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29 de dezembro de 2007

Conhecendo as cenas através da TramaVirtual (e do YouTube)

A gravadora Trama teve a excelente idéia de utilizar o YouTube como plataforma para sua aproximação junto ao público e vem disponibilizando no site clipes, videos de shows e, para o nosso interesse, todo o material produzido para o programa de TV da TramaVirtual.

Até o momento, o canal da TramaVirtual no site possui cerca de 300 vídeos, incluindo apresentações de bandas no estúdio da Trama, entrevistas, cenas dos bastidores de gravação e coberturas dos festivais independentes que acontecem pelo Brasil. E é justamente aí que se encontra o ponto forte da empreitada.

Ao visitar os festivais, a equipe da TramaVirtual não apenas mostra o que aconteceu naquele evento específico, mas também dá visibilidade à cena daquela determinada região, conversando com organizadores dos festivais e membros das bandas locais.

Então, se você perdeu as exibições do programa no canal Multishow, aproveite a seleção de alguns dos blocos "Visitando a Cena" dispostos abaixo e conheça um pouco mais sobre o que acontece na música brasileira independente atualmente.

Visitando a cena de Brasília



Festival Varadouro 2007, no Acre


13º Goiânia Noise, em Goiás


Festival No Ar Coquetel Molotov 2007, em Pernambuco


Festival Se Rasgum no Rock, no Pará



sites e blogs para se informar sobre música (parte 2)

Rraurl >> Provavelmente o melhor site brasileiro sobre música eletrônica. Completou 10 anos em 2007 e fez uma reformulação que o deixou ainda mais completo e organizado, mais próximo dos conceitos de web 2.0 e de comunidade virtual.
Auditoria >> novo canal do gigante Update or Die, dedicado à música. Acaba ficando muito fechado em "curiosidades musicais", mas é bom.
Aleatório >> versão digital do programa de rádio que o Bruno Maia, do sobremusica, tem semanalmente na Multishow FM. Muita música boa e inusitada, de vários estilos.
Imagine mp3 >> Investida da Samsung na área de blogs, trata de música e cultura pop com bom humor. Destaque para o garimpo de porcarias pop lado a lado com notícias mais alternativas.
Estúdio Zero KM >> Blog do Rodrigo Lariú, dono da Midsummer Madness.

+ Parte 1 da lista.

28 de dezembro de 2007

Macaco Bong lança primeiro videoclipe, "Shift"

Meeeeeetaaaaaaaaal, uma putinha black power, um pastor anticristo pregando Nietzsche e o cara que se fode. Isto é o que você irá encontrar em "Shift", nova música do Macaco Bong cujo videoclipe acaba de ser lançado.

Ao vivo, sempre ficou clara a influência dos sons mais extremos na música do Macaco Bong, mas ao conferir "Shift" essa influência fica explícita. A música é incrível e torna a espera pelo álbum de estréia da banda ainda mais angustiante.

O clipe foi feito pelos alunos de uma das oficinas da SEDA - Semana do Audiovisual de Cuiabá e foi lançado nesta semana. A produção de baixo orçamento (eufemismo para "tosco") tem os integrantes da banda como protagonistas e é simplesmente hilário, principalmente para quem sabe como são os caras pessoalmente.



A música da vinheta também é do Macaco Bong e se chama "Compasso em Ferrovia". Também é possível conferir todo o processo de realização do vídeo no making of disponibilizado no YouTube.

Os melhores álbuns de 2007 (segundo os outros)

Analisando as listas dos melhores álbuns nacionais de 2007 publicadas na internet, é possível perceber alguns nomes que se repetem e, no final das contas, talvez se possa afirmar que os álbuns abaixo foram os mais relevantes do ano. Ao menos para a crítica.
ViolinsOrdem de reincidência em listas de "melhores do ano":
1. Violins (foto) - Tribunal Surdo
2. VanguartVanguart
3. Superguidis - A Amarga Sinfonia do Superstar
4. AutoramasTeletransporte
5. Nação Zumbi - Fome de Tudo
6. ChinaSimulacro
7. HurtmoldHurtmold
8. Kassin + 2Futurismo
9. Terminal Guadalupe - A Marcha Dos Invisíveis
10. Orquestra Imperial - Carnaval Só No Ano Que Vem
11. Gui Boratto - Chromophobia
12. Bonde do Rolê - With Lasers
13. Fernanda Takai - Onde Brilhem Os Olhos Seus
14. Vamoz! - Damned Rock and Roll
15. Lucy and The PopsonicsA Fábula (ou a Farsa) De Dois Eletropandas
16. Pato Fu - Daqui pro Futuro
17. Pata de Elefante - Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha

Como foi o Festival ESCAMBO

A partir da esquerda: Coisinha, Natan, Lenny Kravitz, Bim
O cansaço foi enorme, mas o resultado valeu o esforço: a primeira edição do ESCAMBO foi muito boa e tudo correu bem, apesar de alguns pequenos inconvenientes (como o atraso no início das atividades). Sabiamente, transferimos os shows para o interior da escola, fugindo das pancadas de chuva que caíram durante o sábado, e o público se comportou tão bem que até os desenhos dos alunos da 3ª série que decoravam as paredes da sala permaneceram intactos.

A palestra do Claudão sobre a cena independente foi ótima e muita gente ficou boquiaberta com a oficina de produção caseira do Danelectro. Muito obrigado aos dois pela presença, foram participações que enriqueceram em muito o festival e que levaram conteúdos aos quais dificilmente o público da cidade teria contato.

Durante minha oficina sobre divulgação na internet um dos assuntos que mais chamou a atenção dos participantes foi o Creative Commons, o que está diretamente ligado ao medo que muita gente ainda tem de colocar suas músicas na rede. O complemento da oficina estará em breve no blog do Fórceps, com links para todos os sites citados e informações adicionais.

