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29 de outubro de 2007

Terminal Guadalupe - Pop sim, e daí?

A Marcha dos InvisíveisForte candidato a melhor álbum de 2007 na cena independente brasileira, A Marcha dos Invisíveis, lançado em agosto deste ano, consolida o Terminal Guadalupe como um dos principais nomes do pop rock brasileiro. Os curitibanos, que se auto-rotulam como uma banda de “pop de garagem”, fazem um som marcado por melodias pop e guitarras distorcidas, que servem como suporte perfeito para que o vocalista Dary Jr. se arrisque em letras políticas, sociais e existenciais, sem que as canções se tornem árduas.

Criado em 2002 como um projeto individual de Dary Jr, o Terminal Guadalupe se consolidou como banda a partir do 3o álbum, Você vai perder o chão, que rendeu aos curitibanos o prêmio de melhor disco independente de 2005, na categoria Escolha do Público, da revista Laboratório Pop. “A gente estava concorrendo com Violins, Céu, Lobão e Cidadão Instigado”, conta orgulhoso o guitarrista Allan Yokohama.

A partir daí o grupo ganhou mais um guitarrista, apareceu na revista Veja como uma banda “próxima de estourar”, inovou lançando o último álbum em pen drive, emplacou a faixa “Pernambuco Chorou” em 1o lugar numa rádio curitibana e ganhou a estrada e os palcos dos principais festivais independentes do país. Em outras épocas, o Terminal Guadalupe já teria caído nas graças de alguma grande gravadora e seria presença constante nas rádios do país, mas como os tempos são outros, a banda vai aos poucos achando seu espaço dentro do cenário independente e aguardando uma brecha entre os modismos do mainstream para despejar seu “rock brasiliense” sobre o grande público.

Em uma conversa num boteco de Belo Horizonte, após o show no Festival Garimpo, o vocalista Dary Jr e os guitarristas Allan Yokohama e Lucas Borba revelaram a intenção de lançar um álbum duplo de inéditas, fizeram criticas a Los Hermanos e falaram sobre influências, cena de Curitiba, mercado musical e política.

O Terminal Guadalupe é uma banda politizada?
Dary Jr - Na condição de letrista e por ser jornalista, tenho uma influência muito grande da realidade. Eu não consigo dissociar aquilo que vivo daquilo que escrevo. É muito importante que quem faz letra acredite na própria verdade. Acho que a gente consegue passar uma intensidade muito grande nos shows pelo fato de eu acreditar naquilo que estou falando. Jornalismo, cinema e política são as coisas que mais me influenciam. São as minhas áreas de interesse e é natural que apareçam nas canções. É como uma música do Cabaret que se chama “O amor e a guerra”. Nossas músicas são sempre assim, a gente vive entre o amor e a guerra.

Por que você diz que o Terminal Guadalupe é uma banda brasiliense?
Dary Jr. - A gente precisa fazer um exercício de crítica saudável. As bandas dos anos 80 escreviam muito bem, mas não tocavam bem porque não tinham condições técnicas e também porque eram maus músicos. Mas eles conseguiam superar isso com grandes performances, com um apuro muito grande de palco e uma verdade muito intensa na maneira de falar, de se expressar. Isso é algo que a gente não consegue ver com muita facilidade hoje. Dificilmente você encontra um músico hoje que consegue se expressar muito bem, que tenha suas idéias bem articuladas e que construa uma frase com sentido. Eu chamo o Terminal Guadalupe de a banda mais brasiliense de Curitiba por causa do espírito das bandas dos anos 80 de Brasília. Acho que a gente traz esse espírito, esse senso crítico das bandas dos anos 80 com esse aparato tecnológico e técnico dos anos 90.

Qual a relação da banda com o Violins (GO)? (O Terminal Guadalupe toca uma cover de “Grupo de Extermínio de Aberrações”, considerada por Dary Jr. a melhor música do rock nacional desde “Perfeição” da Legião Urbana).
Dary Jr. - Há uma afinidade estética, intelectual e sonora. É uma banda maravilhosa e a gente sente falta de bandas como o Violins no rock nacional. É importante que existam bandas com algo a dizer. Non sense, música meramente para diversão ou música pra trepar é legal de vez em quando, mas é importante que você tenha bandas com algo a dizer, senão tudo fica diluído, tudo vira apenas diversão e você não reflete sobre absolutamente nada.

Quais bandas no Brasil hoje tem algo a dizer?
Dary Jr. - É complicado pra gente dizer porque defendemos muito a cena de Curitiba. A gente acha que é um lugar diferente. A música produzida lá é muito rica, muito diversa. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os mods não são hegemônicos lá. Muita gente acha que Curitiba faz rock gaúcho. Tem muita banda lá que faz esse tipo de som e faz bem, mas é muito maior que isso.

Como é a cena de Curitiba com relação à movimentação, organização....
Allan Yokohama - Não é nada organizado porque Curitiba está começando e tentando se organizar. Acho que as bandas de lá tem bastante qualidade hoje. Só que a cena é muito nova.
Dary Jr. – O nosso problema é organização. Falta uma articulação maior entre as próprias bandas na cena mais pop rock que é onde a gente circula. Se você pegar a cena hardcore, psychobilly e metal, os caras são super organizados. A gente ainda não consegue nem mesmo lotar uma casa de show em Curitiba. Nosso público é sempre médio, cerca de 150, 200 pessoas. Pra lotar é preciso ter umas três ou quatro bandas.
Allan Yokohama – Não dá pra culpar o público por ele não conhecer a cena independente se ele não ouve e não vê a cena. Acho que a mídia é prejudicial ao não dar acesso às pessoas àquilo que sua própria cidade produz.

Como o Terminal Guadalupe se coloca sobre essa questão de ser independente ou ser mainstream?
Dary Jr. – Isso é tranquilo. Não temos vergonha de ser chamados de pop. A gente está fazendo nosso trabalho com calma, sem se deslumbrar com as críticas. A gente não vende a alma pra estourar.
Allan Yokohama – Na verdade existe o pop bom e o pop ruim, assim como o rock bom e o rock ruim, o samba bom e o samba ruim.
Dary Jr. – O Sérgio Martins da revista Veja costuma dizer que o que existe é música boa e música ruim.

