31 de dezembro de 2012

Tchau, 2012


O que aprendemos em 2012? Se pudesse responder assim tão facilmente, em poucas palavras, certamente não chegaria a um resultado muito positivo. Eu realmente não me importo muito com mudanças de ano e recortes temporais definidos. O principal ponto de uma virada de ano é a esperança de renovação que ela carrega consigo, mas, a partir do momento em que você se sente confortável com a noção de que é você o responsável pela maioria das mudanças que podem acontecer - e (tentar) fazer isso a qualquer momento, durante toda a sua vida - a expectativa que marca essa época do ano passa a ser opcional. No fim, é apenas uma forma de facilitar a organização das memórias e experiências em nossas mentes.

Pensando nisso, o que marcou esses últimos 300 e tantos dias? As coisas têm acontecido tão rapidamente (e em grande quantidade) que muitas vezes a organização temporal dos acontecimentos fica confusa. Coisas que já parecem distantes ocorreram talvez semanas ou apenas dias atrás. A tal velocidade da informação e o grande fluxo de comunicação embaralhando a ordem de tudo.

Assim, é extremamente difícil para mim uma retrospectiva sincera e pessoal deste ano. Obviamente, alguns acontecimentos se destacam, apesar de ficar a certeza de que outros muitos também importantes/prazerosos virão à mente em momentos futuros.

Uma das certezas é que 2012 não foi o melhor ano do Meio Desligado. Por outro lado, isso reflete a agitação da minha vida pessoal e como isso afeta o blog. Foi um ano de muitas e intensas experiências, nem sempre positivas para a qualidade e periodicidade do Meio Desligado, mas cruciais para mim.

Passei os primeiros 4 meses do ano trabalhando em um negócio próprio, a maior parte do tempo em casa. Um experimento no meio de comunicação digital que depois de um breve período decidimos (eu e meus dois parceiros nessa empreitada) não levar em frente como nosso objetivo principal.


Fiz viagens incríveis nas quais aprendi muito, conheci pessoas que mudaram a minha vida de diferentes formas, trabalhei com empresas e pessoas diferentes, errei, testei muitas coisas, errei mais, perdi, gastei e também deixei de fazer coisas que tinha planejado.

Pausa. 

O que me faz lembrar de um pensamento recorrente de que todos os verbos referentes a coisas positivas terminam em "ar" ou "ir", sendo estes próprios, referentes às duas coisas que seriam a essência da vida: respirar (se manter vivo) e se movimentar (não permanecer em um mesmo lugar). Faça o teste, pense em verbos no infinitivo. "Comer" é uma das poucas exceções à regra de "ir" e "ar").

Voltando.

A sensação agora, refletindo sobre tudo o que aconteceu e tem acontecido, é de que caberiam alguns outros anos dentro deste 2012, tamanha a quantidade e diversidade de acontecimentos e experiências. E, repetida muitas vezes nesse texto, "experiência" talvez seja a palavra que fique na minha mente ao lembrar dos últimos 12 meses. Para o que vem pela frente, fica a sensação de que terei muito o que fazer, principalmente no que diz respeito ao meu novo "empreendimento" (sempre me vem uma imagem de prepotência quando leio essa palavra), a quente.

Às vezes todo o acontecimento é tão inesperado que é difícil de ser entendido e chega até mesmo a extrapolar sua capacidade de se surpreender com aquilo. Talvez 2012 seja um pouco assim e leve um tempo pra entender melhor tudo isso. De qualquer forma, o processo foi divertido.

27 de dezembro de 2012

Cena independente: melhores do ano

Ao longo do ano, no fim de cada mês, blogs representantes de cerca de 15 Estados brasileiros publicaram as edições da Cena Independente, coletânea que divulga a nova música produzida no underground brasileiro. Neste mês de Dezembro, os editores dos blogs participantes do projeto votaram nas músicas que mais gostaram dentre as enviadas em todas as edições da coletânea e o resultado você confere abaixo. Em Minas Gerais, Estado representado pelo Meio Desligado, a escolhida foi a Câmera, banda de indie rock com dois EPs no currículo e que em 2013 lançará seu primeiro álbum. Entre os escolhidos em outros Estados também marcam presença alguns dos destaques da cena indie em 2012, como os novatos Cambriana, Silva e Mahmundi, e "veteranos" como Macaco Bong e ruído/mm.

Faça o download da coletânea ou escute as músicas abaixo.





Blogs curadores
Atualmente o projeto conta com 16 blogs de todas as regiões do país, mas ainda há bastante espaço para novos parceiros, principalmente das regiões norte e sul. Caso seu Estado não apareça na lista, entre em contato conosco e torne-se mais um blog curador da Cena Independente.

