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22 de dezembro de 2011

Balanço oficial do Fora do Eixo em 2011

Para complementar o texto oficial da nova fase da Abrafin e contribuir para a contextualização do debate, segue abaixo o comunicado oficial do Fora do Eixo sobre suas atividades em 2011. Em breve, meu texto sobre tudo isso.


O Fora do Eixo divulga os indicadores das ações realizadas pela rede durante o ano de 2011. Compartilhar estas informações é uma ação que reforça o caráter de código aberto defendido pelo FdE e também funciona como uma provocação: quais outras iniciativas tem seu código aberto, tecnologias compartilhadas e publiciza suas informações detalhadamente?
Dos estudos ao “Império do Empírico”, a rede se destaca – principalmente – pela capacidade de multiplicar os dividendos através da sistematização da troca de serviços, atuando na teoria e prática dos processos da Economia Solidária. Assim, 85% de tudo que o FdE investiu no ano foi em FdE Cards, totalizando 75.400.000,00, que somados aos R$13.000.000,00 investidos, nos fez chegar ao número de 88.400.000,00 de investimento na cultura brasilieira.
A frente da música ainda é o vagão chefe puxando o trem. São 20.000.000,00 FdE Cards e R$12.000.000,00 investidos, totalizando 32.000.000,00. Assim, em 2011, o ano começou forte, com uma das grandes ações da rede, o Festival Grito Rock, que teve 133 edições, sendo 22 em SP e MG; 17 nos estados de RJ e ES; 20 no Nordeste; 12 no Norte; 9 no Centro Oeste; 18 no Sul e mais 13 edições em outros países da América Latina.
Um dos grandes gargalos da música independente em países como o Brasil sempre foi a questão da circulação. O investimento do Fora do Eixo fez com que 13.500 artistas circulassem em nossas plataformas, num total de 5.152 shows por todo o país. Foram realizadas 150 turnês, passando por 133 cidades, 26% delas em SP e 24% no Nordeste, com uma média de 12 shows a cada turnê. Ainda em 2011, foram realizados 1.133 eventos, sendo 31,6% no Nordeste, 27,3% em SP, 13,7% em MG, 9,9% no Norte, 8,7% no Sul, 6,1% no Centro Oeste e 2,6% no RJ e ES.
Foram realizados 170 festivais nos 27 estados do Brasil. A Distro FdE alcançou o número de 61 pontos, com mais de 8.000 títulos distribuídos. A Agência pagou R$ 2.500.000,00 em cachês. Na relação com bandas internacionais, tivemos 51 bandas, sendo 14 da Argentina e 37 de outros países.
Ações do Banco FdE movimentaram 10.550.000,00 FdE Cards, sendo 13,99% do produzido na rede. A frente do Banco FdE compreende as ações de sustentabilidade da rede, como planejamento de projetos, sistematização de dados, gestão das SEDAs (Semana do Audiovisual) dos coletivos e Casas Fora do Eixo, além da elaboração de projetos para lei de incentivo, gestão de recursos financeiros, gestão de recursos humanos e do sistema Fora do Eixo Card. A frente conta com pelo menos um agente de cada ponto Fora do Eixo dedicado a realizar essas atividades diariamente, compartilhando as tecnologias sociais e as plataformas desenvolvidas coletivamente. Este ano foram ao todo 153 projetos escritos e enviados para captação pública ou privada. O Banco FdE é quem faz a interface direta com o movimento de economia solidária, conectando empreendimentos por todo o Brasil.
O PCult movimentou 6.150.000,00 FdE Cards, 8,16% do produzido na rede. Um dos projetos mais significativos do PCult deste ano foram as Colunas Fora do Eixo, que em 2011 percorreram além de 23 estados brasileiros, países como Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Honduras, Guatemala, Chile, Argentina, França e Estados Unidos, promovendo debates abertos sobre políticas públicas para cultura. Além disso, realizamos seis Congressos Regionais nas cidades de Porto Alegre (RS), Sabará (MG), Araraquara (SP), Manaus (AM), João Pessoa (PB) e Anápolis (GO), encerrando o ano com a realização do Congresso Nacional FdE em São Paulo (SP), com a participação de mais de 2.000 pessoas e 200 convidados, que debateram durante sete dias o tema da cultura como transformadora das relações de trabalho, sociais e econômicas.