O que mudou no caminho entre o primeiro disco e este último?
Dary Jr.– O primeiro era um projeto pessoal meu que tinha a banda Poléxia como grupo de apoio. Já o segundo disco tem a formação que gravou o terceiro e aí é um salto, começa a virar banda de verdade. Embora ainda houvesse um predomínio de canções minhas o Allan começou a entrar como compositor. Nesse último já é a banda madura mesmo. O Allan fazendo as músicas e eu fazendo as letras. O Lucas entrou já nessa nova faze após a gravação do A Marcha dos Invisíveis. É mais um elemento pra trazer todo um background de referências pro próximo trabalho.
Allan Yokohama – E a gente quer e vai fazer um disco diferente do outro. A gente não quer se repetir.

"Pernambuco chorou"


Que som influencia a banda?
Dary Jr.– O Fabiano é um baterista que começou tocando trash metal, mas ele ouve de tudo. O Rubens é um cara mais fechado e ouve mais jazz. O Lucas gosta de rock nacional, das bandas indie e de rock inglês. O Allan começou a tocar guitarra por causa do grunge e eu sou pop mesmo. Fui um cara que sempre ouviu rádio e apesar de ouvir tudo o que gosto mesmo é rock nacional. Eu ouço muito Violins, Pública, Sérgio Sampaio, Lasciva Lula e as velhas coisas como Nirvana, Smiths... Eu ouço Legião direto, ouço Plebe Rude pra caralho e o primeiro disco do Capital Inicial sempre que eu posso.
Allan Yokohama – Mas o melhor cd internacional este ano é o do Quens of the Stone Age.

Por fazer um som mais pop, vocês já alcançaram as rádios?
Dary Jr.– A gente já ficou em primeiro lugar na rádio rock de Curitiba. Desbancamos o Fall Out Boy.
Lucas Borba – Fall Out Boy, Artic Monkeys e Red Hot Chilli Peppers.
Dary Jr.– Lá é top 9 e das nove bandas, oito eram estrangeiras. Lideramos por duas semanas a parada com “Pernambuco Chorou”. Em janeiro os caras da Jovem Pan viram a matéria com a banda na Veja e chamaram a gente pra tocar na rádio. O status da banda mudou a partir daquela reportagem. Passou a vir muito mais gente nos shows.

Como vocês divulgam hoje?
Dary Jr. – Internet. A gente se desdobra pra participar de festivais, até porque rola uma cobertura de blogs, que são feitos por pessoas que estão sempre ligadas. Isso não pode se subestimado porque tem um poder de multiplicação terrível. Até quando o cara fala mal é legal porque a galera vai ouvir pra conferir se é isso mesmo. A internet tem uma força terrível. A gente não estaria aqui se não fosse a internet. Mas graças a Deus não tem ninguém falando mal da gente. Estou até com medo de estarem guardando tudo pro próximo disco (risos).

Hoje a gente assiste a um fenômeno que é o de bandas conseguirem se sustentar no circuito independente enquanto um número muito menor de artistas alcança o mainstream. Isso é uma tendência?
Dary Jr. - O mercado mudou, não dá mais pra ficar pensando “ah eu vou assinar com uma gravadora”. A gente até espera que role e se vier maravilha, vai ser importante pra gente gastar menos. Mas na verdade, tem uma coisa muito clara. Diante dessa nova realidade do mercado que está tomado pela pirataria e pelo MP3, o que as gravadoras estão fazendo? Só estão apostando nos medalhões, no que é certo, então os artistas de massa vão continuar tendo a atenção das gravadoras. Quando elas vão trabalhar segmentos como o rock, elas investem naquilo que é a tendência, aquilo que é a moda. Agora a gente está vendo bandas emo recebendo grande atenção das gravadoras porque elas são a tendência do momento. Elas não expressam a riqueza e a variedade da produção nacional, mas é uma parcela que está com força no mercado e bandas assim tem espaço, em bandas assim as gravadoras apostam. No nosso caso, temos letras que não são muito acessíveis e um som que não pode ser encaixado como mod. A gente não vai na onda Los Hermanos e Strokes, a gente não é hardcore, a gente não é mod, a gente não está numa tribo e assim fica mais difícil pra gravadora vender a banda. Acho que tem muito esse raciocínio “de que tendência de mercado vocês fazem parte?”. A gente não está em tendência de mercado. É preciso ter ousadia. A gente está abrindo espaço a fórceps.
Allan Yokohama – E o legal é que cada banda tenha sua cara própria. Influência tudo bem, mas cópia? Eu gosto de Strokes, mas não gosto de quem copia Strokes.
Dary Jr. - Você já gostou bastante de Los Hermanos.

O que tem o Los Hermanos?

Dary Jr.– O Bloco do Eu Sozinho é do caralho, mas eu não gosto da postura da banda.
Allan Yokohama – E tem esse monte de banda imitando o som e até o jeito de cantar do Amarante...
Dary Jr. – Aquele jeito bêbado (faz uma careta e manda um êêêôôô com a língua embolada). Mas não tiro o mérito do Los Hermanos. Das bandas de mídia ela é do caralho.

A que tipo de postura você se refere?
Dary Jr. - Aquela coisa meio blasé, meio “não tô nem aí”. Tudo fake! Eu conheci os caras, vi show no início da carreira e eles eram simpáticos, fazendo esforço pra agradar todo mundo e aí depois decidiram que precisavam mudar a imagem. “Agora vamos ser refinados”. Nesse processo alguma coisa se perdeu, embora eles não tenham perdido a empatia com o público, mesmo com essa coisa de ser menos expansivo. Alias acho que como jogada, mesmo sem ter sido pensada, funcionou muito bem, acabou criando uma legião de fãs que é uma coisa terrível. São fãs insuportáveis. Acho que eu gosto menos da banda hoje mais por causa dos fãs do que dos caras. Não existe coisa mais chata que um fã radical de Los Hermanos. Eles são insuportáveis, aquela coisa meio neo-hippie.... Mas a banda conseguiu uma coisa interessante, porque depois deles toda banda que apareceu tendo um cuidado com as letras as pessoas já dizem “pô vocês gostam de Los Hermanos”. Um cara veio fazer essa comparação com a gente em Brasília. Pô, não tem nada a ver! Aí eu falei “eu detesto Los Hermanos” (gargalhadas).
Allan Yokohama – Mas sãos eles lá e a gente aqui. Nada Contra. Acho o Amarante um puta cara, respeito pra caralho.

