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31 de março de 2009

O dia em que virei jurado de festival de música... na ÁSIA!

A equipe realizadora do Avima - Asia Voice Independent Music Awards, o maior (único?) festival dedicado à música independente asiática chegou ao Meio Desligado através de blogs estrangeiros que comentavam sobre o blog e o linkavam. Depois disso eles visitaram o MD, consultaram seu oráculo digital (vulgo Google) e decidiram me convidar para ser um dos jurados da premiação. Participei votando nas categorias de melhor canção rock, pop, eletrônica e hip hop, além de ouvir os indicados em outras categorias.

Quando aceitei o convite imaginei que seria super interessante descobrir novas bandas e conhecer um pouco mais sobre a música produzida de forma independente em um continente tão distante e diferente como a Ásia. No entanto, me decepcionei um pouco ao perceber uma certa falta de identidade e a forte influência da música norte-americana e inglesa, chegando a um nível de homogenização desestimulante. Pode ser apenas um reflexo da curadoria do prêmio, mas não deixa de ser um indicador de como o grande fluxo de informações e a aproximação de diferentes culturas pode resultar em uma crescente padronização.

Saindo dos questionamentos e do exercício de futurologia no cenário cultural, volto ao prêmio...



O Avima aconteceu em Kuala Lumpur no último domingo, 29 de março, e foi transmitido ao vivo através da internet. Bandas de 16 países asiáticos estavam concorrendo em 23 categorias. Os vencedores foram escolhidos através do voto popular e das notas dos 11 jurados estrangeiros, sendo que eu e o argentino Fernando Casale fomos os únicos representantes sul-americanos na premiação.

Na categoria rock, o segundo e terceiro colocado foram as bandas que receberam minhas melhores notas: Electrico (de Cingapura, na foto) e Archipelago (das Filipinas). Caso alguém se interesse, as músicas indicadas podem ser ouvidas no site do AVIMA e abaixo você confere todos os vencedores.

Song Of The Year
Marabahaya (E.A.R version) - Pop Shuvit & Project EA.R (Thailand/Malaysia/Philippines/Singapore/Indonesia)

'Thank You For Existing Becoz Your Music Makes Each Day Worth Waking Up To', (Most Innovative and Inventive Indie Act)
Agrikulture (Indonesia) & Out Of Body Special (Philippines)

Best Rock Song
1. Marabahaya (E.A.R version) - Pop Shuvit & Project EA.R (Thailand/Malaysia/Philippines/Singapore/Indonesia) (Gold)
2. Archipelago-MRI (Philippines) (Silver)
3. Save our souls-Electrico (Singapore) (Bronze)

Best Rock Act(Group/duo)
1. Motherjane (India) - Gold
2. Pop Shuvit (Malaysia) - Silver
3. Ritmic-Traumatic (Indonesia) - Bronze

Best Rock Vocalist
1. Dia Hassan-Juliana down, (UAE) - Gold
2. Rithan - Deja Voodoo Spells (Malaysia) - Silver
3. Dave Tan - Electrico (Singapore) - Bronze

Best Pop/R&B Song
Naino sey - Sanjay Divecha (India)

Best Pop Act (solo or group)
Overload Romance (Indonesia)

Best Dance/Electronica Song
Funky Wah-Wah-Walking In The Moonlight (Thailand)

Best Dance Act(Group, duo)
Jojouka (Japan)

Best Dance Act (Solo)
CC Sound factory (Singapore)

Best Hip Hop Song
Poppin - Kraft & Jeevz (Malaysia)

Best Hip Hop Solo Act
Krishnan (Sri Lanka)

Best Hip Hop Group
Thaitanium (Thailand) & Dice & K9 (Mobbstarr) (Philippines) (TIE)

Best Instrumental
One day on moon - Jang seiyong (Korea)

Best Song To Play At Camp Fire and To Do Away With Monday Morning Blues (for all songs acoustic, folk or mellow)
Movie song - Sandra (Indonesia)

Best College Act
Bunk Face (Malaysia)

Best Guitar "Goreng" Riff
Funk - Phoeny X (Malaysia)

Most Mind Blowing Music Video
Vivek Rajagopalan - Snake in the city (India)

Best Overall Female Vocalist
Armi Millare - Up dharma down (Philippines)

Sunshiny-Feelgood song of the year
Chantek - Altimet (Malaysia)

Moody-melancholic masterpiece
Love is So strange- Everybody loves Irene (Indonesia)

Genre Bending-Mindboggling-Out of this world Track!
Together again - Shaair and Func (India)


Best Album/EP Cover of The Year

Ports of Lima – Sore (Indonesia)

30 de março de 2009

MP3 da semana: "Navalha Cega"

O paraibano Burro Morto e sua psicodelia tropical é responsável pela música dessa semana, a ótima "Navalha cega", presente no segundo EP da banda, Varadouro. Atualmente a banda prepara seu primeiro álbum, com verba obtida no Projeto Pixinguinha, previsto para ser lançado ainda em 2009.

Burro Morto: "Navalha cega"





Banda: Burro Morto
Música: "Navalha cega"
Ano: 2008
Cidade: João Pessoa (PB)
Pra quem gosta de: pós-rock + afrobeat

29 de março de 2009

Outros Silverinos Remix

A partir de uma releitura contemporânea do livro Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, Lucas Bambozzi e Fernão Ciampa desenvolveram o projeto Outros Silverinos Remix, mistura de instalação audiovisual e performance artística fortemente conectada à cultura do remix e a arte digital.

Realizado no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo durante quatro terças-feiras consecutivas (de 17 de março a 7 de abril), o projeto conta com as participações de músicos como Dengue e Toca Ogan, ambos da Nação Zumbi, DJ Dolores, MC Gaspar (do Z´Africa Brasil), entre outros. As apresentações acontecem duas vezes por dia, às 13 e 19:30h, com ingressos à R$ 6.


28 de março de 2009

Grindcore interpretativo e debaixo do viaduto

Grupo Porco de Grindcore InterpretativoAlgumas vezes escrevo algo com o qual não estou satisfeito e me sinto um personagem de uma tirinha do Malvados, dizendo a mim mesmo “isso é tudo que você consegue fazer, seu merdinha?”. Em outros casos, no entanto, é difícil conter o sorriso com a satisfação de ter feito algo sincero, relevante e prazeroso para mim. Minha colaboração para a edição 2009 do especial Forno de Minas, do Pílula Pop, se enquadra nessa categoria. Escrevi sobre o Grupo Porco de Grindcore Interpretativo e seu recém-lançado The Rala o Pinto Massacre. Dê uma conferida. O Forno de Minas também têm textos sobre outras novas bandas mineiras, como Bearhug e Utopia!.