Norte
PARÁ: MusicaParaense.Org

Nordeste
ALAGOAS: Sirva-se
BAHIA: El Cabong
CEARÁ: Implosão Sonora
MARANHÃO: Shock Review
PARAÍBA: Atividade FM
PERNAMBUCO: AltNewspapper
PIAUÍ: UpTune
RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground

Centro-oeste
GOIÁS: Alice Ilícita
MATO GROSSO: Factóide

Sudeste
ESPÍRITO SANTO: Ignes Elevanium
MINAS GERAIS: Meio Desligado
RIO DE JANEIRO: RockInPress
SÃO PAULO: Move That Jukebox

Sul
PARANÁ: Defenestrando

15 de dezembro de 2012

Music Alliance Pact de Dezembro com Metá Metá

Click the play button icon to listen to individual songs, right-click on the song title to download an mp3, or grab a zip file of the full 39-track compilation through Ge.tt here.


ARGENTINA: Zonaindie
Before you ask, Olga is not a solo artist but a band led by Roger Delahaye with Florencia Zavadivker and Luciano Lasca. Together they deliver electronic pop songs that near perfection, so it was hard to pick just one for MAP. Olor De Nuevo is our favorite from their new album, Gracias Tonales, which you can stream and buy from Bandcamp

Sunk Junk - Jr
If Sunk Junk represent the calibre of young bands coming out of Oz, no-one can justify not being able to find decent new music ever again. Sunk Junk have only released one home recorded EP, but it's definitely the most impressive thing we've heard all month. The elaborate percussion in Jr only feeds this assertion - weaving its labyrinthine way around intricate guitar lines and a hypnotic croon that could be easily mistaken for Jeff Buckley's ghost. A sprawling track which teeters on the stark side of melody and mania, Jr is definitely a marker of good things to come from this band.

AUSTRIA: Walzerkönig 
Morning Light contains some of my favourite lyrics: "We held hands and cried until the morning light". Isn't the idea of sharing one's sadness with someone else just such a beautiful thought? After four successful records in Austria, singer-songwriter Clara Luzia recently released her international debut album The Range, a compilation of songs from her previous albums. 

BRAZIL: Meio Desligado 
Ethno math-rock could be a way to try to explain the sound of Man Feriman, a song from the album MetaL MetaL from Paulistan project Metá Metá. Sung in Yoruba (a West African language), it has elements of African liturgical music, free jazz and alternative rock, with a three-verse lyric that is repeated over the song to create an experimental, dark mantra. 

Montreal "Hindi rockers" Elephant Stone defy easy categorization. Echoes of The Stone Roses, The Kinks, Sloan and Big Star abound, but in the end the band crafts their own unique sound. Their sophomore self-titled LP is due early in 2013, but Elephant Stone have been teasing Canadian fans for the past few weeks with Heavy Moon. 

CHILE: Super 45 
In just a few years, Protistas has become one of the most active bands in the Chilean indie rock scene. They frequently perform in Santiago, with appearances on blogs' multimedia shows and local festivals (Primavera Fauna, Pulsar), along with tours across Chile and Argentina. They have released two albums and an EP since 2009. Their melodies combine the poignancy of Sebadoh with the urgent impact of Guided By Voices, in a style they've named "wild pop" - bittersweet songs with an explosive, intense guitar sound. 

CHINA: Wooozy 
As one of Shanghai's most talented new bands, Rainbow Danger Club has been wowing music fans since 2010. Their theatrical live shows, fantastical lyrics and lush arrangements have drawn comparisons to Arcade Fire, The Decemberists, David Bowie, Pink Floyd and Hector Berlioz. Last month they released their new 12-track Into The Cellar EP. 

Lucrecia Dalt's musical journey has taken her from the city of Pereira to Barcelona, Spain, where she currently lives. With guitar and drum machine she makes introspective music with many layers that stirs the imagination of the listener. She has traveled the road of independence and now with Conversa, from her 2012 album Commotus, she grabs our attention again. 

DENMARK: All Scandinavian 
I know December is supposed to be all about lights and happy times, but here's a MAP exclusive track and a band that is almost exactly the opposite. There are six of them, they call themselves The Woken Trees and they've recorded an awesomely bleak and hard-hitting post-punk debut album which is sure to make waves everywhere when released on January 28. 

DOMINICAN REPUBLIC: La Casetera 
Juango Dávalos borrows his musical inspiration from the 80s, but the songs he composes are surprisingly fresh and modern. 6PM is part of his most recent album, Réplica, which is also available as a free download.

