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31 de maio de 2007

independência 2.0: imeem

{ Esta é uma série de textos sobre sites e serviços da chamada web 2.0 que podem ajudar bandas independentes a divulgar seus trabalhos, também sendo úteis aos fãs destas mesmas bandas e a todos os interessados em música, no geral }

Uma comunidade virtual baseada em listas de favoritos. É mais ou menos assim que o imeem se define. O slogan do site/serviço deixa claro: "what's on your playlist".


Seus usuários podem postar músicas, vídeos, fotos e textos, que podem ser reunidos por qualquer outra pessoa em sua respectiva playlist. Por exemplo, eu rodei pelo site e gostei muito de seis vídeos, dez músicas e duas fotos, todas de artistas diferentes. Eu então posso juntar tudo isso em listas, ou seja, playlists separadas por gênero, e publicá-las em meu blog, no perfil do MySpace, etc.

O visual do site é bonito e a utilização de tags facilita a experiência. Uma seção apenas para mashups é outro ponto positivo do imeem.


Apesar de todo seu potencial, o site ainda é muito pouco utilizado por bandas brasileiras. Em uma rápida busca no site pela tag "brazil", foram encontradas músicas de artistas como Tati Quebra-Barraco, Cansei de Ser Sexy, Sérgio Mendes, Os Mutantes e Guillemots (esta, uma banda ing
lesa, com um integrante brasileiro e que faz referências ao país em algumas de suas letras), todas publicadas por fãs.
Já no exterior, diversos grupos já usam o site como forma de se aproximar do público e permitir que seu trabalho seja divulgado mais facilmente na esfera eletrônica. O Strokes é exemplo disso.
A possibilidade de se reunir todas essas mídias (vídeo, fotografia, áudio, texto) em um único lugar e ainda permitir que as pessoas possam escolher o que querem "espalhar" pela rede é u
ma ótima idéia.



Entre os rivais do MySpace, o imeem é sem dúvida um dos mais interessantes e promissores (apesar da facilidade de qualquer pessoa publicar faixas protegidas por copyright poder ser um problema para seus responsáveis futuramente). A disputa entre as comunidades virtuais vem chegando a tal ponto que o MySpace chegou a bloquear os códigos dos players do imeem e casos de censura até da palavra "imeem" são relatados na internet, mas é difícil confirmar a veracidade deste fato.

Outros textos da série:
Jamendo // iJigg


Exemplo de um profile tosco no site.

29 de maio de 2007

independência 2.0: Jamendo

{ Esta é uma série de textos sobre sites e serviços da chamada web 2.0 que podem ajudar bandas independentes a divulgar seus trabalhos, também sendo úteis aos fãs destas mesmas bandas e aos interessados em música, no geral }

Jamendo é um site que funciona como uma espécie de gravadora online e tem um modelo singular de funcionamento: nele, artistas de todo o mundo disponibilizam álbuns inteiros e podem receber doações de ouvintes que gostarem das músicas.

Outro diferencial é que os álbuns podem ser licenciados através do Creative Commons, facilitando a disseminação das obras.

É um modelo extremamente interessante, mas que deve funcionar muito melhore nos países desenvolvidos: a pessoa escuta e faz o download de quantas músicas quiser, de graça. Caso goste muito de um artista, a própria pessoa decide quanto pagá-lo.

O Jamendo surgiu em Luxemburgo e, apesar de ter o francês como língua principal, tem versões em diversos outros idiomas, como o português, espanhol, alemão, inglês e russo. Atualmente são mais de 3400 álbuns publicados e pouco mais de 123 mil membros ativos em sua comunidade. É interessante também o número de resenhas dos álbuns escritas pelos usuários, ultrapassando a marca das 38 mil.

Assim como o iJigg (abordado aqui anteriormente) o Jamendo também disponibiliza players (exemplo abaixo) para serem postados em blogs e sites, seguindo a atual tendência de serviços deste tipo.



As tags mais populares são electro, rock, ambient e experimental. A partir daí já se é possível formular uma idéia sobre os usuários do Jamendo, apesar de diferentes vertentes da música eletrônica também marcarem forte presença.

Entre os representantes brasileiros no Jamendo, merecem destaque os eletrônicos Gerador Zero e Retrigger, além do ambient-punk da P.U.T.A..

Para acabar com qualquer outra dúvida, leia o FAQ do site.

25 de maio de 2007

CSS na capa da New Musical Express / Bonde do Rolê em comercial mundial da Nokia

Momento histórico para a música alternativa nacional.


Cansei de Ser Sexy na capa da New Musical Express dessa semana e os curitibanos do Bonde do Rolê emplacaram uma de suas músicas, "Solta O Frango", na nova campanha mundial da Nokia para o celular 5700, que tem alto-falante embutido.


