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27 de novembro de 2008

El Mapa de Todos: integração entre hermanos

Apesar da proximidade geográfica, há pouco intercâmbio da produção musical brasileira com a de outros países da América Latina. Mesmo com as possibilidades de troca de conteúdo oferecidas pela internet e demais avanços tecnológicos, permanecemos (nós, brasileiros), mais próximos da produção cultural européia e norte-americana. Afinal, quantas bandas sul-americanas você conhece? Qual o autor latino-americano, não brasileiro, mais recente lido por você? Quantos filmes latinos você assistiu este ano?

Devido a questionamentos como esses foi criado o festival El Mapa de Todos, desdobramento do antigo Senhor Festival, realizado pelo conglomerado Senhor F (que inclui site, selo musical, festas, programa de rádio, etc), cujo objetivo é promover a integração da produção musical íbero-americana (América Latina + Portugal e Espanha). Entre os dias 27 e 29 de novembro, 13 bandas de 7 países se apresentarão em Brasília, no Espaço Brasil Telecom, permitindo ao público expandir seus horizontes musicais e debater temas ligados à música e à cultura. Entre os artistas brasileiros destacam-se Marcelo Camelo, que segue com a turnê de lançamento de seu primeiro álbum solo, Macaco Bong e Mundo Livre S/A.

O que estão dizendo por aí sobre o El Mapa de Todos:
"El Mapa de Todos, que distribuirá a programação de shows entre o palco do teatro e um montado no foyer do Espaço Brasil Telecom, pretende se tornar um projeto anual na cidade. E já ganhou credenciais junto aos órgãos políticos. Este ano, conquistou espaço na agenda de atividades do Ministério da Cultura durante a gestão temporária brasileira no Mercosul. Além disso, faz parte da programação Brasília Capital Sul-Americana da Cultura."
Trecho de matéria do jornal Correio Braziliense

"A escalação do El Mapa de Todos traz um bom recorte deste cenário. Há desde o rock do Babasónicos, uma das bandas mais populares da Argentina, até o folk eletrônico da chilena Javiera Mena.
Entre as atrações brasileiras, há duas bandas que foram selecionadas através de um concurso promovido pelo iG: Instiga e Facas Voadoras."
Trecho de notícia no PiG, quer dizer, iG

Programação musical

Quinta, 27/11
Beto Só (Brasil)
Azevedo Silva (Portugal)
Danteinferno (Uruguai)
Marcelo Camelo & Hurtmold (Brasil)

Sexta, 28/11
Facas Voadoras (Brasil)
Macaco Bong (Brasil)
Turbopotamos (Peru)
Babasónicos (Argentina)

Sábado - 29/11
Instiga (Brasil)
La Quimera del Tango (Argentina)
Javiera Mena (Chile)
Sr. Chinarro (Espanha)
Mundo Livre S/A (Brasil)

Debates e oficinas

27/novembro - quinta-feira
14h - Debate: A cultura como vínculo ibero-americano
Debatedores
Manuel Lombao - Diretor do Instituto Cervantes
Ivana de Siqueira - Diretora da Organização dos Estados ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) no Brasil
Pedro Flores - Coordenador de Cooperação da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para Desenvolvimento (AECID)
Coordenador da mesa: Luis Diez

Dia 28/novembro - sexta-feira
10h - Oficina: Dicas de produção e divulgação de novas bandas
Rodrigo Lariu - jornalista carioca, proprietário da gravadora Midsummer Madness Records, produtor e apresentador do programa Dado (Vila Lobos) e o Reino Animal.

10h - Debate: Para onde vamos? Produção musical no novo cenário tecnológico
Debatedores:
Fabrício Nobre - Presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin)
Azevedo Silva - músico português
José Flávio Jr. - revista Bravo e Oi FM
Sylvie Piccolotto - responsável pelo selo Scatter Records
Cláudio Kleiman - revista Rolling Stone argentina
Mediador: Marcos Pinheiro (diretor da Rádio Cultura de Brasília)

14h - Debate Música, a fusão das mídias e a internet
Palestrante:
Herom Vargas - doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, professor da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (Imes). Lançou em 2008 o livro Hibridismos musicais de Chico Science & Nação Zumbi (Ateliê).
Debatedores
Lúcio Ribeiro - jornalista do portal iG, editor do blog PopLoad, colaborador da Folha de S. Paulo e de diversas outras publicações
Rafael Rossato - Diretor geral da Agência de Música Empresa de Inovação. Responsável pela carreira da artista Mallu Magalhães
Antonio Luque (Sr. Chinarro) - músico espanhol
Mediador: Sylvio Costa (diretor do Espaço Brasil Telecom)

20 horas - Lançamento de Livros
- Hibridismos musicais de Chico Science & Nação Zumbi (Ateliê) - Herom Vargas, 2008.
- Arrogante Rock, Conversaciones con Babasónicos - Roque Casciero, Argentina.

