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25 de fevereiro de 2007

5 vídeos curiosos do Mombojó

Uma versão diferente para "Deixe-se acreditar", tocada junto ao Los Hermanos no Rio Grande do Sul.



Fã-vídeo para "Baú", filmado no metrô de São Paulo



Vídeo não-oficial para "Ela Voltou Diferente", de Odair José, na versão do Mombojó



Vídeo não-oficial para "Adelaide" feito com trechos de A Fraternidade É Vermelha (Rouge), de Krzysztof Kieslowski



Mombojó e Eddie tocando "Pode Me Chamar" (canção do Eddie)


24 de fevereiro de 2007

a trajetória do Mombojó em Belo Horizonte

{ Eu já havia publicado este texto anteriormente no Mazzacane, mas achei mais que merecida a sua inclusão no Meio Desligado }


mombojó, 05.08.04

Episódio 1: 05-08-2004

Em 5 de agosto de 2004 o Mombojó se apresentou em Belo Horizonte pela primeira vez, no festival Eletronika. Na época, a banda havia acabado de lançar seu primeiro álbum, nadadenovo, disponibilizado para download no site da banda e também encartado na revista Outracoisa. Naquele dia o Mombojó era a atração principal de um dos galpões da Casa do Conde, local onde tocavam as atrações mais "orgânicas" e alternativas do festival. Os dj's se apresentavam no então chamado Marista Hall, hoje, Chevrolet Hall.

mombojó, 05.08.04

Aquele show foi mais do que especial, já que, além de ser o primeiro deles na capital mineira, também contava com a participação do coletivo Re:Combo, representado pelo Esquadrão Atari, que fazia colagens sonoras ao vivo sobre as canções da banda (sem nenhum ensaio).

Sim, da platéia ecoaram alguns (poucos) gritos de "Los Hermanos!" e nas conversas era fácil ouvir algum "a voz dele é idêntica à do Fred 04", porém o mais interessante era observar como aquela nova mistura de rock alternativo, mpb, samba, bossa, mangue e eletrônica, soava tão fresca e cativante.

Sete jovens pernambucanos, juntando em cima do palco uma variedade de instrumentos (guitarra, baixo, mini-bateria, cavaquinho, teclado, trompete, escaleta, violão, flauta) à favor da experimentação e prazer do ouvinte.

mombojó, 05.08.04 mombojó, 05.08.04 mombojó, 05.08.04

Do início, com um tema instrumental com Marcelo Campello na guitarra, seguido de "discurso burocrático / a missa", passando pela cover de Ronnie Von à "faaca" e "deixe-se acreditar", ficava claro que ali estava um grupo singular.


Episódio 2: 27.05.06

Dois anos após sua primeira incursão pela capital mineira, a banda voltou para divulgar seu segundo álbum, Homem-Espuma, lançado pela gravadora Trama. Os boatos sobre o show começaram na internet e a comoção dos fãs foi tal, que o tópico desta apresentação é o mais comentado na comunidade do Mombojó no Orkut, com mais de 480 mensagens. Como era de se esperar, o espaço do Teatro da Biblioteca da Praça da Liberdade não foi suficiente para abrigar os fãs. Os ingressos se esgotaram rapidamente e um segundo show teve de ser marcado para a noite.

Como minha fofa namorada trabalha na Biblioteca e havia descolado ingressos de graça para a primeira apresentação, foi sem pesar que desembolsei mais alguns reais para ver a banda novamente.

No primeiro show, todas as cadeiras lotadas, pessoas sentadas nos corredores e clima de excitação geral. Afinal, para a grande maioria, aquela era a primeira vez junto à banda.

A maior surpresa era perceber como as canções de Homem-Espuma ganham vida ao vivo, mais encorpadas e "pesadas". E também, reparar que Vicente Machado deu um upgrade em sua bateria antes raquítica e nas novas estripulias eletrônicas de Chiquinho, à vontade com seu novo laptop e teclados.

Ali fomos apresentados à já famosa dancinha de Felipe S., munida a uísque. Um baixo mais "vivo" de Samuel e a guitarra precisa de Marcelo Machado, encaixando distorções onde pode, também estavam garantidos. E, é claro, Marcelo Campello e O Rafa, cada vez mais competentes, nos instrumentos de sopro e cavaco.


