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31 de janeiro de 2008

Inscrições abertas para o 34º Festival de Inverno de Itabira e BDMG Instrumental

Ouro PretoQuem não é de Minas Gerais não deve saber, mas durante boa parte do inverno diversas cidades históricas do Estado comemoram seus aniversários e realizam os tradicionais festivais de inverno. Ouro Preto, Mariana, Diamantina, São João Del Rey e Sabará são alguns exemplos de cidades que realizam festivais deste tipo, em sua maioria com apoio das prefeituras municipais e universidades locais. São festivais de arte integradas, geralmente com atividades gratuitas como shows, oficinas e exposições.

Um dos maiores festivais deste tipo é o de Itabira, que em 2008 realiza sua 34ª edição. As inscrições para o festival estão abertas e podem participar pessoas de qualquer local do Brasil e do mundo interessadas em fazer parte da programação, seja através de espetáculos diversos (musicais, teatrais, circenses), palestras, oficinas ou exposições. Para isso, é necessário ler o edital e, em seguida, preencher o formulário disponibilizado pela organização do festival. As inscrições podem ser feitas até 29 de fevereiro.

Outro edital interessante, mas disponível apenas para músicos mineiros, é o BDMG Instrumental, que todo os anos premia quatro músicos com a produção completa de um show e mais R$6,500 mil. Podem participar músicos nascidos em Minas Gerais ou residentes do Estado há pelo menos dois anos. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site do BDMG Cultural. As inscrições para o BDMG Instrumental 2008 começam em 18 de fevereiro e terminam em 4 de março.

Aparentemente ambos os festivais acima parecem não ter o foco do blog, mas é justamente por isso que escrevi sobre eles. Iniciativas deste tipo são distantes da cena musical alternativa e experimental, não apenas devido à curadoria dos festivais, mas também pela falta de informação dos músicos. A partir do momento em que mais bandas alternativas enviem seus materiais e se inscrevam nestes editais, é inevitável que algumas delas se destaquem em meio aos trabalhos inscritos e assim alcancem novos públicos.

30 de janeiro de 2008

Carnavais...

Carnaval que se preza já começou ou, no máximo, tem início amanhã. Quem foge da tradição de escolas de samba, blocos caricatos, trios elétricos e afins, mas ainda mantém esperança em manifestações coletivas, sabe (ou deveria saber!) que uma das melhores opções este ano é o Grito Rock, festival coletivo que acontece em quase 50 cidades do Brasil e outros países da América Latina. Dependendo de qual cidade você mora, a programação do festival pode ser uma completa merda ou pode ter algumas bandas excelentes (viva a diversidade!).

Em São Paulo, temos a última edição do Carnaval Revolução; em Recife, mais um Rec-Beat; em Curitiba, o Psychobilly Festival; em Belo Horizonte, Invasão de One Man Bands; e por aí vai. Opções diversas estão aparecendo, basta tentar se manter informado e procurar por aquela com a qual você mais se identifica.

Carnaval 1976, por Rodrigo Viana
Tendo em vista esse "carnaval plural" composto por diversas manifestações e experiências singulares de cada indivíduo é que um grupo de blogueiros em Belo Horizonte resolveu fazer uma blogagem coletiva hoje, dia 30 de janeiro, sobre o carnaval.

Das divagações sobre realidades sociais e alienação provocada (ou potencializada) pelo carnaval redigidas pelo Luiz à poesia-de-links da Flávia, passando pela beleza literária do texto da Lud (que intimidade é essa?) e a pesquisa de sambas-enredo que valorizam a "mineiridade" feita pela Júlia, temos apenas uma pequena amostra do que é o carnaval no Brasil e, assim, um minúsculo (minúsculo meeesmo!) retrato do que somos nós, brasileiros.

29 de janeiro de 2008

7ª Feira da Música de Fortaleza já está com inscrições abertas

Feira da Música 2008 - 13 a 16 de agostoA Feira da Música de Fortaleza acontece desde 2002 na capital do Ceará e é um espaço para o debate e desenvolvimento de negócios ligados à música independente brasileira. Associada da Abrafin, a Feira é realizada pela Associação dos Produtores de Discos do Estado do Ceará e reúne anualmente músicos, produtores e demais profissionais da música que se encontram durante palestras, exposições e shows, fechando negócios que movimentam milhões de reais em cada edição.

