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31 de agosto de 2012

Coletânea Cena Independente de Agosto


CENA INDEPENDENTE é um projeto baseado no Music Alliance Pact, do qual o Meio Desligado é representante exclusivo no Brasil. Nesta versão brasileira do projeto, blogs nacionais especializados juntam o que há de mais novo e relevante na música independente de seus respectivos Estados em uma coletânea mensal.

Nesta edição de Agosto, a capa ficou por conta do designer e ilustrador Pablo Miranda, editor do blog Alice Ilícita, que também faz parte do projeto. Outros de seus trabalhos podem ser vistos por lá.

Faça o download da coletânea completa ou escute todas as músicas online, no player abaixo.



MINAS GERAIS: Meio Desligado
Gurila Mangani – "Sente o feeling"
hip hop
Ainda restrito ao underground do hip hop brasileiro, Gurila Mangani é um artista cujo talento indica grande potencial pela frente. MC e produtor, cria músicas com batidas certeiras, suingadas e com bom uso de samples. De quebra, ainda produz uma série de remixes e se aventura pelo instrumental, como pode ser ouvido no seu perfil no Soundcloud.
Para quem gosta de: Emicida, Pentágono, Di Melo
Mais de Gurila Mangani em seu blog

RIO DE JANEIRO: RockInPress
Thiago Elniño – Salve
rap/dub
Vivendo o seu melhor momento em quase duas décadas, o rap brasileiro continua mostrando talentos cada vez mais interessantes e diferentes. Abraçado pelo groove e seguro pela rima, Thiago Elniño carrega abandeira do rap em Volta Redonda, região distante do Rio de Janeiro. Salve é a terceira faixa do EP “Cavalos de Briga”, lançado este ano de maneira independente e digital. A canção é uma porrada muito bem produzida e arranjada cantada diretamente para o povo de qualquer lugar do país.
Para quem gosta de: Criolo, Buguinha Dub, Instituto

PARANÁ: Defenestrando
Banda Gentileza – Quem Me Dera
funk-rock-brega-épico
Mestre em misturar gêneros musicais que aparentemente não têm nenhuma relação entre si, a Banda Gentileza lançou neste mês de agosto um single caprichoso: a música "Quem me dera", que nas palavras do vocalista Heitor Humberto "começa com acordes farofa, vai pra um riff brega de metais, tem batida de tango, vai pra uma parte épica e termina num funk carioca." De quebra, o single foi lançado simultaneamente a um game 8 bits (“Game Dera”) e a um clipe que chegou a figurar na parada de novos clipes da MTV.
Para quem gosta de: Móveis Coloniais de Acaju, Apanhador Só, André Abujamra

BAHIA: el Cabong
O Quadro – Valor de X
rap
Formado há 15 anos, O Quadro, de Ilhéus, acaba de lançar seu primeiro álbum mostrando que a maturação valeu a pena. Tendo a sonoridade típica do rap e o discurso através das tradicionais rimas como bases, o grupo solta um sequência surpreendente de faixas que misturam com dub, afrobeat, samba, rock e ijexá. Sem rejeitar batidas e samples, tornam a sonoridade mais orgânica com baixo, guitarra, bateria e percussão, criando uma musicalidade com teor crítico social aliado a uma força musical capaz de criar hits certeiros. Experimente se essa “Valor de X” não funcionaria em qualquer pista ou rádio.
Para quem gosta de: Rapadura, Lurdes da Luz, Criolo, Marcelo D2 e Beastie Boys

Astronauta Marinho – Remela de Gato
instrumental/rock
Astronauta Marinho é um grupo formado por Chagas Neto (teclado e sintetizador), Caio Cartaxo (baixo e voz), Rafael Viana (guitarra), Guilherme Alvez (bateria) e Felipe Lima (guitarra, samples e voz). Sem nenhuma pretensão, a banda surgiu a partir de ideias sonoras, em busca de ritmos variados, não se prende a rótulos. Intitulando suas músicas com nomes engraçados e despojando-as de letras, a banda traz um som tão delicado e singular, que a gente tem vontade de entrar na canção e ficar numa conchinha lá dentro. Engana-se quem acha que música instrumental não pode ser legal. A Astronauta já tocou em eventos de Fortaleza, entre eles o Implosão Sonora no Bosque.
Para quem gosta de: Pata de Elefante

RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
Kung Fu Johnny – Nova
garage rock/indie rock
Kung Fu Johnny é uma das mais novas bandas da cena potiguar. Foi formada em fevereiro pelos guitarristas César Valença (Venice Under Water) e Renato de Medeiros e pelo baterista e vocalista Ian Medeiros. Apesar de sua formação tão recente, o grupo não precisou esperar muito tempo para pôr na rua seu primeiro álbum. “Little Beers Gas Station” foi lançado digitalmente pelo Dosol Net Label no comecinho do mês. Com uma sonoridade que segue linhas próximas ao Dead Weather e Black Keys, “Nova” é uma das faixas fortes do debut e conta ainda com a participação de Emmily Barreto do Talma&Gadelha e Halina Oliveira no refrão.
Para quem gosta de: The Dead Weather, The Black Keys, Queens of the Stone Age

GOIÁS: Alice Ilícita
Cherry Devil – Dark Side Of Us
stoner rock
Pra galera que não sabe e/ou não está acostumada, Goiânia é uma cidade stoner rock e eu tenho me segurado pra não indicar sempre bandas stoner. Mas dessa vez não tem jeito. Minha primeira indicação de stoner para a mixtape é a Cherry Devil, banda sensacional do cenário goiano. Formada em 2011, a Cherry Devil faz um stoner de responsa com um vocal fdp "véio o cara manda muito fi". Sem contar que no baixo é uma mina, e podem ver as estatísticas, bandas com girl no baixo, sempre vem coisa boa. Indico a música “Dark Side Of Us”.
Para quem gosta de: Led Zeppelin, Queens Of The Stone Age, cerveja e som de cara barbudo

La Orchestra Invisível - Sangria
rock/experimental
A banda La Orchestra Invisível surgiu em 2009 e lançou o EP “Primeiro” em 2010. Agora, em 2012, Marcelo Kahwage (voz e guitarra), Larissa Xavier (voz, guitarra e teclados), Cezar Souza (baixo) e Daniel Carlitos (bateria) apresentam o segundo EP, “Tratado do Vazio Perfeito”, que traz uma atmosfera mais introspectiva que o trabalho de estreia. A banda traça um caminho experimental, sem deixar de ter apelo radiofônico: algumas faixas já estão na programação de emissoras de Belém, entre elas, Sangria.
Para quem gosta de: Mutantes, Clube da Esquina, The Beatles

MATO GROSSO: Factóide
Monocromatas – 540.000 dB
pop/indie/bicth rock
Mais uma banda da nova geração cuiabana, formada com dois egressos da Vitrolas Polifônicas e foi formada a partir da composição de uma música, está em vias de lançar seu primeiro álbum. Com seu som de fácil assimilação, trata-se de uma ótima pedida para as noites quentes e esfumaçadas do inverno de Hellcity.
Para quem gosta de: Jolly Rouge, Contingente Imigrante, Branco ou Tinto

MARANHÃO: Shock Review
Djalma Lúcio – Bar Central
rock alternativo/pop alternativo
Djalma Lúcio nasceu e vive em São Luís (MA). Entre 2000 e 2004, fez parte da banda pop Catarina Mina, apresentando-se no circuito local e em festivais por todo o Brasil. “Conforme Prometi no Réveillon” é o seu primeiro EP solo, lançado em 2010, com quatro faixas. Em agosto de 2011, Djalma Lúcio tocou no Festival Casarão (Porto Velho, RO) e já se prepara para lançar um novo trabalho ainda em 2012. “Bar Central” é uma canção pop, com alma de bolero underground. Cita Roberto Carlos e descreve a agonia de uma mulher, vagando pelas noites, confusa, evitando encarar o fim de um relacionamento.
Para quem gosta de: Beatles, Caetano Veloso, The Smiths

PARAÍBA: Atividade FM
Sem Horas – Rockaína
rock’n’roll/jovem Guarda/blues
“Rockaína”, segundo os próprios membros da banda, tem a intenção de retratar o efeito do rock ao estilo do grupo Sem Horas. A música é um cruzamento de blues com o conhecido rock estilo Jovem Guarda dos garotos. Porém, dessa vez a banda optou por guitarras mais sujas e cruas, e vocais mais gritados. Os Sem Horas possuem dois EPs lançados e atualmente se encontram na pré-produção de seu primeiro álbum.
Para quem gosta de: Garotas Suecas, Autoramas e Jupiter Maçã.

