Nenhuma banda nacional na lista. Selecionei os vídeos abaixo para inspirar os realizadores brasileiros da área audiovisual. Assistir, analisar e refletir sobre os vídeos abaixo vale mais do que muita aula de cinema.
Imagino que David Lynch dirigindo um filme pornográfico resultaria em algo próximo desse vídeo do Klaxons.
Foals - "Blue Blood"
As
garotas acham fofo, mas para mim esse é um dos clipes mais tristes de
2010. Na verdade, é de partir o coração. Intenso e de alta qualidade,
assim como álbum de que faz parte, Total Life Forever,
segundo CD do Foals (um dos melhores que ouvi nos últimos tempos e que
marca a banda como uma das mais promissoras de sua geração).
The Black Keys - "Next Girl" e "Tighten up" (Frank version)
Geniais de tão simples, os dois vídeos do The Black Keys estrelados pelo dinossauro Frank são excelentes exemplos de como boas ideias superam grandes orçamentos. O diálogo com o espectador através das legendas (e a ironia das mesmas) é a grande sacada. Como se não bastasse, a banda e sua equipe ainda fizeram outro ótimo vídeo para "Tighten up", presente na maioria das listas de melhores vídeoclipes de 2010.
Ps.: precisa comentar que outro ponto alto do vídeo de "Next girl" são as várias mulheres tatuadas de biquini?
Kanye West - "Power"
Também conhecido como "maior ego da música pop atual", Kanye West pode não ter todo o talento que ele próprio imagina ter, mas provavelmente chega próximo a isso. Esse mesmo talento se reflete na escolha dos profissionais que o acompanham, como pode ser visto no vídeo de "Power" (aqui, nas versões oficial e do diretor), um dos mais impressionantes do ano.
Liars - "Scissor"
Traduzindo de forma fenomenal para o vídeo o clima das canções do Liars, o vídeo de "Scissor" é angustiante e claustrofóbico, mesmo sendo rodado ao ar livre. Esse é o "no future" de 2010.
HEALTH - "We Are Water"
Terror, no sentido mais profundo da palavra. Pesado (visual e musicalmente).
Miike Snow - "The Rabbit"
Não sei como explicar esse clipe do Miike Snow, mas com certeza daria um clássico da Sessão da Tarde se virasse filme.
M.I.A - "Born free"
Um dos vídeos mais polêmicos do ano, "Born free" é pracicamente um curta de ficção com trilha sonora da M.I.A e dirigido por Romain-Gavras, filho do famoso cineasta Costa-Gavras. Ps.: a base da história é praticamente um episódio de South Park.
Flying Lotus - "Kill Your Co-Workers"
Surreal. O nome diz tudo: "mate seus companheiros de trabalho". E no final vem a mensagem crucial: "com carinho".
Holy Fuck - "Red Lights"
Pornografia e gatos estão entre os temas mais recorrentes na internet. Aqui, um exemplo do segundo tema.
Rainbow Arabia - "Holyday in Congo"
Integrante da leva de bandas que elevam a miscigenação a status cool, a Rainbow Arabia colocou um bando de sósias de Michael Jackson dançando pelo Rio de Janeiro em uma música que teoricamente seria sobre o Congo. Cada um tem o feriado que merece.
Tame Impala - Lucidity
Também conhecido como "o maior plágio audiovisual do ano", cópia descarada desse vídeo.
Matéria completa na Época Negócios, por Rafael Barifouse e Raquel Salgado, sobre o atual momento da indústria musical no Brasil. As perspectivas para o setor em 2011 são boas e a profissionalização no mercado, junto às estratégias de divulgação e distribuição relacionadas aos meios digitais, tem papel importante nesse cenário.
No site da Época, logo depois de carregar a página com o texto em questão você é transferido para a página de cadastro da Globo. Caso não queira fazer isso, é só voltar até a página da matéria e impedir que ela complete seu carregamento (aperte "esc" ou o "x" no seu navegador, de "interromper o carregamento). Essa dica vale pra outras páginas da Globo.com também.
Reconhecido como celeiro de talentos, o Brasil ampliou horizontes. Além
de exportar artistas, passou a receber um volume inédito de nomes
internacionais. Junto ao crescimento do consumo doméstico, com mais
gente buscando lazer, esse movimento traz novas perspectivas ao
mercado. A produção de shows e a popularização de novos canais de
distribuição, como celulares e a internet, ganham espaço. Isso só é
possível graças à recente profissionalização do setor.
.....
O mercado musical, porém, vai muito além dos grandes palcos. Com a
venda de CDs minguando, as apresentações ganharam importância.
Calcula-se que 60% do faturamento de um artista venha dos shows. É
preciso achar novos lugares para esses músicos. Um grande filão é o de
eventos empresariais. Pode ser o lançamento de um novo produto ou uma
festa promovida para estreitar o relacionamento com clientes e
fornecedores. O Banco de Eventos, agência de marketing promocional, tem
se beneficiado da tendência. “Temos uma atração musical em quase todas
as nossas ações. Se não for uma banda ou um cantor, há pelo menos um
DJ”, diz Andréa Galasso, diretora-geral da empresa. Não há dados
consolidados sobre o mercado de produção musical, mas quem dele
participa nunca esteve tão animado. A conjuntura econômica ajuda no
crescimento. A crise atingiu duramente a Europa e os Estados Unidos e
fez boa parte dos investimentos estrangeiros migrar para países
emergentes, como o Brasil. Artistas de fora também veem o país como um
mercado em potencial. Aliado a isso há a ascensão social interna, com
mais gente consumindo itens antes considerados supérfluos, como os de
lazer. “Há público para todos. De concertos de jazz a shows de bandas
sertanejas”, diz Andréa.
O Plug Minas - Centro de formação e experimentação digital é um projeto do Governo de Minas Gerais que, como o nome indica, trabalha diferentes aspectos da cultura digital e das artes e é focado no público jovem da região metropolitana de Belo Horizonte. Para 2011, o Plug Minas está recebendo inscrições até 9 de janeiro para 4 de seus núcleos: Jogos digitais, Empreendedorismo juvenil, Valores de Minas e Oi Kabum!. Um site temporário foi criado para facilitar a identificação dos jovens com suas possíveis áreas de interesse e melhor aproveitamento do curso.
Trata-se de um projeto inovador do Governo estadual, que desenvolveu o projeto "entendendo que a cultura digital e as artes tem um enorme potencial de transformação da realidade social". Ao todo serão disponibilizadas 923 vagas entre os 4 cursos, cujas durações têm em média 1 ano.
Como Participar
Perfil
As atividades do Plug Minas são voltadas para jovens de 14 a 24
anos, estudantes e egressos da rede pública de ensino na Região
Metropolitana de Belo Horizonte.
Inscrições
Fique atendo às datas! O Processo Seletivo 2011 acontece entre 8 de
novembro de 2010 e 09 de janeiro de 2011. As inscrições podem ser
realizadas por meio do preenchimento de Formulário de Inscrição, via
internet, disponibilizado neste portal ou presencialmente no Plug Minas.
Processo Seletivo 2011
O Processo Seletivo 2011 começou!
Datas de inscrição:
8 de novembro de 2010 a 9 de janeiro de 2011
Quem pode se inscrever
Jovens de 14 a 24 anos, estudantes e egressos da rede pública de ensino na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Vagas:
Serão disponibilizadas 923 vagas de acordo com a distribuição:
Núcleo Empreendedorismo Juvenil: 210 vagas
Núcleo Oi Kabum!: 100 vagas
Núcleo Valores de Minas: 500 vagas
Inove – Jogos digitais: 113 vagas
Etapas
O Processo Seletivo 2011 acontecerá em duas etapas: a primeira se
refere à inscrição do candidato e a segunda corresponde à seleção do
inscrito pelos núcleos, podendo conter entrevistas, dinâmica de grupo
e/ou avaliações por escrito.
1ª Etapa
Na primeira etapa, o jovem que se interessar por um dos núcleos do
Plug Minas, deverá preencher a ficha de inscrição que está disponível
em dois formatos: eletrônico e impresso – disponível no Plug Minas.
Passo a passo para se inscrever:
1º passo: Escolher o núcleo que deseja participar
2º passo: Preencher a ficha de inscrição com os dados pessoais (nome
completo, data de nascimento, carteira de identidade, CPF, sexo,
escola, série, turno), dados sócio-econômicos (renda familiar) e
informações de contato (endereço residencial completo, telefone e email)
3º passo: preencher as informações específicas relativas ao núcleo escolhido
4º passo: Em caso de inscrições online, o candidato vai receber um
email de confirmação. Para os casos de inscrição com ficha impressa, o
candidato receberá um protocolo de inscrição.