A Universidade Fora do Eixo é o hiperlink da rede com as universidades brasileiras e instituições de ensino formais e não-formais, estabelecendo diálogos com estudantes, professores, reitorias, radios e TVs universitárias. Mas é fora do ambiente acadêmico que a UniFdE se destaca, valorizando a formação livre, faculdades da rua e da vida, ampliando a âmbito da formação para além do ambiente acadêmico, que muitas vezes é engessado e anacrônico. A frente mobilizou 17.000.000,00 FdE Card, 22,55% do investimento total da rede, por meio de projetos como o Observatório Fora do Eixo, que em 2011 teve 85 edições, além do programa de imersões, que envolveu cerca de 65 coletivos diferentes em mais de 70 imersões temáticas e de gestão, e o programa de vivências, que lançou 17 editais que somam 305 vagas de vivência e envolveu mais de 3.000 pessoas de todas as regiões do país.
O Centro Multimídia Fora do Eixo (Comunicação FdE) em suas ações movimentou 7.000.000,00 FdE Cards, correspondentes a 9,28% do produzido na rede. Alinhavado com os preceitos da auto-gestão e do multi-protagonismo, o CMM FdE é grande entusiasta do #CidadãoMultimídia, estimulando o poder de voz de cada indivíduo e a maior comunicabilidade na sociedade, atenuando a necessidade de intermediadores de notícia, atual papel da dita “mídia de massa”. O mapeamento de contas de twitter aponta 2.500 perfis entre institucionais e pessoais. O mesmo para o facebook. Nosso Banco de Mailing – Emails coletados para envio de newsletters periódicas (semanais e/ou especiais) totaliza hoje mais de 46.000 endereços eletrônicos. São 92 sites e blogs que compõe a plataforma de comunicação da rede. E em 2011, o número de transmissões de shows, debates, oficinas e reuniões chega a 894, mais de 2 eventos diários.
Outras frentes também mobilizaram muita força de trabalho, produção de capital tangível e intangível. O Clube de Cinema Fora do Eixo movimentou 6.600.000,00 FdE Cards, o que corresponde a 8,75% da receita produzida. A inovadora #PósTv trouxe uma nova perspectiva televisiva, realizando programas diferenciados que alcançaram um público de 6.485 pessoas, através das 150 edições do Programa Na Casa, 64 Observatórios FdE, 9 #PósCine, 30 transmissões do #DomingonaCasa e 34 transmissões do #CedoeSentado.
A ação em cineclubes realizou 750 sessões no Brasil, sendo 226 em SP, 167 em MG, 33 em RJ e ES, 45 no Centro Oeste, 130 no Norte, 65 no Nordeste, e 84 na Região Sul, totalizando 22.500 espectadores. Outra ação em destaque é a SEDA – Semana do Audiovisual – que teve 17 edições em 2011, sendo a Região Norte, que sofre graves deficiências de infraestrutura em transporte e acesso à internet, a que mais sediou o evento, com 4 edições. O canal da Web TV Fora do Eixo no YouTube publicou 452 videos. Parcerias importantes foram feitas na área audiovisual como o Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo e Festival Internacional de Curtas-metragens de Belo Horizonte.
O Palco Fora do Eixo é a frente que desenvolve ações visando fomentar, estimular e gerar sustentabilidade na cadeia produtiva das artes cênicas. Movimentou 2.500.000,00 FdE Cards, 3,32% do produzido na rede. Atualmente possuí 40 grupos e 20 artistas independentes diretamente vinculados ao projeto, espalhados pelas regionais Sul, Norte, Nordeste e Sudeste. Suas principais campanhas para fomentar a integração das artes foram o Grito Encena (campanha lançada no Grito Rock e mais aderida em 2011) e o Intera, realizado durante as SEDAs. Como plataformas de circulação, divulgação e fomento, foram realizados Cabarés FdE, participação em Festivais FdE, Encontro Palco FdE, Mostra de Teatro FdE, Festivais de Teatro, turnês, oficinas, observatórios, palestras, mapeamentos, elaboração de um catálogo de artistas e apresentações, totalizando 160 ações até dezembro de 2011.
Já a FEL – Fora do Eixo Letras – é a frente que desenvolve ações visando fomentar, estimular e gerar sustentabilidade na cadeia criativa e produtiva da literatura. A FEL movimentou 1.300.000,00 FdE Cards, 1,72% do total da rede. Sua editora publicou 1.500 exemplares de sua edição impressa, o Seda Poemas. Entre os projetos da frente, o Varal da Arte esteve presente em todos os estados do país, passando por mais de 30 cidades. A #ROTAFEL teve 25 textos publicados (RS, PR, SP, MG, BA, RO, AM, AP, RJ, ES, RR), além de textos vindos da Alemanha e Portugal. A frente criou um zine literário intitulado Orfel, que circulou nas versões virtual e impressa por todas as regiões do Brasil. Visando o foco nas Artes Integradas, a FEL teve 10 videopoemas cadastrados que podem ser exibidos em cineclubes, festivais, saraus e outros eventos culturais de todo o país. Em menos de um ano, foram feitas intervenções, leituras dramáticas e recitações literárias em Saraus, Festivais e Noites FdE em mais de 30 cidades. No segundo semestre de 2011, grupos de escritores e revistas circularam com a Fora do Eixo Letras em seus lançamentos, como Leonardo Panço (RJ), Leonardo Prata (ES), Thiago Cascabulho (SP) e Revista Café Espacial (SP). Foram feitas parcerias com Feiras literárias nacionais como a FliPoços (Poços de Caldas), FestPOA Literária e AltFest Olinda. Também houve a inserção da temática da literatura em mesas de debates, observatórios, oficinas, clube de leitores e lançamentos de publicações impressas em mais 20 cidades.