Em 2008, a Feira acontece entre 13 e 16 de agosto e os interessados em participar dos shows, oficinas e palestras já podem se inscrever para enviar propostas para o festival. Músicos de qualquer gênero ou local podem se inscrever, basta preencher a ficha de inscrição disponível no site e enviar o material necessário (como CD, ficha técnica, fotos, etc, maiores detalhes no site) até 17 de março.

No caso das oficinas e conferências as propostas devem ser enviadas até 10 de março. A organização pretende selecionar idéias para palestras, debates, seminários, painéis, oficinas e cursos referentes a temas como exportação da música nacional, marketing, empreendedorismo, intercâmbio musical, novas tecnologias, pirataria, etc. Informações completas na seção "Inscrições", no site oficial.

26 de janeiro de 2008

As decepções de um (pseudo) jornalista tapado (ou "Electro/Rock em dias complicados")

Club Silêncio no MySpaceHá algumas semanas a banda brasiliense Club Silêncio tocou em Belo Horizonte na Obra junto ao projeto eletrônico Retrigger. Já conhecia a banda via MySpace e, em uma segunda audição, achei bem interessante. Mais interessante ainda era a foto da banda no site, que mostrava um quarteto de gatinhas indie (ao lado) prontas para serem abordadas por um pseudo-jornalista babão e sem noção.

Com a esperança de pegar um um broto brasiliense em mente (e também com intuitos "jornalísticos", é claro), tentei marcar uma entrevista com a banda antes do show. "Elas ficarão bêbadas, com certeza, enchendo a cara de graça, e isso facilitará para que minha abordagem seja certeira", passava em minha mente (ou quase isso, trocando o vocabulário correto por um monte de gírias e termos chulos, tipo "vai sê enrabada mermo, porra!").


Para minha sorte, ninguém da banda utiliza o MySpace ou visita a comunidade da banda com a devida frequência e por isso a entrevista não foi marcada. Digo que tive sorte porque, na verdade, e para minha infeliz surpresa, a banda é formada por quatro indiezinhos feios-nerds (com exceção do guitarrista/tecladista, que é um gatinho, ui!)! Você pode até levar a sua vida de acordo com as bundas e peitos que encontra pela frente, mas, definitivamente, sua vida jornalística não pode ser definida por outra cabeça além da que você leva (por enquanto) acima do pescoço.

O verdadeiro Club SilêncioAntecedendo a decepção visual n'A Obra, os momentos anteriores ao show também não foram os melhores: mezzo reconciliação com a ex (péssimos momentos de volta à mente); uma hora bebendo sozinho no bar da Obra; e caminhadas solitárias sem rumo. Ainda bem que a Camila me salvou do meu sono na Obra e seu grupo de amigos me entreteve enquanto o DJ mesclava erros e acertos (entre os acertos que me lembro estavam Black Lips, Primal Scream e Hot Hot Heat. Os erros eu esqueci, memória seletiva serve para isso).

Boa parte do público presente estava ali para prestigiar a atração local, Retrigger, projeto de breakcore (ou qualquer outro nome que queiram dar música ultra acelerada e esquizofrênica, cheia de samples e influências que vão do jazz ao industrial) e de certo renome na cena eletrônica underground. E foi, com certeza, uma apresentação histórica, durando cerca de dez segundos. Tempo suficiente para o Raul, o homem por trás do projeto, dizer algumas palavras inescutáveis em seu megafone e perceber que seu notebook havia dado pau. Fim do show.


Chegando ao Club Silêncio, à decepção visual somou-se certa decepção sonora. Apesar de algumas boas passagens instrumentais, mesclando electro e distorções à la Jesus And Mary Chain, o som tem pouca identidade e o vocal é péssimo. Pouco adianta dar nomes excelentes para as suas músicas, como "Depeche Mode" e "Carla Perez", se elas são ruins (correção: "Depeche Mode" é a melhor canção da banda até o momento. Na categoria de "músicas ruins com bons nomes" entram, na verdade, a já citada "Carla Perez", "Sandy" e "Vem Baiana", entre outras). Na maior parte do tempo, a melhor opção era torcer para que o vocalista ficasse calado e observar as viradas do ótimo baterista da banda. Ao que tudo indica, não é o caso de uma banda ruim, mas apenas despreparada ou "crua" demais.

