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29 de julho de 2007

rádio Meio Desligado #01



Ao invés de fazer um podcast com locução tosca e empurrar uma ordem pré-estabelecida sobre vocês, preferimos começar a fazer listas mensais com algumas indicações de músicas. Na realidade, os podcasts são mais moda do que realmente "uma revolução".

Sendo assim, não se prenda a ordem estabelecida pelo imeem (serviço utilizado para hospedar as músicas). Ouça na sequência que desejar, escolha pelas músicas com os melhores nomes, as bandas que você sempe ouviu falar mas nunca ouviu, procure novidades ou simplesmente deixe tudo rolando.

Nesta primeira edição você confere faixas dos novos álbuns do Superguidis, Bonde do Rolê, Vamoz! e Canastra, além de uma música do primeiro (e esperado) álbum solo do China e músicas nem tão recentes da Zefirina Bomba, Supercordas e Café Colômbia (que nem tem disco ainda).

Atualização: como vocês devem ter percebido, algumas músicas não são tocadas na íntegra. Isso acontece, segundo o imeem, porque as gravadoras destes artistas não permitem.

28 de julho de 2007

ainda sobre os downloads

Três participações muito interessantes foram feitas no texto anterior, sobre download, e merecem ser publicadas aqui, já que ajudam a ter uma visão melhor do atual panorama do mercado musical (inclusive o independente).

Nego Zé disse...
Cara, isso é uma verdade. Acho que muitas bandas - mesmo independentes - ainda estão apegadas a velhos arquétipos da música. Mesmo a galera se ferrando literalmente, com cachês irrisórios, turnês deficitárias e pouco incentivo da mídia generalista e do poder público, muita gente ainda age como se tivesse muita coisa a perder com os downloads. Sinceramente, acho que essa era de mp3 e internet contribui para desglamourizar a música, e principalmente o rock. Talvez isso seja uma coisa muito boa. Ao invés de meia dúzia de mega-bandas com cachês milionários e vendas de disco estratosféricas, você tem um espaço mais democrático, com muitas bandas podendo divulgar a sua música. Não sei se a era dos rockeiros temperamentais e destruidores de quartos de hotel está com os dias contados. Mas, de fato, hoje o apadrinhamento de uma gravadora não é mais tão essencial para quem quer viver de música. Excelente post, vamos liberar os downloads gratuitos, levar a música para além das fronteiras do quarto e fazer muitos shows!
25 de Julho de 2007 23:30

Mi, de Camila disse...
Eu sempre compro CDs de bandas independentes, tanto faz se antes ou depois de ter ouvido o álbum. Eu gosto de TER CD. Gosto de ver e ler encarte. Gosto de pensar que um dia meus descendentes vão descobrí-los assim como eu descobri a coleção de vinil dos meus tios. Acho essencial CD.
Mas, então, eu compro. E aí eu digitalizo e deixo compartilhando. Inclusive, eu compartilho o que é lançamento muito fresco internacional e o que é nacional. Já recebi puxões de orelha pela prática e já recebi agradecimentos.
É controverso, mas quem sobreviver verá que compartilhar é o que há! :D E (imho) quem compartilhar vai continuar vendendo CDs.
27 de Julho de 2007 02:27

gáston disse...
Concordo em relação ao fato de quanto mais música for compartilhada, mais cds serão vendidos.
Mas só compra cd hoje em dia quem realmente quer e tem grana sobrando pra isso, porq é muito mais prático e viável baixar tudo. E assim vc pode conhecer muito mais bandas e ir aos shows de todas que agradarem.
27 de Julho de 2007 15:01

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Alguns textos sobre o assunto:
Gravadoras processam 8 mil por download de músicas, sendo 20 no Brasil
Cd,usb, mp3: qual será o novo formato?

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E se você está interessado em baixar muita música mas nem sabe muito bem o que quer ou tem preguiça, duas comunidades do Orkut podem ser úteis (sim, ele serve para alguma coisa além de fuxicar a vida dos outros): a RCD, que reúne centenas de links para download de álbuns de todo mundo, além de ser bem organizada, com bandas organizadas por índice e um tópico com os lançamentos de 2007 que já conta com mais de 680 postagens; e a Comunidade de Rock Brasileiro, com bem menos links, mas que às vezes ajuda.

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Fechando, tem a lista de "disco blogues" publicada no URBe. Muito boa.

25 de julho de 2007

downloads, downloads e mais downloads

Já não é novidade alguma as bandas disponibilizarem álbuns completos para download gratuito, mas nos últimos tempos as pessoas estão cada vez mais abertas às possibilidades da prática e fica mais fácil conseguir boa música, inclusive nacional.
Enquanto alguns grupos e gravadoras esperneiam contra a troca de arquivos digitais, a cena independente é uma das que mais se beneficia com os downloads e o utiliza como uma das principais formas de se aproximar do público.

Para se ter uma idéia, há cerca de quatro anos não compro um cds, mas nunca ouvi tanta música como nesse período. Na verdade, acredito que um dos fatores que dificulta o crescimento da cena alternativa brasileira é pequeno volume de obras nacionais disponíveis para download, seja ele legal ou não. Enquanto álbuns internacionais vazam e podem ser baixados meses antes de seus lançamentos oficiais, álbuns de artistas brasileiros independentes caem na rede com dificuldade e muitas vezes são extremamente difíceis de ser encontrados.
Pense: se o público brasileiro não está comprando sequer os cds dos grandes nomes da música internacional, por que iria gastar seu dinheiro com bandas que mal conhece?

