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20 de outubro de 2012

Sexy Fi - Nunca te vi de boa (2012)

"Moloque doido", "mais um comédia vai rodar" e um refrão com "boto fé". Assim começa o primeiro álbum da brasiliense Sexy Fi, Nunca te vi de boa. Frases e termos presentes no cotidiano mas que dificilmente imaginaríamos em canções de indie rock. O estranhamento, apesar da familiaridade com os elementos principais que compõem o trabalho da banda, é recorrente também na sonoridade da Sexy Fi. Rock experimental diluído entre referências e influências musicais como bossa nova, indie e pós-rock, remetendo, às vezes em uma mesma música, a grupos aparentemente distantes como Tortoise, Dirty Projectors e Tool (em "Feeling Asa Sul, Looking Asa Norte" e "Brasília Graffiti").


Apesar de ser um grupo novo, a base do Sexy Fi é a Nancy, banda que teve relativa divulgação no meio alternativo na década passada e chegou a ser destaque no Meio Desligado também. Após uma interrupção nas atividades, a banda voltou com nova identidade - resultado de mudança de integrantes e sonoridade. 

Na época da Nancy, a vocalista Camila Zamith morava na Inglaterra e a maior parte do processo de composição acontecia pela internet. Agora, vivendo em São Paulo enquanto o restante da banda permanece em Brasília, ao menos a circulação do Sexy Fi deve ser potencializada. O fato de ter morado no exterior deve ter contribuído para que as letras em português (alternando com o inglês em alguns momentos) destoem do que geralmente se ouve, com palavras e termos inusitados ao longo das músicas.


A surpreendente estreia da banda foi gravada e mixada por John McEntire, do Tortoise, e contou com a ajuda de Munha, do Satanique Samba Trio, na concepção artística. Quase um álbum conceitual sobre a vida em Brasília, Nunca te vi de boa tem a maioria dos nomes das músicas relacionadas à cidade ("Roriz 2010", "Plano: pilotis", "Feeling Asa Sul, Looking Asa Norte" e "Brasília Graffiti"). Quem dera se Brasília fosse uma cidade tão bonita e singela como na versão do Sexy Fi...

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