O verdadeiro Club Silêncio versão p/b
Ao menos consegui fazer algumas fotos legais...

25 de janeiro de 2008

Psycho Carnival 2008

Psycho Carnival 2008Além do Grito Rock e do Rec-Beat, outro festival relacionado ao rock 'n' roll e suas vertentes que acontece durante o carnaval é o Psycho Carnival, que em 2008 chega a sua 9ª edição em Curitiba.

Realizado entre 2 e 4 de fevereiro (além de uma festa de aquecimento no dia primeiro), o festival tem como foco a psychobilly e conta com 22 bandas, sendo 6 delas estrangeiras.

Os ingressos para cada dia custam R$ 10 e os shows acontecem no Joker Pub e no Hangar Bar.

Para quem não conhecia o festival (como eu), que agora é membro da Abrafin, é bom ver esses vídeos sobre as edições 2007, 2006 e 2004 (além de rir um pouco da cobertura das TV´s).


Programação

01/02/08 - Hangar Bar - 22:00hs
HILLBILLY RAWHIDE
CRAZY HORSES
CWBILLY’S

02/02/07 – Jokers Pub - 21:00h
CHUCK AND THE BRAZIL CRACK PIPES (Inglaterra)
THE HOWLERS (EUA)
SKIZOYDS (SP)
BAD LUCK GAMBLERS (SP)
OLD STUFF (RS)

03/02/07– Jokers Pub - 21:00h
OVOS PRESLEY (BH)
VOODOO ZOMBIES (Chile)
PETE 1 (DINAMARCA)
BIG NITRONS (SP)
AS DIABATZ

04/02/08 - Hangar Bar - 16:00hrs
BILLYS BASTARDOS (Londrina)
RINHA (Piracicaba)
PSYCHO MONSTERS
HOT RODS

04/02/07– Jokers Pub - 21:00h
MAD SIN (Alemanha)
SICK SICK SINNERS (Curitiba)
MOTORAMA (Argentina)
VOODOO STOMPERS (SP)
PYROMANIACS (SP)

Sobre os locais:
Jokers Pub - Rua São Francisco,164 - 3324-2351
Hangar Bar - R Dr Muricy, 1091 - Largo da Ordem - (41) 3077 8189

24 de janeiro de 2008

Grito Rock 2008 - A Invasão Independente

Começa nesta sexta-feira, 25 de janeiro, a edição 2008 do Grito Rock, o maior festival integrado da América do Sul. Criado em Cuiabá no ano de 2002 pela produtora Espaço Cubo, o festival é uma alternativa para todos aqueles que não se sentem animados ou simplesmente não gostam da tradicional folia carnavalesca e se estende até 24 de fevereiro.

Integração é uma das palavras-chave ao se pensar em Grito Rock. Em 2008 o festival acontece em 46 cidades, sendo 44 delas brasileiras, espalhadas por 20 Estados, e duas no exterior: Buenos Aires (Argentina) e Montevidéu (Uruguai). Trata-se de um salto enorme para o festival, que mais do que dobrou sua programação em relação a 2007, quando atingia 20 cidades no Brasil. Este ano, estarão reunidas sobre a mesma bandeira cerca de 300 bandas, muitas delas se apresentando em diversas cidades, aproveitando a oportunidade trazida pelo festival.

Segundo a Espaço Cubo, que coordena a realização do Grito Rock, "a proposta tem como meta fortalecer ainda mais a cadeia produtiva da música independente brasileira, estimulando a circulação dos agentes atuantes no setor, assim como estreitando a rede de contatos do Circuito Fora do Eixo em todo o país". Uma das formas disto acontecer é através da troca de informações entre produtores de todo o Brasil através da lista de discussão do Grito Rock, onde cada responsável pela produção local de uma das edições do GR disponibiliza dados, dúvidas ou comentários sobre sua jornada ao longo da produção do festival. Assim, são trocadas importantes informações, dicas e até mesmo arquivos digitais que agilizam e potencializam o trabalho de produção.

O papel do Cubo, nesse caso, é gerenciar todas essas produções, mas sem intervir em suas realizações. Cabe a cada produtor local definir as atrações, local, estrutura, etc, ficando com o Cubo a centralização de informações referentes a cada edição do GR e sua divulgação. O site oficial do Grito Rock também é colaborativo e é atualizado por todos os produtores envolvidos. Um podast com bandas que se apresentarão no festival também está sendo feito e disponibilizado em partes na internet, editado pelo pessoal do Reator.

