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30 de abril de 2012

Coletânea Cena Independente #4


Cena Independente é um projeto baseado no Music Alliance Pact. Nele, blogs nacionais especializados juntam o que há de mais novo e relevante na música independente de seus Estados em uma coletânea mensal, publicada sempre no último dia de cada mês.

O download da coletânea com todas as músicas pode ser feito no Mediafire.



MINAS GERAIS: Meio Desligado
Leonardo Marques – Linha do trem
indie/folk/lo-fi
Uma nostalgia melódica marca o CD de estreia de Leonardo Marques, "Dia e noite no mesmo céu". Suas canções remetem a cenários bucólicos, românticos e solitários, alguns deles bucólicos, como nesta "Linha do trem". Membro do Transmissor, banda mineira em constante ascensão, e ex-guitarrista da Diesel (posteriormente Udora), banda pós-grunge de relativa fama, em seu trabalho solo Leonardo gravou todos os instrumentos (exceto bateria) em um esquema caseiro e intimista. 
Para quem gosta de: Elliot Smith, Clube da Esquina, Jon Brion
Mais do músico no site oficial

RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
Luiz Gadelha – Não Tem Graça
pop
Luiz Gadelha é baixista e um dos principais compositores da banda mais querida do público natalense atualmente: o Talma&Gadelha. Apesar do sucesso recente, sua história na música potiguar já tem longos anos. Bastante eclético, o músico já esteve ligado desde projetos de MPB a drum ‘n’ bass. Em março passado, Luiz lançou “Suculento”, seu primeiro disco solo. O álbum é marcado por composições singelas e delicadas, que revelam sempre um compositor apaixonado. Falando de saudade, “Não Tem Graça” aparece como uma das faixas fortes do disco.
Para quem gosta de: Ludov, Pato Fu, Penélope
Mais do músico no Facebook

SÃO PAULO: Move That Jukebox
Curumin – Selvage
pop/reggae/neo-MPB
O gingado e o andamento de “Selvage” lembram, de forma inusitada, “Friday Night”, de Lily Allen. Mas as semelhanças param por aí. A novidade do multi-instrumentista é cheia de brasilidades, dessas que percorrem o pop fácil e ritmos locais em segundos. A guitarra é quase regueira e libera acordes tímidos, enquanto a bateria eletrônica é a base ideal para a voz de Luciano Nakata passear pelos versos da música. “Selvage” é parte de Arrocha, novo disco do Curumin.
Para quem gosta de: Céu, Criolo, Lucas Santtana
Mais do músico no Myspace

PERNAMBUCO: AltNewspaper
Raoni Santos – Ruído Intencional
instrumental/experimental/eletrônico
“Ruído Intencional” é uma faixa que integra um projeto de experimentos assinado com o nome do músico Raoni Santos. São faixas onde são testadas as liberdades proporcionadas pela música instrumental. Nesta proposta, os elementos eletrônicos e de ambiência estão mais presentes, diferente do seu outro projeto, o Crooneres Decadentes, que tem composições com letras. No entanto, em ambos, o músico compõe, toca e realiza toda a produção das faixas.
Para quem gosta de: Hurtmold, Toe, Constantina
Mais do músico no SoundCloud

23 de abril de 2012

Revista Nós destaca juventude artística do Espírito Santo

O que você conhece da cultura capixaba produzida nos últimos anos? Caso a resposta inclua poucos ou nenhum item, a revista Nós é ideal para você. Atualmente em sua quarta edição, a Nós reúne jovens artistas nascidos ou residentes no Espírito Santo e é produzida pelo Programa Rede Cultura Jovem, projeto do governo local (que abrange núcleos de cultura digital  web tv, coletivos artísticos e pesquisa).