Mini-documentário sobre as gravações do álbum A Marcha dos Invisíveis

E essa camiseta? (Dary Jr. estava usando uma camiseta de Cuba). Você é um esquerdista?
Dary Jr. – Eu sou, mas acho que é extemporâneo discutir sobre questões ideológicas no mundo hoje. Eu nutro muitas simpatias por Cuba, mas faço muitas críticas como, por exemplo, quanto à falta de liberdade de expressão. Eu valorizo muito as conquistas de Cuba que é um país minúsculo e conseguiu avançar tanto em áreas como educação e saúde, que é algo que nós não temos aqui. Na verdade não existe regime perfeito. A coisa da gente tocar de uniforme é uma referência aos motoristas e trocadores lá de Curitiba e também pra lembrar as origens. Todo mundo aqui é filho de trabalhador, só que ninguém quer passar fome e morar em casa igual. Eu acredito muito mais na micro-política e acho que a partir daí a gente vai conseguir alguma transformação, porque as esperanças que a gente tinha na macro-política de chegar lá e fazer tudo, o tempo e a experiência demonstraram que não deu certo. Eu sou uma pessoa que militou bastante politicamente, no movimento estudantil e como jornalista exercendo a atividade com uma posição muito crítica, mas a questão não é ideologia, a questão é caráter. Tem gente decente na direita e na esquerda, como tem muito vagabundo também. Tem gente que não presta em tudo quanto é lugar. O que importa é ser decente.

DISCOGRAFIA
Burocracia romântica – Trilha Sonora Original - 2003
Girassóis clonados - 2004
Você vai perder o chão – 2005
Vou tirar você desse lugar – Tributo a Odair José (1 música) – 2006
A marcha dos invisíveis - 2007

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28 de outubro de 2007

Groselha Fuzz Festival

Uma das boas surpresas do efervescente circuito de festivais independentes do Brasil e mais um exemplo do movimento de descentralização da cena de rock alternativo é o Groselha Fuzz, festival que acontece em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, nos dias 10 e 11 de novembro.

A programação bem selecionada reúne algumas das bandas mais relevantes da música alternativa feita atualmente no país, como Ludovic, Montage e Vanguart. Durante os dois dias de festival, 33 bandas (a maioria paulista) irão se apresentar, além de DJ´s como Humberto Finatti (jornalista da revista Dynamite e Marcelo Costa (jornalista do Scream Yell e IG). Mostras de vídeo e teatro, mais uma exposição especial do Arquivo do Rock Brasileiro são outras atrações do Groselha Fuzz Festival 2007.

Ótima oportunidade para se atualizar em relação ao que acontece na cena independente, Ästerdon, Ecos Falsos e Pale Sunday também são bandas indicadas, a se julgar pelo que demonstram suas gravações em estúdio.

Ästerdon - music, sweet music


Apesar de ser realizado no Estado mais rico e agitado (culturalmente) do país, a produção de eventos como esse em cidades do interior ainda é raridade, igualando-se à poucos festivais, como o Jambolada, cuja edição deste ano aconteceu no mês passado em Uberlândia (interior de Minas Gerais).

O festival Groselha Fuzz tem sua origem na festa de mesmo nome realizada há três anos em Ribeirão Preto e região. Em suas edições já se apresentaram mais de 40 bandas e DJ's covindados, sempre dedicando-se à música alternativa.

Sábado. 10 de Novembro
02h00 Montage (Fortaleza/CE)
01h00 Daniel Belleza E Os Corações Em Fúria (São Paulo)
00h00 Vanguart (Cuiabá/MT)
23h30 Ecos Falsos (São Paulo)
23h00 Mama Cadella (São Paulo)
22h30 Os Telepatas (São Paulo)
22h00 Seychelles (São Paulo)
21h30 Enne (Belo Horizonte/MG)
21h00 Volpina + Renato Bizar (ex-Wry) (Sorocaba)
20h30 Acidogroove (Uberaba/MG)
20h00 Motormama (Rib. Preto)
19h30 Alma Mater (Rib. Preto)
19h00 Gray Strawberries (Indaiatuba)
18h30 Visitantes (São Paulo)
18h00 Plano Próximo (São Carlos)
17h30 Os Coyotes (Serrana)
17h00 Flag Pops (Franca)

Domingo. 11 de Novembro
23h00 Ludovic (São Paulo)
22h00 Dominatrix (São Paulo)
21h30 Thunderbird E Os Devotos De Nsa (São Paulo)
21h00 Zefirina Bomba (João Pessoa/PB)
20h30 The Dead Rocks (São Carlos)
20h00 Rockz (Rio De Janeiro/RJ)
19h30 Elegia (São José Dos Campos)
19h00 Debate (São Paulo)
18h30 Benflos (Rio De Janeiro/RJ)
18h00 Ästerdon (São Paulo)
17h30 Interstellar (Rib. Preto)
17h00 Pale Sunday (Rib. Preto)
16h30 Íbis (Serrana)
16h00 Verbo Perfeito (Rib. Preto)
15h30 Kidzilda (São Simão)
15h00 Berrodubio (Rib. Preto)

Quando: 10 e 11 de novembro (sábado a partir das 17h / domingo a partir das 15h)
Local: Chácara do Dudu (Rodovia Anhangüera, km 303 - Ribeirão Preto (SP)
Ingressos: um dia – R$ 15,00 (feminino) e R$ 20,00 (masculino) / dois dias – R$ 25,00 (único)

Pontos de venda: Unilan (rua são josé, 834 - (16) 3931-3215 ) / Tribos (loja 1 – Rua Cerqueira César, 557 - (16) 3023-0456 / loja 2 – Centro popular de compras, loja a21 - Rua Florêncio de Abreu, esquina com Av. Jerônimo Gonçalves - (16) 3024-7535)

Mais informações no site oficial: www.groselhafuzz.com.br

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27 de outubro de 2007

National Garage promove maratona rock em Curitiba

Onze dias consecutivos de música, cem bandas de variados estilos e a promessa de ser a “maior maratona de rock do sul do mundo”. Este é o festival National Garage realizado em Curitiba, que este ano chega à sua 15a edição.

Promovido pelo músico e produtor cultural JR Ferreira desde 1992, o National Garage deste ano tem como principais atrações os curitibanos Relespública e Terminal Guadalupe. Além disso, atrações de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul compõem o inflado line up do festival, que dessa vez acontece no Espaço Cultural 92 Graus.