O interessante é que toda essa movimentação ocorre através da internet. Ou seja, são 46 cidades sul-americanas, cerca de 100 produtores desenvolvendo um festival conjunto sem nunca terem se encontrado presencialmente uma única vez sequer. Desde o momento em que alguém se interessa em produzir uma edição do Grito Rock em sua cidade, passando pelas instruções sobre como fazer isso até o momento de divulgar a programação (e, posteriormente, contar como foi o festival), tudo ocorre pela internet. Já imaginou realizar algo do tipo apenas com telefones e correio?

+
Tudo que saiu sobre o festival no blog do Fórceps
Perfil do Grito Rock no Flickr
Programação do Grito Rock em cada uma das cidades
Outra matéria sobre o GR
Matéria sobre o Grito Rock 2007
Grito Rock no Overmundo

21 de janeiro de 2008

Petrobras e música independente? Ótima parceria!

"A Petrobras vem se mostrando extremamente sensível às movimentações culturais do país todo. E quando percebe a existência de festivais independentes com um conceito diferenciado e com uma proposta fundamentada e mostra a sua responsabilidade para com essa ação, nos dá a sensação de que toda a movimentação que vem sendo criada pela música independente, está gerando bons resultados”.

A citação acima é trecho de uma das falas de Lenissa Lenza, do Espaço Cubo, para a matéria escrita pelo Humberto Finatti para a Gazeta Mercantil, sobre os investimentos da Petrobras na cena musical independente em 2008. R$ 2,5 milhões foram destinados pela empresa para o seu Primeiro Edital de Festivais de Música, realizado no ano passado e cujos resultados poderão ser vistos em 2008.

A Petrobras é a maior patrocinadora da cultura no Brasil e seu envolvimento com a música independente permite o aprimoramento da cena e estimula mais investidores a se envolverem com a produção que é realizada fora do grande circuito comercial. O gráfico ao lado deixa mais claro o nível do investimento da empresa no meio cultural: em 2006, foram R$ 204,4 milhões investidos pela empresa, sendo que o segundo maior investidor do país, o Banco do Brasil, investiu R$ 23,7 milhões.

E apenas para relembrar, eis a lista dos festivais selecionados no Edital de Festivais de Música (muitos deles já conhecidos de quem costuma ler o Meio Desligado com frequência):

* Canavial - Festival de Música da Zona da Mata (PE)
* Joinville Jazz Festival (SC)
* Goiânia Noise Festival (GO)
* Nordeste Cantat Internacional (AL e SE)
* Semana Zulu (SP)
* Canto Sem Fronteira (RS)
* IV Festival de Música de Jd. Jangadeiro (SP)
* 10ª Tocata de Bandas e Fanfarras (MA)
* Humaitá Pra Peixe (RJ)
* IV Festival Nacional de Violão do Piauí (PI)
* Brincantes - A Energia da Cultura Popular (AL)
* V Festival Regional de Sambadores (BA)
* 28º Festival de Música de Londrina (PR)
* 3º Festival de Música Clássica de Sorocaba (SP)
* VIII Festival de Sanfoneiro de Limoeiro do Norte (CE)
* Casarão Ano IX - Festival Musical & Seminário de História, Cultura e Rock na Floresta (RO)
* IV Festival Estação Viola - Mostra Internacional da Música de Viola (SP)
* Festival Calango de Artes Integradas 2008 (MT)
* Festival Cultural Música Alimento da Alma - MADA (RN)
* IV Festival Prelúdios da Primavera (MS)
* Festival Varadouro (AC)
* Festival Demo Sul (PR)
* 10º Encontro Pernambuco Côco (PE)
* Festival Botucanto (SP)

+ matéria completa sobre o patrocínio da Petrobras e os festivais independentes na Zap'N'Roll, coluna do Finatti na Dynamite.

Carnaval alternativo

"Quem procura alguma alternativa à mesmice musical do carnaval tradicional não tem do que reclamar. Boas opções estão surgindo pelo país afora oferecendo diversidade, propondo reflexão e conectando o Brasil com outros países da América do Sul."

Algumas dessas opções são o Carnaval Revolução, que depois de várias edições em Belo Horizonte chega a seu fim em São Paulo; o festival Rec-Beat, no Recife; e as inúmeras edições do Grito Rock que acontecerão pelo Brasil e outros países da América do Sul.

