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31 de agosto de 2008

Eletronika 2008: Hurtmold, Mallu Magalhães, Macaco Bong, Monno, Lucy and the Popsonics, Pop Armada e Asobi Seksu

Hurtmold e Paulo SantosHurtmold: como era de se esperar de uma das melhores e mais complexas bandas brasileiras, fizeram um ótimo show. A primeira metade teve mais distorção, deixando o restante do show para viagens mais climáticas e percurssivas, com a participação de Paulo Santos, do Uakti, que tocou violão (quebrado?) com arco e seus instrumentos criados com canos e tubos de PVC.

Macaco Bong: show destruidor, como sempre. Os que estavam vendo a banda ao vivo pela primeira vez ficaram de queixo caído e várias pessoas consideraram o melhor show do festival.

Mallu MagalhãesMallu Magalhães: a garota canta bem, não dá para negar. Ainda mais para a sua idade (agora, 16). No entanto, suas canções não sustentam o show, que é apenas mediano.

Monno: o show mais cheio do teatro João Ceschiatti. Com exceção das groupies tagarelas, foi uma apresentação excelente, com participações especiais do Juliano, que atualmente personifica o Tênis, e do Paulo, trompetista do Fusile e da Pequena Morte.

Pop Armada: alguém viu esse show? A banda estava programada para se apresentar ao mesmo tempo que a Mallu e o público evaporou para o Grande Teatro, conferir a estréia da garotinha em Minas.

Lucy and the Popsonics: por problemas técnicos (segundo descobri via Twitter), a banda não pôde tocar na noite anterior, na Roxy, e por isso teve que levar seu show meia-boca para o Palácio das Artes. Se não houvesse os vocais irritantes, poderia ser legal. Participação especial de John Ulhôa (Pato Fu) em duas músicas.

Asobi Seksu: desconhecida pela maior parte do público, o quarteto nova-iorquino fechou o Eletronika e surpreendeu com um show barulhento e animado, bem rock alternativo 90´s. Depois do show, discotecaram (com seus iPod´s) em um clube local mandando clássicos do rock alternativo da década passada e indie contemporâneo. Teve Pavement, Nirvana, Smashing Pumpkins, CSS, Interpol, TV on the Radio, etc.
Fotos: Nathan Starling

30 de agosto de 2008

Eletronika 2008: Instituto, Curumim, M Takara, Guizado e Pexbaa

Carlos Dafé
Instituto: coisa mais linda de se ver. Excelente e histórico. B Negão, Negra Li, Cabal e Curumim cantando junto ao lendário Carlos Dafé. E com todo o respeito, até mesmo as mulheres queriam pegar a Negra Li, com aquelas coxas inacreditáveis. Hit atrás de hit do Tim Maia Racional.

Guizado: experimental, pesado e diferente. Um dos melhores shows da noite. Jazz + pós-rock.

M. Takara: vanguarda da porra!

PexbaA: "fodáço", me disseram. Não vi o show inteiro mas também curti demais.

Curumim: a resposta do público não foi muito boa e o show não funcionou muito bem no Grande Teatro. Nem mesmo a ótima "Vem menina" levantou o público, que animou um pouquinho apenas durante a participação de B Negão em "Tarja preta".
Foto: Marcelo Santiago

Eletronika 2008: Fernanda Takai + Maki Nomiya e Vanguart

Se João Gilberto fizesse um show em Belo Horizonte hoje, ele provavelmente aconteceria no Grande Teatro do Palácio das Artes. Sabendo disso, qualquer um se espanta, ao menos um pouco, ao saber que este é o palco principal dos shows do Eletronika 2008, recebendo bandas da cena alternativa brasileira como Hurtmold, Curumim e Vanguart. A estréia do festival, no entanto, não foi tão chocante e teve como mestre de cerimônias o ícone unânime da fofura do pop nacional: Fernanda Takai.

Em apresentação baseada em seu primeiro e elogiado álbum solo, Onde brilhem os olhos seus, homenagem à Nara Leão, a vocalista do Pato Fu contou com a participação da japonesa Maki Nomiya, ex-Pizzicato Five, e tocou para uma platéia que talvez tenha enchido pouco mais da metade do teatro, sendo formada basicamente por convidados e membros da imprensa.

Calmo e singelo, com canções que transitavam entre a bossa revisitada com toques nipônicos e trechos que poderiam ter sido extraídos de algum CD do Air ou de alguma trilha sonora de James Bond, o show ficou um pouco mais acelerado a partir da entrada de Nomiya, em uma música que poderia ser perfeitamente descrita como "Shaft versão anime".

As duas vocalistas dividiram o palco durante cerca de 20 minutos, tempo em que aproveitaram para também cantar uma canção do Pato Fu, "Made in Japan", abrindo uma exceção nos shows solo de Takai, que não costuma tocar músicas de sua banda principal.

Tudo muito bonitinho e fofo. Exceto a breguíssima cantora japonesa, claro, com vestido e penteado horrorosos e que chegavam a dar medo (poderiam ser utilizados em algum filme do Tim Burton), que me obrigaram a sair do teatro e comprar algumas cervejas no mercado negro (fora do Palácio) para tirar as pavorosas imagens da cabeça.


Vanguart
Cerca de 40 minutos depois e com menos da metade do público do show anterior (os convidados e VIPs que foram apenas dar o luxo de sua presença para a abertura do festival foram embora), o Vanguart começou seu show com o hit "Cachaça", de cara já animando o público mais do que qualquer momento do show anterior e incitando a platéia a se levantar e dançar em frente ao palco.

Fizeram seu show competente e agradável de sempre mas que, ao menos para mim, não justifica metade do hype em torno da banda.

Foto: Marcelo Santiago

29 de agosto de 2008

Download: "Sou", CD solo de Marcelo Camelo

Ao contrário do que havia sido anunciado pelo Terra, apenas três músicas de Sou (ou "nós"), primeiro CD solo de Marcelo Camelo, estão disponíveis para audição no site Sonora (sem opção de download grátis), diferente das 10 faixas divulgadas anteriormente.

Quem quiser burlar a situação pode baixar 8 das 14 músicas do CD no Rapidshare.

28 de agosto de 2008

Eletronika 2008 começa hoje

Consolidando-se como o melhor e mais duradouro festival de música alternativa de Minas Gerais, o Eletronika - Festival de Novas Tendências Musicais, começa hoje sua sétima e mais orgânica edição. A divulgação da programação deste ano gerou certa polêmica entre o público que acostumou a ver diversos DJs internacionais no festival, já que em 2008 o Eletronika está bem mais focado nas "novas tendências musicais" do que na música eletrônica propriamente dita. É um posicionamento da produção que considero totalmente válido, escolhendo alguns dos mais representativos nomes da vanguarda musical brasileira da atualidade e fugindo da competição com outros eventos de música eletrônica mais populares.

Retornando ao Palácio das Artes, que abrigou parte da programação do festival em 2003, o Eletronika leva a um dos mais tradicionais locais da "alta cultura" belorizontina uma amostra da música contemporânea brasileira que tenta não se limitar a gêneros pré-definidos, como Curumim, Instituto, Hurtmold, Guizado e PexbaA. Ao mesmo tempo, perde um pouco de seu conceito ao escalar artistas que pouco têm a acrescentar no sentido de novas experiências musicais, caso de Mallu Magalhães, Vanguart e Monno. Independente de serem boas bandas, a presença desses nomes destoa da proposta do festival.

A cada dia um dos shows no Grande Teatro do Palácio contará com um convidado especial, começando hoje com Fernanda Takai, que recebe Maki Nomiya, do Pizzicato Five. Amanhã é a vez do Instituto contar com a presença de B Negão e Negra Li, para juntos revisitarem o clássico Racional, de Tim Maia, e no sábado o Hurtmold, que este ano completa 10 anos de banda, se junta a Paulo Santos, do Uakti.

Programação

Fernanda Takai


28/08 Quinta-feira

Grande Teatro
21h00 - Fernanda Takai + Maki Nomiya (Pizzicatto Five/Japão)
22h30 - Vanguart (MT)
Cine Humberto Mauro
10hs, 13h30, 15hs, 17hs, 19hs e 21hs - Imagem dos Povos Mostra internacional Audiovisual
Sala Mari'Stela Tristão
19h - Ciclo de Debates: “Imagens do Japão Contemporâneo”
Livraria Usina das Letras
Mangáteca

Maurício Takara


29/08 Sexta-feira

Grande Teatro
22h00 - Curumin (SP)
23h30 - Instituto (+ B Negão e Negra Li) apresenta Racional, de Tim Maia (SP)
Sala João Ceschiati
19h30 - Guizado (SP)
20h30 - PexbaA (BH)
21h30 - M. Takara (SP)
Cine Humberto Mauro
10hs, 13h30, 15hs, 17hs, 19hs e 21hs - Imagem dos Povos Mostra internacional Audiovisual
Sala Mari'Stela Tristão
19h - Ciclo de Debates: “Japão Pop: Mangá e Anime”
Livraria Usina das Letras
Mangáteca
Eletronika Club @ Roxy Club
The Twelves (RJ)
Database (SP)
Lucy & The Popsonics (DF)
Gil Barbara (SP)

Mallu Magalhães


30/08 Sábado

Grande Teatro
21h00 - Mallu Magalhães (SP)
22h30 - Hurtmold (SP) participação especial Paulo Santos (Uakti) (BH)
00h00 - Asobi Seksu (USA)
Sala João Ceschiati
18h00 - Monno (BH)
19h00 - Macaco Bong (Cuiabá)
20h00 - Pop Armada (SP)
Cine Humberto Mauro
10hs, 13h30, 15hs, 17hs, 19hs e 21hs - Imagem dos Povos Mostra internacional Audiovisual
Sala Mari'Stela Tristão
16hs Ciclo de Debates: “Imagens da Amazônia Contemporânea”
Livraria Usina das Letras
Mangáteca