2ª Etapa
Serão convidados 2.769 candidatos para participar da 2ª etapa. Esse
é momento em que cada núcleo realizará entrevistas, dinâmicas de grupo
e/ou provas escritas para identificar o perfil do estudante
Conheça o processo de avaliação específico de cada núcleo:
Núcleo Empreededorismo Juvenil
- Avaliação de conhecimento em disciplinas do ensino fundamental - Data: 15 de janeiro de 2011 - Dinâmica de grupo - Data: 24 a 28 de janeiro de 2011
Núcleo INOVE Jogos Digitais
- Prova de conhecimentos em física, matemática e português referentes aos conteúdos do ensino médio - Data: 21 de janeiro de 2011
Núcleo Oi Kabum!
- Entrevistas - Dinâmica de grupo - Data: 25 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011
Núcleo Valores de Minas
- Entrevista individual - Data: 15 e 18 de fevereiro - Aulas experimentais: 28 de fevereiro a 04 de março de 2011
Resultados
O resultado da 1ª etapa será divulgado em janeiro aqui no site do
Plug Minas. Os selecionados também serão comunicados por email, podendo
até serem contatados por telefone.
O resultado da 2ª etapa será divulgado cinco dias após o término da
seleção de cada núcleo. A lista dos selecionados será enviada às
escolas e estará disponível aqui no site.
O Ministério da Cultura, por intermédio da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic/MinC), abriu inscrições para o Programa de Capacitação em Projetos Culturais.
Os cursos serão realizados no primeiro semestre de 2011 e as inscrições podem ser realizadas até 25 de fevereiro de 2011.
O curso possui uma etapa online (parceria entre a Fundação Getúlio Vargas, Itaú Cultural, CNI/Sesi e o Governo Federeral) que pode ser feita por qualquer pessoa e etapas presenciais, realizadas em Fortaleza (CE), Maceió (AL), Natal (RN), Petrolina (PE), Vitória da
Conquista (BA), Santarém (PA), Manaus (AM), Palmas (TO) e Macapá (AP). Há algum tempo fiz o curso online e achei bem interessante, com boa metodologia e interface prática.
O CineEsquemaNovo é um festival de cinema que acontece anualmente em Porto Alegre e que sempre faz recortes interessantes da produção audiovisual brasileira. Para sua edição de 2011, que acontecerá entre os dias 23 e 30 de abril, o festival recebe inscrições de filmes em diferentes formatos e gêneros até o dia 17 de janeiro. Dá pra saber que o pessoal tem bom gosto só de ver a vídeo-chamada de inscrições:
Pra não haver dúvidas, segue o texto explicativo sobre as inscrições e o CineEsquemaNovo 2011:
"O CineEsquemaNovo 2011 - Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN 2011) terá a sua sétima edição entre os dias 23 e 30 de abril mantendo a proposta, estabelecida desde sua primeira edição, em 2003, de estimular o exercício da autoria e da pesquisa de linguagem na produção audiovisual independente contemporânea.
Nesta edição, há a novidade da premiação em dinheiro aos vencedores.
O CEN tem como principal meta para 2011 abrir ainda mais o cruzamento entre cinema e artes visuais na sala de projeção - um objetivo que vem sendo perseguido pelo encontro desde sempre e que, no próximo ano, receberá atenção especial inclusive em suas programações paralelas.
Como em todas as edições anteriores do festival, o CEN 2011 valoriza diferentes gêneros de filmes e técnicas de realização, sem distinção de formatos de captação ou finalização. Assim, são bem-vindas desde produções realizadas em mídias "domésticas" (celulares, câmeras fotográficas, video digital, por que não o VHS...) até as consagradas películas (Super-8, 16mm, 35mm). Para o CEN, elas são caminhos estéticos e exemplos de diversidade criativa na tela, e não limitadores impostos por questões externas à ideia e a sua produção.
O que importa são obras que estimulem a reflexão e a pesquisa de linguagens, dialogando com os princípios do festival: a surpresa, a experimentação, a criatividade e a inovação. Esta proposta, ao lado do convite à inscrição de trabalhos para seleção, é ressaltada este ano pelo vídeo realizado pelos artistas visuais Cristiano Lenhardt e Luiz Roque, já disponível no site do festival e nas redes sociais. Veja o video aqui ou aqui.
Podem ser inscritos até o dia 17 de janeiro de 2011 filmes de curta, média e longa-metragem produzidos em todos os gêneros e formatos, finalizados a partir de janeiro de 2009 e que não tenham participado das edições anteriores do CEN. Podem participar produções realizadas no Brasil por brasileiros ou estrangeiros, ou ainda no exterior por brasileiros.
Além da seleção para as mostras competitivas do festival, os filmes vão concorrer a prêmios em dinheiro, iniciativa inédita na história do CineEsquemaNovo. Os cinco convidados que vão compor o júri oficial escolherão o Melhor longa-metragem (prêmio de R$ 12.000,00, doze mil reais), Melhor curta ou média-metragem (R$ 5.000,00, cinco mil reais), além de outros filmes de curta, média e longa-metragem que receberão prêmios especiais. Também serão premiados os melhores filmes eleitos pelo público do CEN e pelos alunos da Oficina de Crítica que será realizada durante o encontro"
Apresentado como resultado de anos de pesquisa de tendências de comportamento e consumo, "We All Want to Be Young", praticamente um curta documental, apresenta boas questões sobre o modo como os jovens transformaram o mundo nas últimas décadas (e elevaram o hedonismo e o consumo a novos níveis). Conforme é apresentado, "jovens representam novas linguagens e comportamentos", portanto, sendo cruciais para se tentar entender um pouco melhor o atual momento, marcado por rápidas transformações nos mais distintos aspectos que se possa imaginar.
Com edição primorosa, o vídeo foi dirigido pelos brasileiros Lena Maciel, Lucas Liedke e Rony Rodrigues para a BOX1824, empresa especializada em tendências comportamentais.
O único fato que me deixou em dúvida foi como eles registraram o filme em uma licença Creative Commons se ele é (praticamente) feito somente a partir de imagens que não estão liberados em Creative Commons. Ou seja, registrar uma obra resultante da mistura de outras obras protegidas por Copyright seria uma infração de direitos autorais.
E para quem se interessar, aqui está a lista com as músicas usadas como trilha sonora (tem até uma mixtape com todas):
Keyboard Cat / "Building All is Love" – Karen O & the Kids / "When the War Ends" – Portugal The Man / "Danger Danger High Voltage" – Electric Six / "Young Americans" – David Bowie / "Children of the Revolution" – T-Rex / "99 Luftballons" – Nena / Double Rainbow / "Bed Intruder Song" – Antoine Dodson & Gregory Brothers / "15 step" – Radiohead / "Come Back Home" – Two Door Cinema Club / "Single Ladies" – Pomplamoose / "Don’t Make Me a Target" – Spoon / "The Mall and the Misery" – Broken Bells / "Night Time" – The xx / "No Cars Go" – Arcade Fire
Segundo colocado no concurso Shooting Poverty, que abordou a relação entre o uso de armas e pobreza em diversas regiões do planeta, o documentário Grosso Calibre mostra o Complexo do Alemão (destacado nos noticiários nacionais devido aos conflitos entre traficantes e a Polícia do Rio de Janeiro) do ponto de vista do MC Smith, recentemente preso por apologia ao tráfico.
Além de ressaltar o potencial do funk como forma de protesto e representação de determinados grupos, o vídeo se destaca pela forma como apresenta a presença da violência no cotidiano da comunidade e ao explorar o paradoxo dos "proibidões", posicionados entre uma legítima forma de manifestação cultural e a apologia ao tráfico e ao crime.
A direção é dos brasileiros Guilherme Arruda, Ludmila Curi, Thiago Vieira. Os outros dois primeiros colocados na seleção do Shooting Poverty (que foi realizado pela associação internacional Oxfam) também podem ser vistos na internet: Explosão a preço de banana (1° lugar) e O dia 6 de abril (3° lugar).
Os parceiros do blog Sound and Colours, focado na música produzida na América do Sul, listaram seus vídeoclipes favoritos de 2010 e cinco artistas brasileiros (4 deles, independentes), figuram na lista: Garotas Suecas, Macaco Bong, Karina Buhr, Mombojó e Marcelo D2. Um dos pontos que mais me chamou atenção foi o fato do clipe do D2, único artista em uma gravadora major da lista, ser o menos inspirado entre os brasileiros - o que leva mais uma vez à colocação de que o que há de mais interessante na música brasileira na atualidade realmente está na cena independente.