Dia 29/novembro - sábado
10h - Oficina Informações básicas para formação de "roadies" de palco
Frango Kaos - técnico de som, operador de palco do Porão do Rock e bandas nacionais e internacionais.

11h - Oficina Operação de P.A.
Marconi Barros - engenheiro de som, membro da International Sound Engineering Association e sócio da empresa de sonorização e iluminação MarcSystems.

11h - Workshop de violão e guitarra
Kiko Peres (FOTO) - guitarrista fundador do Nativus, Pravda e In Natura 14h - Debate Criação musical hoje, herança e desafios
Debatedores
Fernando Rosa - editor da revista Senhor F e criador do selo do mesmo nome
Humberto Campadônico - Turbopótamos (Peru)
Martin Rector - Danteinferno (Uruguai)
Roque Casciero - Página 12 (Argentina), autor da biogra do Babasónicos
Mediador: Humberto Martins (Rádio Câmara)

17h - Oficina Produção Independente
Gustavo Henrique Silva Aniteli - Sociólogo formado pela USP, militante de causas sociais, ex-vice presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, Produtor d'O Teatro Mágico.

E mais
* Lançamento do DVD Montevideo Unde, documentário sobre banda e cena musical da capital uruguaia
* Exibição de curtas-metragens e documentários
* Mostra de vídeos de música & cultura, de Henry Spencer (Peru)
* Vídeos de shows realizados no Espaço Brasil Telecom
* Mostra de discos de vários selos nacionais e estrangeiros, livros, camisetas e outros produtos.

53 HC Fest

53 HC Fest 2008
O mais duradouro festival de rock independente em Minas Gerais realiza sua maior edição neste final de semana, nos dias 28, 29 e 30 de novembro. Esta é a 8° edição do 53 HC Fest, realizado anualmente pelo selo/loja 53 HC, focado no hardcore e vertentes mais pesadas do rock.

Este ano o 53 HC Fest conta com 22 bandas de diversos Estados brasileiros e acontece em três casas de show: Bar Brasil, Lapa Multshow e Armazém 841, locais por onde a festa Flaming Night, também realizada pela 53 HC, já passou.

Os principais nomes da programação são Dead Fish (ES), Inocentes (SP), Canastra (RJ), Matanza (RJ), Chakal (MG) e DFC (DF) e também há espaço para várias novas bandas mineiras, como The Junkie Dogs, Carolina Diz, Enne e Dilúvio. O ingresso para cada dia de evento custa R$ 20 e o passaporte para todo o festival custa R$ 40.

Programação completa

28/11, sexta-feira. Local: Bar Brasil (Rua Ouro Preto 301, Barro Preto)
A partir das 20H

dead fish [ES]
confronto [RJ]
cervical [RJ]
crossfire [MG]
enne [MG]
diluvio [MG]
do it yourself [MG]
Discotecagem: Igor Meola

29/11, sábado. Local: Lapa Multshow (Rua Alvares Maciel 312, Santa Efigênia, BH)
A partir das 20H

inocentes [SP]
canastra [RJ]
sick sick sinners [PR]
sapatos bicolores [DF]
the folsoms [MG]
carolina diz [MG]
manolos funk [MG]
Discotecagem: Rodrigo Barba

30/11, Domingo. Armazém 841 (Avenida dos Andradas 841, Centro, BH).
A partir das 14H

matanza [RJ]
chakal [MG]
dfc [DF]
madame saatan [PA]
lobotomia [SP]
irônika [MG]
the junkie dogs [MG]
severa [MG]
Discotecagem: Kbeto metal 80´s


26 de novembro de 2008

Novo site da Abrafin

Já está em funcionamento o novo site da Abrafin - Associação Brasileira de festivais independentes, entidade que possui 32 festivais cadastrados, todos dedicados à música independente (e algum espaço para a headliners e ao pop). Visualmente, o novo site não representa nenhum avanço, porém o conteúdo está mais organizado e o usuário poderá acessar com facilidade informações básicas sobre cada um dos festivais integrantes da Abrafin.