É uma questão de conhecimento e bom senso, mas o receio e atitudes anacrônicas de indivíduos envolvidos com a música feita por aqui impedem que a situação melhore de modo muito mais rápido, resultando em problemas de divulgação e cds encalhados.

Por outro lado, felizmente algumas bandas brasileiras não apenas disponibilizam como também incentivam o download de suas músicas, colocando-as em seus sites oficiais e em serviços como Rapidshare, 4Shared e diversos outros. Abaixo você confere uma lista com algumas dessas bandas e os links para download. Aproveite.

Mombojó. Nadadenovo [2004] e Homem-Espuma [2006]
MQN. todos os álbuns e singles
Superguidis. Superguidis
Macaco Bong. Objeto Perdida
UDR. todas as músicas e lados-b
Esquadrão Atari. tudo
Vamoz. To the Gig on the Road
Ludovic. Servil [2004]

23 de julho de 2007

Produtores Toddy

Continuando sua atual estratégia de se relacionar à música independente feita no Brasil, a marca de achocolatados Toddy agora mantém um site destinado a dar dicas de produção para bandas iniciantes. No ar desde meados de junho, o Produtores Toddy reúne Edu K (ex-De Falla), Chernobyl (Comunidade Nin-Jitsu) e Kuaker, três músicos/produtores de relativa importância no cenário musical nacional que estão com blogs hospedados no site, escrevendo suas opiniões sobre as músicas enviadas a eles através da página e respondendo à dúvidas da audiência.


Edu K é provavelmente uma das maiores lendas da música brasileira recente, tendo tocado de hardcore e hip hop à funk carioca e música eletrônica, sendo mais conhecido pelo hit "Popozuda Rock N' Roll". Entre as bandas produzidas por K estão nomes tão díspares quanto Detonautas Roque Clube, Tiazinha e Os Cavaleiros Mascarados e Mundo Livre S.A. Aumentando ainda mais sua fama de camaleão, Edu agora exibe visual emo e montou uma nova banda, ainda sem nome.

Chernobyl é membro da Comunidade Nin-Jitsu, escrachado grupo gaúcho, e também mantém o projeto de electro rock 808sex. Sua trajetória como produtor é mais recente, sendo que foi ele o responsável pelos primeiros passos do Bonde do Rolê.

Já Kuaker é um pouco mais próximo da cena rock/hardcore, com álbuns do CPM 22, Blind Pigs e Lobotomia no currículo. Além de ter trabalhado com o falecido e renomado produtor Suba (responsável por trabalhos de Bebel Gilberto e Edgar Scandurra, por exemplo), Kuaker foi técnico de som de grupos como Dead Fish e Sick of it All, durante sua passagem pelo Brasil, além de ter tocado com Dinho Ouro Preto na banda Vertigo.

Qualquer pessoa pode se cadastrar e entrar em contato com algum dos produtores, enviar sua música em mp3, etc. Todas as sextas-feiras, no programa Ya! Dog, da MTV, haverá um espaço dedicado ao projeto.
Entre os assuntos já tratados nos blogs estão dicas de sintetizadores, detalhes a serem observados durante as gravações e divulgação da banda, além de sugerirem muitos equipamentos para viabilizar a produção musical caseira.

Ps.: se você acompanha o Meio Desligado no MySpace, sabe que o período sem atualização foi devido à minha participação no NDesign, que acabou no último sábado em Florianópolis. Desculpe, mas foi por uma boa causa. A Juliana não pôde continuar a escrever porque ela é preguiçosa mesmo (e estava um pouco ocupada).

13 de julho de 2007

U.D.R: fist fucking para os ouvidos

U.D.R >> 15.06.06

A música alternativa brasileira pode ser dividida em duas grandes fases: antes e depois da U.D.R. Calma, calma. Antes de interromper a leitura e continuar sua busca na internet por pornografia gratuita e mentiras reconfortantes, pense em quais bandas podem ser diretamente ligadas à criação de um novo estilo musical.


Eu poderia usar onomatopéias como “tic” e “tac” para simular a passagem de tempo enquanto você pensa e uma verdadeira tempestade elétrica acontece nisso em que você chama de cérebro, mas seria uma grande mentira, já que quase nenhum relógio atual continua fazendo esses sons e o próprio uso desses acessórios vem diminuindo, sendo substituídos pelos celulares que, entre suas atuais 46 funções padrão, também informam as horas, veja só! “Nosfa!”.

Pois bem. Aos nomes que possam ter surgido em resposta à pergunta proposta, como The Stooges e Black Sabbath, adicione mais três letras: U-D-R. Porém, esta dupla mineira foi além. Não criaram apenas um estilo, mas dois: o funk escatológico satânico e o rock n' roll anti-cósmico da morte. Se o primeiro é uma legítima manifestação da ironia levada ao extremo, uma sarcástica resposta ao controle e ao poder da Igreja Católica no Brasil e sua suposta assepsia, influenciando diretamente nomes como Cansei de Ser Sexy (como a própria vocalista Lovefoxxx já declarou) e Bonde do Rolê, o segundo estilo é mais uma grande piada, mas nem por isso menos original.