Mesmo não sendo obrigatória a entrega de 1 kg de alimento na entrada, muita gente colaborou e mais de 80 kg de alimentos foram arrecadados. Os alimentos serão doados ainda esta semana para uma associação de apoio a comunidades carentes.

É preciso admitir que o nível das bandas surpreendeu e isto faz com que todos nós fiquemos ainda mais empolgados para o Grito Rock, que promete ser ainda mais visceral (e rocker). Cold Eaten Plate e Celavi, as únicas bandas a se apresentar que eu ainda não havia visto ao vivo, fizeram os dois melhores shows do festival e geraram bastante interesse no público.

A repercussão na mídia também foi excelente, rendendo matéria de capa no site do Alto-Falante, no site da UFMG, no portal UAI e em diversos sites de agenda de Belo Horizonte, comprovando a importância do festival.

Agradecimentos especiais à Prefeitura de Sabará, que garantiu o lanche para as bandas e equipe de produção, além do espaço para os shows; à banda Toim do Amparo e ao Wagner, pelo empréstimo do equipamento de som; ao pessoal do Trianon, que também ralou bastante na produção e na mesa de som; e a todas as bandas que se apresentaram. E, é claro, muito obrigado ao público que compareceu e participou da troca de experiências do festival. Sem vocês não haveria nada disso.

Você pode ler mais sobre o ESCAMBO no blog do Fórceps, mas creio que a foto que abre este texto e o vídeo abaixo, feito no fim do festival, são suficientemente esclarecedores no quesito "rocker".



Foto feita pela Cacau e manipulada por mim. Vídeo filmado por mim.

26 de dezembro de 2007

Humaitá Pra Peixe 2008

O circuito de festivais independentes começa em 2008 com o Humaitá Pra Peixe, realizado na cidade do Rio de Janeiro entre 4 e 31 de janeiro, com atrações todos os dias. O formato do festival é um pouco diferente do convencional e estende sua programação por 28 dias, com shows, oficinas e debates, que acontecerão em cinco locais da cidade.

Humaitá Pra PeixeApós 14 anos de existência, a edição 2008 do Humaitá conta com grandes patrocinadores, dando uma amostra do que esperar em termos de dinheiro investido por grandes empresas na música independente brasileira neste ano que começa. Além da verba conseguida com a Petrobrás, através do edital da empresa para o patrocínio de festivais independentes, o Humaitá Pra Peixe também é patrocinado pela Oi Fm, co-patrocinado pela Toddy e a cerveja Sol.

As inscrições para as oficinas podem ser feitas no site do festival e custam R$20, mas a oficina de produção musical que será dada por Chico Neves já está esgotada. E por falar no site (que ainda não está completo), há uma boa notícia: todos os shows do Humaitá serão transmitidos ao vivo na internet! Grande oportunidade para quem quiser conferir as apresentações do Maquinado, Macaco Bong, Fino Coletivo e outros, mas não tem como se deslocar até o Rio de Janeiro.

Programação completa do Humaitá Pra Peixe 2008:

SHOWS (sexta, sábado e domingo) às 19hs, na sala Baden Powell
Dia 04 – Raphael Gemal / Roberta Sá
Dia 05 – Do Amor / Vanguart
Dia 06 – Cabeza de Panda / Maquinado
Dia 11 – Silvia Machete / João Brasil
Dia 12 – Manacá / Frank Jorge
Dia 13 – Darvin / Strike
Dia 18 – Superguidis / Érika Martins & Telecats
Dia 19 – Songoro Cosongo / Z'Africa Brasil
Dia 20 – Macaco Bong / Jay Vaquer
Dia 25 – Oswaldo G. Pereira / Fino Coletivo
Dia 26 – Moyseis Marques / Diogo Nogueira
Dia 27 – Show surpresa!!!

TALK SHOWS (segundas) às 21hs, na
Cinemathéque
07 – Toni Garrido + David Moraes
14 – Moreno Veloso + Kassin + Domenico
21 – Mar’tnália + Paulinho Moska
28 – Rodrigo Maranhão + Pedro Luis

PAPO DE BAR/DEBATES (terças) às 18hs, na Mofo
08 – Indústria Fonográfica: Presente, Passado, Futuro
15 – Festivais e Festivais
22 – Fomentando a cena
29 – Artista: Aonde estou? Para onde vou?

OFICINAS (quartas) às 18hs, no estúdio Be Happy
09 – Dunga – Baixo
16 – Fernando Magalhães (Barão Vermelho) – Guitarra
23 – João Barone (Paralamas do Sucesso) – Bateria
30 – Chico Neves – Produção Musical

LANÇAMENTOS DE DISCOS (quintas) às 19:30hs, no Oi Futuro
10 – Os Outros
17 – Columbia
24 – Vulgo Qinho & Os Cara
31 – Quito Ribeiro

Sobre os locais:
Sala Baden Powell. Capacidade: 500 pessoas. Localização: Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 360, Copacabana, Rio de Janeiro.
Cinemathéque. Capacidade: 240 pessoas. Localização: Rua Voluntários da Pátria, 53, Botafogo, Rio de Janeiro. Tel: (21) 2266-1014.
Mofo. Localização: Rua Barão do Flamengo, 35, Rio de Janeiro. Tel: (21) 2179-8284
Estúdio Be Happy. Localização: Rua Rodrigo de Brito, 38, Botafogo, Rio de Janeiro.
Oi Futuro. Localização: Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo, Rio de Janeiro. Tel: 3131-3060

24 de dezembro de 2007

Melhores vídeos de 2007?