Leia o texto completo no blog do Fórceps.

18 de janeiro de 2008

16º Festival Hardcore de São Paulo

Festival Hardcore de São PauloComeça amanhã, 19 de janeiro, a 16ª edição do Festival Hardcore de São Paulo, organizado pelo coletivo Verdurada. O evento é carregado de ideologia vegan e, principalmente, straight edge e é promessa de horas e horas de moshs certeiros.

Além de atrações nacionais como Dominatrix e O Inimigo, o festival conta com atrações da Argentina (Vieja Escuela), Portugal (Simbiose) e Estados Unidos (Defect Defect).

A postura engajada da produção fica clara na organização do festival, que termina antes das 23:30 "para que os espectadores possam se valer do sistema público de transporte" e utilizando parte do dinheiro da bilheteria para "campanhas públicas de assuntos ligados aos interesses do Coletivo Verdurada, como vegetarianismo ético, práticas de democracia direta, questões políticas e sociais", como avisam no site do Verdurada. Outro aviso importante: nada de álcool, drogas, cigarro ou... alimentos que contenham produtos animais. O jeito é se contentar com bolinho de brócolis e hamburguer de soja...

Os ingressos custam só R$ 7 e como já está super em cima do momento da realização do festival, compre o seu na hora de entrar! Os shows acontecem na Rua Anita Costa nº155, próximo ao Metrô Jabaquara.

Programação

Sábado, dia 19/01
O Inimigo
Safari Hamburguers (Santos/SP)
Defect Defect (EUA)
C.V.O.D. (Assis/SP)
M.A.C.E.

Palestra com o médico Eric Slywitch: "Alimentação Sem Carne: Aspectos Médicos e Nutricionais"

Domingo, dia 20/01
Vieja Escuela (Argentina)
Dominatrix
Simbiose (Portugal)
Velho de Câncer (Porto Alegre/RS)
Positive Youth

Palestra com o Doutor Ruy Fernando: "Trabalho Escravo no Brasil Contemporâneo"

16 de janeiro de 2008

Programação do Rec-Beat 2008

Na semana passada expliquei o que é o Rec-Beat e adiantei parte das atrações do festival em 2008. Agora a programação completa foi divulgada (via Pop Up!) e traz muitas bandas novas, incluindo algumas das quais nunca ouvi falar e que não fazem parte do circuito de festivais. Isso é bom, já que mostra uma curadoria menos viciada e que busca dar visibilidade a novos nomes.

Programação principal

Sábado – 02/02 – A partir das 20h30
00h30 - DEVOTOS & CLEMENTE (PE / SP)
23h00 - QG IMPERIAL & RAS BERNARDO (SP / RJ)
22h00 - OS OUTROS (RJ)
21h00 - JÚLIA SAYS (PE)
20h00 - RAMMA SECA (PE)

Domingo – 03/02 – A partir das 16h
00h30 - MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU (DF)
23h20 - boTECOeletro (RJ)
22h10 – MARINA DE LA RIVA (SP)
21h00 - ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA (PE)
20h00 - TRIO POUCA CHINFRA E A COZINHA (PE)
16h30 - CONCENTRAÇÃO DO BLOCO QUANTA LADEIRA

Segunda – 04/02 – A partir das 17h
00h30 - PANICO (Chile)
23h10 - CHRIS MURRAY & FIREBUG (Canadá / SP)
22h00 - FINO COLETIVO & DAVI MORAES (RJ)
21h00 - METALEIRAS DA AMAZÔNIA (PA)
20h00 - ISAAR (PE)
17h00 - RECBITINHO – CARROÇA DE MAMULENGO (CE)

Terça – 05/02 - A partir das 19h 30
00h15 - PATO FU (MG)
23h15 - ORQUESTA TIPICA FERNANDEZ FIERRO (Argentina)
22h10 - LUCY AND THE POPSONICS (DF)
21h00 - PORCAS BORBOLETAS (MG)
20h00 - LES FRÈRES GUISSÉ (Senegal)
19h20 - BANDE CINÉ (PE)

Shows no Nascedouro de Peixinhos

Domingo – 03/02 – A partir das 15h
18h30 - SAMBA DE COCO RAÍZES DE ARCOVERDE (PE)
17h10 - QG IMPERIAL & RAS BERNARDO (SP / RJ)
16h30 - ETNIA (PE)
15h00 - MARACATU NAÇÃO AXÉ DA LUA

