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30 de dezembro de 2008

Melhores (lembranças) de 2008

Listas têm sua importância por registrarem um momento histórico e refletir as formas como seus autores vivenciaram determinados períodos. Com isso em mente, há de se ter um certo distanciamento crítico ao analisar qualquer uma das listas de melhores do ano que infestam a internet todo mês de dezembro. Cada uma delas está longe de apresentar uma visão real da produção cultural de 2008, mas cada lista reflete a forma como diferentes pessoas e veículos se relacionaram com essa produção. Ao se reunir 10 ou mais listas, de preferência de veículos distintos (sites, blogs, revistas, amigos) e de diferentes locais geográficos, é possível se ter um panorama considerável das obras que se destacaram ao longo dos últimos 12 meses e que ainda serão descobertas por muitas outras pessoas.

No meu caso, tenho as listas de melhores do ano principalmente como forma de descobrir novas bandas, filmes, músicas, livros, etc. Não poderia fazer uma "lista de melhores do ano" simplesmente pela prepotência que a ação implica (apesar de duvidar veemente de a maioria dos autores dessas listas realmente acreditar que estão criando uma seleção do que de melhor aconteceu nos últimos tempos ao invés de uma coleção, bastante particular, que reflete seus respectivos contatos com o mundo artístico ao longo do ano que passou).

O que posso, e considero relevante, é apresentar a seleção de momentos e obras marcantes na minha vida em 2008, a maior parte registrada no Meio Desligado. Nada como uma boa busca nos arquivos para saber como foi 2008 no mundo da música independente brasileira, com grande destaque na cena rock (e adjacências).

Na minha seleção de melhores lembranças de 2008 não me prendi a categorias convencionais. Não existem regras quando se tem o controle sobre elas.
E é claro que muitos momentos importantes não estão aqui. Alguns porque talvez eu simplesmente tenha esquecido (mas nem por isso são menos importantes, já que algumas coisas precisam ser vividas, experimentadas, mas não necessariamente necessitam ficar registradas para sempre na memória para que sejam relevantes), outros, porque talvez neste exato momento eu não considere tão marcantes mas que em um futuro próximo possam aflorar como memórias importantíssimas.

Como diz a canção do Fino Coletivo, "deixe a vida lhe trazer recordações". Ou, citando a Nova Schin, "experimenta!". Depois nós conversamos e vemos o resultado.

Álbuns que mais tocaram no meu MP3 player
Wado - Terceiro Mundo Festivo
CSS - Donkey
Guizado - Punx
Melhor hit, de banda questionável
"Grupo de extermínio de aberrações", do Violins


Melhor comentário enquanto eu discotecava
"Marcelo, eu te amo!"

Pior comentário enquanto eu discoteva
"Pára de tocar hardcore melódico, toca Duran Duran!" (detalhe, eu estava tocando Dead Kennedys!)

Show mais parecido com ritual evangélico
Cordel do Fogo Encantado no Jambolada 2008

Prêmio "Caralho, eu queria muito ter feito isso!"
Guizado

Álbum histórico para a cena independente brasileira
Artista Igual Pedreiro, do Macaco Bong

Banda mais louca pessoalmente
Nuda

Melhor mensagem recebida no celular
"Tô de saco cheio dessa aula. Vamos transar?!"

Mensagem de áudio recebida por email mais incrível (editada)





Elogio ao Meio Desligado que faz com que eu tenha que controlar a prepotência e a megalomania
"Meio Desligado, o Pitchfork Media brasileiro"

Momentos que me fazem crer que esse blog é realmente lido por outras pessoas além de membros de bandas e outros blogueiros atrás de informações para copiar
Ser selecionado como um dos melhores blogs brasileiros pelo Yahoo! e indicado ao Prêmio Conexões Tecnológicas do Instituto Sério Motta
Colaborar em trabalhos de conclusão de curso em faculdades de comunicação e até um doutorado no exterior
Ser convidado para representar o Brasil na Music Alliance Pact

Coletâneas virtuais que mais escutei e que considero mais relevantes

+ Soma Amplifica Vol.1
O Grito Ano 1

Melhor viagem
Mini-férias em Brasília

Momento "Alice in Wonderland"

Temporada entre Rio e São Paulo

Evento mais importante para a cena local (BH)
Seminário Prático da Música


Show mais bonito e fantástico
Constantina lançando o EP iHola, Amigos...!

Pós-show mais ensandecido
Mary in Hell depois do show do Interpol em BH

Ação mais inusitada e interessante
Duelo de MC´s debaixo do viaduto no centro de BH

Banda que mais agradou ao vivo, em diferentes ocasiões
Macaco Bong
Black Drawing Chalks

Galera que mais me surpreendeu pelo empenho no que fazem (e serem super gente boa)
Wagner e Paulo, do Grito

Ver a cena independente crescendo de forma bacana
Só em Minas, por exemplo, surgiram vários coletivos e as ações do Fórceps estão indo bem

Evento mais legal que fiz
Festa do Meio Desligado na Obra
Minas Instrumental no coreto da pracinha histórica no centro de Sabará

Peso na consciência por não ter ido
Calango 2008
Goiânia Noise 2008

Piada indie(ota)
O fim do Meio Desligado

Prêmio "Pouca vergonha alheia é bobagem"
Mulher-galinha do Bonde do Rolê enfiando um bifão na buzanfa


Participação em projetos
Super gratificante ter feito parte do Stereoteca 2008, Overmundo Colabora, Pequenas Sessões, FF >>, Grito Rock, CineBrasa e outras atividades. Esse foi apenas o início!

Melhor show em festival
Superguidis no Abril Pro Rock
Muse no Porão do Rock
Foals no Planeta Terra
Festival com mais jornalistas do que público
Eletronika 2008

Melhor jeito de terminar vários dos seus posts e que me deixou puto por não ter pensado nisso antes (bastando apenas a alteração de gênero)
"Fiquei bêbada"

Melhor mensagem de fim de ano recebida
"Obrigada por ter tornado o meu ano melhor"

Maior satisfação
Saber que tornei o ano de alguém melhor

Publicação programada para essa data previamente. Estou por aí aproveitando as férias. Todas as fotos são de minha autoria.

Casas Associadas em resposta ao Meio Desligado


Em resposta ao texto sobre o mapa de casas de shows portuguesas, no qual citei a experiência brasileira das Casas Associadas, a entidade publicou um texto no site do Fora do Eixo.

Trilha sonora de reveillon




29 de dezembro de 2008

Música para fechar o ano: versão proletário adolescente






Ano inteiro trabalhando de office boy
Pra no final do ano pagar de playboy
A galera toda junta, sem camisa e suada
No final do expediente eu encontro a moçada

Bo-bobo-bobo-bobo-bobobo-boy! Hey!

Eu trouxe a linguiça, torresmo e farofa
É sensação é delícia,coisa muito gostosa
Embola o "cocrete"
Só magia e sedução
A galera esfrega o pinto na dama da lotação

A galera toda junta na união do grude
As potranca salafrária esbanjando saúde
Aqui dentro eu não ligo se tem gente com asa
Só encosta as cabecinhas e penso "Ê lá em casa!"

