Instagram

29 de abril de 2011

5 anos Fora do Eixo

Quando estive em Cuiabá no fim de 2010, senti que se tratava de um momento especial. Aquela não era apenas mais uma edição do festival Calango: era a última grande ação do coletivo Espaço Cubo antes do Fora do Eixo estabelecer-se definitivamente em São Paulo - uma aparente contradição que se desdobra em uma estratégia crucial para o fortalecimento da cadeia musical independente dentro e fora dos grandes pólos.

Entre grandes conquistas, polêmicas, críticas e elogios, o Fora do Eixo transformou de forma inédita não apenas o setor cultural brasileiro mas também estabeleceu novos parâmetros em suas relações sociais, econômicas e políticas. Após complicadas caminhadas estruturantes e de disseminação do "movimento Fora do Eixo", critérios estéticos até então tímidos na maior parte do tempo tornaram-se mais evidentes, fruto do trabalho realizado ao longo dos últimos anos, da troca de conhecimento, das conexões, da aproximação entre pessoas dos mais distintos locais e classes sociais.

Da garagem da minha casa ao Auditório Ibirapuera, cada espaço tornou-se um potencial palco para execução de ações transformadoras através da atuação do Fora do Eixo nesses últimos anos. Observar o número cada vez maior de pessoas que dedicam suas vidas a esse movimento é fascinante e reflete seu potencial, sua capacidade de angariar mentes ávidas pela construção coletiva de conhecimento e de se expressar das mais diversas formas. É difícil pensar em algo que não seja "felicidade" ao refletir sobre tudo isso e os anos como membro de um coletivo (e ao mesmo tempo fazer parte da imprensa, de certa forma). 

A fagulha destes pensamentos foi a festa de comemoração dos 5 anos do Fora do Eixo, realizado na própria Casa Fora do Eixo com artistas que refletem as diferentes estéticas e histórias que constroem a nova cena independente. Uma cena plural que une o tecnobrega do Pará ao indie/hipster feito por mauricinhos; que adiciona o rap ao pós-rock; que entende que é possível se expressar e comover com dissonâncias assim como através de relatos intimistas. 

Se tudo der certo, estarei lá para acompanhar mais essa ação. No entanto, mais do que um evento, o que importa é o que isso significa. O que isso significa para você. Para nós.


Para o caso de alguém não conseguir ver a imagem acima, esta é a programação da festa:

Shows
Gaby Amarantos, Emicida, Black Drawing Chalks, Macaco Bong, Jair Naves, Holger, Leela, Cérebro Eletrônico, Fóssil, Miranda Kassin & André Frateschi, Madame Saatan e Kamau.

DJ: 
Alê Youssef, Dago Donato, Pitty, Fabrício Nobre e Thalma de Freitas.

Ps.: a entrada é restrita a convidados, uma vez que a Casa Fora do Eixo é literalmente uma casa, um domicílio (mais de 10 pessoas moram lá, oras!).

28 de abril de 2011

Fabrício Nobre fora da Monstro Discos

Foi confirmado na tarde de ontem o que alguns já especulavam nos bastidores da música independente: Fabrício Nobre, produtor cultural, vocalista da MQN e ex-presidente da Abrafin já não é mais sócio da Monstro Discos, produtora/selo responsável pelo Goiânia Noise (um dos mais importantes festivais de música independente do Brasil) e por lançamentos de bandas de rock brasileiras e internacionais.

Há alguns meses Fabrício criou A Construtora, com a qual irá focar seu trabalho no agenciamento de artistas e suas carreiras (entre os quais estão Black Drawing Chalks, Macaco Bong, Gloom e Superguidis), mas continuava, paralelamente, atuando na Monstro Discos. Perguntado sobre A Construtora durante uma conversa que tivemos em março deste ano (o vídeo abaixo foi resultado dessa entrevista), Fabrício havia me dito que iria "mais devagar" com a nova empresa e quis focar a entrevista nas ações da Monstro. Agora, parece claro que naquele momento sua saída já estava preparada e não queria aprofundar em questões referentes à sua nova empreitada antes de oficializar o desligamento da Monstro.


A nota oficial informa que o Festival Bananada não será mais realizado pela Monstro, uma vez que foi criado por Nobre. Já o festival Goiânia Noise continua com a produtora: ele foi criado sete anos da entrada de Fabrício como sócio.

