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9 de janeiro de 2010

Os melhores de 2009, segundo a Rolling Stone Brasil

Black Drawing Chalks, Móveis Coloniais de Acaju, Cidadão Instigado, Wado, Lucas Santtana e Emicida são os representantes da música independente na lista dos melhores de 2009 da Rolling Stone Brasil.

Abaixo, o que a revista publicou e meus brevíssimos comentários, em laranja.




1 "My Favorite Way" Black Drawing Chalks
A melhor canção do rock brasileiro em 2009 é... cantada em inglês. O empolgante hit do quarteto goiano é uma pérola certeira em todos os quesitos: a batida é irresistível. Os riffs esbanjam personalidade. O vocal, agressivo na medida, canta uma letra no limite do nonsense. Com energia e maturidade adquiridas na estrada, o Black Drawing Chalks criou um cartão de visitas digno da mais grata surpresa do ano.
Eu avisei (clica aí do lado).

2 "Cangote" Céu
A voz delicada de Céu fica em segundo plano neste reggae psicodélico cantado em marcha lenta. Entre os versos sussurrados de maneira preguiçosa, se sobressaem as texturas sonoras geradas por teclados, sopros e um baixo sempre marcante.


3 "Cover" Erasmo Carlos
No ritmo do country rock e sem se preocupar em soar presunçoso, o eterno Tremendão faz uma ode divertida e louvatória à sua própria originalidade. Talvez agora surjam os tais covers de Erasmo, que, segundo ele, inexistem no país.


4 "O Tempo" Móveis Coloniais de Acaju
Melhor faixa de C_mpl_te, segundo disco do grupo brasiliense, que revela de uma só vez todo o potencial musical do octeto: os metais suntuosos, a voz equilibrada e afável de André Gonzales, as pausas precisas e um refrão inesquecível.
O CD é realmente muito bom, mas nunca que colocaria essa faixa como a melhor.

5 "Me Adora" Pitty
Em uma carta-resposta endereçada a seus detratores na imprensa, a cantora evoca a jovem guarda e os grupos vocaiscriados pelo produtor Phil Spector para cometer o refrão mais lembrado do rock nacional em 2009.

6 "Invejoso" Arnaldo Antunes
Com uma letra recheada de boas rimas e melodia puxada sem pudor para o brega clássico, Arnaldo Antunes descomplica sua música, abraça o pop com carinho e se descobre mais acessível do que jamais foi antes em sua carreira.


7 "O Nada"
Cidadão Instigado
Em uma espécie de ode singela ao desprendimento, Fernando Catatau pontua esta marchinha psicodélica com distorções de guitarra e súplicas desafinadas e desesperadas.
"Doido" é muito mais doida.

8 "Só Isso" Emicida
Enquanto descreve suas tortuosas peregrinações pelos extremos diversos de São Paulo, Leandro Roque de Oliveira, o Emicida, revela sutilmente as origens do combustível que resultam em suas rimas exterminadoras.
Hype paulista, o Holger do hip hop, só que sem a qualidade da banda indie.

9 "Assinado Eu" Tiê
A combinação básica de violão e a voz intimista e convidativa da cantora paulistana ganha profundidade e delicadeza em uma balada sincera que expõe as agruras dos relacionamentos platônicos sob a ótica de uma mulher.

10 "Bee on the Grass" Mallu Magalhães
Não são poucos os artistas que tentam - em vão - fazer referências aos Beatles, à psicodelia ou ao tropicalismo. Mallu, porém, explora os clichês com criatividade, ousadia e graça ao narrar o passeio despreocupado de uma abelha.


(Comentários dos próprios artistas e download no Todos somos DJs)

1 - Céu - Vagarosa: "Esse álbum é mais ousado. Não tinha muitos planos de reconhecimento de larga escala. Foi [um trabalho] extremamente sincero. Fiz sem pensar no peso de ser o segundo álbum. Outra ousadia é a ausência de instrumentação. É aquela temática de 'Cangote': o ócio, o vagar, o vagaroso. Um pouco de leseira não é pecado. A Jamaica é uma influência que sempre tive. Quis trazer essa ideologia para a música, sua estrutura. Queria que soasse mais tocado de banda, não de produtora."


2 - Cidadão Instigado - Uhuuu!: "Esse é nosso terceiro album e fiquei muito feliz com o resultado. Deu muito trabalho pra ser finalizado, mas ficou do nosso gosto. Vejo o Uhuuu! como uma continuação do nosso trabalho, nem pior e nem melhor que os outros. São todos registros da nossa história."