Música para fechar o ano: versão romântico nostálgico






Há de sentir muita saudade
Beijo bala de hortelã
Do abraço exposto na cidade
Longas horas das manhãs

Há de lembrar dos fins de tarde
Em céu laranja o adeus do sol
E o sabor do chocolate
Em noites frias luva e lã

Do tempo tido como eterno no início da paixão
Pra sempre, sempre repetido nos sussurros do amor
Do sorvete dividido nas calçadas de verão
E dos segredos prometidos no primeiro réveilon

Deixa a vida lhe trazer recordações

28 de dezembro de 2008

Mistureba # 4: Humaitá Pra Peixe 2009, Abril Pro Rock 2009, mapa de casas de show e lojas

Abril Pro Rock 2009
A 17ª edição do Abril Pro Rock, um dos mais famosos e maiores festivais do Brasil, está confirmada para os dias 17 e 18 de abril, mais uma vez no Chevrolet Hall, em Recife. A primeira grande atração confirmada é o Motorhead, clássica banda de metal, do hit "Ace of Spades". Outra confirmação é a banda Candeia Rock City, selecionada através do concurso "Microfonia", realizado entre a produção do festival e as Faculdades Integradas Barros Melo.


Humaitá Pra Peixe
Outro festival que divulgou novidades foi o carioca Humaitá Pra Peixe, que liberou sua programação completa, não muito empolgante. Confira:

sala BADEN POWELL (sexta, sábado e domingo) às 19hs
09 – 3namassa
10 – Luisa Mandou um Beijo / Supercordas
11 – Catch Side / Supergalo
16 – Paraphernalia / Vitor Araujo
17 – Comadre Fulozinha / Junio Barreto
18 – Doces Cariocas / Mané Sagaz
23 – João Ferraz Grupo / MOMO
24 – Anna Luisa / Luis Carlinhos
25 – Bebeto Castilho / Wilson das Neves
30 – Aline Duran / El Niño
31 – Show Surpresa

OI NOVO SOM – ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO (terças – 19hs)
13 – Oi Novo som: Fuzzcas / Daniel Lopes
20 – Oi Novo som: Nayah / Stereo Maracanã + Tonho Crocco
27 – Oi Novo som: Madame Machado / Escambo

MATTE LEÃO APRESENTA – PALCO VIRTUAL (quartas – 20hs)
14 – Artistas que enviarem vídeos
21 – Artistas que enviarem vídeos
28 – Artistas que enviarem vídeos

TALK SHOW – OI FUTURO (quintas – 19hs)
15 – Leoni
22 – Tico Santa Cruz
29 – Frejat

Mapeando a música
No início do mês o António Torres, de Portugal, me deu o toque de que estava catalogando os espaços existentes para shows e concertos em seu país e reunindo tudo no Vai Uma Gasosa?. Agora, com o apoio de mais dois veículos digitais portugueses (A Trompa e Rascunho), o mapa português já conta com 230 salas catalogadas. Excelente para a cena musical portuguesa como para os artistas de outros países que planejarem turnês pelo país.


A idéia é tão boa que acabou por incentivar iniciativa semelhante no Brasil. Senhor F e sua trupe já anunciaram que criarão um mapa de casas de show da América do Sul e outro com as principais lojas (físicas) de discos do Brasil. Até o momento, a ação mais próxima disto realizada no Brasil é a Casas Associadas, mas que ainda não realizou nenhuma ação relevante e vem se mantendo praticamente como uma associação fantasma.

27 de dezembro de 2008

Pequenas Sessões com Lise, L_ar e Bernhard Gál para fechar o ano

Daqui a algumas poucas horas acontece em BH a terceira edição do projeto Pequenas Sessões, dedicado a experimentação sonora. A partir das 20h se apresentam no Minueto Centro Musical o austríaco Bernhard Gál e os mineiros Lise e L_ar. Será uma noite marcada soundscapes, canções climáticas e experimentações eletrônicas. Um software desenvolvido especialmente para a ocasião irá aliar os sons produzidos pelos três artistas, transformando-os em texturas visuais projetadas, promovendo uma interação audiovisual conceitual.

Recentemente Gál também se apresentou no File - Festival de Linguagem Eletrônica em São Paulo (assim com Leandro Araújo) e tem extensa participação em festivais ao redor do mundo, apresentando seu trabalho teórico junto à sua produção artística.

Sobre os artistas:
Bernhard Gál, compositor e musicólogo austríaco, é conhecido internacionalmente como um dos mais inventivos "sound artists" de sua geração. No decorrer de dez anos de intensa produção, Gál criou mais de 50 instalações sonoras, além de obras de arte digitais e em novas mídias para espaços como ZKM, Alemanha e Mutek Montreal. Ele já se apresentou em inúmeros festivais e salas de espetáculo nos quatro continentes e divide com Ernst Reitermaier a curadoria do festival vienense "Shut up and Listen". Bernahrd Gál também sustenta uma sólida produção acadêmica e até o ano de 2007 foi professor da Universidade de Artes de Berlim, Alemanha.

Imagem da instalação 'Infinitation', de Gál e Yumi Kori, em São Paulo
Daniel Nunes é músico da banda Constantina. Compôs diversas trilhas para teatro, curtas-metragens e Internet. É idealizador do selo independente mineiro La Petite Chambre, pelo qual lançou os álbuns ¡Hola amigos ...! EP (2008), Constantina e Colorir – Música Livre em Mariana/MG (2007) e Constantina (2005). Junto com o coletivo Fórceps lançou este ano em Belo Horizonte o projeto de música livre independente,"Pequenas Sessões". Daniel Nunes também mantém o Projeto Lise, uma experiência sempre em transformação que vai além do universo musical ao permitir trocas com artistas de outras vertentes que passam pela video-arte, web-arte e performance.


Leandro Araújo é arquiteto e desde 2005 integra com Roberto Andrés o estúdio de arquitetura e design digital Superficie.org, onde produziram projetos em mídias digitais para festivais e exposições como Festival Internacional de Linguagem Eletrônica – FILE (São Paulo 2007, Rio 2008); Muriliana, Palácio das Artes (2006) e Neovanguardas, Museu de Arte da Pampulha (2007). Além disso, Leandro produziu em 2008 a instalação Confessionals, FABRICA, em Treviso, Itália, foi artista convidado para edição local do projeto Territórios Recombinantes do Prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia e recentemente contemplado com o Prêmio Interações Estéticas – Edição 2008 da Fundação Nacional de Artes – FUNARTE.

Leandro Araújo no Museu de Arte da Pampulha

26 de dezembro de 2008

Cena Musical Independente – 1ª mostra de bandas paulistas

Por Flávia Amorim

O Estado fazendo sua vez de incentivador da cultura “independente” no país

Entre os dias 28 e 30 de novembro, rolou em Piracicaba uma das quatro edições do evento Cena Musical Independente, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. As outras aconteceram em Araçatuba, Bauru e São Sebastião. Em cada edição, 10 artistas foram selecionados e receberam R$ 4 mil, alimentação, transporte e hospedagem durante os quatro dias do evento, além de terem uma de suas músicas inserida no CD de coletânea do evento. Benefícios muito importantes para grupos que muitas vezes pagam para tocar em festivais e casas pelo Brasil.

Esse tipo de evento pode estabelecer o acesso de grupos independentes a uma estrutura muito boa de palco e equipamentos, salvo alguns erros e problemas técnicos. Se você fizesse parte de um grupo de Santos, no litoral paulista, e quisesse tocar em Araçatuba, caso selecionado, teria seu transporte até o local do evento. Para ser selecionado os artistas não poderiam ter nenhum tipo de trabalho como CD ou DVD produzido e distribuído por qualquer gravadora ou selo. O grupo Forgotten Boys, por exemplo, foi desclassificado de uma das etapas por já ter seu trabalho distribuído pela Tratore. Aí começam minhas críticas à organização do evento. É de suma importância que o Estado fomente ações como essa, mas é preciso entender e administrar melhor a verba pública, para que essas ações não vão por ralo abaixo...

  • Inscrições: ter seu trabalho distribuído por um selo significa que você não é independente? Qual o significado do termo “independente”? Se você tira o dinheiro do próprio bolso para que uma empresa distribua seu trabalho em lojas ou na internet, significa que você já faz parte do mainstream? Outro ponto foi que alguns grupos não tinham trabalho autoral, fazendo no máximo uma releitura de músicas já conhecidas, humm...