Interpreto a saída de Fabrício como algo benéfico. Ela possibilitará que uma nova empresa, comandada por uma das pessoas mais ativas na música independente brasileira, atue no mercado e contribua para o desenvolvimento da cena. Ao mesmo tempo, a Monstro dará continuidade ao importante trabalho que tem realizado há anos e já anunciou alguns de seus próximos lançamentos, que incluem novos trabalhos do Mundo Livre S/A, Inocentes, Violins e O Melda.

Abaixo está, na íntegra, a nota oficial de desligamento de Nobre da Monstro Discos. Boa sorte a todos!


Em reunião realizada esta semana, foi acertada a saída de Fabrício Nobre devido a divergências de visões e pensamentos em relação às ações e ao futuro da Monstro Discos. O rompimento da sociedade se dá de forma consensual e amigável entre os sócios e sem nenhum tipo de brigas ou desentendimentos. Fabrício irá se dedicar aos projetos pessoais que já vinha desenvolvendo e a novas parcerias. A ele, desejamos todo sucesso. Leo Bigode, Leo Razuk e Márcio Jr. permanecem à frente das empresas Monstro Discos, Monstro Produções e Alvo Edições e não devem buscar novos parceiros para os empreendimentos.

Vocalista do MQN e produtor cultural, Fabrício entrou para a Monstro em 2001, sete anos após a realização do 1º Goiânia Noise Festival, obra dos monstros originais Leo Bigode e Márcio Jr. Com sua saída, o festival Bananada, criado por ele em 1999, deixa de fazer parte do portfólio da Monstro enão acontecerá em maio (como acontece tradicionalmente) e passará a ser produzido pelo seu novo escritório, com novas datas e novo formato. Como um (power) trio, a Monstro Discos passará por um processo de reformulação e inovações. O Goiânia Noise Festival e a Trash – Mostra Goiana de Filmes Independentes acontecerão normalmente en 2011. Além disso, a produtora irá retomar a realização de shows mensais em Goiânia, com as Noitadas Monstro e outros eventos pontuais. Uma inusitada reedição do Antimúsica Rock Festival (realizado nos anos de 2004 e 2005 reunindo bandas como Walverdes, Pata de Elefante, Ímpar e The Rockefellers) já tem data marcada no Centro Cultural Martim Cererê. Pode anotar aí: 04 de junho é dia de rock e pancadaria (ops!... artes marciais, melhor dizendo)! A Monstro Comics (projeto de editora e distribuidora de quadrinhos adultos) será retomada no segundo semestre. O principal lançamento será Cidade de Sangue, luxuosa graphic novel ilustrada pela lenda viva das HQs brasileiras Julio Shimamoto.Contrariando regras, padrões e índices de vendas, a Monstro Discos continuará lançando CDs, DVDs e os compactos mais chiques do Brasil. Nos próximos meses já irão pintar discos inéditos do Violins, Cassim & Barbária, O Melda, Mundo Livre S/A e Inocentes. Investimentos em novos artistas também serão realizados, bem como qualquer loucura que surgir pelo caminho. 2011 será um marco na história da Monstro. Estamos cheios de gás e doidos pra botar pra quebrar, com o profissionalismo de sempre e paixão renovada. Fique ligado!

26 de abril de 2011

Ganhe ingressos para o Conexão Vivo BH

Desde a semana passada acontecem as ações do Conexão Vivo BH, que se iniciaram através de uma série de shows no Grande Teatro do Palácio das Artes (o primeiro deles, unindo Lenine, Tulipa Ruiz e Pedro Morais) e continuam até o fim de maio. A programação aos poucos vai sendo divulgada e inclui bandas independentes dos mais diversos estilos em shows gratuitos e pagos. O que muita gente não sabe é que existem várias promoções que permitem que você vá de graça a todos os shows do Conexão Vivo.

Abaixo, listei as formas disponíveis atualmente para ganhar ingressos para o Conexão:

Clientes Vivo residentes em Belo Horizonte que aceitam receber mensagens promocionais da operadora podem receber um SMS que dá direito a um ingresso para um dia da programação do Conexão Vivo. Uma base inicial de 100 mil clientes recebe as mensagens, que podem ser transmitidas para clientes de qualquer operadora.

Os postais de divulgação do Conexão Vivo BH possuem um QR Code no verso que ao ser decodificado por celulares ou webcams envia para um hotsite. Lá, o usuário deve responder a uma pergunta e concorre a passaportes que permitirão a entrada gratuita em todos os shows em um dos espaços onde houver cobrança de ingressos dentro da programação do Conexão, como o Parque Municipal e o Lapa Multshow.