"Nem Parece", na Biblioteca



Se já estava bom, melhorou ainda mais quando o vocalista Felipe S. disse para as pessoas não se acanharem, levantarem-se e dançar. Se terminasse aí, já estaria ótimo. Mas ainda tinha um show bônus.


Episódio 3: 27.05.06

Depois da difícil tarefa de tirar as pessoas que viram o show anterior de dentro do teatro (eles queriam mais, mais!), iniciou-se a segunda apresentação da noite. Os corredores já não estavam ocupados por pessoas de pé ou sentadas no chão e até mesmo alguns assentos estavam desocupados na parte inferior do Teatro, mas havia um bom público.

Como era de se esperar, foi um show mesmo animado que o primeiro, tanto por parte do público quanto da banda, mas ainda assim muito bom. Com três ou quatro canções diferentes das apresentadas no show anterior, sendo que a maior diferença foi "a missa", que fechou o segundo show e não havia sido tocada no anterior.


mombojó

Episódio 4: 22.10.06

Primeiro, a história do ingresso. Fui informado de que na comunidade da Obra, no Orkut, alguém da (péssima) banda Caipirinhas distribuiria 50 cortesias para o domingo na Conexão Telemig Celular, dia em que se apresentariam tanto o Capirinhas como também o Mombojó. Bastava escrever seu nome em determinado tópico e buscar seu ingresso na Obra, a partir da quinta. Assim, sem sorteio, se você fosse um dos 50 primeiros a escrever, ganhava.

Nesta hora meus perfis falsos no Orkut foram de extremo valor.

Acontece que divulgaram um horário errado para buscarmos os ingressos na Obra. Saí do escritório do Cinema em Cena, onde trabalho, encontrei a bêbada mais charmosa que conheço, e, passado um tempo, fomos para a Obra. E tive que esperar por umas duas horas até que a responsável pelos ingressos finalmente chegasse.

Moral da história?

1. mesmo já tendo visto o Mombojó por três vezes, passei por tudo isto para vê-los mais uma vez, porque é muito bom.

2. até mesmo as bandas muito ruins podem servir para alguma coisa (nem que seja apenas para descolar ingresso para o show de outra banda)

mombojó

E quanto ao show? Cinco meses após os shows anteriores na cidade, grandes mudanças não são esperadas. E não ocorreram. Mas, se você conhece bem o Mombojó, sabe que isso passa longe de ser ruim.

Mesmo sendo noite de domingo, a tenda da Conexão ficou cheia. Começaram com "discurso burocrático / a missa", ao contrário dos shows no teatro. Fez lembrar da primeira vez da banda em BH, tanto pelo início como pelo ambiente. O baixista Samuel agora também arrumou para si um teclado, com o qual faz pequenas intervenções (entenda-se como "ruídos esquisitos") em algumas das músicas. Não tocaram "o céu, o sol, o mar" e, mesmo com os pedidos dos fãs, também não tocaram "cabidela". Para variar, nenhum bis. Mas que já havia sido apresentado era suficiente para espalhar sorrisos pela madrugada.

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É engraçado reparar que, junto da "fama", vem os fãs idiotas e menininhas histéricas gritando em frente ao palco. Pessoas que necessitam de ícones fugazes a serem idolatrados, não basta a música. E, para piorar, prendem suas atenções e adoração ao vocalista. Em uma banda como o Mombojó, mais do que na grande maioria das outras, não há um sujeito que se sobressaia. O cunjunto, o "todo", é fundamental para a obra do grupo. Entende? Grupo. Mas tente falar isto com a menina debruçada na barra de proteção...

mombojó

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Mais fotos de shows do Mombojó você vê no meu Flickr. [todas as fotos acima, de minha autoria, exceto a terceira, "felipe esverdeado", feita por João Perdigão]

13 de fevereiro de 2007

sobre o Creative Commons e seu uso

Completando o post anterior, aqui estão algumas informações garimpadas na rede para que você conheça melhor o Creative Commons e sua utilização no meio musical.

1. Seja Criativo. Vídeo explicativo sobre Creative Commons, copyright e seus usos



2. Copyleft e Creative Commons. Texto do Marcelo Terça-Nada

O CreativeCommons é um site onde há vários tipos de licença de uso para obras. Há licenças como “Domínio Público”, “Uso não Comercial”, “Recombinação” e muitas outras.