O grupo paulista Garotas Suecas vem obtendo cada vez mais destaque no exterior e seu novo trabalho, o CD Escaldante Banda, tem obtido boas críticas no Brasil e no exterior. No descontraído vídeo de "Bugalu" o que mais se destaca é a forma como aliam alterações na velocidade da imagem ao mesmo tempo em que mantêm a sincronia entre os lábios dos vocalistas e o áudio.
Banda-ícone do movimento ocorrido na cena musical independente brasileira nos últimos anos, capitaneado pelo Circuito Fora do Eixo, a cuiabana Macaco Bong foi até Belém (PA) para fazer um segundo vídeo para a destruidora "Shift", abrindo espaço para a banda em canais como a MTV e Play TV. Valeu a pena a viagem.
A hypada Karina Buhr (PE), atualmente mais próxima dos "novos paulistas" do que da cena pernambucana, apresenta uma ideia simples porém bem executada no vídeo de "Nassiria e Najaf", presente em seu elogiado álbum de estreia, Menti pra você.
O que dizer sobre o Marcelo D2? Não tenho acompanhado sua carreira mas, a julgar por essa "Meu tambor", não parece estar em um momento inspirado. De certa forma me surpreendeu (a música) e pelo simples fato de não ser exatamente aquilo que se espera de um artista já pode ser considerado um ponto positivo por não se acomodar e não temer o risco de mudar.
Aproveito para divulgar também os vídeos de bandas de outros países do continente e que entraram na lista, sendo que o meu favorito é o primeiro abaixo, da dupla Los Massieras (que teoricamente não deveria constar na lista, uma vez que aparentemente têm origens na República Dominicana e formaram o projeto na Europa), uma deliciosa mistura de Daft Punk e Justice com um visual inspirado no cinema retrô de ficção científica. Destaque também para o pop da chilena Javiera Mena, que em "Sufrir" conta com a participação do sueco Jens Lekman (que recentemente excursionou pelo Brasil).
Los Massieras - "Boogity Boogity Boogity"
Javiera Mena feat. Jens Lekman -- Sufrir
Aterciopelados - "Bandera"
Superlitio - "Te Lastimé"
Axel Krygier - "Pesebre"
Major Lazer feat. Mr Lexx & Santigold - "Hold the Line (Frikstailers Remix)"
Publicado na edição de outubro da revista Cult como parte do dossiê intitulado "Os rumos da cultura no Brasil", esse artigo do Tárik de Souza faz uma análise do atual momento da música brasileira a partir de um resgate histórico dos genêros musicais brasileiros e suas respectivas relações com o mercado. É interessante perceber (indo além do que está no texto) como movimentos tidos como à margem do mercado de massa em um primeiro momento se destacaram ao longo dos tempos e acabaram sendo apropriados pelo mainstream, constituindo-se como verdadeiros marcos da música popular brasileira contemporânea (como nos casos citados do pagode de raiz e do tecnobrega).
Abaixo você lê a primeira parte do artigo, que está disponível, na íntegra, no site da Cult.
Como o Brasil é muito extenso – fragmentado por regionalismos e
absurdas discrepâncias de renda, escolarização e capacidade de geração
e apreensão cultural –, não há como definir um rumo linear para a
música popular. De forte apelo nacional, ela não possui uma voz única.
Ao mesmo tempo, os cada vez mais abrangentes meios de comunicação
também não a disseminam de forma democrática, com igualdade de
oportunidades para os mais diversos gêneros sonoros que povoam nosso
território. Tais limitações são regidas pela engrenagem financeira
imediatista do mercado. Ou seja, é fácil encontrar música populista
brasileira (geralmente classificada de brega) nos horários mais nobres
dos meios de comunicação de massa, muitas vezes turbinada por uma
divulgação artificial, financiada (o assim chamado “jabá”). E não a
resultante da que deveria ser uma demanda popular de oferta ampla. É um
circuito que se autoalimenta, já que ele condiciona o ouvido da maioria
da população a um único tipo de música e abordagem.
Ainda que essa música possa vestir formatos como sertanejo, pagode
romântico, forró pop ou axé music, muda-se a embalagem, mas o conteúdo
vem recheado dos mesmos clichês poéticos de paixão exacerbada ou
revanche amorosa, enquanto as linhas melódicas reprisam sequências
surradas, incapazes de tirar a audiência da zona de conforto do já
conhecido. “O povo sabe o que quer / mas o povo também quer o que não
sabe”, já cantava com sagacidade o compositor e ex-ministro da Cultura
Gilberto Gil, em “Rep”, faixa de seu disco O Sol de Oslo, de 1998.
Mas, dentro desse cenário viciado, há curiosas exceções, sob certos
aspectos. Como o assumido “tecnobrega” paraense e suas variações, cujo
lastro musical-poético não difere muito dos congêneres do mercado de
massa, exceto pelo fato de ser um produto independente cedido à
promoção pela divulgação pirata dos camelôs locais. Some-se a isso alta
tecnologia, utilizada em iluminação, cenários, aparelhagem e efeitos
sonoros. Da mesma forma, independentes (difundidos ou não por
gravadoras) e virais, espalharam-se o rap, em geral de forte conteúdo
contestatório, como o dos pioneiros Thaíde e DJ Hum, mais Racionais
MC’s, Sabotage (que morreu assassinado), Mzuri Sana, O Rappa, Nega
Gizza, Xis, MV Bill, Negra Li, e também uma perna associada ao samba,
via Rappin’ Hood e Marcelo D2. E ainda o funk carioca, de alto apelo
sexual, não raro pornográfico, junto aos “proibidões”, que exaltam os
bandidos e a vida marginal. Inicialmente uma mera cópia dos batidões de
baixo estertorado do estilo norte-americano miami bass, esse
funk – dentro da espontânea antropofagia cultural brasuca – ganhou a
adesão do tambor de candomblé, acelerou a batida e sofisticou-se na
direção de um eletroclash nativo, com repercussões internacionais.
Após uma década de ouro – os anos 1980 –, quando implantou no país
um modelo pós iê-iê-iê com tinturas punk e pop em variadas colorações
(Blitz, Legião Urbana, Paralamas, Titãs, Kid Abelha, Engenheiros do
Hawaii, Lobão, Lulu Santos, Marina Lima, Cazuza, Angela Ro Ro, Barão
Vermelho, Ira!, RPM, Capital Inicial, Camisa de Vênus), o BRock, que
conseguiu exportar até heavy metal via os mineiros do
Sepultura, diminuiu sua influência e poder. Passou por uma geração que
incorporou elementos étnicos como os do “mangue bit” pernambucano,
viveu a imolação da rascante antidiva Cássia Eller, a meteórica
passagem da híbrida banda Los Hermanos, e desaguou em tribos pop de
calibres variados. Dos tristonhos de rímel do emocore aos jeans de cores ácidas do happy rock.
Num nicho à parte, bandas como a cearense Cidadão Instigado (do
guitarrista Fernando Catatau, o mais influente da nova fornada), Móveis
Coloniais de Acaju, de Brasília, e a mato-grossense Vanguart oferecem
dissonâncias ao discurso dominante no setor.
Em um disco de 1969 Gilberto Gil cantava os contundentes versos: “a
cultura, a civilização: elas que se danem, ou não”. O paroxismo da
frase aponta tanto para o advento iminente do princípio da barbárie
contemporânea quanto contém dentro de si a potência necessária para
superá-la numa afirmação anárquica mas positiva de uma outra
possibilidade de cultura e civilização. Não deixa de ser irônico que o
mesmo autor da frase, mais de quarenta anos depois, assumiria o posto
de Ministro da Cultura.
Sintomático que um dos artífices do tropicalismo, o principal movimento
estético de vanguarda no Brasil na segunda metade do século XX tenha se
embrenhado na política. Gil já havia dado mostras de sua disposição
para o gabinete e o palanque em pelo menos duas ocasiões, quando
assumiu como vereador em Salvador e depois como candidato a prefeito da
capital baiana. Mas era ainda um laboratório do que estava por vir.
Incorporando elementos do movimento contra-cultural, uma das propostas
mais caras ao tropicalismo foi, em última instância, a quebra de
barreiras entre arte e política, entre intervenção social e cultura.
Nesse sentido pode-se dizer que a realização do projeto tropicalista em
seu sentido mais amplo, por mais desdobramentos que possa ter gerado,
não estaria completa sem uma intervenção efetiva, ampla e incisiva no
ambiente político-cultural do país.
