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4 de dezembro de 2007

Fórceps

O que um grupo de pessoas insatisfeitas com o tratamento dado à cultura em sua cidade faz? Na maioria dos casos, nada. No meu caso, do Leo, da Cacau e do Bim, nós criamos o Fórceps. E o que é isso? Bem, o Fórceps é um coletivo (ou Instituto Cultural, como estamos cadastrados) que busca a valorização da produção cultural independente, principalmente aquela feita fora dos grandes centros e que dificilmente encontra espaço na mídia.

A intenção é colaborar para a "organização, qualificação, fomento, profissionalização e divulgação da produção cultural brasileira alternativa", "promovendo intercâmbio entre as regiões ao mesmo tempo em que incentiva a auto-sustentabilidade das manifestações culturais regionais". As aspas são do nosso texto de apresentação.

Nosso foco inicial de ações é a cidade de Sabará, cidade natal da maioria dos integrantes do Fórceps (exceto a Cacau, que é paulistana). Localizada na região metropolitana de Belo Horizonte (20 km da capital), Sabará é uma cidade histórica em que o turismo ainda é fraco e carece de mais ações relevantes na área musical. Mesmo assim,
manifestações culturais originais e interessantes surgem na cidade, como a Borrachalioteca e a TV Muro, e faltava uma forma de divulgar e aproximar as pessoas interessadas em ações culturais independentes.

A primeira ação do Fórceps já acontece este mês, com o ESCAMBO - Festival de Experiências Musicais, apresentando shows de bandas locais, oficinas e uma palestra especial. Em fevereiro nós fazemos o Grito Rock Sabará, cujas inscrições para bandas já estão abertas, e esses são apenas os primeiros passos.

A cena independente brasileira, não apenas a musical, mas a de ações culturais independentes, vive um momento singular, e é importante que existam grupos comprometidos e com real interesse no desenvolvimento cultural. E, no nosso caso, a intenção também é o desenvolvimento sócio-econômico através da cultura (algo, que, acredito, também está na pauta de iniciativas como o Chappa e o Espaço Cubo).

O www.forceps.com.br já está no ar, assim como nossa página no MySpace. Obviamente, à medida que realizarmos mais ações haverá mais conteúdo em ambas as páginas. Uma das coisas que me deixa inquieto em relação aos coletivos e "produtores culturais" é o uso pífio feito pelos mesmos da internet. O Chappa é um exemplo de como explorar as possibilidades do meio digital, mas é raridade no underground brasileiro (talvez pelo fato de o Chappa ser quase "pop", com empresas maiores envolvidas). Todos nós do Fórceps temos uma boa experiência com internet (apesar de não sermos geeks), então espero que façamos um bom uso do meio. Por enquanto, concentramos tudo em alguns poucos lugares, porque é muita coisa para fazer, por poucas pessoas.

Aconselho as pessoas interessadas em arte ativista (sim, porque é mais ou menos essa a minha definição para o que fazemos, tanto no Fórceps como na P.U.T.A., apesar de serem dimensões diferentes) a entrarem constantemente no blog do Fórceps. Lá, além de acompanhar nossas atividades, você fica sabendo de outras iniciativas culturais Brasil à fora e descobre meios para fazer as coisas você mesmo.

Não sei como terminar esse texto. Até porque sinto que em alguns momentos soa meio burocrático mas, principalmente, porque simplesmente não sei. É como se dissesse "estamos aqui, prontos, e tudo aquilo que esteve em nossas cabeças durante todo esse tempo agora será feito". Ou, ao menos, tentaremos.

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