Com certeza, esta não é uma lista dos melhores vídeos de bandas brasileiras feitos em 2007, porque seria uma bobagem fazer algo do tipo. Trata-se de uma seleção dos nossos videoclipes favoritos deste ano, nessa categoria (tupiniquim e independente/alternativo).

"Beautiful Life", Gui Boratto



Grandes idéias dispensam execuções mirabolantes e ainda assim alcançam resultados geniais. O vídeo de "Beautiful Life", do produtor brasileiro Gui Boratto, dirigido por Cadú Datoro, é um excelente exemplo disto e mostra como é possível usar a simplicidade à favor de um conceito totalmente conectado à música.

Eleita uma das melhores músicas de 2007 por vários veículos especializados, "Beautiful Life" é ótima de qualquer forma, seja apenas ouvindo ou assistindo ao clipe. Cada maneira possui suas singularidades, é claro, e leva à diferentes experiências, mas ambas estão relacionadas àquela estranha sensação de que, apesar de todas as merdas que acontecem, é possível ser feliz (sem soar piegas).

Pílula de auto-ajuda condensada em formato audiovisual? Talvez. Mas deixemos o nosso hedonismo aflorar um pouco e nos concentrar naquilo que nos faz sentir bem, não?

+ assista até o fim ou você não entenderá.

"Bossa Nostra", Nação Zumbi



O metafórico vídeo de "Bossa Nostra", faixa que abre Fome de Tudo, mais recente álbum da Nação Zumbi, foi dirigido por Ricardo Carelli e Ricardo Fernandes, da produtora Dínamo Digital. A mistura de técnicas como animação digital, stop motion e 2D foi muito bem realizada e alcança um ótimo resultado, complementado a música e possibilitando novas interpretações.

As inserções de imagens da banda durante os momentos mais pesados da música, quando os membros aparecem com "capacetes" esquisitos, também ficaram muito boas e se relacionam com a história do personagem mutante do vídeo.


"Lugar Algum", monno



Solidão, tristeza, incerteza. "I'm gone, get comfortable w/o me ("Fui embora, fique bem sem mim"), diz o recado postado sobre o corpo do protagonista do vídeo de "Lugar Algum". Soa familiar?

Criado a partir de um curta-metragem dirigido pela americana radicada em Belo Horizonte Rachel Dana, vídeo e música de "Lugar Algum", da banda mineira monno, se aprofundam na dor da separação, arrependimentos e dúvidas. O clima melancólico é completado pelos personagens sozinhos e estáticos ou perdidos caminhando pelas ruas, como se estivessem à procura de algo, mas se encontrando em lugar algum.


Outros bons vídeos:
"Eu Fiz Pouco Caso de Um Gênio", Ludovic
"Rinha de Magnata", Mukeka di Rato
"Long Plays", Pública
"Mundo Moderno", Autoramas

21 de dezembro de 2007

Calendário de festivais independentes em 2008

Festivais ligados à Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes).

HUMAITÁ PRA PEIXE (Rio de Janeiro - RJ) 04 a 31 de Janeiro
REC-BEAT (Recife - PE) 02 a 05 de fevereiro
CAMPEONATO MINEIRO DE SURF (Belo Horizonte - MG) 19 a 22 de março
ABRIL PRO ROCK (Recife - PE) 11 a 13 de abril
ELETRONIKA (Belo Horizonte - MG) 15 a 18 de maio
CASARÃO (Porto velho - RO) 16 a 18 de maio
BANANADA (Goiânia - GO) 23 a 25 de maio
PORÃO DO ROCK (Brasília - DF) 30 e 31 de maio
PORTO MUSICAL (Recife - PE) 1ª semana de junho
BOOM BAHIA (Salvador - BA) 12 e 13 de julho
DOSOL (Natal - RN) 11 a 13 de julho
FEIRA DA MÚSICA (Fortaleza - CE) 13 a 16 de agosto
CALANGO (Cuiabá - MT) 15 a 17 de agosto
JAMBOLADA (Uberlândia - MG) 12 a 14 de setembro
MADA (Natal - RN) 4ª semana de setembro
DEMO SUL (Londrina - PR) 18 e 19 de outubro
VARADOURO (Rio Branco - AC) outubro
GOIÂNIA NOISE (Goiânia - GO) 4ª semana de novembro
FESTIVAL EVIDENTE (Rio de Janeiro - RJ) 2ª semana de dezembro

Para ler mais sobre cada um dos festivais você pode ver o calendário de 2007, junto ao qual há uma pequena descrição de cada um deles, ou navegar pelos textos sobre festivais no Meio Desligado.

É claro que pequenas alterações nas datas devem ocorrer, mas serve para se programar com antecedência e, principalmente, guardar uma graninha para as passagens e ingressos...

Outros festivais interessantes, que não fazem parte da Abrafin (ainda), e os meses em que foram realizados em 2007 estão listados abaixo:
BPM (Belo Horizonte - MG) março, setembro e outubro
No Ar Coquetel Molotov (Recife - PE) setembro
Garimpo (Belo Horizonte - MG) setembro
Mundo (João Pessoa - PB) setembro
Se Rasgum no Rock (Belém - PA) setembro

National Garage (Curitiba - PR) outubro
53 HC Fest (Belo Horizonte - MG) outubro
Groselha Fuzz (Ribeirão Preto - SP) novembro
ESCAMBO - Festival de Experiências Musicais (Sabará - MG) dezembro

18 de dezembro de 2007

Up! is down

Título alternativo: O que esperar de um lugar que tem como grande atração, um mastro?

Apesar de meu trauma recente (que inclui chupões no pescoço, mentiras, casamento, festa de família e imersões [figuradas] na merda) com a Up!, é com certa tristeza que vejo o bar-boate (e que prefiro chamar de clube) fechar as portas no próximo final de semana.