31/08 Domingo

Cine Humberto Mauro
10hs, 13h30, 15hs, 17hs, 19hs e 21hs - Imagem dos Povos Mostra internacional Audiovisual
Livraria Usina das Letras
Mangáteca



Endereços:
Palácio das Artes (Grande Teatro, Sala João Ceschiati, Cine Humberto Mauro, Sala Mari'Stela Tristão, Livraria Usina das Letras)
Avenida Afonso Pena, 1.537 – Centro – Belo Horizonte/MG
Telefone: (31) 3236-7400
www.palaciodasartes.com.br
Roxy Club
Rua Antonio de Albuquerque 729 – Savassi - Belo Horizonte/MG
Telefone: (31) 3269-4410
www.roxybh.com

Ingressos:
Grande Teatro - R$ 25 (meia-entrada)
Dia 28/08: Fernanda Takai + Maki Noemyia (Pizzicatto Five/Japan) e Vanguart (Cuiabá)
Dia 29/08: Curumin (SP) e Instituto apresenta Racional de Tim Maia (SP)
Dia 30/08: Mallu Magalhães (SP), Hurtmold (SP) particip. especial Paulo Santos Uakti (BH), Asobi Seksu (USA)

Teatro João Ceschiatti - R$ 10 (meia-entrada)
Dia 29/08: 19h30 - Guizado (SP) / 20h30 - PexbaA (BH) / 21h30 - M. Takara (SP)
Dia 30/08: 18h00 - Mono (SP) / 19h00 - Macaco Bong (Cuiabá) / 20h00 - Pop Armada (SP)

Roxy - R$ 35 homem, R$ 25 mulher
Dia 29/08 - The Twelves (RJ) / Database (SP) / Lucy & The Popsonics (DF) / Gil Barbara (SP)

26 de agosto de 2008

MADA 2008 - Como foi

Por Eleanor [e Silva]

O MADA deste ano foi bom. Eu esperava mais de uma edição de 10 anos de festival. Infelizmente, a chuva e o frio da via costeira atrapalharam minha boa vontade de assistir alguns shows. De qualquer forma, isso não é culpa da produção, que, inclusive, mudou a data do festival para agosto para tentar se livrar delas. São Pedro é quem realmente não gosta de Jomardo Jomas. Eu me queixo é contra a escolha das bandas e, principalmente, sobre o fato de depois de uma década esse povo não ter aprendido ainda a fazer um “achados e perdidos” decente. Rodamos meio mundo, falamos com “n” seguranças e com quatro pessoas da produção para termos alguma resposta sobre quem ficava encarregado de cuidar dos objetos perdidos. Felizmente, às 4 da manhã, três horas depois do incidente, um amigo angustiado pôde respirar aliviado. De qualquer forma, sobre as bandas, eu já estava ciente de que metade delas me desagradariam. Quando não eram pobres em qualidade, eram em significância. Tudo muito lugar comum.

A quinta-feira foi o dia das potiguares Barbiekill e Brand New Hate e dos pernambucanos do Sweet Fanny Adams. Única banda de electro-rock de Natal, o Barbiekill lotou a tenda eletrônica e colocou todo mundo pra dançar e até cantar junto, empolgados pela performance energética e descontraída da banda. No palco principal, o Brand New Hate repetiu esse feito. Claro, com estilos diferentes. São bandas muito novas e com membros jovens, mas eles mandaram muito melhor que outros com anos de estrada. Se os potiguares só sabem reclamar de tudo o que é do estado, essas duas bandas mostraram que santo de casa pode fazer milagre sim. Já o Sweet Fanny Adams fez um bom show, mas me conquistou mais pelo revivalismo pós-punk à la Gang of Four. Já gostava das músicas, gostei do show.

MotosierraNão posso deixar de mencionar a apresentação mais insólita do MADA e daquela quinta-feira. Não gosto do Motosierra, mas não posso dizer que eles fizeram um show ruim. Ainda que eu ache tudo meio poser, eu tenho de admitir que o vocalista, Marcos Fernandez, é performático. Até demais. Ele achou pouco ter simulado sexo com uma moça no palco, então resolveu enfiar o microfone na bunda e balançá-la para a platéia. Foi demais para o “decoroso” público potiguar, que estava lá mesmo para ver performance do inssoso O Rappa. Começaram a estirar o dedo médio e insultar o homem.

A sexta-feira foi o melhor dia do festival, embora o melhor show só viesse no dia seguinte. Chegamos lá bem na hora da banda Lunares. O trio satisfez todas as minhas expectativas de um bom show, mas me surpreendi com a qualidade sonora do grupo ao vivo. O excesso de samples é que me incomodou um pouco. Algumas vezes viravam a base da música e acabavam gerando em mim um certo desconforto pelos músicos virarem expectadores da própria música. De qualquer forma, nada me causou mais vergonha alheia que aquela valsinha do vocalista Rodrigo Lacerda com sua guitarra enquanto os samples soavam. [Silva: Eu achei a valsinha fofinha, tem gente que faz coisa pior em shows. Achei o som agradável, mas gostei muito mais da “prévia” deles no show que teve lá no teatro Sandoval Wanderley. Destaque para o público mínimo e as groupies enlouquecidas e seu estilo “ilare ilariê” na frente do palco].

Ficamos à toa até chegar a hora do show de Madame Mim na tenda eletrônica. O show faz jus à fama. A platéia - e eu - estava enlouquecida, extasiada. Como esperado, ela não parava quieta. Houve quem pedisse para ser espancado por ela no meio do show. Mas eram os seguranças ridículos que nos machucavam. Ela foi uma simpatia, chegou a descer do palco e dançar conosco durante um bom tempo. [Silva: Dou 10,0 para o show dela. O DJ era lindo também (hahaha, eu precisava comentar isso). Muito contagiante o show dela. Havia gente gritando desesperadamente, outros alegres, dançando, isso que é vida. 10,0 para a simpatia dela em descer do palco para dançar com o público. Ela talvez tenha sido a revelação desse MADA, digo, revelação para mim].

Depois de um tempo para descansar e jogar Wii na tenda de jogos, voltamos para o palco principal. Hora do Curumin. Infelizmente, o show foi prejudicado por problemas no som. Demorou para começar e, quando começou, começou se arrastando. Por mais que ele tentasse animar o público, as pessoas o receberam com sua habitual apatia. Foi melhorando, mas não passou de um show mais ou menos. Eu esperava mais, apesar de gostar da música dele. [Silva: Foi muito bom. Infelizmente o público de Natal não é para um show desse estilo, se tivessem 20 pessoas curtindo mesmo o show era muito].

Depois dele, os Autoramas subiram ao palco. O que faltou de público e de animação no show do Curumin, aqui sobraram. A multidão de adolescentes que surgiu do nada foi ao delírio. Era difícil não se empolgar com o rock dançante e a performance deles. [Silva: Não gostei. Achei uma bandinha muito “infantil” e não me apresentaram nada que eu já não tenha visto em Natal ali pela Ribeira. Mas sempre tem gente que gosta, não é verdade? E sinceramente, praticamente o MADA inteirinho. Não foi muito difícil ver gente se esmagando em frente ao palco e cantando suas músicas não]. Eu cantei várias.

Mas o melhor show da noite foi mesmo o do Pato Fu. Há anos desejava ir a um show deles e não conseguia. Para minha alegria, superou qualquer expectativa que eu tivesse. Fernanda Takai tem um domínio de palco surreal, mesmo com aquele jeitinho sereno dela. Para alegria geral, eles tocaram todos os hits e desenterraram algumas músicas do primeiro álbum. Um dos momentos mais legais foi o jogo de luz vermelha, os chifrinhos e a alteração de voz na hora de “Capetão 66.6 FM”. [Silva: Muito bom. O show é divertidíssimo, tocaram as músicas certas nas horas certas. A Takai é linda e muito fofa. A banda foi simplesmente muito boa. Valeu a pena assistir um show deles.]

Na hora do Lobão eu estava aos cacos e vi que era hora de ir para casa. Mas ainda deu para rir da abertura com a música do Chapeuzinho Vermelho. Momento vergonha alheia II. [Silva: No início com aquela coisa toda da Chapeuzinho Vermelho pensei que estavam tirando onda com a cara do bicho, mas foi muito legal a entrada. Infelizmente estava com fome, cansada e com os pés doendo, mas pelo pouco que pude assistir de longe, vi que Lobão é muito bom naquilo que faz, espero que tenha outra oportunidade de assistir ao seu show].

Mallu MagalhãesNo dia seguinte, o último de MADA, cheguei atrasada e perdi as duas primeiras bandas. A terceira [Macanjo] me deu calafrios e quando a quarta [Falcatrua] subiu ao palco, eu notei que havia enjoado de todas as músicas e não suportava mais a banda. Mas aí aquela menina, que parecia realmente uma criança num palco enorme, começou a tocar seu banjo e a cantar com sua voz doce e deixou boa parte da platéia de boca aberta. Sim, o show da Mallu Magalhães foi um dos melhores da noite. Ela parecia nervosa, mas não é à toa. É preciso muita coragem para enfrentar aquela multidão. Pode não ter sido o show mais esperado do público ali presente, mas havia sim uma grande expectativa. Felizmente, eu pude sorrir como uma idiota durante o show inteiro, cantar quase todas as músicas, e quase enfartar quando ela tocou “I’ve Just Seen A Face” dos Beatles. Agora quem tinha dúvidas comprovou: a menina é realmente talentosa.

Finalmente o show mais esperado da noite e o melhor da festa de 10 anos do MADA. Cordel do Fogo Encantado transformou a arena do Imirá Plaza num terreiro e fez chover. Literalmente. Se a maioria do público já estava arrebatado antes mesmo da primeira música, quando o batuque começou, o santo baixou de vez. Foi uma das apresentações mais viscerais da história do MADA. De arrepiar. Só vendo o show deles mesmo para saber.