O Ministério da Cultura por sua vez, a instância responsável pela
elaboração e execução das políticas públicas para o setor no âmbito
federal, sempre teve uma existência inexpressiva, primeiro vinculado ao
Ministério da Educação, depois rebaixado a secretaria, por fim uma
pasta sem recursos suficientes para garantir à população o direito
constitucional de acesso aos bens e produtos culturais do país. Mais do
que isso, um ministério que se escorou num único mecanismo de ação
delegando a responsabilidade do fomento ao mercado e favorecendo grupos
e agentes na base da política de balcão. Reflexo de um pensamento
elitista que sempre pautou as políticas – ou a falta delas – para o
setor.
Por tudo isso a nomeação de Gilberto Gil para o cargo de Ministro da
Cultura equivale aproximadamente, na relação direta e proporcional
entre as hierarquias governamentais, à própria eleição do presidente
Lula. A dimensão simbólica do fato só encontra paralelo na história
recente com a nomeação de Villa-Lobos para a direção da antiga
Superintendência Educacional e Artística na era Vargas. Mas o gesto
aqui é ainda mais amplo e o desafio mais complexo.
Em Salvador me disseram que Gil teria recusado o primeiro convite de
Lula. O futuro ministro então ligou para o amigo e conselheiro Antônio
Risério. Antropólogo especialista em cultura africana no Brasil,
desafeto de ACM, referência intelectual dos tropicalistas, Risério
teria dito em resposta: “vai ficar na Senzala, não vai entrar na Casa
Grande?”. O sarcasmo da analogia em tom de desafio diz muito sobre as
relações entre alta e baixa cultura e a disparidade nas relações de
produção e consumo entre as diferentes classes sociais do país.
E se Villa-Lobos vislumbrou a realização de um projeto cultural de
amplitude para o país com a implantação do canto orfeônico nas escolas
públicas brasileiras durante a ditadura Vargas nos anos 40, o projeto
de Gil propunha uma mudança de paradigma, uma inversão na forma de
pensar e perceber a cultura brasileira. E mais, transformar essa visão
em política de Estado! Não era pouco, mas de certa forma o embrião já
estava todo ali no discurso de posse. Precisávamos definitivamente
encarar a cultura como um fator estratégico para o desenvolvimento do
país.
O fato é que o tema da nunca esteve, até então, na pauta das discussões
políticas com a devida importância. A despeito do acesso à Cultura ser
um direito previsto na Constituição Brasileira de 1988 e dever ser
assegurado a todos os cidadãos pelo Estado Brasileiro. A despeito ainda
dos Direitos Culturais estarem previstos expressamente na Declaração
Universal de Direitos Humanos de 1948, como fator de singularizarão da
pessoa humana e comporem juntamente com os Pactos Internacionais de
Direitos Civis e Políticos e de Direitos Econômicos Sociais e Culturais
a Carta das Nações Unidas, da qual o Brasil é signatário com posição
ratificada em 1992. Para além do caráter simbólico e de sua importância
para a formação da identidade brasileira, a cultura tem se mostrado
como fator fundamental de desenvolvimento econômico gerador de emprego
e renda. Acabamos de passar por uma crise financeira mundial no momento
em que outra já se anuncia e o setor cultural foi um dos que mais
demonstrou capacidade de reação e superação. Não é por acaso que é o
setor da economia que mais cresce no mundo todo, de acordo com dados
recentes do Banco Mundial.
Gil assume o Ministério em 2002 e parte de um germe plantado por
intelectuais orgânicos - aqueles que colocam a mão na massa encefálica
- ligados ao núcleo expandido do tropicalismo como Antônio Risério,
Rogério Duarte, Wally Salomão, Jorge Mautner e o próprio Juca Ferreira
conseguindo a adesão imediata de jovens criativos e bem preparados
vindos de diversas partes do país que se entusiasmaram com a idéia.
Entre eles o próprio Alfredo Manevy, atual Secretário Executivo
recrutado das fileiras da crítica cinematográfica mais política e
aguerrida.
Naquela ocasião não havia um projeto consistente do PT para o setor
cultural. Isso fica claro ao analisarmos as propostas apresentadas pelo
partido tanto nas eleições daquele ano quanto nas anteriores. Assim
como o PT nenhum outro partido jamais apresentou propostas minimamente
fundamentadas para o setor simplesmente porque jamais perceberam a
dimensão do espectro cultural. Basta passar o olho nos programas de
governo lançados pelos candidatos à presidência. Todos apresentaram, em
linhas gerais, uma continuidade das políticas culturais implementadas
na atual gestão, com ampliação dos Pontos de Cultura e revisão dos
mecanismos de investimento público no setor.
A ideia-conceito que sustentou a implantação do Pontos de Cultura dá a
dimensão da mudança paradigmática operada nesse período. Ao promover o
encontro inusitado da simplicidade radical de uma tradição oriental
secular com uma disciplina humanista relativamente recente do
pensamento ocidental foi realizada uma síntese poderosa capaz de
promover um movimento sísmico no Brasil profundo. O Do-in antropológico
proposto pelo então Ministro em seu discurso inaugural, sugerindo uma
massagem nos pontos nevrálgicos do país de forma a possibilitar que a
energia dessas veias e artérias culturais ramificadas por todo o
território fluíssem resultou em mais de cinco mil pontos de cultura
espalhados por todo o país e uma tecnologia social que virou modelo e
hoje é exportada para todo o mundo.
Mas não foi só isso, durante esses anos houve uma intensa movimentação,
tanto em listas virtuais quanto em encontros presenciais de dezenas de
milhares de agentes, entre eles artistas, produtores, pesquisadores,
gestores, jornalistas e cidadãos em geral interessados em discutir
políticas públicas para a cultura. Foram organizados fóruns onde se
discutiu exaustivamente cada ponto considerado importante nas
respectivas áreas. Mais do que simples consultas, as conferência de
cultura se transformaram numa demonstração vigorosa do exercício
democrático com a capacidade de anular, por si, qualquer possibilidade
de clientelismo de um lado e de dirigismo por outro. Isso em cada
setor, mas também transversalmente. A criação desse canal de
interlocução inédito da sociedade civil com o governo por sua vez,
impulsionou a criação de grupos, coletivos, associações e cooperativas
em todos os cantos, que vieram respaldar e dar legitimidade aos fóruns.
A fermentação dessa massa gigantesca resultou no Plano Nacional de
Cultura, que por sua vez integra o Sistema Nacional de Cultura, com a
proposta de implementação de ações coordenadas com ramificação nas
esferas federais, estaduais e municipais.
Outro movimento importante foi a correção das distorções da famigerada
Lei Rouanet com a criação do Procultura – Programa Nacional de Fomento
e Incentivo à Cultura aprovado recentemente no Congresso Nacional. Um
dos trunfos do programa é a criação de fundos setoriais - uma demanda
antiga da classe artística - geridos a partir de colegiados e comitês
formados por representantes da sociedade civil e repasse de verbas
através de editais públicos com critérios claros e transparentes.
Vale menção ainda a consulta pública para revisão da Lei dos Direitos
Autorais e toda a cruzada do Ministério da Cultura a favor da cultura
livre, da ampliação do acesso à banda larga, a implantação do Vale
Cultura, que deverá promover o acesso de uma parcela significativa da
população brasileira a produtos e bens culturais e a articulação da
Proposta de Emenda à Constituição n° 150, de 2003, a PEC da Cultura,
com elevação dos patamares orçamentários nas três esferas do poder.
Claro que ainda falta muita coisa! Ressentimos por exemplo a
inexistência de indicares para um diagnóstico mais preciso sobre as
atividades culturais no país, que movimentam milhões mas estão pautadas
em sua grande maioria pela informalidade; a revisão do enquadramento
jurídico e dos encargos tributários para as empresas e profissionais do
setor artístico; a reestruturação da FUNARTE e a criação das agências
para cada setor; enfim, ainda há muito trabalho pela frente.