Ao apropriar-se dos cacoetes e clichês oriundos do funk, rap, metal, rock e até mesmo tendo como influência os estilos de vida dos playboys e patricinhas, a U.D.R faz poderosas críticas sociais, até mesmo sem querer, disfarçadas sob ideais hedonistas e uma falsa alienação. Não é apenas um dedo na ferida exposta, mas uma mão inteira, em uma autêntico fist fucking sem lubrificantes para os ouvidos.


Ter sua própria obra fora de seu controle é comum às grandes bandas e é isso o que encontramos na U.D.R. Por mais que MC Carvão e Professor Aquaplay soem extremamente honestos ao comporem suas rimas com termos do cinema pornô hardcore e de práticas do submundo homossexual, suas letras também refletem as transformações ocorridas na cultura e na sociedade brasileira desde meados da década de 90.


A religião é um dos temas preferidos destes nerds que, munidos de alguns poucos softwares pirateados, utilizam a fúria gerada nos seguidores de Jesus como combustível. Afinal, o que esperar de canções intituladas “Bonde da Mutilação” e “Dança do Pentagrama Invertido” e letras como “É isso menininha / Jesus pode te amar mas só a U.D.R te quer / fogo do capeta / brasa na calcinha / deformo sua buceta e arrombo a sua bundinha”, do refrão da incrível “Gigolô Autodidata”?

Outro elemento que reforça a importância da U.D.R no cenário musical brasileiro é que ela é uma das primeiras da geração de bandas que se tornaram conhecidas através da internet e que utilizam esquemas de produção caseira. Em suas próprias casa, plugando microfones aos Pcs e utilizando programas de produção musical crackeados, gastos com estúdio e instrumentos são eliminados, permitindo que a capacidade criativa não seja reprimida e limitada por questões monetárias.


Circulando entre as cenas metal, indie e eletrônica com naturalidade, canções como “Dança do Pentagrama Invertido” e “Bonde da Orgia de Travecos”, dois dos hits alternativos da dupla, são entoadas tanto por headbangers com suas camisas do Venom como por indies de óculos de armação grossa e piranhas electro de shortinho. Grupos que se unem pela atração ao bizarro, o hedonismo inconsequente, a crueza, a busca pela liberdade e a diversão de não se ter limites ao menos por um momento.


Desde 2003 Aquaplay e Carvão são os pastores do demônio organizando sessões de descarrego em clubes sujos do sudeste brasileiro, lembrando as pessoas que existe vida além das atuações às quais nos entregamos diariamente e, mais importante, reavivando em nossas mentes o quanto a vida pode ser divertida. Basta não levá-la a sério todo o tempo.

Em entrevista por email, Professor Aquaplay (à direita, de branco), comenta o início da banda, momentos singulares de alguns shows e seus planos nefastos.

Quando foi formada a U.D.R e quais eram seus integrantes na época? Qual a formação atual?
A banda foi formada em 2003. Éramos eu, MS Barney e MC Carvão. Montamos a banda depois que eu e um outro amigo tocarmos ao vivo com a extinta dupla "MC Abutre e MC Carniça". Daí o MC Carniça saiu e entraram o Barney e o Carvão. O Barney saiu em outubro de 2005 e agora somos só eu e o Carvão.

Qual a origem e significado do nome "U.D.R"?
Eu ia dizer que significa "Udora" sem as vogais, mas ninguém pescou essa piada ainda. A idéia era usar uma sigla baseada em algo que remetesse a puritanismo e conservadorismo extremos. De início, a intenção era usar "TFP", por causa daquele movimento "Trabalho, Família e Propriedade" ou coisa que o valha. Mas daí o Barney teve a idéia de usar "UDR" por causa da União Democrática Ruralista, um partido extremamente conservador. Gostamos da idéia e topamos. De qualquer maneira, o nome da banda não tem necessariamente o mesmo significado da sigla de onde o tiramos. É só uma sigla.

Qual a tiragem de cada um dos cds da banda? Algumas pessoas afirmam que eles nem sequer existem, devido a dificuldade em se achar algum cd da UDR.
Tiramos 50 cópias do
Seringas Compartilhadas Vol.2, nosso primeiro e único cd até então. A idéia era pegar uns e levar para nosso primeiro show em São Paulo.
Fizemos uma divulgação boa e nego só queria o disco de presente. Desembolsar 7 mangos que é bom, nem pensar. Alguns compraram por encomenda e o disco foi - em doses homeopáticas - pra tudo quanto é canto do Brasil. O resto ficou encalhado um tempão até acabar, daí broxamos para fazer uma segunda prensagem, imaginando que daria no mesmo. Agora é só lamento, o Seringas... acabou pra valer. A moçada vai ter que ficar esperta e esperar até rolar tiragem do próximo disco, que estamos terminando. Deve sair um número mais generoso de cópias, tipo 100. Nem a pau que vamos fazer prensagem super profissional de 2 mil exemplares pra ficar com 1200 encalhados.

Levando-se em consideração a questão anterior, a U.D.R pode ser considerada a típica banda da geração mp3?
Partindo do princípio que só somos conhecidos assim por causa de meia dúzia de MP3 soltos na internet, acho que sim.