Depois veio o show do Josh Rouse e o público sumiu. Fiquei lá no temporal, mas não tenho idéia se eu gostei da apresentação ou não. Meu cérebro parou com o frio e, na hora do Seu Jorge, eu decidi procurar o caminho da minha cama antes que eu acabasse com hipotermia. Maldita chuva.



[Meus agradecimentos à dupla Eleanor e Silva, do blog ENM, que se dispuseram a relatar as experiências do Mada deste ano. Ficou muito bom!]

Fotos
Mallu Magalhães: xpipax
Motosierra e Barbiekill: Débora Ramos

Diesel + Udora + Mordeorabo + Cinza

O resultado da soma é o Transmissor, grupo em ascensão na cena musical belorizontina e que lança seu primeiro álbum, Sociedade do Crivo Mútuo, nesta quarta-feira, 27 de agosto, no projeto Stereoteca.

A banda apresenta canções elaboradas, mistura de rock alternativo com influências de bossa nova, jazz, Clube da Esquina e MPB, resultando em uma sonoridade diferenciada e que se destaca pela singularidade. Seu álbum de estréia esteve disponível na íntegra para audição no MySpace, assim como o EP lançado em 2007, Primeiro de Agosto.


O show de lançamento do CD acontece amanhã às 20:30, no Teatro da Biblioteca Pública Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade, em BH, com ingressos por R$ 6 e R$ 3 (meia-entrada).

Confira abaixo a breve entrevista que fiz com a banda para o site do Stereoteca.

Agora que a banda também foi a vencedora das seletivas do festival Jambolada vocês pretendem iniciar o circuito de festivais independentes? Há planos para uma turnê?
Thiago: Nossa vontade é tocar bastante. Nos divertimos nos shows, gostamos do contato com o público. Queremos mostrar o disco para o maior número de pessoas e festivais são uma grande oportunidade de fazer exatamente isso. Para uma banda nova e independente, turnês são um tanto complicadas, dependem de muita coisa que só se alcança com o tempo, mas estamos fazendo contatos com festivais e aceitando convites para tocar fora de BH.

Como funciona o projeto Combo Mineiro e qual a importância dele, na opinião de vocês?
Thiago: O Combo é um desejo antigo que a gente conseguiu colocar em prática com muito trabalho. Muito se fala da organização da cena independente, união de forças entre as bandas e coisas do tipo. Nós acreditamos que tudo isso é importante de verdade mas antes de tudo, precisa haver uma afinidade entre as pessoas envolvidas. Tem a ver com admiração e respeito pelo trabalho uns dos outros. O Combo reúne isso tudo. São três bandas formando um grupão de amigos que se gostam e querem rodar o Brasil mostrando um pouco do que acontece aqui. Tivemos uma boa aceitação em São Paulo, acabamos de promover um ótimo evento em BH e temos planos pra Vitória e Rio em breve.
A parte boa na minha opinião é que as bandas são responsáveis por tudo, desde a portaria e montagem do palco até a divulgação, confecção de material gráfico, etc. É um pouco daquele discurso de parar de reclamar e fazer com as próprias mãos.

Apesar das diversas influências presentes no álbum, existem algumas que se sobressaem? Quais seriam elas?
Thiago: Eu acredito que esse álbum começou de um jeito e terminou de outro. No começo ouvíamos umas coisas diferentes do que ouvíamos no final, já que o disco foi feito ao longo de um ano. Hoje, acho que tem muita coisa melódica do clube da esquina que a gente ouve, além de bandas como Wilco e Radiohead.

Atualmente há um crescente movimento na cena musical independente, através do qual as próprias bandas cada vez mais estão envolvidas em todos as etapas do processo de produção. Como o Transmissor se posiciona nesse panorama?
Henrique: Com a gente não é diferente. Fizemos a produção do disco, a arte do CD, a maior parte da gravação foi feita em nosso estúdio.
Mas isso não foi uma opção e sim uma necessidade. Acho perigoso se afundar na parte burocrática e esquecer do principal, as composições, a parte artística que é o que realmente deveria caber à banda.
De qualquer forma achamos que tem que ser assim mesmo, as bandas têm que botar a mão na massa, delegar funções a cada integrante e correr atrás porque no começo ninguém fará isso por nós.

25 de agosto de 2008

Música nova do Marcelo Camelo

Já dá pra ouvir "Doce solidão", primeira música a ser divulgada de Sou, álbum de estréia de Marcelo Camelo. A faixa está disponível para audição grátis no Sonora, serviço de venda de música do portal Terra.

Calma e super MPB, como a maioria dos fãs já esperava, com direito a percussão, assoviozinho e teclado discreto.

Atualização: como a Alê bem comentou, "Doce solidão" já esteve disponível para audição no MySpace de Camelo alguns meses atrás, em outra versão, mas foi retirada do ar.

23 de agosto de 2008

Álbum solo de Marcelo Camelo disponível para download

Sou, álbum de estréia da carreira solo de Marcelo Camelo (Los Hermanos), poderá ser baixado gratuitamente a partir da próxima sexta-feira, 29 de agosto, no site Sonora, do portal Terra. Das 14 faixas do álbum, 10 poderão ser baixadas. As faixas restantes serão conhecidas apenas em 8 de setembro, quando o CD será lançado pelo selo Zé Pereira, criado por Camelo, e distribuído pelo major Sony-BMG.

"Doce solidão", primeiro single do álbum, poderá ser ouvida já nesta segunda-feira, 25 de agosto, também no Sonora.

O lançamento antecipa aquela que promete ser uma concorrida turnê (e o início de uma grande exposição na mídia). Confira as datas já confirmadas:
19 set 2008 - Festival Coquetel Molotov (Recife-PE)
28 set 2008 - Concha Acústica do TCA (Salvador - BA)
4 out 2008 - Cine-Theatro Central (Juiz de Fora -MG)
16 out 2008 - Teatro do Bourbon Country (Porto Alegre - RS)
17 out 2008 - Teatro Positivo (Curitiba - PR)
14 nov 2008 - Citibank Hall (São Paulo - SP)
15 nov 2008 - Citibank Hall (São Paulo - SP)
13 dez 2008 - Canecão (Rio de Janeiro - RJ)
14 dez 2008 - Canecão (Rio de Janeiro - RJ)

Mistério em torno da participação de Marcelo Camelo no Eletronika

Mais informações para confundir o fã mineiro de Marcelo Camelo.

Inicialmente o cantor faria um show no festival Eletronika, que acontece em Belo Horizonte na próxima semana, junto ao Hurtmold e Vanguart, informação que foi divulgada até no MySpace do Vanguart. Em seguida, o nome de Camelo foi retirado da data e sua turnê confirmada para começar realmente no Coquetel Molotov, festival que acontece em Recife em setembro.

Nesse meio tempo, diversos sites, jornais e blogs publicaram notícias que incluíam Belo Horizonte na rota dos shows do cantor. E para complicar ainda mais, o próprio produtor do Eletronika, Aluizer Malab, disse ao Jornal do Brasil que a participação de Camelo está confirmada, mas esta não será sua estréia solo e sim uma participação especial durante o show do Hurtmold.

O estranho é que a divulgação Eletronika informa outro convidado especial para a apresentação grupo experimental paulista, o mineiro Paulo Santos, do renomado grupo percurssivo Uakti, e não faz menção alguma ao nome de Marcelo Camelo.

Atração surpresa ou desfalque no elenco? Resta esperar até o próximo sábado, por volta das 22:30 no Grande Teatro do Palácio das Artes, e descobrir.

Enquanto isso, "Téo e a Gaivota".

22 de agosto de 2008

Programação do festival No Ar Coquetel Molotov 2008

SEXTA - 19/09
Sala Cine UFPE – A partir das 17h
Burro Morto (PB)
A Banda de Joseph Tourton (PE)
Bandini (RN)
Guizado (SP)

SEXTA – 19/09
Teatro da UFPE – A partir das 21h
Júlia Says (PE)
Vanguart (MT)
Shout Out Louds (Suécia)
Marcelo Camelo (RJ)

SÁBADO - 20/09
Sala Cine UFPE – A partir das 17h
Pocilga Deluxe (PE)
Zeca Viana & Onomatopéia Bum (PE)
Akin (SP)
Club 8 (Suécia)

SÁBADO - 20/09
Teatro da UFPE – A partir das 21h
Catarina (PE)
Final Fantasy (Canadá)
Mallu Magalhães (SP)
Peter Bjorn and John (Suécia)

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Festival Arena Livre em Vespasiano

Vespasiano, na região metropolitana de BH, realiza nos dias 23 e 24 a primeira edição do festival Arena Livre. Articulado e produzido pelo músico do Manolos Funk, Fred Berli, com co-produção de Jaider Xavier, Arena Livre quer ser um espaço democrático para a divulgação da produção musical independente em que várias linguagens sonoras possam dialogar.

"O objetivo deste evento é ser mais um movimento que agregue novas perspectivas e que seja mais um fator de fomento à cena musical independente. Uma manifestação cultural que abra novos espaços, que crie novas possibilidades e que torne possível uma maior interatividade entre grupos artísticos, organizações culturais e políticas e o público", explicam os organizadores.

Programação

23/08 - Sábado
CURVED
BUGIGANGA
JOH PAPA
CINCO RIOS
CAROLINA DIZ
RICARDO KOCTUS (Pato Fu)

24/08 - Domingo
4
STEREOTAXICO
JUNKEBOX
MANOLOS FUNK

Ps.: Monno está no flyer mas cancelou o show.

1° ARENA LIVRE DA MÚSICA 23 e 24 de Agosto de 2008
Horário: 14h00 às 22h00
Local: Praça JK, centro de Vespasiano (MG)
Entrada franca
Realização: Vatos
Apoio: Casulo Cultura

Festa de 11 anos d´A Obra

FusileTodo ano a Obra, a principal casa/bar de shows alternativos de Belo Horizonte, realiza shows especiais para comemorar seu aniversário. A ocasião é tão especial e com tantas pessoas que a festa normalmente precisa ser realizada em outro local, onde caibam mais pessoas. Esse ano a comemoração dos 11 anos da casa será diferente e acontecerá em dois lugares ao mesmo tempo, na própria Obra e na Casa Pub, contando com alguns dos principais DJ´s que costumam se apresentar em suas festas e quatro bandas: Mechanics (GO), Garotas Suecas (SP), Fusile (MG) e Tênis (MG).