  • Locais do evento: a idéia do evento ocorrer em cidades distribuídas no Estado (de leste a oeste) saindo da grande São Paulo, está de parabéns, com foco em cidades universitárias, mas... por que, em sua grande maioria, os eventos não tiveram o acesso do público? Chegando a ter de 50 a 100 pessoas assistindo as apresentações, aí também caímos no quesito DIVULGAÇÃO.

  • Divulgação: os eventos em geral não tiveram muita adesão de público, por mais que as “vantagens” de participar do evento sejam muito positivas, artistas independentes querem e precisam divulgar seu trabalho, e aí nesse caso, pra quem estão divulgando? Para as próprias bandas que participam dos eventos? Faltou uma boa ação de divulgação, muita gente não fazia idéia do que estava acontecendo na cidade, os universitários (que poderiam ser um público importante para o festival) não participaram em grande número, salvo nos shows de destaque como Cachorro Grande e Móveis Coloniais de Acaju.

Obs: os eventos tinham sempre dois artistas que já foram destaques da cena alternativa, como Autoramas, Cachorro Grande, Móveis Coloniais de Acaju, Lobão (?)...
Quem tocou em dias sem “grandes” artistas de destaque acabou perdendo público. No site da SEC (Secretaria de Estado da Cultura) não havia um link permanente sobre o evento, apenas poucos dias antes do evento acontecer, em cada cidade.

Ações que também aconteceram no evento foram:
Bate-papo com artistas convidados (Móveis... em Piracicaba) e apresentação de documentário (que infelizmente destacou a cena independente como puramente de “indie rock” e que inclusive tinha o Forgotten Boys dando entrevista, lembra que eles foram excluídos da seleção? Mas eles não estão no documentário como uma banda independente?)

O evento acabou sendo muito mais aproveitado pelos grupos selecionados do que pelo público leigo, que poderia ter tido acesso à informações sobre a cena independente e acabou não participando ativamente (se nem nos shows foram, nas outras atividades então, que o diga). Acho que atividades para os grupos seriam importantes também, talvez workshops sobre produção, sustentabilidade dos grupos, áudio, mercado fonográfico, isso sim viria a calhar.

Os palcos eram gigantes, a estrutura similar a palcos como da Virada Cultural paulista, outro evento promovido pela Secretaria. Será que se a coisa toda fosse em um espaço menor, mais intimista, não teria funcionado melhor? Ainda mais por ser a primeira edição do evento?

Sobre as bandas selecionadas, muitos trabalhos não tinham qualidade e maturidade, fico na dúvida sobre os critérios de seleção, visto que hoje um home-studio facilita muito que se grave uma demo em casa e se abra uma página no MySpace.

Não concordo que festival independente, por exemplo, não pode beber de fontes como a Petrobras para se sustentar, e desse ponto de vista também apoio que Secretarias de Cultura criem iniciativas como a do Cena Independente (inclusive há cidade no interior paulista que promove festival de banda de rock!). Acredito que são ações válidas, desde que não sejam temporárias, sem critérios e conhecimento sobre o que se está sendo organizado e divulgado.

Espero que o Cena Musical Independente volte em 2009, mas reveja suas ações.

23 de dezembro de 2008

Jornalismo colaborativo: cobertura do festival BH Music Station a partir dos comentários de leitores (agora também autores!)

paula disse...

"show da ana cañas marcado para 00:30. cheguei na estação 00:25 e até o metrô chegar e ir até vilarinho, já era 1:10. eu só peguei meia hora de show da ana cañas. detalhe: quando eu cheguei, a estação vazia ainda. muito mal organizado. valeu pelo pocket show no metrô, no fim do show da ana. fiquei putíssima."
Público do festival BH Music Station
Aluizio Luizinho Zim Pimpão Paratodos
disse...

"Concordo com o que todos falaram sobre o preço dos ingressos - peneira fina demais!
Fui conferir a Nação Zumbi no primeiro dia do festival. Ao contrário do que muitos pensaram, o público compareceu em massa e o show da Nação foi indiscutível!
Quanto à organização vacilaram feio: o show da Nação estava marcado para as 00:30. Saí da Estação Central às 12:40 e ainda havia uma fila enorme atrás de mim, onde boa parte sairia no próximo trem. Ao chegar na Estação Vilarinho o show tinha acabado de começar, perdi apenas uma música e com isso já deu para se ter uma idéia com a galera que estava atrás de mim quando embarquei né? Perderam pelo menos 30min do show. Pediria meu dindin de volta sem pestanejar.
Na minha opinião outra merda foi colocar o Arnaldo Antunes/Edgard Scandurra e Nação Zumbi no mesmo dia. Essa reclamação foi geral e muitos estavam em dúvida até o último momento.
Mas valeu!Tiveram tambéms os acertos e o show foi do caralho!"

Mauro disse...

"Amigos e pessoas queridas

Especialíssima, a programação festiva Music Station, esta ótima e seria um projeto para desbancar muitos festivais do país, pena que com os preços absurdos a galera belorizontina não comparecerá massa, e muitas pessoas não conseguirão consagra um evento de tal importancia, deixo aqui o meus parabéns para a produção do evento com relação as bandas, estrutura e programação, mas tambem deixo meu manifesto pois deveriam lembrar de que cobraça de preços abusivos como os que estão sendo cobrados esta fora das condições dos belorizontinos."
Público durante show de Edgard Scandurra com Arnaldo Antunes
E o meu comentário:
"Show excelente do Fino Coletivo no dia 6 de dezembro. Público razoável, espaço bacana (estação Santa Inês) e começaram a apresentação com a excelente "Hortelã"! Bom pocket show de jazz dentro do vagão do trem e show ruim e picareta do Bossacucanova, ainda por cima sem a banda completa."

Fotos: Flickr do Rod Neiva

22 de dezembro de 2008

As datas dos shows do Little Joy no Brasil

Tudo bem, se você é bem informado já está sabendo disso desde a semana passada. Mas eu não me importo.

rodrigo amarante

Os tão comentados shows no Brasil do Little Joy, formado por Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Fabrizio Moretti (The Strokes) e Binki Shapiro (você não precisa ter tocado em nenhuma outra banda quando se tem um nome tosco desses, as pessoas lembrarão de você de qualquer forma), estão confirmados e acontecerão em São Paulo, Rio de janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre entre o fim de janeiro e início de fevereiro de 2009. Os ingressos para o show de Porto Alegre começarão a ser vendidos em 5 de janeiro. Em BH, a banda deverá se apresentar em um festival (no mesmo dia em que os um dia antes dos rappers cubanos do Orishas farão fazerem show na cidade).

27/01 (terça-feira) >> Porto Alegre
Local: Bar Opinião

28/01 (quarta-feira) >> São Paulo
Local: Clash Club (retornando após reforma no início de janeiro)

30/01 (sexta-feira) >> Belo Horizonte
Local: Freegels Hall

06/02 - Rio de Janeiro
Local: Circo Voador

15 de dezembro de 2008

MAP ???

Pra não furar o compromisso (de postar no dia 15 de dezembro) com meus companheiros da MAP, publico abaixo a versão "internacional" da nova edição do projeto. Dê uma olhada e tente descobrir do que se trata.