Segunda – 04/02 – A partir das 15h
18h30 - DEVOTOS (PE)
17h10 - boTECOeletro (RJ)
16h30 - MAGNATAS DA BEIRA MAR (PE)
15h00 - AFOXÉ OYÁ ALAXÉ

Terça – 05/02 - A partir das 14h
18h40 - CORDEL DO FOGO ENCANTADO (PE)
17h10 - CHRIS MURRAY & FIREBUG (Canadá / SP)
16h00 - CARROÇA DE MAMULENGO (CE)
15h00 - COMBO PERCUSSIVO (PE)
14h00 - TROÇA ABANADORES DO ARRUDA

15 de janeiro de 2008

Entrevista com o coletivo Fórceps no Pílula Pop

Eu, a Cacau e o Leo, também conhecidos como Fórceps, demos uma entrevista há alguns dias para o pessoal do Pílula Pop e agora ela está no ar. A chamada de capa é: "Fórceps é um coletivo formado por três pessoas que querem transformar um Jota Quest em vinte Macacos Bongs. Leo, Cacau e Marcelo contam a história (ou pelo menos seu primeiro capítulo)".

Fórceps na capa do Pílula PopNa entrevista você descobre mais sobre o que é Fórceps e quais os objetivos, Grito Rock, movimentação na cena alternativa e alguns dos nossos projetos megalomaníacos (tudo carregado da usual prepotência irônica).

Para ter uma idéia um pouco mais concreta do conteúdo, abaixo você confere parte da minha resposta e da do Leo sobre o Escambo, festival que realizamos em dezembro de 2007, explicando o que aprendemos com o festival e quais os seus objetivos.
"Marcelo: Eu aprendi que é uma ótima idéia acompanhar a previsão do tempo nos dias que antecedem um festival; que encontrar antigas paixões durante um show ruim pode ser uma ótima coisa, já que assim você tem desculpa para conversar em outro lugar; que punks de butique têm medo de pegar chuva para não atrapalhar o moicano; e que as pessoas costumam ser apenas mal-informadas, não burras.
Leo: Não dá pra esperar que surjam trabalhos interessantes se as pessoas não conhecem as músicas das bandas e vão aos shows pra ficar pedindo pra tocar Raul, Nirvana e Iron Maiden. A intenção é fazer com que as pessoas entendam que o mercado independente é viável e possui qualidade. Para isso elas precisam conhecer o que está sendo produzido no resto do país e na sua própria cidade.
Não estamos trabalhando para criar um Jota Quest, mas 20 Macaco Bong."
+ Leia a entrevista completa.

8 de janeiro de 2008

Rec-Beat 2008

Móveis Coloniais de AcajuDesde 1999, o festival Rec-Beat acontece todos os anos durante o carnaval no Recife mantendo como proposta a reunião entre o tradicional e a vanguarda. O resultado é uma seleção de bons grupos iniciantes junto a grandes nomes da música brasileira, estabelecendo-se como uma alternativa mais do que interessante para o carnaval.

O atual formato do festival teve início em 1995, em Olinda, mas suas raízes datam de 1993, com o Projeto RecBeat, que buscava divulgar as novas bandas da região de Recife. Realizado na rua, o Rec-Beat mistura a tradição dos blocos carnavalescos, manifestações da cultura regional e shows. Em suas edições passadas já se apresentaram bandas importantes como Mudhoney e Nação Zumbi, além de uma excelente seleção de nomes da cena alternativa (Mombojó, Digitaria, Macaco Bong, Vanguart, Bidê ou Balde, etc).

Em 2008, já foram anunciadas as presenças do Pato Fu, Móveis Coloniais de Acaju, Devotos, Julia Says e da banda chilena Panico, que se auto-intitula como uma banda de "tropical rave rock" (algo como The Rapture + Cansei de Ser Sexy + latinidad com muito cowbell).

Para ter uma idéia de como foi a edição 2007 do Rec-Beat (ou Rec.Beat, Recbeat), assista o vídeo abaixo, feito para o Showlivre. Detalhe: o sujeito que se apresenta como "O" carnaval (por volta dos 26 segundos de vídeo) é simplesmente me-do-nho.



