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6 de julho de 2007

Bidê ou Balde - Outubro ou Nada!

Poucas vezes se viu uma banda tão afinada para compor rock pop em português como a Bidê ou Balde. Basta ouvir canções como "Bromélias" ou "Matelassê" para se ter certeza disso.

Um chamado ao "terrorismo new wave" e ao "empirismo pop", envolto por cultura pop e diversão ativista, Outubro ou Nada! é a trilha sonora para que o "urbanismo fantástico" molde o concreto enquanto pessoas "fumam, bebem e trepam nas ruas" e "entram em greve pela indolência e a beleza espiritual", "exigindo o impossível", sendo observados por "xiitas fanáticos imaginários" e sua "pornografia tântrica".

Weezer, The Rentals, Andy Warhol, Luther Blissett, The Flaming Lips, Barbarella, Roy Lichtenstein e outros são convidados da festa regada à riffs grudentos e melodias assobiáveis ou riffs assobiáveis e melodias grudentas, dependendo do seu nível de absorção.

As sirenes cantam e as paredes estão coloridas, lembre de cada beijo dado ao som de "Microondas" e sinta a nostalgia amorosa com "Aeroporto". Você não irá vencer do jeito mais fácil, mas a música pode ajudar a suportar a dor.

"Façam as luzes piscar, aumentem o volume do som". O momento deles pode ter passado, mas não o seu.

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Houve uma época em que a Bidê ou Balde era uma das maiores promessas do rock brasileiro, senão "A" promessa, em grande parte graças ao fervor hypístico com o qual a revista Bizz tratava a banda. Se por um lado a exposição foi positiva, por outro gerou birra e repúdio em muitas pessoas.

O jabá pago pela gravadora Abril Music para promover o álbum de estréia da banda, Se Sexo é o que Importa, Só o Rock é Sobre Amor, não vingou, o público das FMs acabou não aceitando muito bem a banda e de pouco adiantaram participações em programas de tv como o do tio Fábio Júnior.

Outubro ou Nada!, lançado em 2002, dois anos após o debut, marcou o declínio do interesse da mídia na banda, apesar de ser um grande álbum, melhor trabalhado e bem mais profundo que o anterior. As expectativas superestimadas da Abril Music e da mídia sobre Se Sexo é o que Importa ... acabaram atrapalhando o futuro da BoB e deixando claro que algo não estava certo: a banda saiu da gravadora, a Abril Music fechou as portas, a Bizz parou de circular alguns anos depois e até o programa do Fábio Júnior foi cancelado ("coitado...").

Seja como for (ou como foi), a Bidê ou Balde acabou estigmatizada como "a banda queridinha que não deu certo" e isso, de certa forma, impediu que Outubro ou Nada! tivesse o devido reconhecimento. O chamado ao levante presente na faixa interativa, com textos sobre o coletivo Wu Ming, Luther Blissett e Guy Debord, além de outros textos da chamada literatura subversiva, não chegou até muitos mas, sem dúvida alguma, cumpriu sua função junto a algumas almas perdidas e, mais importante, mostrou (mais uma vez) que a música pop não precisa ser vazia.

Outubro ou Nada!, Bidê ou Balde
Ano: 2002
Gravadora: Antídoto
Produzido por Thomas Dheher e Bidê ou Balde
Faixas: 1. Hollywood #52 2. Cores Bonitas 3. Microondas 4. Bromélias 5. Adoro Quando Chove 6. A-há 7. Matelassê 8. Dulci 9. O Antipático 10. Soninho 11. Aeroporto 12. O Que Eu Não Vejo Não Existe 13. Não Adianta Chorar 14. Cores Bonitas
Site oficial: www.bideoubalde.com.br

Leia outra crítica do álbum.

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