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26 de setembro de 2008

Cobertura do terceiro dia de Jambolada

(Antes tarde do que nunca, é o lema da semana)

Em seu terceiro e último dia (desconsiderando o show do Luiz Melodia, realizado uma semana antes numa parceria entre o projeto Arte na Praça e o festival), o Jambolada mudou de palco e foi realizado no campus da Universidade Federal de Uberlândia com entrada gratuita. O ambiente aberto e arborizado, somado ao clima universitário, encaixou extremamente bem com a diversificada programação do dia.

As maiores surpresas foram a sambista Aline Calixto (BH), que provocou os momentos mais animados da noite e fez o único bis de todo o festival (após longa insistência por parte do público); o rapper Renegado (BH), que mesmo ainda desconhecido na cidade reuniu boa parte da platéia para cantar e dançar juntos sua mistura de hip hop, samba, black music e ragga; e a banda acreana Filomedusa, que mostrou ter ao vivo uma surpreendente potência sonora.

FilomedusaA Filomedusa foi responsável por agradar os fãs de rock presentes. Com boas bases instrumentais e um guitarrista destruidor, bem ao estilo 70´s, um dos poucos pontos negativos da banda ao vivo é o vocal, que, para mim, mostra-se inapropriado em alguns momentos. Antes do Filomedusa, quem abriu a programação foi a banda local Ophelia and the three, que apesar de ter bons (e jovens) instrumentistas, ainda tem um longo percurso a ser feito para levar seu rock singelo e retrô para longe da banalidade.

Realizando a turnê de lançamento de seu álbum de estréia, Do Oiapoque a Nova Iorque, produzido por Daniel Ganjaman (Mombojó, Instituto, Sabotage, Forgotten Boys), Renegado apresentou pela primeira vez em Uberlândia seu trabalho, fruto da fusão sonora que busca tirar o hip hop de abordagens estereotipadas e ampliar seu potencial, tanto artístico como de mercado. Músicas como "Mil grau" (na qual se aproxima da black music) e "Meu canto" (excelente junção de samba com hip hop, longe da banalidade) demonstraram ao público presente que é possível misturar diferentes gêneros e manter uma unidade sonora concisa e dançante.

Distanciando-se ainda mais do rock ´n´ roll dominante nas noites anteriores do Jambolada, Aline Calixto e o grupo Eterna Chama envocaram as clássicas rodas de samba no mesmo festival que no dia anterior havia recebido o hardcore/trash do Ratos de Porão. Melhor para o público, que pôde conferir mais uma vez como a diversidade cultural brasileira gera manifestações tão díspares e interessantes. Com um repertório mesclando composições próprias, de novos autores mineiros e clássicos do samba, esse foi um dos últimos shows de Aline antes de entrar em estúdio para as gravações de seu primeiro CD, que será lançado pela multinacional Warner Music em 2009.


Fechando o domingo, a lenda do soul e da black music mineira Marku Ribas mostrou o que é swing para as novas gerações em um extenso show, que terminou com o hit "Zamba bem".


Obs.: Fico super feliz em ver Aline Calixto e Renegado crescendo e ganhando espaço. São artistas com os quais trabalho na Casulo Cultura e sei o quanto são comprometidos com suas carreiras e seus trabalhos artísticos.

Foto: Marco Nagoa

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