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30 de abril de 2007

Zero nas bancas (Fevereiro de 2002)

[ Completando a série de matérias sobre as experiências no jornalismo musical no início desta década, abaixo você confere uma entrevista realizada com Marcelo Costa, um dos criadores da extinta revista Zero, realizada em fevereiro de 2002 ]

A revista Zero chega este mês ao mercado brasileiro se propondo a ser “diferente de tudo o que existe hoje nas bancas de jornais”, como afirmam dois de seus editores, Marcelo Costa e Alexandre Petillo.


Criada a partir do site cultural www.screamyell.com.br, de Costa e Petillo, a revista se dedicará à música e cultura pop nacional e internacional e terá distribuição mensal por todo o país.
Na entrevista abaixo Costa explica como a publicação pretende, com uma linha editorial abrangente e matérias aprofundadas, ocupar o espaço deixado pela extinta Bizz.

1- A Zero será uma especie de versão impressa do Screamyell ou serão duas publicações totalmente distintas?

Marcelo Costa - A linha de pensamento é a mesma, que é a de ser informativo sem ser óbvio, atentando sempre para a passionalidade nos textos. E, no fundo, é difícil não associar, já que eu e o Petillo estamos na ZERO, mas a personalidade do Luiz César Pimentel e do Daniel Motta acrescentaram ao projeto muito mais itens que, no fim das contas, nos faz pensar que a ZERO é o um S&Y muito melhor.

2- A julgar pela capa da edição de lançamento da revista e pelo editorial de fevereiro do Screamyell, a Zero parece ter um aspecto popular e um apelo comercial maior. Ou estou errado?

MC - Eu não diria popular, já que alguém pode confundir com esses folhetins popularescos que só falam da vida dos artistas. A Zero simplesmente é uma revista de música e cultura pop, sem amarras. Não tem nada que não possamos falar na Zero, porque não queremos diminuir o alcance da revista. Queremos, sim, é ampliar. Daí, entrevistão com Naim, que ficou sensacional segundo pessoas como André Forastieri, por exemplo. Daí, não ter rabo preso e se ater simplesmente a boas histórias.

3 - Muitas pessoas consideram o "fracasso" da Bizz como resultado de sua displicência em relação às tendências musicais de sucesso no país. Esse descaso impediria o aumento da vendagem da revista. A Zero vai buscar agregar esse mercado consumidor de tendências ou não existe a pretensão de vender 35.000 exemplares?

MC - Leo, nós queremos vender 500 mil exemplares e é sério. É claro que sabemos que isso é inviável e tal, por uma série de fatores que independe da qualidade da revista, mas queremos e precisamos vender bem. O Renato Russo dizia que montou a Legião para eles serem maiores que os Beatles. É claro que há um exagero nisso tudo, mas o que buscamos é esse nicho de 35 mil que a Bizz deixou. Mas vamos batalhar para ampliar esse público, claro, sem afetar a parte editorial.

4- A Bizz deixou essa grande lacuna no mercado brasileiro, no entanto, temos hoje a revista da MTV, vamos receber a Zero e provavelmente no segundo semestre a Rolling Stone. Não é produção demais para pouco mercado? Será que haverá uma expansão natural do mercado consumidor?