  • Fotos
O público pode tirar fotos no stand da promoção "Eu fui!", montada nos locais onde ocorrer shows do Conexão Vivo, e concorrer a passaportes de ingressos para o Parque Municipal. As 10 fotos mais votadas no site da promoção serão premiadas.

  • Foursquare
Adicione o Conexão Vivo como amigo no Foursquare e depois faça check-in em algum dos locais onde acontecem as atividades do programa com algum comentário ou foto. Todos que fizerem isso concorrem a ingressos para os shows no Parque Municipal, que acontecem em 25 e 29 de maio.

  • Twitter e Facebook
Outros sorteios acontecerão para premiar os seguidores do perfil do Conexão no Twitter e seus fãs no Facebook. Fique de olho!

20 de abril de 2011

Aplicativo da semana: Soundtracking, o Twitter da música

O que aconteceria se você mudasse o slogan original do Twitter de "o que você está fazendo agora?" para "o que você está ouvindo agora? Esse deve ter sido mais ou menos o questionamento que resultou na criação do Soundtracking, aplicativo para Iphone que tem como objetivo registrar e compartilhar a trilha sonora das vidas de seus usuários.

Disponibilizado gratuitamente e com exclusividade para dispositivos da Apple (como Iphone e Ipod Touch), o Sounftracking é fácil de usar, tem interface simples e boa usabilidade. Para contar quais músicas está ouvindo em um determinado momento o usuário tem 3 opções: importar os dados da última música ouvida no celular/Ipod; digitando o nome do artista e o título da música; ou, da forma mais impressionante e tecnologicamente avançada, deixando que o aplicativo "escute" a música tocada no ambiente e a identifique a partir de seu banco de dados. Esta é uma função que funciona incrivelmente bem com artistas estrangeiros (inclusive bandas alternativas nem tão famosas) mas dificilmente apresenta resultados corretos para bandas independentes brasileiras (testei com músicas do Cascavelletes, Nuda e Luísa Maita e ele só funcionou com a última).

Exemplo de música compartilhada no Soundtracking e sua exibição na web
Cada música compartilhada pode ser acompanhada de uma foto (do artista, de sua biblioteca ou feita na hora usando a câmera do aparelho), descrição (que não se restringe aos 140 caracteres do Twitter, ao qual o aplicativo pode ser integrado, assim como Facebook e Foursquare) e, mais interessante, georeferenciamento indicando onde aquela música foi ouvida. Esses dados permitem que, posteriormente, se saiba quais músicas foram escutadas em cada lugar à medida que a base de usuários do aplicativo aumentar (ainda não é possível pesquisar usuários por região, mas, aparentemente, o uso do Soundtracking no Brasil ainda é pequeno).

Além de fonte de entretenimento e de reforçar certo narcisismo característico das redes sociais virtuais, o Soundtracking parece ter grande potencial para acompanhamento de tendências e medição de audiências no mercado musical, também contribuindo na construção do perfil do público frequentador de um certo local a partir das músicas escutadas ali. Um concorrente do Soundtracking é o aplicativo MusicPlayce, também gratuito. Com pior design, o MusicPlayce se destaca por trabalhar melhor a faceta de rede social do serviço, com ferramentas como apresentação de usuários com gostos musicais semelhantes e distribuição de "selos de fidelidade" aos usuários de acordo com as atividades realizadas (ao marcar que ouviu um certo número de músicas do Black Keys, por exemplo, o usuário ganha um selo indicando que ele é um fã especial da banda; ao executar outra atividade você pode ganhar o selo de DJ e assim por diante, semelhante ao que acontece com os badges do Foursquare). Por enquanto o MusicPlayce está disponível apenas para Iphone.

16 de abril de 2011

Resumos diários do Twitter e Facebook: Paper.li e Summify

Um dos pontos negativos do grande fluxo de informações que circula pela internet diariamente pode ser a sensação de estar perdendo algo importante a cada instante, seja no Twitter, Facebook ou blogs e sites diversos. Milhares de informações circulam por suas redes sociais a cada hora e não conseguir acompanhar tudo isso é fonte de constante ansiedade em algumas pessoas.

Para permanecer atualizado ao menos em relação aos principais tópicos comentados entre seus amigos no Twitter e Facebook existem opções como o Paper.li e o Summify.

O Paper.li, disponível em português, apresenta-se como opção para ler Twitter e Facebook como se fossem "jornais diários". Na prática, isso significa que o Paper.li gera uma página diária com os assuntos mais comentados pelas pessoas seguidas por você, disponibilizada em um endereço personalizado, como o http://paper.li/meiodesligado. Ele pode ser atualizado diariamente, em duas edições diárias (manhã e noite) ou semanalmente, e envia automaticamente no Twitter (no horário selecionado pelo usuário) o link com a nova "edição do jornal".