ECUADOR: Plan Arteria 
Swing Original Monks broke into the musical scene in early 2010. The band offers a proposal that is both visual and aural, feminine and masculine, provocative and subtle. The inventiveness of these musicians extracts the essence of popular music with the picturesque landscapes and absurdities of our society. Swing Original Monks is not a fusion band, it's an infusion band. 

Swiss Lips are a five-piece from Manchester who are more Delphic than Courteeners. Carolyn is part of the city's electronic history rather than its less illustrious trad-rock one. They use the fizzy electro-pop medium to express feelings of longing for better days. "Most of the songs we've written seem to be about looking back on being a teenager and that wide-eyed optimism about the world," they say, which might explain the giddy chorus to Carolyn - "Hey, hey, Carolyn, get into my car/Keep your feet up on the dashboard" - and its memory of illicit abandon. 

FINLAND: Glue 
Helsinki band Murmansk play loud noise-rock built from powerful guitars and upfront bass and drum beats. Their songs are notable for their propensity for melody and the energetic performance of vocalist Laura Soininen. Mercury is part of the band's recently released third full-length album Rüütli.

FRANCE: Yet You're Fired 
Lescop - La Forêt
Mathieu Lescop, singer for the rock band Asyl, recently started a solo project and released an eponymous album in October under the name Lescop. Heavily influenced by the French (Étienne Daho, Daniel Darc) and British (Joy Division, New Order) coldwave and new-wave, he achieved much success in France with his single La Forêt, and consequently is the most talked-about artist in the country. 

GERMANY: Coltran 
Binoculers is an artist you might easily overlook, given the reserved attitude of Nadja Ruedebusch. But you would miss some of the most thoughtful folk music Germany can currently offer. This is the kind of thing you might like to hear on a foggy winter's day or a sparkling spring afternoon when you lay down in the grass for the first time that year. Binoculers' third album, There Is Not Enough Space In The Dark, has just been released. 

10 de dezembro de 2012

Nova música instrumental mineira em museu de Nova York

Em Setembro, foi realizado o Brazilian Music Day, uma data para a celebração da música brasileira no exterior. Como parte disso, o museu ARChive of Contemporary Music, de Nova York, me convidou para fazer uma curadoria de músicas brasileiras contemporâneas e pediu que fizesse um recorte temático bem definido. Decidi fazer uma seleção que chamei de "Nova geração da vanguarda da música instrumental de Minas Gerais" (apesar de ter ficado muito em dúvida sobre o uso do termo "vanguarda").

Abaixo, um resumo dos textos que enviei sobre cada banda.

Dibigode - dibigode.com 
Com influências que passam por nomes locais como Uakti e Milton Nascimento e bandas estrangeiras como Tortoise e Battles, o Dibigode caminha por um pós-rock abrasileirado marcado pelas linhas melódicas e dinâmicas.


Constantina - constantina.art.br
Trilha sonora para sonhar acordado, pós-rock com um pé na África.


Barulhista - barulhista.com
Música complexa para dançar sentado (baseado em definição do próprio artista).

Iconili - iconili.tumblr.com
Afrobeat temperado com free jazz e música brasileira, feita por esse grupo de 11 pessoas com um background no jazz e no prog rock.


Lise - www.projetolise.com 
Experimentos eletroacústicos dessa one-man band que ao vivo sempre resulta em novas experiências, fruto das parcerias com diferentes artistas da cena underground.

4instrumental - 4instrumental.tnb.art.br 
Música clássica, rock progressivo, metal alternativo, Clube da Esquina, mangue beat e latinidades constroem o som deste quarteto virtuose, cujo estilo de vida é algo como "hippie hi-tech".

oscilloID - www.oscilloid.net
The oscilations between languages and several techniques, the dancefloor and the family Sunday lunches, the Tai Chi and the puns, the adiction on movies and the umbanda, the phonographic industry transmutation and the information burst on the web, the “mouse-fingering” and the “guitar-sequencing”, the free software and the comunities, the kung-fu and the bohemic lifestyles, the love for the family and for the friends… the will to express through the sonorous pulsation, the spirit of a musical ID in constant development and transformation.

3 de dezembro de 2012

1 de dezembro de 2012

Cena Independente #11

Com certo atraso, a nova edição da coletânea mensal Cena Independente, publicada por blogs de diferentes Estados brasileiros com representantes locais da música independente/alternativa.




