica e preta, que acaba de ser remasterizado e está disponível pra download grátis no site da banda. Potencial para se tornar umas das principais bandas de música instrumental do país.


ARGENTINA: Zonaindie
Born in Chaco, Paula García relocated to Buenos Aires for the first time in 2006 to study music production. Since then, coming and going between Chaco and the capital, she adopted the Sobrenadar identity, developing it through two LPs and three EPs, self-released digitally. 1859 is her latest album, and the highest point of that constant evolution. Released through Bandcamp during the first half of this year, it has already obtained several reviews that name her as one of the most promising new local electronica artists. The song 1859 is a bonus track from a special reissue by Mamushka Dogs Records.

Any of our overseas friends who are fans of The Twerps, do tune in. Sydney via Adelaide four-piece Bad Dreems are one of the best Australian bands at the moment (in our humble opinion). Too Old is about a fizzling relationship, with a nod to the humdrum routine somewhere in between. Its delivery is anything but boring, though. Loose treble riffs, vocalist Ben Marwe's casual drone and arguably the catchiest hook being passed around all make this track so great. If only everyone else took a cue from these guys and stopped trying so hard to sound good. Downer-pop at its best.

AUSTRIA: Walzerkönig 
"A rooftop above concrete or a cliff above the shore or an accident on the street." The first lines of Fragile Soul / Heavy Heart set the tone for the rest of this strangely calm, reduced and peaceful song that is, after all, about suicide. It is no surprise, then, that Dust Covered Carpet are based in a city with a well-known affinity for all things morbid: Vienna. 

On his second album as Evening Hymns, Jonas Bonnetta has made public his very private and personal response to his father's passing. There are moments of sentimentality and sweetness, and there are times when raw nerves are exposed, stinging with pain and heartache. Arrows is a touching, haunting song about the ghosts that linger long after a loved one has passed away. 

CHILE: Super 45 
Ases Falsos present their debut album Juventud Americana (Arca Discos), a collection of songs that refer to the Latin American ideology yet manage to sound contemporary at the same time. The classy use of synthesizers, the meticulous vocal harmonies and the melodic wrapping are, along with irony-filled lyrics but with a strong political and social meaning, the highlights of this work. Our pick is La Sinceridad Del Cosmos ("The sincerity of the cosmos"), a song that questions police brutality... from an animal's point of view. 

CHINA: Wooozy 
Baby Formula, currently the only shoegaze band in Beijing who plays dream pop live, are formed by an artist who dedicates himself to being a loser, a senior who doesn't know where to get a master's degree and a writer who hasn't sold any piece of work yet. Their music is influenced by a wide range of bands from Slowdive to The Radio Dept. 

After four years of waiting, electro-cumbia group Bomba Estéreo returns with a more reflective album in which they explore their essence, but without forgetting their Caribbean power. Pa' Respirar means "to breathe", a theme that reflects the band's new vibe, where you can feel the world they inhabit. 

DENMARK: All Scandinavian 
There's been a new wave of Americana and country music sweeping Denmark in the past few years (I say 'new' - I don't really think there ever was one before) and one representative of this is the quintet Indianna Dawn, centered around singer and songwriter Dianna Dønns. MAP exclusive download I Always Miss You is from their great debut album Somebody's Dead. 

DOMINICAN REPUBLIC: La Casetera 
From the depths of rural laments, La Casetera's first MAP submission is all about Dominican folklore. José Duluc is part of our musical history, playing alongside iconic rock star Luis "Terror" Días for many years. His nostalgic approach to peasant work on his latest song, La Mano Partía, makes us contemplate the aspirations of the less fortunate and their longing to be generously rewarded someday.

Woodpecker Wooliams aka Brighton girl Gemma Williams is a 27-year-old singer-songwriter and multi-instrumentalist, and for once that term is true: the former midwife plays harp, kora, omnichord, keyboard, harmonium, electric organ, accordion, penny whistle, clarinet, bells, glockenspiel, electric shruti box, recorder and drums. She's also more Björk than Beyoncé, a kookstress with a high chirrup of a voice and a back-story involving a bird obsession and a bee fetish. Don't expect wall-to-wall cute, though. On Crow, one of several avian-related titles on her The Bird School Of Being Human album, she sings about building "a great funeral pyre" as the music becomes increasingly clanging and industrial. Prepare to be haunted long after it ends. 

FINLAND: Glue 
Skip Zone is a six-piece folk-rock band from Helsinki that performs mid-tempo cosmic Americana songs with some outstanding vocal harmonies and catchy pop melodies. A little bit early Wilco here and a little bit Ryan Adams there create well-crafted songs. Skip Zone's debut EP can be heard on SoundCloud in its entirety. 

FRANCE: Yet You're Fired 
Aud is a folk-pop duet hailing from Nancy, heavily influenced by Patrick Watson, Sufjan Stevens, Beirut and other indie acts. Their first EP, Origami, released in 2010, brought them much success and Violets is taken from their second one, The Death Of The Stag God, released on September 14. Not only are they brilliant lyricists, but also exceptional multi-instrumentists who use guitars, drums, pianos, glockenspiel and harmonica to create a diverse spectrum of sounds and feelings. 

GERMANY: Blogpartei 
Let's conclude our series on new Kraut with this fine trio from Duesseldorf, whose debut Douze Pouze had quite an impact on German music scene. They combine the charm of monotony and repetitive patterns with distinctive lyrics reminiscent of Neue Deutsche Welle. But Stabil Elite is not just one of those retro bands - it's mature, handmade music with a great range of originality. 

ICELAND: Rjóminn 
Monotown just finished their debut album in a collaboration with four-time Grammy-winning mixing engineer Michael Brauer. While the album's narrative may have roots in their motherland, its sound will be equal parts American western film score and Beatles psychedelia, flavored with haunting textures reminiscent of contemporary indie-rock bands. 