O Summify funciona de maneira semelhante e cria resumos periódicos com os assuntos em destaque em suas redes no Twitter e Facebook (o que é importante ou não é definido a partir de critérios como número de retweets, quantos vezes a publicação foi "curtida" e/ou compartilhada). Os resumos criados são enviados para o email do usuário em períodos definidos (são mais opções do que no Paper.li) e o número de mensagens incluídas no resumo é de até 10. Uma das vantagens do Summify é que ele também importa feeds OPML e do Google Reader, filtrando os assuntos que mais se destacaram nesses ambientes. A desvantagem é que o serviço até gera uma página web com os resumos (além daquele que é enviado por email), mas este é acessível apenas ao dono da conta.

No geral, Paper.li e Summify são opções simples e úteis para se manter informado sem ter que passar ainda mais horas garimpando por informação relevante na web. E o melhor: de graça.

15 de abril de 2011

Luísa Maita é a escolha brasileira de abril para o Music Alliance Pact



BRASIL: Meio Desligado 
Luísa Maita - Lero-Lero 
"Lero-Lero" é o samba minimalista que abre o CD de estreia da cantora Luísa Maita. É uma canção que cresce lentamente e quase sem perceber lhe envolve e leva a um espaço especial em sua mente, quando você se pega simplesmente dançando e cantando junto. A música também está disponível para download gratuitamente no Bandcamp da Luísa.


Clique abaixo para ver todas as músicas da Music Alliance Pact deste mês e aproveite para já fazer o download da coletânea completa


Ainda não sabe o que é Music Alliance Pact? É uma coletânea global que reúne artistas independentes de destaque em cerca de 40 países de diferentes continentes. O Meio Desligado é o representante oficial do Brasil desde que o país foi incluído na lista. No dia 15 de cada mês cada integrante da rede publica a lista com as bandas escolhidas pelos blogs de seus respectivos países disponibilizando todas as músicas para download grátis. Estão os representantes de outros países estão o jornal inglês The Guardian e o site chileno Super 45.

14 de abril de 2011

Caetano Veloso é indie (para a nova geração)


Estava assistindo ao vídeo desta "Nightwalker", do Thiago Pethit, e uma amiga indie que tem lá seus 15 anos reconheceu a Alice Braga e perguntou se era uma música nova do Caetano Veloso cantando em inglês. Sintomático?

Ps.: Minha impressão inicial era muito menos chocante: encarei esse vídeo como resultado de um clipe da Feist  feito com a prostituta interpretada pela Alice no filme Cidade Baixa.

13 de abril de 2011

Celular Meio Desligado

Flyer publicado na versão móvel do MD
Após anos usando o Tumblr finalmente resolvi adotá-lo como interface oficial para o Meio Desligado ser acessado de forma otimizada via celulares (se você acessá-lo por um navegador comum verá a interface tradicional do Tumblr, mas quem o acessa por celulares vê uma versão diferente, com menos elementos gráficos e mais leve, o que facilita a leitura em telas menores, carrega mais rápido e gasta menos do plano de dados do usuário). Agora, quem quiser saber das novidades do blog através do celular só precisa acessar o endereço marcelo.meiodesligado.com, que até então era usado como uma espécie de blog pessoal deste que vos escreve (na maior parte das vezes).

Eu poderia alterar o endereço para algo mais claro como "mobile.meiodesligado.com", seguindo o padrão de outros sites, mas prefiro o endereço personalizado, até porque esse blog possui características particulares e que o diferenciam do Meio Desligado.

Apesar das publicações daqui serem acessíveis no marcelo.meiodesligado.com, ele é a única área do Meio Desligado onde estão disponíveis informações acerca da agenda cultural atualizadas constantemente e também é o único espaço onde, eventualmente, são publicados conteúdos que vão além da música independente brasileira.

12 de abril de 2011

Uso do Twitter no Brasil: horários nobres

O serviço de monitoramento em mídias sociais Scup tem divulgado informações extremamente relevantes sobre o uso do Twitter no Brasil a partir do trabalho realizado pela empresa ao longo de 2010. Acompanhando as atividades no Twitter, o Scup chegou a dados que constroem parte do perfil do usuário brasileiro na rede social através dos horários de maior fluxo de informações na ferramenta, medido através do número de mensagens publicadas ao longo de cada dia e da semana.