As maiores novidades, no entanto, são as notícias relacionadas aos festivais, publicadas em formato blog na capa do site, e o calendário que apresenta os eventos de acordo com seus meses de realização.

Poderia ser ainda mais completo, mas já é um grande avanço para a Abrafin e os interessados na nova música independente brasileira.

25 de novembro de 2008

BH Music Station

Conversando com pessoas que já frequentavam shows de rock durante a década de 90 em Belo Horizonte (enquanto eu ia a shows excelentes como Maurício Mattar, Banda Eva, Eliana e Raça Negra, graças ao excelente gosto musical dos meus pais), dois eventos são constantemente citados como históricos: a única edição do festival BHRIF – Belo Horizonte Rock Independent Fest, no qual o Fugazi fez um show gratuito histórico na Praça da Estação, no centro da capital; e o Carlsberg Music Station, (que é lembrado não pela programação, mas pelos locais dos shows) festival realizado simultaneamente em estações de metrô de BH. Enquanto uma nova edição do primeiro festival citado mostra-se improvável (apesar dos boatos de sua realização cerca de 3 ou 4 anos atrás e que acabaram permanecendo apenas como boatos, infelizmente), o segundo evento retorna a partir do próximo final de semana, desta vez intitulado BH Music Station (alguém explica a razão do título em inglês, por favor?).

Marina de La RivaO festival será realizado em quatro sábados consecutivos, a partir de 29 de novembro, em quatro estações do metrô: Santa Inês, Minas Shopping, Vilarinho e Central (por onde deverá ser feito o embarque). Os principais artistas da programação são Tom Zé e Nação Zumbi, porém isso não significa que sejam os mais interessantes (ainda mais se levarmos em consideração que ambos se apresentam na cidade com frequência). Aos interessados em conferir algumas das bandas que vêm se destacando longe do mainstream e que raramente (ou nunca) se apresentam em Belo Horizonte, as sugestões sãos os shows do Fino Coletivo (estação Santa Inês, 6 de dezembro), BossaCucaNova (estação Vilarinho, 6 de dezembro) e Marina de La Riva (estação Santa Inês, 13 de dezembro). A parceria entre Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra (estação Santa Inês, 29 de novembro) também é altamente indicada.

A programação geral é mediana e grande parte dos artistas locais selecionados é ainda mais questionável. De qualquer forma, dá para se escolher ao menos um bom show em cada dia do festival para acompanhar (apesar do preço um pouco salgado, R$ 30 a meia-entrada).


Programação

29 de novembro (sábado)

Palco Santa Inês
00h15 – Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra
Palco Minas Shopping
00h15 – Chico Amaral
Palco Vilarinho
00h30 – Nação Zumbi
2h – Clube do Balanço

6 de dezembro (sábado)

Palco Santa Inês
00h15 – Fino Coletivo
Palco Minas Shopping
00h15 – The Dead Rocks
Palco Vilarinho
00h30 – O Teatro Mágico
2h – BossaCucaNova

13 de dezembro (sábado)

Palco Santa Inês
00h15 – Marina De La Riva
Palco Minas Shopping
00h15 – Tattá Spalla
Palco Vilarinho
00h30 – Vander Lee e Lokua Kanza
2h – Tom Zé

20 de dezembro (sábado)

Palco Santa Inês
00h15 – Marina Machado
Palco Minas Shopping
00h15 – Erika Machado
Palco Vilarinho
00h30 – Ana Cañas
2h – Móveis Coloniais de Acaju
3h30 – Jack Tequila

Serviço:
BH Music Station
Data: 29 de novembro; 6, 13 e 20 de dezembro (sábados)
Locais: Estações do Metrô de Belo Horizonte: Santa Inês, Minas Shopping e Vilarinho.
Entrada obrigatória pela Estação Central – Praça da Estação, Centro, BH/MG.
Horário: a partir das 00h15.
Ingressos: R$ 30,00 (meia-entrada) – à venda nas lojas Claro do BH Shopping, Loja Claro da Savassi, Shopping Cidade, Itaú Power Shopping e Minas Shopping.

21 de novembro de 2008

RJ / SP

Estou entre Rio de Janeiro e São Paulo esses dias, conhecendo muuuuita coisa nova e trabalhando, por isso atualizações voltam a acontecer quando eu voltar para BH / Sabará, no domingo.

Não, eu não esqueci do que vocês querem ler no blog. É só esperar um pouquinho.

Helmet no SP Noise!