ALAGOAS: Sirva-se
Além de Nós – Caravela
pop rock/rock/ reggae pop
Com uma sonoridade que engloba diversos estilos e carrega uma levada calcada no pop rock, a banda alagoana Além de Nós vem trabalhando na divulgação do seu primeiro CD “Que Nossas Vozes se Propagem”, lançado recentemente. O material totalmente autoral, conta com algumas participações especiais de músicos representativos do cenário local como: Wado, Luiz de Assis (Vibrações) e o rapper Vitor Pi que gravou parte do vocal da música Caravela, escolhida por nós para participar da coletânea desse mês.
Para quem gosta de: Fresno, Nando Reis, For Fun

ESPÍRITO SANTO: Ignes Elevanium
Broken & Burnt – Tell Me No Lies
groove metal/thrash metal
Broken & Burnt vem de Vitória, Espírito Santo, com uma sonoridade calcada no Groove Metal e no Thrash Metal, especialmente influenciada pelo Pantera. Esta faixa, “Tell Me No Lies”, lançada recentemente, demonstra bem o caráter da banda, com riffs grudentos e com pegada, vocais com feeling e muita coesão na cozinha da banda. E isso com uma produção cristalina que exalta o entrosamento dos músicos da banda e o feeling das canções. Sensacional revelação capixaba.
Para quem gosta de: Pantera, Down, Machine Head

SÃO PAULO: Move That Jukebox
FONES – Assim Como Eu
grunge/hard rock
Nada de modinhas, sintetizadores, guitarrinhas agudas ou qualquer elemento do hype indie e afins. Na casa do FONES, o grunge e algumas de suas ramificações são a ordem do dia. Sem firula e com uma produção “basicona”, o som que sai dos alto-falantes é cru e potente. Em “Assim Como Eu”, faixa de abertura do EP debut, o trio sorocabano conduz com cuidado os versos – só para chegar explodindo tímpanos no refrão, cheio de gritaria e guitarras pesadas. Boa pedida pros fãs da velha camisa xadrez de flanela.
Para quem gosta de: Soundgarden, Nirvana, Pearl Jam

PERNAMBUCO: AltNewspapper
Marditu Soundz – Uivo
instrumental/experimental empírico/noise
Marditu Soundz é o projeto anti-musica experimental do baterista pernambucano Tiago Barros. No inicio era o nada, continua sendo o nada, mas aquele tipo que incomoda, sabe? A necessidade de por pra fora, criar, fez com que Tiago em um computador emulasse sons que outrora resultariam no Bed Room Noise esquizofrênico que faz você se perguntar, o que é música? Ouça então o uivo...
Para quem gosta de: barulho e experimentalismo

23 de agosto de 2012

Aquele sobre tentar achar algum sentido e consertar as coisas

Quem acompanha o Meio Desligado com atenção deve ter notado alguma mudança no blog nos últimos tempos. Eu, ao menos, sinto. Desde sua criação, foram raros os momentos de pausa nas publicações. Lembro de apenas dois breves períodos: recentemente, durante minhas férias, e quando fingi que o blog tinha acabado e viraria um fotolog (ha!).

As pessoas costumam me perguntar por que tenho um blog. Eu costumava ter a resposta na ponta da língua. Não que a resposta fosse decorada, mas eram tantos os motivos, e tão fortes, que se tornava fácil responder. Hoje, paro pra pensar. Mesmo assim, fico sem resposta às vezes.

...

A verdade é que cada hora investida no Meio Desligado é como se eu deixasse de fazer algo mais importante. Algo importante como tentar ganhar dinheiro pra sobreviver, ficar mais próximo da família, aprender alguma coisa nova ou simplesmente me divertir. Se nada disso está relacionado ao blog agora, significa que as coisas estão erradas. Hora de mudar.

Não sei qual formato seguir, não quero um modelo. Este blog costumava ser mais espontâneo. Não importava se eu falava a partir de uma visão bem pessoal. "Eu", aliás, foi tornando-se cada vez menos usado. Talvez eu quisesse me diferenciar, fazer um "jornalismo" um pouco mais "adulto". Assim, cheio de aspas.

Acho que me contive demais.

Meu pai vendia pão na rua quando era criança. Minha mãe era atendente em um mercadinho de frutas na adolescência. Quando penso em como gasto meu tempo, costumo me lembrar disso. E pensar no que foi necessário pra chegar até o atual momento, em ter um estilo de vida inimaginável a eles 40 anos atrás. Anos meus e dos outros. Anos estudando de manhã, trabalhando durante a tarde e voltando aos estudos de noite. Muito tempo e trabalho para resultar em mediocridade e conformismo.

Sinceramente, acho que me contive e me acomodei demais.

21 de agosto de 2012

Quanto vale a mú$ica?

Escrevi o texto que abre o nova edição da revista Overmundo, cuja temática era open business. A revista está disponível para download grátis em pdf e para iPad. Abaixo, minha matéria completa.


Festival de música independente em Goiânia adota modelo em que o público decide quanto pagar pelas apresentações das bandas – e faz sucesso!