Com projeto gráfico excepcional, a revista utiliza diferentes tipos de papel e de corte em uma mesma edição e representa visualmente a modernidade da produção cultural local. A maioria das matérias é curta (média de duas páginas) e aborda desde performances teatrais experimentais à cena de reggae do Estado. A partir do recorte que realiza, a Nós apresenta artistas que dialogam com a arte moderna em suas mais diferenciadas facetas e que carecem de maior visibilidade. Situados no Estado menos expressivo economicamente do Sudeste brasileiro, os jovens artistas capixabas acabam soterrados pelos trabalhos artísticos difundidos pelos Estados vizinhos e de maior tradição.

Além de perfis de artistas, pautas como a que aborda jovens e ousados empreendedores do meio gastronômico e a superação de limitações na produção cultural da periferia ajudam a compreender (parte d)o cenário cultural capixaba, suas dificuldades e singularidades. Abaixo você pode acessar a versão virtual da revista, que é distribuída gratuitamente em sua versão física e tem tiragem de 5 mil exemplares.


21 de abril de 2012

Bananada e Sonar: programações dos festivais


Dois festivais bastante distintos movimentam a cena musical alternativa no início de Maio. Em Goiânia, no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiânia e casas noturnas da cidade, acontece mais uma edição do Festival Bananada, agora realizado pela A Construtora (nova empresa de Fabrício Nobre, ex-Monstro Discos). A programação começa no dia 28 de Abril e se estende até 6 de Maio, com shows da estrangeira White Denim, Macaco Bong, Diego de Moraes, Forgotten Boys, BLack Drawing Chalks, Jards Macalé e nomes da novíssima cena local, como Cabriana e Gloom, entre outros. Além de diversos shows, acontece a Movida, mostra de vídeoclipes e documentários musicais que integra a plataforma Conexão Vivo.

Um pouco depois do Bananada, nos dias 11 e 12 de Maio, é a vez do Sonar SP, edição paulistana do famoso festival espanhol dedicado à música de vanguarda. Na programação, alguns dos principais nomes da música eletrônica mundial, como Justice, Chromeo, Squarepusher e os experimentais Björk, Mogwai, Four Tet e Flying Lotus. Destacam-se também o astro pop Cee Lo Green, Little Dragon, o tecnobrega Gang do Eletro, o hip hop de Doom e dos brasileiros Emicida e Criolo e o experimentalismo do Psilosamples, Za! e M. Takara vs Akin.

Veja abaixo a programação completa dos dois festivais:

19 de abril de 2012

Soundsystem rock'n'roll estreia no Centro de BH, dia 21 de Abril

Uma festa de rock'n'roll ao ar livre. Simples e direta, assim como o estilo musical em que se baseia, a Pedrada se apropria do modelo dos sound systems urbanos para revisitar a história do rock durante 8 horas, bem no centro de BH no dia 21 de Abril, sábado, entre 14h e 22h. Com estrutura montada na Praça Afonso Arinos (entre as avenidas João Pinheiro e Augusto de Lima, ao lado da Faculdade de Direito da UFMG), a festa não apenas percorre o rock produzido em diferentes décadas como também reproduz diferentes momentos do ato discotecar: vinis, CDs, computadores e celulares serão utilizados pelos DJs Tinhoso, Tranca Rua, Dante, Mortimer e Meio Desligado para criar a trilha sonora do feriado.

Criado pelo coletivo Pegada e os blogs Chicoteia Jeová e Meio Desligado, a Pedrada faz parte do atual movimento de ocupação dos espaços público da capital. Só que, desta vez, com muito mais distorção do que de costume.

Desde 2008, o Coletivo Pegada vem atuando no cenário cultural mineiro com foco na música autoral e prestando serviços para agentes e artistas dessa cena. Trabalha na produção de festivais e eventos e também na formação de agentes da cadeia produtiva da música. Com o Transborda – Festival de Artes Transversais 2010, que propôs uma síntese das ações do coletivo, recebeu 10 mil pessoas e ganhou projeção nacional. Em 2011, o festival reuniu mais de 12 mil pessoas, dando mais um passo no crescimento da nova música nacional.