Desde sua primeira edição o National Garage já recebeu 594 bandas, entre elas nomes de peso da cena independente, como Pin Ups, Ratos de Porão, Rock Rocket, Zefirina Bomba, Thee Butchers' Orchestra, Acabou la Tequila e Joe Lally (do Fugazi), além dos finados Raimundos. Para a organização do evento, o National Garage é o mais antigo e maior festival brasileiro “de música alternativa feito de forma totalmente independente, na base da raça, seguindo a filosofia do faça você mesmo”.

Programação oficial do 15º National Garage

Quinta. 25/OUT
Festa de abertura
21:00 Coquetel
VÍDEOS E MÚSICAS DAS BANDAS PARTICIPANTES

Sexta. 26/OUT
SURF-PSYCHO-JAZZ-GARAGE-ROCK
21:00 BARBATANAS-PALCO-01
21:40 ELES MESMOS-PALCO-02
22:20 BIOTONIX-PALCO-01<<<
23:00 CHERNOBILLIES-PALCO-02
23:40 LOS DIAÑOS-PALCO-01
00:20 MAREMOTOS-PALCO-02

Sábado. 27/OUT
MODERN-PUNK-POP-OLD ROCK
15:30 MOSH PIT-PALCO-02
16:00 SLY-PALCO-01
16:30 LOCOMOTIVA-PALCO-02
17:00 CIRCUMSTANCE-PALCO-01
17:30 HERDEROS DO NADA-PALCO-02
18:00 RASTERRIV-PALCO-01
18:40 ÁGUA DE ROLLMOPS-PALCO-02
19:20 MENOS ARTE-PALCO-01
20:00 DARMA KHAOS(MG)-PALCO-02
20:40 GAROTOS CHINESES-PALCO-01
21:20 DALILLA-PALCO-02
22:00 FLUXODRAMA-PALCO-01
22:40 MORDIDA-PALCO-02
23:20 ANACRÔNICA-PALCO-01
00:00 RED TOMATOES-PALCO-02

Domingo. 28/OUT
INDUSTRY-CORE-HARD-METAL-ROCK
15:00 INSANIDADE MENTAL-PALCO-01
15:30 MORTUALHA(LDNA)-PALCO-02
16:00 THEY FACE REACTION-PALCO-01
16:30 EFEITO NOCIVO-PALCO-02
17:00 MISSÃO METAL(LDNA)-PALCO-01
17:30 ERASERHEAD-PALCO-02
18:00 GRADE-PALCO-01
18:30 MECANOTREMATA-PALCO-02
19:00 CORES D FLORES-PALCO-01
19:30 GROTESCO-PALCO-02
20:00 REVOULT(LDNA)-PALCO-01
20:40 VODUCK-PALCO-02
21:20 CADELA MALDITA-PALCO-01
22:00 BARRA PESADA-PALCO-02
22:40 NO MILK TODAY-PALCO-01

Segunda. 29/OUT
ACOUSTIC-GARAGE-FOLK-ROCK
19:30 JE RÊVE DE TOI 1988-PALCO-01
20:10 CONSTANZA-PALCO-02
20:50 FABYOTE y COEYOTE-PALCO-01
21:30 O LENDÁRIO CHUCROBILLYMAN-PALCO-02
22:10 HEITOR E BANDA GENTILEZA-PALCO-01
22:50 FOLK TRIO-PALCO-02

Terça. 30/OUT
ALTERNATIVE-INDIE-GROOVE-ROCK
19:30 TONIGHTERS-PALCO-01
20:10 OAEOZ-PALCO-02
20:50 FOLHETIM URBANO-PALCO-01
21:30 DJOA-PALCO-PALCO-02
22:10 MARIATCHIS-PALCO-01


Vídeo de "Windows", da OAEOZ

Quarta. 31/OUT
MOTOR-HARD DRIVERS-HALLOWEEN-ROCK
20:10 CARENAGEM-PALCO-02
20:50 AUDIOSTRADA-PALCO-01
21:30 POMPÉIA-PALCO-02
22:10 COLT 45-PALCO-01
22:50 TATURANAS-PALCO-02

Quinta. 01/NOV
ALTERNATIVE-HIP HOP-POP-ROCK
20:00 NO ATO-PALCO-01
20:30 5GRAUS -PALCO-02
21:00 REALSUB-PALCO-01
21:30 INNEXO-PALCO-02
22:00 X-MÁQUINA-PALCO-01
22:40 TERMINAL GUADALUPE-PALCO-02
23:20 POPELINES-PALCO-01

Sexta. 02/NOV
PUNK-PSYCHO-SURF-GARAGE-ROCK
17:00 BLABLABLA-PALCO-01
17:30 SEX REVOLVER-PALCO-02
18:00 GOLDSTEIN-PALCO-01
18:30 THE CLAN-PALCO-02
19:00 CÉPTICOS-PALCO-01
19:40 AUTO-CONTROLE-PALCO-02
20:20 CIRCLE-PALCO-01
21:00 DRAKULA(SP)-PALCO-02
21:40 MAGAIVERS-PALCO-01
22:20 LOS VATOS(RS)-PALCO-02
23:00 LUNETTES(SP)-PALCO-01
23:40 OVOS PRESLEY-PALCO-02

Sábado. 03/NOV
STREET-PSYCHO-PUNK-ROCK
15:00 CRUSHERS-PALCO-01
15:30 FUSS-PALCO-02
16:00 VACAJONES-PALCO-01
16:30 P.H.C.-PALCO-02
17:00 FRANKSIMATA-PALCO-01
17:30 SUCO GÁSTRICO(RS)-PALCO-02
18:00 RÁDIO CADÁVER-PALCO-01
18:30 INVASORES-PALCO-02
19:00 OS PULGAS-PALCO-01
19:30 HOGS??-PALCO-02
20:00 DEAD ANNYBALL KURY-PALCO-01
20:40 A.Z.T.-PALCO-02
21:20 CWBILLY´S-PALCO-01
22:00 MÃO DE FERRO-PALCO-02
22:40 KRÁPPULAS-PALCO-01
23:20 HILLBILLY RAWHIDE-PALCO-02