MC - E você ainda esqueceu a Frente, que deve chegar as bancas em duas semanas, e a Play que já está no segundo número. É uma questão complicada, e não sei se o mercado irá suportar tanta publicação. A Rolling Stone sai na frente, afinal, é o filé da área, mas dependerá de 1) como irá tratar o consumidor nacional 2) do tempo, já que quando chegar, as outras já devem estar bem conhecidas do público. Já a revista da MTV não existe. Aquilo é passatempo para ser lido em duas horas. Simplificação demais. Sem contar que eles ainda não encontraram o nicho de mercado. Continuam vendendo pouco e devem continuar a vender pouco, afinal, o que esperar de uma revista que tem a VJ Didi como colunista? O leitor não é burro. Já a Frente eu aposto muito. Apesar de se restringir ao mercado de bandas novas, deve ter uma vendagem pequena, mas vai fazer estardalhaço e deverá abrir muitas portas em outras mídias. Estou apostando muito nela. A Play ainda não se decidiu o que é, e é uma pena. A equipe é boa, mas a linha é avançada demais. Uma frase não sei de quem diz que idéias que estão dez anos a frente do seu tempo não são geniais e eu concordo. O que interessa é o aqui e o agora. E no aqui e no agora que a Zero vai entrar. É claro que, como um dos pais, eu acredito que de todas essas revistas acima, a Zero é a mais vendável, pela linha editorial, pela qualidade dos textos e pelos acordos que estamos fechando. Se todas essas publicações irão expandir o público, só tempo dirá. Mas há espaço para todas elas, desde que elas saibam lidar com esse público inicial, que acreditamos ser de 35 mil. Nisso, por exemplo, eu espero que a Rolling Stone terá problemas. Já as outras (Frente, Play e Zero) podem lidar muito bem com esse público.

5- A editora Lester é nova, não? De onde ela surgiu?

MC - A Editora Lester foi criada especialmente para colocar a Zero nas bancas. Uma revista não pode ir as bancas se não tiver uma editora. Para batizar resolvemos homenagear o maior jornalista de todos os tempos, Lester Bangs. É claro que, agora, já que a editora e a revista são uma realidade, temos a editora e dependendo de como for a revista nas bancas, a editora estará aberta para outros projetos.

6 - Você disse que a Zero será diferente de tudo que existe no mercado editorial. Isso inclui o mercado internacional? Pergunto isso porque vocês parecem ter uma certa simpatia em relação a publicações como a NME e o Melody Maker.

MC - Temos muita simpatia pela finada Melody Maker e por outras publicações como a Q e a Uncut. E quando eu digo que ela será diferente é pensando em nível nacional mesmo. Mas acredito que ela será única em sua proposta, essa coisa de não ter limites. Claro que vamos sofrer com isso, afinal, o universo é muito vasto, mas acredito que saberemos extrair o necessário.

7 - O que significa "não ter limites"?

MC - A liberdade de poder fazer um entrevistão com o cantor Naim, ou com o jogador Serginho Chulapa e falar de cinema, de trabalho funerário, tudo na mesma revista.

8 - Já dá para traçar o perfil do futuro leitor da Zero?

MC - É dificil, mas se nos basearmos no público que era da revista Bizz, vamos ter jovens de 12 a 40. Talvez, pela linha editorial mais abrangente, ultrapassemos essa faixa. O leitor da Zero terá de gostar de ler. Não é uma revista pra se ler em um dia.

09 - Você disse que a revista da MTV é simplificada demais e é apenas um passatempo pra ser lido em duas horas. Presumo então que vocês pretendam fazer matérias mais aprofundadas e maiores, certo? Entrevistas como a da Fernanda Young, publicada no Screamyell, terão lugar na revista?

MC - A idéia é essa. O excelente projeto gráfico desenvolvido pelo Daniel Motta buscou exatamente isso, despir a revista deixando muito espaço para texto. Acredito que alguns vão estranhar, mas é como essa entrevista com a Fernanda Young. É enorme, mas fica perceptível quando se lê que nada ali está sobrando, são todas informações necessárias. A entrevista com o Naim bateu sete páginas. A do RPM, oito. E seguirá todas nessa linha.

ilustração: dwski

calendário de festivais

... tudo reunido em um único arquivo .jpg para você salvar e se manter em dia.

calendário de festivais alternativos em 2007

29 de abril de 2007

festivais independentes do Brasil

O grande Bruno Nogueira, jornalista pernambucano que mantém o site Pop Up!, fez uma ótima lista dos festivais independentes de rock do Brasil associados à Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes), cuja reprodução é feita abaixo, com alteração apenas na ordem de apresentação.