A programação é simultânea e começa amanhã às 22 hs. E o bom é que você paga uma vez (R$ 15 adiantado, R$ 20 na hora) e tem acesso a toda a programação dos dois locais (que estão distantes alguns quarteirões).

Programação A OBRA:
( Rua Rio Grande no Norte, 1168 – Savassi. Tel: 3215-8077)
22h. Deivid x Alex C. (Funk-se)
00h. Tooleo x Trista
01h. Spin Off (Anos 90) x Seu Muniz
02h. Buddy Holly x Nina
03h. Playmobil x Spectreman (Let's Dance – Anos 80)
04h. Claudão Pilha x Cris Foxcat
05h. Gil Radiola x Capitão Insano

Programação A CASA:
( Rua Cláudio Manoel, 572 – Savassi. Tel: 3327-3277)
22h. DJ Malafa
23h. Tênis
23h30. DJ Poeira
00h10. Fusile
00h40. DJ Mi Simpatia
01h20. Garotas Suecas
02h. DJ Big Paul The Monster
02h40. Mechanics
03h20. DJs Roger Moore x Kowalsky

21 de agosto de 2008

Pin Ups - Lee Marvin

Uma das grandes qualidades de qualquer manifestação artística é sua capacidade de refletir o espírito de uma época, absorver características e sentimentos daquele momento e imortaliza-lo. Na música, alguns álbuns conseguem tal proeza e se tornam clássicos enquanto outros são tachados de “datados”. A linha que divide ambos é aparentemente tênue, porém um clássico se diferencia por seu potencial de representar os sujeitos daquela época, recriar aquele ambiente e torná-lo presente novamente através da música. Esse é o grande trunfo de Lee Marvin, quinto álbum do Pin Ups.

Independente de datas, momentos históricos e representatividade, trata-se de um bom álbum de rock alternativo com pegada grunge-punk, mas o Pin Ups vai além. Não importa se você não viveu ativamente os anos 90 enfurnado na cena underground brasileira; não importa se você ainda era criança; não importa se você sequer entendia o que era “indie rock” naquela época. Ao ouvir cada canção de Lee Marvin, é como se o mundo se tornasse acinzentado e ruidoso, com paredes pesadas de distorção e energia punk carregando os resquícios grunge, relembrando um período em que o inglês era o idioma semi-oficial da cena alternativa. “Welcome back to the 90´s”, estamparia o adesivo em uma imaginária reedição do álbum para as novas gerações.

Ironicamente, a primeira música, “Weather”, é a mais calma de todo o CD. A ironia aqui é que se trata de uma canção quase shoegazer, vertente indie também em alta na cena independente nacional durante grande parte dos anos 90, e que deixa o ouvinte totalmente desprevenido para a pauleira que virá em seguida, com “It´s Your Turn”. É uma das mais incríveis sequências de abertura de uma banda alternativa brasileira, com as duas músicas já citadas mais “Guts” e “Loneliness”, todas carregadas de distorção e peso, porém melódicas e com a suavidade trazida pelo contido vocal feminino.

Na outra metade de Lee Marvin o Pin Ups é quase uma banda de hardcore, trazendo a memória (ou imaginação) dos shows da banda pelos porões sujos e quentes do país, diminuindo o ritmo apenas em “You Shouldn´t Go Away”, música que poderia perfeitamente ter sido um hit do Green Day em sua fase Dookie, no auge do boom do “rock alternativo” americano.

Se tanto a banda como a época em questão acabaram, nos resta apenas aumentar o volume e aproveitar o que restou.

Festival Ponto.CE 2008 (com Bad Religion)

Um dos maiores festivais de rock independente do nordeste brasileiro, o festival Ponto.Ce este ano realiza sua terceira edição... blá blá blá.

Eu poderia escrever a mesma coisa que os outros, mas não estou a fim e não faria sentido para mim.

O Ponto.Ce é mais um festival de rock "alternativo/independente" com um monte de bandas medianas ou ruins e algumas poucas atrações relevantes, mas que pode funcionar como uma mostra do que há de novo na cena roqueira cearense.

O grande destaque dessa edição é a banda de hardcore norte-americana Bad Religion. Outros destaques são a Nação Zumbi e Dead Fish.

Programação completa do Ponto.CE 2008

5 de Setembro (Sexta-feira)
BAD RELIGION (USA)
DEAD FISH (ES)
SUGAR KANE (PR)
A TRIGGER TO FORGET (CE)
OLHOS DE SOFIA (CE)

6 de Setembro (Sábado)
NAÇÃO ZUMBI (PE)
O SONSO (CE) E GERSON CONRAD (EX-SECOS & MOLHADOS) (SP)
RIVER RAID (PE)
THE SINKS (RN)
MONOPHONE (CE)
ENCARNE (CE)
CARANGO ABACAXI (CE)
O GIRO (CE)
MAFALDA MORFINA (CE)
THE DRUNKS BABY (CE)
TUBO NA BATERA (CE)

20 de agosto de 2008

O amor, o pós-punk, a fumaça e Jesus

"EU TE AMO!", ele grita e se agarra às grades da cabine. Lágrimas caem dos meus olhos. Antes que eu possa explicar que isso é resultado da fumaça acumulada por ali, ele sai pulando e cantando, trombando nas pessoas, enquanto canta junto ao Iggy. É incrível o que alguns clássicos pós-punk podem provocar nas pessoas (afloramento homossexual, por exemplo).

Mais tarde, depois de ter tocado Jesus and Mary Chain, Clash, Jam, Dead Kennedys e Radiohead, o nível melhora (para mim): "Marcelo, EU TE AMO!". Dessa vez, partindo de alguém do sexo oposto (aleluia!). "Sim, meu bem. Você e Jesus me amam. Vamos fazer um ménage à trois!".

Essas e outras coisas você perde quando não acredita que uma festa que eu farei será boa. E assim foi a primeira edição do Overmundo Colabora, na sexta-feira passada, no nosso inferninho favorito. 250 pessoas dançando ao som da Pequena Morte, das coisas esquisitas que o Camaco botou na pista (eu não conhecia nada), das indieces nacionais e gringas da Mi, e da minha soberba, estupenda, excelente, gloriosa discotecagem que foi de Caê a Minor Threat (fazendo sentindo!). Um bom DJ trata seu set com uma visão semiótica, buscando uma construção de sentido única e que resulte em experiências extremas e profundas, no meu caso, influenciada pelos pensamentos de Home, Chinaski e Mussum (além de muito mé). Pois é, não é pouca merda.

Quem não foi se fudeu. E também não está convidado para a próxima (a menos que visite o Meio Desligado religiosamente todas as quintas-feiras às 21:21 durante 28 dias).

E tomaê:

É mentira!

Overmundo Colabora nº1

Overmundo Colabora nº1

Overmundo Colabora nº1

Overmundo Colabora nº1

Overmundo Colabora nº1

18 de agosto de 2008

Goiânia Noise 2008 vem destruidor!

A programação do festival Goiânia Noise 2008 aos poucos é revelada, a começar pelas atrações internacionais, que este ano estão arrebatadoras e prometem um evento histórico: o ícone hardcore Circle Jerks (USA); a lendária dupla indie The Vaselines (UK); o punk garageiro Black Lips (USA); o pesado e retrô Black Mountain (CAN); e os pouco conhecidos Imbyra (USA / Brasil) e Flaming Sideburns (FIN) são os nomes divulgados até o momento.

A revelação foi feita há alguns dias pelo produtor do Goiânia Noise, Fabrício Nobre, na comunidade do Orkut “Goiânia Rock City”, sendo que Black Lips e Black Mountain eram nomes que já circulavam pela internet em caráter não-oficial.

Um dos detalhes que vem deixando os indies ensandecidos é a presença de três membros do grupo escocês Belle and Sebastian como banda de apoio do The Vaselines, banda que tornou-se conhecida em todo o mundo quando Kurt Cobain resolveu gravar com o Nirvana duas covers da banda: “Molly´s lips” e “Son of a gun”.

Esta será a 14ª edição do evento, que acontece em Goiânia de 21 a 23 de novembro, no Centro Cultural Oscar Niemeyer.

E em outubro, no dia 18, acontece a festa de 10 anos da Monstro Discos (produtora do festival), com show do Mudhoney.

17 de agosto de 2008

Festival Meio Desligado

Mombojó, Mundo Livre S/A, Ludovic, Forgotten Boys, Constantina, Wado, China, Hurtmold, Elma, Black Drawing Chalks, Ruído/mm e as estrangeiras Turbonegro (Noruega) e 65daysofstatic (Inglaterra) formam a programação do primeiro festival Meio Desligado.


Dia 1 - sexta-feira
Constantina
Ruído/mm
Hurtmold
Macaco Bong
65daysofstatic (UK)

Dia 2 - sábado
Elma
Black Drawing Chalks
Ludovic
Forgotten Boys
Turbonegro (NO)

Dia 3 – domingo (ao ar livre, durante o dia)
China
Wado
Mombojó
Mundo Livre S/A

Sonhar não custa nada.

11 de agosto de 2008

Overmundo Colabora (e anima!)

Conheci o Overmundo quando o site foi oficialmente lançado, em março de 2006. Fui um dos primeiros usuários do site em Minas Gerais e desde então acompanhei as várias alterações e o desenvolvimento do “grande portal colaborativo da cultura brasileira”.

Conheci o Sérgio Rosa, representante oficial do Overmundo em Minas, algum tempo depois, durante o Stereomundo, ciclo de palestras desenvolvido pelo site e o projeto Stereoteca, em 2006. No ano seguinte, conheci a Camila Cortielha, uma das mais ativas participantes do Overmundo, através do próprio site. Agora, em agosto de 2008, nós três somos os responsáveis pela criação do Overmundo Colabora, um projeto de festa que também tem como intuito aproximar novos artistas e público em geral ao site.