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2007. Inglaterra, Marrocos, Rússia, Brasil, Bolívia. Pessoas nestes e em quaisquer outros países com acesso à internet faziam o download de In Rainbows, sétimo álbum da banda britânica Radiohead. Mais do que um trabalho que, meses depois, estaria na maioria das listas de melhores álbuns daquele ano, tratava-se de um divisor de águas no mercado musical. Pela primeira vez, uma das maiores bandas do mundo lançava um CD de forma independente e cujo preço de venda era definido pelo próprio público (com a possibilidade, inclusive, de optar por não pagar nada para se obter a obra).

Domingo, 6 de Maio de 2012. Goiânia, Brasil. Centenas de pessoas reunidas no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiânia para o último dia da 14ª edição do Festival Bananada, iniciado na semana anterior. Assim como no caso do Radiohead, o valor da entrada era definido pelo público. O diferencial é que, no caso do festival goiano, não contribuir com nenhum valor não era uma opção (e moedas não eram aceitas).

A evolução do modelo colaborativo na definição de preços para o acesso a bens culturais tem se dado de forma relevante nos últimos anos. No Festival Bananada, por exemplo, ela é resultado de um longo processo de mapeamento da cena, do trabalho pela formação de público e pela busca de formas funcionais de gestão de carreiras artísticas. Assim como o sistema de crowdfunding tem possibilitado a realização de ações colaborativas através do financiamento coletivo, o “pagamento 2.0” é outro elemento cada vez mais presente na lógica do mercado cultural contemporâneo. A nova geração de consumidores cresceu em meio às mídias digitais, com acesso fácil, rápido e, na maior parte dos casos, gratuito ao conteúdo que desejam. Entender as transformações nos hábitos de consumo do público e manter sustentável a cadeia produtiva é um dos desafios de produtores culturais em todo o mundo.

Fabrício Nobre é um desses produtores. Vocalista da banda de rock MQN, ex-presidente da Asso- ciação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) e atual diretor da produtora A Construtora Música e Cultura, Fabrício é um dos responsáveis pelo projeto “Qto vale o show?”. A ideia é extremamente simples: a pessoa vai ao show, se diverte e, na hora de ir embora, dá uma nota para o que viu. Nota, no caso, literalmente. O julgamento da qualidade da apresentação presenciada é convertido em uma cédula de R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$20 ou até mesmo R$50 e R$100. Ao sair, a pessoa também conta qual o show a levou ao evento, qual a sua apresentação favorita naquela noite. Do valor arrecadado, 80% é dividido entre as bandas que se apresentaram e o restante é destinado à gestão do projeto.


O procedimento de votação foi criado para descobrir quais bandas o público local tinha mais interesse em assistir e quais bandas precisavam investir mais na formação de público. Edimar Filho, produtor n’A Construtora, conta que, assim, descobriram que algumas bandas que afirmavam ter determinado número de pagantes garantidos em seus shows tinham, na verdade, público bem menor. “Entre 2,5 mil pagantes no Bananada, bandas que juravam ter muito público foram citadas por 50 pessoas. Descobrimos também, que, se a banda fizer o mínimo de esforço durante a semana nas redes sociais, isso resulta em um resultado melhor no bolso delas”, diz Edimar.

E o quando o assunto é cachê, a discussão é calorosa. Grande parte dos festivais de música independente no Brasil possui recursos escassos e os dedicam para custear despesas de estrutura. Muitas vezes, as bandas não recebem cachês e custeiam o próprio transporte investindo na repercussão que a apresentação no festival pode resultar. Até o surgimento do “Qto vale o show?”, as bandas que se apresentavam no Bananada tinham todas as despesas cobertas pela produção, exceto transporte e cachê. Agora, recebem de acordo com resultado efetivo de seus shows.

“A internet possibilitou pela primeira vez na história que o público taxasse o preço dos produtos culturais. Se a pessoa discorda do valor do ingresso ou do CD, não vai ao show, não compra o disco”, afirma Edimar. Além de trabalhar como produtor cultural, ele é guitar-rista da Black Drawing Chalks, banda que fez turnê por todas as regiões do Brasil e se apresentou em grandes festivais como SWU e Lollapalooza. Com a experiência obtida trabalhando em diferentes momentos da cadeia produtiva da música, Edimar é taxativo: “Se a banda não leva público em um show em que o ingresso pode ser R$ 2, a culpa é dela. É sinal de que a banda precisa rever seu modelo de trabalho, repertório e relacionamento com o público”.