AMERICA – I Guess I’m Floating
Dent May & His Magnificent Ukulele – "26 Miles"
Mississippi-based Dent May has been recording in various southern states since his formative years in high school. After going to college and refining his sound, he emerged with a new act that made use of his self-proclaimed magnificent ukulele. His pleasant pop arrangements, strong vocals and doo-wop-like vocal harmonies will appeal to anyone hoping to hear some happy music. His debut album is due out in February via Animal Collective’s Paw Tracks label. Never underestimate the ukulele.
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ARGENTINA – Zonaindie
Banda de Turistas – "Todo Mío El Otoño"
Mágico Corazón Radiofónico is the first album by Banda de Turistas and it turned out to be one of the biggest surprises of the year. With Mario Caldato Jr. (Beastie Boys) in charge of the mixing, this song reprises the beat sound of ancient Argentine rock bands like Los Gatos.
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AUSTRALIA – Who The Bloody Hell Are They?
The Philadelphia Grand Jury – "Going To The Casino (Tomorrow Night)"
Three long-time Sydney musicians start the funnest band to come out of the city in the past year. You might have known them in previous lives as one part Berkfinger, two parts The Sweats. Combined, they channel an updated retro rock style that somehow manages to both pay homage to Elvis and sound incredibly cool. Not an easy feat, so respect where it is due.
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BRAZIL – Meio Desligado
Macaco Bong – "Bananas For You All"
Macaco Bong is an instrumental trio from Cuiabá, considered one of the best live acts in the country. They sound like an original mix of post-rock, alternative metal and free jazz. Their guitarist doesn’t use any pedals or effects, playing his Fender online with overdrive from the amps he uses. The band is part of Espaço Cubo, a collective that works with culture and its social aspects, starting a revolution from the underground.
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CANADA – I(Heart)Music
Black Hat Brigade – "Swords"
Their hiccupped vocals and apocalyptic-sounding music makes bringing up Wolf Parade almost inevitable, but Black Hat Brigade make a pretty convincing argument with their self-titled EP – and particularly with Swords – that they don’t necessarily come off any the worse in the comparison.
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CHILE – Super 45
Fredi Michel – "Enganamí (Comeme Remix II)"
One of the weirdest and most original bands from Santiago, Fredi Michel are a mix between cumbia, dub and avant pop (via Broadcast). Even though they’ve been playing for years they have only recorded a few songs and some of their friends have made some remixes, such as the one featured here. Fredi Michel have announced they will finally release their debut album next year.
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DENMARK – Pastries, Peppers And Canals...
Oliver North Boy Choir – "Tonight"
Oliver North Boy Choir are the kind of band that Denmark does spectacularly well. Signed to Danish uber-indie label Crunchy Frog, Camilla Florentz, Mikkel Max Hansen and Ivan Petersen release pieces of ethereal beauty via download only. Oh, and they don’t play live either.
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ENGLAND – The Daily Growl
Jay Jay Pistolet – "Golden Age"
You may not call it a ‘scene’, but there's only one degree of separation between many of London's young bands and artists. Jay Jay Pistolet, friend of Mumford & Sons, Derek Meins and no doubt plenty others, is no exception. Not that this is important. Let JJP, who often comes across as a young English version of M Ward, be judged for himself.
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GERMANY – Blogpartei
Mio Myo – "Switch"
Switch is the latest single of the Nuremberg-based quad Mio Myo. It can be seen as a description of their sound – a bit ghosty and spheric, a diversity of electronic and analog instruments, and a voice reminiscent of Thom Yorke. Their songs always deserve a second hearing.
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ICELAND – I Love Icelandic Music
Vicky – "Alien"
Vicky, previously called Vicky Pollard (named after the Little Britain character), is one of the coolest new Icelandic rock bands. The band started in November 2006 when they accidentally got together and started jamming in their hometown Hafnarfjörður. They produce a sort of poppy metal or heavy pop. In 2008, these four girls and male drummer recorded their debut album Pull Hard, which was released on the Töfrahellirinn label in October.
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IRELAND – Nialler9
Sunken Foal – "On Platinum Rays"
The brilliantly titled Sunken Foal (think about it...) is also known as Dunk Murphy of Ambulance. After an appearance on BBC Radio 1’s Mary Ann Hobbs, his debut Fallen Arches has just been released on Planet Mu. The album is a textural, ambient, electronic-acoustic and, most of all, beguiling release of leftfield sounds.
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ITALY – Polaroid
Scarlets – "Every Waterloo"
Young, talented and stylish, Scarlets play nervous and tight songs heavily influenced by new wave. They’ve just released an EP on Angle Records full of love for The Smiths, The Jam and the sharpest Brit sound. They’re definitely a name to keep an eye on in the coming months.
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NEW ZEALAND – Counting The Beat
Bearcat – "Red Panda Blues"
Bearcat are one of a bunch of new New Zealand bands dabbling in folk influenced indie-pop. Apparently Bearcat is a literal translation of the Latin word for panda, and as well as naming themselves after the endangered mammal, the band have chosen to make pandas the subject of many of their songs too. Bearcat avoid the danger of this resulting in one-line-joke novelty songs by writing catchy and memorable tunes that have every chance of survival.
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NORWAY – Eardrums
The Little Hands Of Asphalt – "The Future"
The Little Hands Of Asphalt is the solo project of Sjur Lyseid, the singer in the Norwegian indie-pop band Monzano. As TLHOA, he makes warm, sensitive folk-inspired songs, often performed with an acoustic guitar as the main instrument. Sjur Lyseid is a great storyteller and his lyrics are always worth listening to. The song we have for you is a Music Alliance Pact exclusive, taken from his forthcoming debut album Leap Years which will be released in March 2009.
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PERU – SoTB
Pelo Madueño – Es Hora http://www.myspace.com/pelomusic
After his successful debut album, Ciudad Naufragio, Pelo Madueño returned this year with No Te Salves, an intimate album full of emotions. Based in Spain, Pelo shines as a songwriter and gives us a real insight into the independent scene.
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PORTUGAL – Posso Ouvir Um Disco?
Nuno Rancho – "Not For Sale"
Unready Demo is Nuno Rancho’s first solo work and you can download the other tracks on the EP for free via a link on his MySpace. In 2002, he started playing music in a band called Wheelchair and two years later he formed Kyoto. Today, besides Kyoto, Nuno Rancho still finds time to play and write for TiMaria, an electro-pop trio which has a completely different sound from his other work.
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SCOTLAND – The Pop Cop
Dotjr – "More Than You Know"
The Pop Cop only ‘discovered’ Dotjr last week and we were so bowled over there was no choice but to fast-track him into this month’s Music Alliance Pact. Dotjr (pronounced dot-jay-are) is the solo project of James Reeves, a 21-year-old native of the Isle of Lewis, and his joyous, soaring music has the kind of ambitious pop sound that radio DJs fall over themselves to play. More Than You Know is epic, swooning and Christmassy. Pretty much perfect then.
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SINGAPORE – I’m Waking Up To...
Leeson – "Some Girls"
Leeson are a five-piece indie-pop band from Singapore who play a revelling cocktail of poppy, dancey tunes that will have your feet tapping and singing along to their infectious melodies.
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SOUTH KOREA – Indieful ROK
The Black Skirts – "Dog"
The Black Skirts is the name used by Castel Prayon and his live band when climbing the digital music charts of Korea. In November the band's first album, 201, was released. The first song up for promotion was Like Me and people soon heeded the title’s request. For somebody who usually isn't too keen on being poppy, Castel Prayon sure knew what he was doing when making those songs, and Dog is an excellent example of that.
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SPAIN – El Blog De La Nadadora
Elurretan – "Momo Alper Bat Da"
Richar and Mikel are from Euskadi and sing in Euskera, their own language. Their songs are inspired by The Beach Boys, Burt Bacharach, Jonathan Richman, Mikel Laboa and C86. You can download their last album, Momo Eta Beste Izaki Batzu, from their website (http://www.elurretan.com). Elurretan love music and want to share their songs with everyone who likes them. Is it possible? I think so.
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SWEDEN – Swedesplease
Francis – "Bad To The Bone"
Francis take the strange blues of The Tallest Man On Earth and add a cabaret atmosphere. Debut single Bad To The Bone sounds like a transgender version of Stevie Ray Vaughn if he/she worked in a travelling eastern European circus and was channelling Tom Waits.
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Download all 21 songs in one file.