Aqui vai um trecho do que escrevi sobre o Grupo Porco de Grindcore Interpretativo:
No circuito não-ortodoxo da medicina contemporânea, fragmentos criativos como “Mentiras” e “Music is my girlfriend” são aclamados como verdadeiras obras de arte ou, conforme publicou um blog guianense especializado em música alternativa, “la ceréje en el bolito de la piéce de resistance artistique”. Contrariando a aclamação da comunidade médica e artística, o Grupo Porco de Grindcore Interpretativo decidiu ir além de uma reles carreira musical e fundou seu circo performático itinerante, ampliando seus horizontes com apresentações em festas de formatura, rotatórias e bailes da terceira idade.

Aproveitando a onda grind do dia, deixo a dica dos shows de grincore que acontecerão hoje de tarde, a partir das 13h, debaixo do viaduto Santa Teresa, em BH. O Sérgio Rosa, no Overmundo, foi quem passou a dica do festival Grind de Rua:
"O festival ia rolar no extinto Área 51 (fechado pela polícia recentemente). Como a banda mexicana Coäcion já estava com o show marcado era preciso achar um novo lugar para o caos musical.
O viaduto Santa Tereza já se tornou um local clássico para shows e eventos improvisados de última hora. Já foi inclusive de uma festa de gala. É lá que rola também o Domingo Nove e Meia.

Bandas:
Coäccion (Mex)
Peligro (SP)
Barrikaadi
Desespero
Expurgo
Filhos da Desgraça
Shatter Dead"

Estarei lá, é claro!

24 de março de 2009

Campanha contra o bloqueio de blogs

Em um passado extremamente recente eu costumava utilizar os laboratórios de informática da PUC Minas e do UNI-BH e ficava pasmo com as restrições de acesso a blogs. Qual a justificativa para isso? É ainda mais absurdo se levarmos em consideração que nem mesmo os alunos do curso de Comunicação Social podiam acessar quaisquer blogs.

O resultado de tamanha idiotice acadêmica é a formação de jornalistas despreparados para lidar com as mídias digitais, uma vez que a própria faculdade não lhes possibilita formação satisfatória na área.

As instituições deveriam estimular seus alunos a ler e criar blogs interessantes, disseminar conhecimento, dar visibilidade à produção que surge e se esvai dentro do próprio ambiente acadêmico sem alcançar o público externo.

É por causa desse cenário que fiquei feliz ao descobrir a campanha "Diga NÃO ao bloqueio de blogs". Mesmo que não resulte em alterações expressivas na mentalidade dos responsáveis por esses bloqueios, a ação permite que mais pessoas pensem sobre o assunto e se manifestem. O próprio Ministério da Cultura do Brasil apoiou a iniciativa e publicou em seu blog. Resta saber se ao menos as instituições públicas também não estão bloqueando o acesso aos blogs...

Diga não ao bloqueio de blogs

Atualização: Em 2008 a Puc Minas já não bloqueava mais todos blogs, apesar de continuar restringindo o acesso aos blogs hospedados no Tumblr (um dos mais interessantes serviços de blog a surgir nos últimos tempos). Qual o sentido nisso?

23 de março de 2009

Formatos colaborativos e a propriedade intelectual

Abaixo publico trecho do meu projeto experimental de conclusão do curso de jornalismo na PUC Minas, apresentado em novembro de 2008. O projeto, intitulado "PROJETO BLOGS: Uma experiência de mediação cultural em blogs de cultura urbana", foi realizado por mim, Carlos Andrei Siquara, Gustavo Andrade, Juliana Semedo e Flávia de Magalhães e orientado por Geane Alzamora.

Ainda não preparei um PDF com o projeto completo para publicar no Overmundo, então seleciono alguns trechos que se encaixam com a linha editorial do Meio Desligado e publico aqui.

Enquanto surgiam os primeiros blogs, ainda focados nos diários pessoais, a participação de outras pessoas além dos próprios autores limitava-se aos comentários, já que as ferramentas não permitiam a presença de vários autores em um mesmo blog – o que continua ocorrendo em serviços como Tumblr e Vox, que não possibilitam mais de um usuário como administrador de um determinado blog. A partir do desenvolvimento das ferramentas de blogs, abriu-se a possibilidade de vários autores atualizarem um mesmo blog, cada um deles identificado por um pseudônimo (ou, no inglês, nick). Essa possibilidade de atualização de um blog por mais de uma pessoa representou uma nova forma de produção coletiva de conteúdo e de mediação.

Ronaldo Lemos (2008) aponta que “a criação depende cada vez menos do indivíduo e mais da coletividade”. Lemos refere-se a iniciativas como a Wikipedia, softwares de código livre e aos blogs coletivos, criados a partir da interação entre diversas pessoas que, juntos, representam uma alternativa mais democrática ao conteúdo produzido pelas chamadas mídias tradicionais: TV's, rádios e meios impressos, além de suas versões digitais.

As novas possibilidades de produção de conteúdo dividem-se por diferentes áreas, desde pesquisas científicas ao entretenimento, porém todas dividem um elemento em comum, crucial para a existência de qualquer ação colaborativa: o consentimento do autor de uma determinada obra para que a mesma seja retrabalhada e adaptada por outras pessoas. Do contrário, a produção em conjunto limita-se a pensamentos e comentários acerca das obras analisadas, sem efetivamente alterá-las. Sendo assim, toda produção coletiva e colaborativa, seja ela realizada em blogs coletivos ou no desenvolvimento de softwares, debate-se com o conceito de propriedade intelectual e direito autoral, que estabelece, desde o século 19, que toda a criação intelectual nasce protegida e é exclusiva de seu autor, podendo ser utilizada apenas mediante autorização do mesmo. Tal forma de direito autoral limita as possibilidades de interatividade e torna o processo de criação coletiva lento.

Em resposta a esse cenário, novas formas de direito autoral surgiram, visando desde sua criação o fomento à criação descentralizada. A partir do fim da década de 1980, o copyleft mostrou-se como a principal delas, posicionando-se no caminho oposto ao copyright, direito autoral tradicional, famoso pela expressão que acompanha sua logomarca: “all rights reserved”, indicando que todos os direitos relativos à obra junto a qual a marca de copyright é apresentada pertencem exclusivamente a seu autor. Já o copyleft indica que as obras licenciadas desta forma não precisam de autorização prévia para serem difundidas ou alteradas. Outro avanço na área ocorreu em 2001 (Rocha, 2008), com a criação do Creative Commons, um modelo de licenças que permite ao criador intelectual definir o que pode ou não ser feito com sua obra sem a necessidade de sua autorização prévia.