24 de maio de 2007

independência 2.0: iJigg

{ Esta é uma série de textos sobre sites e serviços da chamada web 2.0 que podem ajudar bandas independentes a divulgar seus trabalhos, também sendo úteis aos fãs destas mesmas bandas e aos interessados em música, no geral }


Basicamente, o iJigg é um site no qual qualquer artista pode colocar suas músicas e disponibilizá-las em outros sites e blogs através de players em flash, semelhante ao que sites como YouTube e Metacafe fazem com os vídeos.
Do mesmo modo, qualquer pessoa pode copiar o código html disponibilizado e colocar um player (como este que você vê abaixo) com uma determinada música em qualquer outra página.


Se a pessoa gostar do que ouviu, ela pode dar um "jigg", ou seja, um voto. À medida que a canção acumula votos sua colocação no site melhora e ela fica mais próxima de figurar na página inicial do iJigg.

Atualmente os líderes de cadastros no site são os americanos e os taiwaneses, com os brasileiros na quinta posição. Bandas nacionais antenadas como a Pornochanchada do Canal Brasil, Ecos Falsos e Café Colômbia já colocam suas músicas no iJigg e o usam como forma de aumentar o alcance de seus trabalhos.

O serviço foi criado por um indiano e um brasileiro, em janeiro deste ano, e vem sendo chamado de "o YouTube da música", apesar de seu modelo de funcionamento aproximar-se mais ao do site de jornalismo cidadão Digg.

O design do site não é dos mais bonitos ou inspirados, mas a interface é leve e o carregamento é rápido.

Leia matéria sobre o assunto no Overmundo.

20 de maio de 2007

Manual de instruções para melhor aproveitamento do blog

Encare este texto como uma bula para iniciantes. Agora que todas as seções do Meio Desligado já estão no ar, podemos finalmente fazer este guia para que vocês possam tirar o máximo de informação do blog e o utilizem da melhor forma.

Primeiro, breves explicações sobre as categorias/seções:
  • Shows, entrevistas, festivais, vídeos, críticas e resenhas são auto-explicativas, tratam exatamente daquilo que está explícito em seus nomes.
  • Conheça: é a seção em que fazemos textos mais completos sobre uma determinada banda, fazendo um apanhado de sua carreira, apresentado-a ao leitor através do texto introdutório, de entrevista e de algumas músicas em nosso player.
  • Indefinidos: normalmente utilizada para a metalinguagem. Textos e comentários sobre o próprio Meio Desligado ou sobre algum assunto que não se encaixe em outra categoria.
  • Notícias impopulares: nosso foco não são as notícias, mas, quando as fazemos, estão aqui.
  • Matérias especiais: textos mais completos sobre um determinado assunto.
  • O que achamos por aí: textos licenciados através do Creative Commons e que estão relacionados diretamente ao nosso objeto, ou seja, a música alternativa brasileira.
  • Downloads: apenas álbuns e eps raros são disponibilizados. Material lançado apenas em vinil, cassete, fora de catálogo, não-oficial, etc.
  • Dicas de sites: inclui tanto sites sobre música alternativa nacional como páginas que podem ser úteis para a produção e divulgação das bandas.
Para facilitar a sua vida e ficar sempre informado sobre o que rola de novo no Meio Desligado, assine o nosso RSS. Você tem duas opções: uma mais bacana, via Feedburner e a padrão, fornecida pelo próprio Blogger.
É possível até receber cada atualização diretamente no seu email!
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As fotos que aparecem na barra lateral são as que estão publicadas na indie BR, comunidade no Flickr dedicada à música independente brasileira.
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A agenda é fornecida pelo Overmundo e mostra todos os eventos da categoria música no site, tanto shows como outros eventos sobre o assunto.
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Os links são explicados pelos títulos dos grupos em que estão: clubes, selos/gravadoras, etc. Tudo bem fácil. No grupo "linkania" estão outros sites e blogs nacionais sobre música que consideramos interessantes.
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Os anúncios às vezes mostram coisas interessantes (eu escrevi "às vezes") e é uma tentativa de se ganhar alguns cents.
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E, finalmente, para conversar conosco, você pode utilizar o chat do Meebo. Mesmo que ele mostre que estamos "offline", você pode escrever algo, que receberemos assim que logarmos. Você também pode enviar um email para equipe@meiodesligado.com, normalmente para assuntos um pouco mais sigilosos... e a opção mais legal, através da qual você provavelmente terá retorno mais rapidamente, é conversando com a gente através do nosso MySpace (online a maior parte do tempo).
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No mais, vale lembrar que todo o nosso conteúdo está sob uma licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir e alterar tudo que fazemos, contanto que você nos dê crédito e que a sua produção também seja licenciada por uma licença idêntica à nossa original.


