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26 de janeiro de 2008

As decepções de um (pseudo) jornalista tapado (ou "Electro/Rock em dias complicados")

Club Silêncio no MySpaceHá algumas semanas a banda brasiliense Club Silêncio tocou em Belo Horizonte na Obra junto ao projeto eletrônico Retrigger. Já conhecia a banda via MySpace e, em uma segunda audição, achei bem interessante. Mais interessante ainda era a foto da banda no site, que mostrava um quarteto de gatinhas indie (ao lado) prontas para serem abordadas por um pseudo-jornalista babão e sem noção.

Com a esperança de pegar um um broto brasiliense em mente (e também com intuitos "jornalísticos", é claro), tentei marcar uma entrevista com a banda antes do show. "Elas ficarão bêbadas, com certeza, enchendo a cara de graça, e isso facilitará para que minha abordagem seja certeira", passava em minha mente (ou quase isso, trocando o vocabulário correto por um monte de gírias e termos chulos, tipo "vai sê enrabada mermo, porra!").


Para minha sorte, ninguém da banda utiliza o MySpace ou visita a comunidade da banda com a devida frequência e por isso a entrevista não foi marcada. Digo que tive sorte porque, na verdade, e para minha infeliz surpresa, a banda é formada por quatro indiezinhos feios-nerds (com exceção do guitarrista/tecladista, que é um gatinho, ui!)! Você pode até levar a sua vida de acordo com as bundas e peitos que encontra pela frente, mas, definitivamente, sua vida jornalística não pode ser definida por outra cabeça além da que você leva (por enquanto) acima do pescoço.

O verdadeiro Club SilêncioAntecedendo a decepção visual n'A Obra, os momentos anteriores ao show também não foram os melhores: mezzo reconciliação com a ex (péssimos momentos de volta à mente); uma hora bebendo sozinho no bar da Obra; e caminhadas solitárias sem rumo. Ainda bem que a Camila me salvou do meu sono na Obra e seu grupo de amigos me entreteve enquanto o DJ mesclava erros e acertos (entre os acertos que me lembro estavam Black Lips, Primal Scream e Hot Hot Heat. Os erros eu esqueci, memória seletiva serve para isso).

Boa parte do público presente estava ali para prestigiar a atração local, Retrigger, projeto de breakcore (ou qualquer outro nome que queiram dar música ultra acelerada e esquizofrênica, cheia de samples e influências que vão do jazz ao industrial) e de certo renome na cena eletrônica underground. E foi, com certeza, uma apresentação histórica, durando cerca de dez segundos. Tempo suficiente para o Raul, o homem por trás do projeto, dizer algumas palavras inescutáveis em seu megafone e perceber que seu notebook havia dado pau. Fim do show.


Chegando ao Club Silêncio, à decepção visual somou-se certa decepção sonora. Apesar de algumas boas passagens instrumentais, mesclando electro e distorções à la Jesus And Mary Chain, o som tem pouca identidade e o vocal é péssimo. Pouco adianta dar nomes excelentes para as suas músicas, como "Depeche Mode" e "Carla Perez", se elas são ruins (correção: "Depeche Mode" é a melhor canção da banda até o momento. Na categoria de "músicas ruins com bons nomes" entram, na verdade, a já citada "Carla Perez", "Sandy" e "Vem Baiana", entre outras). Na maior parte do tempo, a melhor opção era torcer para que o vocalista ficasse calado e observar as viradas do ótimo baterista da banda. Ao que tudo indica, não é o caso de uma banda ruim, mas apenas despreparada ou "crua" demais.

O verdadeiro Club Silêncio versão p/b
Ao menos consegui fazer algumas fotos legais...

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