Desde o ano passado, quando Belo Horizonte ganhou a Mary in Hell (outro bar-boate que prefiro chamar de clube), a Up! passou a ficar cada vez mais vazia, já que ambas possuem um público semelhante (gays, descolados, wannabes, tchurminha electro) e a Hell possui melhor estrutura. Pelos alto-falantes de ambas também passam a mesma mistura de indie rock, anos 80, pop, electro e demais vertentes eletrônicas, sendo que, ao menos para mim, a Hell mantém uma programação bem mais interessante, com shows esporádicos (ao contrário da Up!, que sequer tinha espaço para uma banda tocar).

A concentração de clubes na Savassi (bairro zona sul e que tem fama de "baladeiro", mas que no fundo é uma grande porcaria sem graça, onde você é expulso dos bares à meia-noite, em plena madrugada de quinta para sexta, porque já é hora de fechar) também não ajuda a persistência dos mesmos. Mary in Hell, Up!, A Obra, Blackmail e Roxy/Josephine estão todas dentro de um raio de poucos quarteirões em uma cidade com pouco público para os estilos musicais mais tocados nestas "boates underground". O mapa abaixo deixa claro o que escrevo e mostra as localizações da Up!, Obra e Mary in Hell. Talvez seja uma boa criar um pólo de atrações noturnas, mas não se você não tiver um diferencial. A já citada Blackmail (eletrônicos, público GLS) também sofreu com isso recentemente e fechou as portas, abrindo novamente algum tempo depois e agora eu sinceramente nem sei qual é seu status.



De qualquer forma, há espaço no mundinho paralelo da Savassi para A Obra ("indie rock hetero"), Mary in Hell ("electro rock gay, com espaço hetero-bi") e Roxy/Josephine (o nome varia de acordo com o público alvo, "roxy" para a juventude endinheirada, "josephine" para o público GLS), com certeza.

Se você acha a discussão disso uma grande bobagem, simplesmente veja a programação do fim da Up! abaixo e pronto (e é claro que eu sei que exagerei nas aspas e nos parênteses, mas eu não dou a mínima, se você estivesse como estou também estaria escrevendo próximo à mediocridade, como agora).

Programação derradeira

20-12. Quinta-feira. R$8
Rock n' up!
DJ's Marck Field, Luiz (UK - set de rock, electro em vinil 45'), Nest (Digitaria)
rock, pop, disco punk, electro

21-12. Sexta-feira. R$10
Wanna Be!
DJ's Buddy Holy e Cris Foxcat
dance rock, pop, indie, alternativos

22-12. Sábado. R$12
See ya, Up! Festa de despedida da Up!
= A última festa.
DJ's Robinho (set especial), Deivid (O Dono), Bitt (Pin Ups, clash clash, Make me Up), Marck Field (Exmash, Hang Up), Fred Mafra (Pin Ups, Megablast)
House, electro, dance rock, mash ups, breakbeats, pop

Ps.: o trocadilho do título é podre, mas e daí?

17 de dezembro de 2007

ESCAMBO - Festival de Experiências Musicais

A primeira edição do ESCAMBO - Festival de Experiências Musicais acontece na cidade histórica de Sabará no próximo dia 22 e tem o intuito de promover a troca de experiências entre as pessoas envolvidas na cena musical independente brasileira. Através de oficinas, palestra e shows, o festival busca uma maior integração da cena e seu desenvolvimento, incentivando a produção autoral e permitindo o acesso à técnicas eficazes de divulgação da produção independente.

O ciclo de oficinas intitulado "Faça Você Mesmo - Produção e Divulgação Punk" agrega um workshop com Daniel Werneck (mais conhecido como Danelectro, membro do coletivo Esquadrão Atari, da Poeira Filmes e professor da UFMG) sobre técnicas de gravação e produção musical em computadores caseiros e outro workshop comigo, Marcelo Santiago (jornalista e designer, membro do coletivo P.U.T.A. e editor do Meio Desligado), sobre a utilização das ferramentas tecnológicas para a divulgação de bandas independentes.


Completando a programação "teórica" do festival, Claudão Pilha (membro da banda Estrume'n'tal, dono do bar A Obra, palco de alguns dos melhores shows alternativos de Belo Horizonte, e organizador dos festivais Garimpo e Primeiro Campeonato Mineiro de Surf), dará uma palestra sobre o atual momento da cena independente brasileira, contextualizando as alterações ocorridas nos últimos anos e explicando a importância da integração entre produtores e bandas independentes.


Seis bandas locais foram selecionadas para se apresentarem no festival, todas focadas na música autoral. O objetivo é que os músicos da cidade se conheçam e interajam entre si, além de estimular a produção de conteúdo artístico original.


O ESCAMBO é a primeira grande ação do coletivo Fórceps, fundado há cerca de 3 meses, e que tem como objetivo a valorização da produção cultural independente, principalmente aquela realizada fora dos grandes centros urbanos. O Fórceps também será o responsável pela realização do festival Grito Rock 2008 na cidade de Sabará. Para quem ainda não conhece, o Grito Rock é um festival que acontecerá simultaneamente em 50 cidades de todo o país (mais Argentina, Chile e Bolívia) durante o carnaval, reunindo bandas de diferentes vertentes do rock em uma alternativa à tradicional folia carnavalesca.

Quem é quem no ESCAMBO

Danelectro (Daniel Werneck)
Bacharel, Mestre e Doutorando em Artes Visuais. Membro do coletivo multimídia Esquadrão Atari e da Poeira Filmes.
Claudão Pilha
Dono do "bar dançante" (ótima definição) A Obra, inferninho onde acontecem os melhores shows alternativos de Belo Horizonte. Também toca bateria na banda Estrume´n´tal e é um dos organizadores dos festivais Garimpo e Primeiro Campeonato Mineiro de Surf.
Marcelo Santiago (eu)
Quase formando nos cursos de jornalismo e design gráfico. Editor deste blog, membro do Fórceps e aos poucos continuando com o Mazzacane. Membro fundador da P.U.T.A., onde mantém diversos projetos musicais e audiovisuais (um deles, inclusive, selecionado para a edição 2007 do festival Motomix). Ex-redator do Cinema em Cena e e-organizador de conteúdo do Palco MP3. Atualmente trabalhando com produção cultural em BH.