Porão do Rock | DF
A estrutura assustadora do Porão do Rock faz deste evento, que começou em 1998, um dos mais bem articulados do país, lembrando os grandes palcos europeus. E tudo começou com a idéia de montar um show onde as bandas que ensaiavam no mesmo galpão pudessem mostrar as novas músicas. Caiu em cima de uma carência de Brasília e já na primeira edição teve 8 mil pessoas. O Rappa, Cachorro Grande, Marcelo D2, todos já passaram por lá. Do cenário independente, já mostrou Bugs, Autoramas, CPM22, Prot(o), entre várias.

» São dois dias de shows no estacionamento da Estação Mané Garrincha
» É organizado pela G4 produções | g4producoes@poraodorock.com.br
» Mais informações

Coquetel Molotov | PE
Formado em 2004, é o festival mais promissor hoje no Recife. Já na primeira edição trouxe a aclamada Teenage Fanclub. Nos outros anos, também trouxe para a cidade nomes como The Kills, Tortoise, Rubin Steiner, além dos nacionais Hurtmold, M.Takara, Debate, Tony da Gatorra, Artificial, entre outros. Também foi a primeira a dar espaço local para as novas Alhev de Bossa, Profiterolis, Mellotrons, etc.

» Dois dias de shows no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco. Não tem um mês certo para acontecer
» Organizado pelo coletivo Coquetel Molotov, que também comanda um programa de rádio, revista e selo
» Cobertura: 2005 | 2006

Recbeat | PE
É o palco rock do carnaval pernambucano. Geralmente oferecido como uma alternativa para quem não está atrás de frevo durante a festa. Já trouxe para o Recife nomes como Karnak (RJ), Turbo Trio (RJ), Jumbo Elektro (SP), Sonic Jr. (AL) entre outros grandes jogadores do cenário independente.

» São quatro dias de show, em pleno carnaval, no próprio Recife Antigo. Também chamado de “pólo mangue”
» Organizado pela produtora Recbeat (centralizado em Antonio Gutierrez, ou “Gutie”).

Abril pro Rock / Porto Musical | PE
Talvez o maior festival de rock independente do país, idealizado em 1992, o Abril pro Rock completa em 2007 seus 15 anos. Junto com o fenômeno do Manguebit e das bandas Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre SA, alavancou Pernambuco como um dos centros do rock nacional. Já trouxe para a cidade o Asian Dub Foundation, Placebo, Stereo Total, Sepultura (nas duas fases) e fez despontar muitas outras novas bandas locais.

O mesmos organizadores também fazem o Porto Musical. Uma feira de música que antecede o carnaval, trazendo para o Brasil representantes de gravadoras e escritórios de exportação de música brasileira de todo o mundo. Recentemente, virou parte oficial da Feira Música do Brasil, promovida pelo Ministério da Cultura.

» São três dias de shows no APR. Apesar das sextas e domingos mudarem de perfil, o sábado é conhecido por vários apelidos. “O dia das camisas pretas”, “o dia do metal”, “o dia do rock”, para citar alguns. O Porto acontece durante uma semana inteira no início de fevereiro.
» É organizado pela Astronave Iniciativas Culturais
» Cobertura: 2004 | 2005 | 2006

Goiânia Noise / Bananada | GO
São os dois festivais da Monstro Discos. O primeiro, um dos mais clássicos do Brasil, vai entrar em sua 13a edição. Além de promover as bandas gravadora, também leva até a cidade atrações como Nação Zumbi, Ratos de Porão, Los Hermanos e outros nomes de peso no cenário independente nacional. Colocou Goiânia como um dos principais celeiros para novos nomes do rock nacional com nomes como MQN, Violins e Trissiônicos. Já no Bananada, a coisa muda de figura. É a valorização do rock goiânio, com as bandas da cidade como headliners da programação. Mas ainda assim ainda traz artistas de fora.