MINAS GERAIS: Meio Desligado
Matéria Prima – Paraísos Artificiais
hip hop
Um dos vocalistas do Zimun, banda belo-horizontina que mistura hip hop e jazz, Matéria Prima lançou em 2012 o EP "Material de Estudo", seu primeiro trabalho solo. Resultado das parcerias com diversos produtores, o EP apresenta uma sonoridade contemporânea e urbana, com letras que retratam a vida cotidiana nas cidades e seus desafios.
Para quem gosta de: Zimun, Quinto Andar, Emicida

O Jardim das Horas – Incontrolável
experimental/música boa style/trip-hop
Um dos trios mais legais desse país nasceu debaixo do sol escaldante de Fortaleza e isso me causa muito orgulho. Laya Lopes (voz), Carlos Eduardo Gadelha (guitarra e programação) e Raphael Haluli (baixo) fazem uma misturada linda da malemolência de quem-caminha-no-meio fio-da-linha-do-equador e de um trip-hop que lembra bastante Portishead. Não tem como não se envolver e navegar na voz macia de Laya. Em 2010 lançaram seu primeiro disco “O Quarto das Cinzas”, que já batizou o nome da banda. Assistir um show deles é como entrar numa realidade alternativa, onde tudo caminha mais devagar e transborda desejo. Desejo de continuar, de entrar em combustão, de mergulhar na surpresa.
Para quem gosta de: Portishead, música boa, malemolência, encontros.
Mais de O Jardim das Horas no blog


RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
Fukai – Zion
rock alternativo/surf rock
Formado por remanescentes do Fewell, o Fukai começou suas atividades em junho deste ano com a proposta de fazer um som com forte influência do rock alternativo noventista numa vibe good trip que embale e faça dançar. “Zion”, seu primeiro single, guarda também certa afinidade com o surf rock. A faixa deve entrar no primeiro EP dos caras a ser lançado ainda neste ano. O material foi gravado e mixado por Dante Augusto (Calistoga), que acabou entrando na banda no final do processo.
Para quem gosta de: Incubus e John Frusciante

SÃO PAULO: Move That Jukebox
The Perfect Needle – Look Around
noise/post-punk/shoegaze
Vocais ecoados e obscuros, que remetem ao começo do post-punk, se somam a guitarras barulhentas e cheias de microfonia para dar origem ao som do The Perfect Needle. A banda é, na verdade, o projeto paralelo de Thiago Werlang, um dos membros da boa Looking For Jenny, grupo paulistano que já indicamos na sétima edição da Cena Independente.  Com ótimas referências no gatilho, Thiago aproveita bem os três minutos de seu primeiro registro solo para fazer uma estreia imponente e cheia de potencial.
Para quem gosta de: A Place To Bury Strangers, New Order, The Horrors

PIAUÍ: UpTune
V-Road – Survive
grunge/rock
V-Road é uma das mais novas bandas da cena teresinense. Misturando acordes simples a distorções fortes e letras que refletem indiretamente a insatisfação de uma existência humana, a banda acaba de lançar o single “Survive”, gravado no OrangeStudio com participação do guitarrista Renato Rocha do Detonautas Roque Clube sob uma perspectiva “berrante, marcante e excitante”. A faixa foi lançada juntamente com um clip a partir dos registros de estúdio.
Para quem gosta de: Nirvana, Pearl Jam, Foo Fighters

ESPÍRITO SANTO: Ignes Elevanium
Trino – Oposição
death/thrash metal/hardcore
A união do heavy metal extremo ou do hardcore pesado com a temática cristã parece ainda ser vista com certo desgosto, tanto da parte de quem curte umas pancadas na orelha como dos religiosos. Só que num contexto geral Trino protesta contra a própria religião e seu poder de alienação e manipulação, se declarando abertamente antirreligiosa. Esse ano, após uma reformulação no line-up, lançaram o AntiBesta, um disco novo mas com algumas regravações, como Oposição, Sofisma e 666 Corporation.
Para quem gosta de: Sangue Inocente

GOIÁS: Alice Ilícita
Mad Matters – Seems Like Crushed Rock
rock'n’roll
Com menos de dois anos a galera da Mad Matters já compartilhou o palco com bandas como Forgotten Boys e Macaco Bong. Fazendo seu rock 'n’ roll que, diga se de passagem, é da melhor qualidade, a galera da Mad Matters já tocou em festivais como Vaca Amarela e Grito Rock, ambos festivais independentes renomados aqui no Goiás. Indico aqui “Seems Like Crushed Rock”, música que faz parte do 1º EP da banda que, por sinal, está disponível para download no TNB dos caras. Então não percam tempo, corram lá e baixem logo. Espero que curtam, o som Mad Matters é "mió que tá teno'. \é/
Para quem gosta de: Hellacopters, Wolfmother e rock 'n roll de qualidade