Atrações musicais

Celavi
Iniciou-se como um projeto solo acústico e há pouco tempo assumiu o formato banda, mais focado para o rock pop.
Trianon
Provavelmente a banda sabarense com maior público, a Trianon mistura diferentes influências do BRock com letras politizadas e em português.
Cold Eaten Place
Única atração de fora de Sabará, mistura vocal grunge/blueseiro com instrumental que lembra Kyuss com influência jazz.
HCR
Homens Críticos da Realidade. Rage Against The Machine na cabeça.
Sapotchen
Após um início focado em covers de Silverchair, Pearl Jam e bandas nacionais como Planet Hemp, o grupo mudou seu formato e passou a se concentrar em músicas autorais em português.
Artifact
Meeeeetal!
Miss Leck
Destaque na Tramavirtual e programas de TV de Belo Horizonte, voltados para a música alternativa, Miss Leck é um dos projetos da "coisa conhecida como P.U.T.A." e mistura eletrônica (IDM, big beats, electro) com muita influência de rock alternativo anos 90. No ESCAMBO, fará sua primeira apresentação no formato DJ set.

Como explicado anteriormente, foram escolhidas (inicialmente) apenas bandas da cidade e que possuem músicas próprias, em uma forma de estimular a produção autoral. Qualquer pessoa que passe por pequenas cidades sabe como elas estão infestadas de bandas covers e essa é uma maneira de dar espaço e (alguma) visibilidade àquelas que criam novas obras, ao contrário de pararem no tempo e se contentarem em tentar repetir o que seus ídolos tocam.

14 de dezembro de 2007

Pílulas

- Festas de 5 anos de Creative Commons (o que é isso?) neste sábado!
- Festival Temporal.PE termina em BH, amanhã, com show da Nação Zumbi (lançamento do CD "Fome de Tudo") e outros
- Já foi lançado o CD solo de Fernanda Takai (Pato Fu) em homenagem à Nara Leão
- Fundação Padre Anchieta lança nesta segunda-feira o RadarCultura, espécie de rádio 2.0 em que o público escolhe a programação
- Mini-festival Disco Poney na Mary in Hell
- Nota sobre o ESCAMBO - Festival de Experiências Musicais no site da Obra, incluindo uma ilustríssima citação à minha pessoa ("o integrante do Coletivo Fórceps, Marcelo Santiago, ministrará a oficina 'Produção e divulgação punk', que pretende mostrar como fazer uso dos instrumentos tecnológicos disponíveis para divulgar música")
- O paulista Gui Boratto arrebentando nas listas de melhores de 2007 feitas por sites do exterior, com sua "Beautiful Life"

12 de dezembro de 2007

Dicas de produção musical

Dudu Marote é um produtor renomado da música brasileira e tem em seu currículo trabalhos/parcerias com Pato Fu, Skank, Jota Quest e outros grandes nomes do pop brasileiro. No Prztz, blog que mantém desde 2005, Marote dá sábios toques sobre produção musical que podem ser utilizados pelos amadores que produzem em seus computadores domésticos.

Dicas sobre softwares, equipamentos e formas de trabalhar as músicas em suas finalizações são alguns dos elementos mais interessantes do blog. Alguns tutoriais muito bons também estão disponíveis no Prztz, como os que tratam de programação de bateria e programação de sintetizadores.

Paralelamente ao Prztz (mesmo nome de seu projeto eletrônico solo), Dudu Marote também mantém o projeto Jamanta Crew, ao lado de Rod Sponja e Rafael Droors, e a produtora Dr. Dd, que produz trilhas para comerciais. Recentemente ele trabalhou no Motomix, mantendo um blog dentro do site do festival e atuando como diretor artístico no projeto "Novos Sons", que escolheu grupos brasileiros para se apresentarem antes das atrações internacionais da edição 2007 do festival.

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Leia mais sobre o Jamanta Crew ou aproveite essa matéria que encontrei no (pasmem) site da IstoÉGEnte, sobre os produtores que deixaram sua marca na história do pop e do rock brasileiro ao longo da década de 90.

foto tirada do blog Todo Dj Já Sambou.

9 de dezembro de 2007

Udora - Adeus rock, alô pop

capa de GoodbyeAlôQuando ainda existia uma indústria fonográfica forte no Brasil o Diesel lhe deu as costas e dispensou contratos com gravadoras. Quando a banda era o maior nome da cena indie de Belo Horizonte e começava a ganhar o resto do país, os quatro integrantes deram adeus, fizeram as malas e foram para os Estados Unidos na esperança frustrada de "estourar" no mercado gringo.

Agora, seis anos após o lançamento do primeiro álbum (ainda como Diesel, em BH), dois anos após o segundo (já como Udora, nos USA), a banda volta recauchutada, sem Jean Dolabella (atualmente no Sepultura), sem o baixista TC e cheia de histórias de brigas, decepções e recomeços. No meio de todo esse tumulto poderia-se esperar que Gustavo Drummond (o dono da banda) produzisse um disco furioso e perturbado, elevando o som nervoso do início de carreira ao extremo.
GoodbyeAlô, no entanto, é totalmente o contrário: um bichinho manso e bonitinho, perfeito para alimentar ipods de telespectadores de Malhação.