» O Goiânia Noise acontece em três dias, somando cerca de 30 bandas. Enquanto o Bananada apresenta o gigante número de 42 (42!!!!) bandas em três dias.
» É organizado pelos incansáveis guerrilheiros do rock da Monstro Discos
» Mais informações

Calango / Grito Rock | MT
O Calango surgiu em 2003 com a proposta de criar um espaço de shows para as bandas do Mato Grosso interagirem com o restante no Brasil. Na edição 2005, ele saiu da esfera da música e agora, além das apresentações também traz exibições de vídeo, feira de artesanato, entre outras artes. Levou para o estado bandas como MQN, Daniel Belleza, Pata de Elefante, entre outros nomes legais do rock. Dos locais, destaque para a Caximir. A demanda cresceu tanto que eles criaram um segundo evento, o Grito Rock, que agora vai se transformar num festival simultâneo em mais de 20 cidades do Brasil.

» Os três dias de shows geralmente são em julho. O Grito do Rock será no carnaval
» É organizado pelo pessoal do Espaço Cubo

Demo Sul Londrina | PR
Criado em 2001 com a vontade de colocar a cidade de Londrina no mapa do rock nacional. Além dos shows, organiza o Simpósio de Música Independente, com debates e conferências entre profissionais da área. Sua programação já trouxe nomes como Rogério Skylab (RJ), Forgotten Boys (SP) e Bidê ou Balde (RS). Aproveita para descentralizar a produção do Paraná para além de Curitiba, com bandas de várias regiões vizinhas.

» São três dias de shows na Chacara Lima, Estrada do Limoeiro
» É organizado pela Braço Direito Produções, sob a coordenação de Marcelo Domingues

DoSol | RN
Começou em 2005 e sempre acontece no mês de agosto. O festival tem como foco a cena independente, sendo suas atrações todas desse universo, como as bandas Mundo Livre (PE) e Autoramas (RJ) encerrando os shows. Além das apresentações, também promove o “Pensando a Música”, com debates sobre produção indie. Tem estrutura para receber até 4 mil pessoas no Largo da Rua do Chile, bairro da Ribeira.

» São três dias de shows e palestras
» Produzido pela DoSol Records, que também comanda um selo, um bar e uma produtora de vídeo
» Cobertura: 2005 | 2006

Mada | RN
Sigla para “Música Alimento da Alma”. Formado em 1998, onde hoje acontece o Dosol, o Mada é o segundo maior festival de todo o Nordeste. Trouxe para a região nomes como Moptop, Cansei de Ser Sexy, Relespública, Macacobong, além de atrações como Nando Reis, Detonautas, Capital Inicial. Sem hipocrisias, o Mada declara que as bandas maiores são escaladas apenas para atrais um público maior para as independentes. E funciona muito bem.

» São três dias de shows na praia de Ponta Negra (fechado ao público), também com tenda eletrônica
» O Mada é produzido por Jomardo Jonas
» Cobertura: 2005 | 2006

Eletronika | MG
Começou em 2000 e já trouxe atrações bem bacanas para Belo Horizonte, como o Mogwai. Na última edição, além dos shows, o festival também promoveu debates e workshops. A Casa do Conde de Santa Marinha foi sede do Fórum de Mídia Expandida, realizado pelo segundo ano consecutivo. Foram organizadas três mesas de debates com três nomes envolvidos em cada uma delas.

» São quatro dias de shows, além de uma pista apenas com DJs de todo o Brasil e de fora do país

Jambolada Uberlandia | MG
A primeira edição do Jambolada aconteceu em 2005 e trouxe à Uberlândia Daniel Belleza e os Corações em Fúria, Astronautas, Ecos Falsos e Hang the Superstars, além das bandas locais. Bandas como Porcas Borboletas e Dead Smurfs, que até 2005 tinham grandes dificuldades de vincularem seu trabalho fora de Uberlândia, apresentaram-se em diversos festivais e cidades brasileiras em 2005 e 2006.