Tais formatos de direito autoral estão diretamente ligados à cultura digital e ao desenvolvimento tecnológico, que permitiram o enorme crescimento no número de pessoas criadoras de obras intelectuais (LEMOS, 2007). Lawrence Lessig, um dos fundadores do Creative Commons, compartilha da idéia de que a produção colaborativa é uma das formas de se alcançar maior desenvolvimento intelectual e disseminar a cultura, sendo, para tanto, necessária maior flexibilidade nas leis que regulamentam os direitos autorais. Sem essa flexibilidade em relação à propriedade intelectual, toda a produção coletiva na rede estaria atada e dependente de formas arcaicas que possibilitassem a colaboração entre indivíduos na rede.

As ações colaborativas em rede, portanto, necessitam de alguma licença de direito autoral copyleft, como Creative Commons ou GNU (esta, mais voltada à área de softwares, mas também utilizada em sites como Wikipedia e Last.Fm, através de sua “licença de documentação livre”), de modo a possibilitar a criação coletiva sem infringir as leis de direito autoral. Assim, é possível afirmar que as novas formas de direito autoral possibilitaram o crescimento dos blogs coletivos e da colaboração na blogosfera, assim como em ambientes colaborativos diferenciados e complementares à blogosfera, como a Wikimedia.

A partir dessa maior liberdade de fluxo de conteúdo, os blogs não estão limitados à possibilidade de linkar o conteúdo produzido por outras pessoas, mas podem reutilizá-lo e recriá-lo, fortalecendo a chamada “cultura do remix”, (Lessig, 2005), na qual todo conteúdo está aberto e passível de ser transformado.

Como conseqüência, ao publicar um texto sobre a tipologia urbana da cidade de São Paulo no blog Dispepsia, por exemplo, é possível fazer uma busca entre imagens da cidade liberadas sob licenças Creative Commons e republicá-las junto no blog sem infringir os direitos autorais do autor da fotografia. A possibilidade de utilização do conteúdo gerado por outra pessoa, nesse caso, enriquece o post do blog Dispepsia e gera novas conexões entre o blog e o autor da fotografia, uma vez que o mesmo será linkado ao ter sua foto utilizada no blog. Ações como essa geram um novo fluxo de troca de conteúdo e criação de laços na blogosfera.

22 de março de 2009

O melhor show da minha vida (até agora)

RadioheadRADIOHEAD

Como era de se esperar, os shows do Radiohead no Brasil foram excelentes e alguns aspectos (positivos) me surpreenderam:
- Thom Yorke é muito mais performático do que eu imaginava, enquanto Johnny Greenwood é a timidez em pessoa
- As projeções e a luzes formam o visual mais incrível que já vi em um show. Não só os leds interagindo com cada momento das canções mas também as imagens (registradas com várias câmeras espalhadas pelo palco) projetadas em dois tons no telão são literalmente um outro espetáculo (com destaque para "I might be wrong"). Dá para dizer, sem dúvida alguma, que se trata de uma mega instalação mais interessante e estimulante do que a maioria das obras de vídeo arte que costumamos ver
- A banda realmente possui uma forte pegada rock´n´roll ao vivo, com vários momentos muito pesados e barulhentos
- Impossível não se divertir só de assistir ao Ed O´Brien no palco, sorrindo o show inteiro e se divertindo com instrumentos de percussão e aparatos eletrônicos (na maior parte do tempo, responsabilidade do multinstrumentista Johnny Greenwood)
- Felizmente o público não cantou tão alto a ponto de superar a voz de Thom Yorke, o que, a meu ver, significa duas coisas: boa parte do público simplesmente não sabia as letras e a outra sentia que estava em um momento tão importante que cantava mais baixo pra conseguir ouvir melhor o som que vinha do palco

Setlist do show do Radiohead no Rio de Janeiro
“15 step”
“Airbag”
There There
“All I Need”
“Karma Police”
“Nude”
Weird Fishes/Arpeggi
“The National Anthem”
“The Gloaming”
“Faust Arp”
“No Surprises”
“Jigsaw Falling Into Place”
Idioteque
I Might Be Wrong
“Street Spirit (Fade Out)”
“Bodysnatchers”
“How To Disappear Completely”

Primeiro bis
“Videotape”
Paranoid Android
“House of Cards”
Just
“Everything In It’s Right Place”

Segundo bis
You And Whose Army?
“Reckoner”
Creep


E o setlist do show do Radiohead em São Paulo

15 Step
There There
The National Anthem
All I Need
Pyramid Song
Karma Police
Nude
Weird Fishes/Arpeggi
The Gloaming
Talk Show Host
Optimistic
Faust Arp
Jigsaw Falling Into Place
Idioteque
Climbing Up The Walls
Exit Music (For A Film)
Bodysnatchers

Bis 1
Videotape
Paranoid Android
Fake Plastic Trees
Lucky
Reckoner

Bis 2
House of cards
You and whose army
Everything in its right place

Bis 3
Creep

E o Kraftwerk? E o Los Hermanos? Bem... o Kraftwerk fez um bom show, mas a maioria do público não conhecia a banda e apenas permaneceu parado para não perder os bons lugares para o show do Radiohead (no caso de quem estava na frente, como eu). Ao contrário do que boa parte da mídia escreveu sobre a volta do Los Hermanos, senti uma excelente energia entre a própria banda e a platéia, que cantou praticamente todas as músicas do início ao fim.

E o que isso tudo tem a ver com música independente brasileira? É fácil: depois de ver um show tão bom como esse, só podemos esperar boas influências para a nossa cena artística.

20 de março de 2009

O futuro dos blogs brasileiros e uma pausa para o Radiohead

Enquanto faço uma breve pausa aqui no Rio de Janeiro para conferir os shows históricos do Radiohead no Brasil, deixo aqui uma entrevista que dei para o Felipe Nunes, estudante de comunicação em Brasília, sobre blogs e o Meio Desligado.

Como você vê o futuro dos blogs brasileiros, e, principalmente, dos que tratam de música?
É uma grande incógnita, um assunto muito amplo. É o mesmo que perguntar qual o futuro da internet. Depende de tudo o que estamos fazendo com a ferramenta e como nos relacionamos com ela. "Blog", basicamente, é apenas um formato de publicação de conteúdo.O que essa ferramenta é capaz de produzir a partir de sua interação com as pessoas não é possível de se delimitar tão facilmente. A meu ver, a tendência é uma hibridização cada vez maior. Muita gente já não sabe mais diferenciar alguns blogs de sites e essa mistura é inevitável. A chamada "cultura do mashup" ainda está engatinhando em relação ao seu potencial.