O Bananada antes e depois da utilização do formato “Qto vale o show?”, segundo Edmar Filho, d’A Construtora Música e Cultura: 
ANTES 
# O Bananada tinha menos visibilidade.
# Cada banda tocava para cerca de 800 pessoas.
# 4 mil pessoas tinham acesso ao festival.
# As bandas não ganhavam um cachê. 
DEPOIS 
# O Bananada tem mais visibilidade, com público duas vezes maior do que em 2010.
# A banda que antes tocaria para 800 pessoas está tocando para 1.600.
# Em 2012, foram quase 10 mil pessoas ao longo da programação do festival.
# Todas as bandas receberam cachê em 2012, e em alguns dias receberam R$ 650, cada. Nenhum festival do país, nem com patrocínio de grandes empresas, paga isso para bandas novas, que tocam às 16h da tarde. Além disso, as bandas venderam mais materiais de merchandising do que nos outros anos. O cara pagou R$ 5 para ver o show e sobrou grana para comprar a camiseta da banda no fim. Uma das bandas que tocaram no festival conseguiu R$ 1,1 mil vendendo CDs e camisetas.
# O festival está mais democrático e atinge um público muito mais jovem, o que significa renovação e formação de plateias. A edição de 2012 teve o maior público, a melhor remuneração para as bandas e gerou o maior número de empregos diretos e indiretos da história do festival, que completou 14 anos este ano.

A experiência do “Qto vale o show?” no Bananada e em outros eventos em Goiânia tem sido tão positiva que passou a ser utilizada nos shows do projeto “Cedo e Sentado”, realizado no Studio SP (em São Paulo) e no Granfinos (em Belo Horizonte), a partir de Junho. Nesses casos, o valor arrecadado será revertido integralmente para os artistas.

18 de agosto de 2012

9 perfis no Twitter para seguir se você mora em BH

Hora de agir localmente e fazer uma listinha de perfis interessantes para seguir, principalmente se você mora em Belo Horizonte e região. São perfis que, de diferentes formas, abordam temas diretamente relacionados à vida em BH e ao cotidiano da capital.

Para uma lista geral dos perfis no Twitter que o Meio Desligado indica para seguir, leia o "32 perfis no Twitter para seguir em 2012".

Aproveite.

"Patrus criou os restaurantes populares sem dinheiro do governo federal. Grande coisa, comida de pobre é barata mesmo #piscapisca"
"A saúde tem 6 mil terceirizados e contratados! Márcio, o empreendedor, espertamente abriu só 600 vagas para servidores preguiçosos!"

"tem que dar valor às pequenas alegrias do dia, tipo o achocolatado Ibituruna de 1 litro. é tipo toddynho só que sem o coito interrompido."
"Tem coisa na vida que é igual San Marino do paraguai: nem dado vale a pena."

"30% Tilelê, 30% Hipster, 40% Estudante de direito e mora em Contagem-MG."
"Dormindo no ônibus, bateu a cabeça 7 vezes no vidro. Se levantou e os olhares pediam bis."

@GranfinosBH
Espaço de realização dos melhores shows de música autoral em BH atualmente.

@casafdeminas
Ativismo e cultura.

Notícias do cenário musical brasileiro e das atividades do programa de patrocínios culturais da Vivo.

@aortamobile
Notícias do meio tecnológico e de startups.

@familiaderua
Cultura urbana e hip hop.

Agenda cultural antenada e super atualizada.

15 de agosto de 2012

Music Alliance Pact de Agosto: Iconili representa o Brasil

Não sabe o que é Music Alliance Pact? Leia aqui. Já conhece? Faça o download da nova edição. Não conhece e quer se aventurar? Aqui.


BRASIL: Meio Desligado 
"O rei de Tupanga" é o novo single da Iconili, banda mineira prestes a lançar novo trabalho e que funde jazz, experimentalismos e ritmos africanos em uma "atmosfera de transe". Psicodelia tropical como poucas vezes se encontra.

ARGENTINA: Zonaindie 
After alt-rock band Doris broke up in 2007, most of its members started their own musical projects (Onda Vaga and Valeu!, among others). Singer and guitarist Liza Casullo decided to go solo, but she took some time off to develop her acting career. A couple of months ago she released her first official album, Velvetbonzo. It's a great record in which a minimalistic acoustic sound blends with psychedelia, garage and folk. Rojo Lojojo is our favorite song, which we also managed to capture on video during one of her shows. 

It's a guarantee that tidy string sections and pulsating drums will typically heighten melodramatic feelings of bad love and melancholy, but you can't pass over this glorious track from Sydney's Cogel. Those violins and cascading treble guitars which duck and weave out of the chorus provide a nice backdrop to the band's quieter moments and slight Arcade Fire stylings that mesh together so well. If Felusine is a pitch into the musical void, someone needs to sign these guys real soon. 

AUSTRIA: Walzerkönig 
"Would you run run run run run run run to my place and watch Freaks and Geeks all night long?" We totally would! Plaided is an acronym that was inspired by a Girls Rock Camp participant's band and thus matches the feminist background of Veronika Eberhart and Julia Mitterbauer. The duo will go on a US tour with Grass Widow in September and also record a 7" record there. Freaks And Geeks is taken from their debut album Playdate, recorded by Wolfgang Möstl (of previous MAP act Mile Me Deaf).