Blog especializado em música independente brasileira, no ar desde Dezembro de 2006. Foi eleito pelo Yahoo! um dos 100 blogs mais relevantes em língua portuguesa e é representante exclusivo do Brasil na rede mundial de blogs Music Alliance Pact, junto a veículos como o jornal britânico The Guardian. 

Na verdade, o "Chicoteia, Jeová!" é um blog formado em um boteco por quatro amigos a fim de falar besteiras. A ideia era falar só sobre musica de uma forma tosca, mas acabou que qualquer coisa que dava na telha saia por ali. Daí veio a ideia de fazer algumas festas para promover o blog, que por sua vez deram muito mais certo que o próprio site. Essas festas renderam convites para participar de diversos outros eventos pela cidade e uma festa bimestral na Obra que já vai para sua 6ª edição. Hoje o site passa por reformulações e grandes surpresas vêm por aí.

Serviço
DJs Meio Desligado, Mortimer, Dante, Tranca Rua e Tinhoso
21 de Abril, 14h
Praça Afonso Arinos (entre as avenidas João Pinheiro e Augusto de Lima, ao lado da Faculdade de Direito da UFMG), Centro, Belo Horizonte/MG
Entrada gratuita

15 de abril de 2012

Indie global: coletânea MAP de Abril

O Meio Desligado é o representante exclusivo do Brasil no Music Alliance Pact, projeto global que envolve cerca de 40 blogs especializados em música, de diferentes países, que mensalmente realiza uma coletânea com bandas independentes/alternativas desses países. Todo dia 15 é publicada a coletânea com uma música escolhida pelo representante de seu respectivo país de origem. No Brasil, essa função é exercida pelo Meio Desligado, que neste mês enviou "Canoa furada", do pernambucano Siba. Aproveite e leia a crítica do novo CD do Siba.

A coletânea completa com todas as músicas da Music Alliance Pact de Abril está disponível para download grátis.


 BRASILMeio Desligado
Siba - Canoa Furada
"Canoa Furada" é uma das músicas mais animadas de Avante, novo CD de Siba, no qual a formação inusitada de sua banda se destaca criando um clima de fanfarra em meio a influências da música regional do nordeste brasileiro e do rock contemporâneo. O download do CD pode ser feito de graça no site de Siba.



  ARGENTINA: Zonaindie
Diosque is a singer-songwriter born in Tucumán. Melancolía Del Futuro is our favorite song from his brand new album, Bote, in which Diosque enjoys playing with samplers and acoustic instruments like guitars and percussion. It was released by QQ Records on vinyl and can also be downloaded for free by visiting his website.

AUSTRIA: Walzerkönig
"Don't you know that everything we build up once will fall apart someday?" Time and religious metaphors are recurring themes on The Treachery Of Things, from which No Up No Down is taken. The album circles around the notion that we can never grasp the true identity of the things around us; they remain passive while we assign attributes to them. A Thousand Fuegos started out as a lo-fi project and these days focuses on beats, loops and spacey synths that create a mystical atmosphere.

Kalle Mattson recently racked up over a million views of their Thick As Thieves video, which is impressive for any indie band. The attention generated by the video shouldn't be dismissed as hype. Kalle Mattson are impressive songwriters and musicians, and have fans across Canada eagerly awaiting their new EP (from which Water Falls comes from) at the start of May.

CHILE: Super 45
Behind the peculiar name of Poki Tatane hides one of the most interesting projects in the Chilean electronic scene. Esclavos Rumbo Al Virreinato is from his first EP, Breve Explicación De Las Partes (available for free at Discos Pegaos), which takes elements from a more organic dubstep, adding a particularly melodic sense to the compositions.

CHINA: Wooozy
Xiban is a contemporary world music band who describe themselves as being "fresh, wild, wandering, funny, and direct", with the added tag of "folk music phoenix nirvana" thrown in for good measure. The musicians are from China, France and the United States. Combine Shanxi opera with Beijing and Jiangzhou drumming, add some Yellow River chanting, Tibetan long tune, Australian Aboriginal music, Indian organs and elements of modern electronic music and you have an idea of how eclectic their brand of music is.

