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22 de fevereiro de 2012

O Carnaval do amor (politizado) em Belo Horizonte

Bloco da Praia da Estação em frente à Prefeitura de Belo Horizonte
Um ano atrás, era muito improvável, tanto na minha vida como na de muitas outras pessoas, planejar permanecer em Belo Horizonte durante o período de Carnaval sem que isso se limitasse a uma programação alternativa à festa. No entanto, uma movimentação relativamente recente (e crescente) tem espalhado uma sensação de tomada das ruas pela capital, utilizando cultura e diversão como principais ferramentas.

Desde o dia 15 de Fevereiro, quarta-feira, meu primeiro Carnaval em BH provou-se intenso e marcante. Enquanto 4instrumental e Festenkois se preparavam para tocar no Nelson Bordello, centenas de pessoas lotavam a parte inferior ao viaduto Santa Tereza em um bloco animado por músicas de Tim Maia ("Chama o síndico") até quase três da madrugada.

Bloco Chama o Síndico debaixo do Viaduto de Santa Tereza
Tentando recapitular agora é extremamente difícil elaborar uma cobertura em ordem cronológica dos últimos dias, mas é certo que foram dias especiais. Blocos lotados fizeram a festa principalmente nos bairros Santa Tereza e Santa Efigênia (e também no centro da cidade e na Savassi, além de outras regiões nas quais não estive). Os principais pontos de agitação foram o Bar Brasil 41 (com o bloco do Peixoto e do Aproach, versão carnavalesca da banda de rock instrumental / surf music Proa) e duas praças de Santa Tereza mais conhecidas pelos bares que ali se encontram: o Bolão e Orlando. Na praça do Bolão, aliás, um dos momentos mais incríveis desse carnaval, com milhares de pessoas presentes para participar do bloco/banda da Alcova Libertina, que fez versões carnavalescas para bandas como Strokes, White Stripes, Blur, Beatles e Nação Zumbi.

Um dos motivos para a "carnavalização" da capital parece ser justamente o agrupamento de jovens "agitadores culturais" (termo besta que reproduzo na falta de melhor substituto - meu corpo ainda está se recuperando) em coletivos culturais, como a própria Alcova Libertina, Outro Rock, Fora do Eixo e também em coletivos informais, agrupamentos de pessoas com interesses comuns e ativos politicamente. Carnavalizar é um ato político por essas bandas.


Foi um carnaval de agitação e amor, explicitado nos rostos marcados pelas adesivos em formato de coração distribuídos pelo Bloco do Amor e que estavam presentes em pessoas nos mais diversos cantos, a toda hora do dia. Dias de festa que deram continuidade à efervescência cultural vivida em BH em 2012 e que também fortaleceram questões políticas, seja na manifestação pacífica contra o Prefeito Márcio Lacerda em frente ao prédio da prefeitura ou através de marchinhas sobre políticos corruptos, como a já famosa "Coxinha da madrasta". O único incidente violento que presenciei, aliás, envolveu uma questão política e foi executado pela Polícia Militar, que explodiu uma bomba em plena Avenida Afonso Pena para dispersar o bloco da Praia da Estação que, naquele momento, estava cantando uma marchinha anti-prefeito - que começa com "M" e termina com "erda" mas não é suficiente pra acabar com a festa.

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