With Little Hand Fighter, Expwy's fifth album in two years, one-man band Matt LeGroulx sets his sights on the oft-neglected genre of bossa nova, imagining how it might have sounded if, instead of originating in the 50s and 60s, it was borne out of late century indie-rock sensibilities and lo-fi production values. 

CHILE: Super 45 
Eija-Lynn and Hieronymus are The Paintings. Besides being a couple in real life, the duo revisit the vigor of 70s garage, Phil Spector's Wall of Sound and the apathetic rage of The Jesus And Mary Chain. The music speak for itself, though, and this song Sunrise is their newest single. 

Within the new movement of pop/rock bands in Colombia, Planes (Estudios Universales) feels like a blast of fresh air. The quintet have no borders or limits in their search for folk and electronic sounds. As we wait for their first studio album, enjoy Lonelii. 

DENMARK: All Scandinavian 
Released in 2011 in Denmark, Alcoholic Faith Mission's fourth full-length, Ask Me This, is now available worldwide and thus there are no good reasons not to check out the outfit's alternative pop. Begin here with the excellent Running With Insanity. 

This all-girl Liverpool trio's debut album Into The Diamond Sun is more Staves/Warpaint than Atomic Kitten. The fact that one of the members hails from an area with a rich folk tradition seems to have seeped into their music, which has a pagan-ish, medieval quality to it. Elsewhere it is possible to detect influences as varied as The Go-Go's and The Monkees, The Doors and Talking Heads, and there is a blend of good old-fashioned "played" instruments and electronic drones and effects, but always the folk elements shine through. 

FINLAND: Glue 
Indie quartet Satellite Stories have delivered several party songs over the last couple of years to become one of Finland's most promising acts. Anti-Lover is the first single from their debut album Phrases To Break The Ice which will be released this autumn. It is three minutes of energetic guitar-based, dance-oriented indie-pop. 

FRANCE: Yet You're Fired 
The Aerial are one of France's top up-and-coming bands. Hailing from Nancy, they released their first EP in April, in which each of their songs show a different influence, all while staying very danceable. In just four songs, they manage to sound like The Rapture, Foals and Foster The People. Clarity is their most electro-pop oriented song and is supported by a killer beat and an impeccable production. Don't miss unreleased single Running on YouTube

GERMANY: Blogpartei 
Let's continue our little series of new Kraut with Berlin trio Camera. Although they connect to the old Kraut by playing with Michael Rother and Dieter Moebius, their music sounds refreshing. First single Ausland keeps the typical meandering melodies and synths but brings back rock to Krautrock. Their debut album, due out this month, incorporates many more influences and will, of course, be released on Bureau B. 

2 de agosto de 2012

Blogagem retardada (parte 2)

O título é diferente, mas esta é a continuação da limpeza dos arquivos do blog. Logo abaixo, o rascunho mais antigo do Meio Desligado, escrito há cinco anos, e outros textos incompletos.


Ludovic: agressividade e emoção (2007)

Ele estende os braços e se apóia sobre a grade enquanto seu suor escorre, colaborando para piorar um pouco mais os já nada agradáveis odores do local. Seus pulmões parecem estar prestes a explodir diante do esforço para expressar palavras doloridas com extrema força, quando, enfim, consegue tocar a cabeça do homem à sua frente e, em um gesto abrupto, retira um pouco do suor de sua testa com a mão. Poderia ser parte de uma estranha celebração religiosa, mas trata-se de um show do Ludovic.

As reações provocadas pela banda nas pessoas são cada vez mais extremas, para o bem ou para o mal, e mesmo que "adoração" esteja longe de constar nos planos dos integrantes, seus shows provocam manifestações dignas do termo. A cena descrita acima, na qual um sujeito luta para conseguir tocar a cabeça suada do guitarrista Ezekiel Underwood durante uma apresentação da banda na Matriz, em BH, é apenas um dos diversos exemplos possíveis.

Ser aclamada pela crítica e pelo público que freqüenta o circuito alternativo é privilégio para poucas bandas. Circular entre as cenas hardcore e indie rock, com igual prestígio, é ainda mais raro, mas é exatamente o que o Ludovic conseguiu. O vocalista Jair Naves atribui a aproximação junto ao cenário hardcore à própria estrutura da cena. "É a mais organizada e a única na qual algumas bandas conseguem viver da música", diz. Segundo ele, o Ludovic tenta ultrapassar os limites de gêneros e cenas.

