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9 de setembro de 2008

Cobertura do Eletronika 2008 - parte 2

5:00 de domingo, 31 de agosto de 2008. O fim do meu Eletronika 2008 e estou a fim de meter uma bala na cabeça ou, sendo mais fiel à realidade, a fim de sumir e me desligar do mundo por uns bons dias. Para piorar, eu e o Nathan ainda nos perguntamos por que continuamos a ir a um lugar como a Velvet (e ficar até o início da manhã) sabendo que, invariavelmente, tocarão electro-house na pista a partir de algum momento, não importa qual seja a festa em questão. No flyer do dia em questão, por exemplo, estava escrito: rock, garageiras e indie. Saímos de lá ouvindo techno-house farofa e um remix vergonhoso de Nirvana. *

Velvet ClubAntes disso, no entanto, Fabrício Nobre, figura marcada na cena de rock independente brasileira, havia feito um dos melhores sets que já conferi na Velvet, tocando Death From Above 1979, Black Lips, Clash, Wolfmother e outras bandas barulhentas e excelentes.

Depois dele, os gringos do Asobi Seksu colocaram seus iPods à postos para despejar sobre os presentes suas seleções de hits indie (e alguns mainstream) dos anos 90, como Pavement e Smashing Pumpkins, e algumas bandas mais recentes, como Interpol, TV on the Radio e CSS.

A festa na Velvet não fez parte da programação oficial do Eletronika, mas foi quase isso, uma vez que o clube contou com artistas da programação do festival em suas pick-ups após os shows e o bar do Eletronika também estava por sua conta.

De qualquer forma, depois de tantos shows em um ambiente tão recatado como o Palácio das Artes, encher a cara no fim do domingo era uma necessidade.

Macaco BongImagine só como foi assistir ao destruidor e impressionante show do Macaco Bong sentadinho e sem beber? Estranho, estranho. Mas, felizmente, algumas bandas excelentes funcionam muito bem em qualquer local e o Macaco Bong é uma delas, sendo responsável pelo que foi sem dúvida um dos melhores shows do Eletronika.
A banda ainda representou um contraponto à maioria das atrações, ao restringir-se ao uso de seus instrumentos “crus”, sem efeitos ou parafernálias eletrônicas, e demonstrar que experimentação não depende necessariamente de avanços tecnológicos (apesar dos mesmos serem bem-vindos).

MonnoAntes do Macaco, quem abriu a última noite de festival no pequeno Teatro João Ceschiatti foi o local Monno, que fez o show mais concorrido no espaço. Desde o lançamento de seu segundo EP, Agora, o grupo demonstra melhor desenvoltura no palco, ficando bastante próximo da sonoridade alcançada em estúdio. Show conciso e repleto de boas canções de indie rock com apelo pop. Contaram com a participação de Juliano Rosa, do Tênis, no teclado durante todo o show (pela primeira vez?) e de Paulo Barcellos no trompete em “21 dias”, faixa que fecha Agora.

A banda paulista Pop Armada fez o terceiro e último show do João Ceschiatti, provavelmente o menos visto de todo o evento. A culpada? Mallu Magalhães, claro. A fã de Johnny Cash e Beatles mais comentada da América do Sul fez sua estréia em palcos mineiros ao mesmo tempo que a banda e, é claro, não são necessários muitos neurônios para saber quem saiu perdendo (até porque eu já contei no início do parágrafo, né, sabidão?). Lembrete: não repetir isso ao escrever meu romance épico, Vamos para Mimoso com Jesus (e um pouco de haxixe)?.

Perdi o início do show de Mallu, pois o mesmo começou pouco antes do Macaco Bong terminar sua apresentação. Ao entrar no Grande Teatro, onde a garota se apresentava, o baque foi instantâneo. Longe do folk ingênuo e banal que esperava, Mallu soltava a voz em uma performance que lembrava Portishead. O restante do show, no entanto, não justificou o hype, apesar de consolidar a cantora como artista de grande potencial para o futuro.

Mallu MagalhãesCom certeza não deve ser fácil se apresentar em um teatro consagrado e lotado por pessoas que estão ali, na maior parte, apenas por sua causa. Ainda mais quando você tem apenas 16 anos recém-completados. Mesmo assim, Mallu conteve bem o nervosismo e a timidez, que não a impediu de dançar e rodar nas pontas dos pés, brevemente, como aquelas pequenas e frágeis bonecas de caixinhas de música. A timidez (ou algo mais) aflorou apenas no fim do show, quando saiu correndo do palco para, em seguida, voltar, atrapalhada (e correndo), dizer “tchau” para o público. E sair correndo outra vez sem olhar para trás. Pelo visto, ela também tem influências de Oasis (piadinha-com-link infame n°3.457).

HurtmoldApós o folk-pop-bubblegum, subiu ao palco o sexteto paulista Hurtmold, provavelmente a banda mais relevante do rock experimental brasileiro dos últimos 10 anos. Show lisérgico, de início mais barulhento e que, da metade até o final, contou com a participação de Paulo Santos, do Uakit, tocando os estranhos e originais instrumentos percussivos de seu grupo. No ano passado o Hurtmold lançou um álbum homônimo, considerado por parte da crítica o melhor de sua carreira, cujas músicas foram apresentadas ao público da capital mineira pela primeira vez durante o Eletronika.

A única música cantada de todo o show foi “Desisto”, do álbum Cozido, tocada em novos e quase irreconhecíveis arranjos. Minha única reclamação sobre este histórico show foi a ausência de “Miniotário”.

Seguindo a programação original, após o Hurtmold o festival terminaria com os gringos Asobi Seksu. Mas como a Lucy and the Popsonics havia sido impedida de tocar na noite anterior, na Roxy, devido a problemas técnicos, a banda foi inserida antes do Asobi. Péssima idéia.

Praticamente todo o público que compareceu ao Grande Teatro estava ali por causa de Mallu Magalhães ou Hurtmold, talvez ficando até o show do Asobi Seksu apenas para conferir um show bônus e não ficar com peso na consciência por ter perdido um show internacional em uma cidade como BH, onde boas bandas de outros países se apresentando é raridade. Asobi é uma banda totalmente inexpressiva no Brasil (imagine em BH, então) e, portanto, não faria com que muita gente permanecesse para vê-la. Ao inserir o fraco Lucy and the Popsonics antes, o cansaço e a preguiça do público apenas aumentaram.

Em um curto show cujo único destaque foi a guitarra distorcida - próxima do metal em vários momentos – contaram com a participação de John Ulhoa, guitarrista do Pato Fu, em duas músicas: “Coração empacotado”, a mais conhecida da banda, e “Garota rock inglês”.

Fechando a noite e tocando para uma pequena e dispersa platéia, o Asobi Seksu não conseguiu justificar sua vinda ao Brasil, mas fez um show aceitável, com bons momentos de noise e muitos resquícios do rock alternativo americano dos anos 90.

Entre as cerca de 50 pessoas que assistiram ao show, ao menos um sujeito cantava junto quase todas as músicas e dançava ininterruptamente. Como escrevi antes, cada um tem seu festival pessoal.

* Nota: qualquer remixe de Nirvana é vergonhoso.

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