19 de maio de 2007

"Vamoz!, um convite à surdez" ou "Como um público cu'ool pode estragar um bom show"

_ Ih, olha lá, os caras do Vamoz! ainda tão dando entrevista aqui fora.
_ Que meeerda, vai demorar pra caralho pro show começar.
_ É.
_ Ha! É a Taís baixinha que tá fazendo a entrevista.
_ Uh! Quase que eu nem vejo.
_ Haha.
_ De quem será a maior audiência? Da PUC TV ou do Meio Desligado?
_ Dããã...
_ É mesmo, pergunta boba. Nem quem trabalha na PUC TV costuma assistir ao canal...
_ Você fala, hein Marcelo?
_ Moi?
_ Sim, sim.
_ É sério. E não é inveja, porque não sou como certos idiotas daquela universidade, que acham que se você consegue algum destaque você: 1. é um filho da puta; 2. tem treta com alguém; 3. merece morrer, por não ser imbecil como eles; 4. fez pacto com Satã.
_ Opa! Tem contradição aí! Você realmente fez pacto com Satã!
_ Abafa o caso...
_ Ocá.
_ Então. Eu tenho certeza de que é mais proveitoso para uma banda sua presença em páginas especializadas no assunto, assim você tem certeza de que as pessoas que se depararem com aquela informação estão ali porque se interessam naquilo tudo. Ainda mais no caso de bandas com um público, tipo, restrito, como Vamoz!. Mas não deixa de ser uma coisa ótima que essas bandas marquem presença na TV. O importante é tentar dar espaço para todas as manifestações culturais, vários estilos e tal. Ditadura cultural é uma puta merda. E em relação à TV, acho fóda. Mesmo. Onde mais você consegue tantas boiadas gratuitas? Ainda mais trabalhando em um lugar em que você pode faltar e dar como desculpa o fato de que você "tirou alguns dias para ficar namorando e resolver seu relacionamento" (intromissão do narrador: é verdade! isso aconteceu! é só puxar saco de alguém depois e, quem sabe, algumas coisitas más)? O problema é a merda do salário, mas eu ainda penso em picaretar um estágio por lá, nem que seja só pelo currículo. Enquanto isso, prefiro continuar escrevendo sobre a bosta do cinema mainstream e juntando a grana que ganho vendendo pó...
_ Mas você não vende pó.
_ Não mesmo?

....

_ Pela primeira vez fico feliz pelo fato d'A Obra ser uma sauna, lá fora tava bem frio.
_ É mesmo. O problema é que tá ficando muito cheio...
_ Aí fica um saco.
_ Ô. Ainda mais quando o lugar fica cheio de indie babão.

....

_ Ah, finalmente o show vai começar.
_ Você falou que o som lembra o que mesmo? Esqueci de ouvir no MySpace...
_ Pra variar, né Juliana? É uma coisa meio The Rakes querendo ser cool misturando um pouco de country/folk, aquela coisa wannabe Wilco, só que mais new rock, entre aspas.
_ O famoso pastiche blasé...
_ Ungh.
_ Uh?
_ Ungh... Urrh
_ O que?
_ Ah, tinha engasgado com aquela azeitona que achei no meu bolso.
_ Seu viado! Aquela azeitona era minha! Eu tava guardando ela desde ontem na hora do almoço!
_ Se fudeu! Aquela hora em que seu prato caiu no chão, a azeitona rolou e parou bem ali do lado da geladeira, no cantinho. Eu esperei você ir ao banheiro, porque você tava com início de diarréia, lembra? Então, aí fui lá e guardei no meu bolso. O pobrema, sabe, é que el'tava no bolso de tráis, de modiqueu assentei decima dela e a ela perdeu um pouco daquele suquinho gostoso, sabe?
_ Falou a bicha caipira.
_ Por falar nisso, quem da banda você acha que é viado?
_ Sei lá, Marcelo. Você conhece algum deles?
_ Não.
_ Então porque falou que algum deles é viado?
_ Olha pra trás e percebe. Mais da metade desse povo que tá quase lotando a Obra veio por causa desse tal de The Dead Lover's Twisted Heart, é todo mundo amigo do pessoal da banda, isso ficou bem claro. Daí fica fácil deduzir: esse povo tem cara de bicha e de afetados, consequentemente, ao menos uma pessoa deve ser bicha.
_ Ou afetados...
_ Até que não. Acho que a expressão correta vinda do Dicionário da Prepotência Irônica é "blasé de bosta". Entendeu? Tipo "glassé de bolo"? Hhahahahaha.
_ Nossa! Essa foi péssima...