29 de novembro de 2012

Cobertura de uma longa viagem através das fotos que não fiz

15 de Novembro, Ana Rosa, São Paulo
Origamis coloridos, pendurados em barbantes, decoram o centro do bar. Ao fundo, camisetas de bebê com estampas de bandas de rock também estão penduradas e complementam a decoração improvisada. Enquanto um gordinho de óculos grita ao microfone (cantando Tim Maia, mas impossível saber isso através da foto não feita), um sorridente Jair Naves gira no chão em um movimento inesperado (porém aplaudido), com a mesma sagacidade com que se joga do palco ou sobe nas estruturas montadas em seus shows. À sua esquerda, Siba permanece sentado, olhar intelectual, concentrado na conversa com a bela mulher ao seu lado. Fernando Catatau estava do lado de fora e não sairia na foto (e provavelmente não se deu conta do que acontecia por ali).

1º de Novembro, Lapa, Rio de Janeiro
As duas dançarinas/acrobatas estão na linha dos meus olhos. Estou na parte de cima do Circo Voador e elas, há metros do chão, penduradas em tecidos presos ao teto do local. Apesar dos corpos definidos e dos muitos volumes, ressaltados pelas roupas justas, fica claro os poucos anos que cada uma carrega. Ao meu lado, encostado na barra de proteção (da qual esqueci o nome), um hippie universitário (que em Minas seria simplesmente chamado de "tilelê") as fotografa. Ao fundo da imagem, o Iconili se prepara para a passagem de som para o show que faria ali, horas mais tarde, para centenas de pessoas. Dos 11 integrantes da banda, seis estão olhando para a dança/acrobacia das garotas, três estão concentrados em seus instrumentos e dois não apareceriam na foto, pois saíram para fumar maconha.

10 de Novembro, Leblon, Rio de Janeiro
Um close em uma escada de madeira fina, com poucos degraus, aparentemente molhados. Ao fundo, percebe-se que a escada leva a um palco. Ao lado da escada, um dos integrantes do Dibigode aparece borrado pelo movimento, levando as últimas cervejas do camarim. Faço a foto antes que o Ed Motta suba essa mesma escada e aposto R$ 20 que ela quebrará com ele. 

14 de Novembro, Vila Madalena, São Paulo
Sentados na cozinha, ao redor de uma mesa circular coberta com plástico branco de detalhes azuis, sobre o qual estão um pacote de pão, uma embalagem de 1 litro de suco de uva e meio croissant que comprei no dia anterior (quando a atendente da padaria ria do meu sotaque mineiro e pedia, com uma mistura de prazer e dó, que eu repetisse cada palavra), estão Felipe Cordeiro e seu pai, Manoel Cordeiro, compondo. Manoel está de costas, pode-se ver apenas o braço do violão que carrega no colo. Felipe está de frente para ele, bigode e cabelos atrapalhados, sorrindo. Tocam uma música que compõem em parceria com um renomado artista de São Paulo e que ficaria na minha cabeça por longas horas.

13 de Novembro, Pompeia, São Paulo
Em frente à entrada do camarim da Choperia do Sesc Pompeia, acima da cozinha da unidade do Sesc, paro, de costas para a entrada, e faço uma foto de mim mesmo. Quatro anos antes, naquele mesmo lugar, registrei o momento da minha primeira viagem como produtor cultural. Não gosto da foto e a refaço três vezes. No fim, desisto e encho de efeitos no celular.

12 de Novembro, Rua Augusta, São Paulo
Parece cena de churrasco na casa de um bicheiro, mas estamos durante a madrugada em um "bar de acompanhantes". Apareço na foto com duas garotas seminuas me abraçando, uma de cada lado, fazendo V com os dedos para a foto e, ao fundo, o churrasqueiro oferece um espetinho (gratuito),  a um japonês de óculos, com seus trinta e poucos anos, todo sorridente.

16 de Novembro, Casa das Caldeiras, São Paulo
Estamos eu, o Emicida e a Renata, produtora dele, no camarim, de pé, enquanto o pessoal do Mãodeoito conversa sentado, ao lado. O Emicida sorri e lembra de quando nos encontramos em Londres, enquanto ele traficava Guaraná Antarctica no Barbican. Ele segura um adesivo do Iconili e a Renata, uma camisa da banda. O suor escorre na minha teste e cai no meu olho, fazendo com que ele saia fechado na foto.

