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27 de agosto de 2009

Festival Vaca Amarela 2009

Na chamada "capital do rock" brasileira, Goiânia, os holofotes destacam a Monstro Discos, empresa crucial para o rock independente brasileiro nos últimos 15 anos. Paralelamente ao trabalho dos monstros e seus festivais (Goiânia Noise e Bananada, ambos anuais), o festival Vaca Amarela foi crescendo aos poucos e se destacando para, em 2009, promover uma edição marcada pela grande quantidade de bandas (30, no total) e por debates interessantes sobre variadas questões que norteiam a atuação na cena musical independente.

Para entender um pouco mais sobre o festival e contextualizá-lo em meio as atuais ações do underground brasileiro, conversei um pouco com Pablo Kossa, da Fósforo Cultural, produtor do festival.

A primeira coisa que praticamente todo mundo pergunta ao conhecer o festival é em relação ao nome. De onde veio esse "Vaca Amarela"?
Eu trabalhava em um jornal de Goiânia, o Diário da Manhã, e um amigo de redação e meu chefe, o Ulisses Aesse, sugeriu esse nome para o festival que eu começava a desenhar e projetar. Ele disse: "coloca o nome Vaca Amarela! Todo mundo conhece a musiquinha da vaca amarela que pulou a janela e todo mundo vai gostar". Veio daí o nome do festival.

O cartaz desse ano estampa várias logomarcas. Isso é sinal de que empresas e instituições estão mais abertas à música independente ou representa a necessidade de parcerias e apoios para que os festivais de música alternativa se realizem (ou nenhuma das duas hipóteses? rs)?
Cara, o número de logos significa antes de tudo que conseguimos conquistar bons amigos que entendem a palavra "permuta". Sendo assim, faz mais sentido a segunda hipótese por você ventilada. Temos duas leis de incentivo aprovadas mas, até o momento, nenhuma captação à vista. Sendo assim, nossos maiores patrocinadores, como em toda a história do Vaca Amarela, são o público (que paga ingresso e consome no bar) e as bandas (que entendem a importância do evento e tocam facilitando tudo ao máximo).

Dá pra perceber um trabalho especial na parte "teórica" do festival, com a programação de debates extensa e diversificada. Como e por quais motivos vocês definiram os temas a serem abordados? Como é a resposta do público de Goiânia a essas ações? Pergunto porque em várias cidades ainda não há um hábito por parte do público em comparecer e participar ativamente dessa parte dos festivais que, a meu ver, é extremamente importante para o desenvolvimento da cena.
Nossa intenção ao montar a grade de palestras e workshops foi abranger os principais motes da cultura independente hoje. Essa foi a perspectiva que norteou as escolhas, chamando as principais referências nacionais para discutir esses temas. A participação do público nessa parte de capacitação ainda é tímida, mas vem crescendo. Mas eu não me preocupo muito com isso não, sendo bastante sincero. Pouca gente quer pensar, muita gente quer se divertir e beber. Então, é natural um público menor quando se trata de assuntos de reflexão. Não me assusto com essa diferença de público entre palestras e shows.

Fim de década, qual o diagnóstico que você, ativo durante todo esse período na música independente e alternativa, faz da cena brasileira nesse período?
Acho que estamos avançando de forma bem interessante. As novas tecnologias promoveram o advento da coisa mais significativa surgida como movimento cultural no país, que é o Circuito Fora do Eixo. Além de reforçar a noção do associativismo, como é o caso da Abrafin. Penso que temos muito terreno ainda a ser ganho, mas ignorar os incríveis avanços é de uma miopia sem tamanho.


Shows

Centro Cultural Martim Cererê – Goiânia/GO
Ingressos– R$ 15 para cada dia


Sexta – 11/09
01:00 Canastra (RJ)
00:30 Umbando
00:00 Trilöbit (PR)
23:30 Gloom
23:00 Los Cociñeros (ARG)
22:30 Gilbertos Come Bacon (DF)
22:00 Technicolor
21:30 Pato com Laranja
21:00 Black Sonora (MG)
20:30 Madame Butterfly e os Burlescos
20:00 Dom Capaz (MG)
19:30 Chimpanzés de Gaveta
19:00 MC Dyskreto
18:30 Kabiotó
18:00 Novos Ébanos

Sábado – 12/09
01:00 Dead Fish (ES)
00:30 Mugo
00:00 Johnny Suxxx and the Fucking Boys
23:30 MQN
23:00 Atomic Winter
22:30 Woolloongabbas
22:00 Boddah Diciro (TO)
21:30 Anesthesia Brain
21:00 Ressonância Mórfica
20:30 Snorks (MT)
20:00 Fígado Killer
19:30 Dimitri Pellz (MS)
19:00 Girlie Hell
18:30 Novos Vinis (Anápolis-GO)
18:00 Just Another Fuck

Palestras Brasil Central Music / Feira do Empreendedor
Local – Centro de Convenções
Entrada franca


10/09 – quinta – 14 horas
Artistas e imprensa – Relação, necessidade recíproca e interesse público
- Sérgio Martins (SP) – está na Veja desde junho de 1999. Formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero (São Paulo), trabalhou na redação do jornal Notícias Populares, nas revistas BIZZ e Época e colaborou com os jornais Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, além da revista americana Time.
- Carlos Brandão (GO) – trabalha com cultura (música, composição, produção e administração de espaços culturais), há 42 anos. Começou em 1967, num espetáculo no Teatro Inacabado. Como letrista, tem mais de 200 músicas gravadas em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Bruxelas e Paris. Participou ativamente do boom do rock em Goiás, quando dirigiu o Centro Cultural Martim Cererê, entre 1999 e 2006. Dirige o Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro e produz, desde 2008, 10 semanas de shows com o melhor da MPB em Goiás, o Canto de Ouro. Nas horas vagas, é jornalista, desde 1978.