Mas mesmo as críticas tem sido absorvidas e debatidas publicamente em
várias ocasiões. Muitas delas, cabe dizer, vindas de lobbies e grupos
que viram seus interesses ameaçados, que tentaram desqualificar as
propostas a priori com receio de que as mudanças – principalmente a
revisão da Lei Rouanet e a reforma da Lei do Direito Autoral –
interferissem nos lucros e privilégios adquiridos durante anos de
limbo. Mas, de todas as críticas, uma ganhou destaque na imprensa e
merece atenção especial aqui pela importância do interlocutor e sua
posição estratégica em meio ao processo como um todo. Caetano Veloso
foi um dos críticos mais contumazes da gestão, manifestando
publicamente seu descontentamento com os rumos das políticas do
Ministério da Cultura e com as posições defendidas pelo ministro. Mas
foi o próprio Caetano quem declarou certa vez que "Rogério Duarte disse
numa louca conversa em 68 que Gil era o profeta e eu apenas o seu
apóstolo." O caráter profético da máxima ganha contornos inusitados
quarenta anos depois. O fato é que o próprio Caetano reconheceu, ao fim
do mandato do colega de Tropicália e importância de sua passagem pelo
Ministério da Cultura, a projeção e destaque alcançados por um
Ministério antes invisível. Mas no momento em que Caetano defende a
liberação do iTunes para venda de músicas online no Brasil em seu
artigo semanal no jornal O Globo ele efetivamente se torna um apóstolo
de Gil na sua cruzada pela cultura digital. Gil foi o primeiro artista
do primeiro escalão a perceber as mudanças na estrutura de
funcionamento da indústria fonográfica e investir num novo modelo de
negócios. Disponibilizou arquivos para download gratuito e defendeu a
flexibilização do direito autoral; fez as primeiras transmissões ao
vivo pela internet e foi também pioneiro na utilização de plataformas
2.0; incorporou os princípios do software livre e da economia criativa
não só ao seu discurso mas à sua própria obra.
Mas há pelo menos mais dois fatos que chamam a atenção neste momento. O
primeiro é a disputa, até então inédita, pelo cargo de Ministro da
Cultura. Eu já acompanhei pela imprensa a citação de pelo ao menos duas
dezenas de nomes cogitados para assumir a pasta no novo governo. Até
muito pouco tempo não havia o menor interesse, nenhum partido disputava
a cultura, era perfumaria, moeda de troco na barganha dos ministérios -
como infelizmente ainda acontece em muitas secretarias e fundações em
municípios e até estados.
Outro fato interessante é que a partir de 2011 o ensino de música volta
a ser obrigatório nas escolas brasileiras, em cumprimento à lei
sancionada em 2008. Reivindicação legítima e urgente da classe musical,
o ensino de música nas escolas deve exercer a médio e longo prazo um
impacto imenso no perfil dos consumidores e na qualidade da produção de
um país que já é reconhecido como um dos mais musicais do planeta. É
inevitável pensar no arco que vai do canto orfeônico nos anos 40, passa
pela reformulação curricular durante a ditadura militar - que excluiu o
ensino de música e reduziu a carga-horária e a importância das
disciplinas ligadas às artes e humanidades em geral -, e o retorno do
ensino de música ao currículo obrigatório. Nesse intervalo entre a
atuação de Villa-Lobos e a gestão de Gilberto Gil / Juca Ferreira a
cultura parece ter assumido uma dimensão política até então
inimaginável.
Graças a essa nova configuração estamos a caminho de realizar em ato,
nos próximos anos, as potencialidades do Brasil transformando-o em
referência na produção e no acesso a uma das matérias mais sofisticadas
do intelecto humano, que é a arte e a cultura. Agora portanto é bola
pra frente, não é possível mais recuar!
Com um vocal feminino capaz de provocar ereções em um pedófilo, a banda mineira Ophelia and the Tree apresenta uma intrigante mistura de Belle and Sebastian e Joy Division.
Formada em meados de 2008 na triangular Uberlândia (MG) por Camila Franco (vocal), Thiago Fontes (guitarra), Gabriel Felix (bateria), Lucas Paiva (baixo), Bernardo Penha (piano), Bim Bernardes (violão/guitarra/trombone) e Rafa Rays (violino) a banda atualmente prepara seu primeiro álbum “cheio” com lançamento previsto para o segundo semestre de 2011. Com sete boas canções autorais disponíveis em sua página no MySpace, além de inúmeras apresentações em diversas cidades do país, o grupo promete ser uma das surpresas do próximo ano.
Confesso que cheguei a ver Ophelia and the Tree ao vivo no início de 2009, no bar A Obra, em Belo Horizonte, e a banda não me causou maiores impressões. Na real, soavam como um bando de moleques abobados que juntou toda a grana da mesada para tocar em um “inferninho” da capital. Porém, os dois anos de estrada trouxeram um notável amadurecimento musical. Afinal, quando os integrantes não morrem de fome, algumas bandas independentes deste país tendem a melhorar com o tempo.
O tom singelo e “fofinho” presente na estética, tanto da banda como de suas canções, observado principalmente nos vocais, cordas e piano remetem, de forma imediata, aos escoceses do Belle and Sebastian, guardadas as devidas proporções. No entanto, o diferencial está na bateria marcada e reta que, em seus melhores momentos, lembra o genial estilo criado por Stephen Morris (baterista do Joy Division, mané!) e copiado por tantos. Além disso, o clima levemente sombrio de algumas letras parece também fazer referência aos “solares” rapazes de Manchester.
Em "Cabaret", principal motivadora deste texto, o incrível arranjo elaborado mostra ainda certa proximidade, talvez inconsciente, com o universo de Serge Gainsbourg, (é... o cara da melô de motel, mas acredite, ele é muito mais do que isso) em seu fantástico álbum Nº4, porém com uma pegada mais folk e menos jazzística. Para Bim Bernardes, guitarrista da banda, a canção “soa como as músicas de Robert Crumb”, mais conhecido por seu genial trabalho como cartunista do que por sua banda R. Crumb and His Cheap Suit Serenaders, igualmente fóda.
O timbre de Camila Franco parece ser bastante influenciado por grandes cantoras como Fiona Apple, Beth Gibbons (Porstishead) e Bessy Smith (la matrona!). Caso a impressão se confirme, será necessário muito arroz e feijão para que a menina chegue lá, mas trata-se, seguramente, de um vocal promissor que parece funcionar melhor em estúdio do que ao vivo. Cinismos gratuitos a parte, o fato é que boas referências são o melhor e mais indicado caminho para formação de qualquer bom músico/cantor e Ophelia and the Tree parece estar no caminho certo.
O futuro está em curso, siga as placas. Ou seja atropelado por elas.
P.S: Escrevi este texto no dia 16/11 e o Suplicy resolveu pagar de Geraldo Vandré no Senado em 17/11. Portando, não tenho nada com isso. Aliás, o Suplicy é a prova viva que a maconha ainda será legalizada no Brasil. No dia que ele chegar no plenário trincando, de mão dada com o Gabeira, e cantar "Rainy Day Women # 12 & 35", do Dylan, será um código secreto para legalização. Fica esperto na TV Senado!
Terminada a terceira edição da Feira Música Brasil, realizada em Belo Horizonte entre os dias 8 e 12 de dezembro, é hora de todos os grandes gênios da produção apontarem erros e sugerirem que poderiam ter feito algo muito melhor. É fato que muitas coisas deram errado e, infelizmente, provável que os defeitos da Feira superem seus pontos positivos. Entre erros de produção, falta de tempo, verba e apoio do governo de MG (cuja próxima Secretária de Cultura, dizem, será Andrea Neves, irmã do popstar ex-Governador Aécio Neves) e da Prefeitura de BH (cuja administração de Márcio Lacerda tem se destacado como uma das mais criticadas na área cultural), muitos fatores contribuiram para que a FMB 2010 não fosse assim tão espetacular como desejado.
Para quem não acompanhou de perto a Feira, listo abaixo algumas das principais críticas ouvidas em relação a Feira:
- Uma das maiores críticas foi em relação ao som cortado no fim do show de Otto quando o cantor dividia palco com Bebel Gilberto e Elza Soares, em participação especial não-programada (por ordem da Prefeitura, devido ao horário, pouco depois da meia-noite), e em outros shows, como o do Mestres da Guitarrada;
- Má qualidade do som em diversos shows;
- Péssima divulgação (a programação impressa só começou a circular quando a Feira já tinha começado);
- Curto tempo de show (reclamação que, do meu ponto de vista, não
procede, uma vez que em eventos desse tipo é melhor dar visibilidade a
mais artistas do que muito espaço para poucas bandas); - E entre os itens que talvez não tenham ficado visíveis ao público mas geraram transtornos estão o longínquo local de hospedagem dos artistas (fora de BH, o que resultou em muita dor de cabeça para vários artistas em relação a transporte e horários), as restrições na passagem de som (pouco tempo e PA, as caixas que enviam o som para a plateia, desligadas na maior parte do tempo para não atrapalhar as palestras e reuniões que aconteciam próximos ao palco da Funarte) e a falta de informações transmitidas aos participantes (durante o evento encontrei palestrantes barrados na entrada, outros que não sabiam onde iriam se apresentar e participantes da rodada de negócios que não receberam informação alguma sobre o formato da rodada, que acabou apelidade por alguns como "roubada de negócios").