3 - Erasmo Carlos - Rock 'n' Roll: "Olha, é um disco sincero. Eu vi o nascer do rock 'n' roll. Não sei por informação, como a geração de agora que recorre ao passado para ouvir o que foi o rock. Ouve friamente. Não viveu a magia do nascer da coisa, como eu. Toda a aura de grandiosidade, o ineditismo. O disco é muito sincero de minha parte. Gravei em nove meses. Um parto mesmo. Fiz umas 25 músicas - eu, meu violão e minha bateria eletrônica. Quando convidei o Liminha para produzir, ele fez uma coisa que desde o início eu não fazia: conservou o que eu fiz. Os músicos no estúdio, sabe, começam a mudar harmonias. Minha música é simples e direta, sem frescura. Pelos modismos, os músicos mudam a música toda. O Liminha disse: 'Vamos conservar tudo o que você fez'. Entendeu a raiz, o sentimento do trabalho."

5 - Móveis Coloniais de Acaju - C_mpl_te: "O C_mpl_te é, antes de tudo, um álbum que preza pelo coletivo. É o trabalho do grupo, das dez pessoas que fazem parte do Móveis. A ajuda do [Eduardo] Miranda foi muito bacana também, trazendo uma unidade ao álbum. Depois dessa gravação pudemos lançar esse disco inteiro de graça para as pessoas baixarem no projeto Álbum Virtual, da Trama. Foi um projeto muito bom e prazeroso de trabalhar." (Bejo Mejia, flautista da banda)

6 - Black Drawing Chalks - Life is a Big Holiday for Us: "Desde o início, esse segundo disco foi feito com a intenção de passar a experiência que ganhamos na estrada desde o Big Deal. Conhecemos outros lugares, tocamos com outras bandas, trocando ideias e ouvindo coisas novas, incluindo bandas gringas, e isso contribuiu pro resultado final do Life is a Big Holiday for Us. No fim das contas, o disco surgiu naturalmente, nada planejado ou com algum deadline marcando em cima. As músicas surgiram espontaneamente, sendo que algumas foram compostas antes mesmo de sair o primeiro disco; outras só ficaram prontas um dia antes da gravação. Ao todo, a produção durou cerca de um ano, sendo que a gravação foi feita em duas semanas. O material foi todo produzido no estúdio Rocklab, de Gustavo Vazquez, onde já havíamos gravado o Big Deal e onde também nos sentimos à vontade, totalmente entre amigos. Fabrício Nobre sempre nos acompanhou e, dessa vez, participou de perto da produção do CD. Nas 11 faixas, nós procuramos tirar e trabalhar com timbres mais crus e gravar ritmos mais dançantes e menos 'caretas' [risos]. Bom, estamos muito felizes com a repercussão. Não esperávamos nada além da repercussão do Big Deal e acabamos nos surpreendendo muito." (Victor Rocha, guitarrista e vocalista da banda)

8 - Lucas Santtana - Sem Nostalgia: "O disco é uma brincadeira em cima do formato voz e violão. Usamos várias técnicas de gravação e equipamentos diferentes(além do violão e da voz) para que ao final o disco não soasse como um disco tradicional de voz e violão, e sim, as vezes eletrônico, parecendo uma banda, folk, etc. Os ambientes que usei no disco foram um diferencial importante para a sonoridade dele. Há muito tempo tinha essa "patologia" de querer fazer um disco de voz e violão que saisse do formato tradicional dos últimos 50 anos e fiquei muito satisfeito com o resultado."

9 - Wado - Atlântico Negro: " O disco dá continuidade à minha aproximação com a música de periferia. A ideia veio do conceito do sociólogo inglês Paul Gilroy e mergulha no universo histórico, mítico e rítmico do entrelaçamento entre África e Américas: um movimento iniciado nos navios negreiros e que segue até hoje, através do samba, do afoxé, do funk e do reggaeton. Atlântico Negro tem uma sonoridade bem orgânica (o que me deixou bem feliz), muitas ambiências e salas nos sons das baterias e percussões. Além disso, voltei a tocar violão de nylon e guitarra, acho que nunca toquei tanto nos discos, antes me concentrava mais em cantar. O disco é manifesto, afeto, festa, melancolia, bravura, fragilidade, poesia, afoxé, funk e samba."

10 - Mallu Magalhães - Mallu Magalhães: "Em mim, esse novo álbum cai como uma luz de um próximo passo. Sinto ele como uma segunda etapa de minha vida e carreira que, por tanta sinceridade e transparência, se misturam. Depositei ali o que pude arrancar de meu peito em forma de canção, e agora sinto completar mais uma pequena parcela de mim como ser humano existente nesse mundo estranho." 

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