....

_ Tenho que concordar, aqui no fundo tá muito mais agradável.
_ Eu tava ficando sufocada e entediada com as músicas.
_ É. Eles têm algumas músicas legaizinhas, mas é mediano. Acho que se tivessem tocado só cinco músicas seria um bom show. Divertido e tal.
_ Concordo. Tá fritando já.
_ Uhum. A pior parte foi quando um dos vocalistas conversou em inglês com o público. Tipo, "Shake it up everybody! C'mon!". Vai tomar no seu cu! Quer uma coisa mais idiota que isso? Cantar em inglês, tudo bem, é uma escolha, definição de estilo e tudo mais. Querer ser gringo e conversar com a platéia, ainda mais de amigos, em inglês, é ridículo.
_ E aquele laptop figurativo?
_ É. Só usaram para tocar três notas e meia na primeira música e acho que devem ter usado de novo agora mais pro fim, naquela cover tosca de Le Tigre, apesar da voz da menina ser irritantemente agradável e tipicamente indie riot grrrl. Acho que eles tocaram a música sem guitarra ou... Ei, tá me ouvindo?
_ Acho que o baixista era o viado...

....

_ O Claudão é filho da puta, não?
_ Por que?
_ O cara só bebe Eisenbahn e dá Skol pros caras das bandas...
_ Se ao menos fosse Skol Beats, já melhorava...
_ É. Vamo lá pra frente balofa. Daqui a pouco deve começar o Vamoz!.
_ Vamo sim, porquinho!
_ Olha só esse dj. O cara coloca música depressiva na pista.
_ Mas também, olha a cara dele.
_ Ah, aquele ali é o tal do Capitão Insano? A gente sempre encontra com esse cara aqui na Obra ou na Mary In Hell. Sempre achei que fosse algum maníaco sem amigos que saísse em busca de alguma fantasia pervertida em bibocas alternativas.
_ O fato dele ser dj não exclui essa possibilidade...
_ E não é que você tá certa? Você não é tão burra quanto eu achava.

....

_ "E vocês que vieram aqui hoje se deram bem! Vocês vão ver agora uma banda do caralho... Vamoz!"
_ Hahaha. O Claudão faz o mesmo discurso toda a quinta.
_ Ele podia ao menos usar uns sinônimos, né?

....

_ Eles definitivamente têm presença de palco.
_ Sim, o melhor é que não parece aquela coisa forçada.
_ Esse monte de ruído é o que eles mais têm de influência dos anos 90, acho. Lembra Dinossaur Jr e aquelas coisas super barulhentas ao vivo.
_ É. No mais, tem uma pegada anos 70...
_ Com certeza. Porra! Essa música, "Target of Rock", é do caralho!

....

_ "Rock satânico!
Rock satânico!"
_ Esse vocalista é engraçado.
_ Acho que ele tá fazendo uma reza demoníaca pra animar o lugar e mexer esse público bundão. Eles dançam e gritam durante o show ruim e ficam parados com cara de cu na hora da coisa pegar fogo.
_ Mas o que você queria? Qualquer pessoa que seja um estereótipo ambulante (no caso, de "indie") é babaca.
_ E o pior é esse povo que vem para a frente do palco, vira as costas para a banda e fica conversando.
_ E quando o show acabar, vai puxar saco do pessoal da banda, falando que foi fóda (nossas suspeitas se confirmaram, isso aconteceu!).

....

_ "Nós estamos vendendo nosso álbum novo, R$ 20 reais. Vem o CD e o DVD junto. Mas não precisam comprar, nós somos muito ricos, não temos problema de dinheiro".
_ Ui! Acho que essa foi uma indireta do vocalista para a banda de abertura.
_ Ha! Também acho. Inclusive, acho que a parada do "rock satânico" também foi ironia, tanto para a banda de abertura como para o público.
_ Tenho que concordar. À nossa frente está um pernambucano irônico, do jeito que gostamos, e sem sotaque, do jeito que a Globo não gosta.

....

_ "Da outra vez que tocamos aqui, acho que em 2004, falaram que a gente era Teenage Fanclub com AC/DC. Então a gente vai tocar uma do Teenage. Essa música se chama 'Everytihng Flows'"
_ Porra! Essa música é do caralho. Mas a versão do Idlewild é ainda melhor que a original.

....

_ Gostei do show, apesar do público.
_ Acho que com um público bom, poderia ser uma nota 8. Com esse bando de idiotas parados e que sequer se manifestam após as músicas, entre 6,5 e 7,5.
_ Entendo. Quantatizar tudo é fóda, mas é mais ou menos por aí.
_ E as fotos, quando a gente vai revelar?
_ Não sei. Um saco eu ter esquecido minha câmera digital. Mas já pensei em uma solução. Vou fazer uns desenhos toscos ilustrando as situações do show. Sem fotos, quem ler o texto vai fazer um pouco mais de esforço e pensar um pouco mais.
_ "Dê-lhes o fio de Ariadne".