13 de dezembro de 2008

Fome e fogo no Cerrado


Bandas com fome de tocar. Assim foi o primeiro dia do Fogo no Cerrado, se é que dá pra resumir a abertura do festival que rola em Campo Grande (MS) desde ontem. Grupos locais e de outros estados dividem o palco do BarFly, o preferido da galera rock daqui. A noite começou com o hardcore da Repúdio CxGx, que levou letras de protesto do tipo "nossa vida na perifa, né véi" pro palco e realizou o sonho de tocar no Fly.

Em seguida veio Falange da Rima, grupo de rap mais atuante da Capital. Rockers se prostraram na frente do palco e não saíram dali até o show acabar. Os caras fizeram rap até em cima de "Sigo Sozinho", do Ney Matogrosso e o público curtiu, já que nem sempre tem oportunidade de ver misturados no mesmo evento hip-hop com bandas de rock.

Na sequência teve Mandioca Loca, também "prata da casa". Outra surpresa pro povo que estava na frente do palco. A banda tem como bandeira a polca-rock, estilo criado no Estado que mistura rock com ritmos ternários, como chamamé e polca, como o próprio nome diz, por influência da cultura de fronteira que é bem presente em MS pela proximidade com Paraguai e Bolívia. Os integrantes do Mandioca, veteranos do rock local, finalizaram o show com o som incendiado de guitarra distorcida. Apresentação forte, finalizada com gritos de "isso é rock do matooo! Isso é rock do matooo" pelo vocalista Rodrigo Teixeira.

Gêneros musicais diferentes também marcaram a abertura do Fogo no Cerrado. O grupo de classic-rock O Bando do Velho Jack enxugou seus hits. As músicas de longos solos virtuosos que o pessoal daqui sabe cantar de cor foram editadas. O saldo final foi um show empolgadão, com energia nas performances ampliada.

Nevilton

O power-trio-power Nevilton, do Paraná, foi o próximo a subir. A platéia grudada em frente ao palco se jogou horrores junto com os guris serelepes. Nevilton é o nome do vocalista e guitarrista da banda com Fernando na batera e Lobão no baixo. Indie pop é o que eles tocam, embalado por muito bate-cabelo e pulinhos de rockstar.

O Fly seguiu com o ritmo frenético-dançante quando a Revoltz, formada por músicos do RS, SP, MS e MT, começou a tocar. O rock garagista com letras "bonitinhas e ordinárias" manteve o requebrando até o fim do show. Maíra Espíndola, vocalista da Dimitri Pellz (que toca hoje) não se aguentou e foi dançar e cantar no palco. Humberto Finatti, crítico do Dynamite, fez uma participação bêbada e animada martelando o bumbo que lhe foi cedido na última música. Link Off, projeto eletrônico-industrial do campo-grandense Marino Filho arrematou o primeiro dia do festival, com direito a lanterninhas na cabeça e sonoridade robótica.

RevoltzOrganizado pela Bigorna Produções, o Fogo no Cerrado continua hoje. A curitibana Tonighters e Macaco Bong, de Cuiabá (MT) e Orange Disaster (SP) vão receber o afeto dos campo-grandenses, povo bom de farra. Bandas daqui, como Jennifer Magnética, Facas Voadoras e Dimitri Pellz garantirão o incêndio muito bem alimentado. A noite começa com Noradrenalina com a performance visceral do vocalista Heitor.

Um "perdeu-playboy" pra quem não se arriscou vir ao matão pra ver o festival. À vocês, caros, resta acompanhar a cobertura do Fogo no Cerrado no www.fogonocerrado.com ou dar um bizu aqui na próxima edição deste certame.

Fotos: Vaca Azul

12 de dezembro de 2008

INTERFERÊNCIAs na cultura (jornalística)

A merda é fruto do tempo. Em diferentes aspectos. O bolo alimentar percorre um longo caminho, o que demanda tempo, até ser transformado e chegar ao seu destino final (analisado por Foucault). O que era bom há 30 anos, hoje, após o efeito do tempo, é merda. No jornalismo, muita merda também é culpa do tempo. Nesse caso, tempo de duração, aliado ao espaço.

Imagine: lá está o pobre jornalista, ganhando seu salário medíocre e lembrando dos quatro anos que passou ouvindo mentiras sobre imparcialidade e ética, obrigado a preencher espaços pré-definidos com seu texto. "5 mil caracteres para essa matéria? Mas eu consigo explicar tudo em 2 mil caracteres, tranquilamente...". Não importa.
No rádio e na TV, pior. Seu programa tem uma duração estabelecida, 30 minutos, por exemplo, e periodicamente você deve preenchê-la com conteúdo aparentemente novo e diferente (lembre-se, eu escrevi "aparentemente").
Em todos esses casos, qual o resultado? Muita merda, óbvio. É extremamente imbecil definir a criação intelectual a partir do espaço e tempo a ser ocupado pela mesma. Cada pessoa, tema ou ocasião requer um tratamento diferenciado, o que resulta em tempo e espaço também diferenciados.

Nos veículos impressos, no rádio ou na TV, a situação é complexa e é necessário interesse (algo que as empresas de mídia, em sua maioria, não têm) em revertê-la. Em contraponto, a internet oferece alternativas eficazes e práticas. (Praticamente) sem limite de espaço e tempo, é possível deixar a criação fluir, sem ter que contar os caracteres ou os segundos - podendo exagerar na liberdade e cair na chatice, é verdade.

Em alguns casos, no entanto, existem produções que funcionam em diferentes formatos, podendo se apropriar das características de um determinado meio para potencializar sua ação. Este é o caso do Interferência.

Exibido dentro do programa "Manos e Minas", na TV Cultura, o Interferência é um quadro de entrevistas focado na temática da marginalidade sócio-cultural. Apresentado pelo escritor Ferréz, o quadro sempre é filmado em um mesmo bar do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, reflexo da naturalidade das conversas e de sua intenção de "tirar o acesso e a produção da informação apenas do círculo composto pela elite cultural , estendendo-os às demais esferas sociais".

Cada entrevista resulta em 3 ou 4 minutos extremamente interessantes que decorrem naturalmente. Além disso, a página oficial do Interferência é um blog que ajuda a contextualizar a participação de cada convidado, com informações adicionais de seus trabalhos/vidas, e disponibiliza todo seu arquivo no Vimeo, com vídeos em alta resolução e material extra de algumas conversas.

No atual contexto do jornalismo cultural brasileiro, é uma pena que essa experiência seja apenas uma interferência e não represente uma nova abertura prática e conceitual.

- - - - -

Para quem, assim como eu, não tem tempo (de novo ele) de assistir TV, selecionei alguns episódios do Interferência


Extratos:
"Só os (jornalistas) mortos não mentem" (citando Fred 04)
"A ficção é menos mentirosa que o jornalismo"
"Ninguém fala do jeito que sai nas aspas dos jornais, a não ser político e jogador de futebol, que falam sempre a mesma coisa"


Lourenço Mutarelli, falando, entre outras coisas, sobre como um possível patrocinador pode influenciar na criação de uma obra.


Extratos:
"Você não precisa vender a alma, mas parte do corpo às vezes sobra"
"Onde há grana, há burguês. Se você não aprende isso você tá fora"


Discutindo o que é MPB e o jornalismo cricri da Folha.