From Medellín, we present you Crew Peligrosos - 16 people tearing up the scene with their urban sounds and mise-en-scène. Medayork contains the best flavors of old school hip hop with the song title paying tribute to two cities key to the development of hip hop culture in Colombia - Medellín and New York.

14 de abril de 2012

Programação do Vivo arte.mov 2012 em BH

Sem alarde, a produção do Vivo arte.mov - Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis publicou no Facebook a programação da edição do evento deste ano em Belo Horizonte, que acontece entre 25 e 29 de Abril e será encerrada por uma performance de Lee Ranaldo (Sonic Youth). "Sight unseen" é uma parceria do ex-guitarrista do Sonic Youth com Leah Singer, sua esposa, com quem realiza vários trabalhos artísticos. Toda a programação do arte.mov (que inclui workshops, debates, seminários e exibições de vídeos) é gratuita e acontece no Palácio das Artes, no centro da capital.


Curiosidade: Ranaldo é o segundo membro do Sonic Youth a se apresentar em Belo Horizonte em projetos paralelos. Steve Shelley, baterista da banda, tocou na cidade em 2010 com o Hallogallo, projeto de Michael Rother (ex-Kraftwerk e Neu!). E Thurstoon Moore, guitarrista e vocalista da banda, acaba de fazer três shows no país com seu trabalho solo.

Programação

--- 25 DE ABRIL – QUARTA-FEIRA ---
09H30-21H : EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
10H: WORKSHOP – ARTVERTISER
19H: PALESTRA DE ABERTURA – TECNOLOGIAS DE COOPERAÇÃO - HOWARD RHEINGOLD

--- 26 DE ABRIL – QUINTA-FEIRA ---
09H30-21H : EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
14H: WORKSHOP – URBAN REMIX
19H: SEMINÁRIO – TECNOPANORAMAS COM ROBERT KRONENBURG, FERNANDO GIL (LAB DE GARAGEM) E CAIO VASSÃO
21H-23H: MOSTRA COMPETITIVA

--- 27 DE ABRIL – SEXTA-FEIRA ---
09H30 -21H : EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
10H: WORKSHOP ARTVERTISER 19H: SEMINÁRIO – ETNOPANORAMAS COM MASSIMO CANEVACI E MICHAEL NITSCHE (URBAN REMIX)
21H-22H: MOSTRA COMPETITIVA

--- 28 DE ABRIL – SÁBADO ---
09H30-21H : EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
17H: BATE PAPO ABERTO COM VENCEDORES DA MOSTRA COMPETITIVA
19H: SEMINÁRIO – MIDIAPANORAMAS COM SERGIO BASBAUM, ERICK FELINTO E ROBERTO MOREIRA
21H-22H: MOSTRA COMPETITIVA

--- 29 DE ABRIL – DOMINGO ---
16H-21H : EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
19H: ENTREGA DOS PRÊMIOS DA MOSTRA COMPETITIVA
20H: PERFORMANCE LEE RANALDO E LEAH SINGER – SIGHT UNSEEN

13 de abril de 2012

Sympla: plataforma online para venda de ingressos

Parece promissor e o funcionamento é extremamente simples: em poucos minutos qualquer pessoa pode começar a vender, na internet, ingressos para seu show/evento através da Sympla. A empresa mineira foi lançada em Dezembro de 2011 e intermedia a relação entre produtores de eventos e o público. A grande sacada é oferecer o serviço a pequenos produtores que normalmente não teriam verba ou demanda suficiente para usar grandes serviços de venda de ingressos online. É a lógica da cauda longa com o "faça você mesmo" no mercado musical: em vez de vender milhares de ingressos para um número limitado de eventos, vender dezenas ou centenas de ingressos para os eventos que qualquer produtor quiser cadastrar, sem custo para esse usuário.