No maior país católico do mundo e com a enorme proliferação das igrejas evangélicas na última década, é de se esperar que uma banda que canta sobre satanás, orgias de travestis e pessoas comendo fezes não seja muito bem aceita. Vocês já tiveram problemas com algum grupo religioso ou com a mídia?
Esse lance de aceitação é bem o contrário, somos até bem queridos e os últimos shows fora de BH foram excelentes. Acho que teríamos público bom em outras cidades, pelo que dá pra notar por aí... parece que estão percebendo, aos poucos, que são só piadas. Feias, mas, ainda assim, piadas.

Quanto a "problemas", só tivemos dois. Ambos em BH.
O primeiro foi quando um sujeito desavisado adentrou o recinto justo num show em que "crucificamos" um cara que se voluntariou para tal. O tal desavisado quis "protestar" por causa disso e ficou avacalhando a performance. Me matou de raiva na hora. Parei o show, dei chilique e tudo mais, mas quem teve de sair de fininho foi ele porque só tinha fã da banda no lugar. Noutra, foi abrindo o show do Massacration. Não é como se já não esperássemos por uma reação negativa, afinal eram quase 2 mil pessoas que pagaram 25 reais pra ver o Massacration.

Vocês conseguem ganhar algum dinheiro com a U.D.R ou é apenas por diversão?
Vez ou outra, rolam uns trocados, mixaria mesmo, mal paga ônibus e uma cervejinha. Mas nem importa, enfim... querer viver de banda é coisa de gente que não trabalha.


Ao ouvir as músicas do primeiro álbum, Seringas Compartilhadas..., a impressão que fica é a de que vocês fizeram todas as bases no computador. Isso procede? No segundo álbum o processo foi o mesmo?

Lógico, ora. De que outra forma a gente gravaria a bateria eletrônica? De toda forma, na segunda leva de gravações, temos uns sons com instrumentos reais (vide "Gigolô Autodidata", "Punkristão", "Oh Mefisto", "O Leão de Judá Não Mente Jamais"). O resto é computador.

Como surgiu a oportunidade de tocar em São Paulo pela primeira vez? Quais os lugares em que já tocaram fora de Belo Horizonte?
Um amigo nosso daqui levou um cd para Sampa e mostrou para um pessoal que faz a organização do Kool Metal Fest, um festival semestral que já tem certo prestígio por lá. Eles ouviram despretensiosamente e acharam bem legal.
Quando vieram para BH, assistiram a um show nosso. Acharam que seria interessante e acabamos convidados para a terceira edição - considerada uma das piores. Um ano depois, tocamos na sexta edição - considerada uma das melhores. Nos redimimos.

O fato de serem membros da U.D.R já atrapalhou algum de vocês profissionalmente?
Na verdade, não. Nem tem por que atrapalhar.

Como suas famílias encaram a U.D.R?
Aqui em casa é tudo tranqüilo em relação a isso. Inclusive, minha mãe e minha irmã adoram o "Bonde da Orgia de Travecos" e até têm a música como toque de celular.
Quando botamos religião no assunto, ouvimos uns "Isso é pesado demais, hein?". Mas, num âmbito geral, as duas famílias levam numa boa. Acham até legal o fato da gente realmente tocar fora e ter fãs.

Vocês conhecem o Creative Commons? Registram suas músicas?

Não conheço o Creative Commons.
Quanto ao registro... por enquanto, a gente é protegido pela lei de direito intelectual, que garante nossa autoria incondicional. O fato da banda ter certo reconhecimento é bem crucial também. Registrar é um plano futuro que envolve tirar carteira e lidar com o ECAD e a Ordem dos Músicos. Tudo isso pra poder tirar um lucro mixuruca caso um dia a gente toque em rádio, o que acho bem improvável. Então não é tão necessário.

Conte um pouco sobre o episódio do sujeito "crucificado". Quando foi, local, etc.

Foi no Matriz. Se não estou enganado, foi em julho de 2004. Ou setembro, não sei. Eu estava em um bar com uns amigos e algumas pessoas que eu desconhecia. Tivemos a idéia de fazer um show em homenagem à estréia d'A Paixão de Cristo. Daí tive a idéia de crucificar alguém.
Pedi a um amigo e ele topou, mas a esposa dele vetou. Daí esse amigo meu lançou "alguém quer ser crucificado no show da U.D.R?". Uns três sujeitos se prontificaram. Fizemos uma cruz de papelão e demos uma entrada gratuita pro primeiro que disse "eu!". Foi um dos shows mais "bad vibe". A introdução foi bem sombria, a platéia ficou bem encabulada com nosso novo amiguinho na cruz. O figurino era bastante pastelão, mas bem menos do que o habitual. Fizemos até covers de Rammstein e Atari Teenage Riot.
Eis que um sujeito desavisado adentra o local e chega à frente do palco. Ficou injuriado por termos um sujeito crucificado com "UDR" escrito no peito e começou a cuspir na gente. Num determinado momento, jogou uma garrafa d'água. Depois subiu no palco e jogou água na minha cara. Foi aí que dei o chilique citado anteriormente.
O dono do Matriz sugeriu a ele que ele fosse embora, porque quando todos perceberam que não era uma das nossas estratégias imbecis de show, a galera ficou bem injuriada com ele. O cara saiu de fininho e eu voltei ao palco.