E o que há de mais nisso tudo? O grande lance do CreativeCommons é que é uma regulamentação a nível mundial de como as pessoas querem compartilhar o seu trabalho. E está disponível em várias línguas (inclusive português).

Numa época de meios eletrônicos de criação e distribuição descentralizada e de discussões quentes sobre autoria, propriedade intelectual, cópia, criação colaborativa etc, faz muito sentido e é muito justo com quem cria….


Leia o texto completo no Vírgula-Imagem, blog do Terça-Nada.

3. Entrevista com Ronaldo Lemos, do Creative Commons Brasil, feita pelo Alexandre Matias.

1) O disco (como suporte físico) acabou?
Acabou sim. O CD hoje já é uma tecnologia obsoleta. É uma mídia grande, com pouca capacidade de armazenamento. No entanto, ele ainda terá uma sobrevida, especialmente nos países em desenvolvimento, da mesma forma como cassetes e vídeo-cassetes ainda são usados na Índia e na África. Até mesmo as periferias brasileiras já usam o CD não para músicas, mas sim para arquivos de MP3, sem falar no uso de DVD-R. O futuro da distribuição musical é digital, o suporte só fará sentido em casos específicos.

2) Como a música será consumida no futuro? Quem paga a conta?
A tendência é a música se distanciar cada vez mais do conceito de mercadoria e se aproximar da idéia de um serviço. O iTunes hoje faz sucesso vendendo música como mercadoria. Mas o site de música que mais cresce no mundo hoje e já está em segundo lugar, chamado E-Music, já vende música mais como serviço: você paga uma taxa mensal e pode fazer um número específico de downloads. O serviço que todos os consumidores gostariam de ter é pagar uma taxa e poder fazer downloads ilimitados de música.


Leia a entrevista completa no Trabalho Sujo, blog do Matias.

4.
Creative commons: uma espécie de fermento criativo. Texto de Fernand Alphen, publicado no Webinsider.

Se a criação é um bem de consumo, portanto, não há tempo para degustar, contemplar, refletir, analisar. Consome-se como se lê, vê ou ouve, digere-se como se pode, e regurgita-se como se quer.

Em tempos de conteúdo colaborativo, de livre expressão, de canais abertos, de democratização criativa, de contágio viral, em tempos de acesso irrestrito aos megafones das mídias freeware, o autor que se cuide. Principalmente se ele tem a veleidade de preservar sua autoria em prol da biografia, da vaidade, da contribuição intelectual desinteressada ou não.

Enquanto a interpretação dos conteúdos ou das obras era individual, as autorias sofriam poucos ou nenhum risco. O “criador” produzia e a audiência qualificava sem conseqüências. Mas a partir do momento em que a audiência torna-se também mídia espontânea e formadora de opinião, as conseqüências significam, para além da permeabilidade das idéias, a desintegração da própria noção de autoria.

E dessa desintegração nascem certos perigos e muitas virtudes.

Perigos da difusão equivocada de conteúdos e análises, por exemplo. Perigos de comprometer reputações. Perigos inerentes a tudo aquilo que é novo e como tal, desconhecido.


Leia o texto completo no Webinsider.

5. Matéria sobre CC no Trama Universitário.

O CC (creative commons) não compete com o C (símbolo utilizado em produtos protegidos pelas leis tradicionais de direito autoral), ele o complementa. Você não está abdicando dos seus direitos autorais. Você os está usando para dizer o que quer que façam com sua obra”, resumiu, ao explicar que o Creative Commons abrange uma série de usos diferenciados, citando a alteração ou não da obra por terceiros, o direito a samplear trechos dela e o impedimento de uso para fins comerciais como algumas das opções que o autor possui ao licenciar seu trabalho.


O texto completo está aqui.

6. Trecho de entrevista com o grupo Esquadrão Atari, no qual falam sobre as licenças do Creative Commons.



Veja a entrevista completa no YouTube.

1 de fevereiro de 2007

crie, remixe, compartilhe

"Remixe a cultura". Este é um dos lemas do Creative Commons. Ao transpor este mesmo pensamento para a área musical, nada mais óbvio do que pensar em "samples" e "remix".