Pôster design: PHUNK! (L.A.P.A)

10 de dezembro de 2008

Se Andy Warhol tivesse passado pela TV Tupi os vídeos do Festival da Canção seriam assim

Título alternativo: ser velho é o novo cool, não?
Título alternativo (e careta) nº2: Novo vídeoclipe do Little Joy, "No one´s better sake"

Por que será que toda vez que escuto/vejo Little Joy eu só consigo pensar que a banda é o resultado de uma mais do que inusitada mistura de tropicália com indie? Tipo a banda que Caê teria montado com Lou Reed se eles tivessem se conhecido no Havaí, enquanto riam da leseira do (também entre eles) Brian Wilson.


Conheça a primeira atração confirmada da próxima festa do Meio Desligado!




Não esqueçam de levar alguns tecidos e vasos para presenteá-lo.

8 de dezembro de 2008

Festival Garimpo 2008

No ano passado, os 10 anos do Alto-Falante e da Obra foram comemorados em alto estilo com a criação do festival Garimpo, o único festival realizado em BH com uma boa curadoria dedicado ao rock independente, sem se restringir a um único sub-gênero. Apesar das dificuldades enfrentadas (sempre que você ler algo do tipo, subentenda como “falta de grana”), o Garimpo retorna em 2008 trazendo a Belo Horizonte atrações inéditas na cidade e que se destacaram ao longo do ano, como Cérebro Eletrônico (atração do Tim Festival 2008) e Do Amor (presença constante atualmente nos blogs de música brasileiros), aliados a duas das mais interessantes novas bandas mineiras, Transmissor e Fusile. Outro destaque na programação, responsável por fechar o Garimpo 2008, é o Superguidis, responsável pelo melhor show do Abril Pro Rock 2008, na minha opinião, e que prepara o lançamento de seu terceiro álbum.

Dividido ao longo de quatro dias, três espaços da capital (A Obra, Teatro Marília e Lapa Multshow) e com preço acessível (R$ 12), o Garimpo também tem em sua programação Instiga (SP) e Jonas Sá (RJ), ambos conhecidos no cenário independente; Ricardo Koctus (MG), baixista do Pato Fu, apresentando seu recém-lançado trabalho solo; a veterana banda belorizontina de surf punk Estrume´N´tal; e as mineiras The Dead Lover´s Twisted Heart, Pequena Morte, Cinco Rios, Churrus e Elephas (as duas últimas, originárias do interior mineiro).

Rodrigo James, produtor do Alto-Falante ao lado de Terence Machado e Tiago Pereira, um dos responsáveis pelo Garimpo, explica alguns aspectos do festival na mini-entrevista abaixo.

Por que alguém deveria ia ao Garimpo ao invés de passar quatro noites seguidas tomando algumas cervejas em alguns dos 4.738 bares de BH?
Porque você tem mais 361 dias no ano para ir a bares. E porque, se você gosta de música e se interessa por novidades, no Garimpo estarão alguns dos nomes emergentes da cena belorizontina (Transmissor, Fusile), alguns que já podem ser considerados "veteranos" (Dead Lover's) e um panorama de quem fez e aconteceu durante o ano no circuito de festivais (Cérebro Eletrônico, Do Amor, Superguidis). Como se não bastasse, temos um artista já conhecido na cidade (Ricardo Koctus) lançando seu primeiro disco solo.
Ah sim, e com exceção feita ao Teatro Marília, nos demais locais do festival haverá venda de bebida alcoólica. Então você pode tomar algumas cervejas NO Garimpo.

O Alto-Falante realizava festas regulares em BH com bandas locais e de outros Estados. Por que abandonar esse formato e decidir realizar um festival como o Garimpo?
Uma coisa não exclui a outra. Está em nosso planos voltar com as Noites Alto-falante em 2009. Só não fizemos este ano por pura falta de tempo e porque tivemos que priorizar outros dois projetos, além do Garimpo: as Sessões Alto-falante, que fizemos no Estúdio Ultra, e foram ao ar no programa de tv e em nosso Myspace; e as viagens internacionais que consumiram muito tempo de pré e pós-produção. Mas foram bem proveitosas. Fomos a três festivais na Europa (Eurockeennes, Roskilde e Benicássin), um nos Estados Unidos (Treasure Islands) e fizemos um especial na Argentina.

O Garimpo traz a marca do Alto-Falante, que é o mais respeitado programa musical na TV brasileira, e da Obra, o principal espaço para o rock independente/alternativo em Belo Horizonte. Mesmo levando em consideração esses fatores, quais as principais dificuldades enfrentadas na produção do Garimpo?
O de sempre: falta de dinheiro. Apesar de termos sido aprovados na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, não conseguimos captar os recursos. Portanto, tivemos que realizar o evento com recursos próprios e um apoio da cerveja Sol em produtos. Ainda assim, como no ano passado, conseguimos realizar o evento com um cast respeitável. Já tivemos feedback de gente da imprensa e do próprio público elogiando o lineup. Como isto - escalação de artistas - é primordial para nós, acho que conseguimos atingir nosso objetivo.


Programação

Quarta-feira, dia 10/12 >> 20h30 >> Teatro Marília
QUARTA SÔNICA com
CINCO RIOS (MG) com participação de Gato Jair (Último Número)
Entrada Franca. Ingressos distribuídos a partir das 19 horas.
+ a partir de 22 horas, festa de abertura do festival n'A Obra

Quinta-feira, dia 11/12 >> 22:00 >> A Obra
ELEPHAS (MG)
CHURRUS (MG)
INSTIGA (SP)
+ djs
Entrada: R$ 12,00

Sexta-feira, dia 12/12 >> 22:00 >> A Obra
PEQUENA MORTE (MG)
JONAS SÁ (RJ)
FUSILE (MG)
+ djs
Entrada: R$ 12,00

Sábado, dia 13/12 >> 20:00 >> Lapa Multishow
20h30 - TRANSMISSOR (MG)
21h15 - RICARDO KOCTUS (MG)
22 hs - ESTRUME'N'TAL (MG)
22h45 - DO AMOR (RJ)
23h30 - DEAD LOVER'S TWISTED HEART (MG) e convidados
0h15 - CÉREBRO ELETRÔNICO (SP)
1h15 - SUPERGUIDIS (RS)
Ingressos: R$ 12,00 (antecipados) e R$ 15,00 (no dia)

+INFO

Pontos de venda:
Obar (Rua Claudio Manoel, 296 - Savassi - Tel.: 3223-6592), 53HC (Galeria Praça 7, loja 53, Centro - Tel.: 3271-7237), A Obra (R. Rio Grande do Norte, 1168 - Savassi - Tel.: 3261-9431)

Endereços dos locais dos shows:
Lapa Multshow (Av. Álvares Maciel, 312 - Santa Efigênia - Tel.: 3241-2074)
Teatro Marília (Av. Alfredo Balena, 586 - Centro - Tel.: 3277-6319)
A Obra (R. Rio Grande do Norte, 1168 - Savassi - Tel.: 3261-9431)

7 de dezembro de 2008

Presente de Natal indie

HomiepieImagine uma revista tipicamente indie, um blog tipicamente indie e um colunista criador de boatos tendências no meio musical. Se você acompanha esses três veículos, é mais do que provável que todas as atrações do Le Pastie De La Bourgeoisie sejam conhecidas suas e frequentem (sim, sem trema no “qüe”, ela já era) seu tocador de MP3.