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo o diretor executivo da FMB, KK Kamoni, colocou entre suas justificativas para o fraco resultado da Feira (além da falta de verba e de tempo) a falta de mão de obra em BH. Perdão pela expressão, mas é uma das desculpas mais porcas dos últimos tempos. Basta pensar que o Conexão Vivo, evento que acontece anualmente em Belo Horizonte, tem estrutura próxima da que foi utilizada na FMB e é muito bem produzido por profissionais locais (pecando sempre apenas no ponto da divulgação). O que acredito ter acontecido é uma má escolha de profissionais para trabalhar na Feira, o que não justifica a colocação de que falta mão de obra qualificada na cidade. O que aconteceu na FMB, em parte, também é culpa de profissionais despreparados que foram selecionados para trabalhar em um evento de R$ 3 milhões.
Para ficar claro, registro algo que aconteceu comigo durante a Feira e explica minha colocação. Trabalhei na assessoria de imprensa da FMB e uma das minhas funções era cobrir os shows realizados no Lapa Multshow (parte da programação da Feira classificada no programa "Noite adentro", unindo artistas selecionados via edital da FMB e outros convidados diretamente pela produção) e organizar a demanda de imprensa interessada em falar com os artistas na hora dos shows, nos camarins, etc. No primeiro dia, me identifiquei, expliquei minha função para as responsáveis pela produção no Lapa e disse que precisava ter acesso aos camarins para conversar com os artistas. Em resposta, ouvi um "vou ver o que posso fazer" e só depois de muito tempo (depois de explicar que estávamos trabalhando JUNTOS para o MESMO evento, bla bla bla) consegui o acesso. E o pior é que no dia seguinte foi a mesma coisa. E para piorar, até a apresentadora do evento teve que resolver um início de confusão na portaria em um dos dias de evento porque as responsáveis pela produção eram incapazes de saber o que fazer. Como se não bastasse, ainda há outro caso: pedi para liberarem a subida de uma fotógrafa profissional ao palco para fazer o registro da noite (a Feira não contratou fotógrafos para cobrir toda a sua programação, então tive que recorrer a amigos interessados em fazer algumas fotos para seus portfolios) e uma das responsáveis pela produção me disse que elas mesmas estavam fazendo o registro dos shows e me mostrou uma câmerazinha de mão que estava no seu bolso. Isso, em um evento de R$ 3 milhões tido como a maior feira de negócios musicais da América Latina, a maior ação do Governo Federal na área musical.
E já que citei o orçamento da Feira, outros números me vieram à mente: 12 e 6. 12 é a quantidade de milhares de R$ paga a cada um dos grupos que se apresentaram na Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, selecionados na categoria Música de Concerto. 6 é o número de pessoas que compareceu ao primeiro show da FMB por lá. Nos dias seguintes não foi muito diferente: 23 e 28 pessoas por dia. E por falar em público, a ação da FMB na boate NaSala também não foi muito diferente, chegando a ter uma das apresentações canceladas em vista do pífio público presente.
Pode parecer um grande desastre, mas é preciso lembrar que muito coisa importante provavelmente irá surgir a partir das articulações que se iniciaram ao longo dos dias da Feira. Produtores e artistas de diversas regiões do país e do exterior se conheceram e trocaram contatos e informações, shows foram marcados ao redor do planeta, ideias diversas surgiram. Essa articulação é o ponto mais interessante da Feira e nesse sentido o evento parece ter sido bem sucedido.
"Entrevistag", produto da oficina Dispositivos Móveis e Novas Mídias realizada durante a FMB 2010
Ótimos shows aconteceram (sendo que vários deles já foram comentados no Meio Desligado), um enorme número de pessoas conheceu bandas das quais antes nunca haviam ouvido (e gostaram!), oficinas de capacitação ofereceram novas possibilidades de atuação para profissinais locais... os números referentes à Feira Música Brasil 2010 (mesmo que aparentemente inflacionados) comprovam sua, digamos, eficácia (ou ao menos legitima sua realização):
- R$ 60 milhões em negócios diretos previstos, a serem desenvolvidos ao longo do ano de 2011;
- 32 mil pessoas presentes em 99 shows;
- 30 mil pessoas atingidas via transmissão ao vivo de todos os shows, painéis e palestras;
- 3 mil bandas/artistas inscritos;
- 1 mil empresas nacionais e internacionais presentes no Encontro de Negócios;
- 2 mil pessoas acompanharam os paineis e palestras;
- 268 pessoas capacitadas em oficinas/cursos;
- 7 toneladas de alimentos não-perecíveis doados a
120 instituições filantrópicas da Região Metropolitana de Belo
Horizonte, no programa Mesa Brasil SESC.
Ou, talvez, eu simplesmente esteja meio desligado.
Créditos das fotos:
1. Cabruêra por Ricky Moreno / 2 e 3. Otto por João Rafael Lopes / 4. Lucas Santanna por Ricky Moreno / 5. Gatinha mostrando a língua em frente ao Bordello, na programação Noite Adentro da FMB, por Ricky Moreno
O Mixsórdia, guia cultural semanal que reúne algumas das melhores atrações culturais de Belo Horizonte durante todo o ano, selecionou oMeio Desligado como uma das principais ações da cidade em 2010 na categoria "internética" de seu prêmio anual. Fiquei super feliz pela indicação e com o reconhecimento de um veículo tão interessante como o Mixsórdia.
Aliás, vendo os indicados em outras categorias, fiquei ainda mais contente por perceber que estive ligado a diversas iniciativas culturais relevantes e que agora também são reconhecidas ao receberem indicações no Prêmio Mixsórdia.
As votações no prêmio (até 15.01.2011) são bem simples, basta marcar todas as categorias em que deseja votar e escolher suas opções. Abaixo listo as categorias em que ações com as quais estou envolvido estão concorrendo e explico um pouco da minha relação com as mesmas.
Música Pequenas Sessões / Festival de música instrumental experimental com o qual estou relacionado desde suas primeiras edições. Na edição deste ano fiz assessoria, site e ajuda na produção.
Casa noturna Nelson Bordello / Sou parceiro do pessoal do Bordello desde o início da casa e fiz várias festas por lá ao longo do ano. Algumas, inclusive, antes mesmo da inauguração oficial do espaço.
Festa Rifferama / Festa que o Amplis, baterista do Churrasco! (meu projeto de "música" experimental instrumental pesada), faz semanalmente pra tocar novidades indie-roqueiras-animadinhas.
Álbum Fusile, The Coconut Revolution / Fusile é uma das bandas brasileiras que mais gosto e durante um tempo produzi os caras.
Audiovisual "Fita amarela", de Romulo Fróes e L_ar / Já falei sobre essa obra no Meio Desligado e o L_ar é parceiro já faz um tempo. Em 2010 trabalhamos na Sarneylândia, em Sampa e outros lugares, o próximo passo é rumo Amazônia.
Internética Meio Desligado / Precisa explicar?
Coletivo
Fórceps / Coletivo que fundei junto a outras 3 pessoas em 2007, na cidade histórica de Sabará (MG).
A gigante dos cosméticos Natura lançou nesta semana seu edital de patrocínios culturais para o Estado de MG em 2011, o Natura Musical, cujas inscrições permanecem abertas até o dia 21 de janeiro de 2011. Todos os projetos devem estar inscritos na Lei Estadual de Incentivo à Cultura de MG.
Minas 2011
Para o Edital Regional Minas 2010/2011, serão aceitas propostas
específicas da área musical, como shows, festivais e produção de CD e
DVD, e também propostas multi-áreas que tenham como tema principal a
música brasileira, como espetáculos cênico-musicais, livros,
documentários e ações educativas.
O edital valoriza projetos originais, criativos e,
preferencialmente, inéditos no cenário cultural brasileiro, além de
projetos de relevância cultural e/ou excelência artística que possam
ser apreciados por qualquer pessoa, independente de níveis
socioeconomicos, escolaridade, idade, sexo e nacionalidade.
Todos os projetos inscritos deverão obrigatoriamente ter o registro
no Edital 2010 da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.
Inscrições
As inscrições são gratuitas e abertas para pessoas físicas e jurídicas. Os interessados devem acessar www.natura.net/patrocinios para
fazer o download do regulamento e preencher o formulário eletrônico.
Para mais detalhes ou em caso de dúvida, entre em contato com a equipe
de atendimento pelo telefone (11) 3146 0970 ou pelo e-mail edital@naturamusical.com.br.