É verdade que já fizeram um show com fantoches, no qual vocês não apareciam?
Sim. Foi um dos melhores shows, inclusive. Foi o infame "Teatro Lusitano de Meias". Cantamos boa parte das músicas com sotaque e gírias portuguesas. As meias eram decoradas. A minha namorada, Mariana, que fez alguns shows cantando o "Bonde do Amor Incondicional", tinha uma meia com cabelo e maquiagem.
Num determinado momento, a platéia se amontoou tanto na frente do palco para tentar ver o show (já que estávamos sentados atrás de uma "bancada" de papelão) que começaram a gritar "levanta! levanta!". Acabamos levantando, jogamos o papelão no meio da platéia e todos ficaram bem empolgados.
Foi realmente um ótimo show.
Acho até que foi o mesmo show que teve o "Desafio do Funk", no qual fizemos um concurso de Break Dancing no qual um concorrente que não participava ganhou. Inclusive, o ganhador foi o mesmo amigo meu que perguntou "quem quer ser crucificado?" pra um monte de desconhecidos na mesa do bar. Ele detonou com as habilidades malucas de dança dele.

- - - Faça o download de todas as músicas da UDR aqui, incluindo versões raras, disponibilizadas pela própria banda - - -

Fotos ao vivo: Marcelo A. Santiago
Foto no bar: Mariana Machado

12 de julho de 2007

publicitário indie

O Gustavo Mini, do Walverdes, fez um interessante guia sobre marketing e publicidade na cena indie, baseado em sua experiência como publicitário e músico nos últimos 14 anos. Através de comparações entre o mainstream e o underground, ele relata as transformações ocorridas no cenário musical brasileiro e dá dicas para aqueles que estão envolvidos de alguma forma com a música independente.

Selecionei dois trechos que achei interessantes.

O primeiro é sobre a importância do contato físico, dos shows e festivais:
"Os festivais independentes também entram em ressonância com a necessidade que as pessoas estão tendo em encontrar manifestações concretas e reais face à crescente digitalização do conteúdo que produzem e consomem. Na mesma medida em que nossas músicas, filmes e fotos são armazenadas em frios discos rígidos ou CDs regraváveis, cada vez mais precisamos de experiências e sensações do mundo real. Quanto mais músicas trocamos por computador, quanto mais ringtones baixamos para os nossos celulares, mais shows queremos ver e com mais pessoas queremos falar"
O segundo trata da importância do conteúdo a ser trabalhado:
"As pessoas se conectam mais profundamente em torno de conteúdos que trazem verdades. Em um mundo cada vez mais pasteurizado, isso é um produto de alto valor. Muitas marcas tem projetos de pouco impacto porque atrelam seus projetos a conteúdos muito passageiros ou de importância rala, o que dá pouca profundidade à experiência dos consumidores"
Leia o texto completo no publicitarioindie.blogspot.com e aproveite para dar uma conferida no blog pessoal do Gustavo, o Conector.

10 de julho de 2007

Superguidis e monno na Noite Alto-Falante

"Ei, olha só! Tu sabia que a gente é 'música alternativa brasileira'?", pergunta Lucas Pocamacha, guitarrista e vocalista do Superguidis, ao vocalista e guitarrista Andrio Maquenzi, ao saber que a entrevista era para um blog dedicado à categoria em questão. Quando pergunto como a própria banda se define, a resposta é rápida: "Indie anos 90, um grupo de amigos que resolveu tocar junto".

A pegada anos 90 e as influências ficam ainda mais claras ao vivo que em cd: riffs e distorção que lembram Nirvana, melodias ao estilo Guided By Voices, passando por ecos de Pavement e Sebadoh, sempre com os vocais no bom e velho português. Apesar das referências nubladas e, de certa forma, melancólicas, o som da banda mantém um inegável apelo pop, permitindo que as letras retratem momentos nos quais tudo dá errado e ainda assim você as cante balançando a cabeça e dançando.

A história da banda teve início em 2002, quando Andrio, Marco Pecker e Diogo Macueidi, todos ex-Dissidentes, moradores da pequena cidade de Guaíba, a 30 km de Porto Alegre, arrumaram um guitarrista da capital e escolheram o nome Superguidis, em referência a uma marca que é quase sinônimo de "tênis" no sul do país.



Em sua segunda visita à Belo Horizonte, o Superguidis foi a atração principal da Noite Alto-Falante do mês de julho (ainda na ressaca da dupla vitória do programa no Prêmio Toddy de Música Independente deste ano), que aconteceu no último sábado, dia 07, e contou também com a apresentação da banda belo-horizontina monno. Esse foi o segundo show da turnê de lançamento do segundo álbum da banda, A Amarga Sinfonia do Superstar, que acaba de sair pelo selo Senhor F. Há menos de um ano a banda se apresentou na capital mineira também à convite do Alto-Falante, na festa de comemoração de 9 anos do programa de tv.

Tocando para uma platéia mediana na Matriz, reduto hardcore em BH mas que eventualmente é palco de interessantes apresentações indies, a banda fez um bom e enérgico show, deixando clara a razão pela qual é tida como uma das mais interessantes do Brasil atualmente. Os hits alternativos "Malevolosidade" e "Discos Arranhados" são prova disso. Outras canções de destaque são a ótima "Bolo de Casamento", com seu riff mais que grudento, "O Tranquêra" e "O Banana".

O primeiro álbum, homônimo, pode ser baixado na íntegra através de um link disponibilizado na página da banda no MySpace. Já o cd Pacotão, que reúne os dois primeiros EPs da banda, O Véio Máximo (2003) e Ainda Sem Nome (2004), pode ser ouvido no site oficial e baixado, caso você saiba usar algum gerenciador de downloads.