Ainda como Diesel, no Rock in Rio 2001


Entre a passagem de Diesel para Udora e do inglês para o português muita coisa se perdeu e se modificou: o som que antes era alternativo-grunge, agora é pop, as letras que antes tratavam de temas como dor e sofrimento agora apostam insistentemente no amor e a postura que era independente, agora é de conciliação (vide shows com Jota Quest e músicas em rádios farofa).

Além da incompatibilidade com seus antigos fãs, o Udora ainda se mostra perdido em seu próprio tempo ao ter a surpreendente idéia de não disponibilizar o novo álbum para download gratuito. Num ano em que podemos ouvir Radiohead sem pagar sequer um centavo é, no mínimo, forçar a barra querer que o público pague R$ 15 em um disco do Udora. A saída (minha inclusive) foi piratear o álbum (e olha que não foi fácil de achar).

Udora nos Estados Unidos


Para minha surpresa, no entanto, GoodbyeAlô não chega a ser ruim e não seria absurdo dizer que se trata do melhor álbum de rock lançado por uma banda mineira em 2007, ao lado de Daqui pro futuro do Pato Fu. Comparando o disco com tudo o que foi produzido na cena belo-horizontina pode-se ir mais longe e constatar que o Udora continua sendo a maior promessa mineira desde o início da década. A questão é: mérito da banda ou consequência da fraca produção no Estado?

Antes de se começar a ouvir
GoodbyeAlô uma coisa precisa estar em mente: Udora não é Diesel. Aquela banda pesada que quebrava tudo no palco, arrastava órfãos do grunge para qualquer buraco de BH e se tornou, por pelo menos um ano, uma das maiores promessas da música brasileira, simplesmente não existe mais. Junto dos dreads vermelhos de Gustavo se foram o peso, as afinações esquisitas e grande parte da força da banda. A ordem no Udora agora é se comportar e a nova forma de pensar abrange desde o figurino bonitinho até as guitarras absurdamente mais limpas, passando pelo corte de cabelo que toda mãe aprovaria.

Em
GoodbyeAlô a banda toca bem (como sempre), a produção é boa (fruto de muitos recursos financeiros e da ajuda técnica de Henrique Portugal do Skank) e as letras são..... bem, as letras são pop, com tudo que isso tem de bom e ruim. E se as faixas não são nenhuma obra prima também não chegam a causar vergonha.

A boa "A falta (que me faz)" abre o álbum e de certo modo anuncia o que vem pela frente: letras sobre relacionamentos, guitarras domesticadas para não agredir ouvidos mais sensíveis e a vontade de construir um hit após o outro.

"Por que não tentar de novo" é provavelmente a faixa com maior potencial radiofônico e não por acaso virou o primeiro vídeo-clipe do disco. Ouça algumas vezes e não se surpreenda se sair por aí cantando "Por que não tentar de novo/Já não tenho nada a perder/Meu ego não fica em jogo/Cada vez que penso em você".

Vídeo de "Por que não tentar de novo"


A chatinha "Quero te ver bem" se encaixaria perfeitamente como trilha de par romântico de Malhação e posso apostar que será o segundo clipe do disco. "Mil Pedaços" recupera um pouco da energia das primeiras faixas, mas uma preguiça voraz pode acometer o ouvinte menos resistente durante "Pôr-do-sol" e "Tão perfeito". As coisas só voltam a melhorar em "Meu pior inimigo" e "Velho lugar", justamente onde a faceta rock do álbum supera o lado pop.

Por fim "Goodbye Alô", a balada acústica que dá nome ao disco, chega com a estrofe "Eu só quero amar você/Pra não pensar que foi em vão/E todo dia me ver refletir em alguém/Que me faz são" confirmando, caso você ainda tenha dúvida, que o objetivo é mesmo expandir o público custe o que custar. Se vai funcionar? Provavelmente desta vez não, mas quando souber balancear o que o Diesel tem de rock e o Udora de pop, talvez a banda salte sem nenhuma escala para o mainstream brasileiro.

7 de dezembro de 2007

Discografias liberadas no TramaVirtual

Seguindo uma tendência cada vez maior na cena independente musical brasileira a banda paranaense Terminal Guadalupe acaba de disponibilizar sua discografia para download gratuito no TramaVirtual. No mês passado a mesma atitude já havia sido tomada pela carioca Autoramas e anteriormente as paulistas Dance of Days e Forgotten Boys também haviam aderido à política de download remunerado do site, liberando todo o trabalho para o público.

O que chama atenção é que tratam-se de bandas consolidadas no circuito independente, onde possuem um público representativo e se apresentam nos principais festivais. Ou seja, a iniciativa de colocar todo o trabalho musical à disposição para download sem cobrar pelos direitos autorais deixou há muito de ser característica de artistas insignificantes ou desconhecidos, que usam a estratégia para atingir um público que nunca pagaria para consumir suas obras.

No caso do Autoramas, por exemplo, das nove obras disponibilizadas, duas haviam sido lançadas pelo selo Astronauta e três pela Monstro Discos (onde respondiam por cerca da metade das vendas), o que mostra que mesmo bandas já inseridas no mercado fonográfico independente estão adotando o TramaVirtual e outros sites do tipo como meio de levar sua obra ao público.

Downloads crescem 220% no TramaVirtual

Desde que começou a funcionar o sistema de download remunerado, cinco meses atrás, o TramaVirtual registrou um aumento de 220% no número de músicas baixadas no site, passando de cerca de 46 mil em julho para aproximadamente 149 mil em novembro. A verba disponível para pagar os artistas atualmente gira em torno de R$ 10 mil por mês e já fez com que bandas levassem uma bela quantia para casa. Apenas nos dois primeiros meses, por exemplo, o Rock Rocket conseguiu ganhar R$ 823 e o Dance Of Days surpreendentes R$ 2.880. O resultado foi tão bom para a banda que o seu mais recente disco, Insônia, foi liberado para download gratuito no Trama antes mesmo do lançamento oficial.