A principal diferença de tudo isso para os blogs que abordam a produção musical é uma aproximação ainda maior dos conteúdos audiovisuais e hipertextuais. É ridículo acompanhar as versões virtuais de muitos dos grandes veículos de comunicação. A maioria sequer sabe usar links (ou acredita que utilizá-los resultará na perda de tráfego), usam podcasts e vídeos de maneira deplorável e que pouco tem a acrescentar ao conteúdo informativo, fazem isso apenas porque acham que devem fazer. Falta uma postura crítica e que busque não apenas seguir a tendência, mas sim buscar formas de transmitir informações de modo mais completo e que realmente interesse ao público. Nesse sentido, por terem um certo caráter anárquico inerente e estarem abertos às experimentações, os blogs estão à frente dos veículos de comunicação tradicionais (ou que não tiveram origem já no ambiente digital).

Quem definirá o futuro dos blogs são os blogueiros, isso é óbvio, porém muita gente não percebe. Enquanto os blogueiros continuarem a se basear em padrões e estruturas pré-definidas por meios de comunicação analógicos, que surgiram e se desenvolveram com tecnologias e em momentos históricos distintos, não haverá evolução relevante em relação ao que existe atualmente.

De onde surgiu a idéia de fazer um blog e como foi o processo de divulgação?
Google e Yahoo! foram minhas ferramentas de divulgação. Não montei um blog para que meus amigos ficassem sabendo o que gosto de ouvir ou o que penso de determinados assuntos do meio musical. Até hoje a maior parte dos meus amigos, aqueles que saem comigo pra beber e que jogavam videogame comigo na época de escola, sequer sabe que eu tenho um blog. Se resolvi disponibilizar isso na internet foi para alcançar novas pessoas, descobrir coisas novas. Nesse sentido, as ferramentas de busca foram cruciais.

Quando se comenta em outros blogs de assuntos semelhantes você naturalmente extende sua rede também. Não me refiro aos chatos que deixam comentários como "Olha, leia o meu blog!". Não, eu não vou ler o seu blog! Agora, se você escreveu algo que se relaciona com algo que publiquei, questionando, completando o que escrevi ou algo do tipo, um link para esse seu post é mais do que bem-vindo. Existe uma grande diferença entre participar e colaborar e ser um spammer de merda.

Sem contar que toda vez que você está logado e deixa um comentário seus blogs estão automaticamente linkados, o que abre a porta para que mais pessoas cheguem ao que você está produzindo.

Sobre o início do Meio Desligado, tudo se resume a "insatisfação". Várias formas de insatisfação, na verdade. Fazia três anos que escrevia sobre cultura pop em outro blog, o Mazzacane, e tinha uma resposta considerável na internet, mas comecei a sentir que aquilo tudo era muito básico, que outras pessoas poderiam fazer aquilo. E se outras pessoas poderiam fazer o mesmo, por que gastar o meu tempo com isso? Se há mais gente escrevendo sobre as mesmas coisas, de forma parecida, para que mais do mesmo? Isso me incomodou bastante. Procurei por algo que fosse diferente, que ninguém estivesse fazendo e que me desse prazer. Daí surgiu o Meio Desligado.

As outras insatisfações a que me referi eram relacionadas às bandas ridículas que eram aclamadas na mídia (tanto na "grande mídia" como na "mídia independente"), na maior parte dos casos por serem bandas de amigos dos jornalistas, enquanto as bandas boas que estavam sempre ali, tocando nos buracos sujos de quarta à sábado, não tinham espaço, não havia nenhuma informação disponível sobre elas para que mais pessoas tomassem conhecimento de suas existências. Parafraseando o filósofo Stallone, para esse cenário doente o Meio Desligado poderia não ser a cura mas pelo menos diminuía a febre.

Qual a idade do blog, e diante desse tempo, quais foram os grandes prazeres que o gerenciamento de uma página de internet lhe proporcionou?
O Meio Desligado foi criado em dezembro de 2006, então tem atualmente dois anos e três meses de existência. Ao longo desse período foram incontáveis momentos de satisfação proporcionados pelo blog. Escrevo porque gosto, porque é uma forma de me expressar e sinto ser útil para outras pessoas. Toda vez que leio algo que publiquei e sinto que dei o melhor de mim, me sinto bem. Por outro lado, sempre que percebo que estou aquém do que gostaria ou sei que poderia fazer, me incomoda bastante. Por vezes prefiro não atualizar o blog do que escrever algo fútil apenas para ganhar alguns acessos e mantê-lo atualizado. Fazer isso seria mentir para mim mesmo.

19 de março de 2009

Diversão e dinheiro são como c*...

... cada um tem o seu e usa como quer. Os playboys que o digam:



Não conhecia esse Elcio Coronato, ele se saiu muito bem nessa matéria. Segue bem a cartilha do revival Ernesto Varela promovido pelo sucesso do CQC.

Descobri no Urbe.

Atualização
Não resisti: coloquei um vídeo do Ernesto Varela também, para quem ainda não o conhece poder comparar.

18 de março de 2009

iVisca! - Skate, música alternativa e cultura urbana

O documentário iVisca!, produzido pela marca/grife Element, vai um pouco além dos tradicionais vídeos de skatistas realizando manobras e pode ser interessante até mesmo para quem não gosta do esporte. Acompanhando três skatistas brasileiros (Roger Mancha, Klaus Bohms e Lucas Xaparral) durante 17 dias em Barcelona, iVisca! mostra os atletas descobrindo a cidade e adaptando seu espaço urbano ao esporte. Fiz uma análise um pouco mais aprofundada sobre esse tema no Dispepsia.



Aqui no Meio Desligado vale destacar a excelente trilha sonora do média-metragem, marcada por músicas experimentais e pós-rock. A trilha é composta por músicas instrumentais do Constantina, Fóssil, Guizado e Marcos Maciel, além do rapper Parteum.

Quem quiser assistir aos 30 minutos de iVisca! pode fazer o download gratuito liberado pela Element.

17 de março de 2009

Programação do festival Planeta Terra 2009

Palco principal
Rage Against the Machine
Smashing Pumpkins
The Cure
Faith No More
Santogold
Macaco Bong

Palco indie
Death Cab for Cutie
... And You Will Know Us by the Trail of Dead
John Frusciante
Idlewild
Does It Offend You, Yeah?
Guizado

Ok, equipe do Planeta Terra, nem precisa me agradecer pela curadoria voluntária que fiz. Ou melhor, se quiser depositar uma grana na minha conta e ouvir uma defesa conceitual/mercadológica que explica cada uma das escolhas, estou à disposição.