A seleção será feita com base nos critérios definidos no regulamento
e contará com uma comissão independente formada por especialistas da
área de cultura e música. É com base nesse parecer que a Natura
escolherá os projetos que serão apoiados em Minas em 2011.
Termina na próxima segunda-feira, 20 de dezembro, o prazo para inscrição de projetos na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Podem se inscrever pessoas físicas e jurídicas com projetos na áreas de Artes Cênicas, Artes Visuais, Audiovisual, Literatura, Música e Patrimônio / Memória / Identidades Culturais. Entre os projetos beneficiados no ano passado estão o festival Transborda e o Mova-se, do rapper Renegado.
Todo dia 15 você já sabe: é hora de baixar a nova edição da Music Alliance Pact, coletânea global que reúne artistas independentes de destaque em cerca de 40 países de diferentes continentes. O Meio Desligado, representante oficial do Brasil desde que o país foi incluído na lista, escolheu para a edição de dezembro uma das músicas do recém-lançado álbum de estreia do goiano Diego de Moraes, que assina seu CD como Diego e o Sindicato. Esse álbum, além de apresentar influências interessantes do rock nacional de décadas passadas, é parte de uma importante ação do Circuito Fora do Eixo, o Compacto.Rec, selo virtual que lança mensalmente novos artistas independentes brasileiros.
A dica é você fazer logo o download da coletânea completa e treinar o inglês nos textos que os outros blogs integrantes da MAP redigiram sobre suas respectivas escolhas para o mês de dezembro.
Nairobi is a dub band based in Buenos Aires. Approaching dub from a diverse perspective, they create vibrant climates and fresh interpretations of the genre. This song is the first single from their second album, Wet, which was mixed at Mad Professor's studio in London and features Roberto Pettinato on saxophone.
I recently discovered this 18-year-old rapper born in Ghana but now residing in western Sydney. The word is that he got signed to his label based on a song sampling Pete Murray's Better Days, a track he made for his high school music assignment and eventually became his first single. Personally, I liked his version of Angus And Julia Stone's hit Big Jet Plane better.
BRASIL: Meio Desligado Diego e O Sindicato - Amigo Influenciada pelo rock brasileiros dos anos 70 e tropicalismo, entre outros estilos como o rock psicodélico e até mesmo samba, "Amigo" é uma boa amostra de Parte de Nós, primeiro álbum da banda goiana Diego e o Sindicato. O CD foi lançado recentemente e está disponível para download no site do Compacto.REC, selo virtual criado pelo Circuito Fora do Eixo e focado na nova música independente brasileira.
CANADA: I(Heart)Music Olenka and The Autumn Lovers - Sparrow
Olenka ans The Autumn Lovers' newest album, And Now We Sing, is just about the finest folk-pop album you could ever ask for. It brilliantly blends together Eastern European-tinged folk, smoky jazz, country and a variety of other elements to create an album that's easily one of the best to come out in 2010. Sparrow showcases Olenka's Eastern European roots.
CHILE: Super 45 Los Nadieh - Lisa y llanamente
Los Nadieh are members of Potoco Discos, the independent label that houses Como Asesinar a Felipes (an excellent jazz trio with a DJ and MC), who proclaim to play "the other kind of rap". That claim also defines the approach of this band from Valparaíso, homesickly looking at the harbour city but showing their feelings by experimenting with the formal structures of hip hop. This scorn for risk is reflected on Desde El Último Lugar, their debut, backed up by local heavyweight Foex (ex-member of FDA and a contributor to the increasingly successful Ana Tijoux).
CHINA: Wooozy Rainbow Danger Club - Neighbors On The Rooftops
With riveting, epic melodies that soar and patter along majestically, the Rainbow Danger Club manage to effortlessly skirt the line between beauty and ugliness, light and dark, innocence and depravity. One of the greatest bands to emerge from the Shanghai music scene lately, they never cease to amaze audiences with their grandiose musicality and adeptness at crafting songs that don't seem to leave your head. Their debut EP, The New Atlantis, is not to be missed.
COLOMBIA: Colombia Urbana Capzula - Lo Dejamos Asi
Capzula have been the surprise of 2010 in the pop/rock scene of Colombia thanks to their popular single Rock. Big things are expected of them in 2011 and their new single Lo Dejamos Asi clearly shows they can rise to that responsibility.
DENMARK: All Scandinavian Sleep Party People - A Dark God Heart
In late November, Danish label Vuf released the sixth in their renowned series of compilations titled The Vuf Compilation #6 - Back To Nature, sporting 12 tracks by established and upcoming Danish and Swedish artists, half working in alternative pop/rock and half in electronica. Among them is critically acclaimed one-man dreampop act Sleep Party People aka Brian Batz, whose hauntingly beautiful B-side A Dark God Heart is the final Danish MAP track of 2010. If you crave more, the compilation is available for free download here.
ENGLAND: The Guardian Music BlogFantastic Mr Fox - Brandy - Angel In Disguise (Fantastic Mr Fox's Nature Boy Rerub)
Stephen Gomberg alias Fantastic Mr Fox is one of the most in-demand dubstep producers and musicians around - The xx took him on tour with them to the States and Warpaint commissioned him to remix one of their tracks. His songs have been described as "digital symphonies" and result from painstakingly chopping up pieces of pre-existing music - sounds, melodies, handclaps and so on from his favourite urban tracks such as R&B queen Brandy's Angel In Disguise, as featured here - and reassembling them in new shapes. In the Guardian's New Band Of The Day column, Paul Lester hailed this as "abstract R&B arranged with a Cubist disregard for form". Sheer futurist invention.
ESTONIA: Popop Multiphonic Rodent - Printsess And Page
Multiphonic Rodent is the nom de plume of multi-instrumentalist composer Erkki Hõbe. Mainly known as the founder member of Opium Flirt, he has been doing home recordings since 2005 and playing live as a one-man big band on guitars, percussion, keys and wind instruments since 2008. His multi-layered style is influenced by classical minimalism, avant-garde jazz and psychedelic rock, to name a few stylistic origins.
FINLAND: Glue The Friend - New Berlin Wall
The Friend play melodic indie-rock music to make people dance, or, in their own words, they play "songs that are brisk, atmospheric, playful, three-and-a-half-minutes-long compact packages". Take a listen to their first single, New Berlin Wall, while we wait for their first full-length to be released early next year.
GERMANY: Blogpartei Dizzy Errol - Pride
Dizzy Errol is the one and only Turkish beatnik in Germany. His name perfectly describes his fuzzy, straightforward sound. Pride is the most powerful song on the album Motherlamp from 2010. Dizzy Errol is part of the artist collective Kamerakino, who recently released a compilation named Infant Munich Hits Rock Bottom, which is quite a nice sample of the city's underground music.
GREECE: MouxlalouloudaAbbie Gale - Terry Torry A List
Abbie Gale's third studio album, No Inspiration, an impressive addition to their catalogue, showcases a sweeping collection of 11 songs that are at once riveting, dreamy and sonically lush, swelling and tranquil. Gripping melodies are embellished with whirling arrangements, spirited outbursts and Evira's wide-ranging, emotive, splendidly affecting vocals. Terry Torry A List feels simultaneously familiar and challenging. It's a compelling, intricate song in which to lose yourself. It gets under the skin and unfurls its majesty from the first play.
ICELAND: Icelandic Music MaffiaNóra - Opin Fyrir Morði
Nóra started in a dark garage on the west side of Reykjavík. In 2006, brother and sister Egill and Auður, along with their friend Hrafn, started as a trio. In 2008, the band became a quintet when Bragi and Frank joined. They play honey-glazed indie-pop influenced by Radiohead, Bob Dylan, TV On The Radio, The Mars Volta, The Pixies, Roy Orbison and Neil Young. Opin Fyrir Morði is taken from their debut album, Er Einhver Að Hlusta? ("Is Anyone Listening?"), which was released in early summer.
INDIA: IndiecisionTempo Tantrick - Psychoblabber
Tempo Tantrick is a trip hop duo from Bangalore. Their sound palette ranges from downtempo to pulsing EDM that finds a likely home in clubs open to both electronica and experimental. Psychoblabber falls squarely in the latter end of the Tempo Tantrick soundscape. The track features an irresistible, throbbing refrain reminiscent of Shiny Toy Guns.
INDONESIA: DeathrockstarKelelawar Malam - Suara Kegelapan
Kelelawar Malam means "Night Bat"; Suara Kegelapan means "Voice of Darkness". The band name and song title already set a hint of horror, and their lyrics were written as though they were intended for horror B-movie scripts, with old Indonesian villages as the setting. The music is heavily influenced by The Misfits.