São duas da madrugada e você está em um buraco sujo e fedorento, apenas com algumas moedas no bolso, insuficiente para pagar até a infame consumação mínima de R$ 2,00 e relembrando do ótimo mo momento no qual você pediu demissão. Mentira.


Experiências e conexões (2009)

Em 2009, resolvi fazer a cobertura do Conexão Vivo BH participando do evento com o a maior parte do público fazia: bebendo, conversando com os amigos, paquerando. Depois, escreveria sobre a experiência. Dá pra perceber que não deu muito certo.


Rotina de blogueiro suburbano (Março de 2009)

Desde que meu affair com uma suposta boneca russa chegou ao fim, fui expulso de meu abrigo na zona sul belorizontina e tive retornar ao meu lar suburbano. Nada mais de voltar da Obra para o apartamento em 10 minutos ou de ir para a faculdade de carona em um Audi. Hora de acordar às 5:20, sair de casa às 6:10, pegar ônibus e depois o metrô e, invariavelmente, chegar atrasado à aula.

Felizmente essa época terminou (apesar de ter rendido excelentes momentos).

Se tenho uma rotina atualmente, ela é mínima e recusa a estabilidade....

Na sequência, acredito que escreveria sobre cidades-dormitório, ler no metrô, juntar carteiras de sala de aula para dormir como se fosse uma cama improvisada, ter alucinações por ficar acordado tempo demais, fazer duas faculdades e estágio ao mesmo tempo... essas coisas divertidas pós-adolescência.


Produção cultural no Brasil: a experiência





Coquetel Molotov 2011: parte 2

Diferentemente de Salvador, onde consegui assistir a todos os shows da edição local do Coquetel Molotov, no Recife perdi alguns, vi pedaços de vários e assisti alguns poucos por inteiro. Mesmo assim, nessa experiência dividida entre o trabalho nos bastidores de produção e o acesso aos shows como parte do público, pude acompanhar a festa alternativa que durante dois dias movimentou o Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco. 

HEALTH - "USA boys"


Guillemots com o baterista do HEALTH (última música do show em Salvador) 

Mundo Livre S/A - "Free world"

HEALTH - "Die slow"


HEALTH - "We are water"

HEALTH - "Crimewave"


Abril Pro Rock 2008: noite indie (12.04)

Desde a abertura dos portões, a segunda noite do Abril Pro Rock já aparentava ser ainda melhor que o início do festival: enquanto o público entrava, Lobão e banda ainda passavam o som para o show que fecharia o evento. De certa forma, Lobão fez o primeiro e o último show da segunda noite do APR.

Terminado o mini-show improvisado de Lobão, a programação oficial começou no palco 3 com a Madalena Moog (PB), banda selecionada para se apresentar através do Link Musical. Para ser sincero, tudo que lembro da banda é que a tecladista/backing vocal é uma gatinha (também é produtora do festival Mundo) e que achei o show "ok", segundo minhas anotações no bloquinho de papel distribuído pela Petrobras em seu estande no festival (onde divulgavam o filme de Speed Racer, patrocinado pela empresa).

O pior show de todo o evento foi o do Erro de Transmissão (PE), espécie de grupo sub-Pitty formado por adolescentes e cujas poucas qualidades se resumem aos aspectos físicos das suas integrantes femininas. Funcionaria em um festival de bandas de escola, mas nunca em um festival do porte do APR.

Para compensar, na seqüência aconteceu um dos mais animados shows de todo o festival: Sweet Fanny Adams, banda de Recife que lançou seu primeiro EP, Fanny, You're No Fun, este mês. Emulando pós-punk e new wave barulhenta, a banda inevitavelmente se aproxima bastante de nomes da onda "novo rock", como The Strokes, The Subways e Editors, sendo que em diversos momentos do show o nome The Jesus and Mary Chain também me vinha à mente. Com músicas dançantes, baixo vibrante, boas melodias e letras em inglês, o Sweet Fanny Adams abriu o palco 2 com louvor e obteve resposta à altura por parte do público.

O momento new rock/new rave do APR teve continuidade no palco 3, com o semi-hype Barbiekill, chamado por algumas pessoas de "Cansei de Ser Sexy do nordeste.

1 de agosto de 2012

Jornalismo retardado

Tenho mais de 30 textos incompletos salvos na pasta de rascunho. Chegou a hora de (começar a) me livrar deles, do jeito que estão.


Flaming Night 10 (2009)
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Preencha as três linhas acima com clichês do jornalismo musical sobre o rock´n´roll e é bastante provável que a maioria das pessoas que estiveram presentes ao festival Flaming Night, no último sábado, em Belo Horizonte, os comprove. Das danças esquisitas e frenéticas do público durante o  show de abertura do Fusile aos moshs e stage dives constantes ao longo da apresentação do Black Drawing Chalks, foi uma noite memorável e que representa o bom momento da música independente e alternativa no Brasil.

