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1 de junho de 2011

O gosto pela vida


O release final do Conexão Vivo (com alguns poucos caracteres de minha autoria) mostra que a maratona que se desenrolou por diversos pontos (não só) de BH nos últimos 40 dias envolveu 251 artistas, pelo menos 60 mil pessoas presencialmente nos shows e outras 15 mil, de 30 países, acompanhando os shows através das transmissões online. Foram dias intensos de entretenimento, aprendizado, cansaço, experimentações tecnológicas, fortalecimento e ampliação do mercado musical e mais um monte de coisas, dependendo do ponto de vista e de sua relação com o projeto. No entanto, para mim, a experiência belo horizontina do Conexão Vivo representou, acima de tudo, o gosto pela vida expressado em certas pessoas.

Gente que fica online 20 horas por dia, que acorda cedo e dorme tarde, fica puto, dá sinais de cansaço, mas, dá pra perceber, adora o que faz (e cobra dos outros a mesma empolgação, recebendo retornos de diferentes níveis). Ou então, gente que deixa em casa o filho recém-nascido e fica feliz (como seu próprio filho ficará daqui a alguns anos quando ganhar algum brinquedo) vendo em funcionamento as traquitanas tecnológicas que ajudou a dar vida. E, ainda, gente que aos 65 anos, depois de um longo dia de trabalho, de acordar cedo e carregar equipamentos, andar quilômetros refazendo o mesmo curto trajeto dentro do parque, chega às 4 da madrugada e responde com um sorriso no rosto uma jovenzinha (literalmente - piada interna) cansada que o pergunta "como é que você consegue ter energia até essa hora pra trabalhar?": 
_ É que eu gosto de viver, sabe?

Pausa. Sabe quando seu nariz umedece e um leve ardor se inicia? É o instante exatamente antes de seus olhos se encherem de lágrimas. Retorna.

Ter isso em mente me fez repensar a forma com que as pessoas se relacionam com o Conexão. Obviamente, é o trabalho de muita gente, mas vai muito, muito além disso. Envolve a paixão de quem quer construir algo relevante na vida, no sentimento que faz com que pessoas se dediquem à música com a convicção de que o prazer é maior do que a incerteza, de que altos e baixos fazem parte do processo e o torna mais interessante.

Eu poderia falar de como o Móveis Coloniais de Acaju fez seu usual show sai-do-chão; de como Karina Buhr surpreendeu e fez um show de peso (literal) com Fernando Catatau, Edgard Scandurra e Guizado em sua banda; sobre Tulipa Ruiz conquistando cada vez mais pessoas em BH (e recebendo Karina no palco, de surpresa); sobre a euforia do público durante a participação de Jards Macalé no show do Graveola e o Lixo Polifônico; sobre o Flávio Renegado fazendo o show mais cheio de todo o evento; sobre o Di Melo ser o ganhador do prêmio "arroz de festa" no Conexão (subiu no palco pra cantar uma música do Jorge Ben com o Edu Krieger e não saiu mais do palco); sobre o Julgamento demonstrar ser uma banda que merece mais atenção; sobre o hype do rap e trava-línguas; sobre o encontro de Gilvan de Oliveira e Armandinho que deixou boquiabertos vários indivíduos, dos mais distintos gostos; sobre o Marcelo Jeneci ter feito o show que mais gostei e sobre sua presença na festa improvisada que fizemos no meu futuro apartamento (enquanto as atuais locatárias dormiam!); sobre a cena independente de MG; sobre a imprensa mineira ser uma piada; sobre o uso do espaço público e governantes autoritários e burros; sobre transmissões de vídeo feitas com 3G; sobre o valor do hype; sobre integrações entre mídias móveis, redes sociais e eventos públicos; sobre o Parque Municipal ser uma zona autônoma temporária wannabe Amsterdã durante esta última semana; sobre usar cueca samba-canção e ter dificuldades em esconder ereções involuntárias; sobre a diferença entre tilelê e neo-hippie; sobre BH ser a capital com maior índice de mulheres lindas por metro quadrado; sobre o topete, a presença de palco e a ótima nova música do Thiago Pethit... mas, por hora, eu só gostaria de dizer que, acima de tudo, o importante é gostar de viver.

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