Quando decidi que não iria ao Goiânia Noise, um dos fatos que me deixou desapontado era perder os shows do Black Lips e Helmet. Em um incrível coincidência, estarei em São Paulo na data da versão paulistana do festival e o Helmet, que inicialmente não se apresentaria na cidade, acaba de confirmar seu show no festival, após cancelar sua data em Brasília.

A nova programação da segunda noite do SP Noise, no sábado, fica assim:
Vaselines (Escócia)(Palco 1)
Helmet (EUA) (Palco 1)
Black Lips (USA)(Palco 2)
The Ganjas (Chile)(Palco 1)
Do Amor (RJ)(Palco 2)
Calumet-Hecla (USA)(Palco 1)
Homiepie (SP)(Palco 2)

Mais informações.

18 de novembro de 2008

Meio Desligado na TV (e no café)

Hoje, a partir das 19h, participo ao vivo do programa Brasil das Gerais, da Rede Minas. O tema é blogs. Estou preparando meu bigode postiço e um figurino estilo Brandon Flowers.


Sábado, a partir das 20h, acontece a segunda edição do Overmundo Colabora, desta vez no Casa Lounge Café (Rua Congonhas, 527, bairro Santo Antônio, BH). Eu (agora assinando como DJ Meio Desligado) e mais uma penca de gente nos apresentaremos na festa que também marca a abertura de mais uma edição do festival arte.mov.
A programação da noite é mais ou menos essa:
1. Dejotas
a) DJ Meio Desligado (Marcelo Santiago)
b) Camaco (Sérgio Sampaio/Overmundo)
c) DJ FMX (Fernando Mendes - Dubstep)
d) Raul Luna

2. Imagem e som juntos
a) Live Leandro Araújo +Daniel Nunes (Constantina / Lise)
b) Live Nem só o que anda é móvel
c) Live Igor Amin com DJ FMX

3. Vjing
a) VJ Erick Ricco
b) TV Primavera (Raul Luna)

4. Instalação
a) OCCA apresenta Teletommy

17 de novembro de 2008

Diga o que você quer ler esta semana

Alô, alô, o patrão enlouqueceu! Essa semana é você quem dá as ordens no Meio Desligado!
Pois é, o mundo está diferente, o sol está mais próximo da Terra, o LHC vai matar todo mundo, Chinese Democracy prestes a ser lançado, Radiohead vem ao Brasil e a Amy Winehouse já estampa até nota de R$100.

Aproveitando a ocasião, deixe aí um comentário com o que você quer ler/ver por aqui. Como sei que pensar dá um graaaaande e cansativo trabalho, deixo algumas sugestões:

  • texto sobre um festival que aconteceu há mais de um ano cuja principal lembrança era um bando de gente escornada pelo chão e os macacos que se fingiam de seguranças (ou o contrário)
  • alguma história minha bêbado (ou do meu irmão gêmeo) em algum show ou festa
  • cobertura especial do Planeta Terra
  • informações sobre festivais que acontecerão em breve (incluindo algumas informações exclusivas)
  • fuxico indie
  • "Pra que serve a internet?"
  • trecho dos meus futuros bestsellers Vamos para Mimoso com Jesus (e um pouco de haxixe) ou o volume seguinte, De Volta a Mimoso com Jesus (e muito pó)
  • "Como ser um DJ fodão e atrair mulheres com seu bom gosto musical"
  • Lista de pessoas que merecem um (ou vários) soco(s) na cara e um chute no saco (se tiverem)

12 de novembro de 2008

Marcelo Camelo (e o coral dispensável) em BH


Belo Horizonte, Minas Gerais - 05/11/2008
Show de Marcelo Camelo - Lançamento do álbum Sou/Nós
Palácio das Artes, 21:00h.
Grande Teatro. Platéia II, fila II, cadeira 3.

Muitas pessoas conversando, procurando seus assentos. Amizades revistas, beijos trocados, fofocas contadas, piadinhas sem graça, expectativas à flor das peles. Um burburinho ensurdecedor. As luzes se apagam e mesmo antes de qualquer pessoa subir ao palco os mais excitados já bradam suas tietagens.

Somente as luzes do centro estão acesas. Todas convertidas para um banco atrás de um microfone. Então entra a razão da noite. Marcelo, um cara magro e um pouco curvado, anda até o banco iluminado e pega seu violão. A imagem é linda e singela. Delicada, assim como o moço, que com tanta barba é difícil ver sorriso ou qualquer outra expressão assim delicada. E era pra ser aquele momento de profunda concentração no silêncio oco do teatro, mas infelizmente alguns muitos da platéia pouco deixavam o show começar. Os gritos e palmas fora de hora chegaram a ser profundamente irritantes.

