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1 de março de 2011

Cultura negra é destaque em festa do Ilê Aiyê em Salvador

Ao caminhar pela rua Curuzu na noite do último sábado, 12 de fevereiro, a impressão era de que Salvador celebrava algum feriado religioso ou data comemorativa bastante especial. Milhares de pessoas se espremiam entre ambulantes e carros que formavam longos engarrafamentos pelo caminho estreito e irregular, resultado de ocupações realizadas desde meados da primeira metade do século passado. Seguindo o lento fluxo de pessoas e carros rua abaixo era possível constatar que, sim, se tratava de uma data especial para a região, pois ali seria realizada a 32ª Noite da Beleza Negra. 

A festa é realizada pelo Ilê Aiyê, primeiro bloco afro da Bahia, fundado em 1974. A história de seu trabalho de valorização da cultura negra se confunde com a da Bahia e, mais especificamente, de Salvador, uma das cidades com maior número de negros no Brasil. O bairro Liberdade, onde se encontra a sede do Ilê Aiyê (palco da festa em questão), inclusive é denominado por seus moradores como “o maior bairro de população negra do Brasil”. Em 2000, segundo o IBGE, a população do Liberdade consistia em cerca de 200.000, majoritariamente negros e pardos. 

A relação da população negra de Salvador com a cultura africana se reflete na realização da Noite da Beleza Negra. Além de shows (com apresentações de Margareth Menezes, Clécia Queiroz e Band'Aiyê) a festa é marcada por um concurso de beleza em exaltação às mulheres negras. Neste ano, 13 mulheres de diferentes cidades concorreram ao prêmio de Deusa do Ébano, musa negra que, além de receber R$ 3 mil e uma bolsa de estudos em um curso profissionalizante, acompanhará o bloco Ilê Aiyê por sua turnê (que geralmente percorre diversos países em vários continentes). 

A vencedora do concurso em 2011 foi a jovem Lucimar Cerqueira Souza, de 24 anos, que ao assumir o posto de Rainha do Ilê destacou a importância da aceitação das diferenças e valorização de diferentes culturas e estéticas: “Não existem padrões, mas sim a beleza de cada um”. Unindo os belos desfiles das candidatas aos shows focados em ritmos afro-brasileiros (típicos, regionais e contemporâneos), a iniciativa do Ilê Aiyê (que é patrocinado pelo Conexão Vivo em um projeto de realização de um estúdio musical para a comunidade carente de Salvador) colabora para que a população baiana reforce sua identidade e demonstre ao resto do país boas formas de conviver com as diferenças alheias e gerar ótimos resultados a partir da mistura.

Texto que publiquei no portal Conexão Vivo em fevereiro, parte do conteúdo produzido nos dias que passei em Salvador durante o mês passado.

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