A idéia é convidar as pessoas a participarem do Overmundo e, simultaneamente, apresentar parte do conteúdo que consideramos mais interessante a um novo público. Para isso, além da ampla divulgação da festa através da internet e de material impresso, quase 100 CDs com uma coletânea especial com artistas cujas músicas estão no Overmundo serão distribuídos gratuitamente durante a festa. Essa coletânea também está disponível para download gratuito no próprio Overmundo.

A primeira edição do Overmundo Colabora leva à Obra, na sexta-feira, 15 de agosto, a banda Pequena Morte, nome até então pouco rodado na cena musical belo-horizontina, com seu ska rock festeiro, e quatro DJs bastante ativos no Overmundo: P.U.T.A, Camaco, Mi Simpatia e Poeira. Nada mais do que os codinomes meu, do Sérgio, da Camila e do Daniel Poeira, também conhecido como Danelectro (do Esquadrão Atari).

Saindo da rotina d´A Obra, que normalmente apresenta shows apenas às quartas e quintas, o show da Pequena Morte acontecerá a partir das 22 horas, para, em seguida, a casa dar continuidade à sua programação usual das sextas com os DJs da festa.

Altamente indicável para quem quer se divertir ao som de muito rock, ska, músicas animadas, alguma eletrônica (boa) e música alternativa, por R$ 12. Sem contar que, modéstia parte, a arte que fiz para o flyer virtual e o cartão postal da festa ficou uma belezura que merece ser guardada. =D

Chame os amigos, aproveite o feriado e se acabe! E não se esqueça de conferir o Overmundo, oras!

Toque no festival Escambo e na Feira do Empreendedor

Inscrições abertas para o Escambo
Em setembro de 2008 o Escambo – Festival de Experiências Musicais terá sua segunda edição na cidade histórica de Sabará (20 km de Belo Horizonte) e abre espaço para que os interessados em se apresentar no evento se inscrevam até 17 de agosto. Bandas de qualquer cidade ou Estado podem se inscrever, sendo que o foco do festival, realizado pelo coletivo Fórceps, são bandas interessadas em participar ativamente na cena independente, atuando em todas as etapas da cadeia produtiva e buscando o trabalho coletivo e integrado.

Para se inscrever é preciso enviar release e link de onde se possa ouvir o trabalho da banda para o email forceps@forceps.com.br com o assunto “Inscrição Escambo 2008”. O resultado será divulgado em 22 de agosto.

Toque na Feira do Empreendedor
O Sebrae MG realiza de 2 a 6 de setembro, na Expominas, em BH, a Feira do Empreendedor, evento no qual haverá um palco para que músicos independentes se apresentem, complementando as atividades da Feira na área de cultura. Não há cachê, mas os selecionados terão seus nomes incluídos na divulgação da Feira e terão transporte por conta do evento. Os shows terão uma hora de duração e acontecerão de 3 a 6 de setembro, das 15 às 20 horas.

Interessados em participar devem enviar email para "eudigosim@terra.com.br" até 15 de agosto, contendo release de até uma lauda e duas músicas em MP3.

Um dos melhores blogs do Brasil (?)

Para algumas pessoas, esta pode ser uma das formas de descrever o Meio Desligado. Depois de ser indicado ao Prêmio Sérgio Motta – Conexões Tecnológicas, ser objeto de estudo de dois trabalhos de conclusão de curso na área de comunicação e de uma tese de mestrado na Suíça (!), ser chamado de o “Pitchfork brasileiro” (esse comentário mexeu com meu coraçãozinho, sniff), classificar-se como um dos 10 melhores blogs de música do país de acordo com um concurso da Coca-Cola (quando o blog tinha apenas dois meses de existência), entre outras façanhas, eis que o Meio Desligado foi selecionado para integrar um grande projeto envolvendo blogs realizado pelo Yahoo!.

O projeto em questão chama-se Yahoo! Posts e envolve cerca de 100 blogs brasileiros e portugueses, considerados alguns dos melhores desses países. Junto ao Meio Desligado estão blogs como o do Pedro Dória, Remixtures, Pop Up! e o Papel Pop.

O Y! Posts funcionará da seguinte forma: quatro reconhecidos blogueiros/comunicadores (Edney "Interney" Souza, Alexandre Inagaki, Nick Ellis e Gilberto "Knuttz" Soares) irão acompanhar os blogs e selecionar os textos que acharem mais relevantes, enviando-os em seguida ao editor do projeto. Esse, irá analisar os textos em questão e selecionará aqueles que serão indicados na capa do site do projeto, podendo também serem linkados na capa do portal Yahoo!.

Os textos selecionados não serão republicados na íntegra, mas sim indicados, com a reprodução apenas de seus sumários. Os interessados em ler os posts em questão serão redirecionados à página original onde o texto foi publicado, ou seja, ao blog autor daquele texto.

Além de aproximar alguns dos principais blogueiros brasileiros, resultando em ainda mais movimentação na internet nacional, o Y! Posts mostra-se como uma excelente alternativa para se conhecer novos e interessantes blogs, uma vez que essa pré-seleção realizada pelo projeto reúne em um único espaço parte do que de melhor se está fazendo na blogosfera brasileira.

A iniciativa deixa clara a dimensão que a ferramenta “blog” está tomando no país, gerando frutos relevantes e aos poucos gerando interesse em um maior público e em grandes empresas, antes arredios ou preconceituosos (basicamente, desinformados) em relação ao termo “blog”.

Parabéns ao Yahoo! por tomar a dianteira e que venham cada vez mais blogs interessantes, colaborativos e diferenciados!

10 de agosto de 2008

O fim do Violins

"Despedida

ViolinsÉ com pesar que informamos que os shows dos dias 17/08, em Goiânia, e 21/08, em Brasília, serão os shows de despedida da banda. Nesse momento, não há mais uma convergência de interesses entre todos os integrantes e decidimos, de forma muito natural e tranqüila, encerrar o ciclo do Violins. Foram 5 discos, shows em festivais importantes que nos deixaram muito felizes e orgulhosos da trajetória que foi construída. Queríamos agradecer aos nossos parceiros de sempre do selo Monstro Discos, produtores Brasil afora que nos abriram portas, e ao pessoal que acompanha a banda com tanto carinho e generosidade.
Nem tudo é pesar, no entanto. O Show não pode parar, já dizia O OUTRO. Alguns integrantes remanescentes formarão um novo projeto, com novo nome e novo universo conceitual musical. Em breve, haverá maiores informações sobre esse novo rumo.

É isso. Muito obrigado e a gente se vê no futuro.

Abraços!
Violins."

O texto acima foi publicado no MySpace da banda, às 4 da madrugada da última quinta-feira. Vi a banda ao vivo duas vezes, em 2003, em BH, e no Abril Pro Rock desse ano, e tenho que dizer que é uma pena terminarem em uma fase tão boa, fazendo shows ao mesmo tempo pesados e emotivos.

Foto: Lidia Stock

Combo Mineiro

Monno, Transmissor e The Dead Lover´s Twisted Heart, três das principais bandas mineiras de rock independente da atualidade, se apresentam juntas pela primeira vez na próxima quinta-feira, 14 de agosto, em BH. O encontro, intitulado Combo Mineiro, já foi realizado em São Paulo e no Rio de Janeiro, quando o Udora ainda fazia parte do projeto (sendo, agora, substituído pelo Dead Lover´s).

As três bandas estão com novos trabalhos em 2008: o monno recentemente lançou seu segundo EP, Agora; o Transmissor irá lançar no próximo dia 27, no Stereoteca, seu primeiro álbum, Sociedade do Crivo Mútuo; e o Dead Lover´s Twisted Heart está finalizando seu primeiro álbum, ainda sem data de lançamento.

Ótima oportunidade para se conhecer parte do que de melhor se produz em Minas atualmente, o Combo Mineiro ainda colabora para a expansão do circuito de rock independente, ao ser realizado em um local até então não explorado para a música alternativa: o teatro Casanova, bem no centro da capital (em frente ao Palácio das Artes, na Avenida Afonso Pena n° 1500, 18° andar).

A entrada custa R$ 15 e os shows estão marcados para começar às 20 hs.

Programação do festival VACA AMARELA 2008

Dando continuidade à série de festivais de rock independente realizados em agosto, acontece em Goiânia, de 3 a 6 de setembro, a 7ª edição do festival Vaca Amarela, iniciativa da Fósforo Cultural, produtora e selo da cidade.

Abrindo amplo espaço para as atrações locais, o Vaca Amarela terá duas noites de shows (sexta e sábado) e dois debates (quarta e quinta) relacionados ao meio musical. Na programação, diversas bandas mais voltadas para o rock´n´roll básico e barulhento, como Forgotten Boys, Autoramas, Black Drawing Chalks e Cabaret. Os shows acontecerão no Centro Cultural Martim Cererê e os ingressos para cada dia custam R$ 20 (o passaporte sai por R$ 30), à venda na Hocus Pocus e Ambiente Skate Shop.