No geral, percebe-se que os períodos entre 20h e 22h e 14h e 17h são os mais movimentados e com maior parcela de usuários ativos na rede, informação importante ao se planejar ações em redes sociais. Por outro lado, pautar-se pelos horários de maior atividade pode não significar maior visibilidade, uma vez que seu conteúdo terá maior competição ao ser publicado nesses períodos. Às vezes, publicar seu conteúdo em períodos de menor atividade no Twitter pode significar que ele terá menos informações competindo para se obter a atenção do usuário (ou "interagente", para se usar um termo acadêmico) e, consequentemente, atingir de forma efetiva parte do público.

O mais importante ao ter essas informações em mente é tentar analisar o perfil do seu público alvo e planejar ações de acordo com o mesmo.  Com o aumento no número de usuários e crescente popularização do Twitter no país é cada vez mais necessário pesquisar a ferramenta para obter bons resultados, criar um perfil para sua banda/festival/clube é muito mais do que simplesmente enviar a programação. Mesmo se pensarmos somente na área musical existem singularidades na divulgação de um festival, de uma banda independente ou de um edital de patrocínios, por exemplo, que devem ser levados em consideração e que podem gerar atividades e resultados distintos.


Fica também a dica do "Guia para iniciar monitoramento em mídias sociais" (novamente da Scup)  e o "Dicas de como usar o Twitter para divulgação de bandas" (do próprio Meio Desligado) para mais algumas informações básicas sobre monitoramento, métricas e utilização do Twitter.

11 de abril de 2011

Conexão Vivo BH lança primeira parte de sua programação

Conforme anunciei antes, a programação inicial do Conexão Vivo BH de 2011 foi lançada na tarde desta segunda-feira em uma ação que envolveu veículos de comunicação independentes de diferentes regiões do país através de seus perfis no Twitter. Em uma primeira análise, creio que foi uma ação bem sucedida em relação aos dois principais pontos a que se propôs: divulgar a programação desta fase do Conexão e dar visibilidade aos blogs parceiros do projeto. Mesmo sem ter os números oficiais, dá pra dizer com certeza que o número de tweets sobre a programação passou dos 200 e blogs como o Meio Desligado cresceram consideravalmente sua base de seguidores no Twitter através desta ação (aqui, foram cerca de 40 seguidores obtidos).

Mas, afinal, qual o motivo disso tudo? Bem, o Conexão Vivo é o maior projeto incentivador da música em Minas Gerais e sua etapa "fesival" já é acontecimento obrigatório do calendário belo-horizontino. A programação divulgada hoje é apenas a primeira fase disso tudo. 

O Conexão Vivo BH começa no dia 20 de abril e só termina em 29 de maio. Serão dezenas de shows de artistas independentes em oito espaços de BH (sendo que este número pode até subir). Os tradicionais shows do Conexão no Parque Municipal acontecerão entre os dias 25 e 29 de maio e a programação divulgada hoje refere-se aos shows no Palácio das Artes, entre 20 e 24 de abril. Ao contrário do ano passado, desta vez a produção do Conexão percebeu que o ideal era não realizar eventos simultâneos e dividir melhor as atrações ao longo de um período maior, constituindo uma programação diversificada e descentralizada.


Com artistas como Lenine, Otto, Tulipa Ruiz, Cidadão Instigado, Thiago Delegado, Toninho Horta e Yamandu Costa o Conexão inicia bem suas atividades em BH em 2011 mantendo sua linha estética (influências do Clube da Esquina, regionalismos e MPB) ao mesmo tempo em que abraça novos e singulares artistas (tendência a ser aprofundada nos shows no Parque Municipal e Sala Juvenal Dias, em maio). Levando em consideração o perfil do Grande Teatro do Palácio das Artes (um dos principais palcos da música "elitizada" em Belo Horizonte), trata-se de uma ótima opção para a Semana Santa na cidade.

Programação Conexão Vivo BH - Palácio das Artes

20 de abril, quarta-feira
Lenine convida Tulipa Ruiz e Pedro Morais

21 de abril, quinta-feira
Misturada Orquestra convida Toninho Horta
Yamandu Costa e Trio convidam Gilvan de Oliveira e Juarez Moreira

22 de abril, sexta-feira
Cidadão Instigado
Otto

23 de abril, sabádo
Marina Machado convida Chico Amaral
Cobra Coral convida Ed Motta

24 de abril, domingo
Thiago Delegado convida Arthur Maia
Vander Lee convida Regina Souza, Thiago Correa, Sérgio Pererê e Dudu Nicácio

Ingressos à venda a partir de 12 de abril, terça-feira, na bilheteria do Palácio das Artes
Preço: R$ 10 (meia-entrada).