À princípio a sensação total, em relação à tamanha manifestação do público, era de que aquele cara ali era realmente ovacionado e até idolatrado por alguns. Mas o tempo passou e o artista tentando fazer o seu papel, mas esses agitadores simplesmente não deixavam o espetáculo rolar. Queriam aparecer mais que o artista. Os gritos e os intermináveis aplausos atrapalhavam e deixavam o músico até sem jeito. Mas pouco a pouco esses foram se calando e deixando o moço falar e tocar... e cantar. É, em alguns momentos...

Apesar disso, devo dizer que Marcelo Camelo é um cara muito carismático em toda sua simplicidade e na tal timidez. Mas isso eu já tinha comprovado em outras ocasiões. O novo aqui, pra mim, foi a energia ao lado de uma banda muito diferente da Los Hermanos. Com sons mais delicados o Hurtmold ajudou a moldar a atmosfera do show e do disco, dando uma cara realmente nova para o trabalho do Camelo.

O disco Sou foi tocado quase que de cabo a rabo. Algumas dos Hermanos, como não poderia ser diferente, fizeram parte do set list, para delírio das tietes de plantão. E mais uma, que talvez tenha dado o clima mais intenso e incrível de todo o show, “Despedida” (nessa os aplausos e cantorias super alvoroçadas sessaram um bocado... será que não sabiam a letra?).

Quase todas (quando eu digo “todas” é verdade!!) foram entoadas pelo forte coro animadíssimo (às vezes até frenético demais) da animada platéia. Canções como “Janta”, “Copacabana”, “Menina Bordada”, “Vida Doce”, “Morena”, “Moça” e as outras muitas. Às vezes era até impossível ouvir a voz do moço lá no palco, o que me deu até um pouco de raiva. Pô, tinha ido ali pra ver a performance dele, não de outros desconhecidos e desafinados que faziam questão de gritar as poesias... Sinceramente, me senti profundamente desrespeitada com a platéia. E a sensação que tenho em relação ao Camelo é de que ele também não achou assim tão do caraleo essa intromissão do público...

Assim foi o show todo, que foi até rápido. No final, algumas canções de violão e voz mesmo. Mas aí, todas as vozes estavam no meio, inclusive a minha. Pelo menos metade das pessoas deixaram seus assentos e foram se aproximando do palco. Cantando, dançando. Uma catarse carnavalesca em coletivo, rs. E pronto, ele se despediu e foi embora. Aí, aconteceu o que eu nem de longe previa. Os tietes subiram no palco atrás do ídolo... Achei deseducado... Fiquei sem entender...

Por fim, teve bom, mas poderia ter sido melhor se aquela parte do público respeitasse a apresentação. E fico aqui tentando analisar o por quê de tamanho frisson... Uhm...

* De todas as pessoas que já escreveram no Meio Desligado, Mariana é a que conheço há mais tempo (quer dizer, com exceção do Leo, que é meu irmão, dãããã). Apesar do pouco contato no últimos anos, acompanhando o blog dela dá pra saber que ela continua envolvida com a música e com o teatro, além do jornalismo (mais uma, tadinha).

5 de novembro de 2008

Rock independente por um mundo melhor


"Mas uma das melhores idéias que eu tive nesses 25 anos foi de me candidatar a voluntária do rock no Boombahia 2008. Ganhei pessoas tão ótimas pra vida que fiquei achando que foi o melhor salário que já recebi por um trabalho. Sem dúvida entrou pro top5 de melhores coisas de um dos piores anos da vida."


Do blog da Mariana Neri, que também é autora da foto fodona que ilustra este post.

4 de novembro de 2008

Festival All Stars

Quem acompanha o Meio Desligado com frequência sabe que tempo não é um dos critérios de noticiabilidade mais importantes por aqui. Então, quando perguntei se o Artênius poderia contar sua experiência no festival All Stars, já alguns dias após a realização do evento, sabíamos que seria mais do que uma simples resenha de um evento que havia acabado de acontecer.
O texto abaixo é um registro do momento atual da cena musical independente e demonstra a movimentação que acontece no interior de Minas Gerais, onde o Circuito Mineiro de Música Independente vem se estruturando.
Pra quem não conhece o Artênius Daniel, é preciso seguir uma razoável quantidade de links para acompanhar sua atuação: jornalista,
assessor de imprensa, guitarrista, tecladista e vocalista do Cinza, membro do OutroRock e uma das cabeças por trás do Instituto Limites. E agora, colaborador especial do Meio Desligado!



