Você imagina: Iggor Cavalera, um dos mais famosos bateristas de heavy metal em todo o mundo, sai do Sepultura; está "prestes" a montar um nova banda com seu irmão Max, com quem tocou recentemente; e monta um projeto eletrônico com sua esposa, intitulado Mix Hell.Este mesmo projeto é marcado para tocar em Belo Horizonte na Up!, clube rock indie electro mezzo gay da capital, em pleno coração da Savassi.
Ó-b-v-i-o que lotaria. Ainda mais se considerarmos que a capacidade da Up! está em torno de 200 pessoas, dependendo do nível de gordura do público (aí pode variar para mais ou para menos, mas como você bem sabe, indiezinhos e wannabe-puta-electro-de-shortinho costumam ser bem magrinhos).
Mesmo estando à par de todo o cenário, eis que O idiota aqui, acompanhado de sua namorada e um amigo, também não muito inteligentes, resolvem beber em algum lugar, antes de entrar na Up!. Isso, às 23:30.
Muito inteligente.
Após algumas cervejas em um bar fuleiro (foto), ao som de Calypso, o sorridente trio pangua se depara com uma Up! abarrotada, com pessoas em tempo de sair pela janela. Como era de se prever, fomos barrados.E porque contar tudo isso? Vale como um aviso, aprenda com os erros dos outros:
1. quando um dos maiores bateristas de metal da história resolver virar DJ e tocar na sua cidade natal, não subestime o público e chegue um pouco mais cedo
2. tente, a todo custo, calar a boca da sua namorada, para que ela não fale um monte de merda com o porteiro e este não tenha o mínimo interesse em colocá-los para dentro
3. tente também não lembrar da letra de "Não diga que eu não avisei", do Churros Man: "não diga que eu não avisei, você só não entedeu. não diga que eu não avisei, o meu bumbum não é mais seu". Exceto a parte do bumbum, é claro (quer dizer, não sei qual é o seu caso...)
4. continue na fila e tenha fé em Deus (qualquer um deles), porque milagres acontecem, do tipo "você chegou na hora? que milagre!"
Seguindo à risca essas indicações que se repetiam em minha mente como um mantra, conseguimos entrar depois de cerca de 1 hr e 30 min na fila (no final das contas, o porteiro era bacana. depois que a boca de ALGUÉM foi calada, tudo ficou mais fácil. mesmo assim, tivemos de esperar 16[!] pessoas saírem para que nós 3 entrássemos).

E o tão esperado Mix Hell? Bem, ficou claro que alguns fãs do Iggor, em si, ficaram decepcionados. E, no fundo, realmente valeu mais pelo fator "exótico" e a curiosidade do que pelo som.
Com exceção de alguns remixes muito legais, como "The hand that feeds", do Nine Inch Nails, com o rapper-ator Ludacris, e "Smells like teen spirit" (se você não sabe de quem é esta música, dê um tapa na sua cara, corra até o espelho e diga a si mesmo "o que eu fiz da minha vida!") com vocal rap, o som eletrônico desandando para o farofa de boate de playboy, tocando coisas como Junior Senior.Em alguns momentos esteve melhor e parecia que iria deslanchar, como nos momentos em que tocavam minimal distorcido e barulhento, mas foram raros instantes.
Mesmo assim, o saldo da noite ainda foi relativamente bom, algo em torno de 7. Porque, no fundo, o que vale mesmo é a diversão.
Ps.: se não me engano, também tocaram... Earth, Wind & Fire.






