10/09 – quinta – 17 horas
Comunicação independente: gerando negócios e promovendo a cidadania
- Rodrigo Lariú (RJ) – comanda a gravadora independente midsummer madness desde 1989. Já lançou 25 CDs, 101 EPs de bandas brasileiras e estrangeiras. Produtor e diretor de TV há 10 anos, com várias colaborações para Rolling Stone, Folha de SP e O Globo, Lariú também é sócio fundador da Abrafin e coordenador de ações no coletivo Rede Rio Música.
- Marielle Ramires (MT) – comunicóloga graduada em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e atualmente é gestora do setor Negócios do instituto cultural Espaço Cubo. É também diretora de comunicação da Abrafin e Primeira Secretária da Associação de Produtores e Gestores Independentes de Cubo Card (Asprogic).

11/09 – sexta – 14 horas
Música e quadrinhos – Interações, interdependência e contribuições mútuas
- Galvão (SC/GO) –trabalha com quadrinhos e ilustrações desde 1995, já tendo
publicado em algumas das principais revistas e jornais do pais. Ganhou duas vezes o troféu HQMIX por melhor site de autor (2003 e 2004). Cartunista, chargista e quadrinista d’O Popular e Folha de S. Paulo
- Pedro de Luna (RJ) – formado em Comunicação Social pela UFF com MBA em Gestão Cultural pela UCAM, trabalhou nas rádios Fluminense FM e Venenosa FM, foi editor do Jornal do Rock e do site SK8.com.br, além de colunista dos jornais International Magazine e Rock Press, do site da MTV, Punknet e revista OutraCoisa. Publicou tiras na revista Laboratório Pop e no Jornal do Brasil, do qual é editor do blog Quadrinhos. Coordena o coletivo Araribóia Rock e realiza o projeto Bandas Desenhadas, levando para as HQs o que acontece no mundo real da cultura independente.

12/09 – sábado – 14 horas
Festivais independentes – Erros de ontem, acertos de hoje, melhorias para amanhã
- José Flávio Jr. (SP) –é jornalista e crítico musical. Atualmente ocupa o cargo de editor contribuinte de música da revista Bravo!. Também escreve para o caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo, e assina a coluna LoveSounds, na revista LoveTeen, da Editora Abril. Integra o conselho artístico da Oi FM e produz o programa diário Guia Oi Sampa. Divide o podcast Qualquer Coisa com o jornalista Paulo Terron e o músico Max de Castro. Já trabalhou nas revistas BIZZ, Veja São Paulo e no site Usina do Som. Também publicou textos nas revistas Vip, Playboy, Rolling Stone, Capricho, Isto É Gente, Jungle Drums e para os cadernos Folhateen (Folha de São Paulo) e Caderno 2 (Estado de São Paulo).
- Márcio Jr. (GO) – Produtor cultural, mestre em Comunicação pela UnB, criador da Monstro Discos e dos festivais Goiânia Noise e TRASH – Mostra Goiana de Filmes Independentes, vocalista da banda Mechanics.

13/09 – domingo – 14 horas
Cultura cidadã – Arte e protagonismo para um mundo melhor
- Daniel Zen (AC) – bacharel em Direito pela UFAC e mestre em Relações Internacionais pela UFSC. Preside a Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour, do Acre, os Conselhos Estaduais de Cultura e de Patrimônio Histórico e Cultural e o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura. Integra a rede de gestores do Circuito Fora do Eixo de Música Independente e é o atual Coordenador de Ação Política da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin). Toca contrabaixo na banda Filomedusa.
- Léo Pereira (GO) –jornalista, publicitário, poeta e dramaturgo. Autor de três peças teatrais: Poética Bancária, Traga-me Bombons Coloridos e A Doença do Acúmulo. Ativista cultural do movimento de poesia falada e teatro amador de Goiás nos anos 70 e 80. Autor e letrista do projeto poético-cênico-musical Terrorista da Palavra, gravado ao vivo no dia 11 de setembro de 2003, no Tearo Inacabado.

13/09 – domingo – 17 horas
Como abrir e gerir uma casa de shows
- Rafael Bandeira (CE) – proprietário do Hey Ho Rock Bar-casa de shows com mais de 6 anos de existência. Um dos realizadores do Ponto.CE,um dos maiores festivais independentes do Ceará.Vice-presidente da Casas Associadas - Associação Brasileira de Casas de Shows Independentes. Produtor executivo das bandas Fossil e Encarne. Membro da RedeCEM - Rede Ceará de Música - coletivo que integra o Circuito Fora do Eixo.
- Cláudio Pilha (MG) – proprietário da casa de shows A Obra em Belo Horizonte, organizador do festival Campeonato Mineiro de Surf e presidente da Casas Associadas - Associação Brasileira de Casas de Shows Independentes.

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