10 de abril de 2011

Conheça parte da programação do Conexão Vivo BH nesta segunda

No dia 11 de abril, entre 15h e 16h, um grupo de blogueiros divulgará em seus respectivos perfis no Twitter a programação da 1ª etapa do Conexão Vivo BH, que acontece entre 20 e 24 de abril no elegante Grande Teatro do Palácio das Artes.

A ação de divulgação foi uma ideia minha que foi bem aceita pela equipe de comunicação do Conexão. A ideia é dar visibilidade aos blogs parceiros do programa Conexão Vivo (que é muito mais do que um simples festival, mas sim uma grande rede de projetos culturais espalhados pelo Brasil que envolve oficinas, turnês, gravações de CDs e outras ações) ao mesmo tempo em que dissemina o Conexão Vivo em diferentes redes, expandindo o alcance do programa.

Aos poucos vou publicando novidades sobre o Conexão Vivo, mas, enquanto isso, fica abaixo a lista com os blogs participantes da ação e seus perfis no Twitter.


Baixa Cultura (SP/RS) - @baixacultura
Bloody Pop (RJ) - @bloodypop
El Cabong (BA) - @lubmatos
Espaço Nave (MG/UK) - @rafacappai
Jean Mafra em minúsculas (SC) - @jean_mafra 
La Cumbuca (RJ) - @lacumbuca 
Meio Desligado (MG) - @meiodesligado 
Movin´ Up (DF/MG) - @mgangelo 
Musicoteca (SP/MG) - @musicoteca 
O Inimigo (RN) - @o_inimigo 
Pílula Pop (MG) - @pilulapop 
Rockazine (SP) - @rockazine_ 
Sirva-se (AL) - @sirvase 
Veia Urbana (MG) - @lafaietejunior

8 de abril de 2011

Abril Pro Rock 2011 promove 19ª edição


Misfits, The Skatalities, Eddie, Zé Cafofinho & As Correntes, Matanza, Holger, Tulipa Ruiz, Karina Buhr... interessante e diversificada, a programação do Abril Pro Rock 2011, que acontece em Recife entre os dias 8 e 30 de abril e tem ingressos entre R$ 15 e R$ 25 (meia-entrada).

08.04 - APR Club
Zé Cafofinho & as Correntes (PE)
Sacal (PB)


09.04 – APR Club

Cerebro Eletrônico (SP)

Volver (PE)

15.04 – Chevrolet Hall
The Misftis (EUA)
D.R.I. (EUA)
Musica Diablo (SP)
Violator (DF)
Facada (CE)
Torture Squad (SP)
Cangaço
Desalma

16.04 – APR Club
Boss in Drama (SP)
MiM (SP)
Voyeur (PE)

17.04 – Chevrolet Hall
The Skatalites (Jam)
Arnaldo Antunes (SP)
Eddie (PE)
Tulipa Ruiz (SP)
Holger (SP)
Karina Buhr (PE)
Chicha Libre (EUA)
Mamelungos (PE)
Banda vencedora da promoção Bis Pro Rock

20.04 – APR Club
O Bloco do Eu Sozinho (RJ)

29.04 – APR Club
Wander Wildner (RS) e Caravana do Delírio (PE)
Ave Sangria (PE) e Anjo Gabriel (PE)

30.04 – APR Club
Matanza (RJ)
Diablo Motor (PE)

6 de abril de 2011

Visão dos Vissungos


“Ele ta dando ajuste, mas ainda não acabou não”

A frase acima foi proferida por Pedro de Alexina, 81 anos, morador do povoado de Quartel do Indaiá no documentário “Terra Deu, Terra Come”, dirigido por Rodrigo Siqueira. Ele se refere ao morto, que ainda está quente, que não fez a passagem. Seu Pedro é um dos únicos descendentes de escravos que ainda se lembra dos Vissungos, os cantos herdados dos escravos africanos trazidos para trabalhar na mineração de ouro e diamante entre os séculos XVII e XVIII. Os Vissungos são cantos rituais misturando dialetos africanos de origem banto, como o umbundo e o quimbundo e o português arcaico. Alguns eram entoados em ocasiões fúnebres e outros em situações de trabalho. 

Além de Pedro só existe mais um cantador de vissungos vivo, seu Ivo Silvério, com 77 anos, morador de Milho Verde, distrito de Serro. 