Stephanie TothGrenade, Lulina, Stephanie Toth, Holger e Homiepie têm em comum a sonoridade lo-fi, o flerte com o experimentalismo e o folk em diferentes níveis e os fãs com óculos roubados dos avós. Reunidos em São Paulo em um antigo salão de festas da década de 1920, apresentam, em 20 de dezembro, verdadeiro presente indie ao público paulistano. Entre o folk de Stephanie Toth (já definida por alguém como uma versão corta-pulsos da Mallu Magalhães), o minimalismo da Lulina, o super hypado som indie-folk do Holger e do Homiepie, destaca-se na noite a apresentação planejada pelo Grenade, ícone do indie-folk-rock nacional, que tocará na íntegra seu primeiro K7, Child's Introduction To Square Dancing, lançado há dez anos.

+INFO
Le Pastie De La Bourgeoisie
Shows com: Stephanie Toth, Lulina, Homiepie, Holger e Grenade (tocando seu primeiro K7 "Child's Introduction To Square Dancing")
Sábado, 20 de Dezembro
A partir das 20:00
Local: União Fraterna - Rua Guaicurus, 01/59, Água Branca, São Paulo - SP
Tel: (11) 3672-0358
Preço: R$ 10 (antecipado ou com nome na lista amiga - contato@amplitude.art.br) e R$ 15 (na hora)

Fotos do Flickr da Stephanie.

6 de dezembro de 2008

Fogo no Cerrado

Daiane Líbero escreveu o melhor release que recebi nos últimos tempos. Decidi publicá-lo não apenas pela técnica, fluidez do texto ou capacidade de condensar informações sem se tornar superficial. O principal motivo da decisão está relacionado ao modo como o texto exprime o sentimento dos idealizadores do festival Fogo no Cerrado, uma mistura de esperança e noção de que participam de um momento especial. Essa visão de quem está diretamente ligado à cena musical independente do Mato Grosso do Sul é superior a qualquer notícia sobre o festival que eu pudesse redigir e, ao invés de me envergonhar disso, escolhi a opção que considero mais relevante.

"As árvores do Cerrado, com sua grama rasteira e geralmente verde, não deixam mentir: é no estado do Pantanal que se vê um número tão grande de diferenças culturais que a mescla espanta e se faz presente. E, falando de música, o ritmo frenético de produção cultural amplia a idéia restrita de quem não conhece as movimentações daqui. Dos ritmos fronteiriços herdados dos vizinhos internacionais; polca paraguaia ou música boliviana. A música sertaneja em doses comedidas, para que se faça justiça às outras vertentes musicais, tem grande importância, mas não é tudo. Samba de raiz no quintal, blues na garagem? Aqui tem. Rock do bom, daqueles feitos pelas bandas que batem ponto e cerveja num bar conhecido da galera? Também tem. O que falta para o estado ser reconhecido da forma que as pessoas que aqui moram vêem? Talvez não falte mais.

O reduto do rock campo-grandense será a morada, em dois dias, de tudo de bom que tem sido feito por essas bandas mescladas e morenas, nessa cidade, nesse estado. Isso tudo irá se misturar com os sons de alguns estados país afora feito água gelada e erva-mate, mostrando que o calor é grande, mas a vontade também. O nome não poderia ser mais significativo: “Fogo no Cerrado”. O pantanal vai testemunhar e, o Barfly, localizado na Av. Ceará, vai ficar pequeno demais. E quente.

Serão 16 bandas ao todo, em dois dias de Festival. Tudo feito com independência, sensatez, vontade. Desse número grande de apresentações, nove atrações serão locais, e sete serão importadas do cenário nacional, que um dia, porque não, também importará bandas daqui.

Os dias 12 e 13 de dezembro de 2008 foram escolhidos para que o Festival se realize, numa iniciativa inédita, e entre para o calendário de eventos não só da cidade, mas de preferência, do estado. As movimentações que serão geradas por ele são reflexos das iniciativas semelhantes por todo o país. As cenas estão se movimentando, fazendo eventos que dão certo. A intenção é que passe um público de 1 mil pessoas nos dois dias de evento, movimentando informação e música.

A própria informação rápida e certeira, aliada à tecnologia, é uma das bandeiras do Fogo, em sua primeira edição. Grande parte das bandas (senão todas) possuem sua divulgação maior na internet, aliada na postagem de músicas e novidades. Nos dois dias de festival o público terá à disposição uma ilha de mídia digital com 4 computadores, onde será possível acabar de ver um show e, depois de tudo devidamente registrado com uma câmera digital, por exemplo, postado para que muitas pessoas visualizem. Tudo em tempo mais que real.

O espaço estrutural para quem vive na cena sem necessariamente fazer música – e faz sua música de formas diferentes – também estará lá: haverão estandes de fanzines, camisetas, material das bandas, produção artesanal ligada à música, cds, dvds. O espectador do festival pode ir lá e ver mais do que apenas música, mas também produtos relacionados, além de viabilizar a circulação do material genuíno e independente.

As bandas locais deixarão sua marca nos dois dias, misturadas, na programação, aos forasteiros. A primeira hora do primeiro dia, às 22 horas, trará o trio hardcore punk de riffs que culminam em rodas de pogo e moicanos voando, conhecido pelos cds independentes feitos à mão pelo próprio vocalista, o Repúdio cxgx. Em seguida, sobe ao palco mais uma das misturas do Fogo no Cerrado: hip-hop cotidiano e periférico do Falange da Rima, já conhecido e apreciado pelo público.

A meia-hora de show seguinte recebe a primeira banda de fora a tocar: Nevilton, do Paraná, banda que leva o nome do vocalista, trazem de volta o rock alternativo depois de passarem uma temporada tocando em Los Angeles. A mistureba de estilos tende a continuar, e a banda que tocará às 23:50 é mais uma banda do estado, Mandioca Loca, polca rock que sublinha as influências fronteiriças. O Paraná volta à cena no show seguinte, da Fluxodrama, veterana em festivais como o Curitiba Rock. Bando do Velho Jack, figurinha carimbada do rock do MS, principalmente nas festas de motociclismo, é quem ligará as guitarras e instrumentos depois dos paranaenses.

Ainda no dia 12, o tempo passará deveras rápido, com ótimos shows. À uma da manhã, sem nacionalidade definida, já que se considera uma banda de São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a Revoltz entra em cena, rock de melodias fofas e letras irônicas. Quem fechará a noite será a Link Off, mistura eletrônica com peso.

O dia seguinte, 13, continuação do Festival, misturará um número maior de estados de origem através das oito bandas que pisarão no palco do Barfly. Começa às 22 horas com mais uma banda do cerrado, Noradrenalina, que define seu rock com simplicidade. Outra do MS, Facas Voadoras, pluga o som num power-trio interessante e com levadas “voadoras”. A seguir, São Paulo nos exporta a Orange Disaster, que promete escapar da tensão da grande metrópole vindo fazer rock bem aqui no meio do Pantanal. Tonighters, mais uma paranaense, fará seu show performático e, segundo os próprios, “desastroso”. Voltando para a nuance local, Jennifer Magnética, outro trio prodígio do rock do estado, mostrará o que o CD “Placenta”, lançado há poucos meses, tem de bom. Vizinho de região, Motherfish, de Goiás, com dez anos consolidados na cena, e proposta de influências diversas no rock, é quem faz o show seguinte.

A vez então é da banda Dimitri Pellz, ou, “o caos encarnado nos cuspes de cerveja”, mais um prodígio da cena alternativa de Campo Grande, mais um show que promete pelo desempenho e pelas músicas que possuem “cadência perfeita”. Quem fechará de vez o Fogo no Cerrado, apagando as chamas, mas não as faíscas, na saideira, é a banda de outro vizinho de região: Macaco Bong deixa a marca de Cuiabá, e talvez traga para somar com as ondas daqui, junto com seu som que desconstrói estilos e constrói rock, o calor que costuma fazer por lá.

