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21 de agosto de 2008

Pin Ups - Lee Marvin

Uma das grandes qualidades de qualquer manifestação artística é sua capacidade de refletir o espírito de uma época, absorver características e sentimentos daquele momento e imortaliza-lo. Na música, alguns álbuns conseguem tal proeza e se tornam clássicos enquanto outros são tachados de “datados”. A linha que divide ambos é aparentemente tênue, porém um clássico se diferencia por seu potencial de representar os sujeitos daquela época, recriar aquele ambiente e torná-lo presente novamente através da música. Esse é o grande trunfo de Lee Marvin, quinto álbum do Pin Ups.

Independente de datas, momentos históricos e representatividade, trata-se de um bom álbum de rock alternativo com pegada grunge-punk, mas o Pin Ups vai além. Não importa se você não viveu ativamente os anos 90 enfurnado na cena underground brasileira; não importa se você ainda era criança; não importa se você sequer entendia o que era “indie rock” naquela época. Ao ouvir cada canção de Lee Marvin, é como se o mundo se tornasse acinzentado e ruidoso, com paredes pesadas de distorção e energia punk carregando os resquícios grunge, relembrando um período em que o inglês era o idioma semi-oficial da cena alternativa. “Welcome back to the 90´s”, estamparia o adesivo em uma imaginária reedição do álbum para as novas gerações.

Ironicamente, a primeira música, “Weather”, é a mais calma de todo o CD. A ironia aqui é que se trata de uma canção quase shoegazer, vertente indie também em alta na cena independente nacional durante grande parte dos anos 90, e que deixa o ouvinte totalmente desprevenido para a pauleira que virá em seguida, com “It´s Your Turn”. É uma das mais incríveis sequências de abertura de uma banda alternativa brasileira, com as duas músicas já citadas mais “Guts” e “Loneliness”, todas carregadas de distorção e peso, porém melódicas e com a suavidade trazida pelo contido vocal feminino.

Na outra metade de Lee Marvin o Pin Ups é quase uma banda de hardcore, trazendo a memória (ou imaginação) dos shows da banda pelos porões sujos e quentes do país, diminuindo o ritmo apenas em “You Shouldn´t Go Away”, música que poderia perfeitamente ter sido um hit do Green Day em sua fase Dookie, no auge do boom do “rock alternativo” americano.

Se tanto a banda como a época em questão acabaram, nos resta apenas aumentar o volume e aproveitar o que restou.

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