23 de Novembro, Centro, Rio de Janeiro
A imagem é apenas um borrão em tons de ferrugem com um rastro de luz incandescente. A foto seria de um dos muitos vagões deteriorados da estação Leopoldina, com sua decadência transformada em atração durante a realização do festival Back2Black. No momento da foto, o baixista da banda ______ (melhor não contar o nome), me puxa pelo ombro e conta que Patrícia Pillar e Regina Casé estão por ali e, acredite, pretende abordar (com interesses sexuais) a primeira delas que encontrar. Finjo que vi a Nneka no meio da plateia, aponto a direção, e ele parte.

27 de novembro de 2012

O encontro do Rage Against the Machine com a Companhia do Pagode


Obra do Rafael Bertazi, que também teve a audácia de misturar David Bowie e Gaby Amarantos, Ramones e Roberto Carlos, Talking Heads e Tim Maia, Gorillaz e Mutantes, entre outros, conforme você pode ouvir aí em baixo.


26 de novembro de 2012

Dicas de aplicativos: QR codes, fotos 360º, postais hipsters e outros

Echoism
Costuma-se dizer que a simetria é parte crucial no potencial de atração de um rosto. Quanto mais simétrico, mais atraente. O aplicativo Echoism lida com a questão de forma crítica e artística, reprozindo, simetricamente, os dois lados dos rostos fotografados, com resultados, digamos, inusitados.
Disponível gratuitamente para iPhone e online.



Hipster
Cartões postais digitais e hipsters. Alguns efeitos simulam até a textura e amassos dos papeis. Não é um app para o uso diário e tem poucos efeitos relevantes, mas eventualmente pode gerar bons resultados.
Disponível para download gratuito no iPhone e plataforma Android.





Photosynth
App gratuito criado pela Microsoft para a criação de imagens em 360 graus. Mais difícil de usar do que o concorrente Dermandar (pago), mas pode gerar resultados incríveis, como a imagem abaixo.
Disponível para Windows Phone e plataforma iOS (Apple).



QR reader, i-nigma e Paperlinks
Três opções de leitores de QR code para iPhone. O i-nigma (versão para iPhone e Android, outras no site do desenvolvedor) tem interface um pouco infantil, o Paperlinks é minimalista e tem o melhor design e o QR reader, mesmo em sua versão gratuita, se sobressai por ser o único aplicativo, entre os três analisados, capaz de criar QR codes.

25 de novembro de 2012

3 vídeos

O experimentalismo do Cidadão Instigado, o saudosismo de Thiago Pethit e o amor lisérgico de Karina Buhr.


15 de novembro de 2012

Music Alliance Pact: mais de 50 edições!


Edição comemorativa da Music Alliance Pact. Teste seu inglês aí, com uma seleção especial com alguns dos artistas independentes mais interessantes de 40 países. O download completo da coletânea pode ser feito aqui.

ARGENTINA: Zonaindie 
For the 50th edition of MAP we have chosen a brand new band from a western suburb of Buenos Aires. Plástico's sound is a mixture of trip-rock with some electronic and acoustic elements that caught the attention of famous producer Raphael Gordon (The Strokes). Together they recorded a couple of tracks. One is Subir Al Tren, which was used on their first video. The other is Cinicos, previously unreleased, which is a great preview of their upcoming debut album. 

It's hard to pin down what exactly defines that distinct 'Australian' sound. For all the ringing guitar riffs and choruses sung in unison etched into our collective memory, there's something about Australian music that still flails an antipodean flag. We isolate ourselves on the coast; we recycle stories about strangers, lovers and backyard melancholia; we make poetry championing the suburbs. Melbourne singer Courtney Barnett is certainly at home on her track History Eraser. A colloquial ode to The Triffids, ticket inspectors and nights with good company, this track is a perfect summary of the earnest freewheelin' and rambling wit that makes music from this end of the world just so great. 

AUSTRIA: Walzerkönig 
Outer Space Dancer is the first single from the new, fourth Mauracher album Super Seven, out now on Fabrique Records. For this album, Tyrolean electronic musician Hubert Mauracher has teamed up with singer Sonia Sawoff (of Sawoff Shotgun). Together, they create synth-filled dream-pop with ethereal lyrics such as, "When I close my eyes, I stop thinking". 

BRASIL: Meio Desligado 
From our capital Brasília comes Sexy Fi, a band that knows how to make a good first impression. Their debut album was produced by John McEntire (Tortoise) and received great reviews in Brazilian alternative blogs. "Pequeno Dicionário Das Ruas" is the song that opens the album and sees them experiment with indie-rock, resulting in a tropical, alternative sound. 