Domingo. 04/NOV
HC-INDIE-NOISE-MOD-ROCK
15:00 BOULEVARD-PALCO-01
15:30 UP THREE-PALCO-02
16:00 FOOLING PEOPLE-PALCO-01
16:30 BETH CLARISSE-PALCO-02
17:00 OFF STAGE-PALCO-01
17:30 NO BREAK-PALCO-02
18:00 JOE NOBODY-PALCO-01
18:30 ABRASKADABRA-PALCO-02
19:00 STROTZ-PALCO-01
19:30 VASODILATADORES-PALCO-02
20:00 PUNKAKE-PALCO-01
20:40 ZIGURATE-PALCO-02
21:20 BOOBARELLAS-PALCO-01
22:00 RUÍDO M/M-PALCO-02
22:40 RELESPUBLICA-PALCO-01

Mais informações
Local: Espaço Cultural 92 Graus
Endereço: Rua Des. Benvindo Valente, 280 (próximo a quadra da Praça do Gaúcho, ao lado do Cemitério Municipal)
Info e reservas: (41) 33082792 ou 92graus@92graus.com

Ingressos:
Dia 25/OUT - Festa de abertura com coquetel para bandas e imprensa
Dias 26,27,28/OUT e 02,03,04/NOV - R$10,00 (Pacote promocional para os três dias por R$25,00)
Dias 29,30, 31/OUT e 01/NOV - R$8,00 (uma cerveja grátis)
Dia 25/OUT Festa de abertura com coquetel para bandas e imprensa


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entrevista com Marcos Boffa no rraurl

Antes de mais nada, quem é Marcos Boffa? Oras, ele é uma das mentes que atuou durante grande parte da década de 90 (e o início destes anos 2000) por trás da Motor Music, produtora, loja, selo e distribuidora mineira que trouxe ao Brasil excelentes bandas como ...And You Will Know Us by the Trail of Dead, Mudhoney e Atari Teenage Riot, só para ficar em poucos nomes, além de realizar dezenas de shows alternativos de bandas alternativas brasileiras.

Seu nome voltou a ser bastante citado recentemente, já que ele também é um dos organizadores do festival Eletronika e o produtor responsável pelos shows do LCD Soundsystem no país.

Apesar de curta, a entrevista de Boffa no rraurl (site altamente indicado para os apreciadores de sons eletrônicos) é interessante e trata dos atuais festivais de música no Brasil, preços, patrocínios e datas.

Dando uma colher de chá para os desinformados, aqui vão dois bons textos para entender a razão pela qual ela é um dos maiores ícones do underground brasileiro:
Motor Music - a força motriz da música
Motor Music comemora 4 anos com turnê e documentário

24 de outubro de 2007

Eletronika 2007: programação completa

Shows
14/11/07 - quarta-feira
Atrações: LCD Soundsystem (NYC), Jon Carter (Londres), Shir Khan (Berlin), Turbo Trio x Mixhell X Chernobyl (SP-POA), Bo$$ in Drama (CWB), Kowalsky (BH)
Local: Chevrolet Hall
Endereço: Av. Nossa Senhora do Carmo, 230 - Savassi, Belo Horizonte/MG
Fone: (31) 3209-8989
Ingressos: primeiro lote = R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia)
www.chevrolethallbh.com.br

16/11/07, sexta-feira
Atrações: Battles (NYC), The Field (Estocolmo), Mau Mau (SP), Fred Mafra (BH), Dago Donato (SP), Killer Shoes (BH), Gente Bonita (SP), Miranda (SP)
Local: Roxy Club
Endereço: Rua Antonio de Albuquerque 729 – Savassi, Belo Horizonte/MG
Fone: (31) 3269-4410
Ingressos: R$ 35,00 (masculino), R$ 25,00 (feminino)
Obs.: Bônus de R$ 10,00 em drinks para quem chegar até 00h.


Ciclo de Debates
Datas: 14, 15 e 16/11
Local: Oi Futuro - Multiespaço/Oi Futuro
Endereço: Av. Afonso Pena, 4001 - Térreo – Belo Horizonte/MG
Fone: (31) 3229-3131
Horários: dia 14 – 19hs; dia 15 – 16hs; dia 16 – 19hs
Entrada: Gratuita


Dia 14/11, qua - "Anota o meu site"
Divulgação e Cobertura em Tempos de Internet
- Thiago Ney (jornalista Folha de S. Paulo e blog Ilustrada no Pop)
- Lúcio Ribeiro (jornalista, blog Popload)
- Kid Vinil (DJ, músico e radialista)
- Paulo Terron (jornalista, blog With Lasers)

Dia 15/11, qui - "Estamos fazendo"
Núcleos de Produção Independente
- André Barcinski (jornalista, Circuito Techno e Clash Club)
- Fabrício Nobre (músico, produtor, Monstro Discos)
- Bruno Maia (produtor Chappa Quente)
- Ana Garcia (produtora festival Coquetel Molotov)

Dia 16/11, sex - "Entre o YouTube e a MTV"
A Importância do Vídeo como Veículo
- Carlos Eduardo Miranda (jornalista, produtor)
- Renata Simões (jornalista, apresentadora do Multishow)
- Dagoberto Donato (editor do site TramaVirtual)
- Israel do Vale (jornalista)

Em breve o texto completo sobre o festival.

21 de outubro de 2007

Eletronika 2007: novidades sobre a programação

Enquanto não sai a programação oficial completa do Eletronika 2007, festival previsto para acontecer em Belo Horizonte de 10 a 17 de novembro, já dá para saber, ao menos, parte da programação.

LCD Soundsystem e Battles são os principais nomes já confirmados, mas ainda há um certo mistério em relação às demais atrações. Agora, depois de olhar muitas agendas no MySpace, dá para garantir que no dia 14 de novembro, quarta-feira, véspera de feriado, se apresentam no Chevrolet Hall:
LCD Soundsystem, Mix Hell (projeto eletrônico de Iggor Cavalera), Turbo Trio (BNegão + os produtores Alexandre Basa e Tejo Damasceno), Chernobyl (produtor do Bonde do Rolê e membro da Comunidade Nin-Jitsu e 808 sex) e o DJ alemão Shir Khan. Já o Battles, toca no dia 17 de novembro.

Assim que soubermos de mais coisas, publicamos aqui.

