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17 de dezembro de 2006

show de retorno da Udora

Cinco anos após o exílio nos Estados Unidos, com novo nome (antigamente se chamavam Diesel), o álbum Liberty Square na bagagem, iniciando uma nova fase com canções em português e metade da formação original, a Udora fez seu grande show de retorno em Belo Horizonte na última quinta-feira, dia 14 de dezembro.


Logo no início, com a ótima “pieces”, a banda deixou clara a razão pela qual fez tanta falta nos últimos anos: canções fortes e com punch, bons refrões e músicos que sabem tirar o máximo de seus instrumentos são marcas registradas tanto da fase Diesel quanto da Udora.



O público que lotou o Lapa Multshow cantava todas as músicas, surpreendendo nas mais recentes, em português, disponíveis apenas na Trama Virtual, das quais boa parte da platéia também sabia as letras.


Havia certa apreensão no ar quando o vocalista e guitarrista Gustavo Drummond apresentou a primeira canção em português do show, “mil pedaços (lá, lá, lá)”, mas não era necessária. A nova fase da banda parece estar sendo bem recebida, apesar do termo “emo” surgir em uma freqüência semi-preocupante para descrever as novas músicas.


O que se percebe é um aprofundamento na veia pop da banda, já explorada no álbum Liberty Square, mas as letras em português ainda precisam ser trabalhadas. A própria “mil pedaços”, por exemplo, apresenta um excesso de rimas e algumas frases, digamos, desnecessárias, como “estrela guia no céu prometia brilhar e nos sepultou no escuro”. É algo que se espera do Fresno, mas que em se tratando de Udora, é aceitável pelo pelo fato de sabermos que as novas canções ainda estão em desenvolvimento.




Mas, como não podia deixar de ser, é óbvio que as músicas do Diesel tiveram um lugar especial no show. A primeira delas, “burn my hand”, provocou tal estado de nostalgia-recente que causou arrepios.
Ouvindo comentários e lendo sobre o show por aí, tenho certeza de que não fui o único a sentir isto. Aliás, os próprios Gustavo e Leonardo Marques, o outro guitarrista e também da formação original, deviam sentir o mesmo.
Foi prazeroso e, de certa forma, engraçado, ouvir mais uma vez músicas como “drain” e “plastic smile”, uma das minhas favoritas do Diesel, com todo o peso e clima grunge que as caracterizam. E o que dizer de “4d”, um dos maiores hits da banda? Simplesmente fóda.


Vídeo de "burn my hand" no show em BH, 14.12.06




Anunciada como “a música tema da Copa do Mundo da ESPN americana”, “the beautiful game” ao vivo lembra ainda mais Silverchair (fase Diorama) do que em estúdio, e isso não é nem de longe um mal sinal. Do álbum Liberty Square também foram tocadas “faith and reason”, “breathing life”, a balada “when it ends”, o single “fade away” e “liberty square”, esta última, no bis. Todas muito boas, funcionando incrivelmente bem ao vivo.


Se algo deixou a desejar, ao menos um pouco, foram as novas canções em português. Com exceção de “perdas e danos” (que anteriormente atendia pelo péssimo título “a volta dos que não foram”), que tem tudo para se tornar um grande hit, algumas das novas músicas soam próximas ao lugar comum do rock/emo americano e dos sons “mtvescos brazilis”.
Torço para estar errado, mas a sensação é a de que a banda se afasta aos poucos do instrumental bem trabalhado , empolgante e pesado de antes.


É fácil comparar as 3 fases da banda. Se na época Diesel, Alice In Chains era referência constante; se percebia influência de Faith No More em músicas como “4d”; e boa parte de Liberty Square remete a Silverchair pós-Freak Show, a nova fase, em alguns de seus melhores momentos, lembra Panic! At The Disco.
Perda e danos” é ótima, concordo. Mas é preciso admitir que poderia fazer parte do álbum da turminha de Las Vegas (se fosse em inglês, claro).
Resta saber para qual lado a balança irá pender até o lançamento do álbum em português, atualmente intitulado Goodbye Alô (uh?).


Udora - perdas e danos



Em uma sábia escolha, deixaram fora do repertório músicas fracas da nova fase, como “por que não tentar de novo” (indiscutivelmente emo), “dia da independência” e “guerrilheiro só”, esta última, uma espécie de Leela com Polegar (ic!) e letra escrita por um moleque de 13 anos.
Ao longo da apresentação os novos membros, o baterista PH e o baixista Daniel Debarry, também não fizeram feio e se mostraram competentes, com poucos erros.


No mais, “o carnaval morreu” (difícil ouvir esta letra e não imaginar a quem ela se refere), “refém do tempo” (uma das melhores incursões pelo pop feita pela banda) e “velho lugar” (com riff chupado de "dope nose", do Weezer) são promissoras, mas é preciso que a banda não se deixe levar pela babação de ovo dos amigos hiper-empolgados com o retorno e mantenha os pés no chão, seguindo seu objetivo, seja ele qual for.


O futuro da Udora é incerto, mas contanto que seja divertido, não irei reclamar.

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