Não é só porque o Tim Festival acabou e vocês têm o principal festival do país que vocês podem colocar quaisquer bandinhas, beleza?

16 de março de 2009

Rumos Itaú Cultural 2009-2010


"Imagine uma idéia depois do seu início e antes do seu fim. Uma idéia andando. Sempre em movimento. Isto se chama processo.
O Rumos Itaú Cultural funciona assim. Idéia em movimento, nunca acabada, nunca próxima do fim - embora esteja na estrada há um bom tempo."

Assim o projeto Rumos Itaú Cultural é descrito em seu blog, parte do processo de divulgação e acompanhamento das inscrições em sua nova edição. Propostas nas áreas de Cinema e Vídeo, Arte Cibernética, Dança e Jornalismo Cultural podem ser inscritas até 29 de maio (com exceção da área de jornalismo, cujas inscrições terminam apenas em 31 de julho). Os selecionados receberão prêmios em dinheiro para o desenvolvimento de seus projetos.

Cada uma das categorias é bem explicada no vídeo promocional disponível abaixo, uma boa introdução para quem deseja entender melhor do que se trata e antes de ler os editais.



Para divulgar e explicar o projeto o Itaú Cultural realizará encontros em todas as capitais brasileiras, misturando palestras e oficinas tendo como ponto em comum a discussão sobre o processo criativo. As datas das "itinerâncias do Rumos" podem ser conferidas no blog do projeto, sendo que cidades como Brasília e Cuiabá já as receberam.

15 de março de 2009

Novidades da música independente mundial: Music Alliance Pact de março

(Como de costume, aqui vai a nova edição da MAP toda em inglês. Aos poucos vou traduzindo todos os textos)

Depois de escolher duas bandas instrumentais e experimentais (Macaco Bong e Guizado) e o eletrônico ultra-misturado do João Brasil, enviei para a Music Alliance Pact uma amostra do mais puro rock´n´roll produzido no Brasil, que, coincidência ou não, vem de Goiânia (que você encontrará nos mais de 20 blogs que fazem parte da MAP como "Goiânia Rock Citty", rs): Black Drawing Chalks, uma das minhas bandas favoritas e com um dos shows mais incríveis e consistentes da atualidade. Agrada tanto ao fã de rock setentista mais próximo do barulho como quem gosta de stoner rock (que, na real, é apenas uma revitalização do primeiro).

Entre as bandas dos outros países, uma altamente indicada é a italiana Death in donut plains.

Volte daqui a alguns dias e encontre tudo traduzido para o bom e velho português.

ALEMANHA: Blogpartei
Five! Fast!! Hits!!!Keep My Name Out Your Mouth
Five! Fast!! Hits!!! have been an institution in Munich for years. No month without at least one gig, until now. Singer Raffi is moving to London while Amadeus, the true head of the band, will pay attention to his other projects such as Elektrik Kezy. Their melodic, hectic, eclectic and energetic shows will be missed.

ARGENTINA: Zonaindie
Lola Arias & Ulises ContiTe Voy A Vencer Por Knock-out
Lola Arias is a writer, stage director, actress and singer. Ulises Conti is a composer, producer and multi-instrumentalist musician. They started working together in 2003, making music for several theater plays. This wonderful pop-rock love song is from their debut album, El Amor Es Un Francotirador, which comprises the original music from a play with the same name that was directed by Lola and Alejo Moguillansky. The translated title of the song here is “I’m going to beat you by knockout”.

AUSTRÁLIA: Who The Bloody Hell Are They?
Leader CheetahBloodlines
Festival State four-piece Leader Cheetah are the less manic, more soulfully melodic reincarnation of now-defunct Pharaohs. Their music is layered folk-rock twang meets brooding pop – think Neil Young’s moody younger brother in stormy weather. Bloodlines reminds me of Interpol circa the jangling guitar, tonal shift glory days of Turn On The Bright Lights. The vocals of singer Dan Crannitch are mind-addlingly beautiful and dark, especially when met with the surge of harmonies in the chorus. Leader Cheetah’s debut album The Sunspot Letters is out now on Spunk Records.

BRASIL: Meio Desligado
Black Drawing ChalksBig Deal
Qualquer fã de Turbonegro, Queens of the Stone Age, Kyuss e diversas outras bandas que fazem suas próprias versões de como o rock pode (ou deve) ser rápido e sujo irá amar Black Drawing Chalks. Formada em Goiânia, a banda faz shows incríveis, um dos mais explosivos da cena nacional. O som é descrito pela própria banda como "música para beber e foder" e é feito pelo quarteto Renato Cunha ("sexy guitar / sweet back vocals"), Victor Rocha ("violent guitar / hipnotic vocals") e os irmãos Douglas ("drum machine") e Denis de Castro ("dirty bass"). Aperte o play e se prepare para beber e foder (rockers não deveriam estar sempre preparados para isso?)

CANADÁ: I(Heart)Music
Amos The TransparentLemons, aka (BigFishLittlePond)
Ottawa may be Canada’s capital but it hasn’t produced much in the way of great Canadian music. Amos The Transparent are the exception to this rule. Their debut, Everything I’ve Forgotten To Forget, featured contributions from members of Stars and Broken Social Scene, and sounded like those two other bands. Lemons, aka (BigFishLittlePond) is taken from their about-to-be-released follow-up EP and finds the band inhabiting similarly stunning territory.

CHILE: Super 45
VapourboatFull Trains Of Dead People
Vapourboat is the Scottish project of Chilean-born Nico Carcavilla. His songs are composed entirely in his bedroom, inspired by the genius of Otis Redding. Perhaps it is this influence which makes Carcavilla sing like a man who has lived it all, when he is actually just starting. Being only 14, his songs incorporate instruments such as ukuleles, accordions, guitars and keyboards, and the Neutral Milk Hotel-esque arrangements end up developing into sad, long walks that owe their intensity to Beirut.

CINGAPURA: I'm Waking Up To...
A Vacant AffairConnecting The Dots
A clean, clinical and almost methodical country like Singapore can only boast the undercurrent of a disenfranchised youth who find different ways of breaking the status quo. A Vacant Affair almost does that, not by being cynically political about the culture here, but by embracing the emotions that come along with it. A post-hardcore band that shares influences with the likes of Underoath and Deftones, they bring it all out in the fantastic debut album closer, Connecting The Dots. AVA steer the listener into a swimming plethora of swirling vocals and guitars as they finally explode into an extended outro that acts as a buffer between you and this crazy, mixed-up world.