....

_ Oi Juliana. Aqui, liguei só pra te perguntar se o seu ouvido ainda tá zumbindo, zunindo, sei lá.
_ Não, parou ontem. O seu ainda tá?
_ Tá. Já faz dois dias desde o show. Tô ficando preocupado.
_ Nossa! Se não parar, você tem que ir ao médico.
_ Sim. Lembro que em 2001, no show do Mogwai, tinha um cara gritando "aumenta, aumenta! Eu quero ficar surdo!". Agora não tem graça. Buá.
_ Se fudeu. Mas por uma boa causa.

17 de maio de 2007

Vamoz!


Marcelo Gomão (vocal e guitarra), Henrique Muller (guitarra e vocais) e Pedro Henrique (bateria) são o Vamoz!, grupo pernambucano formado no fim de 2002. Inspirados no rock n´roll clássico e melódico dos anos 60 e das dissonâncias do rock alternativo da última década, a banda vem colecionando elogios desde 2003, quando lançaram o álbum To The Gig On The Road, pelo selo Monstro Discos.

Nas muitas tentativas de se definir o som da banda, nomes como Teenage Fanclub e Wilco são presenças constante. Porém, no novo álbum, Damned Rock N´Roll, ao invés de nos lembrarmos de um bando de escoceses tocando indie pop com influências de Neil Young (caso do Teenage Fanclub), é mais fácil vir à mente Rolling Stones, Husker Dü e Dinossaur Jr (além do próprio Neil Young, influência declarada do trio). Os diversos shows e o tempo de estrada foram benéficos para o Vamoz!, que aparece mais pesado e conciso, sem abrir mão das belas melodias.

Nos últimos anos a qualidade da banda vem sendo reconhecida, tanto que seu nome está sempre presente em listas realizadas por diferentes veículos relacionados à música no Brasil, como a revista Dynamite, os sites Recife Rock! e Zona Punk e o Prêmio Toddy de Música Independente, no qual concorre este ano na categoria de melhor álbum de rock.


Escute "Target of Rock", do novo álbum



Em entrevista por email, o vocalista e guitarrista Marcelo Gomão (ex-supersoniques) falou sobre a banda e o novo álbum, além das dificuldades de se ter uma banda fora do eixo do Sudeste.

O novo álbum, Damned Rock N'Roll, é um lançamento que envolve as gravadoras Monstro Discos, Coquetel Molotov e Fire Baby Records. De que maneira se deu essa parceria e como ela funciona?

O projeto Damned Rock n' Roll engloba internet, CD e DVD. O custo para se fazer isso bem feito é muito caro, inviável para nossa realidade. Então fizemos um sistema de "cotas". Desta forma, quanto cada um investisse, receberia de volta nas vendagens do disco, "inclusive a banda". Isso permitiria que várias empresas e pessoas participassem. Por isso os três selos e parceiros importantíssimos envolvidos na realização do trabalho, dentre eles o Fabrica Estudios, Jazzz, Mariola Filmes e alguns bons amigos. Toda história desse pessoal e seus respectivos contatos estão no site www.vamoz.net.

O som do Vamoz! parece bem mais pesado agora. O que levou vocês a intensificarem o peso nas canções?

Na verdade, acho que estamos tocando melhor e incorporando mais elementos de blues à nossa música. É difícil até para nós explicarmos a razão do som ter ficado mais denso, porque quando estamos compondo e gravando, não existe aquela total propriedade sobre as músicas, sobre a composição. As coisas simplesmente vão acontecendo e esse disco saiu assim. O próximo pode ser ainda mais pesado ou bem mais suave, não se pode prever. O fato das coisas acontecerem assim torna o processo ainda mais interessante a meu ver.

Vocês não usam baixo na banda, certo? É assim desde o início? Qual o motivo?

No começo tínhamos um excelente baixista, o Carlos, que hoje toca guitarra no Profiterolis. Quando ele saiu, nós passamos um bom tempo procurando um baixista, mas não encontramos ninguém com o qual realmente nos sentíssemos confortáveis em tocar. Estávamos numa fase de compor muitas músicas e não queríamos parar de ensaiar. Então começamos a fazer os ensaios sem baixo (no início foram horríveis) e com isso fomos criando formas de suprir a ausência do instrumento. Tanto tecnicamente quanto em termos de composição, fomos moldando nosso som às necessidades. Foram vários modelos até chegarmos onde estamos, e estamos bem satisfeitos. Além disso, a praticidade de se tocar em trio para viagens, dentre outras coisas, e a intensidade que três elementos têm com a música foi nos conquistando e hoje não queremos mudar nosso formato.
Para experimentar novas nuances musicais criamos o “Vamoz! Na Montanha”, que é um projeto onde amigos tocam conosco, às vezes baixo, às vezes guitarra, gaita, violão... em cada show fazemos de uma forma.

