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27 de setembro de 2008

A cultura do remix (na pornografia, na arte e na publicidade)

No próximo dia 11 de outubro a grife Diesel realiza a festa Diesel XXX, que terá edições em 17 cidades de diferentes países (a única cidade sul-americana é São Paulo). Apesar de ter boas atrações musicais na programação, como Soulwax, Friendly Fires e 2ManyDJs (a brasileira Bonde do Rolê também está escalada e toca na edição de Tóquio, mas não está entre a parte boa da programação, é claro), o que mais se comentou nesta semana foi a estratégia de divulgação da festa: imagens pornográficas retrabalhadas com um caráter cômico, gerando um excelente vídeo e um site com "pornografia para ser vista no trabalho".



O marketing viral da Diesel é mais uma amostra das transformações acontecidas na era digital: o desenvolvimento da cultura do remix e seu desdobramento por diferentes áreas. O tema é amplo e cada vez mais presente em nossas agendas. Consequentemente, sua visibilidade também tem aumentado. Lawrence Lessig, criador do Creative Commons e autor do livro Cultura livre: como a grande mídia usa a tecnologia e a lei para bloquear a cultura e controlar a criatividade, dedica seu novo livro, A era do remix, ao tema; o documentário Good copy, bad copy aborda o assunto; e até no site do Ministério da Cultura é possível encontrar discussões sobre o assunto.

Aproveito para republicar trecho do texto que escrevi sobre o assunto no Dispepsia, blog que edito como parte de um projeto sobre mediação cultural através de blogs:
"A ação da Diesel dá visibilidade a algo cada vez mais comum em outros meios, como a música e a fotografia, nos quais a chamada cultura do remix tem muitos adeptos e crescente visibilidade. Trata-se de se apropiar de algo criado previamente por outra pessoa e juntá-lo a outras obras, modificando seu sentido original de forma que o resultado final seja uma nova obra.

Nas ruas, é comum a utilização de stencil e stickers nos quais fotografias são retrabalhadas para criar novo sentido (na maioria dos casos, de modo cômico ou relacionado ao ativismo político). Na música, álbuns inteiros são criados apenas com o uso de trechos de outras músicas. E na fotografia há uma longa tradição na utilização de colagens de imagens diversas.

O que ocorre atualmente é que a cultura digital potencializa o surgimento de novas obras derivadas de outras pré-existentes porque torna fácil a manipulação do conteúdo, seja ele áudio, vídeo ou imagens estáticas. Ao abolir a necessidade de conhecimento técnico para a manipulação das obras a cultura do remix aflora e demonstra que nada termina em si mesmo. Tudo pode ser retrabalhado e transformado em algo novo."

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