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6 de dezembro de 2008

Diário de viagem

No final de novembro passei alguns dias entre o Rio de Janeiro e São Paulo, trabalhando e conhecendo um pouco mais essas duas metrópoles que já havia visitado algumas vezes porém ainda conhecia pouco.

No Rio, minha permanência dividiu-se entre o Leblon, Copacabana e a Lapa. De certa forma, um circuito burguês, inserido no meio artístico, que não permite uma visão ampla do contexto sócio-cultural da cidade. Mesmo assim (ou, provavelmente, justamente por isso), gostei muito do que vi. Principalmente da Lapa.

Que cara é essa meu filho?Não tinha noção do que era a Lapa, com suas construções antigas, as diversas casas dedicadas ao samba e a shows, o clima, o movimento. Se já fiquei espantado ao conhecer o Circo Voador (finalmente, depois de ouvir dezenas de histórias sobre o lugar), meu queixo simplesmente caiu enquanto eu percorria as instalações da gigante Fundição Progresso ao lado do Adilson Pereira (ex-editor da revista OutraCoisa, atualmente escrevendo no blog Samba Punk) e da Danusa Carvalho (minha chefe, mais conhecida por seu trabalho com a Cássia Eller e Seu Jorge e que em breve passará a ser citada como “a produtora da Aline Calixto e do Renegado!”).

Terraço da Fundição ProgressoApós uma breve passagem pelo Claro Cine, no dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra, trabalhei na Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UEE/RJ, no Circo Voador, com shows do B Negão e os Seletores de Frequência, Marcelinho da Lua e Renegado. Foram bons e animados shows mas que acabaram suprimidos pela profusão de novos estímulos a que minha mente estava submetida. Some-se a isso as presenças desconcertantes da Júlia Ribas e Aline Calixto e um camarim bem servido em termos de álcool (frequentemente visitado por um videasta louco e bebum em busca de cerveja e que mais tarde naquela noite faria uma performance hilária na área de exibição de curta-metragens no evento) e você tem um Marcelo bastante ligado e disperso, na ânsia de conhecer, experimentar e observar um pouco de tudo você acaba não se fixando em nada.

Show no SESC PompéiaSabe o sentimento descrito acima? Multiplique-o por 32, divida por 3, adiciones 8 e você terá a minha sensação em São Paulo. Um microcosmo a ser explorado em tão pouco tempo. Cortesia da Mostra Contemporânea de Arte Mineira, evento que reuniu diferentes manifestações artísticas de Minas Gerais no SESC Pompéia, com idealização da Débora Falabella, Yara de Novaes e Gabriel Paiva.

SESC PompéiaEm São Paulo, o SESC Pompéia provocou em mim o mesmo que a Fundição Progresso no Rio. Não imaginava que o local fosse tão amplo e diversificado, com toda aquela beleza ao mesmo tempo rústica e cult.

Na sexta, após os shows na Mostra Mineira, acompanhei Daniel “Indiada Magneto” Saavedra no show do Forgotten Boys no CB e em seguida parti para a Eazy, onde pretendia conferir alguns shows do SP Noise, principalmente o do Black Mountain. Para minha surpresa, estava acontecendo uma festa de música eletrônica (“psytrance”, segundo um dos promoters me informou) no local. O SP Noise havia acabado mais cedo, por volta das dez da noite. “Caralho!”. É nisso que dá não conferir o que você mesmo escreveu antes de ir a um evento. De qualquer forma, como já estava ali e havia informado ao sujeito da porta que eu era jornalista, ele liberou meu acesso à sua querida festa de psytrance (estilo que adoooooro, claro) e ainda liberou que eu chamasse alguns amigos, se quisesse. Em BH, eu até conheceria várias pessoas que sairiam da cama com animação diante de um convite desses, porém, em São Paulo, o resultado foi uma fugaz e solitária visitada a uma típica balada de playboy paulistana (ou seja, música ruim, menos mulheres bonitas do que em BH e preços altos). “Tsc tsc, hora de voltar pra Augusta”.

Hospedado ao lado do Inferno, meu acesso às opções de entretenimento (curtiu o eufemismo?) da Augusta foi facilitado, assim como a locais como o Itaú Cultural (onde visitei uma exposição excelente, chamada Cinema Sim – Narrativas e Projeções) e o MASP (prefiro o MAM). Apesar de não ter nenhum compromisso inadiável no sábado, exceto aqueles estabelecidos entre eu e a cidade, atrasei novamente para chegar ao SP Noise em sua segunda e última noite, o que resultou na perda da maioria dos shows. Cheguei por volta das oito da noite e tudo o que ouvi foram os últimos ruídos do Black Lips no palco, o show que eu mais queria assistir, Helmet e Vaselines.

Inevitável ficar um pouco pasmo com a velhice de Page Hamilton, vocalista, guitarrista e dono do Helmet, que, agora, me pareceu apenas uma banda de new metal, longe da imagem de monstro do metal alternativo que eu tinha quando assistia aos clipes da banda no Alto-Falante, 10 anos atrás.

Vaselines no SP NoiseImaginei que fosse extremamente estranho assistir ao The Vaselines logo em seguida ao show pesado e distorcido do Helmet, mas levou-se tanto tempo para preparação do palco que o indie rock selecionado pelo DJ conseguiu preparar bem o ambiente e dispersar o clima metal anos 90.

Tudo que conhecia da banda se limitava às covers feitas pelo Nirvana e uma ou outra música da banda, nenhuma delas geradora de muito interesse da minha parte. Acabei dando mais atenção à nostalgia do momento e pensamentos como “Putz, quando eu poderia imaginar que veria ao vivo a versão original de `Molly´s Lips´?” do que ao show em si, que me pareceu o de uma banda de indie rock qualquer. De que adianta o fator histórico se a música em si (que é o que importa em um SHOW) não lhe significa nada?

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