A impressão que boa parte das pessoas do Sul e Sudeste do país têm em relação à cena musical de Recife é a de que ela é marcada por muitos grupos que misturam gêneros diversos aos ritmos regionais. Esta é a realidade? O estigma do mangue beat pode atrapalhar uma banda de rock direto como a Vamoz!?

Achamos bem divertido surpreender quem tem essa expectativa de que Recife ainda é uma cidade em que predominam misturas de ritmos. Isso existe bastante, temos bandas que fazem isso com maestria. Porém estamos tranqüilos da maneira com que levamos nosso som e nunca aconteceu nenhum tipo de rejeição por parte de um novo público por não tocarmos com tambores, etc. Hoje em Recife a grande maioria das novas bandas (de 05 anos pra cá) não tem primado pela mistura de ritmos.

Nos últimos anos houve um movimento crescente de bandas que trocaram o inglês pelo português em suas letras. Vocês já pensaram na possibilidade de cantar em português?

Não, estamos felizes em tocar nossas músicas desta maneira.

Vocês ainda moram em Pernambuco? Pergunto isto porque muitos grupos sentem a necessidade da mudança para São Paulo ao atingirem um determinado ponto na carreira, no qual a distância do centro econômico do país pode atrapalhar o desenvolvimento.

Logisticamente falando, é mais difícil circular pelo nordeste para fazer shows em lugares diferentes, pois a distancia entre os espaços são maiores e a própria região também é enorme.
Mas não acreditamos que para o som que gostamos de fazer, mudar para o sudeste seria uma solução de viabilizar a banda, financeiramente falando. Acredito que essa possibilidade é um pouco mais fácil no exterior, mas isso não está nos nossos planos imediatos. Queremos tocar e lançar discos até onde conseguirmos e mostrar para o maior número de pessoas. No caso de ganharmos na loteria, podemos pensar em mudar de Hellcife :)

Nestes quase cinco anos de existência, quais foram as maiores dificuldades enfrentadas pela banda?

Os mesmos do mundo, tempo x $$$.

Quais bandas você indica às pessoas interessadas na música alternativa nacional?

Astronautas, MQN, Proto, Forgotten Boys, Mellotrons, Superoutro, Parafusa, Nação Zumbi, Mundo Livre, Relespública... Certamente vou esquecer de várias, minha memória é podre. Mas no nosso paés temos bandas muito boas e de estilos bem diferentes umas das outras, é só procurar com os selos e distribuidoras brasileiras que se encontra muita coisa boa.

E esta é uma pergunta meio boba, mas não agüentei a curiosidade: qual a origem do nome Vamoz!?

Durante as gravações do primeiro disco ainda não tínhamos um nome. Então um dia eu cheguei em casa e coloquei no chão vários dos meus discos preferidos e entre eles estava o do Pixies Surfer Rosa, que tem a faixa "Vamos". Achamos perfeito porque não identifica exatamente qual o som da banda, é fácil de ler, de decorar, e remete a uma brincadeira que adoramos fazer: "VAMOZ! UM CONVITE AO ROCK!!!!".

Escute "Heart of Gold", do primeiro álbum




fotos de shows: Tárcio Fonseca

14 de maio de 2007

Canastra n'A Obra

Síndrome de Reynaud. Uma coisa chata que faz com que as veias das extremidades do seu corpo (mãos e pés, para ser mais claro) se contraiam em tempos de frio, diminuindo o volume de sangue na área. O fenômeno atrapalha os movimentos nestas regiões e pode ser extremamente incômodo.

Canastra na Obra >> 10-05-07Eu poderia ter aproveitado os 16 graus da noite de Belo Horizonte na última quinta-feira e ter ficado em casa, evitando essa síndrome que lembra nome de marca de carro. E poderia também ter perdido aquele que acabou sendo o melhor show que já vi nestes meus três anos como frequentador d'A Obra (antes eu sequer podia entrar, blééé!).

Logo de cara o visual dos integrantes da Canastra dá uma boa dica do que esperar do som: topetões, camisas floridas, contrabaixo acústico e instrumentos de sopro significam uma mais do que bem-vinda mistura de rockabilly, bluegrass, dixieland, country, punk, jovem guarda e surf music (ufa! pensei que não acabaria....).