17 de outubro de 2007

contribuindo para o fim dos cd´s

Muita gente pergunta e pede por mais CD's para baixar e sempre reclamam de como é difícil encontrar bons álbuns de rock alternativo brasileiro na internet. Felizmente, o volume de álbuns liberados pelas próprias bandas vêm aumentando e uma rápida busca pela TramaVirtual prova isto.

Para ajudar, sempre que possível organizaremos aqui alguns links para o download de álbuns interessantes, mas apenas aqueles que foram liberados para download pelas próprias bandas. A maioria dos álbuns poderá ser encontrada na TramaVirtual e no meiodesligado.4shared.com. Eventualmente também utilizaremos outros serviços de hospedagem, sem contar os diversos links que encontramos pela rede e divulgamos aqui.

Em relação aos CD's antigos convertidos em mp3 e "uploadeados" por nós mesmos, você pode esperar por uma boa qualidade, geralmente de 220 ou 260 kbps, e, em alguns casos, acompanhados dos respectivos encartes digitalizados.

capa do álbum SimulacroAproveite.

China - Simulacro (2007)
Primeiro álbum solo do ex-vocalista do Sheik Tosado, contando com produção de Pupillo (Nação Zumbi) e participações de integrantes do Mombojó, 3 na Massa, Instituto e Bonsucesso Samba Clube.

Terminal Guadalupe - A Marcha dos Invisíveis (2007)
Rock pop em português de alta qualidade, uma das mais promissoras bandas do underground nacional.

Ludovic - Idioma Morto (2006) (também disponível na TramaVirtual, baixe e ajude a banda)
Segundo álbum da banda paulista aclamada por público e crítica como uma das melhores do país. Pós-punk e rock alternativo com forte pegada e grande influência literária. Leia a resenha.

Maquinado (2007)
Primeiro álbum do projeto de Lúcio Maia, da Nação Zumbi, que conta com a participação de membros da própria Nação, Mombojó, Cidadão Instigado, entre outros. Leia a resenha.

Thee Butchers´ Orchestra - Golden Hits by ... (2000)
Finada banda de rock de garagem, uma das maiores do underground brasileiro de meados dos anos 90 ao início desta década. Contava com Adriano Cintra nas guitarras e vocais (agora mundialmente famoso como baixista/baterista da Cansei de Ser Sexy), Marco Butcher (atualmente tocando sozinho com o nome Uncle Butcher and His One Man Band), também nas guitarras e vocais, e Rodrigo Butcher na bateria.

Bidê ou Balde - Outubro ou Nada (2002)
Segundo álbum da banda gaúcha de rock chicletudo. Poucas vezes se viu uma banda tão afinada para compor rock pop em português como a Bidê ou Balde de Outubro ou Nada. Leia a resenha.

Zefirina Bomba - noisecoregroovecocoenvenenado

Direto da Paraíba, rock'n'roll barulhento e animado, um dos primeiros lançamentos da TramaVirtual como selo.

Wander Wildner - todos os álbuns
O ícone do punk brega colocou seus quatro álbuns (Baladas Sangrentas, Buenos Dias!, Eu Sou Feio... Mas Sou Bonito! e Paraquedas do coração) para download gratuito no iJigg.

Ecos Falsos - Descartável Longa Vida (2007)

Orquestra Imperial - Carnaval Só no Ano que Vem (2007)
Esse não foi liberado pelo banda, mas já que achei o link para o download por aí...

13 de outubro de 2007

Manual para divulgação de bandas independentes na internet

Nos últimos anos, a evolução tecnológica provocou grandes alterações em nossas vidas. A internet, fruto dessa evolução, passou a ter papel crucial no modo como vemos e interagimos com o mundo. Um dos maiores benefícios dessa evolução foi o desenvolvimento de novas formas, mais eficientes e rápidas, de acesso à cultura e troca de informações. Transpondo esta situação para o cenário musical, temos uma verdadeira revolução, inimaginável no início dos anos 90, por exemplo, na qual nunca foi tão fácil conhecer novos artistas e, no caso dos músicos, mostrar seu trabalho para o mundo e atingir milhares (até milhões) de pessoas.

evoluçãoAssim como a difusão de tecnologia provocou uma considerável democratização das ferramentas de produção (softwares de edição e criação de áudio, teclados controladores, etc), resultando em saltos gigantescos no volume da produção musical, a internet passou a exercer a função crucial de armazenar, organizar e distribuir todo este conteúdo, fazendo com que o processo de divulgação e distribuição da música independente (e também da música pop) se alterasse, deixando para trás rádio e tv.


Apesar da crise das grandes gravadoras, nunca se consumiu tanta música quanto atualmente. Basta pensar na quantidade de músicas que circulam pelos milhões de tocadores de mp3 por todo o mundo e enchem HD's de computadores em casas e nos escritórios. A música está em todos os lugares e as bandas alcançaram um nível de independência até então inédito. Uma ótima divulgação pode ser feita pela internet utilizando ferramentas gratuitas e até mesmo custos de gravação das músicas podem ser reduzidos, graças aos estúdios caseiros e seus softwares de produção e edição.

Exemplificando o parágrafo acima, temos aquela já batida história sobre o Arctic Monkeys, primeiro famosos no MySpace, depois em todo o mundo; Cansei de Ser Sexy, de hype no TramaVirtual para os palcos americanos e europeus; e também o Bonde do Rolê seguindo o mesmo caminho do CSS. São fenômenos impensáveis sem a internet. No caso do Bonde, servem também como exemplo da produção caseira. Até mesmo em seu álbum de estréia, With Lasers, as guitarras foram gravadas no apartamento do produtor Chernobyl, como o mesmo revelou em seu blog. O recente lançamento do álbum In Rainbows, do Radiohead, um dos maiores grupos do mundo, acaba com as dúvidas quanto a eficácia da internet como um meio de distribuição e divulgação: permitindo que os próprios fãs escolhessem quanto pagariam pelo álbum e disponibilizando-o primeiro na internet, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas tenham feito o download nos dois primeiros dias após seu lançamento, resultando em cerca de £5 milhões para a banda (quase R$ 20 milhões).

Tendo em vista esse panorama, o "Manual para divulgação de bandas independentes na internet" é uma tentativa de contribuir para o desenvolvimento dos artistas independentes, através de uma melhor divulgação de suas obras, de modo que seja mais fácil para o público encontrá-las e que as próprias bandas possam crescer e se tornar auto-sustentáveis através da música (sendo beeeeem otimista).