» São dois dias de debates e oficinas e três dias de shows. São 20 bandas selecionadas, 10 locais e 10 nacionais.
» Realizado por Ponto e Vírgula Iniciativas Culturais e Vudix Produtora
» Mais informações

Primeiro Campeonato Mineiro de Surf | MG
Lançado em 2000, é um campeonato de surf de verdade (Minas não faz divisa com o mar), trouxe na última edição 14 bandas de cinco estados, com público de 5 mil pessoas. As atrações eram nomes como Macaco Bong (MT), Retrofoguetes (BA), Go! (RJ), entre as locais. Também tem apresentação de DJs convidados.

» São três dias de shows, começando ainda de tarde, logo após o campeonato.
» Produzido pelo pessoal do A Obra

Varadouro | AC
Começou em 2005. É o maior evento de música do Acre e tem apoio do governo do estado local, além da iniciativa privada. Já passaram por lá as bandas Moptop (RJ), MQN (GO), Walverdes (RS), Coletivo Rádio Cipó (PA), entre atrações locais como Los Porongas. Antes dos shows, o festival também organiza debates com vários convidados (são cerca de 30, entre jornalistas e produtores).

» São dois dias de shows. Começando com os debates de tarde
» Quem organiza é o selo Catraia Records
» Mais informações

Algumas Pessoas Tentam… | RJ
Começou em 1997 com o “te fuder” no fim da frase. É o festival da MMRecords (RJ) e tem sua programação formada quase que exclusivamente por bandas menores. Já fez shows da Pelvs, Luisa Mandou um Beijo e, de fora, trouxe o Wry, Mogway, Stereolab e outros nomes legais. Como é uma coisa “de casa”, as vezes também é chamado de “o festival do Lariú”, referência ao organizador do selo e dos shows, Rodrigo Lariú.

» São três dias de shows espalhados pelo Rio de Janeiro. Cada dia em um lugar diferente, como o Teatro Odisséia e a Casa da Matriz.
» Produzido pela MMRecords, de Rodrigo Lariú

Ruído | RJ
O festival existe desde 2002, sempre trazendo várias bandas e uma boa estrutura no Rio de Janeiro - e sempre sem apoio dos barões da telefonia, sem vips, sem muita mídia. Já passaram pela programação o Nervoso e os Calmantes, Graforréia Xilarmônica, Rádio de Outono, Zefirina Bomba e Irmãos Rocha.

» Os três dias de show acontecem geralmente em março no Teatro Odisséia
» É organizado pelo Gabriel Thomaz, vocalista da banda Autoramas
» Mais informações

Boom Bahia | BA
Teve duas edições, uma 98 e outra 99, e depois encerrou. Mas o festival soteropolitano promete voltar este ano. Já até organizou um “warm up” para abril com shows do Matanza, Forgotten Boys e Cachorro Grande. Para o evento em si, eles comentam que estão em negociação com os Replicantes.

» Por enquanto, as informações do Boom Bahia estão em stand-by, até o festival voltar a acontecer
» Mais informações

28 de abril de 2007

Walverdes - 90 Graus

Lançado entre o fim de 1999 e os primeiros meses de 2000, 90º foi o primeiro EP da banda gaúcha Walverdes a ser lançado em CD, após terem lançado um álbum independente e cinco fitas K7 (lembra o que é isso?). Este também foi o 9º lançamento da Monstro Discos, atualmente com mais de 60 lançamentos em seu catálogo.

Com oito canções em pouco mais de 19 minutos, foi este EP que preparou o território para que a banda lançasse, dois anos mais tarde, o álbum Anticontrole e tomasse de assalto a mídia especializada do país. Situado na suja fronteira entre o punk e o grunge, 90º trazia o vigor e o barulho que se tornariam marcas registradas da banda, porém, pecava em relação às letras. Em grande parte remetendo à adolescência e suas típicas bobagens divertidas, é fácil encontrar diversas referências ao álcool, além do inconformismo e raiva padrão desta fase da vida.