6 de dezembro de 2007

Alexandrismo jornalístico

Em um raro exemplo no jornalismo cultural online brasileiro (quantos adjetivos!), o site Gafieiras publicou uma (realmente) enorme entrevista com três dos mais importantes jornalistas musicais em atividade no Brasil: Pedro Alexandre Sanches (ex-Folha de S. Paulo, atualmente na Carta Capital), Ricardo Alexandre (ex-editor da Bizz) e Alexandre Matias (editor do caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo).

Já faz algum tempo que o texto está no ar, mas eu estava esperando ter tempo para ler toda a entrevista e poder comentar melhor. Dividida em nada menos que 38 tópicos, esse é o tipo de entrevista perfeito para se ler impresso, com toda a calma do mundo, tomando um chazinho, recostado no sofá e ouvindo alguma coisa bacanuda tipo Air ou Constantina.

Ao longo da conversa temas óbvios como música e cultura pop dão lugar a discussões mercadológicas, profissionais, sobre internet, blogs, etc. E é claro, eles falam mal à rodo sobre muuuita gente.

Melhor do que tentar resumir o conteúdo da extensa entrevista é colocar abaixo os links para os tópicos de toda a conversa. "Leia aos poucos", é a dica do dia.

parte 01. Um dos planos era produzir um disco para o Ronnie Von
parte 02. Todo mundo é repórter agora
parte 03. A Bizz era um morto muito louco
parte 04. Os artistas sempre decepcionam a gente
parte 05. O Jota Quest tem o que dizer?
parte 06. A minha liberdade era falar mal de todo mundo
parte 07. Somos ainda muito pautados pelo mercado
parte 08. “Queremos alguém para o lugar do PAS”
parte 09. O cara pediu desculpa por ter feito o disco
parte 10. Não há notícia no fato do Caetano lançar um disco
parte 11. A Tim ganha 60 capas de caderno cultural por ano
parte 12. Peguei repulsa do Tim Festival
parte 13. Nos anos 60, os festivais eram batalhas de singles
parte 14. Agora vou defender os artistas
parte 15. Jornalismo é publicidade
parte 16. Escrevi muitos releases de artistas sertanejos
parte 17. Não tem como artista gostar da gente
parte 18. A tendência é sair do especialista e ir pro generalista
parte 19. São cinco famílias que definem o que vamos ler e assistir
parte 20. Marisa Monte e Calypso são do mesmo planeta
parte 21. Adoraria que o Roberto Carlos fosse como o Caetano
parte 22. Na Folha tinha a ilusão de falar pra 300 mil pessoas
parte 23. Seu Jorge é revanchismo social transformado em música
parte 24. Não sei como gravadora não faz camiseta
parte 25. A memória está ao alcance de cada um
parte 26. Fizemos uma revista que dava a impressão de ser grande
parte 27. Cada número da Bizz era uma vitória
parte 28. De editor virei gestor
parte 29. A Editora Abril não sabia da existência da Bizz!
parte 30. As pessoas perguntam da continuação do Dias de Luta
parte 31. O quanto os artistas estão à mercê da maluquice da gente?
parte 32. “Você tem uma visão muito cristã do rock”
parte 33. Sou jornalista discotecando
parte 34. “Por que o seu livro não foi censurado?”
parte 35. Que porra é essa de biografia autorizada?
parte 36. Tinha de editar a Bizz antes dos 30 anos
parte 37. O RPM seria muito menor se surgisse seis meses antes
parte 38. Preciso ligar para a minha mulher!

foto: Dafne Sampaio

4 de dezembro de 2007

Fórceps

O que um grupo de pessoas insatisfeitas com o tratamento dado à cultura em sua cidade faz? Na maioria dos casos, nada. No meu caso, do Leo, da Cacau e do Bim, nós criamos o Fórceps. E o que é isso? Bem, o Fórceps é um coletivo (ou Instituto Cultural, como estamos cadastrados) que busca a valorização da produção cultural independente, principalmente aquela feita fora dos grandes centros e que dificilmente encontra espaço na mídia.

A intenção é colaborar para a "organização, qualificação, fomento, profissionalização e divulgação da produção cultural brasileira alternativa", "promovendo intercâmbio entre as regiões ao mesmo tempo em que incentiva a auto-sustentabilidade das manifestações culturais regionais". As aspas são do nosso texto de apresentação.

Nosso foco inicial de ações é a cidade de Sabará, cidade natal da maioria dos integrantes do Fórceps (exceto a Cacau, que é paulistana). Localizada na região metropolitana de Belo Horizonte (20 km da capital), Sabará é uma cidade histórica em que o turismo ainda é fraco e carece de mais ações relevantes na área musical. Mesmo assim,
manifestações culturais originais e interessantes surgem na cidade, como a Borrachalioteca e a TV Muro, e faltava uma forma de divulgar e aproximar as pessoas interessadas em ações culturais independentes.

A primeira ação do Fórceps já acontece este mês, com o ESCAMBO - Festival de Experiências Musicais, apresentando shows de bandas locais, oficinas e uma palestra especial. Em fevereiro nós fazemos o Grito Rock Sabará, cujas inscrições para bandas já estão abertas, e esses são apenas os primeiros passos.

A cena independente brasileira, não apenas a musical, mas a de ações culturais independentes, vive um momento singular, e é importante que existam grupos comprometidos e com real interesse no desenvolvimento cultural. E, no nosso caso, a intenção também é o desenvolvimento sócio-econômico através da cultura (algo, que, acredito, também está na pauta de iniciativas como o Chappa e o Espaço Cubo).