Antes do Superguidis subir ao palco, quem comandou foi o monno, unanimidade em se tratando de rock contemporâneo de qualidade em Minas Gerais. Com apenas um EP no currículo, a banda vem se apresentando constantemente em outros Estados e em festivais alternativos, e lança em breve algumas canções que farão parte de seu novo EP ou, talvez, do primeiro álbum.

Dividindo algumas influências e semelhanças com o Superguidis, o monno também faz letras em português, mas apresenta canções mais melancólicas e cada vez mais elaboradas. No início, os shows perdiam para as gravações, mas a evolução da banda permitiu que atualmente pegá-la ao vivo não deixe nada a desejar.

monno - A Falta


O potencial para que a banda tome de assalto o mainstream brasileiro é inegável, algo que já foi até reforçado pela revista Bizz, que tem o monno como uma das grandes apostas desse ano. Se depender de músicas como "A Falta", "#1" e de algumas das novas canções apresentadas no show, essa previsão tem tudo para se confirmar. É preciso talento para se misturar The Walkmen, Broken Social Scene e Interpol e não soar como apenas mais uma cópia e fazer letras de amor e dor e não soar piegas, mas é isso o que o monno nos apresenta.

Ps.: não tirei fotos do Superguidis porque perdi as pilhas da câmera. Em breve as fotos do show do monno estarão publicadas e ambas as bandas serão tema da seção "conheça", assim que eu descobrir onde coloquei as gravações das entrevistas...
Ps.2: a foto do início do texto é do Superguidis durante um show em Porto Alegre e foi feita por Luiz Fiebig

9 de julho de 2007

Canastra, o melhor da jogatina

O dicionário Aurélio define o substantivo "canastra" como "uma caixa larga e um pouco alta, de ripas de madeira flexível, de verga, ou revestida em couro". Você sabia disso? Pois é, nem eu. Popularmente, “canastra” é um jogo de sete cartas em seqüência do mesmo naipe. Ela pode ser limpa, sem curinga, ou suja, com curinga. No meio musical alternativo brasileiro, Canastra é o nome de uma banda que, apesar de não ter sete integrantes, como na jogada do popular “buraco”, chega quase lá: tem seis membros que, assim como nas cartas, formam um conjunto vitorioso.

No início, ninguém apostava na jogada da banda, nem eles próprios. No festival Oi Tem Peixe na Rede, no final de 2005, o Canastra era considerado o azarão dos três finalistas. Porém, os jurados, a exemplo do público, escolheram-na como a melhor. A banda carioca deixou para trás a favorita Luxúria e a cantora Kátia Dotto. Aos trancos e barrancos, conseguiu a gravação do cd, premiação garantida ao vencedor, aumentou o número de shows e conseguiu a aceitação popular.
Antes disso, em 2004, a banda já havia ganhado destaque em uma matéria do jornal “O Globo” que a elegeu como uma das melhores coisas daquele ano. O segredo disso tudo? A grande jogada da banda foi utilizar um jogo sujo, ou seja, misturar sons. Não há um estilo definido. Talvez, rockabilly se encaixasse como uma das possíveis definições, mas a mistura de estilos da big band carioca faz com que o termo seja superado. Certas músicas lembram o jazz dos anos 20, outras estão mais para o bluegrass, dixieland, country, orquestra, jovem guarda... mas sempre com uma pegada rock’n roll, estilo compartilhado pelo sete integrantes do Canastra. Os temas das músicas também variam, mas há uma certa predominância em relação a desilusões amorosas e desacertos da vida cotidiana.

Aliado à miscelânea de sons há a obrigação de garantir diversão ao público. O show do Canastra é simplesmente muito bom. O pessoal de Belo Horizonte que foi à Obra em maio deste ano pôde conferir a presença de palco da banda e a capacidade de animar até aquele espectador que não gosta muito do som (Não é mesmo, Marcelo?). Em meio a covers inusitadas de Dead Kennedys e "Besame Mucho" (eternizada pelo grande Ray Conniff), Renato sobe no contrabaixo classudo de Edu e enquanto empunha sua guitarra, Marcelo Callado toca bateria de pé e os dois integrantes responsáveis pelos sopros jogam baralho despreocupadamente, esperando pelo momento de participar. Além disso, o estilo dos caras é bastante singular, um tanto espalhafatoso. Estampas florais que lembram o Havaí e os topetes à la Elvis Presley. Como o próprio vocalista disse em entrevista a revista Outracoisa de maio, “Já que a gente faz um som tão esquisito, passamos a ter a preocupação de ter entreter o público, para não deixar ninguém ir embora”. É isso aí, eles conseguiram.

A banda acaba de lançar o segundo cd, Chega de Falsas Promessas. Não é mera coincidência o fato do seu título fazer referência ao episódio ocorrido com a gravadora Sony e à dificuldade para concluir a gravação do primeiro álbum, Traz a Pessoas Amada em Sete Dias. Mas, o que restou disso tudo, é que o Canastra jogou e ganhou.

O baterista Marcelo Callado respondeu as perguntas abaixo por email, que ajudam a entender um pouco melhor a banda e sua história.