O filme, com cerca de 1h30 de duração aborda o universo simbólico em torno do personagem, misturando técnicas documentais e ficção de uma forma muito habilidosa. Percebi um curioso acordo tácito entre os críticos que é não revelar o grande desfecho, o segredo velado do corpo presente. Para descobrir do que se trata é necessário assistir à película. 

Vencedor do “É Tudo Verdade” e da “Mostra Panorâmica de Gramado”, o filme entrou em cartaz no Cine Humberto Mauro, que é tradicionalmente uma sala voltada para o público cinéfilo e depois ficou algumas semanas numa sala de cinema comercial com uma programação de filmes de arte – o Cineclube Savassi. Foi lá que assisti, acompanhado de outros seis expectadores. 

Comecei a freqüentar a região do Alto Jequitinhonha há cerca de 15 anos atrás, quando era uma aventura sair de Belo Horizonte e chegar de carona a Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras passando pela Serra do Cipó. Nesse período eu fui quase todos os anos e desde o início me intrigava o sotaque de alguns moradores, carregados de expressões de origem africana desconhecidas no resto do estado. 

Fui buscando mais informação, conhecendo os moradores. Me falaram do povoado do Baú onde eu encontraria falantes de quimbundo. Atravessei o Jequitinhonha próximo da nascente a cavalo e cheguei no remanescente de quilombo. Não levei gravador, fiz fotos e anotações, como a que ilustra esse texto. 

Mais tarde encontrei um livro que é uma das principais referências nos estudos de dialetologia africana no estado, chamado “O Negro e o Garimpo em Minas Gerais” onde estão registrados música e letra de 65 Vissungos recolhidos pelo pesquisador Aires da Mata Machado Filho em 1928 no povoado de Quartel do Indaiá e São João da Chapada, distrito de Diamantina, no norte de Minas Gerais. 

Essas anotações serviram de base para a gravação do disco “O Canto dos Escravos”, de 1982 que reuniu Geraldo Filme, Tia Doca e Clementina de Jesus, num registro de 14 daqueles cantos. O link para baixar o disco está aqui: http://umquetenha.org/uqt/?s=O+Canto+dos+Escravos

No disco os intérpretes são acompanhados dos percussionistas Djalma Corrêa, Papete e Don Bira. Apesar da excelência musical a impressão que tenho é que as levadas são variações do jongo, uma manifestação característica do Rio de Janeiro, presente também em São Paulo e no sul de Minas mas inexistente no restante do Estado. O jongo está na origem do samba e é óbvio que os músicos, todos ligados ao ritmo carioca, – apesar de Djalma Corrêa ter nascido em Ouro Preto com formação musical em Salvador e Papete ser maranhense – levaram os vissungos para um outro universo. Estes, por serem cantados em situações específicas de trabalho e cortejo fúnebre, provavelmente não tinham acompanhamento instrumental, quando muito o som de ferramentas de trabalho comuns na atividade de mineração. Aires da Mata faz referência no livro ao som de carumbés (espécie de bateia de madeira usada para separar o cascalho) e almocafres (pequena enxada usada na mineração). O único tambor a que Aires se refere é o angono-puíta (espécie de cuíca grande, ou tambor-onça) e as caixas de couro usados especificamente nos levantamentos de mastros, ocasião onde também se cantavam os vissungos. Me parece que a hipótese mais plausível de um acompanhamento instrumental mais convencional teria necessariamente alguma aproximação com o congado e suas variantes, manifestação característica do interior de Minas, de origem banto e com presença marcante naquela região. Poderíamos dizer que Minas Gerais é, simbolicamente, uma espécie de reino Congo no Brasil, resquício do antigo reino de Benguela na África. 

Mas quando é possível identificar nos vissungos cantados por Pedro e Ivo a referência de alguns dos registros feitos na década de vinte por Aires da Mata a diferença é grande, o que é comum no desenvolvimento das tradições orais. Palavras novas vão sendo incorporadas, outras são esquecidas no uso corrente e seu significado se perde. 

O fato é que falava-se um dialeto crioulo de origem banto, ou banguela, na região do Serro e Diamantina e os vissungos são o vestígio mais evidente disso. Por isso a importância do registro diacrônico, de forma a estabelecer relações e entender o processo de desenvolvimento ou extinção de uma língua. Só muito recentemente vem sendo descobertas e estudadas as línguas de origem banto faladas no Brasil. Durante muitas décadas acreditou-se que havia somente línguas do tronco nagô-iorubá, predominantes na Bahia. São muito recentes as descobertas de línguas dialetais africanas de origem banto faladas por comunidades isoladas como a de Tabatinga (MG) e Cafundó (SP), além do crioulo falado em São João da Chapada e da língua mina-jeje falada pelos negros de Ouro Preto no setecentos. 

