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26 de setembro de 2010

Enquanto isso, no Rio de Janeiro...

 Miike Snow no Circo Voador

Quem é mais inteirado na cena musical independente sabe como é desanimadora a situação no Rio de Janeiro. Bandas circulam por todo o país, do sul ao nordeste, mas encontram dificuldades em fazer shows na cidade. Esse cenário é pior para os artistas independentes nacionais, mas também não é muito diferente no caso de bandas estrangeiras que sejam ao menos um pouco "alternativas". 

Buscando alterar essa situação e levar artistas estrangeiros interessantes, porém esnobados pelos grandes produtores, um grupo de cariocas, entre os quais o Bruno Natal, do blog Urbe, iniciou em agosto o movimento dos "60 cariocas empolgados". A proposta é o puro "faça você mesmo" da produção cultural: esse grupo de pessoas junta o dinheiro para pagar os custos de produção do show e se tornam "acionistas" da ação.

O estopim foi o show da banda sueca Miike Snow, realizado nesse esquema no Circo Voador na última segunda-feira, 20 de setembro. A movimentação deu certo, gerou interesse na imprensa, atraiu empresas (Tecla Music, Grupo Matriz, Das Duas e Multishow), circulou entre o público e cerca de 850 pessoas compareceram ao show (em uma segunda-feira, vale relembrar), mostrando que, sim, há espaço (e público) para novos nomes da música mundial na cidade brasileira que representa o país mundialmente (para o bem e para o mal).

O vídeo abaixo mostra como estava o Circo Voador no show do Miike Snow.


Para entender o processo de realização do show, segue trecho explicativo do Bruno Natal sobre os 60 cariocas empolgados, que agoram planejam levar a banca escocesa Belle And Sebastian ao Rio:
"O Miike Snow queria tocar no Rio. Porém, o show não era confirmado porque ninguém quis arriscar pagar o custos da banda, um cachê de US$ 8 mil + 12 passagens RJ-SP, R$ 2.980 de hospedagem, alimentação e transporte, totalizando, com o dólar no valor de hoje, um valor arredondado de R$ 20 mil*.
Procuramos a produção do Circo Voador e propusemos pagar os custos da banda se eles assumissem os custos da casa (limpeza, segurança, funcionários, aluguel de equipamentos) e dividíssemos o valor do ingresso depois de descontar 5% da bilheteria relativo ao ECAD. Eles toparam.
Por email, organizamos uma campanha entre amigos para rachar os custos e viabilizar a vinda da banda. Nascia o “Miike Snow no Rio”.
Distribuímos o valor total em 100 unidades de R$ 200. Cada um que pagasse teria direito a um ingresso e, com todas as unidades vendidas, o show estaria garantido (se não fossem vendidas todas as cotas, não haveria show e o dinheiro seria devolvido).
Vencida essa primeira etapa, começaria a venda de ingressos. Com 800 vendidos todos que compraram uma unidade teriam dinheiro devolvido e assistiriam o show de graça. O prazo para confirmar com a banda era curtíssimo, menos de um dia. Mesmo assim, o objetivo foi cumprido em tempo recorde.
Não apenas 60 unidades evaporaram, como a empresa de music branding Tecla Music, Grupo Matriz e Das Duas e o canal Multishow apoiaram a mobilização e diminuíram o risco de quem pagou R$200. Agora precisam ser vendidos apenas 480 ingressos para conta empatar.
A motivação não é ganhar dinheiro com o show, embora isso possa acontecer. Nossa vontade é tirar a cidade da inércia. É quebrar este círculo vicioso (e viciado) segundo o qual o Rio não teria público que justificasse a vinda de artistas que não sejam consagrados.
Por isso quanto mais gente engajada no projeto, mais forte ele fica, em termos de repercussão na mídia, capacidade de atrair público e sucesso. O Rio nunca precisou disso, mas agora nossa força como público se faz necessária".

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