É exatamente interligado a esse pensamento que surgiu o ccMixter, uma iniciativa do Creative Commons, que funciona como uma grande comunidade de remixers, pessoas interessadas em remix e manipulação de áudio, que disponibilizam samples, vocais e canções completas para que outras pessoas com os mesmos interesses possam usá-los na composição de novas faixas. E tudo isso é livre para que qualquer pessoa possa utilizar, sem ter de se preocupar com copyright, autorizações ou infringir a lei.

Simplificando, o Creative Commons (CC) permite a cada pessoa registrar sua obra de modo pessoal. Ou seja, você decide o que pode, ou não, ser feito com sua obra. Se você deseja que nada possa ser feito com sua obra sem sua autorização, continue com o copyright, ele significa justamente isso (lembra-se do "todos os direitos reservados"?).

Então, por padrão, uma licença CC significa que outras pessoas podem usar sua obra, mas é você que determina quais os usos podem ser feitos da mesma. Como bem explica o site brasileiro do projeto,
"O Creative Commons Brasil disponibiliza opções flexíveis de licenças que garantem proteção e liberdade para artistas e autores. Partindo da idéia de 'todos os direitos reservados' do direito autoral tradicional nós a recriamos para transformá-la em 'alguns direitos reservados' ".

Tendo essa noção básica do que é Creative Commons fica mais fácil entender o que é ccMixter e, conseqüentemente, sua extensão brasileira, o Overmixter.

Ambos os 'mixters' tem como função "permitir que pessoas que manipulam música compartilhem seus arquivos e criem coletivamente", como está descrito no release do projeto. Desta forma, a partir da colaboração de cada pessoa, "quanto mais músicas, samples ou remixes forem disponibilizados, mais idéias vão surgindo", formando uma comunidade auto-sustentável.

No caso do Overmixter, há a vantagem da relação com uma comunidade já formada: a dos usuários do Overmundo, site colaborativo brasileiro que tem como objetivo registrar a cultura brasileira em suas mais diversas e amplas formas.

Totalmente conectado ao conceito de web 2.0, o site também permite que todos os seus participantes votem e façam críticas das colaborações presentes.

Além do Overmundo, o Overmixter conta com o apoio da Fundação Getúlio Vargas, Petrobrás e Ford Foundation.


Fechando, vale lembrar, como bem foi escrito no blog do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas, "do idioma à culinária, no Brasil tudo é remix". Portanto, não há lugar mais propício a iniciativas como o Overmixter do que o nosso país.

Para quem
O Overmixter (e o gringo ccMixter) é bom não apenas para aqueles que apreciam a música ou para djs, mas também para bandas ou produtores de conteúdo autoral. Disponibilizando suas faixas (na forma de loops, a cappellas, etc) no site, você torna o seu trabalho mais conhecido e incentiva a produção cultural. Tanto que artistas conhecidos como Nervoso, Mombojó, Gilberto Gil e BNegão também já disponibilizaram algumas de suas canções.

Como funciona
"Você pega um sample que esteja disponível em um dos bancos de samples indicados no site, mistura com outros samples (e/ou vocais), e cria um remix. Então, você envia o seu remix para o Overmixter indicando quais samples (e/ou vocais) utilizou, e outras pessoas vão poder usá-lo em seus próprios remixes. Quando alguém cria um remix a partir de uma música sua, seu nome aparece junto à ficha técnica da música e todo mundo pode conhecer o seu trabalho" (da página "sobre o overmixter").

Concursos
Periodicamente o Overmixter pretende realizar concursos que incentivem a colaboração no site. O primeiro deles é o Overmix BraSA, em parceria com o ccMixter África do Sul.
A proposta é aumentar a integração cultural entre brasileiros e sul-africanos, a partir da criação de novas faixas utilizando-se de samples oriundos de ambos os países. Saiba tudo sobre o concurso aqui.
O vencedor sul-africano já foi definido e se chama Whispa. Você pode ouvir a faixa dele aqui. Para os brasileiros, as inscrições estão abertas até 16 de fevereiro.


Então, o que você está esperando para grudar essa seu bumbum (cada vez maior) na cadeira em frente ao pc? Crie, remixe, compartilhe... esse é o lema.