Quando ainda existia uma indústria fonográfica forte no Brasil o Diesel lhe deu as costas e dispensou contratos com gravadoras. Quando a banda era o maior nome da cena indie de Belo Horizonte e começava a ganhar o resto do país, os quatro integrantes deram adeus, fizeram as malas e foram para os Estados Unidos na esperança frustrada de "estourar" no mercado gringo.Agora, seis anos após o lançamento do primeiro álbum (ainda como Diesel, em BH), dois anos após o segundo (já como Udora, nos USA), a banda volta recauchutada, sem Jean Dolabella (atualmente no Sepultura), sem o baixista TC e cheia de histórias de brigas, decepções e recomeços. No meio de todo esse tumulto poderia-se esperar que Gustavo Drummond (o dono da banda) produzisse um disco furioso e perturbado, elevando o som nervoso do início de carreira ao extremo. GoodbyeAlô, no entanto, é totalmente o contrário: um bichinho manso e bonitinho, perfeito para alimentar ipods de telespectadores de Malhação.
Ainda como Diesel, no Rock in Rio 2001
Entre a passagem de Diesel para Udora e do inglês para o português muita coisa se perdeu e se modificou: o som que antes era alternativo-grunge, agora é pop, as letras que antes tratavam de temas como dor e sofrimento agora apostam insistentemente no amor e a postura que era independente, agora é de conciliação (vide shows com Jota Quest e músicas em rádios farofa).
Além da incompatibilidade com seus antigos fãs, o Udora ainda se mostra perdido em seu próprio tempo ao ter a surpreendente idéia de não disponibilizar o novo álbum para download gratuito. Num ano em que podemos ouvir Radiohead sem pagar sequer um centavo é, no mínimo, forçar a barra querer que o público pague R$ 15 em um disco do Udora. A saída (minha inclusive) foi piratear o álbum (e olha que não foi fácil de achar).
Além da incompatibilidade com seus antigos fãs, o Udora ainda se mostra perdido em seu próprio tempo ao ter a surpreendente idéia de não disponibilizar o novo álbum para download gratuito. Num ano em que podemos ouvir Radiohead sem pagar sequer um centavo é, no mínimo, forçar a barra querer que o público pague R$ 15 em um disco do Udora. A saída (minha inclusive) foi piratear o álbum (e olha que não foi fácil de achar).
Udora nos Estados Unidos
Para minha surpresa, no entanto, GoodbyeAlô não chega a ser ruim e não seria absurdo dizer que se trata do melhor álbum de rock lançado por uma banda mineira em 2007, ao lado de Daqui pro futuro do Pato Fu. Comparando o disco com tudo o que foi produzido na cena belo-horizontina pode-se ir mais longe e constatar que o Udora continua sendo a maior promessa mineira desde o início da década. A questão é: mérito da banda ou consequência da fraca produção no Estado?
Antes de se começar a ouvir GoodbyeAlô uma coisa precisa estar em mente: Udora não é Diesel. Aquela banda pesada que quebrava tudo no palco, arrastava órfãos do grunge para qualquer buraco de BH e se tornou, por pelo menos um ano, uma das maiores promessas da música brasileira, simplesmente não existe mais. Junto dos dreads vermelhos de Gustavo se foram o peso, as afinações esquisitas e grande parte da força da banda. A ordem no Udora agora é se comportar e a nova forma de pensar abrange desde o figurino bonitinho até as guitarras absurdamente mais limpas, passando pelo corte de cabelo que toda mãe aprovaria.
Em GoodbyeAlô a banda toca bem (como sempre), a produção é boa (fruto de muitos recursos financeiros e da ajuda técnica de Henrique Portugal do Skank) e as letras são..... bem, as letras são pop, com tudo que isso tem de bom e ruim. E se as faixas não são nenhuma obra prima também não chegam a causar vergonha.
A boa "A falta (que me faz)" abre o álbum e de certo modo anuncia o que vem pela frente: letras sobre relacionamentos, guitarras domesticadas para não agredir ouvidos mais sensíveis e a vontade de construir um hit após o outro.
"Por que não tentar de novo" é provavelmente a faixa com maior potencial radiofônico e não por acaso virou o primeiro vídeo-clipe do disco. Ouça algumas vezes e não se surpreenda se sair por aí cantando "Por que não tentar de novo/Já não tenho nada a perder/Meu ego não fica em jogo/Cada vez que penso em você".