Quais as bandas anteriores dos integrantes do Canastra e como se deu esse encontro? As antigas bandas tiveram que chegar ao fim para o Canastra surgir?
- Renato - Acabou la Tequila
- Edu - Big Trep
- Marcelo - Carne de Segunda
- Madá - Cisco Trio
- Fernando - Big Trep
- Marco - Orquestra Popular Céu na Terra
Não. As que não existem mais acabaram por outros motivos. Quando o Acabou La Tequila deu um tempo (em 2001, se não me engano), Renato tinha uma série de músicas e precisava de uma nova banda pra botá-las em prática. Daí, chamou o Edu, depois o Bruno (primeiro guitarrista) e depois eu. Passou um tempão com a banda sendo formada apenas por nós quatro, ainda sob o nome de Influenza. Em 2005, já como Canastra, a vontade crescente de ter metais na banda fez com que fôssemos atrás de novos membros. Então apareceu o Madá que já tocava com o Edu e depois o Fernando, que também já tocava com o Edu. Primeiramente, o Fernando entrou pra tocar trumpete, mas com a saída do Bruno ele passou a acumular duas funções: trumpete e guitarra. Por fim, o Fernando conhecia o Marco há tempos e trouxe ele pra banda, para tocar trombone.

Por que vocês trocaram o nome Influenza para Canastra?
Porque já havia uma banda com o nome Influenza.

Na opinião da banda, qual seriam as maiores diferenças entre o novo álbum e o primeiro?
Certamente a entrada do naipe. A banda sempre teve a idéia de incorporar metais nos arranjos, mas isso só aconteceu agora neste disco. O Traz a Pessoa Amada... é muito baseado em arranjos de baixo, guitarra e bateria, que era a formação da banda na época em que foi gravado. Já este disco de agora, fizemos pensando muito nos arranjos de metais, que já haviam sido incorporados à banda antes da fase de pré-produção do disco.
Outro diferença é que no Chega de Falsas Promessas alguns arranjos foram finalizados dentro do estúdio de gravação, diferentemente do primeiro, no qual já chegamos com todos os arranjos prontos.

Na vez em que vi o Canastra ao vivo, vocês tocaram covers bem distintas: de Dead Kennedys a "Besame Mucho", passando por música tradicional italiana. Essa diversidade de influências gera conflitos internos?
Não, pois mesmo com cada um integrante ouvindo sons diferentes, há uma unidade sonora bem definida na banda. Perceba que as três músicas covers as quais você se referiu, apesar de diferentes, possuem um mesmo "climão festa-baile" que é a cara do Canastra. Não é?

Mais Canastra no Meio Desligado: show / cd.

Fotos: Marcelo Santiago

6 de julho de 2007

Bidê ou Balde - Outubro ou Nada!

Poucas vezes se viu uma banda tão afinada para compor rock pop em português como a Bidê ou Balde. Basta ouvir canções como "Bromélias" ou "Matelassê" para se ter certeza disso.

Um chamado ao "terrorismo new wave" e ao "empirismo pop", envolto por cultura pop e diversão ativista, Outubro ou Nada! é a trilha sonora para que o "urbanismo fantástico" molde o concreto enquanto pessoas "fumam, bebem e trepam nas ruas" e "entram em greve pela indolência e a beleza espiritual", "exigindo o impossível", sendo observados por "xiitas fanáticos imaginários" e sua "pornografia tântrica".

Weezer, The Rentals, Andy Warhol, Luther Blissett, The Flaming Lips, Barbarella, Roy Lichtenstein e outros são convidados da festa regada à riffs grudentos e melodias assobiáveis ou riffs assobiáveis e melodias grudentas, dependendo do seu nível de absorção.

As sirenes cantam e as paredes estão coloridas, lembre de cada beijo dado ao som de "Microondas" e sinta a nostalgia amorosa com "Aeroporto". Você não irá vencer do jeito mais fácil, mas a música pode ajudar a suportar a dor.

"Façam as luzes piscar, aumentem o volume do som". O momento deles pode ter passado, mas não o seu.

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Houve uma época em que a Bidê ou Balde era uma das maiores promessas do rock brasileiro, senão "A" promessa, em grande parte graças ao fervor hypístico com o qual a revista Bizz tratava a banda. Se por um lado a exposição foi positiva, por outro gerou birra e repúdio em muitas pessoas.

O jabá pago pela gravadora Abril Music para promover o álbum de estréia da banda, Se Sexo é o que Importa, Só o Rock é Sobre Amor, não vingou, o público das FMs acabou não aceitando muito bem a banda e de pouco adiantaram participações em programas de tv como o do tio Fábio Júnior.

Outubro ou Nada!, lançado em 2002, dois anos após o debut, marcou o declínio do interesse da mídia na banda, apesar de ser um grande álbum, melhor trabalhado e bem mais profundo que o anterior. As expectativas superestimadas da Abril Music e da mídia sobre Se Sexo é o que Importa ... acabaram atrapalhando o futuro da BoB e deixando claro que algo não estava certo: a banda saiu da gravadora, a Abril Music fechou as portas, a Bizz parou de circular alguns anos depois e até o programa do Fábio Júnior foi cancelado ("coitado...").

Seja como for (ou como foi), a Bidê ou Balde acabou estigmatizada como "a banda queridinha que não deu certo" e isso, de certa forma, impediu que Outubro ou Nada! tivesse o devido reconhecimento. O chamado ao levante presente na faixa interativa, com textos sobre o coletivo Wu Ming, Luther Blissett e Guy Debord, além de outros textos da chamada literatura subversiva, não chegou até muitos mas, sem dúvida alguma, cumpriu sua função junto a algumas almas perdidas e, mais importante, mostrou (mais uma vez) que a música pop não precisa ser vazia.