Shows

Sexta – 05/09

02:15 Wander Wildner (RS)
01:30 Autoramas (RJ)
01:00 Diego de Moraes e o Sindicato (GO)
00:30 Linha Dura (MT)
00:00 Black Drawing Chalks (GO)
23:30 Daniel Belleza e os Corações em Fúria (SP)
23:00 Mugo (GO)
22:30 Rollin’ Chamas (GO)
22:00 Porcas Borboletas (MG)
21:30 Mezatrio (AM)
21:00 Goldfish Memories (GO)
20:30 WC Masculino (GO)
20:00 Juanna Barbera (MG)
19:30 Gloom (GO)
19:00 Phantoche (Pirenópolis-GO)
18:30 Madame Butterfly e o Burlesco (GO)

Palco Música Brasileira
20:00 Vida Seca
21:00 Filhos de Maria e Madalena

Sábado – 06/09

02:15 Forgotten Boys (SP)
01:30 Lanny Gordin (SP)
01:00 Technicolor
00:30 Vudú (ARG)
00:00 Orquestra Abstrata
23:30 Cabaret (RJ)
23:00 Devotos NSA (SP)
22:30 MC Dyskreto
22:00 Yglo
21:30 Terra Celta (PR)
21:00 Toró de Palpite (DF)
20:30 Perfect Violence
20:00 Hey Hey Hey (RO)
19:30 Baba de Mumm-rá (TO)
19:00 Descuido Zero (Catalão-GO)
18:30 Johnny Alfredo e seus Neurônios Mongóis

Palco Música Brasileira
20:00 Cega Machado
21:00 Alma Brasileira

Palestras
Local: Rádio Universitária (Avenida Anhanguera com Alameda das Rosas. St. Oeste)
Entrada franca

03/09 - quarta-feira - 19 horas
Grande imprensa e produção cultural fora do eixo - Relação, aproximação e tensão
Com Alex Antunes (jornalista, escritor e produtor musical) e Edson Wander (jornalista).

04/09 - quinta-feira - 19 horas
Música e artes visuais - Interações, influências e perspectivas
Com Arnaldo Branco (cartunista, roteirista, escritor, jornalista) e Márcio Jr. (membro da banda Mechanics, músico, professor universitário e produtor cultural da Monstro Discos).

8 de agosto de 2008

Mada - Música Alimento da Alma (e sua edição de 2008)

Boa parte dos ouvintes de música alternativa / independente no Brasil tomou conhecimento do Mada em 2004, quando a banda norte-americana The Walkmen veio ao Brasil pela primeira vez para uma apresentação exclusiva no festival. Até então, o Mada não tinha grande espaço em publicações e veículos online especializados, chegando até mesmo a não ser visto com bons olhos pelos xiitas do underground por misturar em sua programação artistas como Lulu Santos, Jorge Benjor e até mesmo Detonautas Roque Clube (urgh) junto à bandas de rock independente.

Há um claro apelo pop no Mada - Música Alimento da Alma, mas também é indiscutível sua função de reunir e dar espaço para as novas e interessantes manifestações do rock independente brasileiro. Ao invés de escalar apenas bandas desconhecidas e manter-se no gueto alternativo, o festival opta por mesclá-los a artistas já consagrados, aproximando mainstream e underground. O problema, aí, é que alguns dos nomes populares escolhidos às vezes são lastimáveis, vide o já citado Detonautas ou os gaúchos do Reação em Cadeia.

Este ano o Mada realiza sua 10ª edição (apesar de criado em 1998, não foi realizado em 1999) e, ao contrário do que se podia esperar, resolveu diminuir um pouco o número de atrações, o que parece ser uma boa alternativa. A maioria dos festivais parece estar mais atenta à quantidade de atrações do que na qualidade das mesmas, resultando em dezenas de bandas se apresentando para públicos minúsculos em horários indecentes e no público extremamente cansado após árduas jornadas de shows. No Mada 2008, a média será de 9 shows por noite (no ano passado, por exemplo, a média era 11), das 21 horas às 3 da madrugada, mais ou menos. Também será realizado o Eletromada, palco com programação alternativa direcionada às vertentes da música eletrônica.

As atrações mais conhecidas desta edição são O Rappa, Pato Fu, Seu Jorge, Lobão, Cordel do Fogo Encantado, Mallu Magalhães e o cantor de alt folk americano Josh Rouse, que vem ao Brasil pela primeira vez. Entre as bandas mais alternativas, vale conferir o quarteto indie/pós-punk pernambucano Sweet Fanny Adams e o multifacetado Curumim, que este ano está se apresentando em diversos festivais do circuito independente (entre eles Calango e Eletronika).

Programação completa do Mada 2008

14/08, quinta-feira
21h30 - Poetas Elétricos (RN)
22h - Amps e Lina (PE)
22h30 - NV (RJ)
23h - Sweet Fanny Adams (PE)
23h30 - Rastafeeling (RN)
00h - Brand New Hate (RN)
0h30 - Motosierra (URU)
1h30 - O Rappa (RJ)

15/8, sexta-feira
20h50 – The Volta (RN)
21h20 – Lunares (RN)
21h50 – Subaquático (BA)
22h20 – Poliéster (RS)
22h50 – Síntese Modular (RN)
23h20 – Curumin (SP)
23h50 – Autoramas (RJ)
00h30 – Pato Fu (MG)
01h30 – Lobão (RJ)

16/08, sábado
21h10 – Rosa de Pedra (RN)
21h40 – Sem Horas (PB)
22h10 – Macanjo (RJ)
22h40 – Falcatrua (MG)
23h20 – Mallu Magalhães (SP)
00h – Cordel do Fogo Encantado (PE)
01h – Josh Rouse (EUA)
02h – Seu Jorge (RJ)
03h20 – Montage (CE)

Para conhecer cada uma das atrações do festival, a dica é visitar o blog ENM (Esse não manja), que fez uma série de textos sobre as bandas selecionadas para o Mada.

E para saber mais profundamente sobre o Mada, seu conceito e história, leia abaixo trechos de entrevistas publicadas no Overmundo e Coquetel Molotov com o idelizador do festival, Jomardo Jonas.

Do Overmundo, por Yuno Silva:
Esse nome é perfeito! Vem de onde?
Jomardo — [risos] Já respondi isso acho que mais de um milhão de vezes, mas vamos lá: o apelido “Mada” foi dado pelo repórter da Folha de SP que acho muito grande ficar repetindo “Música Alimento da Alma” o tempo todo na matéria. Ficou. “Música Alimento da Alma” vem de um texto do Jolian (músico, irmão do Jomardo) que ainda iria se transformar em música. Dizia que quando acaba a água, alimento do corpo, só resta a música que é o alimento da alma — por isso as primeiras edições terem sido mais ecléticas e abrangentes.

Então no começo tinha toda uma diversidade musical, e com o tempo o Mada foi enfocando o pop, o rock, a música eletrônica, pitadas regionais e arredores. O que fez o foco pender para esse segmento?
Foi um processo natural. A coisa foi andando e percebemos essa tendência. Naquele primeiro, pensamos em dar uma chance a quem estava tocando na noite. Depois é que fomos criando o conceito. Em 1998 algumas bandas covers tocaram, não tínhamos uma produção consistente de músicas autorais. A partir do segundo ano é que começamos a nos preocupar mais com isso, e de dar mais espaço para grupos locais —na primeira edição vieram muitas bandas de Pernambuco. O Festival começou a se configurar realmente. Então buscar esse foco no pop e no rock estava em sintonia com o que acontecia em outros festivais do Brasil.

Você acredita que eventos do porte do Mada podem andar com as próprias pernas após três anos via lei de incentivo? Segundo alguns conselheiros que analisam projetos enquadrados na lei estadual isso é plenamente possível. (O projeto inscrito na Fundação José Augusto, instituição responsável pela gerência da Lei Câmara Cascudo, enfrentou problemas de aprovação e quase não se beneficia do sistema de mecenato: investimento cultural em troca de recolhimento de impostos - nesse caso ICMS).
Acho difícil. Paixão de Cristo em Nova Jerusalém tem 30 anos e conta com os apoios das Leis Rouanet (federal) e a estadual (Pernambuco). Junta quantas pessoas? Tem ajuda de verba pública desde o começo. Outro: o Festival de Cinema de Gramado (RS), em dos mais famosos do mundo com 33 edições, continua sendo bancado com dinheiro vindo das Leis. Então isso é um grande absurdo.
Não existe esse negócio de um evento andar sozinho, principalmente em uma cidade como Natal, que é difícil conseguir uma cota de R$ 5 mil reais para uma banda gravar um CD. É quase impossível fazer um evento hoje, com a dimensão do Mada e tantos outros, se não tiver a participação de uma lei de incentivo. Esse papo é uma grande balela.
Se fosse assim o Programa Rumos Itaú Cultural, um grande projeto nacional promovido por uma poderosa instituição financeira, não precisaria desse recurso para continuar existindo. O banco abate anualmente cerca de R$ 30 milhões de impostos investindo em programas sócio-culturais… se ele não anda com as próprias pernas imagine eu!! [risos]

Falam muito que o Festival Mada fortalece a cena local de música. Você acha que o evento realmente colabora? Como?
Sem dúvida. O Mada foi quem trouxe pela primeira vez à Natal os maiores nomes da imprensa nacional especializada. Lembro-me que a maior matéria que saiu na Folha de São Paulo sobre o Festival foi com o Alexandre Alves da Solaris Discos, até então pouco conhecido dentro de Natal. MTV, Multishow, O Globo, Jornal do Brasil, revista Dynamite… contatos feitos a partir dessa vinda ao Mada.

Cobertura do "Passe Livre" do Mada 2007


Do Coquetel Molotov, por Jarmeson de Lima:
O MADA tem uma característica eclética, trazendo tanto grandes bandas conhecidas, quanto revelações do cenário independente. De que forma o público assimila essa mistura?
Jomardo - Numa cidade como Natal que existe uma relação muito forte do grande público com o Axé e o Forró, decidimos colocar em nossa programação algum grande nome conhecido para atrair esse público e garantir maior visibilidade para bandas indies. Até agora não temos percebido muitos problemas para o público assimilar essa mistura.
Nosso foco são as bandas indies. As atraçoes maiores são o complemento para garantia de público, que termina sendo interessante para todos os envolvidos.

Relembrando o início do festival, como você vê a cena musical potiguar daquela época em comparação com a atual?
Sem dúvida a cena potiguar cresceu bastante nesse período. E acredito que o festival ajudou muito nesse processo todo. Muitas bandas apareceram, selos e outros festivais com a mesma idéia do MADA, que sempre foi fomentar a cena indie. Quando começamos em 1998, não existia uma cena, não se falava em Natal no cenário nacional e existia somente o trabalho incansável do selo Solaris Discos para algumas bandas locais. Ao longo desse tempo de festival MADA, muitos contatos foram feitos através do festival pelas bandas locais e consequentemente foi se formando todo um processo de divulgação além de nossas fronteiras e também fortalecendo o festival no restante do país.