Se em alguns momentos chega a lembrar as temíveis bandinhas de colégio, como em "O tempo que perdi" (da letra: "Ontem achei o que escondia atrás do meu armário / não era uma agenda, não era um diário / era a liberdade que um dia eu perdi"), em outros a banda mostrava a que vinha e despejava petardos como "1996": 1 minuto e 20 segundos de rock'n'roll simples, cru e direto.

Mas é logo na faixa de abertura que está o melhor do CD. "Câncer", ótima canção de amor e desilusão, animada e suja, que se tornou um verdadeiro semi-hit do rock alternativo brasileiro do início dos anos 2000.

Atualmente esgotado na Monstro, o CD era vendido em uma bacana capinha de papelão por algo em torno de R$ 7. Nem mesmo no site oficial da banda é possível encomendar 90º. Portanto, a melhor opção para os interessados é fazer o download do EP aqui.


Escute "Câncer", do Walverdes.


20 de abril de 2007

Prêmio Toddy de Música Independente

O antigo Prêmio Dynamite da Música Independente transformou-se em Prêmio Toddy de Música Independente e já abriu seu período de votações, que se estende até o dia 10 de maio.

São 21 categorias que tentam abranger todas as correntes da cena alternativa brasileira, premiando os melhores álbuns de vários estilos, eventos, veículos de informação relacionados à música independente, etc.

A seleção dos indicados foi feita através de entrevistas realizadas com cerca de 300 jornalistas, produtores e formadores de opinião do Brasil, com curadoria de Suzana Gnipper, e abrange grupos, selos e eventos de todo o país.

É importante ressaltar que apesar de se tratar de uma premiação dos trabalhos de destaque em 2006, obras lançadas em 2005 e 2007 também puderam ser incluídas.

Realizado pela revista Dynamite desde 2002, em 2005 a premiação teve patrocínio da empresa de telefonia Claro e este ano conta com o apoio da marca de achocolatados Toddy, além de fazer parte do projeto "Cena Musical Independente Brasileira - Pesquisa e Publicação dos principais trabalhos lançados em 2006".

A presença de grandes empresas em iniciativas como esta é mais do que bem-vinda e ajuda no fortalecimento e visibilidade da cena alternativa e seus membros. No ano em que a Claro era a patrocinadora, por exemplo, foram 150.866 votos. No ano anterior, 66.333 votos. Portanto, parabéns pela Toddy pela iniciativa.

Para conferir todos os indicados e votar nos seus favoritos, visite o site www.premiotoddy.com.br.

Abaixo, apenas para se ter uma prévia, estão os indicados das categorias “Álbum Indie Rock” e “Evento”.

E em 2008 esperamos que o Meio Desligado esteja na categoria “Veículo Online”...


  • Álbum Indie Rock:
Barfly – “The Longest Turn” (GO / Monstro Discos)
Cascadura - "Bogary" (BA / Terapia Records)
Cinco Rios – “Ecos da Cidade” (MG / Independente)
Drosóphila - "Pastilha Efervescente" (SP / Trombador)
Druques – “Druques” (SP / Reco Head)
Gram - "Seu minuto, meu segundo" (SP / Deckdisc)
Instiga - "Maquina Milenar" (SP / Independente)
Mellotrons – “Mellotrons” (PE / Independente)
Motormama - "A Legítima Cia Fantasma" (SP / midsummer madness)
Parafusa - "Meio Dia na Rua da Harmonia" (PE / Alvo)
Pelvs - "Anotherspot" (RJ / midsummer madness)
Prot(o) - "Prot(o)" (DF / Monstro Discos)
Pública - "Polaris" (RS / Mondo 77)
Rádio de Outono - "Rádio de Outono" (PE / Virtuosi)
Snooze - "Snooze" (SE / Monstro Discos/Solaris Discos)
StereoScope - "O Grande Passeio do StereoScope" (PA / Senhor F)
Supercordas - "Seres verdes ao redor" (RJ / Trombador)
Superguidis – “Superguidis” (RS / Independente)
Valentina – “Valentina” (GO / Monstro Discos)
Verbase - "Distorção, Sonhos e Delírios" (MG / midsummer madness)