A empresa obtém lucro cobrando uma taxa de serviço de 10% do valor do ingresso, que pode ser adicionada ao valor de venda ou absorvida pelo produtor (ou seja, ele pode optar por não acrescentar os 10% da taxa no valor final para o público e deixar de receber essa porcentagem, que vai para a Sympla). Entre os fundadores da empresa estão ex-funcionários do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento, que se basearam em experiências semelhantes desenvolvidas no exterior.

A navegação na plataforma é intuitiva e o preenchimento do formulário com informações do evento é fácil, com opções de personalização sem necessidade alguma de conhecimentos em programação. Os ingressos são comprados com cartões de crédito (a inclusão do PayPal e/ou Pagseguro seria bem-vinda) e enviados em PDF para o email do comprador, sendo que os produtores podem optar por receber notificações a cada compra realizada. 

Um dos problemas que a Sympla pode enfrentar é a criação de falsos perfis de venda de ingressos, ou seja, pessoas não autorizadas criarem páginas de eventos com os quais não estão relacionadas para tentar enganar o público. Dificilmente o dinheiro das falsas vendas chegará ao falso produtor, já que o repasse do valor da venda é transferido no terceiro dia útil após a realização do evento, tempo suficiente para identificar alguma fraude. Mesmo assim, há o risco de alguma dor de cabeça para o consumidor como para os reais produtores do evento em questão.

Ps.: este não é um post patrocinado, mas eu adoraria receber da Sympla para divulgar o serviço. =D

12 de abril de 2012

Siba - Avante


Avante é um CD que pode ser lido. A poesia de Siba transcende a música e, quando isolada, nos leva a experimentar sensações diferentes. Sem a beleza de melodias e arranjos para se apoiar, as palavras nos cercam e entregam uma carga emocional intensa. Envolvido em uma crise de identidade e criatividade, por mais doloroso que tenha sido o processo de criação, o resultado é excepcional em vários sentidos. Seja quando parece deixar aparente suas angústias ("Não ouço passos de ninguém entre os escombros / Nem mesmo insetos revirando o pó / Um vento seco me arrepia, encolho os ombros / Pois na verdade estou queimando só / Depois do fogo restam só fumaça e brasas / E eu tiro as cinzas do meu peito nu / Daqui a pouco meus dois braços serão asas / E eu me levanto renascido e cru") ou quando diverte com clichês de forma leve e inteligente ("No fim da bagaceira / Minha vista escureceu / Se alguém souber meu nome / Diga pra mim quem sou eu / Vou dormir na calçada / Abraçado a um cachorro / Pra uma alma sebosa / Me levar carteira e gorro / E ainda se dá mal / Pois não tem um real / Pode acabar-se o mundo / Vou brincar meu carnaval"), Siba domina com maestria a palavra (e a poesia) que outrora o havia abandonado "deixando em seu lugar o vazio da falta de convicção para escrever".

Da mesma forma com que lida com as palavras, Siba conquista com suas frases na guitarra. Longe de sua tradicional rabeca, fez um dos álbuns mais surpreendentes do rock nacional atual. Para quem afirma ter reaprendido a tocar o instrumento a reaproximação parece ter se dado de forma extraordinária, tendo como escudeiro Fernando Catatau, guitarrista criativo e ousado, produtor do CD ao lado do próprio Siba.

A influência de Catatau pode ser notada nas frases de guitarra, mas principalmente nos timbres ouvidos ao longo de todo o álbum. A formação inusitada de sua banda, com tuba, vibrafone, teclado e bateria, contribui para a singularidade musical de Avante. É um rock que se posiciona em uma área pouco visitada, que abrange de forma natural ciranda, maracatu, fanfarra e outras expressões musicais. Exemplo disso é "Canoa furada", uma fanfarra roqueira, a bateria eletrônica retrô e as referências brega na boêmia "A bagaceira" e a quase-balada "Qasida", cujo ritmo e clima marcial crescem até explodir em um solo psicodélico/progressivo.