Ciente que este blogueiro bem fez em me apresentar acima, assim como introduzir assunto e motivo de mais uma saudável invasão ao Meio Desligado, perceba você que não cabe aqui, nesta primeira frase, alguma outra contextualização de qualquer tipo. Dessa forma, bora esquecer da casca e comer só o miolo. Lá vai:

Chegamos a São João Del Rei às duas horas da tarde do sábado, 18/10, felizes e confiantes de estarmos indo tocar em um bom esquema. A nossa proximidade com a música independente de São João Del Rei, assim como a de todas outras bandas, DJs, produtores e coletivos que participaram da 3ª edição do festival All Stars tinha um nome: Túlio Panzera, guitarrista, cantor e líder do Churrus, banda que faz o rock lo-fi mais finesse de Minas Gerais (quiçá de uma renca de estados juntos) e que, de quebra, está muito dedicada no fortalecimento do primeiro grande festival de música independente em uma cidade histórica do estado. O Túlio, que também está à frente da produtora local Miss Ladybug, já havia vindo a BH com o Churrus, tocar conosco n'A Obra e esse era o nosso vínculo.

Ligamos para ele ainda do ônibus, sua mãe atendeu: "Tenta o outro celular, dia de festival esse menino fica difícil", respondeu amistosa. O festival All Stars, de acordo com a divulgação, começaria às 16h na casa noturna Domo Vídeo Pub. Já eram 14h e não sabíamos nada da passagem de som. Sem poder falar com o Túlio, mandamos o táxi para o endereço do flyer: Praça dos Expedicionários, 71. A cidade é muito bonita, possui varias estações velhíssimas de trem e infelizmente, o festival não pôde ser realizado dentro de uma delas! Motivo? Chatices do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico) na cidade. Já na porta da Domo Vídeo Pub começamos a conhecer algumas das outras bandas do Rio de Janeiro e de São Paulo que, além de nós e do In Verso, de BH, formaram o line-up desta edição. Por falar no line, foi assim: Dj Lomão (SJDR), Os escalas (SJDR), Music Settlement (SP), DJ b (SJDR), In Verso (BH), DJ Gordinho (RJ), Churrus (SJDR), DJ Eduardo Ramos (SP), Cinza (BH), DJ Bruno Orsini (BH), The John Candy (RJ), DJ Rodrigo Lariú (RJ), Holger (SP). Vale lembrar que o festival foi co-produzido pelo Rodrigo Lariú, o famoso "patrão" do selo carioca Midsummer Madness e pelo Bruno Orsini, do http://www.indierock.com.br/, com apoio cultural do Eduardo Ramos, da Slag Records.

Depois de algum tempo e de uma coleçãozinha de burocracias da casa noturna que ofenderia ao senso lógico de um dragão de comodo, conseguimos chegar ao palco e passar o som. A casa é bem localizada, ao lado de um grande "shopping point" da cidade, tem um interior agradável e som regular. O espaço, que no geral levaria nota 6, ganhou um aspecto "demaisão" com o surpreendente capricho da produção. Na parede lateral logo da entrada, um grande banner preto do festival já impressionava. No palco, um telão bem sacadasso transmitia a arte gráfica do flyer e do cartaz em movimento (isso mesmo!), eram estrelinhas de néon piscando todas retrôzinhas de fora pra dentro, ou seja, styyyyle.

Fomos para o hotel, onde o recepcionista demorou vários minutos na digitação do nome da Jennifer (presenciei as seguintes tentativas: Jenfier, Jeniferi e Jeinfer) até que o sistema nos liberasse. Depois do banho e de um breve descanso, trombamos com os camaradas cariocas do The John Candy na varanda do hotel e consolamos parte da banda com a eminente configuração da tabela do Brasileirão após a última rodada. O vascaíno ainda tentava lutar na conversa me oferecendo a lembrança da goleada recente em cima do Galo. o fluminense, por sua vez, já curtia sorridente o conforto da resignação: "É assim mermo, já voltamos até da terceira divisão, vai ser moleza jogar de novo na segunda".