Afinal, se a internet passa a ser a principal ponte entre artistas e público, é importante que este meio seja bem utilizado, explorando todas as suas possibilidades.

É justamente por isso que abaixo você encontra sites/serviços web que possibilitam o armazenamento e divulgação de todo o material produzido pelas bandas, sejam músicas, vídeos, fotos ou qualquer outro arquivo digital, diminuindo o hiato entre o momento de criação e a apreciação por parte do público. Outro elemento importante proporcionado por estes serviços é a interatividade, tornando banda e ouvintes muito mais próximos, em alguns casos, até mesmo eliminando essas barreiras (como nas produções coletivas e abertas).

E como não poderia deixar de ser, é tudo de graça.

Mas o mais importante, e muitas vezes esquecido, é a própria música. Ela é o que importa. Pense na música. Pense na música.

Não diga que não avisei: não adianta ter uma bandinha medíocre.


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Músicas
Criar sua página no MySpace e no TramaVirtual, para as bandas nacionais, é praticamente o básico. MySpace é a maior comunidade mundial, já consolidada, através da qual é possível entrar em contato com pessoas e bandas de todo o mundo (inclusive com as próprias bandas que servem de influência). O TramaVirtual é o maior e melhor site do estilo no Brasil e também o que dá maior visibilidade. É nele que você encontra as melhores bandas da música alternativa brasileira atualmente.

Ambos os sites possibilitam que as bandas adicionem fotos e mantenham blog, sendo que no MySpace há maior abertura para personalização da página e adição de vídeos. Por outro lado, o MySpace permite o upload de apenas quatro músicas, enquanto na TramaVirtual o limite é tão grande que eu simplesmente não sei qual é (sério) e existe o sistema de "download remunerado", através do qual as bandas ganham dinheiro de acordo com a quantidade de downloads feitos das suas músicas.

A menos que esteja sendo irônico, manere o egocentrismo e a megalomania na hora de escrever os releases da banda. Apenas a prepotência irônica conta pontos a favor de uma banda. A reles prepotência imbecil simplesmente deixa claro que você tenta compensar com palavras o que não consegue fazer musicalmente. O mesmo cuidado e atenção vale para o momento de escolher o estilo a ser cadastro. Não escolha aquilo que você QUER tocar, mas sim aquilo que você REALMENTE toca. É incrível o enorme número de bobagens que se encontra (no meu trabalho como organizador de conteúdo de um grande portal de música, vejo isso o dia inteiro e portanto tenho propriedade para falar sobre o assunto). As besteiras vão de bandas emo que acham que tocam grindcore (no mínimo, sem ter a mínima noção do que é isso); bandas de pop rock chulé que acham que fazem indie rock; punk de butique cadastrado como rock de garagem; mais emo cadastrado como punk; e o pior de todos: centenas de grupos banais, cópias do que há de mais sem graça no mainstream, que se dizem "experimentais". Então tá.

Pode parecer reclamação gratuita, mas não é. Pense bem. Se você está atrás de uma banda shoegazer, bem depressiva, para servir de trilha sonora enquanto você "tenta" suicídio cortando os pulsos com a colherzinha de plástico com a qual acabou de tomar Danoninho (delícia!), e encontra uma banda de indie pop, as probabilidades de considerar esta mesma banda um lixo são enormes. Em conseqüência disto, essa banda poderá ir (talvez inconscientemente) para sua "lista mental de bandas de merda da internet" e esta mesma opinião poderá ser transmitida aos seus amigos, leitores do seu blog, etc. Ou talvez você simplesmente aperte stop e continue sua vidinha sem graça.

São muitos os serviços nos quais você pode disponibilizar suas músicas e o ideal é que você utilize todos, aumentando a chance de que seu trabalho seja encontrado. Entretanto, é importante que você defina um ou dois sites para os quais linkar e indicar para as pessoas (normalmente MySpace e TramaVirtual). Desta maneira, os sites escolhidos servirão como vitrine e exibirão melhores resultados do que se você fragmentar sua divulgação entre 10 sites diferentes.

Cada serviço possui suas particularidades e alguns possuem claramente afinidades com determinados estilos (caso do PureVolume com as vertentes mais pesadas do rock e o emo/screamo), então é preciso levar estes elementos em consideração na hora de escolher qual site atualizar com mais frequência e interesse.

Entre os similares do MySpace temos o Virb, PureVolume e imeem. No Brasil, também temos as opções do Fiberonline (voltado para a música eletrônica), Palco MP3, Bandas de Garagem e Busca MP3. Outras boas opções são o iJigg, espécie de YouTube para músicas, e a gravadora aberta Jamendo, na qual as bandas disponibilizam álbuns inteiros para download sobre licenças Creative Commons. Você pode ler mais sobre estes serviços na série "independência 2.0", publicada aqui mesmo no Meio Desligado.

O Overmundo, site dedicado à cultura brasileira, também é uma ótima opção. O banco de cultura do site possibilita o envio de áudio, vídeo, fotos e textos, sendo que, para ser publicado no site, o conteúdo precisa receber um número mínimo de votos dos membros da comunidade. Todo o conteúdo do Overmundo também fica sob licenças Creative Commons.

E fechando a lista de opções para as músicas, temos os serviços de podcast. Como a maioria dos sites determina as taxas de kbps e bit rate (referentes à qualidade do áudio) das músicas a serem disponibilizadas, os podcasts acabam sendo outra alternativa, ideal para publicar versões alternativas, lados-b ou demos. Entre os mais utilizados estão o Odeo (cujos players são bastante utilizados neste blog, incluindo o grande player vermelho disponível na barra lateral) e o Podomatic (feio, mas útil).

Tchauzinho, tv!Vídeos
YouTube, básico. Não é todo mundo que sabe, mas existe a opção de cadastro especial para bandas e de customização da página. O MetaCafe também é bastante utilizado e possui programas de remuneração do usuário, assim como o Revver. Não tão utilizados para a música, mas também interessantes, são o Daily Motion e o iFilm. Um serviço em ascensão em bastante elogiado é o Brightcove.

Grupo para fotos de bandas alternativas brasileirasFotos
A maioria das bandas prefere fazer um Fotolog e divulgar suas imagens por lá, mas o serviço é extremamente limitado e chato. Alternativas muito mais interessantes são o Flickr, no qual a banda pode criar um álbum próprio, um grupo para si ou enviar suas fotos para grupos relacionados (como o indie BR, que reúne fotografias de bandas alternativas brasileiras) e o 8P, que foi devidamente analisado neste texto.