Como o próprio Siba afirma, para ir Avante foi necessário "reunir um tanto de todos que já fui". Um processo de colagem de fragmentos que resulta em uma nova faceta do artista e que ao mesmo tempo expressa um pouco de cada fase de sua carreira. "Quem parte berrando: avante! pode cair mas não voltar".



Avante foi produzido com patrocínio da Petrobras e do Prêmio de Apoio à Gravação de Música Popular da Funarte. O álbum está disponível para download gratuito no site oficial de Siba.

Foto: Caroline Bittencourt

11 de abril de 2012

Pós-debate no Sesc (everything is a remix, dicas de livros e considerações)

Eu e o Alex Antunes participamos de um debate no Sesc Araraquara no dia 31 de Março sobre o cenário da música independente no Brasil, gestão de carreiras e jornalismo musical que foi bem interessante. Aproveitando o papo que rolou (com pouco mais de 30 pessoas, um número bom para esse tipo de iniciativa), reúno aqui parte do conteúdo que indiquei durante o debate e destaco alguns pontos da conversa.

Everything is a remix: documentário sobre a cultura do remix e sua contextualização histórica. Aborda o caráter cíclico da cultura e como ela se mantém viva através de múltiplas apropriações de elementos previamente criados.



Cultura Livre - Como a grande mídia usa a tecnologia e a lei para bloquear a cultura e controlar a criatividade: livro básico pra se entender mais sobre propriedade intelectual e direitos autorais no mercado cultural.




Free - Grátis: o futuro dos preços: livro do mesmo autor do best seller A Cauda Longa. Já escrevi sobre ele aqui no Meio Desligado.



  • No Brasil, duas redes mais importantes envolvidas na produção cultural de forma coletiva e colaborativa são a Fora do Eixo e a iniciativa do Governo Federal dos Pontos de Cultura;
  • O "excedente cognitivo" resultante das tecnologias digitais e das redes sociais reflete-se também no meio musical, gerando discussões sobre a necessidade (ou não) de mediadores que filtrem a produção excessiva e apresente ao público em geral uma seleção realizada através de critérios subjetivos;
  • A troca de serviços e a gratuidade não devem ser vistos como uma forma abrir mão de remuneração, mas sim como um investimento e parte de uma estratégia na qual os serviços/produtos gratuitos façam parte de um modelo de negócios que seja sustentável no decorrer do tempo.

10 de abril de 2012

Novos vídeos da cena instrumental belo-horizontina: Constantina e Dibigode

Constantina e Dibigode, duas das principais representantes da cena de rock instrumental de Minas Gerais, lançaram recentemente vídeoclipes. O do Constantina foi gravado ao vivo em Janeiro deste ano no Teatro Dom Silvério, em BH, e registra a música "Bagagem extra", do álbum Haveno.



Já o Dibigode lançou seu primeiro clipe, feito para a música "Mongra do criolo doido", do CD Naturais e idênticos ao natural de pimentas da Jamaica e preta.

9 de abril de 2012

Lollapalooza 2012: a programação do festival nos EUA e os shows completos da edição brasileira

Atualização (11.4.12): a programação era mesmo real e já está no site oficial do festival.

Ok, este post foge um pouco do tema do Meio Desligado mas merece ser publicado. A MTV Brasil publicou a foto de uma página impressa encontrada no backstage do festival Lollapalooza em São Paulo na qual consta a programação da edição original do festival, que acontece em Chicago entre 3 e 5 de Agosto de 2012. A imagem foi apagada do site da MTV e a inclusão dos brasileiros d'O Rappa já foi confirmada pelo idealizador do festival, Perry Farrel (que comparou a banda com Public Enemy e NWA). Outro fator que deve ser levado em consideração é que muitas das bandas da suposta programação lançarão novos CDs perto da data do festival, como The Walkmen, Bloc Party e Franz Ferdinand.