Após lançarem seu debut álbum em 2004 (Traz A Pessoa Amada em Três Dias) pela Monstro Discos, a banda lança agora Chega de Falsas Promessas, quem vem encartado na edição deste mês da revista OutraCoisa.
Como vencedores do festival Oi Tem Peixe na Rede a banda teria seu álbum lançado pela major Sony Music, que, mais uma vez provando a mentalidade débil dos dirigentes de gravadoras, bancou a gravação do CD mas desistiu de seu lançamento, deixando a missão para outro selo/gravadora.
E é justamente o show de lançamento deste álbum em Belo Horizonte, dois dias após seu lançamento oficial no Rio de Janeiro, o objeto deste texto.


Canastra na Obra >> 10-05-07No palco, a Canastra parece uma banda punk de Nova Orleans; uma big band de malandros; aquela bandinha que toca em O Máskara, só que depois de cheirar um pó bacana. Com ótimas canções e energia de sobra, a banda foge da mesmice da rockabilly agregando os já citados diversos gêneros ao sem som.

É difícil lembrar os nomes das músicas sendo que você dançou a maior parte do show. Acrescente a isso o fato de você ter bebido uma quantidade razoável, sendo que tudo que você havia comido nas últimas 4 horas era meio pacote de Ruffles sabor salsa. Eu escrevi "salsa!". E, por último, mas não menos importante: quando a música realmente me pega de jeito ao vivo, costumo "assistir" à grande parte do show de olhos fechados. Pronto, contei! "Virei motivo de chacota" para o Allan Sieber, eu sei.

E antes que eu me estenda pela madrugada escrevendo este texto, creio que a situação hipotética que criarei será como uma luz da salvação transmitida pela Record durante a madrugada e fará com que seu cérebro projete uma imagem próxima da realidade do que é a Canastra. Vamos a ela:

Canastra na Obra >> 10-05-07Alguns anos atrás a Globo tinha uma novela das seis tosca chamada "O Cravo e a Rosa". Eu posso ser imbecil e tapado, mas não assisto novela. Só me lembro de que ela existiu porque havia uma propaganda sua na parte traseira do ônibus que foi seqüestrado naquele ano, por aquele malaco pirado que acabou tema do documentário Ônibus 174. Então, você deve ter visto ao menos algum pedaço da novela, talvez enquanto esperava mamãe preparar a bóia e tal. Sabendo de sua estética, vamos ao ponto final: em uma realidade alternativa, onde as novelas fossem coisas legais, a trilha sonora de "O Cravo e a Rosa" seria feita pela Canastra!

Ainda não entendeu? Você é burro ou simplesmente assistiu muito Big Brother? Já sei: seus pais são irmãos! (Ps: nada contra incesto, só o produto final é que costuma ser meio chulé. Mas o importante é o amor. :) Abre-se outro parênteses: Meu Deus [emquenãoacredito]!!! Eu usei um smile no meu texto!! Bléééé! Fecha-se o parênteses imaginário e o verdadeiro também.

(Estou assoviando e olhando para o alto, fingindo de égua que não escrevi as coisas acima. Continuo abaixo na maior cara de pau a partir daquele ponto imaginário bacana em que eu havia, teoricamente, parado).

Canastra na Obra >> 10-05-07... e é mais ou menos assim. Nas músicas em que os instrumentos de sopro não participam, seus respectivos titulares aproveitaram para tomar uma pinga (ou conhaque?) e jogar baralho. E antes que você diga "fóda", mais uma informação: eles ainda tocaram uma cover de Dead Kennedys, "Viva Las Vegas", e até "Besame Mucho", hino farofa gravado por Deus e o mundo e que seus pais devem adorar. Sim, chegou o momento. Diga "fóda!".

Links:
MySpace
Site Oficial
Entrevista
Fotos do show

Créditos das fotos: Marcelo Santiago e Juliana Semedo

[Milésimo Ps.: por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, deixe seu mouse sobre o nome da música "Besame Mucho" no parágrafo acima e assista ao vídeo. "Ele pode mudar vidas" ou, ao menos, sendo mais realista, fará você se sentir um pouco mais feliz e menos ridículo. Eu, particularmente, admito que quase mijo nas calças na hora em que ele aponta para a mina da harpa. O diretor desse vídeo é um gênio! Não sei como ninguém chamou o Ray para interpretar um ditador megalomaníaco em um filme. E para os indie-cool: o Beck aparece no vídeo, é sério. Fique atento quando chegar aos 2 minutos e 8 segundos, no canto inferior esquerdo. Clássico.]