7 de janeiro de 2008

Retrospectiva do Espaço Cubo retrata cena musical independente em 2007

A enorme e completíssima retrospectiva de 2007 publicada pelo coletivo cuiabano Espaço Cubo aborda a efervescência cultural presente no circuito alternativo durante o ano passado e enfoca a importância de Cuiabá na movimentação ocorrida na gestão cultural.

Festival Fora do EixoSão abordados festivais como o Fora do Eixo, o Grito Rock e o Volume, o surgimento da Casa Fora do Eixo, novo espaço para shows alternativos em Cuiabá, e, principalmente, as ações que estimularam e aproximaram as pessoas envolvidas com a música independente.

O cenário que antecede as iniciativas realizadas em 2007 e seus desmembramentos podem ser entendidos ao se ler o trecho abaixo:

"Durante anos a indústria fonográfica brasileira viveu a seguinte lógica: poucas e grandes gravadoras eram detentoras dos direitos de poucas e grandes bandas, oriundas de poucos estados brasileiros privilegiados geograficamente.

Com o advento da internet, maior acesso a softwares de gravação, e etc, essa lógica leviana foi indo por água abaixo. Como conseqüência, ficou o vício cultural ao qual estavam fadadas as bandas outrora privilegiadas geograficamente (pelo “eixo” comercial brasileiro) e as insurgentes bandas de outros estados (fora do “eixo”), que já surgiam com características inovadoras, mais coerentes com a atual situação política e mercadológica da música no país. Interessante é que, mesmo estando em estados “viciados” algumas bandas e agentes situados no “eixo” passaram a compartilhar do modelo lógico de raciocínio dos fora do eixo; Casas noturnas de São Paulo foram cada vez mais abrindo espaços para bandas de outras localidades e o público paulistano cada vez mais se familiarizando com aquilo."

4 de janeiro de 2008

Sete lembranças de 2007


# 1 O álbum: Fome de Tudo - Nação Zumbi
# 2 O álbum independente: A Marcha dos Invisíveis - Terminal Guadalupe
# 3 O show: Macaco Bong na Casa Fora do Eixo na madrugada do sábado dia 04 de agosto em Cba
# 4 A surpresa: Diego de Moraes
# 5 A mídia: Alto-Falante e TramaVirtual
# 6 Quem fez: Espaço Cubo
# 7 O mico: Jão, guitarrista do Dead Smurfs, vestido de mulher (?), errando 50% dos acordes e apresentando suas teorias sobre aranhas durante o Calango 2007 (cadê minha memória seletiva quando preciso dela?) Troféu Manguaça garantido.

As apostas do MySpace para 2008

A equipe do MySpace Brasil enviou um "recado" para seus amigos com suas apostas para a música brasileira em 2008 e a lista está repleta de nomes conhecidos de quem costuma ler o Meio Desligado, olha só:

"...esses são os 10 artistas que recomendamos que você fique de olho em 2008"


Com exceção da horrível Granada (mais uma porcaria emo clone de NX Zero), trata-se de uma boa lista. Só deslizaram também ao escrever que Los Porongas é de Minas Gerais, quando a banda é, na verdade, do Acre. Tudo bem, parece...

Aproveitando, segue abaixo a lista feita pela mesma equipe com seus álbuns nacionais favoritos de 2007:

Cachorro Grande . Todos os Tempos
Superguidis . Amarga Sinfonia de um Superstar
Terminal Guadalupe . A Marcha dos Invisíveis
Astronautas . O Amor Acabou

2 de janeiro de 2008

2007!

Cansei de Ser Sexy, Bonde do Rolê, Vanguart, Terminal Guadalupe, Macaco Bong, Ludovic, Violins, Superguidis... se houvesse um prêmio "Top of Mind" realizado pelo Meio Desligado estes provavelmente seriam os vencedores. Ao relembrar o que aconteceu no rock independente brasileiro em 2007 esses são os primeiros nomes a vir à minha cabeça. Do sucesso internacional do CSS (que não é mais independente ou muito menos alternativo, mas teve origem nessa mesma cena) à explosividade dos shows do Ludovic realizados em porões minúsculos pelo país à fora, foi um grande ano para o circuito independente.

