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6 de fevereiro de 2012

Cícero e a dor de buscar a felicidade em BH

- Adoro esse som, é tipo levar um chute no saco!
- Mas isso é ruim, doi...
- Dor é legal!

Não fosse o fato do diálogo acima ter sido trocado entre duas meninas, a conversa ouvida durante o show do Cícero no último sábado em BH seria compreensível. Sua bossa indie é carregada de melancolia, mas positiva, otimista. A trilha sonora de quem usa o sofrimento como combustível para alcançar a felicidade e o bem-estar. 

As mais de 500 pessoas que lotaram o Studio Bar para vê-lo (e as bandas locais Monograma e Transmissor, que abriram a noite) pareciam compartilhar o mesmo sentimento, num movimento de entrega coletiva como há muito não se via (desde a época do Los Hermanos, que se repetirá em breve, com o retorno da banda).

Cícero é praticamente um fenômeno da música independente brasileira. Seu CD Canções de Apartamento (download gratuito) foi lançado no meio de 2011 e desde então suas músicas se alastraram pelo país cativando um público carente por um artista com a sensibilidade e o talento para criar canções tão singelas, cativantes e empáticas. Parece o resultado de um artista (ou de uma geração) que cresceu marcado pela transformação marcada pelo Bloco Do Eu Sozinho ao mesmo tempo em que abraçava os discos de Caetano, Chico e João Gilberto e mantinha os ouvidos receptivos às dissonâncias do rock alternativo estrangeiro.


Se no CD o aspecto intimista é ressaltado até no título, ao vivo as músicas ganham força, como se o peso percurssivo e a distorção dessem a aspereza necessária para tornar todo o conjunto mais intenso e certeiro. Ao vivo, fica clara a identificação do público com as letras. Durante praticamente todo o show as músicas foram cantadas pelos fãs, que logo nas primeiras notas de cada música se manifestavam de forma exaltada mais rápido do que um participante do "Qual é a música?".

Sentado com o violão no colo durante todo o show, Cícero não precisou de muitos artifícios para provocar a empatia do público. Como o próprio escreveu no Facebook, foram mais confetes, palmas e carinho do que ele jamais pensou receber algum dia. Calma, Cícero. Vem mais por aí.

Ps.: Por causa da pornografia de uma pesquisa perdi os shows do Monograma e Transmissor, por isso apenas as breves citações a ambas as bandas.

A bela foto que ilustra este texto é da Júnia Mortimer, do Coletivo Pegada, realizador do show (o segundo de Cícero em BH, sendo que o primeiro havia sido em um pequeno auditório para 60 pessoas).

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