IRELAND: Nialler9James Vincent McMorrow - If I Had A Boat
Having captivated Ireland with his falsetto folk ballads, McMorrow has signed to Vagrant Records in the US. A self-titled EP is currently acquainting itself with international ears and here's your chance to do the same. If I Had A Boat is the first song from the EP and a perfect introduction to McMorrow's oaky timbre.
ISRAEL: Metal IsraelWinterhorde - The Tenth Wave
Winterhorde is a blacker than the blackest black metal band from the north of Israel. Unfortunately, Israel's north is pretty black right now itself with hundreds of acres of forest destroyed by the largest fire in the country's history with a death toll of over 40. In any case, Winterhorde's sonic path twists from symphonic melodies to sheer straight-up metal intensity, melding these two extremes with elegance and professionalism. Winterhorde will freeze your soul with its echoes of longing, darkness and unrelenting desperation. Good stuff created in a classic vein.
ITALY: Polaroid(m+a) - (we)
Michele and Alessandro (hence the name of the band) are two young, talented boys from the town of Forlì. That's more or less all I know about this project. But then there are these amazing sounds: gloomy glitch electronica with a warm acoustic heart and a cool touch of fresh pop which goes from Radiohead to Plaid via Hot Chip, if you need some kind of weird recipe. This is a song from their incoming second album but you can download their first one for free at their website.
MEXICO: Red Bull PanameriKaTroker - Planeta Terror
Guadalajara-based 'jazz vinyl' band Troker was formed in 2005 by six conservative musicians and has developed into a powerful, danceable and naughty funk-rock sound - a groovy horn section, violent drums, a sexy piano and spicy scratches that make the turntables work as a roll 'n' roll instrument through a jazz-based structure. Planeta Terror is one of the delightfully sour tracks from their second album El Rey Del Camino.
NETHERLANDS: Unfold AmsterdamThe Benelux - Pet Needs Friends (Bear remix)
This Amsterdam indie quartet are fresh, frisky and dancefloor flammable. There are certainly retro guitar-pop elements at play here, such as their saucy bursts of swaggering guitar jangle. But any hints of classic garage rock are mixed with quirky synths and fun, big beat grooves. So much so that their Girl Singer EP is topped off with remixes by NON Records labelmates Palmbomen and Bear. The tracks lend themselves perfectly to dance-friendly interpretations - Soulwax come to mind in this sense - which is why we've chosen the Bear remix of Pet Needs Friends as a party-starting introduction.
NEW ZEALAND: Counting The BeatPikachunes - Nervous
Miles Loveless' commanding baritone strides atop his lofty synth lines and unrepentant drum machine tracks, riding a dance wave like that of LCD Soundsystem. On the bedroom producer's song Nervous, a Knight Rider-esque bassline cavorts with a floating, flutey synth that comes in with Loveless's emotionless, almost monotone voice providing a laconic environment for his social awkwardness to shine. Pikachunes released his debut self-titled album on Lil' Chief Records last month, and he has a great video for the song Shout It Out.
NORWAY: Birds Sometimes DanceUno Møller - Your Quiet Little House
Singer-songwriter Uno Møller plays beautiful minimalistic pop with just the sound of his fragile voice coupled with the playful tones of an acoustic guitar. His debut album was released a few months ago on the British label Lazy Acre Records. He's also a part of Team Me, a promising band that has been praised both in and outside Norway. They've been booked to play at Øyafestivalen and by:Larm next year, but let's hope Uno has more time for his solo project too.
PERU: SoTBKid Solano - Solano Swing
Think of a perfect party in a place where night is eternal and the collective dancing turns everyone into a jumping mass. Now imagine the perfect song to accompany those moments and the result would be something like Solano Swing. Make space in your record collection for the amazing lounge/breakbeat of Kid Solano.
PORTUGAL: Posso Ouvir Um Disco?Minta & The Brook Trout - Large Amounts
Minta is Francisca Cortesão - a talented singer, musician and composer who has been in other bands and works as a session and live musician. The Brook Trout are Mariana Ricardo, Manuel Dordio and José Vilão, friends of Minta who collaborated on her first album, Minta & The Brook Trout. Minta's sound will please fans of the likes of Beth Orton or Belle & Sebastian.
ROMANIA: Babylon NoiseMakunouchi Bento - Anchorshaped Siren
Makunouchi Bento is an experimental project with influences from musique concrète to IDM. Their lunchbox has many more surprises than anyone could imagine. There are two main directions in their sound - the use of electronic gadgets (Spectrum, C64, Amiga, Atari) and sampling as the key for a haunting cinematic atmosphere. This could easily be the soundtrack of a David Lynch film or a rainy, gray Romanian December afternoon. Their album, Swimé, can be downloaded for free from Bandcamp.
SCOTLAND: The Pop CopRachel Sermanni - Eggshells
Rachel Sermanni is a talent worth swooning over. The 19-year-old from the Highlands cites her idols as Joni Mitchell and Eva Cassidy, which makes perfect sense when you find yourself enchanted by her pure, fragile vocals and poetic lyrics. A star in the making for sure.
SINGAPORE: I'm Waking Up To...The Lard Brothers - Wish You'll Never Leave Time (Ownself Remix)
The Lard Brothers have carved a niche for themselves remixing and reworking songs by other Singaporean bands, sometimes roping in outside collaborators in the process. Their approach ensures their work isn't so much a rehash of existing material as it is a means of bringing the music community together, and giving us a fresh take on Singaporean music. Their latest release, the Bonsai Warriors EP, stays on the same track but fittingly leaves room at the end for a remix of themselves, a glorious uplifting on their 2008 original.
SOUTH AFRICA: Musical Mover & Shaker!Reburn - Outta My Mind
Reburn is a five-piece alternative rock band whose mix of catchy beats and a quirky feel has seen them rise to the forefront of the local scene. Outta My Mind encompasses the band's sound, which is distinctly British-influenced with its polished tone and a slight indie edge. Reburn's motto is that the band was brought to life for no reason other than to make "music for pleasure" and that they do. Stylishly so.
SOUTH KOREA: Indieful ROKImage - Empty Universe
Female singer-songwriter Image has already been active for more than a decade, but it wasn't until fall this year that she presented her first digital EP, Metaphoricalizing. Determined to make music of veracity, Image combines both acoustic and electronic elements when giving life to the folk ethos she wishes to express. Empty Universe is the main track off Metaphoricalizing and will be recorded in an English version for her upcoming first CD album.
SPAIN: MusikornerOdio París - Ya No Existes
We don't have any reason to hate Paris, but apparently this five-piece band from Barcelona does. Odio París, who have supported The Pains Of Being Pure At Heart, are influenced by shoegaze legends The Jesus And Mary Chain and My Bloody Valentine, but they also take inspiration from Spain's biggest indie band, Los Planetas. Ya No Existes, their first single, is living proof of that as it recreates the characteristic distortion of the Andalusians' early releases.
SWEDEN: SwedespleaseLe Days - Ring Baby Ring
Le Days aka Daniel Hedin has announced the upcoming release of a debut album titled Dead People On Tape. The predominant instrument may be an acoustic guitar but this is by no means folk music. It's a disturbing blend of over the top emo and confessional rock à la Jeff Buckely. The first single in all its tormented glory namedrops Judas, curses violently and lays its heart on its proverbial sleeve.
SWITZERLAND: 78sThe Bianca Story - Coming Home
You thought Switzerland was neutral? It's not. We're totally asking you to take sides with our quest to bring better music to the world. Our weapon of mass seduction: The Bianca Story, a five-piece from Basel. Their sound is best described as "pop taken seriously" - you get the catchy tunes but with added layers of depth. Their latest single, Coming Home, is an appetizer to their second album due for release in 2011.
UNITED STATES: I Guess I'm FloatingPainted Palms - All Of Us
San Francisco's Painted Palms aren't the first experimental pop band to take cues from Animal Collective, but they're perhaps the most unique of the bunch. Combining a wild assortment of genres from Afro-pop to krautrock to electro-pop, the tracks on their debut Canopy EP (free download here) are equally addictive as they are artful, bringing a smile to even the most jaded of listeners.
VENEZUELA: BarquisimentoViniloversus - Ruleta Rusa
Viniloversus started rocking Caracas in 2004, both live and on record. One of the many reasons for their unique sound is the presence of two bassists in the band. Impeccable performances and sharp, strong notes hit the audience like thunder in their shows. Ruleta Rusa is taken from their Latin Grammy-nominated latest album Si No Nos Mata.