Ao que tudo indica, a programação do Lollapalooza 2012 de Chicago, que sai oficialmente dia 11 de Abril, é essa (pasmem):

Black Sabbath
Jack White
Red Hot Chilli Peppers
The Black Keys
At The Drive-in
Franz Ferdinand
Sigur Rós
M83
Afghan Whigs
The Shins
Bloc Party
Florence + The Machine
Justice
Passion Pit
Tame Impala
SBTRKT
Michael Kiwanuka
Band of Skulls
The Walkmen
Neon Indian
Dum Dum Girls
Aloe Blacc
Chairlift
The Weeknd
Miike Snow
Metric 
Dr Dog
Bear in Heaven
O Rappa
Washed Out
Bombay Bicicle Club
Little Dragon
Bassnectar
Calvin Harris
Toro Y Moi
Twin Shadow
The Tallest Man on Earth
Die Antwoord
Ambassadors

E mais um monte de bandas cujos nomes estão na folha abaixo.

O texto sobre a edição brasileira do Lollapalloza vem mais pra frente, mas por enquanto fica aqui os vídeos dos shows completos do Foo Fighters, TV on the Radio Cage the Elephant, MGMT, Gogol Bordello, Band of Horses e Friendly Fires.

Foo Fighters


TV on the Radio


Cage the Elephant


Band of Horses


Friendly Fires


MGMT


Gogol Bordello

Observatório Fora do Eixo

Propostas alternativas de aprendizado, métodos colaborativos e empíricos são algumas das premissas adotadas pela UniFdE, que dá continuidade a seu ano letivo com o lançamento do Observatório Fora do Eixo. O projeto acontece durante o ano inteiro em todos os estados brasileiros e 6 deles já tem data marcada! De 12 de abril a 23 de maio, Ceará, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Amazonas e Mato Grosso receberão debates e oficinas transmitidas ao vivo pela internet, além de eventos de artes integradas e fóruns virtuais.

A programação do Observatório Fora do Eixo contará com a participação de diversos integrantes do corpo docente da UniFdE, que hoje articula centenas de pessoas, pesquisadores, agentes culturais integrantes de coletivos, universidades, pontos de cultura de todo o Brasil e que debaterão temas como moedas complementares, software livre, mídia ativismo, Rio +20, educação, processos colaborativos, ocupação do espaço urbano, entre outros. 

A programação está no site: observatório.foradoeixo.org.br

8 de abril de 2012

Thesixtyone: um modo diferente de conhecer e divulgar novas bandas

"Novos artistas fazem a música e os ouvintes decidem o que é bom". Assim o site Thesixtyone se define logo na página de entrada. Criado em 2008, o site usa a "recomendação social" para destacar as músicas consideradas melhores por seus usuários: quanto mais votos positivos uma determinada música recebe, mais ela se destaca no site.

Bandas podem se cadastrar e enviar suas músicas, com a opção de liberá-las através de uma licença Creative Commons. Já os usuários podem navegar no acervo do site a partir de uma série de filtros como popularidade, data de inclusão ou o estado de espírito associado às músicas. 



A interface minimalista, focada em imagens das bandas, é um dos diferenciais do Thesixtyone. Pode-se usar o site como uma webrádio cuja curadoria é feita coletivamente ou observar as imagens de fundo de página enviadas por cada artista, enquanto informações sobre as bandas e suas trajetórias são exibidas.

Mesmo com diversas funcionalidades que estimulam a participação público (como tarefas diárias que, se cumpridas, premiam o usuário com pontos de reputação e ícones que registram a realização dessas tarefas) e se assemelham a características comuns das redes sociais, o Thesixtyone ainda tem um público pequeno que, segundo dados do Compete, registraram nos últimos meses picos de audiência de 40.000 visitantes únicos mensais. Apesar do limitado número de acessos, serve como uma forma diferenciada (e complementar) para divulgação de artistas independentes na internet e para se conhecer novas bandas.

Observação: há alguns anos, conheci a Band of Horses, que tocou na edição brasileira do festival Lollapalooza, através do Thesixtyone. Outra banda interessante que lembro de ter conhecido no site foi a We Were Promised Jetpacks.