Mas se você precisa de fotos que irá reutilizar em diversas outras páginas, nada como usar um serviço de armazenamento de imagens como o Photobucket. Você faz o upload da imagem e o site já te dá um código "embed", assim como os do YouTube, para você reutilizá-la onde quiser. É uma prática muito comum para fazer propaganda nos comentários do MySpace, por exemplo (e que às vezes enche o saco).

Comunidades
Orkut é bem fútil, mas pode ser bem útil, dependendo de como é usado. As comunidades virtuais podem ser utilizadas para reunir fãs de uma determinada banda e trocar informações sobre a mesma. É sempre mais legal quando alguém que gosta da banda cria uma comunidade, mas não irão lhe crucificar por criar uma para a sua banda. MySpace, Virb e imeem também são formam comunidades virtuais, mas de maneira bem diferente.

Uma comunidade tida como bem mais útil e ampla é a Facebook, que vem crescendo bastante. A Last.Fm também pode ajudar na divulgação, já que possui espaço para cadastramento de shows, músicas, vídeos, fotos e descrições das bandas. Gravadoras também podem se cadastrar na Last.Fm e editar informações de seus artistas.

Blogs
Se você chegou até este ponto, responda a pergunta: para que fazer um site? Resposta: por nada! É muito mais prático simplesmente comprar um domínio .com ou .com.br para sua banda e redirecioná-lo para seu MySpace ou seu blog, onde você pode juntar todo o material relacionado ao grupo. Para isso, serviços como Blogger e Wordpress são os mais populares. Interessados em experimentar também podem tentar o Vox, o tiozinho Live Journal (fraco), entre outros.

Armazenamento
De certa forma, todos os links acima estão relacionados ao armazenamento de conteúdo. Mesmo assim, esta categoria diz respeito aos serviços que funcionam exclusivamente como HD's digitais, nos quais qualquer material digital pode ser guardado. Muitas bandas os utilizam para disponibilizar álbuns inteiros em arquivos .zip ou .rar, poupando o trabalho do download faixa-à-faixa.

O 4shared é interessante por oferecer realmente uma espécie de HD virtual, no qual você pode criar pastas e escolher o que deseja compartilhar ou não. Outros serviços de armazenamento são o Rapidshare, Zshare, Sharebee e Mediafire, todos bem fáceis de serem utilizados.

Outro site que deve ser mencionado é o Archive, que reúne um enorme arquivo de shows, músicas e filmes.

Indefinidos
Mugg. "...o Mugg é um agregador de notícias sobre música, criando assim um canal de informações no qual os próprios usuários definem o conteúdo. Funciona assim: você encontra uma notícia interessante sobre música em qualquer site e, se quiser, a envia para o Mugg, clicando em um link específíco fornecido pelo serviço (e que você pode salvar nos seus favoritos, para facilitar) ou vai até o site e posta o link da notícia. Depois, é só escrever uma chamada para o texto com suas próprias palavras (por causa dos direitos autorais) e pronto. A partir daí sua notícia tem uma semana para receber no mínimo quatro votos e ser publicada no site.

Caso você tenha interesse em publicar um texto de sua própria autoria, também há espaço para isso. Como os próprios criadores do Mugg escreveram no site, essa é uma ferramenta que pode ser utilizada para 'falar sobre sua banda, colocar links para vídeos e downloads, fazer resenhas de shows a que foi, Cds que ouviu', etc."


Twitter. Hype do microblogging. Serviço que permite a publicação de pequenos textos de até 140 caracteres e que podem ser exibidos em outros sites e até recebidos por celular.

Del.icio.us. Exemplo mais conhecido daquilo que é conhecido como "social bookmarking", algo como "socialização de sites favoritos". Serviço através do qual você pode gravar seus sites favoritos, organizá-los através de tags, acessá-los de qualquer computador e dividi-los com o mundo. Pode ser usado para agrupar tudo que sai na internet sobre sua banda, por exemplo. Serviços similares: Furl, Blinklist, Reddit, StumbleUpon e Ma.gnolia.

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É isso. Não é uma panacéia (e nem era a intenção), mas espero que este texto possa ajudar na disseminação da cultura.

Sugestões são bem-vindas!

Foto da TV quebrada: theunionforever
Foto do zé-mané sendo estrangulado: kalebdf


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12 de outubro de 2007

53HC Fest 2007

A 53HC é um dos pilares do hardcore em Belo Horizonte, funcionando como loja, selo, distribuidora e produtora. Nos dias 19 e 20 deste mês, ela realiza mais uma edição do seu 53HC Fest, reunindo 14 bandas que, de uma forma ou outra, mantém alguma relação com o hardcore, mesmo sem serem expoentes do mesmo.

53hc FestAs principais atrações desta edição do festival são Forgotten Boys, Matanza, Móveis Coloniais de Acaju e Canastra. Bandas mineiras (5) e cariocas (4) são maioria, dividindo palco com representantes da música do Distrito Federal (Móveis... e Gramofocas), Paraná (Magaivers), São Paulo (Forgotten Boys) e Sergipe (Rockassetes).

O evento acontece no Bar Brasil (Rua Ouro Preto 301, Barro Preto) e tem classificação etária de 16 anos. Os pais que estiverem acompanhando seus filhos menores não pagam entrada. Os ingressos para cada dia custam R$ 25 na portaria e R$ 20 se forem comprados com antecedência na própria 53HC (Rua Rio de Janeiro 630, Centro, loja 53) ou no estúdio de tatuagens Pietá Tattoo (Rua Paraíba 1441, Savassi).

Programação completa:

19 de outubro, sexta-feira
Matanza (RJ)
Móveis Coloniais de Acaju (DF)
Canastra (RJ)
Ballet (MG)
Moldest (MG)
Proa (MG)
Vulgaris (MG)

20 de outubro, sábado
Forgotten Boys
Gramofocas (DF)
Big Trep (RJ)
Rockassetes (SE)
Magaivers (PR)
Cyius (RJ)
The Folsoms (MG)

Site oficial: www.53hc.com

Aproveite para ler o texto sobre a edição 2006 do 53HC Fest.

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