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16 de novembro de 2011

Naná Rizinni: I Said

"Multiplicidade" é uma palavra recorrente quando se pensa na música moderna. São tantas as influências, técnicas e caminhos a seguir que é natural em alguns artistas que seja impossível se restringir a somente um estilo pré-determinado. Ao contrario do que possa soar como falta de identidade em alguns, no caso de Naná Rizinni essa variedade de gêneros explorados amplia a qualidade de seu trabalho e reflete o sentimento de uma geração guiada pela velocidade da internet, das tendências fugazes e de certo cosmopolitismo involuntário.

Na maior parte de seus 36 minutos, I Said, álbum de estreia da cantora e multiinstrumentista paulista, soa como o CD que o Cansei de Ser Sexy poderia ter feito após seu primeiro álbum homônimo, tanto pela semelhança no timbre de voz entre Naná e Lovefuckoxxx quanto pela sonoridade disco-punk/indie/rock/pop. Mas seria injusto limitar-se a essa comparação.


Mesmo sem saber de seu histórico como baterista, fica claro desde o início um talento especial para as batidas em I Said. E ao saber de seu histórico como baterista (integrante da banda da cantora Tiê) é surpreendente perceber seu talento como compositora. Quando se espera batidas eletrônicas lineares surgem detalhes percussivos que fogem do lugar-comum; quando se espera mais um electro-rock ela entrega um rockinho ao estilo Jovem Guarda; quando um riff no melhor estilo Nirvana abre uma faixa, é logo seguido por uma techneira para completar o remix de "Ciranda do incentivo", de Karina Buhr, que participa do CD, assim como Tiê e Edgard Scandurra.

Ouça "Nice figure, dangerous heart"

NICE FIGURE DANGEROUS HEART

Os pontos altos ficam com a ótima "Nice figure, dangerous heart" (música que dá a sensação de se ouvir um hit grunge-pop do início dos anos 90) e a arrastada "Homenagem", parceria com Tiê, que também conta com versos eróticos-irônicos do grande Xico Sá, que entra em contraponto à tristeza da romântica letra. Enquanto ela canta "Não me negue a paz de seu corpo em movimento / Deixa entrar / Pra acalmar o meu pensamento", ele diz "Não diga: 'acabo de gozar como uma louca' / Diga: 'sinto-me um pouco fatigada' / Não diga: 'ninguém me chupa como você' / Diga: 'eis a língua universal'" / Não diga: 'vamos fuder' / Diga: 'oremos ao Senhor'".

Oremos por mais bons e divertidos trabalhos como esse. E que mais pessoas botem pra fuder na música brasileira.

Download gratuito do CD no site da Naná Rizinni.

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