O www.forceps.com.br já está no ar, assim como nossa página no MySpace. Obviamente, à medida que realizarmos mais ações haverá mais conteúdo em ambas as páginas. Uma das coisas que me deixa inquieto em relação aos coletivos e "produtores culturais" é o uso pífio feito pelos mesmos da internet. O Chappa é um exemplo de como explorar as possibilidades do meio digital, mas é raridade no underground brasileiro (talvez pelo fato de o Chappa ser quase "pop", com empresas maiores envolvidas). Todos nós do Fórceps temos uma boa experiência com internet (apesar de não sermos geeks), então espero que façamos um bom uso do meio. Por enquanto, concentramos tudo em alguns poucos lugares, porque é muita coisa para fazer, por poucas pessoas.

Aconselho as pessoas interessadas em arte ativista (sim, porque é mais ou menos essa a minha definição para o que fazemos, tanto no Fórceps como na P.U.T.A., apesar de serem dimensões diferentes) a entrarem constantemente no blog do Fórceps. Lá, além de acompanhar nossas atividades, você fica sabendo de outras iniciativas culturais Brasil à fora e descobre meios para fazer as coisas você mesmo.

Não sei como terminar esse texto. Até porque sinto que em alguns momentos soa meio burocrático mas, principalmente, porque simplesmente não sei. É como se dissesse "estamos aqui, prontos, e tudo aquilo que esteve em nossas cabeças durante todo esse tempo agora será feito". Ou, ao menos, tentaremos.

2 de dezembro de 2007

extratos do Fórceps

No próximo texto explico o que é Fórceps. Por enquanto, tenha uma amostra do que é publicado no blog do Fórceps (do qual me orgulho bastante do design).

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Até Gil critica direito autoral

A atual legislação de direito autoral foi atacada por todos os lados durante a realização da Teia 2007. As constantes críticas que emergiam do público ganharam um grande reforço quando o próprio ministro da Cultura , Gilberto Gil, afirmou que "não existe direito absoluto" e que o direito autoral "precisa ser relativizado".

As afirmações do ministro foram feitas durante sua participação no Seminário "Cultura Digital: Que porra é essa?" realizado pelo coordenador de Políticas Digitais do Ministério da Cultura, Cláudio Prado. Gil contou sobre sua surpresa ao descobrir, anos atrás, que não era dono do seu próprio trabalho musical. Segundo ele sua tentativa de disponibilizar suas músicas para download gratuito na internet esbarrou nos interesses de sua gravadora e proprietária dos direitos de sua obra.

Além de dizer que está na hora de "rever a legislação autoral no Brasil" Gil ressaltou a importância de iniciativas como o Creative Commons, que alcançou a marca de 200 milhões de obras registradas em cinco anos. "Como se pode querer desqualificar isso?" perguntou se referindo à tentativa de alguns setores de ignorar ou menosprezar novas formas de se relacionar com o direito autoral.

Artistas como B Negão (que faz vários shows na Europa graças à internet) foram citados como exemplo de eficiência no uso das novas tecnologias para difundir seus trabalhos e Gil lembrou que se tratam de iniciativas próprias, ou seja, realizadas de modo totalmente independente. O ministro também ressaltou as medidas do governo com relação à tecnologia digital e proliferação dos Pontos de Cultura pelo país como instrumentos de democratização cultural. "Para que as coisas continuem no caminho é preciso que a gente siga o caminho das coisas", disse ao explicar que somente a mobilização popular garantirá que o próximo governo dê sequência às políticas implantadas atualmente.

Gil avisou que a conseção de rádios terá que passar por uma reformulação por causa da tecnologia digital garantiu que toda rádio pode ser legal, "o que precisa regular sãos os usos para que a sociedade possa dizer quais serviços quer que ela preste". Sobre a questão do direito autoral em outras áreas além da música Gil comentou o absurdo que pode acontecer hoje de se mandar prender um estudante por fazer cópia de algum livro que seria usado em algum trabalho. No fim das contas Prado resumiu toda a insatisfação em uma única frase: "esse cezinho (
copyright) é uma tirania da porra!"

Eletronika discute cultura independente em tempos de internet

Os debates da edição 2007 do festival Eletronika reuniram alguns dos nomes mais importantes envolvidos com cultura pop e cena independente no Brasil neste início de século. Durante três dias jornalistas blogueiros, produtores culturais e donos de casas de shows se reuniram para tentar fazer um panorama do atual cenário cultural que fica cada vez mais indefinido com o rápido avanço da tecnologia e a abundância de informação.

Sem se arriscarem a fazer previsões sobre o futuro os participantes demonstraram otimismo quanto à cada vez maior participação do público na produção de conteúdo. Os blogs, por exemplo, foram citados como instrumentos de intervenção e participação popular na produção de informação propiciando que as relações aconteçam de forma horizontal sem a imposição de um conteúdo, como acontece na televisão atualmente. Também nessa linha o Youtube saiu consagrado como a melhor alternativa frente ao empobrecimento musical da MTV, além de ter a vantagem de que o internauta pode escolher exatamente qual clipe quer ver, sem ter que esperar que o canal decida exibi-lo.

Outros assuntos discutidos foram a TV e o rádio digital (que prometem ser um passo a mais para a convergência com a internet), a TV Pública (que entre no ar ainda este ano servindo como alternativa à péssima qualidade de TV aberta no Brasil) e a formação do Circuito Mineiro de Festivais Independentes (que tentará fazer com que a produção musical independente não fique presa ao eixo BH-Uberlândia).

Em breve os vídeos dos debates devem ser disponibilizados pelos realizadores do festival e imediatamente serão divulgados pelo Fórceps.

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Ambos os textos são de autoria de Leo Santiago.