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18 de dezembro de 2010

Pra não dizer que não falei das flores

Com um vocal feminino capaz de provocar ereções em um pedófilo, a banda mineira Ophelia and the Tree apresenta uma intrigante mistura de Belle and Sebastian e Joy Division.

Por Edwaldo Cabidelli

Formada em meados de 2008 na triangular Uberlândia (MG) por Camila Franco (vocal), Thiago Fontes (guitarra), Gabriel Felix (bateria), Lucas Paiva (baixo), Bernardo Penha (piano), Bim Bernardes (violão/guitarra/trombone) e Rafa Rays (violino) a banda atualmente prepara seu primeiro álbum “cheio” com lançamento previsto para o segundo semestre de 2011. Com sete boas canções autorais disponíveis em sua página no MySpace, além de inúmeras apresentações em diversas cidades do país, o grupo promete ser uma das surpresas do próximo ano.

Confesso que cheguei a ver Ophelia and the Tree ao vivo no início de 2009, no bar A Obra, em Belo Horizonte, e a banda não me causou maiores impressões. Na real, soavam como um bando de moleques abobados que juntou toda a grana da mesada para tocar em um “inferninho” da capital. Porém, os dois anos de estrada trouxeram um notável amadurecimento musical. Afinal, quando os integrantes não morrem de fome, algumas bandas independentes deste país tendem a melhorar com o tempo.

O tom singelo e “fofinho” presente na estética, tanto da banda como de suas canções, observado principalmente nos vocais, cordas e piano remetem, de forma imediata, aos escoceses do Belle and Sebastian, guardadas as devidas proporções. No entanto, o diferencial está na bateria marcada e reta que, em seus melhores momentos, lembra o genial estilo criado por Stephen Morris (baterista do Joy Division, mané!) e copiado por tantos. Além disso, o clima levemente sombrio de algumas letras parece também fazer referência aos “solares” rapazes de Manchester.

Em "Cabaret", principal motivadora deste texto, o incrível arranjo elaborado mostra ainda certa proximidade, talvez inconsciente, com o universo de Serge Gainsbourg, (é... o cara da melô de motel, mas acredite, ele é muito mais do que isso) em seu fantástico álbum Nº4, porém com uma pegada mais folk e menos jazzística. Para Bim Bernardes, guitarrista da banda, a canção “soa como as músicas de Robert Crumb”, mais conhecido por seu genial trabalho como cartunista do que por sua banda R. Crumb and His Cheap Suit Serenaders, igualmente fóda.

O timbre de Camila Franco parece ser bastante influenciado por grandes cantoras como Fiona Apple, Beth Gibbons (Porstishead) e Bessy Smith (la matrona!). Caso a impressão se confirme, será necessário muito arroz e feijão para que a menina chegue lá, mas trata-se, seguramente, de um vocal promissor que parece funcionar melhor em estúdio do que ao vivo. Cinismos gratuitos a parte, o fato é que boas referências são o melhor e mais indicado caminho para formação de qualquer bom músico/cantor e Ophelia and the Tree parece estar no caminho certo.

O futuro está em curso, siga as placas. Ou seja atropelado por elas.

P.S: Escrevi este texto no dia 16/11 e o Suplicy resolveu pagar de Geraldo Vandré no Senado em 17/11. Portando, não tenho nada com isso. Aliás, o Suplicy é a prova viva que a maconha ainda será legalizada no Brasil. No dia que ele chegar no plenário trincando, de mão dada com o Gabeira, e cantar "Rainy Day Women # 12 & 35", do Dylan, será um código secreto para legalização. Fica esperto na TV Senado!

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