Para quem quiser se aprofundar no assunto, a língua e os costumes dos remanescentes de quilombo do Cafundó foram estudados e publicados pelo pesquisador Carlos Vogt no livro “Cafundó, a África no Brasil – língua e sociedade”. O dialeto da comunidade de Tabatinga, em Bom Despacho, foi estudado pela professora Sônia Queiroz e publicado no livro “Pé preto no barro branco: a língua dos negros de Tabatinga”. A língua mina-jeje foi estudada pela lingüista Yeda Pessoa de Castro a partir do dicionário do português Costa Peixoto livro “A língua mina-jeje no Brasil: um falar africano em Ouro Preto do século XVIII”. 

Com relação aos vissungos da região do Serro e Diamantina, além da gravação de 1982, a cantora paulista Monica Salmaso também registrou um dos vissungos recolhidos por Aires da Mata no seu disco Trampolim, de 1998. Há notícias de gravações mais recentes realizadas por Erildo Nascimento em Diamantina e Lúcia Nascimento no Serro, mas não encontrei maiores referências a esse material além de algumas citações em artigos acadêmicos. 

Além dessas não conheço outras gravações mas sempre achei que este seria um projeto interessante: gravar em disco todos os 65 vissungos a partir das anotações do livro de Aires da Mata Machado. Seria um documento histórico para as futuras gerações conhecerem um elo perdido da tradição de matriz africana no Brasil, principalmente agora que o ensino de música vai voltar ao currículo obrigatório.

5 de abril de 2011

Mistureba #13: Conexão Vivo BH, Red Bull Music Academy, economia criativa mexicana e mais

A programação estreia no dia 20 de abril e só termina 29 de maio, abrangendo diversos espaços da cidade, como o Grande Teatro do Palácio das Artes, Parque Municipal Américo Renê Giannetti, Centro Cultural da UFMG e Lapa Multishow.

Já imaginou passar um mês inteiro em Tóquio, cercado de músicos e produtores participando de palestras e workshops com equipamentos de alta tecnologia à sua disposição? É mais ou menos isso o que a Red Bull Music Academy oferece há mais de uma década, promovendo encontros em diferentes pontos do planeta entre jovens artistas do meio musical para explorar tecnologias e técnicas de produção musical.Neste ano, o encontro acontecerá no Japão, em Tóquio, entre os dias 23 de outubro e 25 de novembro. As inscrições são gratuitas e foram prorrogadas até 26 de abril. Os interessados em participar devem ler o regulamento no site oficial da Red Bull Music Academy e fazer o download do formulário de inscrição.

Fernando Rosa, editor do portal Senhor F e produtor do festival El Mapa de Todos, é uma das autoridades em termos de música latina contemporânea no Brasil. Compartilhando seu conhecimento sobre a produção musical do continente Rosa publicou uma reportagem que percorre a história do rock na América do Sul na Argentina, Uruguai, Colômbia, Chile, Peru, Venezuela e Paraguai. O texto completo está disponível no site do festival El Mapa de Todos, que acontece em Porto Alegre entre 12 e 14 de abril.

Classificação é resultado do valor das exportações da indústria cultural mexicana.

Já estão abertas as inscrições para o IX Festival de Música Educadora FM. Ao todo são R$ 56 mil em premiações, além de produção de CD com as 14 canções finalistas. Para concorrer, o candidato precisa ser baiano ou residir na Bahia há pelo menos dois anos e apresentar até duas gravações inéditas. As inscrições poderão ser feitas das 14h às 17h, diretamente na Rádio Educadora, localizada na Rua Pedro Gama, 413e, Federação, Salvador.

Artistas de destaque na música alternativa estrangeira como Beck, John Legend e Devendra Banhart prestam tributo ao movimento da Tropicália na coletânea “Red Hot + Rio 2”, organizada pela instituição internacional Red Hot, focada no combate à AIDS através de ações culturais conscientizadoras. A primeira música divulgada da coletânea foi a versão do Beirut (que se apresentou no Brasil no festival Coquetel Molotov 2009) para “Leãozinho”, de Caetano Veloso, que pode ser ouvida abaixo.



E para encerrar...

Brasileirinhas, maior produtora de filmes pornô no Brasil, fecha