6 de abril de 2012

Leitura indicada: Ronaldo Lemos e "Código aberto"

"Existe um segredo bem guardado que grande parte dos músicos brasileiros ainda não descobriu. Em setembro de 2010, o Ecad fechou um acordo com o YouTube e o Google para recolher direitos autorais....
Resultado: a partir de novembro de 2010 um bom dinheiro adicional passou a entrar nos cofres do Ecad em nome de toda e qualquer pessoa que posta um vídeo musical no YouTube. A notícia do acordo (divulgada de forma bastante discreta) diz que ele abrange 'todo o repertório musical que estiver disponível na plataforma do YouTube' (veja em bit.ly/f1FFbw). Como se isso não bastasse, o Google comprometeu-se a pagar valores retroativos desde 2001! Ou seja, uma dinheirama.
Com isso, o Google faz a sua parte: paga aos músicos os valores devidos. A questão é se o Ecad vai pagar todos os que têm direito a receber. Na prática, se você colocou uma música que tem qualquer participação sua no YouTube, tem direito a receber – mesmo que não seja associado ao Ecad ou às associações que o constituem. Afinal, sua parte já está sendo cobrada por você".

Estes são trechos do artigo "O mistério do E-cad", publicado por Ronaldo Lemos em sua coluna "Código Aberto" na revista Trip de Março de 2011. Longos 12 meses depois, o Ecad virou manchete ao cobrar ilegalmente de blogs que veiculavam vídeos do YouTube com músicas e que serviu de estopim para que seu nebuloso funcionamento fosse alvo de muitas matérias, com destaque para as publicadas no Farofafá.

Referência em direito autoral na internet, Ronaldo Lemos é figura essencial na divulgação do Creative Commons e pesquisador da cultura digital. Além de sua coluna na Trip, apresenta o programa Mod na MTV e foi um dos fundadores do Overmundo.  Na "Cógido Aberto", Lemos demonstra como a cultura digital é parte cada vez mais essencial da cultura contemporânea e afeta aspectos distintos de nossas vidas, desde nossas relações interpessoais à economia das nações.

Atento às transformações culturais, os textos mensais de Lemos abordam vanguardismo, tecnologia, mudanças sociais e registram  pontos importantes da cultura contemporânea que poderiam facilmente passar despercebidos. A música tem destaque em suas colunas e serve como base para se (tentar) entender uma série de mudanças comportamentais e do mercadológicas, como as destacadas nos textos "Radinho de pilha 2.0" ("Nas periferias da América Latina, as músicas mais populares circulam hoje em celulares"), "Chupa chups musical", "A mensagem é o meio" (de 2009, quando fazia sentido escrever "Quem faz rock independente utiliza o MySpace, já a música de periferia prefere o Youtube", hoje pode-se trocar o MySpace pelo Facebook) e "Os números erram" ("dinheiro público x combate à pirataria").

* Ilustração de Luba Lukova publicada junto a uma das colunas de Lemos na revista Trip.

5 de abril de 2012

Todas as edições da revista [] Zero para download

Publicação fundamental do jornalismo musical produzido no Brasil no início dos anos 2000, a revista [] Zero teve vida curta (14 edições), porém marcante. Cobriu a lacuna deixada pela Bizz durante um período, contribuiu na formação musical de muitas pessoas e estimulou outros a se aventurarem no jornalismo cultural. No início de 2002, o Leo Santiago (meu irmão), fez uma matéria sobre o lançamento da revista - publicada aqui no Meio Desligado em 2007. Agora, todas as edições da revista estão disponíveis no site do Luiz César Pimentel, um de seus criadores.

A qualidade da digitalização é ruim mas permite a leitura de algumas matérias. Mesmo com esse problema, vale para se ter noção das pautas e das bandas abordadas na publicação (principalmente as brasileiras independentes que, em sua maioria, já acabaram).

É até estranho pensar que houve uma época em que boas revistas eram vendidas por R$ 4,90.