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31 de janeiro de 2010

Aquele escrito na semana passada e que você quase esqueceu de publicar

Não acredito em destino. É apenas uma forma através da qual as pessoas fogem da culpa pelas escolhas que fazem ou de se sentirem melhor frente a impotência em relação às ações dos outros.

Coincidências existem e, não, elas não são parte de um plano superior para a sua vida. O que você pode fazer é interpretar os acontecimentos, sejam eles fruto direto de suas ações ou não, e tentar tirar proveito disso.

Nos últimos dois dias assisti a Up in the air (ridiculamente lançado no Brasil com o título Amor sem escalas) e terminei de ler Nirvana nunca mais (depois de ficar uns  cinco meses com o livro empoeirando sobre a mesa do meu quarto). Obras de finais semelhantes e que, coincidentemente, apareceram juntas em minha vida. Some-se a isso um pedido (na verdade, mais uma indicação de que eu deveria fazer um pedido e que, se eu o fizesse, ele seria aceito) e chego a um momento que talvez possa ser descrito como entre a reflexão, a nostalgia e a incerteza (sendo que esta última se sobressai com louvor, como quase sempre).

Cá estou eu, nos meus quase 23 anos, pensando em como é ridículo tudo o que fiz e vivi até o momento, apesar do peso disso sobre mim.

(pausa para pensar)

Tento não me arrepender de nada. Arrependimento só é válido quando aplicado a algo que deva ser evitado de ser feito novamente e/ou que você deva tentar consertar. Lamentar é perda de tempo.

Qualquer conselho que eu dê ou qualquer texto que faça que se refira a experiência de vida me faz pensar em idade, em como os mais velhos são tidos como exemplo e cujas palavras possuem mais autoridade. Como se o simples fato de terem sobrevivido por mais tempo os qualificasse automaticamente. Em termos de tarefas específicas, tudo bem, faz sentido e é totalmente aceitável. Mas a vida não é uma profissão, não significa que necessariamente você se tornou uma pessoa melhor com o tempo. Pelo que percebo, na maior parte do tempo as pessoas se tornam piores com o tempo. Não apenas fisicamente, mas também ideologicamente.

Essa é só uma justificativa para levar em consideração o que pessoas mais jovens do que você dizem.

E quem vem a ser “você”? Às vezes me pergunto isso e os momentos seqüentes nunca são fáceis ou calmos.

(pausa)

A relação entre o que faço e o que permanecerá como possibilidade somente em minha mente talvez seja o que torne tudo interessante. Ou ao menos estimulante.

(aqui não há uma pausa, mas uma troca de assunto)

{quer dizer, como a explicação da frase anterior interfere na construção de sentido deste texto, acabou se tratando de uma pausa, no final das contas}

Tudo que escrevi se refere especificamente à minha vida, mas escrevo tendo em mente a minha relação com livros. Porque os livros que mais gosto (ou talvez nem sejam os que mais gosto realmente, mas talvez alguns dos mais marcantes) são aqueles que me fazem sentir como se tivesse acabado de conhecer alguém e o tempo parasse enquanto essa pessoa se abrisse para mim, um completo estranho, enquanto tento tirar algo de útil de suas palavras.
 
...

A falta é muito mais estimulante do que o excesso. Por isso paro aqui, restando apenas contar que isto representa o início de um novo período no blog. 
 
Nos últimos dias experimentei um formato diferente, com atualizações quase diárias, alguns textos mais noticiosos, uma tentativa de presença mais constante e ágil, sem, no entanto, reproduzir uma “síndrome de Twitter”.

Não sei o que vem pela frente, exatamente, mas isso é o melhor que poderia acontecer.

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