6 de abril de 2007

sobre as primeiras edições das revistas [ ] Zero e Frente

Da pesquisa realizada para o post anterior surgiu a inevitável comparação entre as linhas editoriais da [ ] Zero e da Frente, mas surgiu também a necessidade de comparação entre elementos da cena alternativa nacional daquela época com a atual.

Eis, portanto, uma breve recapitulada sobre os artistas nacionais presentes nas duas edições e o que foi dito por/sobre eles.

Na revista [ ] Zero nº1 a música brasileira estava presente através de uma matéria de quatro páginas sobre a volta do RPM; a indicação de um álbum do Ultrage a Rigor como "fundamental"; algumas recomendações feitas pela Simone, ex-baixista do Autoramas; e resenhas de artistas como Rodox, Engenheiros do Havaí, Thee Butchers' Orchestra e Acústicos & Valvulados.
Apenas cinco anos se passaram e eu me pergunto: "onde estão Rodox, Thee Butchers' Orchestra e Acústicos & Valvulados?". Deixa pra lá...

Uma das coisas mais engraçadas de se ler agora, naquela edição da [ ] Zero, é a matéria sobre o show de lançamento do Bloco do Eu Sozinho, 2º álbum do Los Hermanos. Na época a banda tinha um futuro incerto e vinha com um álbum muito diferente do que o anterior, que os havia alçado à categoria de fenômeno pop. O resultado do Bloco..., com suas tubas, incursões pela MPB e abandono das influências ska, todo mundo conhece.

Mas é a seção "talking about my generation" a que mais chama atenção em se tratando de cena indie brasileira, com textos sobre (pasmem) Kiko Zambianchi, Grenade e
Faichecleres.
Eis a abertura do texto sobre o
Faichecleres: "Um amigo viu o show e teve vontade de jogar todos os discos no lixo e começar a coleção do zero. Outro organizou um festival só para poder chamar os caras para tocar".
Algum desavisado poderia ler isto agora e perguntar: "Mas, então, estes caras se tornaram uma espécie de novo Nirvana brasileiro, um puta hype ou algo do tipo?". Não. Apareceram na MTV algumas vezes e tocaram em algumas bibocas pelo país afora, enchendo a cara e ficado um pouco mais surdo a cada dia. Rock and Roll.


Já a Frente nº 1 estava muito mais focada no produto nacional, fato explicitado pela capa da edição, que trazia os nomes dos artistas que estavam "reconstruindo o pop brasileiro". Estes artistas eram: Marcelo D2, Pato Fu, Rodox, Los Hermanos, Cachorro Grande, DJ Patife, Thee Butchers' Orchestra e Sonic Júnior.
Destes, D2 realmente se firmou entre os maiores nomes do pop nacional; o Pato Fu já era famoso na época e mantém uma carreira regular; Rodox sumiu do mapa; Los Hermanos é talvez a única banda adorada tanto no mainstream quanto no underground brasileiro; a carreira do DJ Patife caiu junto com a febre do drum'n'bass;
Thee Butchers' Orchestra acabou (ou ao menos está parado por tempo indeterminado); pouco (ou nada) se fala do Sonic Júnior e o Cachorro Grande segue uma trajetória mtvesca que vem rendendo shows pelo país afora e participações em grandes festivais (vide Claro Q É Rock e Pop Rock Brasil).
A enorme matéria, de 20 páginas, pode ser baixada aqui (as páginas foram digitalizadas em baixa resolução) .

As bandas que tinham músicas no CD encartado na revista, em sua maioria, também não tiveram um futuro feliz.
Rápida análise:
1. Astromato: acabou.
2. Cachorro Grande: cresceu, como foi dito no parágrafo acima.
3. PB: quem?
4. Los Hermanos: consolidou-se na cena musical brasileira, respeitada no meio indie e mainstream, como também já foi dito no parágrafo acima.
5. Professor Antena: nunca mais ouvi falar.
6. Magazine: voltou para o limbo ("de onde não deveria ter saído?").
7. Wander Wildner: continua na mesma.
8. Casino: nunca mais ouvi falar.
9. Wado: cresceu relativamente, em meio a um público restrito.
10. Sonic Júnior: na mesma.
11. Instituto e Sabotage: o primeiro está cada vez mais renomado em meio à crítica, o segundo, morto.
12. Stereo Maracanã: acabou?
13.
Thee Butchers' Orchestra: acabou.
14. MQN: na mesma.
15. Mini: como não é um projeto "sério", pode-se dizer que está na mesma.

Outros nomes que apareceram na revista foram Fellini, De Falla, CPM 22 e Frank Jorge, além de diversos outros artistas nacionais que tiveram resenhas de seus álbuns publicadas, como Lobão, Nando Reis e Momento 68. Mas nenhum deles em uma passagem tão engraçada de ser lida atualmente como a do Forgotten Boys. Eis o que Chuck Hipolitho disse à revista na época:
"Acho que se a gente cantasse em português, seria um estouro. Falo isso sem modéstia nenhuma, mesmo. Mas é uma pena você ter de mudar o jeito que pensa para poder vender mais. Não queremos isso".


Três anos depois, mais precisamente em setembro de 2005, a banda lançou o álbum Stand By The D.A.N.C.E., mesclando canções em inglês e português, como "Não Vou Ficar" e "5 mentiras" (que você confere ao lado), ambas com vídeos veiculados na MTV (onde, aliás, Chuck trabalhou).

Então tá.

4 participações:

Nego_Zeh disse...

Mais um texto bacana...fiz um comentário sobre o post anterior.
Abraços amigo...

Nego_Zeh disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nego_Zeh disse...

Pow valeu msm pela visita e pelas dicas...
O Álcool y Prozac é um experimento e eu tenho aprendido muito com ele. Infelizmente, tenho uma rotina bastante puxada e fica muito difícil postar com a freqüência desejada. Mas nessa trajetória eu vou aprimorando algumas coisas, adicionando outras e aprendendo (que é o principal, não é?).

Obs: Gostei muito de ouvir Pin Ups na playlist do seu blog. Tinha um tempão que não ouvia nada da banda.

Obrigado Marcelo!! Espero que possamos continuar com esse intercâmbio.

Rodrigo disse...

Pra mim, esse negócio de querer salvar o pop nacional era um discurso bem pretensioso da Frente, acho bem feito a revista não ter vingado. A Zero era muito menos bitolada em salvar o mundo, mais divertida, e até hoje eu tenho todas as edições em casa, acho incríveis.
Acho que a Bizz tem muito desta pretensão, o editor-chefe é o Ricardo Alexandre, o mesmo da Frente. Tem uns editoriais dele q eu acho mto pedantes. Nesse caso, periga da Rolling Stones se dar melhor do que a Bizz, como a Zero se deu melhor do que a Frente.