12 de maio de 2007

sites e blogs para se ler sobre música alternativa brasileira

Parte 1. Uma listinha básica para você se manter informado:

>> O Bruno Nogueira avisou nos comentários e vale a pena conferir: o Pop Up!, site de música que ele mantém diretamente de Pernambuco,
foi reformulado, está com novo visual e funcionalidades, e continua bom como sempre.

>> Também de Pernambuco, outro site indicado é o já conhecido Recife Rock!, que faz um ótimo panorama da cena musical do Estado e é muito bom para quem está interessado no que acontece de bom e novo por aquelas bandas.

>>
Da Bahia vem um dos melhores relatos descentralizados, o El Cabong, do jornalista Luciano Matos.

>> O e-zine do selo carioca Midsummer Madness também é bacana, apesar de abordar basicamente as bandas do próprio selo. Vale a pena pelas notícias e, principalmente, pelos podcasts cheio de atrações interessantes e realmente alternativas.

>> Chegando em São Paulo temos o Brasa. Idealizado pelo Dagoberto da Tramavirtual e o Guilherme da Peligro, o site pretende "mapear" a cena alternativa nacional através de um esquema ligeiro de perguntas e respostas com os nomes que movimentam as saunas-conhecidas-como-clubes deste país. Apesar de ainda ter pouco conteúdo, é uma boa idéia.

>> O várias vezes citado no Meio Desligado Marcelo Costa também mantém um blog muito interessante, o Revoluttion. Atualizado sempre às segundas e quintas, constantemente apresenta informações bacanas sobre bandas nacionais.

>> Do Rio de Janeiro uma boa alternativa é o sobremúsica, mantida por parte do pessoal responsável pelo Chappa. Entrevistas e resenhas de shows são destaque no menu.

>> O tio Humberto Finatti às vezes parece ter um gosto pra lá de duvidoso e muitas vezes prefere falar de si do que de cultura pop (teoricamente o seu objeto de trabalho), mas em todas as edições de sua coluna semanal sempre ficamos sabendo um pouco mais da cena alternativa do Brasil. Os textos costumam ser enormes, mas nada que a velha e boa leitura seletiva não resolva.

6 de maio de 2007

Bananada 2007

Nos próximos dias 18, 19 e 20 de maio o pessoal da Monstro Discos realiza mais uma edição do festival Bananada, que reúne as melhores novidades do rock goiano e outros nomes em ascensão na cena alternativa nacional. A grande diferença em relação ao outro festival organizado pelo selo, o Goiânia Noise, é o maior espaço dado aos grupos locais, que são maioria na programação, inclusive fechando todas as noites.

Em sua nona edição este ano, o Bananada acontece mais uma vez no Centro Cultural Martim Cererê. A meia-entrada para cada dia custa R$ 15 reais e o passaporte para todo o festival sai por R$ 35.

Ao longo dos três dias de festival se apresentarão 42 bandas, sendo 21 delas goianas e duas internacionais: os portugueses do Born A Lion e o americano Daddy-O-Grande. Confira abaixo a programação completa:

18/05 (Sexta)

19h20 Diego de Morais (GO)
19h40 Goldfish Memories (GO)
20h00 Watson (DF)
20h30 Monno (MG)
21h00 Sangue Seco (GO)
21h30 Del-O-Max (SP)
22h00 Dimitri Pellz (MS)
22h30 Barfly (GO)
23h00 Super Hi-Fi (RJ)
23h30 Devotos (PE)
00h10 Coletivo Rádio Cipó (PA)
00h50 Shakemakers (GO)
01h30 Violins (GO)
02h10 Mechanics (GO)

19/05 (Sábado)
19h20 Chapéu, Cerveja e Frustrações (GO)
19h40 The Envy Hearts (GO)
20h00 Mezatrio (AM)
20h30 2 Fuzz (CE)
21h00 Black Drawing Chalks (GO)
21h30 Pública (RS)
22h00 Rockz (RJ)
22h30 Motherfish (GO)
23h00 Vamoz (PE)
23h30 Udora (MG)
00h10 Born a Lion (Portugal)
00h50 Trissônicos (GO)
01h30 MQN (GO)
02h10 Valentina (GO)

20/05 (Domingo)
18h00 Dom Casamata e A Comunidade (GO)
18h20 Woolloongabbas (GO)
18h40 RDPC (GO)
19h00 Slot (SP)
19h30 Galinha Pedra (DF)
20h00 Stereoscope (PA)
20h30 Banzé (SP)
21h00 Mersault e a Máquina de Escrever (GO)
21h30 Elma (SP)
22h00 Graforréia Xilarmônica (RS)
22h40 Daddy-O Grande & The Dead Rocks (USA e SP)
23h20 Johnny Suxxx & The Fuckin' Boys (GO)
00h00 Rollin’Chamas (GO)
00h40 Desastre (GO)