  • Evento:
Abril Pro Rock (PE)
Araraquara Rock (SP)
Calango (MT)
Coquetel Molotov (PE)
Demo Sul (PR)
DoSol (RN)
Eletronika (MG)
GIG Rock (RS)
Goiânia Noise Festival (GO)
Grito Rock Festival
Humaitá pra Peixe (RJ)
Live’N’Louder (SP)
MADA (RN)
Motomix (SP)
Nokia Trends (SP)
Porão do Rock (DF)
Psycho Carnival (PR)
Tim Festival (SP e RJ)
UNIREGGAE (MA)
Varadouro (AC)

14 de abril de 2007

Turnê post-rock pelo país

Ao longo da segunda metade do mês de abril a banda paulista Debate irá acompanhar os americanos do Medications em sua turnê brasileira, com 10 shows pelo país. Lançados pela conceituada gravadora de rock alternativo americana Dischord, que também lançou nomes como Fugazi e Q And Not U, o Medications foi formado em 2003 e tem em sua formação dois ex-membros do Faraquet, outra conceituada banda do rock experimental americano.

Já o Debate também conta com ex-membros de uma banda famosa no cenário alternativo, no caso, a Diagonal, ex-banda de Sérgio Ueda e Richard Ribeiro, que junto a Marcelo Mandaji formam o grupo.

A turnê começa no dia 26 de abril, em Pouso Alegre, Minas Gerais, e termina no dia 7 de maio, em São Paulo. Todas as apresentações contarão com Medications e Debate, mais as participações de bandas locais, como a interessante Ruído/mm, que irá abrir o show de Curitiba, no dia 28 de abril, junto à Colligere.

Abaixo você confere todas as datas da turnê e locais das apresentações.

Abril
26. Pouso Alegre, no UTI Bar, com a banda Pumu
27. Belo Horizonte, no Lapa Multshow, com a Udora
28. Curitiba, no Espaço Cultural 92 Graus, com Colligere e Ruído/mm
29. São Paulo, no Centro Cultural da Juventude
30. Rio de Janeiro, no Teatro Odisséia
Março
3. Londrina, no Bar Valentino
4. Local a ser definido
5. Porto Alegre, na Garagem Hermética, com Planondas e Loorex
6. São Paulo, no Verdurada
7. São Paulo, no Studio SP

E há também um show a ser confirmado, já que não aparece no MySpace da banda, em Campinas, no bar do Zé, junto ao grupo Nova Pasta.

6 de abril de 2007

sobre as primeiras edições das revistas [ ] Zero e Frente

Da pesquisa realizada para o post anterior surgiu a inevitável comparação entre as linhas editoriais da [ ] Zero e da Frente, mas surgiu também a necessidade de comparação entre elementos da cena alternativa nacional daquela época com a atual.

Eis, portanto, uma breve recapitulada sobre os artistas nacionais presentes nas duas edições e o que foi dito por/sobre eles.

Na revista [ ] Zero nº1 a música brasileira estava presente através de uma matéria de quatro páginas sobre a volta do RPM; a indicação de um álbum do Ultrage a Rigor como "fundamental"; algumas recomendações feitas pela Simone, ex-baixista do Autoramas; e resenhas de artistas como Rodox, Engenheiros do Havaí, Thee Butchers' Orchestra e Acústicos & Valvulados.
Apenas cinco anos se passaram e eu me pergunto: "onde estão Rodox, Thee Butchers' Orchestra e Acústicos & Valvulados?". Deixa pra lá...

Uma das coisas mais engraçadas de se ler agora, naquela edição da [ ] Zero, é a matéria sobre o show de lançamento do Bloco do Eu Sozinho, 2º álbum do Los Hermanos. Na época a banda tinha um futuro incerto e vinha com um álbum muito diferente do que o anterior, que os havia alçado à categoria de fenômeno pop. O resultado do Bloco..., com suas tubas, incursões pela MPB e abandono das influências ska, todo mundo conhece.