CORÉIA DO SUL: Indieful ROK
PavlovThe Lioness
If you’re looking for some rock’n’roll you should definitely listen to Pavlov. If you’re not, you probably should anyway. Not a big fan of the genre myself, I gave Pavlov a chance after being told to think of them as AC/DC and The Hives with a frontman who looks like Jarvis Cocker with Tourette’s – and it was not something to regret. Everything they’ve recorded has something special to keep you listening and when the last song has finished it’s hard not to play everything all over again.

DINAMARCA: All Scandinavian
KellermenschAll Time Low
Their name is inspired by Fjodor Dostojevski’s novel Notes From Underground, they’re heavily influenced by the German expressionist movement Die Brücke and the Esbjerg-based Danes are musically related to both Tom Waits and metal acts like Tool. Their eponymous debut album is stunningly original and a massive contribution to the already vibrant Danish rock and metal scenes.

ESCÓCIA: The Pop Cop
We Were Promised JetpacksShips With Holes Will Sink
We Were Promised Jetpacks ought to be one of the biggest stars of this year’s SXSW. They mix sweeping, sonic brilliance with a melodic accessibility that has made them Glasgow’s most talked-about band since Frightened Rabbit. Indeed, they have followed in the footsteps of their city chums by signing to FatCat, who will release their debut album These Four Walls in June. Until then, here’s a teaser from it to whet the appetite.

ESPANHA: El Blog De La Nadadora
BedroomJapanese Girl
Even in Spain there are still lots of people who don’t know the powerful secret that Bedroom hides. Folk, torch-songs and traditional music join together around the presence of Bert, the engine behind Bedroom. His debut album LaCasaDinsLaCasa surprised us last year – now it’s your turn to listen to Japanese Girl and discover why.

FRANÇA: SoundNation
SliimyTrust Me
Sliimy may be best known for his cover of Britney Spears’ Womanizer but the 20-year-old is a talented artist in his own right, with his high-pitched vocals and pop sensibility reminiscent of Mika.

INGLATERRA: The Daily Growl
BlacklandsCome Sad Light Of Dawn
This month we return to folkiness, mainly because if I don’t cover Blacklands soon, main man Al Murphy will have moved to New York and his music will no longer be ‘England’ for MAP. It’s lovely sepia-tinged fireside acoustic pickings. Come Sad Light Of Dawn is a gorgeous song, conceived in Berlin, executed in a cottage on a desolate Yorkshire moor. You may be able to tell.

IRLANDA: Nialler9
David KittMove It On
The opening track from Kittser’s sixth album The Nightsaver displays the same solid thread of songwriting and homemade invention he has always been able to produce regardless of the style inherent within thanks to his distinctive voice and ear for a tune. The album, which was recorded at the top of a winding staircase somewhere along Dublin’s Grand Canal, may turn out to be his best yet.

ISLÂNDIA: I Love Icelandic Music
Ólafur ArnaldsHimininn Er Að Hrynja, En Stjörnurnar Fara þér Vel
Ólafur Arnalds is a talented 21-year-old musician, part of the new generation of classical composers. He hails from the suburban town of Mosfellsbær, just outside Reykjavík. He has toured extensively around Europe and North America with a live string quartet and last summer he supported Sigur Rós on some European shows. The song here – translated as “The sky is falling but the stars look good with your dress” – is on his Variations Of Static EP which shows off his crackling electronics and sounds.

ITÁLIA: Polaroid
Death In Donut PlainsOver And Above
Death In Donut Plains is the solo project of Enrico Boccioletti from Pesaro. He plays evocative electronic music with a wide range of inspirations such as Aphex Twin, Fuck Buttons, M83 and The Radio Dept. He has created some lovely covers of Liars, dEUS and Good Shoes but his latest EP has a lighter and more pop touch, in a sort of Postal Service mood.

MÉXICO: Club Fonograma
Juan SonMermaid Sashimi
Mermaid Sashimi is the first solo album by Mexico’s most prolific contemporary vocalist, Juan Son. After the breakup of his highly celebrated band Porter, he expands his already singular vision with much confidence and complete freedom, delivering what’s arguably Mexico’s best production in a while. He has the sensibility of a story-teller and the thirst of a scientist.

NORUEGA: Eardrums
The ElectonesRight Foot From Left
The Electones make beautiful experimental pop almost without creative boundaries and its foundation rests heavily on 60s-inspired folk and jazz. They are musical cousins to artists such as Múm, Psapp Sigur Rós and The Accidental. The Electones’ debut album If You’ll Be Null, I’ll Be Void will be released on Beatservice Records on March 23 and the band will also be a part of Birdsongs, Beesongs – the upcoming, free Eardrums compilation.

NOVA ZELÂNDIA: Counting The Beat
The VerlainesYangtze Cod And Chips
The Verlaines were one of the bands to define the Dunedin Sound, releasing a number of classic recordings on the iconic Flying Nun Records label between 1981 and 1996. They returned in 2007 with a well-regarded album Pot Boiler and are about to release a new politically-inspired record called Corporate Moronic. Songwriter Graeme Downes has fire in his belly as you can hear on this song about the unlikely subject of a free trade agreement between NZ and China.

PERU: SoTB
ResplandorSolar
Resplandor are probably better known abroad than in Peru. Formed a decade ago by Antonio Zelada and Luis Rodriguez, the band’s shoegaze dream pop sound has seen them play with The House Of Love and The Radio Dept. Their most recent album Pleamar was produced by Robin Guthrie and opener Solar is the best song on it.

PORTUGAL: Posso Ouvir Um Disco?
CorsageDried Up, River Blues
Corsage are an indie band from Lisbon who brought out their first EP in 2004. The following year they recorded a cover of a Scott Walker song, Angel Of Ashes, for a tribute release to the British musician by Portuguese bands. In 2007, they were featured in the compilation Novo Rock Português (“New Portuguese Rock”) and one of their songs was selected for the soundtrack of a Portuguese soap. Last month they released their new album Finito L’Amore, where you can find this month’s track, Dried Up, River Blues.

ROMÊNIA: Babylon Noise
GrimusBackseat Driver
Grimus are an indie/alternative band from Cluj. They formed about four years ago and their debut record Panikon was declared Romania’s best album of 2008 by several musical/cultural communities. Although influenced by the likes of Placebo, Muse and Interpol, they manage to create a unique style and sound. On top of that, these guys are great live on stage – you not only get a performance, you’re in for a show.

SUÉCIA: Swedesplease
Two White HorsesGood Times Are Gone Forever
Good Times Are Gone Forever by the brother/sister duo Two White Horses may be about growing up and realizing childhood is over, but it’s hard not to think about the song more in the context of our present global meltdown. I love Lovissa’s voice on this track as well as the fuzzy chug-chug guitar.