Existe agora uma discussão em torno dos festivais independentes com relação a ter ou não patrocinadores e de que forma eles tiram a liberdade de um produtor. O que você pode falar a esse respeito? Patrocinadores chegam a interferir na programação do MADA?
Essa é a discussão mais hipócrita que conheço, totalmente sem sentido.
Os patrocinadores são fundamentais para o fortalecimento dos festivais. Alguns produtores mais radicais ou que não precisam dos festivais para sobreviver, ficam tirando onda de independentes, reclamam que existem uma proliferação de eventos que colocam o nome "festival" para conseguir os patrocinadores, mas não percebem que podemos agregar esses patrocinadores aos festivais indies, sem necessidade de interferencia deles na programação. É lógico que os patrocinadores querem um retorno de mídia e público, mas com certeza tem mais interesse ainda em agregar a marca a um evento de credibilidade e qualidade. E o que acontece muito no mercado hoje são festivais que não se preocupam com a qualidade de sua estrutura. Muitas vezes parece que para ser indie o negócio tem que ser tosco e desorganizado. Mas não vejo por aí o caminho.
Somos um mercado em crescimento, e se queremos disputar, temos que saber trabalhar com nossas armas, que infelizmente estão sendo utilizadas por algumas empresas produtoras desse falsos "festivais". E foi exatamente nessa falha de alguns festivais, que algumas empresas perceberam o filão e montaram "festivais" com os patrocinadores que poderiam ser de toda a cena indie e de uma cena de festivais mais organizados.

Cobertura realizada pelo Alto-Falante do Mada 2007



7 de agosto de 2008

Curiosidades e números do Porão do Rock 2008

  • Exatamente às 19:19 foi expulsa a primeira pessoa do festival
  • A cerveja era mais cara do lado de fora do festival do que dentro dele
  • O DFC conseguiu tocar 40 músicas em 40 minutos de show
  • O Madame Saatan tinha apenas 6 músicas em seu setlist
  • Vi pouquíssimas pessoas escornadas pelo chão por causa de bebida. Até o 53 HC Fest em BH tem mais bebuns passando mal do que o Porão (sendo que o 53 HC Fest tem um público de cerca de mil pessoas, 1/30 do Porão)
  • Logo após o término de cada show a equipe responsável pelo blog do Porão atualizava-o com informações do show realizado
  • Compare a edição deste ano com o que falaram da do ano passado no Alto-Falante e na TramaVirtual

5 de agosto de 2008

Porão do Rock 2008: Festival de clichês (bons e ruins)

DFC no Porão do Rock 2008
“Não use drogas”, sentencia, abusadamente, meu advogado boliviano, Señor Perito. “Dessa vez, apenas sexo e rock ´n roll, por favor. Não comigo, é claro”. Tudo bem. Em momentos como esse, a assessoria de um profissional é crucial. Ainda mais quando se está prestes a conhecer a capital brasileira e, principalmente, presenciar aquele que é um dos maiores e mais tipicamente roqueiros festivais musicais do país, o Porão do Rock.

Nossa intenção inicial era cruzar Minas Gerais e parte de Goiás rumo ao Distrito Federal, mais precisamente, Brasília, em uma louca trip de carro regada a vodka falsificada, refrigerante e remédio para a gengiva. Voltando ao mundo real, decidimos comprar uma passagem de avião em promoção. “Não fique triste, podemos o usar o mesmo plano de viagem para quando formos ao Acre, teoricamente por causa do Varadouro, que camuflará nossa investida atrás de ayahuasca. Huahahahua” (risada maligna acompanhada de um preocupante brilho nos olhos). As palavras de Señor me acalmam e logo estou observando tranquilamente a paisagem pela janela, enquanto devoro o lanche da Varig (Observação: já repararam como a tripulação da Varig é basicamente de meia-idade, enquanto a Gol é cheia de jovens e aeromoças gostosas? Isso influencia no momento da compra da passagem).

Talvez tenha sido a privação de sono ou algo que tenha colocado propositadamente em sua bebida, mas ao sobrevoarmos Brasília, Señor começa a suar frio, aperta meu braço e insiste que estamos em um clipe do Kaiser Chiefs. “Olhe para baixo! Não reconhece? A maquete... A qualquer momento aparecerá um gigante blasé de franja que irá nos engolir!”. Tento acalmá-lo, envergonhado com os olhares recebidos dos outros passageiros, enquanto Señor chora contidamente, sussurrando “Não quero ser morto por um gigante blasé... ainda mais de franja”.

A situação muda ao sermos abordados pela aeromoça. “Senhor, está tudo bem?”, ela pergunta. Dá para sentir a espinha dele congelar. “Como ela sabe meu nome?”, Señor sussura em meu ouvido. “Acho que estamos sendo vigiados...”. Seus olhos ficam arregalados e sua tentativa de transmitir segurança se resume a uma desastrada tentativa de estufar o peito e corrigir sua postura. “Sim, sim.... é.... é.... por causa da minha cadela! Digo... não me refiro a uma mulher, sabe? Mas a uma cão.... er... um cão fêmea, entende? Ele... quer dizer, ela... Morreu! Quer dizer, está quase lá... Doente, sabe? Er... Isso é triste...”. Tentando nos livrar de tal situação embaraçosa, digo simplesmente que a cadela é como uma irmã. O aviso para nos prepararmos para o pouso interrompe nossa improvisada explicação.

Já em solo, deixamos alguns presentes no sanitário do aeroporto (todo mundo adora comida mineira, não é?) e partimos em busca de nossa tour manager, a Alê, do Drops Cultural / Rádio Cultura. Após nos alojarmos e terminarmos os preparativos básicos para a maratona de shows da primeira noite do Porão do Rock, hora de um breve passeio pela cidade e partir para o estacionamento do Estádio Mané Garrincha, que há diversas edições recebe o festival.


Estacionamento do Mané Garrincha1° de agosto de 2008, sexta-feira.
18:00. Hora marcada para o início da 11° edição do Porão. Caminhonetes com equipamentos ainda transitam pelo estacionamento do Mané Garrincha, pouca movimentação nos palcos. Cerca de 30 minutos depois a banda local Device inicia seu show no palco Pílulas (o terceiro e menor palco do evento, montado no extremo oposto aos dois palcos principais, na lateral) para um pequeno número de camisas pretas. Eis a tendência da noite: roqueiros, headbangers, skatistas e demais amantes do barulho para os quais quanto mais distorção, melhor. “Basicamente, um povo feio e fora de moda”, dispara Señor Perito. Eu não seria tão drástico. Com exceção, é claro, dos fãs do Suicidal Tendencies com suas indefectíveis bandanas, transmitindo uma vertiginosa sensação de viagem aos anos 80. Um deja vu dispensável.

Mukeka Di RatoA primeira noite do Porão foi dominada pelo metal, com o trash banal (rima espontânea, sério) do Device (DF), o metal melódico (urgh!) do Almah (SP) e Vougan (DF), o bom metal alternativo e com percussão do Sayowa (SP), e pelo hardcore, bem representado pelas veteranas bandas Mukeka Di Rato (ES – formada em 1995), cujo guitarrista Paulista se apresentou com o pé quebrado, DFC (DF – formada em 1993), um dos maiores ícones do hardcore nacional, e a paulista Nitrominds, com 14 anos de existência. Todas bandas competentes e com boa resposta de público, mas que funcionam muito melhor em palcos menores. Para a platéia, no entanto, esses parecem ser detalhes desprezíveis contanto que a guitarra cuspa riffs inaudíveis e rápidos e a bateria siga a mesma linha seca e veloz. Resumo da ópera: divertido por alguns minutos, cansativo de ser acompanhado durante vários shows seguidos.

Nesses momentos, nada como circular pelo local, comprar uma cerveja barata (5 por R$ 10), vigiar para ver se o Señor não está arrumando confusão (ou simplesmente cantando as roqueiras pintadas como a Elvira), passear pelas tendas (da Petrobrás, do Porão do Rock, de uma loja de vinis e um fliperama), se assustar com o alto preço (R$7) e a baixa qualidade :( do sanduíche anêmico da rede Giraffas, responsável pelo lanche no evento e, melhor das opções, conferir o palco Pílulas.

Black Drawing ChalksNa sexta-feira, duas bandas se destacaram nesse palco: a goiana Black Drawing Chalks e a espanhola/brasileira/alemã Kill Karma. Os primeiros fazem rock and roll sujo, pesado e direto. Stoner, como dizem. Apenas mais um termo para dizer que soam como uma versão garageira do Black Sabbath com o death punk do Turbonegro. Apesar do som extremamente baixo, por vários momentos suprimido pelo som que emanava do palco principal, o Black Drawing Chalks foi um dos destaques de todo o festival. Atualmente a banda finaliza a divulgação de seu primeiro álbum, Big Deal, e se prepara para gravar o novo CD para, em seguida, dar início em uma pequena turnê pela América do Sul (e, quem sabe, partir para outros shows nos Estados Unidos).

O Kill Karma se mostrou um pouco deslocado em meio à programação da noite, com seu indie pós-punk, e talvez justamente por ser uma ilha de melodia e pegada quase pop tenha se destacado tanto junto a bandas horríveis como Elffus (DF) e Astros (SP), cuja formação inclui dois ex-membros do Rumbora e um ex-membro do Trem da Alegria (sua antiga banda era com certeza mais divertida).

O blues rock teve seu espaço no já citado Elffus, uma junção dos clichês mais banais e chatos que uma banda de rock / blues pode apresentar: integrantes com cara de machão, roupa de couro, chapéu, bigode e bota (não, não é uma descrição do Village People) somados a letras estúpidas como “Deixa o rock rolar...” blá blá blá. Um saco.
O blues e o rock setentista também deram o tom do show de Rafael Cury (DF), cuja apresentação repleta de covers valeu a pena ao menos pela cover de “Remedy”, do Black Crowes. E para variar, o público amou.