Antes de se começar a ouvir GoodbyeAlô uma coisa precisa estar em mente: Udora não é Diesel. Aquela banda pesada que quebrava tudo no palco, arrastava órfãos do grunge para qualquer buraco de BH e se tornou, por pelo menos um ano, uma das maiores promessas da música brasileira, simplesmente não existe mais. Junto dos dreads vermelhos de Gustavo se foram o peso, as afinações esquisitas e grande parte da força da banda. A ordem no Udora agora é se comportar e a nova forma de pensar abrange desde o figurino bonitinho até as guitarras absurdamente mais limpas, passando pelo corte de cabelo que toda mãe aprovaria.
Em GoodbyeAlô a banda toca bem (como sempre), a produção é boa (fruto de muitos recursos financeiros e da ajuda técnica de Henrique Portugal do Skank) e as letras são..... bem, as letras são pop, com tudo que isso tem de bom e ruim. E se as faixas não são nenhuma obra prima também não chegam a causar vergonha.
A boa "A falta (que me faz)" abre o álbum e de certo modo anuncia o que vem pela frente: letras sobre relacionamentos, guitarras domesticadas para não agredir ouvidos mais sensíveis e a vontade de construir um hit após o outro.
"Por que não tentar de novo" é provavelmente a faixa com maior potencial radiofônico e não por acaso virou o primeiro vídeo-clipe do disco. Ouça algumas vezes e não se surpreenda se sair por aí cantando "Por que não tentar de novo/Já não tenho nada a perder/Meu ego não fica em jogo/Cada vez que penso em você".
Vídeo de "Por que não tentar de novo"
A chatinha "Quero te ver bem" se encaixaria perfeitamente como trilha de par romântico de Malhação e posso apostar que será o segundo clipe do disco. "Mil Pedaços" recupera um pouco da energia das primeiras faixas, mas uma preguiça voraz pode acometer o ouvinte menos resistente durante "Pôr-do-sol" e "Tão perfeito". As coisas só voltam a melhorar em "Meu pior inimigo" e "Velho lugar", justamente onde a faceta rock do álbum supera o lado pop.
Por fim "Goodbye Alô", a balada acústica que dá nome ao disco, chega com a estrofe "Eu só quero amar você/Pra não pensar que foi em vão/E todo dia me ver refletir em alguém/Que me faz são" confirmando, caso você ainda tenha dúvida, que o objetivo é mesmo expandir o público custe o que custar. Se vai funcionar? Provavelmente desta vez não, mas quando souber balancear o que o Diesel tem de rock e o Udora de pop, talvez a banda salte sem nenhuma escala para o mainstream brasileiro.
Por fim "Goodbye Alô", a balada acústica que dá nome ao disco, chega com a estrofe "Eu só quero amar você/Pra não pensar que foi em vão/E todo dia me ver refletir em alguém/Que me faz são" confirmando, caso você ainda tenha dúvida, que o objetivo é mesmo expandir o público custe o que custar. Se vai funcionar? Provavelmente desta vez não, mas quando souber balancear o que o Diesel tem de rock e o Udora de pop, talvez a banda salte sem nenhuma escala para o mainstream brasileiro.

7 participações:
Achei!!! Nossa, vou ter q pagar pau, pq o site tá muuuuuuuuito foda! Já adicionei nos "Favoritos"!! Vou dar uma olhada todo dia pra tirar o atraso, rsrs! Bjooo!!
demorou mas finalmente conheceu!
Rs! E eu achei aki totalemnte pot acaso! Fui fazer uma pesquisa sobre o "Canastra" e nunca mais saí!
Vamos então do post. Nossa! Quanta diferença de uma apar a outra não? Do último clipe até achei a levada legal, mas realemnte a tal de Udora é muito pop... E eu não sou lá muito fã deste estilo.
sintonizado marcelo!
esse diagnóstico foi com propriedade.
besos
er, esse texto é do Leo...
mas valeu assim mesmo pelo elogio (que foi repassado para o devido autor).
Comecei a ler sobre o Transmissor e...o Udora tava no meio. A minha lembraça foi um blog que eu leio faz tempo, o seu!
=*
Ae Leo, teve A manha pra descrever oq ta rrolando com essa banda, que ja foi uma das melhores bandas brasileiras, lembro de ir nos shows da banda qdo ainda era Diesel, e pagava mto pau... Os cara mandavam mto bem! E bateu uma decepcao enorme qdo escutei essas musicas do album novo, no minimo triste isso... E tudo q tu disse ai no artigo ta certo cara, virou bandinha pop comercial pra agradar a molecada q nao sabe oq é rock de verdade...
agora eu parto numa busca interminavel para tentar achar o primeiro album dessa banda pra baixar, se alguem souber de algum link, POR FAVOR me mande! Vlew!
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