USA: I Guess I'm Floating
ViernesGlacial Change Of Pace
Viernes are an electronic rock duo from Florida who've managed to capture a thrilling loud/quiet/loud aesthetic akin to Grizzly Bear. Glacial Change Of Pace – a MAP exclusive – brings together hard-hitting psychedelia with gorgeously subdued lulls, and vice-versa, in a seamless display of sonic movements and emotions. Look out for their debut album Sinister Devices in the near future.

Download das 24 músicas aqui.

12 de março de 2009

Semana... e hoje!

O Meio Desligado ficou parado essa semana mas eu estive super na ativa, trabalhando, inclusive, pra que o blog fique melhor em um futuro próximo.

Nos próximos dias publico um monte de coisas. Volta aí!

Ah, agora vou ali ver o Radiotape abrindo o show do Keane (boiada gratuita de última hora descolada via Twitter - e tem gente que ainda critica a tecnologia!).

7 de março de 2009

Encontro marcado no Grito Rock Sabará, hoje e amanhã

Neste final de semana fico offline pois estarei trabalhando no festival Grito Rock Sabará, realizado pelo Fórceps. Minha participação no evento é super pequena, já que decidi atuar no Fórceps em ações mais relacionadas à experimentação e continuar cuidando da atuação do coletivo na internet (incluindo aí a estrutura interna de funcionamento digital e os blogs/sites relacionados, como a nova página inicial do coletivo, ainda em versão beta).

Farei a cobertura em tempo real através do recém-criado perfil do Fórceps no Twitter e mais tarde a cobertura multimídia (ao lado do João, também do Fórceps) será publicada no blog do coletivo. A galera do Alto-Falante também estará presente para cobrir o festival.

São 18 bandas de 10 cidades em 2 dias de shows na Impacto, uma casa de campo na cidade histórica de Sabará (Av. Albert Scharlé n1626, bairro Paciência). O ingresso para cada dia custa R$ 10 e o passaporte é R$ 15.

Dia 07/03
A partir das 13h
14h30 - Aura (Divinópolis)
15h - Elephas (Lavras)
15h50 - Seu Juvenal (Uberaba)
16h40 - Radiotape (BH)
17h30 - 4 (Sabará)
18h20 - The Melt (Cuiabá)
18h20 - Gigante Animal (São Paulo)
19h10 - Maquiladora (SP)
20h - Soprones (MoC)
20h50 - Isso (BH)

Dia 08/03
A partir das 13h
14h30 - Lupe de Lupe (BH)
15h - Manolos Funk (Vespasiano)
15h - Stereotáxico (BH)
15h50 - O Melda (BH)
16h40 - HCR (Sabará)
17h30 - Pelos de Cachorro (BH)
18h20 - Cajaba (Santa Luzia)
19h10 - Slama! (BH)
20h - Cães do Cerrado (BH)
20h50 - Rock Nova (BH)

4 de março de 2009

Programação do Abril Pro Rock 2009

Sem o patrocínio da gigante Petrobras como nos anos anteriores, o Abril Pro Rock, um dos principais festivais de música do país, realiza em 2009 uma edição reduzida. Serão 15 shows em dois dias de festival e não haverá o ciclo de palestras, como no ano passado. As principais bandas da programação são Motorhead, Marcelo Camelo + Hurtmold, Mundo Livre S/A, Móveis Coloniais de Acaju e Heavy Trash, banda super desconhecida no Brasil mas que se trata do projeto rockabilly de Jon Spencer (do Blues Explosion).

Uma grande quantidade de atrações nunca foi, por si só, sinônimo de um bom evento. Por isso, uma edição menor pode até mesmo contribuir para que as próximas edições do APR sejam mais concisas e bem conceituadas, como acontece na primeira noite do festival deste ano, com bandas claramente reunidas pela proximidade sonora: rock and roll pesado, sujo e rápido.

Semanas atrás a banda francesa Stereolab havia sido anunciada no festival, mas a informação não foi confirmada na coletiva de imprensa realizada hoje em Recife.

O festival acontece mais uma vez no enorme Chevrolet Hall e terá ingressos entre R$ 100 e R$ 25.

17 de Abril (sexta)
Motörhead (UK)
AMP (PE)
Decomposed God (PE)
Black Drawing Chalks (GO)
Banda não-confirmada

18 de Abril (sábado)
Marcelo Camelo (RJ)
Heavy Trash (EUA)
Móveis Coloniais de Acaju (DF)
Mundo Livre S/A (PE)
Retrofoguetes (BA)
Volver (PE)
Vivendo do Ócio (BA)
The Keith (PE)
Candeias Rock City (PE)
Banda não-confirmada


Trechos do terceiro dia do festival em 2008, com shows de Helloween e Gamma Ray

Abril Pro Rock 2009
17 de Abril, sexta-feira
R$ 100 inteira / R$ 50 meia / Ingressos social: R$ 70 + 1kg de alimento não-perecível
18 de Abril, sábado
R$ 50 inteira / R$ 25 meia / Ingressos social: R$ 30 + 1kg de alimento não-perecível
Local: Chevrolet Hall (Rua Hagamenon Magalhães s/n, Olinda, Pernambuco)
Telefone: (81) 3427.7500

Três metas para a sustentabilidade (musical)

Bruno Nogueira, do Pop Up!, aproveitou o material que apresentou em um dos debates do Grito Rock Porto de Galinhas para apresentar em seu blog algumas dicas para se buscar formas sustentáveis no mercado musical. A abordagem de Bruno permeia toda a cadeia produtiva da música, com destaque para os processos de comunicação e a postura dos próprios envolvidos nesse mercado.

O texto completo está no Pop Up! e abaixo você confere o terceiro elemento abordado no texto:
"A terceira coisa é ter uma compreensão do que você tem para oferecer. Eu vejo o tempo inteiro bandas surgindo na cidade e, com menos de um ano, já aprovando projeto em lei de incentivo para lançar um disco. Caso alguém ainda não tenha percebido, a indústria do disco está mesmo em crise. Mas a música não. Disco é feito para quem conhece sua música possa ouvi-la. Por hora, se preocupe em fazer que sua música seja conhecida. A maioria das suas bandas favoritas levaram anos para lançar o primeiro disco. Cannibal, aqui na mesa, levou 10 anos para lançar o primeiro do Devotos. Não é só porque é fácil, que você vai fazer.