Doidão da Flaming Night



MP3 da semana: Momo - "Flores do bem"
      
Artista: Momo
Música: Flores do bem
Cidade: Rio de Janeiro
Pra quem gosta de: folk indie, Sufjan Stevens, Atlas Sound, Clube da Esquina

Demorei tanto a publicar essa música que o player de áudio usado para arquivá-la, o Odeo, já nem funciona mais. Pra compensar, aqui vai um link para ouvir e fazer o download.


Festival Calango 2010: o que está acontecendo agora

Nesse texto, eu ia contar em primeira mão que o Espaço Cubo / Fora do Eixo sairia de Cuiabá e iria para São Paulo, mas acabei ficando apenas no título. Comecei a fazer a cobertura do festival para uma revista, a matéria caiu no início da elaboração do texto e desanimei.


Fórum da Cultura Digital, Meio Desligado, Gilberto Gil, Macaco Bong e mais

Entre os dias 15 e 17 de novembro aconteceu em São Paulo a 2ª edição do Fórum da Cultura Digital, realizado pelo Ministério da Cultura e da Casa da Cultura Digital. A enorme programação reuniu pesquisadores, intelectuais, ativistas, artistas e outros agentes envolvidos com diferentes aspectos da cultura digital para discutir e refletir temas como a construção de políticas públicas na era digital.

Participei do Fórum para apresentar duas pesquisas que fiz no âmbito da cultura digital. A primeira delas foi meu projeto experimental (nome dado aos projetos de conclusão de curso na faculdade de comunicação da Puc Minas)...


O Álvaro Pereira Júnior não gosta de mim

Não se preocupe, o Álvaro Pereira Júnior não me xingou, não quer me pegar na saída e nem fica me stalkeando. Mas ele definitivamente não gosta de mim. Ou melhor, não gosta do que eu represento.

No dia 1º de Outubro, o APJ (assim, abreviado, porque escrever esse nome completo dezenas de vezes é um porre e não posso usar simplesmente Álvaro porque me lembra do cachorro cego de um vizinho perneta que eu tive) escreveu em sua coluna na Ilustrada, na Falha Folha de S. Paulo, um artigo intitulado "É proibido criticar" (versão "desbloqueada' no blog Conteúdo Livre) no qual rechaçava boa parte da atual cena musical independente do país - não apenas os artistas, mas também produtores e demais agentes culturais envolvidos nessa cena. Para ele, no jornalismo musical brasileiro "é todo mundo meio blogueiro, meio "tuiteiro", meio crítico, meio artista. É todo mundo muito amigo, tudo é muito fofo, tudo é muito "amor" " e os artistas "não precisam nem querem crescer". Ele pergunta: "Até quando esses indies sambistas - e as bandas do tal circuito "fora do eixo" - vão ficar pendurados em Sescs, festivais gratuitos e dinheiro do governo? Se o lulismo desaparecer um dia, a música brasileira se extingue também?".

Não é difícil responder. Em termos de cena independente brasileira, fica claro que o APJ está mais perdido que freira em casa de swing de periferia. Ele baseia toda sua crítica a partir de sua visão da cena paulistana (bastante limitada, diga-se). Alguém que, como ele mesmo escreve, desconhece a dinâmica de funcionamento do Studio SP, acha que Thiago Pethit faz "sambinha" e que admitiu, em matéria posterior, que conhece os artistas citados/criticados apenas pelo YouTube. Seu "colega" de jornal, Marcus Preto, acabou dando uma excelente descrição do APJ: "uma dessas tias que ficam atrás da mesa achando que conseguem adivinhar o mundo lá fora".

E o mundo lá fora, APJ, é um mundo no qual ...


Conhece "circuit bending"? (Fevereiro de 2008)




Constantina (2008)

Se é verdade que as boas coisas da vida acabam rápido, esqueceram de avisar aos integrantes do Constantina. Desavisados, esses sujeitos continuam por aí criando looongas e transformadoras músicas.


FOALS >> JESUS (2008)

"Obrigado".

"Maconha".

"Garota bonita".

Isso foi tudo o que o nanico Yannis Philippakis, vocalista e guitarrista da banda inglesa Foals, disse ao público do Planeta Terra, enquanto fazia aquele que, para mim, foi o melhor show de todo o festival.


Os shows mais surpreendentes de 2009

L.A.B em Porto Alegre (RS)
Grupo Porco de Grindcore Interpretativo em Belo Horizonte (MG)
Nevilton em Londrina (PR)