5 de setembro de 2012

Mimo Ouro Preto


Entre 30 de Agosto e 2 de Setembro, aconteceu na cidade histórica de Ouro Preto a primeira edição mineira da Mimo, mostra de música instrumental originada em Olinda e que, entre outras coisas, é famosa pela realização de apresentações musicais dentro de igrejas. Enfurnado na sala de imprensa (situada em um antigo hotel, hoje restaurado após um incêndio e convertido em espaço cultural da Fiemg) durante todos os dias de festival, acabei vendo poucos shows e nenhum dos filmes exibidos. Sem possibilidade de escrever sobre as apresentações musicais (de gente como Egberto Gismonti, Hamilton de Holanda, Sonia Rubinski, Thiago Delegado e Tom Zé), resolvi fazer um vídeo com algumas imagens registradas nos seis dias que passei na cidade. A trilha é da banda mineira Dibigode.


A foto que abre o texto foi retirada do Flickr da Mimo. As imagens do vídeo foram feitas por mim com ajuda do William Lima.

1 de setembro de 2012

Revista Select: cultura digital nas bancas

Protagonista de grande parte das transformações e inovações na cultura, na arte e na comunicação nos últimos anos, a tecnologia intersecciona todo o conteúdo da revista Select. Entre o academicismo teórico da cultura digital e matérias mais acessíveis ao público em geral, a Select aborda as manifestações culturais contemporâneas relacionadas aos meios digitais e é, atualmente, uma das publicações impressas mais interessantes do mercado brasileiro. Um de seus diferenciais é destacar a forma como a cultura digital está inserida no cotidiano e provocar a reflexão sobre sua influência na arte e na cultura moderna.

Para quem ainda não conhece, segue, abaixo, uma matéria da Select e a opção de ler a versão digital da revista.


O sonho não acabou 
A internet nos põe na encruzilhada entre a sociedade do conhecimento e a da imbecilidade. Mas é pré-requisito da inteligência distribuída
Por Giselle Beiguelman 
A WAYBACK MACHINE, um serviço do Internet Archive que arquiva sites desde 1999 tem um acervo que cresce 20 terabytes por mês. Se a biblioteca do congresso dos EUA, a maior do mundo, digitalizasse os seus 33 milhões de livros, produziria 10 terabytes. Resumindo: o Internet Archive cresce, por mês, duas bibliotecas do congresso e seu patrimônio bibliográfico construído em quase 200 anos de história. 
Essa quantidade de dados é um parâmetro do aumento no volume de textos, imagens e sons que temos hoje à nossa disposição. Os mais conservadores dirão que nunca fomos inundados com tanto lixo cultural. esquecem, porém, que a internet não inventou a banalidade, nem a pedofilia, o racismo e outros acintes políticos e estéticos. Apenas deu vazão a eles. 
Mas deu vazão, também, a um manancial de recursos que quebrou a hierarquia da cadeia produtiva cultural. Possibilitou que artistas e criadores chegassem ao público e aos críticos antes de passar pela chancela da galerias, gravadoras, editoras e emissoras de TV. Isso tudo faz parte de um cenário cultural novo e inovador que põe em questão um sistema de produção e circulação do conhecimento que vai muito além do valor da propriedade intelectual. 
Pelo menos desde o modernismo, no início do século 20, as práticas de apropriação e reciclagem dialogam com a produção artística. Pensar na obra de artistas referenciais da arte pop, como Andy Warhol e Roy Lichtenstein, fora da esfera da cópia como fenômeno criativo é um exercício insano. Sampleagem e remix surgiram no mundo das fitas cassete e dos LPs, muito antes que alguém, fora dos laboratórios de ciência avançada, sonhasse com a internet. 
Então, o que há de tão diferente no que se faz hoje? O fato de que todas essas coisas podem ser feitas sem qualquer referência anterior. Tudo pode ser combinado com tudo e chegar ao seu desktop ou à palma da sua mão sem que seja necessário consultar as fontes. Basta seguir uma tag específica no Twitter, como, por exemplo, #NowPlaying. Você fica sabendo, via @fulano, que filtrou @beltrano que assina os feeds do blog X, que é alimentado pelo tumblr Y, que coleta informações em um serviço automatizado de publicação, que o DJ Z está bombando. 
O conteúdo espalha-se e vaza pelos nós da rede. E é aí que a coisa pega. Porque a qualquer momento alguém, diretamente do #SPFW, pode tuitar: um dos maiores stylists italianos! Michelangelo. Moda noite. #fashion. >3. http://youtu.be/NPkzQJo9ByE. Até explicar que Michelangelo designa o autor de uma das obras máximas da Renascença, o Davi, e que La Notte é uma das obras-primas do cineasta Antonioni, também Michelangelo e também italiano, mas não estilista, nem muito menos nascido no século 15... Porque agora, com todas as facilidades de transmissão de conteúdo que os meios digitais favorecem, as comportas do conhecimento estão abertas para que ele seja recriado, mas também reutilizado sem lastro e sem contextualização das informações. 
Os limites entre a sociedade do conhecimento e da imbecilidade são estreitos. Mas é simplista acreditar que conteúdo livre é prerrogativa da barbárie. Especialmente porque é ingenuidade pensar que os novos formatos autorais que emergem na internet são formatos do pode tudo. Como disse o poeta americano Charles Bernstein, a autoridade nunca é abolida, apenas se reposiciona. Em um sistema descentralizado, gera autoridades múltiplas e conflitantes, não sua ausência. 
O desafio hoje, portanto, não é pensar como controlar as informações que circulam na internet, mas como fomentar processos de criatividade distribuída que expandam o repertório cultural, pluralizando os focos de validação das informações.