Eu tive a oportunidade, ano passado, de entrevistar o diretor criativo do maior festival de música no mundo hoje, o South by Southwest. E ele falou uma das maiores verdades que já ouvi. Ele disse que “a melhor coisa que você pode ter é alguém que ame sua música”. E é nisso que vocês precisam trabalhar. Não é apenas sonoridade, mas é um conceito. Pense nas bandas que você NÃO gosta e tente explicar porque vocês não gostam delas. A primeira coisa que vem a mente é o conceito. Isso também funciona ao contrário. Hoje, uma banda como o Devotos, consegue ser respeita e venerada sem nem precisar ser ouvida, de tão forte que é o conceito que eles construiram naturalmente.

Quando você tem alguém que ama sua música, você desenvolve algo chamdo “relacionamento criativo”. As pessoas multiplicam aquilo que você criou, aumentando naturalmente seus ouvintes. Seja gravando seu show com o celular e publicando no Youtube, seja tirando fotos e disponibilizando pela internet. Coisas que, em outra época, você precisaria pagar caro para conseguir. E, para encerrar, isso se reforça com algo que falei no começo: é um processo de comunicação."

3 de março de 2009

Novos baianos

Equivalente ao Forno de Minas do Pílula Pop, o blog El Cabong fez uma lista com alguns interessantes lançamentos de bandas baianas, entre eles os da dupla 2 em 1, Vivendo do Ócio e Cascadura.

São textos curtos e bons guias introdutórios para se conhecer um pouco mais sobre a cena do rock independente contemporâneo da Bahia. A primeira parte do especial está publicada e vem mais por aí.

O zumbi mais famoso da música

Balance o mouse quem já ficou de saco cheio das discussões em torno da morte do vinil e das conversas de seus amantes. Pouco importa o formato, se tocasse música em raiz de ora-pro-nobis a gente ouviria do mesmo jeito.

De qualquer forma, os dois vídeos abaixo registram as opiniões de Luiz Valente, do selo Vinyl Land, e do Gabriel Thomaz, do Autoramas, sobre as bolachas que insistem em viver.




2 de março de 2009

Forno de Minas

No ano passado as principais bandas mineiras que lançavam novos trabalhos foram reunidas pelo site Pílula Pop na série "Forno de Minas". Transmissor, Monno, Dead Lover´s Twisted Heart, Ímpar e Carolina Diz tiveram seus CDs (até então em fase de produção, na maior parte dos casos) comentados, em um ótimo guia para quem está distante da cena mineira e/ou não a conhece bem.

A edição 2009 do projeto está em andamento (com uma breve contribuição minha) e, até que ela seja publicada, fica a dica para conferir o que foi escrito ano passado. Acho que só esqueceram dos EPs do Constantina (iHola, Amigos...!) e Pelos de Cachorro (Memorial dos Abismos).

1 de março de 2009

Como a indústria musical se suicidou


Para a indústria musical a justificativa para as quedas nos negócios durante esta década é a pirataria - leia-se, a troca ilegal de arquivos pela internet. Enquanto grandes gravadoras, estúdios de cinema e outros agentes do mercado de entretenimento culpam os downloads pelas quedas nos lucros, algumas pessoas enxergam além e apontam o dedo para a própria indústria como responsável por seu declínio.

No artigo "How to kill the music industry", publicado no TorrentFreak e parcialmente traduzido no Submusica, Jens Roland aponta 8 motivos pelos quais o mercado musical está em declínio e é culpado por sua própria situação. De acordo com Roland, o que vivemos atualmente é resultado das evoluções tecnológicas ocorridas nos últimos 15 anos, que permitiram aos consumidores acabar com as limitações que impediam o acesso à produção cultural e permitiam que a indústria cobrasse valores excessivos por seus produtos. Sem o monopólio das formas de difusão cultural em seu poder, a indústria cultural teria, de certa forma, se estagnado e entrado despreparada no meio digital, tentando manter o mesmo modelo de negócio de décadas passadas em um mercado novo, com características e possibilidades totalmente diferentes.

Entre os pontos relacionados por Roland um dos que mais se destaca está relacionado às novas alternativas de entretenimento. A proliferação de videogames, computadores móveis e celulares representa um grande concorrente para a música. Se há 20 anos a TV, o cinema e a própria música eram as principais formas de entretenimento, hoje elas competem com os frutos da tecnologia digital (que demoraram muito para serem bem trabalhados pelas gravadoras, por exemplo).

Outro ponto importante e pouco comentado refere-se à venda de músicas em formato digital:
"Finalmente, a indústria musical abraçou as oportunidades da mídia digital, ao menos permitindo que os consumidores comprassem músicas isoladas, uma a uma, em vez de terem que comprar o álbum completo. Acompanhando os números das vendas de CDs nos últimos 10 anos, há uma relação direta entre a queda na venda de CDs e a introdução e aumento das vendas de singles digitais. Ao verificar os números, fica claro que a grande maioria dos consumidores simplesmente se via obrigada a comprar os álbuns completos mesmo quando queriam ouvir apenas uma ou duas músicas de um determinado artista. Com a revolução digital, milhões de vendas de CDs transformaram-se em vendas de músicas isoladas, diminuindo consideravelmente os lucros. Essa é a real razão pela qual a indústria está sofrendo".

O que significa, resumidamente, que o consumidor agora possui maior controle sobre o que e como deseja obter, para desespero da indústria. É algo presente no cotidiano de todos nós e evidenciado em nossas relações com serviços como MySpace e Blip.fm, nos quais a lógica do formato "álbum" já não faz mais sentido. A meu ver, estamos em um momento de transição no qual o consumidor, teoricamente o fim da cadeia produtiva, está, de certa forma, no comando, obrigando que artistas e empresas repensem as formas como lidam com seus produtos e se adaptem à nova realidade - que é digital, claro.

Os álbuns brasileiros mais esperados de 2009


O Bloody Pop, um dos meus blogs favoritos de cultura pop, está em novo endereço e fez uma boa lista de CDs nacionais que serão lançados este ano. Quem se interessa pelo atual momento da música alternativa nacional ficará bastante satisfeito com as informações reunidas pelo Lívio e sua seleção de lançamentos futuros.

Além dos 12 álbuns selecionados, vale mencionar que o excelente Wado, autor de um dos mais incríveis álbuns de 2008 (Terceiro Mundo Festivo), já está preparando seu novo trabalho, e o Cidadão Instigado também prepara novo álbum para esse ano. E, é claro, tenho esperança de encontrar muitas novas bandas nesse finalzinho de década.

Abaixo estão os links para as bandas selecionadas pelo Bloody Pop e que lançam suas novas obras em 2009. Coloquei as bandas por ordem (super pessoal) de interesse.