Macaco BongÉ clichê, mas não estão errados aqueles que dizem que vivemos um momento único. A cena independente deu um salto enorme rumo à sua consolidação e o crescente movimento de aproximação entre bandas e produtores de diversas regiões foi um dos destaques do ano. Lembrando deste assunto, é preciso dizer que 2007 foi o ano de Cuiabá. Qualquer pessoa que esteja um pouco ligada aos sons produzidos fora do mainstream ouviu, ao menos uma vez, sobre a cidade, seja devido ao trabalho exemplar do Espaço Cubo, seja pelo Vanguart ou o Macaco Bong (foto ao lado).

E ao pensar em Macaco Bong é inevitável dizer que se trata de um dos shows mais incríveis da atualidade e o meu favorito do ano. Mesmo tendo visto a banda duas vezes em um intervalo de dois ou três dias (no Festival Garimpo e no Minas Instrumental, do qual farei parte da equipe de produção este ano) e o som ser instrumental, não se tratou de forma alguma de uma experiência repetitiva. Conhecer a banda e dar uma voltinha com eles também foi altamente divertido.

CanastraContinuando na categoria "shows", outro nome marcante é o Ludovic. A cada show estão melhores e a resposta do público é cada vez mais extrema. 2007 também foi o ano em que vi meu show favorito n'A Obra (até o momento): Canastra (foto à direita). Presenciei outras apresentações da banda, mas aquela noite em si foi especial, show de lançamento do álbum Chega de Falsas Promessas em Belo Horizonte, público animado e conectado com a banda, super animado. E se em momentos como o referido show do Canastra o público foi excelente, o mesmo não se pode dizer das pessoas que compareceram a outro show marcante: Vamoz!, também na Obra. "Ensurdecedor" é a classificação perfeita para a massa sonora distorcida feita pelo trio, o legítimo rock satânico 90's (leia tudo e entenda). E eu não poderia deixar de citar que o vocalista e guitarrista da banda, Marcelo Gomão, disse que meu texto sobre esse show foi o "mais divertido e diferente" que escreveram sobre o Vamoz!. Niiiiiiice!

Como a internet permite e é a melhor forma de conhecer novas bandas, nunca baixei tanta música brasileira como nesse último ano, embora tenha escutado poucos álbuns completos. Na realidade, acredito que há um volume tão grande de música sendo produzida atualmente, em tal velocidade (tanto de produção como de veiculação e, porque não, consumo), que mais parece uma espécie de "nova era do single". Algo como conhecer uns cinco semi-hits por semana e permanecer na cabeça apenas com aqueles que realmente lhe significarem algo especial. De qualquer forma, os álbuns do Terminal Guadalupe (A Marcha dos Invisíveis) e do Canastra (Chega de Falsas Promessas) são muito bons e valem a pena a audição. Outros álbuns interessantes são os novos do Hurtmold e da Nação Zumbi, além da estréia do projeto solo de Lúcio Maia, o Maquinado, e do China. Deixe a preguiça de lado e procure, não acredite na crítica...

Chegando ao fim do texto, hora de abordar um dos assuntos mais importantes e que gera maior expectativa para 2008: dinheiro! Grandes empresas perceberam
(ou estão percebendo) não apenas a movimentação no underground e a qualidade crescente das bandas desta cena, como também se deram conta de que se trata de mais um mercado a ser explorado. Os exemplos mais óbvios são as empresas que financiam o download remunerado da TramaVirtual e o edital da Petrobrás para festivais de música, mas o assunto vai além, com iniciativas como a da cerveja Sol, patrocinando os festivais da Abrafin, o Prêmio Toddy e a Pepsi, que disponibiliou o catálogo do selo alternativo Amplitude para download em seu site e também abriu espaço para que novas bandas enviassem seus mp3.

Com maior circulação de dinheiro na cena, há a possibilidade de melhores gravações, melhor estrutura para os festivais e espera-se que ao menos a maior parte das bandas não precise mais pagar para tocar (Observação idiota: o que me lembra a versão demo de "Stay Away", do Nirvana, que se chamava "Pay to Play"). Obviamente, as coisas não se transformarão rapidamente, mas está claro que 2007 foi um dos melhores anos (se não, o melhor) para a música independente/alternativa brasileira e que finalmente podemos dizer que há uma cena independente no país, ativa e interessante.

Este texto termina aqui, mas espero ter muito assunto em 2008.

Fotos: Macaco Bong: Marcelo Santiago (a.k.a "eu") / Canastra: Rafa Zk