Toronto duo Some Minor Noise's Tape Experiment gets its name from the fact that every sound used, except the kick, snare and vocal, was recorded through a 13-year-old cassette deck, an Optimus CTR-117 (Google it), to a very worn cassette tape that's at least 10 years old. The end result has a richness and humanity that's very often missing from electro-pop, and a perfect example of Some Minor Noise's refreshing take on a familiar genre. 

CHILE: Super 45 
Synthesizer layers, guitars with heavy feedback and a lo-fi sound are the attributes of duo Nader Cabezas. On their new album, El Hijo Del Mounstruo, released through LeRockPsicophonique, their music goes deeper into this direction, resulting in dense and obscure rock but without losing focus on what matters - the songs. Doble En El Espejo is taken from this album. 

CHINA: Wooozy 
Chui Wan is a four-piece experimental psychedelic rock band from Beijing. Their lush arrangements of guitar, keyboard, viola, other assorted instruments and random sound samples often eschew reliable melodies and vocal harmonies in favor of occasional passages of minimal drone or maximal sonic layerings. They will have their debut release tour with Brooklyn-based band Psychic Ills in China this month.

COLOMBIA: El Parlante Amarillo
Alfonso Espriella - Cielo Adentro
Alfonso Espriella is a tireless and dedicated musician who has been making alternative rock for more than 10 years. Joel Hamilton produced his most recent EP, Anima, from which Cielo Adentro ("Heaven Inside") is taken. It evokes marked influences of acts such as Caifanes from Mexico or Robi Draco Rosa from Puerto Rico, with deep lyrics and an emotive sound.

DENMARK: All Scandinavian
The Savage Rose - Soldier On The Run
On Love And Freedom, The Savage Rose's 21st album since their eponymous debut in 1968, the legendary rock outfit stage love and politics on an amazing backdrop of hauntingly soulful rock - just as they did when they were a young band - taken to magical heights by frontwoman Annisette's breathtaking vocal and a performance I could never do justice to in words. Because it's anniversary time on MAP, here's a mindbogglingly exclusive download of Soldier On The Run.

DOMINICAN REPUBLIC: La Casetera
Janio Lora - Mi Nueva Edad
For this MAP special edition, singer-songwriter and dreamer Janio Lora has recorded a new demo. Produced by Argentinian composer Pablo Dacal, Mi Nueva Edad blends elegant tango melodies with poignant lyrics as a preview of what to expect from Janio's upcoming album.

ECUADOR: Plan Arteria
Da Pawn - Casi Siempre
A band's music lasts over time when its songs become part of a generation's culture. Da Pawn, one of the revelations of this year, reworks a popular single by the important electronic indie-pop band Can Can into a beautiful folk-rock song. This track is taken from the free download album Malas Influencias (Remixes y Reversiones), which celebrates the 10th anniversary of Can Can.

ENGLAND: The Guardian Music Blog
Dan Croll - From Nowhere (Ben Gomori's Staring You In The Eye Remix)
Dan Croll is a Liverpool Institute For Performing Arts graduate who doesn't like The Beatles, a folkie who's gone electronic, and a bespectacled boffin who is no softie - in fact, he could have played rugby for England until an accident waylaid his plans. Instead he's the new golden boy of indie Afro-tinged synth'n'b. From Nowhere is his debut single, a catchy slice of electro-pop with a breezy vocal about losing control and a hook designed to lodge in your skull.

FINLAND: Glue
Statues Made Of Matchsticks - If I Didn't Comb My Hair
Folk trio Statues Made Of Matchsticks joins the 50th MAP post celebration with an exclusive song recorded at their rehearsal room this month. If I Didn't Comb My Hair features the band's signature laid-back acoustic sounds and a sweet pop melody to create a perfect sunset-on-front-porch kind of song.

FRANCE: Yet You're Fired
Colours In The Street - Paper Child
Colours In The Street's members are still in high school but have acquired a big following with only two years behind them thanks to delightful pop songs with strong English influences and a very thorough sense of composition. Having won several contests with only the few songs from their first EP, Euphory, they decided to push further and have been recording a second EP, Paper Child, due out on December 15, from which this song is taken. Watch them playing an acoustic set in a bathroom here

GERMANY: Coltran
Touchy Mob - Seven Hills (Afternoon Touchymap version)
I'm very proud to present an exclusive recording by my favourite German artist Ludwig Plath aka Touchy Mob, who was first featured on MAP in February 2011. He has reworked his song Seven Hills with guitar, bass and rattle - resulting in something he calls 'fuzzybuzzy'. I love his velvet voice and how his attention to detail and songwriting skills make my hair stand on end.

