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9 de abril de 2010

Pata de Elefante: Na cidade

Há alguns dias escuto Na cidade, terceiro e novo álbum da Pata de Elefante, e, mais uma vez, minha relação com a banda é marcada por altos e baixos.

Para contextualizar, uma viagem no tempo básica:
2008. Recife. Abril Pro Rock. Considerando o show maçante, saí da frente do palco para conferir as tchutchucas recifenses (e me decepcionar). 
2010. Belo Horizonte. Teatro Izabela Hendrix. Sentado na primeira fila, conferi aquele que até o momento é o show mais incrível (eu diria "visceral", mas o Black Drawing Chalks na Flaming Night por pouco não provocou vísceras literalmente expostas, então é melhor me segurar nos adjetivos) do ano.

Pensando nisso, o primeiro questionamento que me vem à mente é: trata-se de uma banda instável ou de alguém cujos contatos com a mesma se deu em momentos pessoais extremamente distintos? Independente da resposta, há uma certeza: nunca acredite totalmente em nada do que você ler. Ainda mais no jornalismo cultural, bastante pautado por impressões e experiências pessoais.

Feita a introdução, voltemos.

Na cidade, o já citado terceiro álbum dos gaúchos, é lançado hoje pela  gravadora Trama através do projeto Álbum Virtual (o mesmo de Donkey, do CSS, e Artista Igual Pedreiro, do Macaco Bong) e traz o rock´n´roll retrô e instrumental característico da banda - apesar de algumas surpresas aqui e ali, como o sambinha na gostosa "Vazio na cerveja".

O problema, como disse antes, são as irregularidades. Se o álbum abre com uma grande música com o título fenomenal de "Diga-me com quem andas e te direi se eu vou junto", na sequência a chata "Squirt surfin" é um brochante sonoro totalmente incoveniente. Tudo bem que "Grandona", terceira faixa do álbum, é outra das melhores, mas uma relativa instabilidade nas composições é um dos pontos negativo do novo trabalho da banda.

Essa sensação se repete ao longo do álbum, alternando músicas muito boas ("De volta pela manhã", "Sai da frente") com outras bastante medianas ("Psicopata", "Arthur", "À luz de velas").

Pensando sobre minha aceitação em relação ao álbum lembrei de outro ponto importantíssimo da era digital: a diminuição (ou em alguns casos, total ausência) de uma relação comercial que estabeleça um vínculo mais forte entre o ouvinte e a música como produto, tornando, de certa forma, a apreciação mais livre.

Quem nunca comprou um CD com o qual não ficou muito satisfeito e mesmo assim o ouviu algumas boas vezes para evitar o sentimento de culpa e buscar os pontos positivos que justificassem a grana investida? Esse é mais um dos hábitos que podem ficar no passado. Agora, sem o investimento financeiro direto por parte do consumidor final (cujo própria definição de "consumidor" pode ser repensada) aliado às famosas possibilidades de interação da internet, podemos, entre outras coisas, fazer o download de álbuns como o do Pata de Elefante gratuitamente (sem infrigir a lei e garantindo a remuneração do artista) e também transformar álbuns medianos em poderosos EPs. Afinal, deletar é rápido, barato e eficaz.

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