A espera por um festival que trouxesse, além das atrações, público tão diverso, parece ter findado. O Festival aguarda que o público se mostre tão veemente e intenso como sempre foi, para que a hospitalidade pantaneira faça com que as atrações voltem nos próximos anos.

Mais do que tudo isso que irá acontecer nos dois dias de Fogo no Cerrado, o que espera promete mexer com estruturas, como num verdadeiro incêndio, com cores vermelhas, música diversa e muito, muito calor. Campo Grande será colocada no eixo de grandes festivais independentes, e o público por aqui arderá enquanto espera pela próxima edição. Música genuína e independente de diversos estilos, cultura local, movimento na cena underground, serão celebrados nas duas noites, com muita versatilidade e vontade. Um brinde, com fogo!"

Programação

Sexta - 12/12/2008
02:30 Link Off (MS)
01:50 Revoltz (RS/MT/MS/SP)
01:10 O Bando do Velho Jack (MS)
00:30 Fluxodrama (PR)
23:50 Mandioca loca (MS)
23:10 Nevilton (PR)
22:30 Falange da Rima (MS)
22:00 Repúdio CxGx (MS)

Sábado - 13/12/2008
03:10 after party - discotecagem rock
02:30 Macaco bong (MT)
01:50 Dimitri pellz (MS)
01:10 Motherfish (GO)
00:30 Jennifer magnética (MS)
23:50 Tonighters (PR)
23:10 Orange disaster (SP)
22:30 Facas voadoras (MS)
22:00 Noradrenalina (MS)

Ps.: As alterações que fiz se resumem a inserir os links (um serviço chatíssimo), imagens e consertar as crases.

+ INFO
Ingressos: R$ 10 (adiantado)/ R$ 15 (na hora)
Passaporte para os dois dias: R$ 15 (adiantado) / R$ 25 (na hora)
Ponto de venda: Rock Show (Av. Afonso Pena, 2949, tel: 3026.6488)
Site oficial: www.fogonocerrado.com

Diário de viagem

No final de novembro passei alguns dias entre o Rio de Janeiro e São Paulo, trabalhando e conhecendo um pouco mais essas duas metrópoles que já havia visitado algumas vezes porém ainda conhecia pouco.

No Rio, minha permanência dividiu-se entre o Leblon, Copacabana e a Lapa. De certa forma, um circuito burguês, inserido no meio artístico, que não permite uma visão ampla do contexto sócio-cultural da cidade. Mesmo assim (ou, provavelmente, justamente por isso), gostei muito do que vi. Principalmente da Lapa.

Que cara é essa meu filho?Não tinha noção do que era a Lapa, com suas construções antigas, as diversas casas dedicadas ao samba e a shows, o clima, o movimento. Se já fiquei espantado ao conhecer o Circo Voador (finalmente, depois de ouvir dezenas de histórias sobre o lugar), meu queixo simplesmente caiu enquanto eu percorria as instalações da gigante Fundição Progresso ao lado do Adilson Pereira (ex-editor da revista OutraCoisa, atualmente escrevendo no blog Samba Punk) e da Danusa Carvalho (minha chefe, mais conhecida por seu trabalho com a Cássia Eller e Seu Jorge e que em breve passará a ser citada como “a produtora da Aline Calixto e do Renegado!”).

Terraço da Fundição ProgressoApós uma breve passagem pelo Claro Cine, no dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra, trabalhei na Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UEE/RJ, no Circo Voador, com shows do B Negão e os Seletores de Frequência, Marcelinho da Lua e Renegado. Foram bons e animados shows mas que acabaram suprimidos pela profusão de novos estímulos a que minha mente estava submetida. Some-se a isso as presenças desconcertantes da Júlia Ribas e Aline Calixto e um camarim bem servido em termos de álcool (frequentemente visitado por um videasta louco e bebum em busca de cerveja e que mais tarde naquela noite faria uma performance hilária na área de exibição de curta-metragens no evento) e você tem um Marcelo bastante ligado e disperso, na ânsia de conhecer, experimentar e observar um pouco de tudo você acaba não se fixando em nada.

Show no SESC PompéiaSabe o sentimento descrito acima? Multiplique-o por 32, divida por 3, adiciones 8 e você terá a minha sensação em São Paulo. Um microcosmo a ser explorado em tão pouco tempo. Cortesia da Mostra Contemporânea de Arte Mineira, evento que reuniu diferentes manifestações artísticas de Minas Gerais no SESC Pompéia, com idealização da Débora Falabella, Yara de Novaes e Gabriel Paiva.

SESC PompéiaEm São Paulo, o SESC Pompéia provocou em mim o mesmo que a Fundição Progresso no Rio. Não imaginava que o local fosse tão amplo e diversificado, com toda aquela beleza ao mesmo tempo rústica e cult.

Na sexta, após os shows na Mostra Mineira, acompanhei Daniel “Indiada Magneto” Saavedra no show do Forgotten Boys no CB e em seguida parti para a Eazy, onde pretendia conferir alguns shows do SP Noise, principalmente o do Black Mountain. Para minha surpresa, estava acontecendo uma festa de música eletrônica (“psytrance”, segundo um dos promoters me informou) no local. O SP Noise havia acabado mais cedo, por volta das dez da noite. “Caralho!”. É nisso que dá não conferir o que você mesmo escreveu antes de ir a um evento. De qualquer forma, como já estava ali e havia informado ao sujeito da porta que eu era jornalista, ele liberou meu acesso à sua querida festa de psytrance (estilo que adoooooro, claro) e ainda liberou que eu chamasse alguns amigos, se quisesse. Em BH, eu até conheceria várias pessoas que sairiam da cama com animação diante de um convite desses, porém, em São Paulo, o resultado foi uma fugaz e solitária visitada a uma típica balada de playboy paulistana (ou seja, música ruim, menos mulheres bonitas do que em BH e preços altos). “Tsc tsc, hora de voltar pra Augusta”.

Hospedado ao lado do Inferno, meu acesso às opções de entretenimento (curtiu o eufemismo?) da Augusta foi facilitado, assim como a locais como o Itaú Cultural (onde visitei uma exposição excelente, chamada Cinema Sim – Narrativas e Projeções) e o MASP (prefiro o MAM). Apesar de não ter nenhum compromisso inadiável no sábado, exceto aqueles estabelecidos entre eu e a cidade, atrasei novamente para chegar ao SP Noise em sua segunda e última noite, o que resultou na perda da maioria dos shows. Cheguei por volta das oito da noite e tudo o que ouvi foram os últimos ruídos do Black Lips no palco, o show que eu mais queria assistir, Helmet e Vaselines.

Inevitável ficar um pouco pasmo com a velhice de Page Hamilton, vocalista, guitarrista e dono do Helmet, que, agora, me pareceu apenas uma banda de new metal, longe da imagem de monstro do metal alternativo que eu tinha quando assistia aos clipes da banda no Alto-Falante, 10 anos atrás.

Vaselines no SP NoiseImaginei que fosse extremamente estranho assistir ao The Vaselines logo em seguida ao show pesado e distorcido do Helmet, mas levou-se tanto tempo para preparação do palco que o indie rock selecionado pelo DJ conseguiu preparar bem o ambiente e dispersar o clima metal anos 90.

Tudo que conhecia da banda se limitava às covers feitas pelo Nirvana e uma ou outra música da banda, nenhuma delas geradora de muito interesse da minha parte. Acabei dando mais atenção à nostalgia do momento e pensamentos como “Putz, quando eu poderia imaginar que veria ao vivo a versão original de `Molly´s Lips´?” do que ao show em si, que me pareceu o de uma banda de indie rock qualquer. De que adianta o fator histórico se a música em si (que é o que importa em um SHOW) não lhe significa nada?