Music Settlement


O atraso nos fez perder dois shows da noite. O primeiro dos nativos Escalas, o segundo, infelizmente, o que eu mais queria ver: Music Settlement (SP). A banda, na verdade, o projeto, é liderado pelo nosso caro Eduardo Ramos (ex Trama, ex empresário do Cansei de Ser Sexy, atual dono Slag Records), responsável por uma pá de produções e transações artísticas no Brasil e na Europa. O som do Music Settlement está ali no eletrônico minimalista com coisinhas delicadas e visitas folk de violão e acordeon. Me lembrou, desde a primeira vez que ouvi, uma banda que eu gosto um bocado: The Album Leaf. Como perdi o show, fui direto ao Eduardo no camarim: "Velho, tava quente pra ver seu som. Me diz, você acha que parece com o Album Leaf?". Ele: "Sim parece. São até meus amigos". Eu: "Que merda!". Enfim, a raiva de ter perdido o show do Music Settlement acabou levando em consideração a sensatez de que não havia como colocá-los em um festival sem ser no começo, ou seja, eu que vacilei feio mesmo de ter chegado atrasado.

Churrus


O terceiro show foi do In Verso, banda do amigo Marcos Rosa (também Ímpar) que realmente mostrou muita competência musical. Instrumentistas afiados, timbres bem escolhidos, bons arranjos e energia no palco. Quero vê-los de novo. Estão terminando o primeiro EP. Logo após o In Verso, os donos da casa, Churrus, em uma excelente apresentação. Cantando em inglês e com influências escarradas de Guided by Voices, Dinosaur Jr, Pavement, Buffalo Tom e congêneres, o grupo tem melodias boas e refrões espertinhos. A platéia curtiu. Destaques do show do Churrus: a canção "By your side", minha favorita (por favor, escutem no Myspace), cantada pelo guitarrista Matheus, e a performance cura-ressaca do tecladista Paulinho, gente-fina até se não tivesse bebido. Na verdade é injustiça citar dois integrantes do Churrus, a banda toda é do caralho.

Cinza


Show do Cinza e tive que arrumar as coisas. Só o trampo de montar e carregar teclado, notebook, quatro guitarras, já me faz começar qualquer show totalmente suado. Se não bastasse isso, foi só na primeira música que descobri o quão desnecessária é a casa ter uma luz branca tão quente tão perto do rosto dos artistas. Enfim, tocamos 11 músicas e, entre algumas delas, falei o que eu acho do festival All Stars. Lógico que não lembro sílaba por sílaba, mas o espírito foi esse: São João Del Rei está crescendo com muito potencial para ser um novo ponto forte na rota do Circuito Mineiro da Música Independente. A cidade já abrigou o Conexão Vivo, o Grito Rock da Abrafin e agora a terceira edição do All Stars em uma produção feita com muito carinho e atenção pelos produtores. O festival conseguiu articular vários patrocinadores da cidade que apostassem na idéia da nova música, trouxe à cidade pessoas importantes como o Rodrigo Lariú e o Eduardo Ramos, prezou pelo bom atendimento e atenção aos artistas. Nesse item especifico preciso registrar que um certo Luiz da produção me deixou constrangido com o tanto que ele me tratou bem. Ele me achava no meio do público pra levar cerveja. (Cara, não é mentira. Nesse ponto o festival mandou muito bem).
O que falta para o All Stars? Bem, isso eu não falei no microfone, mas acho importante registrar aqui. Falta organizar todos os atores da música independente na cidade, fortalecer outras iniciativas, fazer intercâmbios, produzir bastante com shows locais, levando bandas de fora, descobrindo o público, etc. Por último, falta São João chegar, redonda, ao seu lugar no grande projeto do Circuito Mineiro de Música Independente, que já está começando a aquecer-se em todo o estado.

The John Candy


Após o Cinza subiu o The John Candy, do Rio de Janeiro, com um som também bem ambientado na sonoridade lado B da década de 90, que ressoa às vezes perto do Superchunk, Grandaddy ou The Amps, com uma formação de duas guitarras, baixo, bateria e violão e um bom tempo de estrada. Fizeram um show bastante agradável, com participação especial do DJ Gordinho, também guitarrista do Pelvs, em uma das últimas músicas.
Para fechar, e bem, o festival All Stars, os paulistas do Holger, a banda mais canadense do hemisfério sul. Ouvi eles no MySpace, onde a foto de divulgação é a de um simpático ursão, ou seja, eu não conhecia a cara da banda. Logo de cara me surpreendi com um grande camarada na formação, o nobre amigo Pedro, também jornalista, de São Paulo, que tromba comigo quando nós dois estamos a trabalho em alguns festivais pro aí. Então, a banda do Pedro é muito massa. Tipo um Arcade Fire brazuca, naquele esquema indie festivo, às vezes tribal, bons arranjos e vocais durante o show inteiro. Lembra muito também o Broken Social Scene, banda "bacanuda" para parafrasear o adjetivo do brother Bruno Miari.