Outubro ou Nada!, Bidê ou Balde
Ano: 2002
Gravadora: Antídoto
Produzido por Thomas Dheher e Bidê ou Balde
Faixas: 1. Hollywood #52 2. Cores Bonitas 3. Microondas 4. Bromélias 5. Adoro Quando Chove 6. A-há 7. Matelassê 8. Dulci 9. O Antipático 10. Soninho 11. Aeroporto 12. O Que Eu Não Vejo Não Existe 13. Não Adianta Chorar 14. Cores Bonitas
Site oficial: www.bideoubalde.com.br

Leia outra crítica do álbum.

vencedores do Prêmio Toddy de Música Independente

Você leu aqui sobre o Prêmio Toddy de Música Independente e na última quarta-feira, dia 4, os vencedores foram revelados em uma cerimônia especial. A edição deste ano do prêmio teve 48.881 emails cadastrados e 163.423 votos. Abaixo estão os mais votados em algumas categorias. Para ver a lista completa, acesse o site oficial do prêmio.

As duas bandas mais votadas na categoria "Álbum Rock" foram:
Matanza - "A arte do insulto", 1684 votos
Zefirina Bomba - "Noisecoregroovecocoenvenenado", 1025 votos

As duas bandas mais votadas na categoria "Álbum Indie Rock" foram:
Gram - "Seu minuto, meu segundo", 1439 votos
Cascadura - "Bogary", 602 votos

Os dois mais votados na categoria "Veículo Online" foram:
TramaVirtual, 1909 votos
Whiplash!, 1365 votos

Na categoria "Veículo Impresso" os mais votados foram:
Roadie Crew (SP), 1824 votos
Rolling Stone Brasil (SP), 1153 votos

As casas de shows mais votadas foram:
Hangar 110 (SP), 1405 votos
A Obra (BH), 718 votos

Os programas de rádio mais votados foram:
Alto-Falante (MG / Rádio 98FM), 614 votos
Coquetel Molotov (PE / Universitária FM), 597 votos

E os programas de tv mais votados foram:
Alto Falante (MG / TV Cultura/Redeminas), 1647 votos
Banda Antes (SP / MTV), 811 votos

Mais uma vez, para conferir os resultados completos, incluindo os das outras categorias, acesse o site oficial.

2 de julho de 2007

Canastra - Chega de Falsas Promessas

"Ô mininu, com música fica muito melhor trabalhar!", me diz a Glória, a tia da faxina semanal. A música à qual ela se refere vem do álbum Chega de Falsas Promessas, segundo lançamento da banda carioca Canastra. O som retrô e extrovertido da banda, além de tornar menos árdua a limpeza de chiqueirinhos, é um ótima pedida para dançar e animar festas de pessoas receptivas à mistura proposta: um caldeirão sonoro que engloba rockabilly, bluegrass, jovem guarda, ska e ritmos latinos.

Enquanto Glória me conta as travessuras de Mike Tyson, seu novo cãozinho, filhote do meu cachorro, o Frango, e como seus netos, Stéphanie Louise e Thomas Jefferson, se apegaram ao bichinho, anoto o primeiro nome na minha lista de favoritas do álbum: "Motivo de Chacota", animadinha e cheia de sopros.

Logo em seguida, "Miss Simpatia" faz com que eu retorne à lista. Assim como a canção anterior, "Miss Simpatia" é escrita pelo vocalista e guitarrista Renato Martins, principal compositor da banda, em parceria com Gabriel Thomaz (Autoramas), e é exemplo da pegada mais romântica da Canastra. Essa mesma pegada retorna em "Volte Sempre", com participação do veterano Lafayette e Nina Becker.

Nesse ponto, depois das ótimas "Dois Dedos de Conhaque" e "Quando Sim Quer Dizer Não", minha lista de favoritas já foi pelos ares. Seria bobagem em um cd com tantas músicas boas.



"Chega de Falsas Promessas", a música, lembra os bailes para terceira idade cheios de casais sessentões dançando e "Ao Deus Dará" poderia ser trilha sonora de um episódio de Tom e Jerry no Havaí. Ambas dão a entender que diversão é o elemento x da banda e que despretensão também é indispensável.

Fechando com chave de ouro está "Dallas", cuja presença é garantida nos shows da banda.

O cd vem encartado na edição 20 da revista Outracoisa e custa R$15,90, uma módica quantia para se adquirir um dos melhores álbuns dos últimos anos.

Glória também gostou...

Chega de Falsas Promessas, Canastra
Ano: 2007
Lançado pela revista Outracoisa
Produzido por Berna Ceppas, co-produzido por Kassin
Canastra é: Renato Martins, Edu Vilamaior, Marcelo Callado, Marco Serragrande, Marcello Magdaleno, Fernando Oliveira
Faixas: 1. Chevete Vermelho 2. Motivo de Chacota 3. Miss Simpatia 4. Quando Sim Quer Dizer Não 5. Dois Dedos de Conhaque 6. Volte Sempre 7. Pomo de Adão 8. Chega de Falsas Promessas 9. Cara ou Coroa 10. Ao Deus Dará 11. Dallas