4 de novembro de 2012

Pós-rádio #6


Amabis - "Menino horrível"
Jair Naves - "Pronto para morrer (o poder de uma mentira dita mil vezes)"
Flaming Lips - "Do you realize?"
Scarlett Johansson - "Falling down"
Matéria Prima - "Paraísos artificiais"
Helmet - "Unsung"
Black Drawing Chalks - "Disco ghost"
Meat Puppets - "Plateau"

Imagem: obra de Sarah Lucas.

3 de novembro de 2012

Coletânea Cena Independente #10

Desta vez o Meio Desligado e outros dois blogs acabaram ficando de fora da coletânea mensal Cena Independente, que reúne bandas alternativas de diferentes Estados brasileiros. A comunicação entre os participantes do projeto migrou para o Facebook e isso acabou um atraso nas informações, resultando na perda de prazo por parte de alguns blogs.

De qualquer forma, em Dezembro todos os 14 blogs participantes retornam (espero). E, até lá, você pode escutar a coletânea deste mês e/ou fazer o download da Cena Independente #10.

29 de outubro de 2012

Mistureba: editais e festivais

Edital para patrocínio de artistas termina dia 1º de Novembro. A inscrição é online.

Edital para seleção de projetos culturais recebe propostas até o dia 5 de Novembro. A inscrição também é online.

Mostra livre de artes, que acontece no Circo Voador (Rio de Janeiro), entre 31 de Outubro e 3 de Novembro. Tem Bixiga 70, Bambas Dois, Di Melo, Iconili e outras boas bandas na programação.

Mini-festival que acontece em BH, no Granfinos, dias 1º e 2 de Novembro. A programação tem Black Drawing Chalks, Fusile, Dead Lover's Twisted Heart e Pequena Morte.

25 de outubro de 2012

Pausa: puta confusão

Jaqueline era uma puta gostosa. Não que ela fosse puta, mas era mais que gostosa. Era uma puta gostosa. Apesar de não ser puta.

Raquel era uma puta gostosa. Não que ela fosse tão gostosa assim, mas, dentre as putas que ele conhecia, era gostosa. Uma puta gostosa.

Karina não era puta nem gostosa, mas o amava. Isso é o que importa, ele pensou, enquanto a traía com duas putas gostosas. 

24 de outubro de 2012

Promoção: ganhe vinis da Jennifer Lo-Fi e Zebra Zebra

No ano passado, fui curador do Rock in Vinil, que viabilizou a prensagem de 250 vinis para as duas bandas vencedoras do projeto, as paulistas Jennifer Lo-Fi e Zebra Zebra. Agora que recebi algumas cópias dos vinis, sortearei dois pares deles aqui no Meio Desligado. 

Para participar, o esquema é muito simples: basta enviar pelo Twitter que você quer os vinis e citar o @meiodesligado ou enviar pedido semelhante no Facebook, só que marcando a página do blog lá.

Em novembro, informo quais os vencedores. Boa sorte!

Aproveitando, aí vão os vídeos das bandas. Gosto muito da Jennifer Lo-fi.


Sangue não é champanhe

Recentemente um videoclipe cheio de belas cenas de mulheres nuas, registradas pela fotógrafa Autumn Sonnichsen, obteve certa repercussão na internet (mérito da parte visual, a despeito do áudio). O clipe em questão é o de "Sangue é champanhe", do Don L, do bom grupo cearense de hip hop Costa a Costa. Com imagens de bastidores de ensaios feitos por Sonnichsen e registros aleatórios filmados por ela, o vídeo é sexy e tem um charme falsamente despretensioso, mas a música fica muito aquém do conteúdo visual. Com o vocal marcado pelo auto-tune enjoado e letra fraca ("banheira de espuma feito a lua e a princesa nua", entre outras), assistir ao vídeo sem áudio era a melhor opção.

Incomodado, resolvi fazer uma versão alternativa, com o mesmo vídeo, mas outra música. A faixa instrumental que acompanha o vídeo é sobra dos tempos de P.U.T.A, não me lembro do nome (acho que foi a primeira coisa que gravei na vida).

Pode ser que continue ruim, mas foi uma tentativa...



O mesmo Don L lançou uma música até divertida na qual sampleou "Everlasting light", do Black Keys, e vende como se fosse uma "participação especial" da banda. Deve ter futuro no rap pop - ao menos a parte da picaretagem parece já ter aprendido.