Holger


Depois dos shows fomos para o hotel, eu e os mochileiros do coletivo Pegada, Camila, Lucas e Flávio, que deram aquela força de carregadores do Cinza por um dia. Trancados no quarto 223, ao som de piadinhas infames e uma festinha particular com os legionários alto falantes do meu notebook de 7 polegadas (!) até que deu pra se divertir com uma meia dúzia de cervejas e o Felipe Massa correndo, ao vivo, na televisão. Quando o dia estava amanhecendo, pulamos pra mega balada organizada pelo Porquinho (baixista do Valv) e pelo DJ Gordinho na varanda de cima do hotel com um Ipod e um alto falante melhorzinho. Foi ali que cinco pessoas dançaram, beberam e deram tchau para os primeiros São Joanenses que acordavam e saíam à rua naquela nublada manhã de domingo.

Dormi até as 12h e, para minha surpresa, o café da manhã do hotel ainda estava sendo servido. Foi a conta de curar a ressaca com suco de laranja e embarcar de volta para Belo Horizonte. Na estrada o sentimento de dever cumprido, não só pelo show da minha banda, mas por ajudar a fortalecer mais um ponto de força da cultura independente no estado e no país. Parabéns ao ótimo festival All Stars e a São João Del Rei, cidade dos trens e ferrovias que, em breve, será parada obrigatória de comboios muito maiores.

2 de novembro de 2008

SP Noise

A mini-edição paulistana do Goiânia Noise, intitulada SP Noise, tem preço um pouco salgado (R$ 65 na sexta, R$ 80 no sábado), mas sua programação traz boas atrações, tanto nacionais como internacionais. Em seu primeiro dia, 21 de novembro, os destaques são Black Mountain (CAN) e Black Drawing Chalks (GO), enquanto no dia seguinte conferir Black Lips (USA) e Vaselines (UK) é quase que obrigatório para os fãs de rock alternativo. O SP Noise acontecerá ao mesmo tempo que a versão original do evento, em Goiânia, terá 12 bandas.

Os shows acontecerão no Eazy (Av. Marquês de São Vicente, 1767, Barra Funda - São Paulo), espaço para cerca de 2 mil pessoas onde serão montados dois palcos.

Para quem não puder ir até Goiânia, é uma boa opção.

"Wucan", do Black Mountain


SP Noise Festival
21 e 22 de novembro
Eazy - Av. Marquês de São Vicente, 1767, Barra Funda - São Paulo - SP.
Tel: (11) 3611-3121.
Ingressos:
21/11 (sexta-feira): R$55,00 (antecipado) e R$65,00 (no dia)
22/11 (sábado): R$65,00 (antecipado) e R$80,00 (no dia)
Ingressos antecipados à venda na Sensorial Discos - Rua 24 de Maio 116 (Rua Alta), Centro. Tel: (11) 3333 1914
Censura: 16 anos
Abertura da casa às 18:00 na sexta e às 17:00 no sábado

Vanguart assina contrato com gravadora multinacional

Antes, os boatos eram que a Vanguart iria assinar contrato com a Som Livre e relançar seu álbum de estréia, lançado em 2007 na revista Outracoisa. Até que na última sexta-feira foi divulgado que a banda acaba de assinar com a Universal Music e em dezembro já grava CD e DVD ao vivo em São Paulo, numa parceria com o canal de TV Multishow.

A banda passa a contar com uma super estrutura para gravar e divulgar seu trabalho, sendo que mesmo atuando de forma independente, a Vanguart vinha alcançando excelente resultado de crítica e público (indie, basicamente). Com o suporte de uma grande gravadora espera-se que o alcance do grande público seja apenas uma questão de tempo (e de algumas participações em programas da Globo, né?).

Entre as contratações realizadas pela Universal nos últimos anos buscando revitalizar seu elenco no gênero rock/pop estão MopTop, Fresno, NX Zero e Majorie Estiano.

Ps.: na semana passada a Universal lançou sua loja virtual, na qual está disponível parte do catálogo da gravadora com músicas vendidas à R$ 1,99. Quer uma dica? Use o Soulseek.

Ps. 2: Encontrei uma música da Ivete Sangalo à venda que se chama "Berimbau metalizado" e fiquei pensando: "Será que é tipo o que o Soulfly fazia?".

Foto: 2iuiu