O FESL – FdE Software Livre – produziu 1.100.000,00 FdE Cards, 1,46% do total da rede, trazendo fortemente a pauta de compartilhamento de informação e tecnologia livre. A frente atua desde 2010 na rede e promove ações ligadas à discussão e uso de soluções livres, install fests, oficinas, suporte tecnológicos entre outros. Já migrou aproximadamente 50 máquinas para o uso de software livre e lançou um programa de imersão em SL dentro do projeto da UniFdE. Também está ligada à manutenção de quase todos os sites institucionais do Fora do Eixo (Portal, Congresso, Coluna Presley, Grito Rock, entre outros). Durante 2011, participou de eventos como o Campus Party, fazendo a cobertura do evento e ministrando oficinas. Esteve também no Fórum Internacional de Software Livre, participando das discussões e puxando uma mesa sobre o Fora do Eixo e o Software Livre e no I Fórum da Internet no Brasil, momento em que contribuiu com as discussões sobre a internet no Brasil.
O Nós Ambiente (núcleo sócio-ambiental) produziu 3.200.000,00 FdE Cards, 4,24% do total. Nesta frente foram desenvolvidos projetos como o Cardápio do Banco Fora do Eixo para Festivais, o Combo do Congressista Sustentável, projetos de compostagem urbana e separação de resíduos e instalação de sisternas nas sedes dos coletivos. Foram realizados Observatórios temáticos e oficinas.
A Casa Fora do Eixo São Paulo é uma das sedes da rede que compreende moradia, escritório, espaço de vivências e casa de show. Ela é formada por 19 gestores de diferentes pontos do Brasil que migraram para a maior metrópole do país. Uma das prioridades da Casa é atender aos coletivos da rede, facilitando a realização dos programas desenvolvidos em diversos setores ligados à cultura, como por exemplo artes visuais, audiovisual, música, literatura, artes cênicas, e toda a cadeia produtiva que as envolve.
Assim, uma das atividades mais importantes da Casa é dar suporte de hospedagem e alimentação às pessoas que passam por São Paulo, a fim de proporcionar intercâmbios de conhecimento, vivências e imersões. A Hospedagem Solidária gera resultados interessantes no campo financeiro e no campo da integração entre artistas, agentes culturais e demais atores dessa cadeia produtiva. Elimina-se custos com hotéis e cria-se uma relação mais calorosa, humana, cotidiana, estimulando a vivência coletiva e uma relação mais orgânica entre as pessoas que frequentam a Casa.
Dentro do total movimentado pela rede, Casa FdE SP é responsável por R$ 751.191,46 e 1.280.000 FdE Cards. Entre artistas e/ou grupos visitantes, passaram 5.000 pessoas, sendo que 2.000 ficaram hospedados. Entre as apresentações estão 450 artistas que expuseram seus trabalhos para 12.000 pessoas. Há também o Compacto.Arte, que trabalhas as artes visuais e criou uma galeria livre com vários grafites e intervenções por todo o espaço, realizadas por 100 participantes.
A proposta para 2012 é o surgimento de mais casas nesse modelo pelo país, iniciando 2012 com 7 casas já em janeiro, uma vez que a experiência da Casa FdE SP diagnosticou como o sucesso do projeto formado por zonas autônomas ao mesmo tempo permanentes e temporárias, com mostras artísticas, debates, #IdeiasPerigosas e #ConversasInfinitas. As Casas são todo o tempo frequentadas também por “foras do Fora do Eixo” em circulação, criando ótimos ambientes para trocas, debates e construção de parcerias, além dos espaços de formação e troca de conhecimento livre. Elas são altamente sustentáveis, pois ao mesmo tempo que reduzem gastos em espécie (hotel, restaurante e afins), aumentam o número, intensidade e valor das trocas de serviços, dentro de um sistema econômico autônomo, sensível e complementar. A construção coletiva proporcionada nesses ambientes é um a iniciativa que concretiza o início da des-territorialidade e preserva os sotaques, ao mesmo tempo que os amplifica a todos os cantos do (até o momento) continente. #CidadãodoMundo!

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