MalditaMas em se tratando do palco Pílulas, o grande acontecimento foi o show da Maldita (RJ). O som é um pastiche de rock gótico, nu-metal e industrial, um sub-Marylin Manson com letras vergonhosas em português, que, ao que parece, são idolatradas pelos adolescentes from hell. Do inferno mesmo, no entanto, foi a participação de Sodomia no show. Explico: o afetado vocalista da banda (cujo figurino incluiu máscara à la Slipknot e muito sangue cenográfico) pediu que alguma garota da platéia subisse no palco, depois de algum tempo conseguiu uma voluntária e como a garota se mostrou tímida (ou chapada demais) para falar seu nome, foi carinhosamente renomeada como "Sodomia". A partir daí, seguiu-se uma lamentável e risível performance pseudo-perversa/sadomasoquista na qual a garota se viu presa a uma coleira e demais apetrechos dignos de uma produção lo-fi de bondage e puxada pelos cabelos pelo palco. Para completar seu martírio, foi obrigada a assistir ao restante do show sentada em frente à bateria. Os fãs foram ao extasê durante o teatro, outras pessoas ficaram incomodadas, culminando em um sujeito que atirou uma lata cheia de cerveja na direção do vocalista, sem acertá-lo. Señor e eu nos seguramos para não molhar as calças de tanto rir.
Melhor momento (único?) do show: o baterista, sozinho no palco, tocando sobre samplers de Slayer e Prodigy.

Voltando aos palcos principais, o MQN (GO) fez seu já tradicional esporrento e animado show. A banda funciona super bem ao vivo, mas se apresentam em quase todos os festivais da Abrafin e são poucas as diferenças entre um show e outro. Nunca vi um show ruim da banda, é altamente indicado para quem ainda não viu e gosta de garage rock com pegada stoner, mas um pouco repetitivo para quem já acompanha há mais tempo.

Público durante show do MatanzaMesmo com toda a pompa do Suicidal Tendencies, é provável que o show mais empolgante da primeira noite do Porão tenha sido o do Matanza. A banda é hoje em dia uma das maiores da cena alternativa brasileira e unanimidade entre os fãs de rock pesado, amplamente bem recebida entre o público hardcore, metal e até mesmo entre boa parte dos indies. Das falas ensaiadas do vocalista Jimmy às feições mal-encaradas de toda a banda (com exceção do guitarrista Donida, do qual não se consegue ver o rosto, já que o cabelo o esconde durante a maior parte do show), trata-se de um espetáculo à parte de porradaria sonora e testosterona. As rodas de pogo em meio às cerca de 12 mil pessoas no Mané Garrincha foram algumas das coisas mais bonitas de se ver em todo o festival.

Não vi os shows do Madame Saatan (PA), Makakongs 2099 (DF), Lesto (DF), Podrera (DF) e Moretools (DF). Um saldo razoável para a maratona de atrações. Sobre o Suicidal Tendencies (USA), pouco a comentar. Trata-se da materialização do estereótipo do americano bombado e skatista dos anos 80, fã de metal e hardcore. Quase não consegui prestar atenção no show, tudo que me vinha à mente era “Ainda bem que cancelaram sua vinda para o Claro Q É Rock em 2006” (dando lugar para o Fantômas fazer seu clássico show no Brasil).


2 de agosto de 2008, sábado.
Nova geração no Porão15:30. Nos encontramos com parte da gangue do Fórceps para mais um mini-passeio turístico e ao retornar ao estádio, para comprar ingresso para um amigo que resolveu de última hora viajar até Brasília para ver o Muse, descobrimos que apesar de estarem à venda ingressos inteiros e meia-entrada, qualquer pessoa podia entrar com os ingressos de meia-entrada. Então porque existem ingressos inteiros? “Para que os desinformados se fodam”, alguém responde.
Às 16 horas, horário marcado para o início das atividades do dia, os portões ainda estavam fechados para o público, sendo abertos meia hora mais tarde. Exatamente às 17:00 teve início o primeiro show do dia, da Gilbertos Come Bacon (DF), espécie de Tihuana (um pouco) melhorado, com direito a percussão, guitarras pesadas, dois vocalistas rasta, theremin e escaleta.

Minha cobertura do palco Pílulas nesse dia se resumo a isso. As atrações dos palcos principais demandavam atenção e, a partir das 22 horas, sair da frente do palco 2 era sinônimo de perda de um bom lugar para assistir ao show do Muse. Assim, perdi mais uma vez o show dos pernambucanos do Amp (a primeira foi no Abril Pro Rock), Tom Bloch (RS) e da Nancy (DF), uma das bandas que mais queria ver no Porão, entre outras. Mas valeu a pena.

Para muitos, o segundo dia de Porão do Rock 2008 transformou-se no “show do Muse”, com pessoas se deslocando de diferentes Estados para conferir a banda inglesa em Brasília. Afinal, é rara a oportunidade de conferir no Brasil, ainda mais com preços tão acessíveis e em um bom festival, uma das melhores bandas dos últimos anos no auge de sua carreira.
Com toda a produção de rockstars a que tem direito (que vai desde aos 25 quartos reservados em hotel de luxo ao telão, canhões de fumaça e papel picado durante o show), o Muse fez um show inesquecível para a multidão de 20 mil pessoas presentes. Com um som excelente, tocaram durante aproximadamente 1 hora e 20 minutos, começando com “Knights of Cydonia” e disparando hits como “Supermassive black hole”, “Plug in baby”, “Time is running out”, “Stockholm Syndrome”, “New born” e “Feeling Good”. Demonstrando um incrível virtuosismo (extensivo a todo a banda, diga-se), o vocalista e guitarrista Matt Bellamy faz solos monstruosos, adora microfonia entre uma música e outra e possui forte presença de palco, além de tocar piano em algumas músicas e cantar absurdamente.

Inusitada mistura de Radiohead e metal, ao se conferir o Muse ao vivo poderia-se preguiçosamente tachar a banda de indie metal, mas a complexidade e qualidade de suas músicas vão além, como demonstra seu constante avanço desde o álbum de estréia, Showbizz (1999), ao recente e ao vivo H.A.A.R.P (2008). Mais próximo da realidade é imaginá-los como uma banda de rock alternativo perfeita para arenas.

Tocaram mais da metade do último álbum de estúdio, Black Holes and Revelations (2006), com destaque para “Starlight” e “Map of the problematique”. Como já haviam anunciado em entrevistas, não tocaram nenhuma faixa de Showbizz, sendo este o único ponto negativo do show. Mesmo faltando “Sunburn” e “Muscle Museum”, primeiras faixas a tornar o grupo famoso, ninguém reclamou.

CanastraAlém do “acontecimento” chamado Muse, a boa programação do segundo dia confirmou a importância e qualidade do Porão. A seqüência Vai Thomaz no Acaju (que nada mais é que o Móveis Coloniais de Acaju acrecido de Gabriel Thomaz, do Autoramas), Canastra (RJ) e Sapatos Bicolores (DF) funcionou super bem, caindo um pouco apenas na última banda, cuja sonoridade fica um pouco no lugar comum do rockabilly / revival jovem guarda.

O Vai Thomaz no Acaju (DF) fez sue estréia oficial em um festival e ainda contou com a participação do ex-vocalista do Maskavo no show, repleto de canções ska rock semelhante ao que é feito pelo próprio Móveis Coloniais. Na sequência, o Canastra encontrou ótima resposta do público, boa parte dele cantando junto a maioria das animadas e dançantes músicas da banda (eu e Señor Perito nos contentamos em apenas balançar a cabeça e bater os pés no chão, em nossa elaborada estratégia de economia de energia utilizada em festivais*).

Conferir a memorável e roqueira apresentação do Mundo Livre S/A por si só já valeria a ida ao Porão do Rock. Emendando logo na abertura do show os hits “Computadores fazem arte” e “Bolo de ameixa” em versões especiais para o festival, carregadas de distorção, a banda fez com que lamentássemos o espaço de apenas 50 minutos para o show. E ao tocar seu cavaquinho inspiradamente no palco de um festival de rock, Fred Zero Quatro colaborou para destruiu alguns dos clichês rock n roll fortalecidos pelo próprio festival.
Ainda bem que no ano que vem o Mundo Livre deve se apresentar bastante pelo país, comemorando os 15 anos de lançamento do clássico Samba Esquema Noise.

Garota aloprada durante show do Vai Thomaz no AcajuAs outras atrações internacionais da noite, Papier Tigre (FRA) e The Tandooris (ARG), também fizeram boas apresentações, em diferentes níveis. Enquanto o trio francês Papier Tigre mostrou-se como exemplo solitário de rock experimental no festival, carregado de influências de pós-rock, Fugazi, Medications e Battles e deixando perplexa boa parte da platéia, os argentinos do The Tandooris fizeram um show apenas correto, emulando punk e rock´n´roll setentista, parecido com o que o Forgotten Boys faz (sendo que o grupo brasileiro o faz com muito mais qualidade e peso). O grupo Sick City, da Alemanha, não veio ao Brasil aparentemente por problemas com o visto.

As duas maiores atrações locais decepcionaram no sábado. O Supergalo não surpreendeu, já que o máximo que se esperava da banda era uma apresentação mediana. O Lucy and the Popsonics, que se apresentou em formato trio, com a adição de um membro nas programações, por ter feito um show sem força, com os vocais embolados (“Em que língua ela canta?”, perguntava Señor) e com a guitarra baixíssima.

Pouco a comentar sobre a Pitty. Foram 50 minutos que pareceram horas sofríveis.

Fim semi-repentino.


Fotos: Alessandra dos Santos / Marcelo Santiago
Fotos do DFC e Maldita: Assessoria de imprensa do Porão

* Programa de economia de energia patenteado: SER – Saving Energy for Rock.