Mas é a seção "talking about my generation" a que mais chama atenção em se tratando de cena indie brasileira, com textos sobre (pasmem) Kiko Zambianchi, Grenade e
Faichecleres.
Eis a abertura do texto sobre o
Faichecleres: "Um amigo viu o show e teve vontade de jogar todos os discos no lixo e começar a coleção do zero. Outro organizou um festival só para poder chamar os caras para tocar".
Algum desavisado poderia ler isto agora e perguntar: "Mas, então, estes caras se tornaram uma espécie de novo Nirvana brasileiro, um puta hype ou algo do tipo?". Não. Apareceram na MTV algumas vezes e tocaram em algumas bibocas pelo país afora, enchendo a cara e ficado um pouco mais surdo a cada dia. Rock and Roll.


Já a Frente nº 1 estava muito mais focada no produto nacional, fato explicitado pela capa da edição, que trazia os nomes dos artistas que estavam "reconstruindo o pop brasileiro". Estes artistas eram: Marcelo D2, Pato Fu, Rodox, Los Hermanos, Cachorro Grande, DJ Patife, Thee Butchers' Orchestra e Sonic Júnior.
Destes, D2 realmente se firmou entre os maiores nomes do pop nacional; o Pato Fu já era famoso na época e mantém uma carreira regular; Rodox sumiu do mapa; Los Hermanos é talvez a única banda adorada tanto no mainstream quanto no underground brasileiro; a carreira do DJ Patife caiu junto com a febre do drum'n'bass;
Thee Butchers' Orchestra acabou (ou ao menos está parado por tempo indeterminado); pouco (ou nada) se fala do Sonic Júnior e o Cachorro Grande segue uma trajetória mtvesca que vem rendendo shows pelo país afora e participações em grandes festivais (vide Claro Q É Rock e Pop Rock Brasil).
A enorme matéria, de 20 páginas, pode ser baixada aqui (as páginas foram digitalizadas em baixa resolução) .

As bandas que tinham músicas no CD encartado na revista, em sua maioria, também não tiveram um futuro feliz.
Rápida análise:
1. Astromato: acabou.
2. Cachorro Grande: cresceu, como foi dito no parágrafo acima.
3. PB: quem?
4. Los Hermanos: consolidou-se na cena musical brasileira, respeitada no meio indie e mainstream, como também já foi dito no parágrafo acima.
5. Professor Antena: nunca mais ouvi falar.
6. Magazine: voltou para o limbo ("de onde não deveria ter saído?").
7. Wander Wildner: continua na mesma.
8. Casino: nunca mais ouvi falar.
9. Wado: cresceu relativamente, em meio a um público restrito.
10. Sonic Júnior: na mesma.
11. Instituto e Sabotage: o primeiro está cada vez mais renomado em meio à crítica, o segundo, morto.
12. Stereo Maracanã: acabou?
13.
Thee Butchers' Orchestra: acabou.
14. MQN: na mesma.
15. Mini: como não é um projeto "sério", pode-se dizer que está na mesma.

Outros nomes que apareceram na revista foram Fellini, De Falla, CPM 22 e Frank Jorge, além de diversos outros artistas nacionais que tiveram resenhas de seus álbuns publicadas, como Lobão, Nando Reis e Momento 68. Mas nenhum deles em uma passagem tão engraçada de ser lida atualmente como a do Forgotten Boys. Eis o que Chuck Hipolitho disse à revista na época:
"Acho que se a gente cantasse em português, seria um estouro. Falo isso sem modéstia nenhuma, mesmo. Mas é uma pena você ter de mudar o jeito que pensa para poder vender mais. Não queremos isso".


Três anos depois, mais precisamente em setembro de 2005, a banda lançou o álbum Stand By The D.A.N.C.E., mesclando canções em inglês e português, como "Não Vou Ficar" e "5 mentiras" (que você confere ao lado), ambas com vídeos veiculados na MTV (onde, aliás, Chuck trabalhou).

Então tá.