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9 de outubro de 2010

Festival No Ar Coquetel Molotov 2010: como foi (para os outros)

Os responsáveis pelos blogs El Cabong (da Bahia) e Sirva-se (Alagoas) conferiram as duas edições do festival No Ar Coquetel Molotov deste ano, em Recife (PE) e Salvador (BA), e publicaram interessantes relatos de como foi este que já é um dos mais aclamados festivais de música independente do Brasil. Abaixo você confere alguns trechos do que escreveram. As matérias completas estão no El Cabong e em duas partes no Sirva-se.

Coquetel Molotov 2010 em Recife, por José Luiz Rios

"Eis que o clímax do primeiro dia estava realmente guardado para o final, e nessa hora sobe ao palco do teatro, Otto, uma das maiores atrações do festival e com certeza, considerado por muitos o show mais esperado da noite. Exaltado como um dos músicos mais importantes do atual cenário brasileiro, o pernambucano de Belo Jardim respondeu à altura a aclamação que seu trabalho mais recente – “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos”, vem recebendo.
Mostrando-se inteiramente à vontade e tocando com a liberdade de quem estava em casa, Otto enalteceu seu estado em palavras declamadas ao longo das músicas e em canções que transmitem a identidade do cantor. Vale lembrar que a essa altura o teatro da UFPE alcançou o público máximo do festival chegando quase a lotar, e com uma multidão que se espremia na frente do palco no intuito de acompanhar de perto as músicas e a empolgação de Otto, que corria instigado por todo o palco, chegando até a descer na platéia, contemplando o público com uma verdadeira animação."


"Iniciadas as apresentações do segundo dia na Sala Cine UFPE, fui de cara surpreendido por uma super banda instrumental, que apresentou um som envolvente e com grande personalidade, exposta principalmente no fato de utilizar alguns instrumentos de uma forma diferenciada.
A banda, que é pernambucana, adotou o nome de Wassab, e é composta de uma formação simples, um trio, que de cara atraía a atenção de curiosos pelo fato da bateria não ter o bumbo, e o som do mesmo ser reproduzido por uma alfaia devidamente colocada entre as pernas do baterista.
O cara tocava o instrumento com uma das mãos, enquanto a outra descia o braço na batera. O ritmo era mantido em pisadas certeiras no chimbal e o som tinha como base o suingue e o peso dessa junção. Música livre e espontânea, apresentada por quem entende do assunto, já que os músicos que formam o trio vêm participando juntos, ou separadamente de alguns processos de produção de bandas como: Mundo Livre S/A e Orquestra Contemporânea de Olinda. O CD de estréia dos caras já foi gravado, e tem previsão para se lançado ainda no final deste ano."

A Banda de Joseph Tourton e Vítor Araújo em Recife

"O Coquetel Molotov é sem dúvida referência de boa música na cidade do Recife, e a cada ano se consolida como um dos mais notáveis festivais do país. Tudo dentro dos conformes, boas bandas, uma puta estrutura além da organização impecável. É notório o trabalho da equipe do evento, que mantém uma curadoria eficaz e de olho no que podem apresentar de melhor.
Outro fato importante é o valor dos ingressos, que custavam no máximo 40 reais para os não estudantes, e os shows gratuitos na sala cine UFPE. Ter a oportunidade de assistir a shows impressionantes a um preço justo é muito respeitável e o público correspondeu bem, comparecendo em massa aos dois dias de apresentações."

Coquetel Molotov 2010 em Salvador, por Luciano Matos

"Salvador recebeu no último fim de semana, pela primeira vez, uma etapa do Festival No Ar Coquetel Molotov, que tem origem em Recife e chegou esse ano a sua sétima edição. Durante três dias, o evento serviu para dizer muito sobre Salvador e seu público e levantar a eterna questão sobre a possibilidade de se fazer eventos desse porte na cidade. Com uma divulgação razoável, preços bastante honestos e uma programação apetitosa, cerca de 3.700 pessoas compareceram à estreia do Coquetel Molotov por terras baianas.
O pensamento em certo momento era: “o que as pessoas vão procurar para falar mal?”. Mesmo com um resultado bastante positivo, o esporte preferido do baiano encontrou alguns espaços. Com as duas noites principais focadas na Concha Acústica, o festival recebeu um bom público no sábado (2.283 pessoas, sendo 1.650 pagantes, segundo o borderô oficial), puxado, na maior parte, pela cantora Céu."

Dinosaur Jr em Salvador

"Por mais que muitos procurassem defeitos, o saldo do Coquetel Molotov foi muito positivo. Trazer artistas internacionais e mesclar com importantes nomes da música nacional é fundamental e o festival soube dosar bem o line up, menor que em Recife, mas muito bom para uma primeira edição. Um evento que se permanecer – e a produção pretende continuar e ampliar a etapa soteropolitana, incluindo mais shows e debates, como é no Recife -, tem tudo para ganhar força e se tornar uma tradição na cultura pop na cidade. Importante até para os produtores locais tomarem mais coragem, acreditarem que é possível trazer artistas internacionais de menor porte, mesmo que através de editais, leis de incentivo federais e estaduais, e realizarem eventos de qualidade com estrutura e maior dimensão.
Uma pena que o espaço da Concha não favorece para dar o ambiente que os festivais costumam ter, incluindo, além dos shows, a troca de informações, a circulação das pessoas e o contato com produtores, artistas etc. A Concha é excepcional para shows e não foi diferente no Coquetel Molotov, com tudo funcionando muito bem, mas uma casa para 2 mil pessoas seria o ideal para um evento como esse. Até para que as cerca de 1800 pessoas em média por dia não tivessem a sensação de vazio. Os números, aliás, não deveram muito a Recife, que já se acostumou com a proposta do festival há sete anos e teve mais atrações por dia. As críticas ao pouco público são infundadas. A questão é avaliar se 1.400 pessoas para ver Dinosaur Jr, Cidadão Instigado e A Banda de Joseph Tourton é pouco, em Salvador, no Recife, em SãoPaulo ou em Nova York."

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